A recessão da América Latina se agrava devido à crise no Brasil


Gravidade da situação no país faz Fundo Monetário Internacional reduzir previsões anteriores

Publicado originalmente em: 12/04/2016

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A recessão no Brasil, a maior economia da América Latina, é mais profunda do que se imaginava e afeta toda a região, já muito fragilizada pelo efeito combinado do desabamento no preço das matérias primas e da fuga de capitais. Esse é o argumento que o Fundo Monetário Internacional cita para reduzir novamente suas previsões para o subcontinente. A contração projetada para este ano é agora de 0,5% do PIB regional, mas com a esperança de que se recupere para um crescimento de 1,5% em 2017.

A nova estimativa do órgão comandado por Christine Lagarde é 0,2 ponto percentual pior do que se previa há apenas três meses, e 1,3 ponto percentual abaixo da estimativa para 2016 feita no semestre passado. A nova avaliação do FMI para o ano que vem é 0,1 ponto inferior à de janeiro, e 0,8 ponto com relação a outubro. O temor é que este pessimismo acabe acelerando a espiral negativa.

As condições macroeconômicas no Brasil foram qualificadas como “severas”. A recessão será este ano de 3,8%, 0,3 ponto mais intensa do que se dizia há três meses e, portanto, idêntica à registrada em 2015. O FMI antevê uma recuperação da economia nacional em 2017, mas ficando estancada a partir daí. Nisso a projeção não varia. A recessão e a crise política terão um custo em termos de empregos e os salários.

No atual ciclo de crescimento medíocre, a América Latina está sendo muito mais afetada que o conjunto das economias emergentes, para as quais se projeta um crescimento de 4,1% neste ano e 4,6% no próximo. Apesar da redução da estimativa, os técnicos do FMI afirmam que não houve uma piora na atividade econômica da região desde o começo do ano, mesmo levando em conta a volatilidade das matérias primas e o reequilíbrio da China.

“[As novas cifras] estão alinhadas com as últimas previsões”, diz o relatório, a ser apresentado no fim de semana na reunião semestral conjunta do FMI com o Banco Mundial. O corte com relação a janeiro é semelhante à redução na estimativa global. A América Latina sofrerá, portanto, o segundo ano consecutivo de contração, depois da queda de 0,1 ponto em 2015. Há, entretanto, diferenças de rendimento conforme o país.

Ao contrário do Brasil, o México continuará crescendo a um ritmo “moderado”. A previsão é de uma expansão de 2,4% em 2016 e de 2,6% em 2017, atribuída à demanda privada e ao efeito positivo do crescimento nos EUA, que está estimado em 2,4% neste ano. No entanto, mesmo no caso mexicano as previsões do FMI são inferiores às de janeiro – 0,2 e 0,3 ponto percentual, respectivamente.

Os grandes países exportadores de matérias primas e energia sofrem. Outro exemplo nesse sentido é a Colômbia. Seu ritmo de crescimento irá cair para 2,5% neste ano, antes de se recuperar para 3,1% em 2017. A contração na Venezuela será duplamente mais grave do que no Brasil. Seu PIB cairá 8%, mais ainda do que a retração de 5,7% em 2015. A incerteza política agrava as coisas, enquanto a inflação ameaça chegar a 500%.

Não é só a queda no valor das exportações de petróleo e matérias primas que afeta a competividade das economias latino-americanas. O FMI considera “altamente incerta” a situação do Equador, por causa da dificuldade em atrair financiamento externo, o que provocará uma contração de 4,5% neste ano e 4,6% no seguinte. Também complicado é o panorama para o Chile, onde o crescimento cairá de 2,5% para 1,5%.

O FMI avalia positivamente as reformas empreendidas pela Argentina para corrigir os desequilíbrios e as distorções que afetam a sua economia. A projeção é de uma contração de 1% neste ano, depois de um crescimento de 1,2% no exercício passado. Em 2017, a previsão já é novamente de alta, estimada em 2,8%. No caso do Peru, o organismo projeta um crescimento de 3,7%, quatro décimos acima do ano passado.

Maurice Obstfeld, conselheiro econômico do Fundo, admite que há motivos para preocupação com a fragilidade geral na região e na economia global. Observa que os países não conseguirão repetir os índices de crescimento do passado se não souberem diversificar suas economias e não adotarem reformas estruturais. “É um processo que demora”, alerta, “mas a reação precisa ser imediata”.

Fonte: El País 

5 respostas em “A recessão da América Latina se agrava devido à crise no Brasil

  1. A recessão Brasileira de fato é um agravante em relação a toda a América latina, pois é cerca de 39% do PIB, em termos de representação, ou seja, o Brasil é o primeiro, tendo em seguida o México com 22%. A Argentina aparece em terceiro, respondendo por 11%.
    Bom, o fato é que mesmo com alguma previsão de crescimento por parte dos outros países, como é o caso México, que tem previsão de expansão de 2,4% em 2016 e para 2017, 2,6% em função de demanda privada e efeito positivo dos Estados Unidos, e também resultados positivos de reformas empreendidas pela Argentina, que possivelmente dará resultado em 2017, a situação do Brasil e de outros países que contribuem significativamente, ainda é assustador.
    O PIB Brasileiro já está sendo considerado o 2º pior do mundo, perdendo apenas para a Venezuela.
    A situação do Brasil, nada mais é que um reflexo desastroso de uma política econômica, que já bem se arrastando há alguns anos e culminou neste quadro que é sem sombra de dúvidas vergonhosa para um país do tamanho do Brasil e com a capacidade que tem para crescer, e de se destacar não só na América latina.
    Nossa economia é também, reflexo direto da forma e complexidade de gastos do governo, é notório que o gasto é muito maior que a arrecadação.
    Considerando ser o Brasil um país hoje, movido pela força política, pode até ser que para 2018, considerando as eleições, o setor privado, possa impulsionar de alguma forma a economia.

