Os desafios da equidade e a preocupação dos grandes grupos: as agendas do G7, do G20 e do Banco Mundial para lidar com as desigualdades de gênero


Publicado originalmente em 10 de março de 2016.

As desigualdades entre homens e mulheres, seja em ambitos econômicos, políticos, sociais ou culturais, estão ganhando cada vez mais destaque em palcos de discussão, tanto no interior dos Estados quanto no cenário internacional. Desde pautas trazidas pela ONU Mulheres, agência baseada nos Princípios de Empoderamento das Mulheres e que discute inúmeras questões como saúde reprodutiva, casamento infantil e direito educacional, até a criação de políticas públicas voltadas para as mulheres e debates nas redes sociais sobre a situação desigual da mulher na vida cotidiana, estão trazendo as questões de desigualdade de gênero para o foco de muitos programas e projetos. Os grupos que representam muitas das grandes potências e de países mais desenvolvidos do mundo não ficaram fora dessa tendência.

O Banco Mundial lançou um documento no início de 2015 que apresenta uma síntese dos entendimentos e estratégias que foram propostos para lidar com o problema da desigualdade de gênero (WORLD BANK GROUP, 2015). Ao abordar o problema, a organização entende que a busca pela igualdade de gênero tem ligação direta com a busca pela diminuição da pobreza. Assim, uma vez que o objetivo da eliminação da pobreza está consolidado e é buscado, a promoção da igualdade entre homens e mulheres entra como mais um fator a ser considerado nos desafios da redução da pobreza e do alcance da prosperidade. O Banco Mundial defende que a economia de nenhum país é capaz de alcançar seu potencial sem que haja a participação igualitária e plena dos homens e mulheres na mesma. Nessa perspectiva, a situação desfavorecida das mulheres no mundo atual representa um potencial produtivo não plenamente aproveitado, uma vez que elas permanecem economicamente excluídas em comparação aos homens, tanto do ponto de vista de perda de potencial empreendedor quanto de mão de obra pouco valorizada. (WORLD BANK, 2015).

Seguindo uma linha de pensamento semelhante, como um dos resultados das discussões lideradas pelos membros do G7, após o encontro realizado em junho de 2015 na Alemanha, o grupo deu um destaque especial para a importância de se promover o empoderamento das mulheres no âmbito econômico, de modo que foi apresentado os Princípios do G7 para o Empreendedorismo das Mulheres. Assim, o grupo defendeu que o aumento da participação econômica das mulheres reduz a pobreza e a desigualdade, promovendo crescimento e beneficiando a todos. O G7 afirmou que as discriminações sofridas regularmente pelas mulheres atrapalham seu potencial econômico, além de prejudicar o investimento em desenvolvimento e, até mesmo, constituir uma violação de seus direitos humanos. (USA GOVERNMENT, 2015).

Partindo desse ponto de vista, o grupo defende o apoio ao desenvolvimento, em conjunto com o combate à discriminação às mulheres e às violências enfrentadas pelas mesmas, de modo a superar as barreiras culturais, sociais, econômicas e jurídicas à participação das mulheres na economia. O incentivo à educação para as mulheres aparece como um ponto importante aqui, principalmente no que diz respeito à capacitação técnica e empreendedora das mesmas; além do acesso a linhas de crédito e ao sistema financeiro. Outro ponto importante ressaltado pelo grupo é a necessidade da criação de arranjos que permitam aos homens e mulheres balancearam sua vida familiar e profissional, como acesso a licença à paternidade/maternidade e serviços de creche infantil. (USA GOVERNMENT, 2015).

De maneira similar, após a reunião do G20 na Turquia, em outubro de 2015, definiu-se de forma mais clara o que seria o W20, ou seja, o grupo de engajamento do G20 para promover inclusão de gênero e igualdade de gênero. Segundo o grupo, o alcance de uma maior igualdade entre gêneros contribui de maneira significativa para um crescimento forte, balanceado e sustentável da economia global. Assim, estando a contribuição das mulheres para o crescimento econômico abaixo de seu potencial, a desigualdade de gênero restringe o desenvolvimento e a erradicação da pobreza, representando uma ameaça à saúde da economia mundial. (TURKEY GOVERNMENT, 2015a).

Dessa forma, o W20 definiu que o empoderamento econômico das mulheres deve ser almejado através do fortalecimento das conexões entre educação, emprego e empreendedorismo. De forma semelhante à fala do G7, o W20 defende a implementação de mecanismos para assistência social, principalmente em relação à saúde e creches para crianças; além da questão do acesso das mulheres ao mercado financeiro e da importância da eliminação da discriminação contra as mulheres.  Outro elemento que ganha destaque é a importância de se aumentar o número de mulheres em posições de liderança, tanto no setor público quando no setor privado; além da defesa de se investir na melhoria nas condições de trabalho para as mulheres. (TURKEY GOVERNMENT, 2015b).

