Soluções para a crise econômica brasileira


Publicado originalmente em: 02/05/2016

Economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga fala sobre o motivos que levaram a atual crise econômica, suas consequências e como sair dela.

Roda Viva

2 respostas em “Soluções para a crise econômica brasileira

  1. A crise brasileira não comporta nenhuma solução tecnicamente superior; podemos conceber tantas soluções alternativas quando forem os interesses em jogo. Por isso podemos falar na existência de um impasse, que não existiria se houvesse apenas um único e inexorável caminho; esse impasse decorre do fato de que as soluções alternativas são, em parte, conflitantes. Sabemos, portanto, que a estratégia que delinearemos não é a única concebível. A segunda premissa da qual partiremos é a de que o Brasil não vai, de forma alguma, resolver a atual crise através da alienação ou negociação forçada, a preços humilhantes, de seus recursos naturais, ou da destruição de boa parte do empresariado nacional, a exemplo de que ocorreu com o México — que acaba de ser obrigado a aumentar suas exportações de petróleo para os EUA — e com o Chile. A terceira premissa é a de que o Brasil pode e deve substituir rápida e decisivamente o petróleo por fontes energéticas de origem natural, bastando para isso que o governo e sociedade brasileira se decidam a liberar o imenso potencial produtivo que ainda está sendo sufocado. Já a última premissa de que partiremos é a de que a inflação e as elevadas taxas de juros estão de fato associadas ao financiamento dos déficits de caixa (única) do governo federal através de papéis sem lastro.

  2. A crise brasileira não é um resultado somente do governo da ex-presidente Dilma, e sim de toda a política e gestão econômica do Partido dos Trabalhadores. Programas sociais como o Bolsa Família e outros foram, certamente importantes, pois serviram de subvenções gratuitas derivadas da receita federal, para auxiliar as classes mais desfavorecidas. Porém, hoje vemos que esta iniciativa, tendo sido estagnada em si própria e não tendo evoluído, tendo sido tratada como solução para os problemas sociais e não como uma medida temporária com o objetivo de ajudar as classes baixas a evoluirem, acarretou em uma crise sem precedentes e de difícil recuperação. A forma de governo petista, sem sombra de dúvidas, beneficiou as classes baixas de uma forma utópica para épocas anteriores. Um auxílio exagerado, independente de eles terem agido de boa (para realmente ajudar os desfavorecidos) ou má fé (para conseguir votos da classes social que cobre grande maioria da população brasileira com o fim de mantê-los no poder), foi uma iniciativa nociva, cuja terrível consequência vai muito além da mais pessimista previsão que eles pudessem fazer em relação a nossa economia. Não importa o partido, é preciso renovar o governo, para que seja feita uma gestão econômica a longo prazo que tire o país dessa crise urgentemente. Uma crise que veio como castigo para um povo cuja lei maior é o jeitinho brasileiro, cujos principais alicerces são aquilo que é mais fácil de se fazer, independente de ser nocivo a longo prazo. Não podemos nos iludir em relação a nenhum governante que venha posterior ao governo Dilma, pois a crise é resultado não somente do governo dela, mas do nosso modo de vida preguiçoso e conformado.

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