Mercosul tem força para superar crise mundial, diz alto representante do bloco


Florisvaldo Fier manifestou preocupação com crises políticas no Brasil e na Venezuela, que ‘causam grave impacto’ no Mercosul e nas economias sul-americanas.

Publicado originalmente em: 22/04/2016

florisvaldofier

Fier, que também é conhecido como Dr. Rosinha, destacou este desafio em uma conferência no 21º Eneri (Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais), que acontece em Foz do Iguaçu, e na qual repassou a história do Mercosul e analisou suas perspectivas para o futuro.

O alto representante explicou que o bloco “foi originado por uma crise” comercial e econômica em 1991, quando o Acordo de Assunção foi assinado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e criou o Mercosul, e que depois, no final dessa década, superou um segundo período de instabilidade econômica dos países-membros.

“Agora que vivemos uma nova crise na região e no mundo temos o desafio e a possibilidade de superá-la porque o Mercosul é o quinto bloco do mundo”, comentou Fier, que, no entanto, reconheceu que é necessário “muita vontade política” para isso.

O alto representante do bloco também revelou preocupação com as crises políticas vividas no Brasil e na Venezuela, que “causam grave impacto” no Mercosul e nas economias dos demais países da América do Sul.

“A instabilidade no Brasil, por ser a maior potência e o maior país da América do Sul e do bloco, repercute no Mercosul e em todos os países sul-americanos pela integração que temos hoje”, disse Rosinha.

Entre as conquistas e perspectivas mencionadas por Fier estão os avanços na integração econômica e entre os cidadãos dos países-membros.

“A declaração de Foz do Iguaçu (o primeiro acordo assinado entre Brasil e Argentina após o fim da ditadura nos dois países, em 1985) só continha aspectos econômicos, afirmou Rosinha, que acrescentou que quis mostrar na conferência como o bloco progrediu desde então.

Nesse sentido, o alto representante do bloco citou como exemplo o fato de que os cidadãos dos países que atualmente fazem parte do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela – têm o direito de viajar por esses Estados apenas com documentos nacionais, de residir em qualquer um deles e ao reconhecimento das contribuições de aposentadoria.

Sobre a integração econômica, Rosinha considerou o desenvolvimento das relações comerciais como uma das conquistas mais importantes do bloco.

“O Brasil é quem mais importa do Uruguai, e as relações comerciais entre Brasil e Argentina se aprofundaram, entre elas a produção compartilhada de carros”, comentou o alto representante.

No entanto, Fier considerou que ainda falta um longo caminho para ser percorrido em direção a uma integração maior, e estabeleceu como uma das metas possíveis para o 30º aniversário do bloco, em 2021, o avanço do processo de reconhecimento de títulos universitários.

Além disso, Rosinha propôs um acordo para a criação de fronteiras administrativas, “onde não há a necessidade de um controle” e o cidadão pode trabalhar, estudar e utilizar os serviços de saúde do país vizinho livremente, entre os membros do bloco.

O Eneri, que acontece pela primeira vez em Foz do Iguaçu, é um evento acadêmico realizado desde 1996 em diversas cidades do Brasil com o objetivo de reunir estudantes de todo o país para discutir temas relevantes para seu campo de estudo, o que, na opinião de Rosinha, é algo “extraordinário”.

“Fico feliz que haja muita gente jovem, porque eles são a esperança da formação de uma consciência integracionista, já que, até agora, os países vivem de costas uns para os outros. A juventude pode mudar isso com informação e consciência de integração”, defendeu Rosinha.

Sobre o evento, o alto representante do Mercosul também destacou os benefícios de se reunir estudantes de Relações Internacionais em uma cidade da “tríplice fronteira”, como Foz do Iguaçu, onde podem ver seus conhecimentos teóricos sendo aplicados.

Fonte: Opera Mundi

5 respostas em “Mercosul tem força para superar crise mundial, diz alto representante do bloco

  1. MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) é uma organização intergovernamental fundada com o Tratado de Assunção em 1991. Segundo Florisvaldo Fier, apesar das graves crises políticas no Brasil e na Venezuela, o bloco é capaz de superar todas elas. O MERCOSUL se trata de uma união aduaneira, logo os países membros estão unidos com o objetivo principal ligado a economia, se algum deles sofre algum tipo de crise isso afeta todos os demais em cadeia. No que tange o Brasil e os problemas políticos e econômicos que se passam por ele, o peso é maior não só nas nações do bloco, mas como em todos os países da America do Sul, isso acontece, pois ele é a maior potência da America do Sul e do bloco, ou seja, se ele enfrenta problemas, todos são afetados. Dessa forma, todos os países próximos ao Brasil devem estar atentos aos seus problemas e na medida do possível ajudá-lo, já que fato é que se todos eles estiverem bem e com boas taxas de crescimento, um empurra o desenvolvimento do outro, cooperando para maior crescimento do bloco como um todo. É necessária cooperação internacional de forma que as nações solucionem seus problemas e retomem o avanço, de modo que todas unidas possam aproveitar desse otimismo para obter melhores índices e proporcionar uma qualidade de vida melhor para seus cidadãos.