    Angélica S. Costa

  2. A atual situação econômica do Brasil vem causando muita preocupação à toda parcela da população que depende do seu próprio trabalho para garantir seu sustento.
    Sejam empregados ou empresários, estão todos preocupados com os rumos que nossa economia vem tomando nos últimos tempos.
    Essa preocupação com a atual situação econômica do Brasil vem fazendo com que empresários adiem investimentos e novos empreendedores aguardem momentos menos incertos para iniciar seus projetos.
    Os motivos que levaram a atual situação econômica do Brasil são muitos, mas alguns deles merecem um destaque especial. O primeiro deles é a total falta de investimentos em infraestrutura, que tem levado o país a perder competitividade tanto no ambiente interno quanto externo. A explicação para esse caos está na questão estratégica.
    O segundo grande motivo de termos chegado no ponto em que chegamos foi a total falta de planejamento estratégico de longo prazo para nossa economia. O governo vem trabalhando com uma estratégia de reação aos fatos, uma verdadeira operação tapa buraco, onde medidas emergenciais são adotadas para tratarem problemas que seria facilmente resolvidos se houvesse um planejamento macro.
    E, essa crise afetou não só o próprio país, mas também a América Latina como um todo, pois o Brasil é um dos se não o maior centro de comércio dentre os países. Dessa forma, é o responsável por grande parte do volume econômico que gira na América Latina.

  3. O Brasil é o país que possui a economia mais forte na América Latina, sendo chamado pelos seus vizinhos com “gigante da América do sul”, o que gera forte influência na economia ou política regional, o que implica diversas incertezas relacionadas a crise política brasileira, as investigações da polícia federal que estão ligadas aos responsáveis administrativos da Petrobrás e empresas que possuem atividades nas diversas regionais latinas, além da estabilidade econômica.
    Com a crise econômica que chegou no Brasil acabou refletindo nos demais países, que cresceram muito abaixo do esperado em consideração o crescimento de outros países emergentes que crescerão 4,1% . O pior caso é da Venezuela que deixará de crescer 8% no ano, com inflação podendo chegar a 5.000%, principalmente com a queda do preço do petróleo, principal produto exportado pelo estado, no qual gera a maior renda.
    Diante de diversos fatores, as perspectivas para a economia da América Latina não são as melhores, o FMI só prever uma leve recuperação no próximo ano (2017), sendo 2016 com recessão de 3,8%. Diante dessa situação a melhor forma de amenizar, como diz Maurice Obstfeld, é diversificar a economia de forma imediata e buscar a estabilização política e econômica no Brasil.

  4. Registrando uma queda inédita desde a dívida de 1982-1983, a América Latina, que antes vislumbrava uma taxa de crescimento de 5% ao ano está em crise, e o Fundo Monetário Internacional previu uma contração de 0,5% do PIB para o ano de 2016.
    Tal recessão não possui um motivo isolado, podendo servir de razões para tanto a eminente crise do petróleo, bem como a redução do valor das commodities.
    Entretanto, é importante salientar que a crise não assola todos os países por igual, mas se instaurou devido à queda dos seus mais importantes membros, como o Brasil.
    Este, devido à contração da atividade econômica em virtude da pouca confiança das empresas e dos consumidores, ao elevado índice de incerteza em relação à política interna e a fragilidade dos preços das exportações, aliado a pouca competitividade, teve sua atividade econômica contraída.
    Apesar da Venezuela enfrentar uma crise ainda maior do que a do Brasil, sendo a maior da América Latina, esta não possui o mesmo peso do nosso país no conjunto da economia latina.
    O Brasil representa um terço do Produto Interno Bruto da América Latina, sendo o principal parceiro econômico do Mercosul. Aliado ao fato de ser a maior economia da América do Sul, qualquer alteração em seu status econômico desencadeia um impacto na economia da região.
    Assim, apesar do Brasil, Equador, Argentina e Venezuela enfrentarem tempos difíceis, nosso país foi o que mais afetou a América Latina.
    Entretanto, há uma luz no fim do túnel: o FMI prevê que a recessão tenha seu fim no ano de 2017, onde todas as economias vão se reestruturar e voltar a colher bons frutos na economia.

  5. O Brasil é o país que possui a economia mais forte na América Latina, sendo chamado pelos seus vizinhos com “gigante da América do sul”, o que gera forte influência na economia ou política regional, o que implica diversas incertezas relacionadas a crise política brasileira, as investigações da polícia federal que estão ligadas aos responsáveis administrativos da Petrobrás e empresas que possuem atividades nas diversas regionais latinas, além da estabilidade econômica.
    Com a crise econômica que chegou no Brasil acabou refletindo nos demais países, que cresceram muito abaixo do esperado em consideração o crescimento de outros países emergentes que crescerão 4,1% . O pior caso é da Venezuela que deixará de crescer 8% no ano, com inflação podendo chegar a 5.000%, principalmente com a queda do preço do petróleo, principal produto exportado pelo estado, no qual gera a maior renda.
    Diante de diversos fatores, as perspectivas para a economia da América Latina não são as melhores, o FMI só prever uma leve recuperação no próximo ano (2017), sendo 2016 com recessão de 3,8%. Diante dessa situação a melhor forma de amenizar, como diz Maurice Obstfeld, é diversificar a economia de forma imediata e buscar a estabilização política e econômica no Brasil.

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