Mercosul e União Europeia trocam ofertas para acordo de livre comércio em maio


Publicado originalmente em: 11/04/2016

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A troca de ofertas envolvendo o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia está marcada para a segunda semana de maio. O anúncio foi realizado, nesta sexta-feira (8), em Bruxelas, na Bélgica, pela comissária de comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, e pelo ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa. O Uruguai exerce a presidência do Mercosul durante o primeiro semestre de 2016.

A data exata da reunião ainda será definida. Na ocasião, as equipes do Mercosul e da União Europeia vão trocar ofertas de acesso a mercado, especificando as formas para aumentar a abertura comercial mútua de bens e serviços, incluindo compras governamentais. A reunião de hoje acertou ainda um calendário de reuniões para o resto do ano.

“A Europa tem forte laços econômicos e políticos com a América Latina. A melhora das condições de comércio entre a UE e os países do Mercosul trará importantes ganhos econômicos para todos os países. Os dois lados estão comprometidos, então eu acredito que a troca de ofertas permitirá que encerremos com sucesso essa longa negociação”, disse hoje Cecilia Malmström.

Reação

O Ministério de Relações Exteriores explica que “o intercâmbio de ofertas de acesso a mercados constitui etapa essencial para a negociação de um acordo que leve na devida conta as expectativas e sensibilidades de cada um dos lados”. Em nota sobre o tema, o MRE diz esperar que a troca de ofertas seja equilibrada e mutuamente benéfico, “à altura do grande potencial das duas regiões e das relações históricas que as unem”.

O Brasil acolhe com grande satisfação esse anúncio, que marca o início da etapa final do processo negociador, objetivo ao qual o Mercosul atribui especial prioridade, tendo concluído o trabalho técnico de preparação de sua oferta de acesso a mercados já por ocasião da Cúpula de julho de 2014, em Caracas. A conclusão do trabalho do lado europeu e a fixação do momento da troca de ofertas abrem caminho para nova e decisiva fase no processo de negociação, que o governo brasileiro espera que possa ser concluído de forma rápida e exitosa”, cita o Itamaraty.

O Brasil empenhou-se consistentemente para fazer avançar as negociações, tanto na etapa de preparação da oferta conjunta do Mercosul, quanto na realização de gestões para viabilizar o intercâmbio das ofertas. Tais gestões incluíram diversos contatos diretos da presidenta Dilma Rousseff e do ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, com seus respectivos contrapartes em países europeus, além da atuação da Missão do Brasil junto à União Europeia e das embaixadas brasileiras junto aos 28 Estados Membros da UE.

Desde que assumiu a pasta, o titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, também vem trabalhando pela realização da troca de ofertas entre os blocos. “Esta é uma agenda prioritária para o Brasil. Estamos reposicionando nossa política comercial, e a principal iniciativa reside na conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia. A perspectiva do acordo preferencial de comércio entre os dois blocos oferece excelentes oportunidades. Temos a compreensão que esse passo será essencial para o nosso de processo de inserção mais qualificada nas cadeias globais de valor e para uma integração mais efetiva às correntes de comércio internacionais”, afirmou.

Histórico

As intensas negociações entre UE e Mercosul começaram em 1999. Após uma troca de ofertas mal sucedida em 2004, as negociações foram interrompidas por seis anos. Desde a retomada das conversas em 2010, nove rodadas de negociação foram realizadas, sempre mirando em uma nova troca de ofertas. O renovado suporte político dos países do Mercosul e dos membros da UE pavimentaram o caminho para novas rodadas este ano, destaca o MDIC.

O objetivo é negociar um acordo de comércio global, reduzindo impostos alfandegários, removendo barreiras ao comércio de serviços e aprimorando as regras relacionadas a compras governamentais, procedimentos alfandegários, barreiras técnicas ao comércio e proteção à propriedade intelectual.

Em junho de 2015, Monteiro se reuniu com a comissária Europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, e com representantes do Mercosul, em Bruxelas. Em comunicado conjunto divulgado após o encontro, Mercosul e UE reafirmaram a “importância de aprofundar e ampliar a relação entre os dois blocos e, para esse fim, realizaram uma troca franca e aberta de pontos de vista sobre o estado das negociações para um Acordo de Associação ambicioso, abrangente e equilibrado”.

Em agosto do ano passado, o ministro participou da reunião da presidenta Dilma Rousseff com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, no Palácio do Planalto. Na ocasião, Monteiro avaliou que a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia dependia, fundamentalmente, do Brasil e da Alemanha.

“Pela importância da Alemanha e, sobretudo, pelo iminente acordo, ou pelo menos o início da troca de ofertas com a União Europeia, eu diria que esse acordo Mercosul-União Europeia depende fundamentalmente de dois parceiros, o Brasil, pelo protagonismo no Mercosul, e a Alemanha, pelo extraordinário peso que a economia alemã tem na União Europeia”, disse.

Em outubro, o tema foi tratado pelo ministro na reunião do Comitê Econômico e Comércio Conjunto entre Reino Unido e Brasil (Jetco), realizada em Londres. O Reino Unido e o Brasil trocaram impressões sobre negociações comerciais e sobre estratégias de exportação. Um dos pontos mais importantes da pauta foi a troca de ofertas entre Mercosul e União Europeia, com um firme compromisso dos dois países em trabalhar, cada um em seu bloco econômico, para avançar rumo à assinatura do acordo de livre comércio.