Ao longo da discussão realizada até aqui, pode-se perceber um alinhamento muito grande das ideias e propostas do Banco Mundial, do G7 e do G20 no que diz respeito aos problemas relacionados à desigualdade de gênero no ambiente internacional. Enquanto o Banco Mundial apresenta a ideia da ligação direta entre o sub aproveitamento do potencial produtivo das mulheres e dificuldades de crescimento econômico e combate à pobreza, o G7 e o G20 tomam tal relação como pressuposta e aprofundam seus argumentos. Assim, o G7 destaca a questão da descriminação sofrida pelas mulheres e de suas implicações sociais, culturais e jurídicas que acabam, também, tendo consequências econômicas; além de indicar a importância de se investir em programas de capacitação e em assistência social. O G20, por sua vez, reforça os pontos já explicitados e trás mais uma variável importante: a questão do número de mulheres que ocupam cargos de liderança, não só no espaço privado, mas também no público.

Percebe-se, portanto, que apesar das diversas implicações e variáveis consideradas nas propostas presentes, o foco da discussão é praticamente pertencente ao domínio econômico, o que não deixa de ser uma interessante fonte de analise e de inspiração para se pensar em soluções para os problemas de desigualdade de gênero enfrentados por mulheres ao redor do mundo. Porém, ao focar quase que exclusivamente nas relações existentes entre igualdade de gênero e crescimento econômico, outras explicações e variáveis importantes no entendimento e estudo da origem das desigualdades econômicas, políticas sociais e culturais entre homens e mulheres podem ser deixadas de lado. Assim, a abordagem utilizada pelo Banco Mundial, o G7 e o G20 podem acabar negligenciando aspectos primordiais na discussão da problemática em questão, como o fato existir uma hegemonia sociocultural em torno dos padrões de masculinidade e feminilidade, que determinam comportamentos e distribuem papeis sociais entre homens e mulheres na sociedade mundial.

Fonte: GPPM

6 respostas em “Os desafios da equidade e a preocupação dos grandes grupos: as agendas do G7, do G20 e do Banco Mundial para lidar com as desigualdades de gênero

  1. Nas últimas décadas a inserção da mulher no mercado de trabalho trouxe diversas mudanças na organização familiar, a mãe que ficava em casa o dia todo cuidado dos filhos e dos afazeres domésticos, atualmente divide o tempo entre o cuidado com a casa , trabalho e estudo.
    As mulheres vem adquirindo progressivamente sua independência, e essa luta está sendo amplamente debatida em todo mundo, o acesso das mulheres a política, o direito à auto-determinação, o direito ao estudo e conhecimento, a luta contra os abusos sexuais, recebem cada vez mais espaço, pois, além de contribuir com a renda doméstica elas também pagam impostos para o Estado e já vêm tendo voz ativa na sociedade ocidental.
    Infelizmente ainda existem situações nas quais as mulheres recebem menos do que os homens se forem comparadas as horas trabalhadas e as funções por eles executadas, as mulheres ainda são desrespeitas nas ruas e no trabalho por pessoas que têm um pensamento conservador e não compreendem bem a questão da liberdade feminina, felizmente o Estado brasileiro vem combatendo esse tipo de prática,em razão dos direitos humanos, do princípio da igualdade, em razão da contribuição expressiva das mulheres para a economia, não apenas como contribuintes tributárias, mas também em razão do enorme mercado voltado para o público feminino, que movimenta bilhões de reais todos os anos.

  2. A sociedade impõe suas impressões sobre os indivíduos, sendo ela patriarcal ou matriarcal, e com o ganho de espaço pelas mulheres na sociedade nos últimos 50 anos, muito se evoluiu, apesar de ainda faltar um longo caminho para se tornar igualitária a posição de homens e mulheres.
    Há tempos que economistas e sociólogos tentam entender o porquê da diferença de salários entre homens e mulheres com ocupações equivalentes, com diversas teorias e experimentos, e a grande parte acredita que apesar de ser possível acabar com a diferença, os reflexos podem não ser tão positivos quanto se imagina, tendo a necessidade de aceitar um pouco tal mal.

