Estados Unidos suspendem embargo de armas ao Vietnã após 32 anos


Publicado em: 23/05/2016

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Em seu giro pela Ásia nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pretende fechar velhas feridas deixadas pelas guerras que seu país travou no continente. Nesta segunda-feira, deu um passo de enorme importância simbólica nesse sentido: anunciou, em uma entrevista coletiva em Hanói junto ao presidente Tran Dai Quang, o fim definitivo do embargo de armas ao Vietnã vigente desde o fim do sangrento conflito entre as duas nações.

“Os Estados Unidos suspenderão por completo a proibição de venda de equipamento militar ao Vietnã, em vigor há cerca de 50 anos”, declarou o presidente norte-americano. O anúncio é uma prova dos enormes progressos nas relações entre os antigos inimigos, hoje unidos por interesses econômicos e, sobretudo, de defesa. Ambos compartilham enorme desconfiança sobre a veemência cada vez maior nas reivindicações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China.

O Vietnã, que mantém uma relação complicada com a China, seu principal parceiro comercial e companheiro ideológico – mas contra o qual travou uma breve guerra em 1979 –, é hoje em dia o principal oponente na região, ao lado das Filipinas, às reivindicações chinesas. Pequim e Hanói disputam as ilhas Paracel e Spratly, onde a China planeja estabelecer uma base para operações de resgate, conforme noticiou a imprensa oficial chinesa.

Atento aos movimentos de seu poderoso vizinho do norte, o Vietnã foi reforçando a cooperação militar com outros países da região, como Japão e Austrália, e modernizando seu arsenal, até agora fornecido principalmente pela Rússia. Os Estados Unidos insistem que é preciso garantir a liberdade de navegação em águas por onde passam anualmente cerca de cinco trilhões de dólares em bens comercializados, dos quais mais de 20% são norte-americanos. Em várias ocasiões, Washington expressou preocupação com a velocidade em que a China constrói ilhotas artificiais na zona em disputa. Navios militares norte-americanos realizaram várias patrulhas perto de ilhotas que a China considera território próprio.

Obama negou que a decisão de levantar o embargo, parcialmente relaxado há dois anos para alguns equipamentos de defesa marítima, esteja relacionada à preocupação comum com a China. O fim da proibição “não se baseou na China nem em qualquer outra consideração, mas em nosso desejo de completar o que foi um longo processo de avanços na normalização das relações com o Vietnã”, afirmou, conforme cita a Reuters.

Até o momento, a China se limitou a declarar, tanto antes como depois do anúncio, que espera que a normalização das relações entre Washington e Hanói após o conflito terminado em 1975 contribua para manter a paz e a estabilidade na região. “Aplaudimos a normalização do desenvolvimento das relações entre os Estados Unidos e o Vietnã”, ressaltou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Pequim, Hua Chunying.

Os Estados Unidos ainda não especificaram quando ou que armamentos pretendem vender ao Vietnã. Qualquer decisão a esse respeito será tomada caso a caso e dependerá, conforme afirmou Obama, de melhorias no respeito aos direitos humanos, uma área em que o histórico do regime comunista deixa muito a desejar. Na sexta-feira, como sinal de boa vontade, Hanói libertou o padre católico Nguyen Van Ly, preso há cerca de 20 anos por seu trabalho em defesa das liberdades.

Mas o anúncio já despertou a ira dos defensores dos direitos humanos. Para Phil Robertson, sub-diretor para a Ásia do Human Rights Watch, a decisão da Casa Branca “põe a perder muito da capacidade de pressão que os EUA ainda tinham para exigir a melhora dos direitos humanos no Vietnã, e basicamente não consegue nada em troca”.

As reuniões de Obama com as autoridades em Hanói também tinham um aspecto econômico e comercial. Apesar de a China ser o principal parceiro comercial do Vietnã, os Estados Unidos são o principal comprador das exportações do país do Sudeste Asiático. Entre outros acordos anunciados na segunda-feira, a Boeing venderá cem aviões à companhia aérea de baixo custo VietJet no valor de 11,3 bilhões de dólares.

A visita de Obama ao Vietnã termina na quarta-feira, quando o presidente norte-americano viajará ao Japão para participar da cúpula anual do G-7, o grupo de países mais desenvolvidos, e, especialmente, para visitar Hiroshima, onde os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atômica da história em 6 de agosto de 1945. Obama será o primeiro presidente norte-americano em exercício a visitar o Memorial da Paz dessa cidade e participar de uma cerimônia em homenagem às vítimas. Embora não esteja previsto um pedido de desculpas por parte do mandatário, espera-se que sua presença sirva para virar a página sobre um assunto que, 70 anos depois, ainda suscita fortes debates.

Fonte: El País

Uma resposta em “Estados Unidos suspendem embargo de armas ao Vietnã após 32 anos

  1. Inimigo de inimigo meu é meu amigo! Esta frase é que se encaixa ao ler a notícia acima. Ficou claro nas entrelinhas que o objetivo do governo estadunidense, não é pelo menos de início, estreitar relações com o Vietnã afim de reparar antigas diferenças, mas deter o avanço chinês na região. Par trás de sorrisos amarelos e apertos de mão há interesses e ressentimentos que o público desconhece.
    Depois das atrocidades cometidas pelo Tio San durante a guerra do Vietnã como por exemplo o uso de armas químicas: agente Laranja, um desfolhante utilizado para evitar que os soldados do país asiático se escondessem entre as árvores, um agente químico extremamente danoso ao meio ambiente que afetou cerca de 10% do território vietnamita sem mencionar outros tipos de atrocidades como deformidades físicas e estupros, fica difícil de acreditar nesta relação de amizade como se nada tivesse acontecido. Dinheiro ameniza mas não apaga ressentimentos. Depois dos crimes contra a humanidade cometidos no Vietnã, aparece os Estados Unidos e dizem te perdoo; acabando com o “embargo” econômico como se eles tivessem sido as vítimas.
    Alguns acordos comercias não apagam e não pagam os crimes cometidos durante a guerra contra o país asiático. A hipocrisia se amplifica ainda mais, uma vez que o acordo não foi feito para reparar ou mesmo amenizar os efeitos que o conflito provocou no Vietnã, mas barrar uma possível ameaça da China.

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