Intercâmbio comercial Brasil/UE – 2015

Em 2015, as exportações brasileiras para a UE alcançaram a cifra de US$ 33,9 bilhões, 19,3% menos que no ano anterior (US$ 42 bilhões). A participação da União Europeia nas exportações brasileiras caiu de 18,7%, em 2014, para 17,8%, em 2015.
A pauta das exportações brasileiras para a UE é composta, principalmente, por produtos básicos (48,3%). Os semimanufaturados representam 16,1%, e os semimanufaturados, 35,1%.
Os principais produtos exportados para a EU, em 2015, foram: farelo de soja, com participação de 9,8% do total das exportações para o bloco; café em grãos (8,5%), minério de ferro (6,6%), soja em grãos (6,4%) e celulose (6,3%).
Já as importações brasileiras da UE foram de US$ 36,6 bilhões em 2015. Houve queda de 21,6% sobre o valor importado em 2014 (US$46,7 bilhões). A participação da UE nas importações brasileiras elevou-se de 20,4% para 21,4%.
No ano passado, o Brasil importou da UE principalmente manufaturados (95,2%). Os semimanufaturados representaram 3,1%, e os básicos, 1,7%.
Os principais produtos importados da UE são medicamentos para medicina humana e veterinária, com participação de 8,5% do total das compras brasileiras do bloco; autopeças (4,6%), compostos heterocíclicos (3,3%); inseticidas, formicidas e herbicidas (3%), automóveis de passageiros (2,8%).
A balança comercial brasileira com a UE, em 2015, teve déficit de US$ 2,7 bilhões. A corrente de comércio do Brasil com a região somou US$ 70,593 bilhões, no período. Houve queda de 20,5% sobre o ano anterior (US$ 88,766 bilhões).
Em 2015, 7.109 empresas brasileiras realizaram exportações para a U.E e 19.766 empresas brasileiras importaram produtos do bloco. Quanto aos exportadores, houve um acréscimo de 4% em relação a 2014 (275 empresas a mais) e, em relação nos importadores, houve diminuição de 3,2% (654 empresas a menos).

Fonte: Portos e Navios

3 respostas em “Mercosul e União Europeia trocam ofertas para acordo de livre comércio em maio

  1. É possível, dependendo das formas, obter ganhos na abertura recíproca de bens e serviços entre UE e Mercosul. Informaram –me que a UE é o principal parceiro comercial do Mercosul, seu maior provedor de serviços e também o maior investidor estrangeiro direto na região. Segundo comunicado da Comissão Europeia em Brasília, as empresas europeias pagam mais de 4 bilhões de euros, por ano, em impostos de importação, quando exportam para países do Mercosul…

  2. Nota-se no cenário internacional, especialmente no que tange a abertura de mercado a necessidade de negociações onde concessões recíprocas são firmadas para garantir entre as nações interessadas o acesso ao consumidor estrangeiro.

    Acordos de livre comércio entre blocos são medidas interessantes no estímulo ao comércio entre as nações integrantes dos blocos, visto que a política de nação mais favorecida encontra flexibilidade em negociações de maior porte, ao passo que negociações individuais de cada país estão sujeitas as dificuldades em conciliar as reduções tarifárias necessárias que deverão ser concedidas igualmente as outras nações.

    Além de fornecer importante meio de fomento às transações econômicas entre as nações, a redução tarifária constitui importante mecanismo na redução de desigualdades entre os países. Isso porque o comércio exterior proporciona aos países em desenvolvimento uma possibilidade de alavancagem econômica, o que beneficia a comunidade internacional como um todo em virtude da expansão na circulação de capital, o que estimula a produção de riquezas.

  3. No mercado internacional, o combustível para as altas deste início de semana vêm das chuvas que chegam ao Meio-Oeste americano, podendo comprometer os trabalhos de colheita em importantes regiões produtoras de grãos do país. Ao longo do dia, os futuros da oleaginosa chegaram a subir mais de 11 pontos.
    Durante o último final semana, foram registradas chuvas fortes na metade sul da região produtora norte-americana e, no início desta semana elas deverão voltar a subir pelo Meio-Oeste antes que uma nova frente se mova para o oeste, de acordo com o que noticiou o portal internacional Farm Futures.
    A possibilidade de atraso na colheita por conta das chuva, bem como as previsões que indicam a chegada de mais precipitações nos próximos dias para a maior parte do Meio-Oeste têm dado suporte ao mercado”, afirma Bob Burgdorfer, analista de mercado do Farm Futures. E este padrão de tempo mais úmido deverá durar, segundo o Commodity Weather Service, ainda por algumas semanas.
    Ao mesmo tempo, as perspectivas de uma retomada mais forte do ritmo da demanda chinesa após o feriado do Festival de Outono na nação asiática também favorece o avanço das cotações. O início da nova safra 2016/17 no Brasil também vem ganhando cada dia mais espaço entre os negócios no cenário internacional.
    http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/soja/179516-soja-mercado-fecha-em-alta-em-chicago-e-precos-no-brasil-testam-algumas-altas-nesta-2.html#.V-GoHoiAOko

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