  3. Não é de hoje que a desigualdade de gêneros está presente no meio social. Ela é fruto de uma concepção muito antiga – e distorcida, ao meu ver – de que mulheres e homens possuem diferentes papéis dentro da sociedade, como por exemplo, a ideia enraizada de que a mulher deve cuidar da casa e dos filhos enquanto o homem deve trabalhar fora para sustentar a família. Por mais que nos últimos anos essa percepção esteja mudando, ela ainda é perceptível, principalmente no âmbito do mercado de trabalho – para se ter noção do problema, atualmente o salário das mulheres é 24% inferior ao dos homens – que é o tema que está sendo discutindo na ONU. É claro que não pode-se deixar de lado os outros aspectos desse problema e levar em conta somente a relevância para a economia, mas, de qualquer forma já é um avanço, pois anteriormente, isso nem seria considerado motivo relevante para um debate, principalmente na ONU. No Brasil, temos positivado em nossa Constituição Federal, no art 5 o direito a igualdade, sendo ela de gênero, porém não adianta apenas ter uma previsão legal, é necessário a mudança no pensamento das pessoas que estão muito ligadas a uma visão retrógrada e ultrapassada, enquanto isso não acontecer, infelizmente a desigualdade irá permanecer e é por isso que atitudes como a do G7, G20 e do BANCO MUNDIAL são necessárias para o desenvolvimento social e econômico da sociedade mundial.

  4. O Banco Central muito oportunamente ressalta a impossibilidade de pleno desenvolvimento e aproveitamento da potencialidade econômica sem a participação maciça das mulheres na economia, seja no âmbito da livre iniciativa, seja como mão de obra remunerada. Tomemos por exemplo um país como o Brasil, em que mais de 51% da população é feminina: como é possível aproveitar plenamente o potencial econômico da nação sem garantir a mais da metade da população uma ampla gama de oportunidades para participação efetiva na vida econômica? Nesse ponto que podemos observar como o feminismo é necessário, pois a busca pelo igual tratamento e iguais direitos entre os sexos não é apenas moral, possui também enorme relevância funcional. As brasileiras ja sustentam mais de 37% das famílias deste pais, mostrando-se como uma grande potência de consumo e produção, isto em um pais tradicionalmente patriarcal, opressor e conservador, que ainda tenta impor seu império ate mesmo sobre os corpos destas mulheres.
    O critério econômico de abordagem do tema da desigualdade tem enorme relevância e não pode ser subestimado, porem tampouco podemos subestimar a importância de outros fatores históricos, culturais e sociais. Creio, porém, que o artigo peca ao declarar que o foco central seria tão somente o econômico, visto que nos últimos anos temos presenciado diversos debates em diferentes âmbitos, os quais encaram o problema por diferentes perspectivas. Como exemplo recente temos a campanha da ONU “He for She” a qual alcançou grande destaque internacional através das redes sociais e meios de comunicação online.

  5. Desde séculos passados que a divisão entre os gêneros masculino e feminino vêm sendo imposta para toda a sociedade, muitas vezes com padrões a serem seguidos por cada um. A mulher é diretamente relacionada a dona de casa, a educação dos filhos, a esposa. O homem é o pai de família que trabalha fora, para trazer dinheiro para dentro de casa.
    Porém essa concepção tanto quanto arcaica, não é mais suficiente, pois as mulheres estão em busca de um maior alcance nos campos da educação, economia e empreendedorismo. A atividade dela já não se limita mais a mãe ou esposa, mas a mulher que divide os seus afazeres também com o mercado de trabalho.
    A Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres e G7, G20 e o Banco Mundial, são grandes aliados para promover o crescimento das mulheres em toda a sociedade. Há a constante busca de medidas para facilitar a conciliação dos seus trabalhos, como a análise no direito educacional, abertura de creches, a igualdade salarial, o alcance em todos os setores do trabalho e a possibilidade da ocupação dos maiores cargos.
    Portanto é preciso que a sociedade no todo, mude o pensamento preconceituoso que foi enraizado, procurando adequar as atividades e a organizar de forma que tanto os homens como as mulheres, atinjam lugares na economia de acordo o seu merecimento, grau de estudo e capacidade de lhe dar melhor com as situações, influenciando diretamente no aumento da economia do país.

  6. Com o passar do tempo a mulher vem se tornando ainda mais presente o mercado de trabalho, na politica, tomando assim o seu espaço na sociedade. Mas não é tudo tão lindo como muitas vezes relatam, as mulheres são tratadas de forma ainda muito desigual no mercado de trabalho, ganham salários mais baixos que homens, não pela sua capacidade de trabalho, e sim pelo simples fato de ser uma mulher. Além de todos esses fatores temos também o fato da sociedade ser completamente machista, o machismo começa dentro da sua própria casa, sem muitas vezes que você mesmo perceba. A realidade em pleno século XXI, é que a mulher tem que ser mãe, mulher, dona de casa, trabalhadora, assim sendo muito exigida. E isso tudo se da pelo simples fato de ser do sexo feminino. A Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres e G7, G20 e o Banco Mundial, são grandes aliados para promover o crescimento da mulher, com a implantação de vários recursos, como creches, dentre outros.

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