ONU assina acordo com Liga Árabe para combate à violência sexual em conflitos


Violencia_Somalia

Publicado originalmente em: 05/04/2016

As Nações Unidas e a Liga dos Estados Árabes assinaram no fim de março um acordo para fortalecer a colaboração para a prevenção da violência sexual relacionada a conflitos em países árabes.

O acordo foi assinado no Cairo (Egito) pela representante especial da ONU sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, e pelo secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Nabil el-Araby.

O objetivo do acordo é criar bases para mobilizar comprometimento político e colaboração no combate ao estupro e outros tipos de violência sexual relacionada a conflitos, particularmente em Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

“Esse modelo de cooperação nos dá uma plataforma para unir e reforçar nossos esforços, e juntos construirmos uma resposta abrangente nos setores de segurança, justiça e serviços”, disse a representante especial da ONU.

Isso incluirá mais compartilhamento e análises de informações, treinamento e fornecimento de serviços médico e psicológicos para sobreviventes e suas famílias, de acordo com comunicado do escritório da representante especial das Nações Unidas.

O acordo também cita o papel da sociedade civil, assim como de líderes religiosos e tradicionais, “em ajudar a mudar o estigma da violência sexual das vítimas para os perpetuadores” e para garantir que sobreviventes e as eventuais crianças fruto desses crimes sejam aceitas nas comunidades, disse o escritório.

“Basicamente, é minha esperança que o engajamento da Liga Árabe catalise mais lideranças nacionais entre seus países-membros para proteger mulheres, crianças e homens vulneráveis à violência sexual”, disse Bangura.

Enquanto esteve no Egito, a representante especial da ONU reuniu-se com o xeique Ahmed El-Tayeb, cujo título de grande imã de Al-Azhar o torna uma das maiores autoridades do islamismo sunita.

Durante o encontro, Bangura recebeu garantias do comprometimento do xeique de combater a violência sexual relacionada a conflitos, particularmente no contexto de atos de grupos extremistas como Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Boko Haram, de acordo com o comunidade.

“Isso é uma afronta aos dogmas mais sagrados e fundamentais do Islã como religião de paz e tolerância”, disse Bangura, citando o que chamou de “perversão” do Islã por grupos que tentam dar justificação religiosa à escravidão sexual e outros atos de violência contra mulheres e meninas.

Fonte: ONU Brasil

2 respostas em “ONU assina acordo com Liga Árabe para combate à violência sexual em conflitos

  1. No inicio desse ano, o conflito na Síria completou a trieste marca de 5 anos desde seu inicio. Em 2012, A Cruz Vermelha e a ONU classificaram os conflitos como guerra civil, abrindo caminho para a cobrança da aplicação do Direito Humanitário Internacional e para a investigação de crimes de guerra. As missões diplomáticas para resolver o conflito têm fracassado. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, do início dos conflitos até março de 2014, mais de 140 mil pessoas já morreram. Entre os mortos estão mais de 7 mil crianças e 5 mil mulheres. Além da violência física sofrida durante essa guerra para que Assad saia do poder, mulheres e crianças também são as principais vitmas de violência sexual. Apesar de a ONU tentar reverter essa situação, fica evidente cada vez mais que ela não é capaz de evitar e resolver conflitos, uma vez que, a Síria não é o único país atualmente que está em guerra. Muitas vezes, países integrantes e com grande força dentro da ONU podem ser classificados como os geradores e os patrocinadores dessas guerras. A violação de Direitos Humanos nesses conflitos é mais do que evidente, entretanto, enquanto esses conflitos continuarem a gerar lucro para os países patrocinadores, a ONU nada poderá fazer para evitar que os direitos humanos sejam violados.

  2. A questão da violência sexual é um assunto muito delicado e que infelizmente ainda precisa de muitas medidas que versem em defesa das vítimas desse tipo de violência. A triste realidade é que os números de vítimas ainda são elevados, principalmente em países como Iraque, Líbia, Somália, Sudão, onde existe a exploração sexual.

    A assinatura de tais acordos representa um grande avanço, pois demonstra o comprometimento dos países signatários em atuar no combate ao estupro e aos diversos tipos de violência sexual.

    A atuação dos líderes religiosos também é fundamental, pois exercem influência e podem atuar no modelo de cooperação proposto pela ONU diante dessa luta. A Liga Árabe pode auxiliar substancialmente na quebra de estigmas que tornem aceitáveis qualquer tipo de violência sexual, fazendo com que muitos se posicionem contrariamente aos perpetradores das atrocidades cometidas.

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