Uruguai, Bolívia, Venezuela e Equador manifestam apoio a Dilma e Lula


Publicado originalmente em: 18/03/2016

Presidentes e chanceleres dos 4 países deram declarações sobre o Brasil.
Argentina declarou ‘apoio institucional’ e negou críticas de ‘apoio frio’.

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Os governos do Uruguai, da Bolívia e da Venezuela manifestaram nesta sexta-feira (18) apoio à presidente Dilma Rousseff em meio à crise política que abala seu segundo mandato.

Em um comunicado, a chancelaria uruguaia manifestou “seu total respaldo à presidente Dilma Rousseff”. “Fiel defensor do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, mas ao mesmo tempo respeitoso do Estado de Direito e dos valores democráticos, o Uruguai confia que as diferenças internas existentes no Brasil serão resolvidas no marco do regime democrático”, afirma o comunicado, reproduzido pela agência EFE.

O comunicado “encoraja os diferentes atores envolvidos a atuar responsavelmente e com lealdade institucional” para que o Brasil supere em breve a situação que vive.

O comunicado do Uruguai também informa que o país, em sua qualidade de presidente temporário da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul, se encontra coordenando com os demais Estados-membros uma expressão regional de respaldo à presidente brasileira e a suas instituições.

Bolívia
O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou mais cedo que a direita brasileira quer dar um golpe na presidente Dilma Rousseff e “castigar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não volte à presidência.

“A direita no Brasil quer voltar por meio de um golpe no Congresso e um golpe judicial para castigar o Partido dos Trabalhadores, o partido do companheiro Lula, e para tirar e julgar a companheira Dilma”, disse Morales em reunião com mineiros no povoado de Colquiri, no oeste da Bolívia.

O governante acrescentou que a “direita sul-americana e a direita americana” querem “castigar” Lula para que um dirigente sindical nunca mais volte a ser presidente.

“Como já não podem aplicar ditaduras militares, agora usam os instrumentos da democracia ocidental para tirar Dilma do governo e processá-la, e inabilitar Lula para que não volte a ser presidente, um operário como vocês, irmãos mineiros”, ressaltou.

Equador
O presidente do Equador, Rafael Correa, garantiu nesta sexta-feira que a crise política do Brasil faz parte de um “novo plano Condor” contra os governos progressistas da região.

“Você acha que isso é casualidade? É o novo plano Condor (aplicado na década dos 70 pelas ditaduras militares do Cone Sul para coordenar o extermínio de opositores) contra os governos progressistas”, declarou o mandatário em uma entrevista na rede televisão oficial.

“Já não se precisa mais de ditaduras militares, se precisa de juízes submissos, se precisa de uma imprensa corrupta que inclusive se atreva a publicar conversas privadas, o que é absolutamente ilegal”, acrescentou.

Venezuela
Na quinta-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, já havia manifestado apoio a Dilma e Lula, chamando a crise política no Brasil de “golpe de estado midiático e judicial”.

“Há um golpe de estado midiático e judicial contra a presidente Dilma Rousseff e contra Lula da Silva, líder do Brasil e da nossa América”, disse Maduro de forma enérgica no Palácio de Miraflores.

Maduro revelou ter “falado com vários presidentes latino-americanos”, que “estão muito preocupados” com a situação no Brasil.

‘Apoio frio’
Na Argentina, a chanceler Susana Malcorra disse que “há um apoio institucional” do governo Macri e pediu que a crise seja enfrentada através de “um mecanismo democrático”. Em declaração à rádio local Belgrano, Malcorra negou que a Argentina tenha dado um apoio “frio” à presidente Dilma Rousseff. “Não, não há [um apoio frio], há um apoio institucional”, declarou.

“As instituições têm que resolver os problemas através dos canais institucionais. (Dilma) Rousseff foi eleita por um mecanismo democrático e só um mecanismo democrático, institucional, pode mudar isso”, acrescentou.

Malcorra reafirmou que a Unasul busca uma posição conjunta em relação à crise brasileira. “Trabalhamos com nossos colegas da Unasul para fixar uma posição como bloco”, adiantou.

