Paraguai descarta apoiar comunicados da Unasul e do Mercosul a favor de Dilma


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O governo do presidente paraguaio Horacio Cartes descartou assinar o comunicado que o Mercosul e a Unasul pretendem elaborar em apoio à presidente Dilma Rousseff, revelou nessa quarta-feira o vice-chanceler Oscar Cabello.

“Não intervimos nos assuntos internos dos países”, disse Cabello, que ocupa interinamente o posto máximo do Ministério das Relações Exteriores na ausência do ministro Eladio Loizaga, em missão no Japão.

“A postura do governo paraguaio é respeitar as instituições do Brasil”, afirmou o funcionário.

O diplomata disse que se respeita a livre determinação do governo e do povo brasileiro. “É um país modelo para o mundo no respeito às suas instituições. O Paraguai não acha conveniente que se faça qualquer tipo de pronunciamento nem a favor nem contra ninguém”, declarou Cabello a jornalistas.

“Nos ajustamos ao respeito à soberania dos países. Não apoiamos esse tipo de comunicados”, reiterou.

Segundo o vice-chanceler, o Mercosul e a Unasul realizaram consultas para assinar uma declaração de apoio à presidente Dilma.

Fonte: Zero Hora

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6 respostas em “Paraguai descarta apoiar comunicados da Unasul e do Mercosul a favor de Dilma

  1. Brasil e Paraguai, nunca se “bicaram”, visto que a Guerra do Paraguai, no inicio de dezembro de 1864 e teve duração de 6 anos. Desde então, os paraguaios não tem uma postura de amizade com o povo brasileiro, que em sua maioria não lembra desta Guerra. Um episódio trágico desse imbróglio, foi uma partida entre Brasil vs Paraguai, em que o capitão da seleção paraguaia o goleiro Chilaver cuspiu na face do lateral esquerdo brasileiro Roberto Carlos e em seguida disse ao mesmo que aquele cuspe era pela Guerra do Paraguai ocorrida em 1864. Não me espanta tal postura do Paraguai, sobre atual conjuntura politica brasileira, em se manter neutro, por tudo que o Brasil fez com o povo paraguaio na guerra. Mas, como legitimo cidadão brasileiro e assustado com o caos politico em que o país vive, sobre corrupção de praticamente todos os políticos, era importante um país que compõem o Mercosul manifestar – se acerca do que ocorre no cenário político brasileiro.

  2. O presidente paraguaio Horacio Cartes fez bem em não assinar o comunicado de apoio. Justificativas como: “não intervimos nos assuntos internos dos países”, “a postura do governo paraguaio é respeitar as instituições do Brasil” e “é um país modelo para o mundo no respeito às suas instituições. O Paraguai não acha conveniente que se faça qualquer tipo de pronunciamento nem a favor nem contra ninguém”, feitas pelo diplomata Cabello, foram de longe para mim, o motivo predominante desse silencio.
    Ao tratar de soberania, comenta como se, por serem soberanos, os países não devem se intrometer com a politica interna de uns para com os outros. Porém, esse feito é comum e, apoio politico no meio internacional é inclusive estratégia de influencia e atinge assuntos como comercio, entre outros. Para mim, não é conveniente ao Paraguai se posicionar neste momento, pois é uma encruzilhada. É estar entre a cruz e a espada. Apoio a presidente do Brasil, pais que tem grande influencia sobre o Paraguai? Ou não apoio a um governo marcado pelo desastre e corrupção? Melhor se abster!

  3. O Paraguai fez muito bem em não tumultuar ainda mais o cenário político brasileiro. Há um completo caos e o Mercosul e a Unasul não deveriam colocar mais lenha na fogueira. Uma vez que Assunção acertou ao dizer sobre não intervir nos assuntos internos brasileiros e ser respeitoso quanto às instituições nacionais.
    Deveria haver uma compreensão maior do Mercosul e da Unasul sobre agora não ser oportuno nenhuma manifestação de apoio a um governo que colocou o país na “lama” como foi o desastroso governo Rousseff.
    O vice-chanceler Oscar Cabello ao declarar “É um país modelo para o mundo no respeito às suas instituições. O Paraguai não acha conveniente que se faça qualquer tipo de pronunciamento nem a favor nem contra ninguém”, mostra a força brasileira e o respeito no âmbito latino e por isso não é viável uma possível intervenção, nem nenhuma opinião forte que venha a calhar ou contra ou a favor do que ocorre em Brasília.
    Então, até que as instituições política e judiciária se entendam é melhor que os outros Estados não se intrometam. O Brasil tem força e condições de resolver de maneira justa esse impasse sem nenhuma influencia externa, está aí mais uma prova para o Brasil mostrar que suas instituições são sérias e provar isso para todos os outros países que estão de olho no “House of cards” brasileiro.