    • O mercado comum do sul, mais conhecido como Mercosul, é uma organização intergovernamental que foi criada a partir do Tratado de Assunção em 1991. Entre os acordos estabelecidos entre os países-membros estão a livre circulação de bens e serviços, além do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC), que consiste na padronização de preços dos produtos dos países para a exportação e para o comércio externo, ampliando e melhorando essas exportações entre eles.
      Essa integração econômica é de extrema importância para os membros, que se fortalecem, podendo enfrentar crises como essa que estamos vivendo. Como destacou Florisvaldo Fier nessa noticia, o bloco se originou por meio de uma crise comercial e econômica, e se permanecer unido, poderá sair de mais uma. É necessário que o Brasil, sendo a maior potência da América do Sul e influenciando diretamente os outros membros, participe com muita vontade política e ajude no cumprimento de novos objetivos, como por exemplo as fronteiras administrativas citadas por Rosinha, onde os cidadãos poderão trabalhar, estudar e utilizar os serviços de saúde dos membros do bloco.
      O otimismo de Fier é importante para todo o cenário internacional no andamento da crise, que deve se portar com cooperação para o melhor desempenho da economia.

  2. O Mercosul – Mercado Comum do Sul – como uma organização intergovernamental que surgiu com o Tratado de Assunção em 1991. Florisvaldo Fier – representante do bloco Mercosul – manifestou preocupação com crises políticas no Brasil e na Venezuela, que causa grave impacto no Mercosul e nas economias sul-americanas. Dr.Rosinha, assim chamado, explica que o bloco “foi originado por uma crise” comercial e econômica em 91, no final dessa década superou um segundo período de instabilidade econômica dos países-membros. Devida a crise interna política, teve reflexo na economia, sendo assim para recuperar o bloco econômico é necessária muita vontade política, pois as crises políticas causam grave impacto no Mercosul. É importante a integração econômica e entre os cidadãos dos países-membros. O representante do bloco propõe um acordo para a criação de fronteiras administrativas. Deve estar presente a cooperação internacional para que busquem uma solução viável a resolver seus conflitos e possam voltar ou melhorar seu comércio.

  3. De quando em quando a criatividade visita os esquemas de integração regional na América do Sul. Algo como o Equador propondo ‘mudanças substanciais’ na constituição da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, Morales (depois de receber um sonoro ‘não’ a mais uma reeleição) pedindo uma reunião de emergência da Unasul para defender Dilma e Lula, ou Maduro (também envolto em uma crise sem fim) alardeando o ‘golpe’ no vizinho.
    A única voz sensata é a do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que muito lucidamente tocou no centro do problema sem rodeios: “a esquerda, quando confunde desejos com realidade, cai nessa deformação do infantilismo, de puro voluntarismo”.
    É fato que a crise política e econômica no Brasil afeta e afetará os vizinhos, em menor ou maior medida, e natural que as lideranças políticas na região se manifestem. Ainda é muito cedo para medir ou entender quais são (e serão) os impactos na América do Sul destes quase dois anos perdidos pelo Brasil.
    No calor dos acontecimentos, as ações tomadas pelos organismos regionais em relação ao caso brasileiro são desencontradas, inócuas. Servem mais ao discurso interno de cada um dos países do que propriamente à consolidação das instituições criadas ao longo dos últimos vinte e cinco anos (em especial na última década).
    Ao final do dia, o que sobra é a velha e mal institucionalizada integração regional na América do Sul, que se mantém por inércia (uma vez que é custoso desmontar tudo o que já foi construído) e que serve de palanque de quando em quando para demonstrações de força ao jogo político interno.

  4. Com propostas de propiciar o comércio, a circulação de bens e serviços, o bloco Mercosul foi criado, visando sobretudo, a reciprocidade entre seus países vizinhos.
    Com o posto de quinto maior bloco do mundo, o Mercosul hoje enfrenta problemas em relação aos seu membros, no tocante a crises internas destes.
    É o caso do Brasil e também da Venezuela, que hoje enfrentam crises políticas/econômicas seríssimas, que não enfraquecem apenas seus próprios mercados, mas o mercado como um todo.

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