O chefe de Gabinete de Macri, Marcos Peña, foi ainda mais moderado, dizendo que a Argentina não interferirá na crise brasileira. Olhamos com preocupação o que está acontecendo no Brasil. O Brasil é um parceiro estratégico, olhamos com interesse o que está acontecendo, mas com respeito porque é um processo que eles que tem que definir”, disse.

Em Santiago, a chancelaria chilena informou à AFP que não formulará declaração sobre a crise no Brasil e que não se envolve nos problemas internos de terceiros países.

Fonte: G1

3 respostas em “Uruguai, Bolívia, Venezuela e Equador manifestam apoio a Dilma e Lula

  1. Não é de se estranhar, que o Brasil, maior país da América do Sul, receba apoio de alguns países vizinhos, também de esquerda e populistas como o nosso . Atualmente, alguns deles, passam por situações bem piores que o Brasil em relação ao desemprego, situação política, social e econômica. Muitos destes, acreditam que tudo não passa de um golpe da direita para retomada do poder, mas somente o tempo e o trabalho de instituições sérias, isentas e comprometidas poderão de fato confirmar a verdade. Será que o governo se mantém no poder por meritocracia ou por conchavos praticados com empresas e que, juntos, destroem o nosso patrimônio nacional? Historicamente, depois da ditadura comemoramos a democracia, um novo tempo de esperanças e conquistas, que aos poucos se degrada e nos impõe mais está fase dolorosa. Será uma oportunidade única para conhecemos um pouco mais do que acontece nos bastidores das instituições brasileiras e como está crise político-econômica impacta diretamente no crescimento do país. Conclamar a população para que participe deste processo de mudança é uma demonstração de civismo que ficará para sempre na nossa história e que poderá servir de exemplo para outras nações.

  2. A formação dos Estados democráticos na América Latina são frutos da superação de recorrentes Golpes Militares.
    É recorrente na história sul-americana golpes orquestrados por militares, para deslegitimar Governos e instalar regimes ditatoriais e em tese os Países que manifestaram apoio a Presidente Dilma e ao Ex-Presidente Lula, tiveram em sua história recente , crises políticas com rompimento democrático e institucional.
    Sob a ótica do Estado Democrático de Direito e a forma republicana de Governo, o Impeachment não é golpe, é um instrumento jurídico, constitucional e legal, cuja natureza é responsabilizar o Chefe de Estado e Governo por crimes políticos-administrativos.
    Entretanto, por se tratar de um processo político tutelado por fins jurídicos se faz necessário observar a Ordem Constitucional e os Princípios fundamentais da República, bem como, todo o aparato legal para a manutenção de um devido processo, garantindo o direito ao contraditório e ampla defesa.
    A palavra golpe, pode sugerir diversos significados, como impacto e ferimento.
    Se o Impeachment da Presidente Dilma, for utilizado para fins meramente políticos é um golpe as Instituições democráticas e principalmente ao direito de sufrágio e é de grande importância a manifestação internacional.
    A manifestação de apoio dos Governos do Equador, Uruguai, Bolívia e Venezuela, demonstram o resultado de cooperação com o Brasil, mas também, se faz ressaltar, o cunho ideológico presente nas cartas.
    Avante, ainda mais, por uma unidade da América do Sul.

  3. Será que estamos falando em Golpe ou na verdade o maior Golpe está dando no Brasil é do PT?! O Partido atual tem em mente perpetuar no poder, primeiro foi Lula, duas vezes na Presidência da República, e não pouco satisfeito deu um jeito de deixar Dilva sob seus olhos na Presidência, conseguindo ficar por 4 anos e após muitas conquistas em compra de votos, acordos, etc consegue mais outro mandato. Sou contra partidos que ficam muito tempo no poder. Fortalece o controle do Chefe de Estado , que detém um poder de persuasão sobre qualquer área dos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Assim não se precisa mais traduzir na potência destes partidos. Os Chefes de Estado do Uruguai, Bolivia e Venezuela realmente estão certos em apoiar o Chefe de Estado do Brasil é conveniente ter boa vizinhança com o Brasil.

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