  4. O Paraguai manteve uma postura hígida em seu posicionamento, momento algum fugiu em reconhecer a crise política que vive o Brasil mas também foi claro ao dizer que não irá se envolver em problemas internos de outras nações. Como bem ressaltado por Cabello, ocupante do mais alto posto no ministério das relações exteriores paraguaio, o Brasil é um país modelo para os latinos americanos e não precisa de nenhum suporte externo para lidar com problemas, ainda mais quando esses estão dentro do mesmo poder que é soberano e uno.
    A soberania e a independência são dois dos principais componentes do Estado e devem ser respeitados declaradamente pelos demais, considerando exceções extremas como casos de brutescas calamidades públicas, situações de golpe e guerra os países devem deixar que cada qual resolva seus assuntos internos. Seguro de que este não é o caso, mas temos péssimos exemplos na história das consequências de um Estado ultrapassar a soberania do outro.
    Concluo, contudo, que esta decisão do presidente paraguaio Horácio Cartes não é nenhuma surpresa, nem mesmo para o Palácio do Planalto, uma vez que podemos dizer que Brasil e Paraguai nunca foram “países parceiros”.

  5. O governo Paraguaio ao optar pela não intervenção nos assuntos internos do País vizinho, demonstra ser fidedigno ao Tratado de Assunção, assinado entre o Brasil e Paraguai em 1991, que estabeleceu o fortalecimento dos laços econômicos; culturais e diplomáticos entre ambos, pois ao posicionar-se a favor da Presidenta da República Dilma Rousseff – a qual está prestes a ser impedida de se manter no atual cargo até o fim da legislatura – poderia agravar a crise política interna no Brasil, e, por conseguinte, traria instabilidade nas relações diplomáticas entre os países, caso fosse eleito como Presidente da República algum presidenciável integrante da oposição ao atual Governo.
    Sendo assim, o vice-chanceler Oscar Cabello, respeitando as instituições democráticas vigentes no Brasil, e visando a manutenção da cooperação entre os países, preferiu se manter inerte em relação a crise política e institucional, cuja especulam ser transitória, mas que trouxe grande abalo no maior Estado latino-americano.

  6. Segundo o vice-chanceler do Paraguai, Oscar Cabello, o governo do presidente Horacio Cartes desconsiderou a possibilidade de assinar o comunicado que o Mercosul e a Unasul desejam formular em apoio à presidente Dilma Rousseff.
    O argumento utilizado por Cabello, que exerce o cargo máximo do Ministério das Relações Exteriores na ausência do atual ministro Eladio Loizaga, que estava em missão no Japão, me parece muito fundado. Ele se vale da soberania para justificar a decisão de não intervenção em assuntos internos do Brasil.
    A idéia de soberania nos remete ao passado por ser uma construção histórica que gera uma discussão aprofundada acerca de seu conceito. Deve, portanto, ser utilizada de forma cautelosa em cada caso, para não cair em contradição e nem se equivocar.
    Para chegar ao conceito que embasa corretamente a fala do vice-chanceler, é preciso nos remeter ao contexto histórico em que a soberania foi forjada. A Paz de Westphalia de 1648 gerou o surgimento de um novo sistema de inter-relacionamento entre os Estados. Suscitou o desenvolvimento do direito internacional, tendo como base princípios importantíssimos como: a soberania dos Estados, a auto-determinação, a igualdade soberana(formal) entre os Estados e a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.
    Na atual sociedade internacional, extensivamente interestatal, a soberania não é ilimitada. A sua limitação deriva da necessidade de coexistência dos sujeitos de direito internacional. A soberania de cada Estado esbarra na dos outros que são concorrentes e iguais. Vale salientar, que a existência de obrigações internacionais aos Estados, apenas limitam suas atuações e não diminuem sua independência e soberania.
    Sendo assim, a decisão de não aderir ao comunicado de apoio à atual presidenta, proferida por Oscar Cabello, foi baseada na não intervenção estrangeira em assuntos internos e na soberania que é um ponto de suma importância para o direito e as relações internacionais e que deveria ser mais respeitado.

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