Com apoio da OPAS, médicas cubanas melhoram atendimento básico de saúde em cidade satélite de Brasília


Publicado originalmente em: 11/03/2016

Santa Maria é uma região administrativa do Distrito Federal, localizada a aproximadamente 26 km do centro de Brasília. Segundo Oswaldo Ibañez Gonzalez, assessor da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) para o Programa Mais Médicos, há dezenas de médicos de Cuba trabalhando na região. O Centro de Saúde nº 2 de Santa Maria recebeu as profissionais cubanas Lina Maria Perez Gonzalez e Maria Eugênia Sanchez, ambas com especialização em Medicina Familiar e Geriatria e mais de 20 anos de experiência.

Lina Maria começou a trabalhar em 1987 em Cuba. Antes de integrar o Programa Mais Médicos, ela esteve por duas vezes na Venezuela, em missões internacionais. “Quando cheguei aqui comecei a trabalhar com uma equipe nova, fazendo o cadastramento de toda a população. Além disso, faço também muitas visitas domiciliares. E a aceitação da população tem sido muito boa. Todo mundo já me conhece, nas ruas, visitando pacientes acamados ou aqueles que têm alguma limitação física que não podem ir ao consultório.”

Uma de suas pacientes nesta situação é Anezia Athanazia Santos da Silva, uma senhora de 86 anos, portadora de Alzheimer: “Eu tinha muita dificuldade de levar a minha mãe até o médico, porque ela é cadeirante e acamada. Só de colocar e tirar do transporte ela já sentia muitas dores. Agora ela fica no conforto dela e a médica vem aqui. E a qualidade do atendimento é perfeita. O programa é maravilhoso para a gente”, conta Maria Aparecida, filha e cuidadora de Anezia.

Como médica eu já tenho mais de 25 anos de experiência e sou pós-graduada há 13. A primeira missão internacional que participei foi na Guatemala, entre os anos de 1999 e 2001, em pleno desastre do furacão Mitch. Eu fazia parte da brigada avançada que trabalhou no país. E me incorporei ao Programa Mais Médicos em novembro de 2013”, diz a cubana Maria Eugênia Sanchez.

O assessor da OPAS/OMS Oswaldo Ibañez diz que a aceitação da população ao programa tem sido alta no Distrito Federal: “Inclusive quando chegamos aos lugares e começamos a visitar os médicos cubanos, os usuários às vezes pensam que vamos trocar os profissionais e na hora já reagem, dizendo que os médicos não podem ir embora e que têm que permanecer. Quando nos reunimos com as equipes de saúde, eles mostram como melhoraram os indicadores de saúde, seja no aumento do número de consultas a hipertensos, diabéticos, asmáticos, seja no trabalho de prevenção e promoção e saúde nas comunidades.

Segundo Heider Aurélio Pinto, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, o Programa Mais Médicos tem três dimensões: o investimento em infraestrutura das unidades básicas de saúde, o provimento emergencial de médicos e a mudança na formação e expansão nas vagas de graduação e residência em Medicina, para aumentar o número de médicos brasileiros no futuro.

“Essa mudança é também qualitativa porque ela transforma a formação dos médicos no país, tanto na graduação como na residência, priorizando aquilo que acomete a maior parte da população. Além disso, foi criada uma especialidade raiz no Brasil, que pela lei é a Medicina Geral de Família e Comunidade, disciplina que será obrigatória para todos os profissionais que queiram fazer residência. O Brasil precisa sim de mais médicos e a alternativa é a expansão com qualidade, para termos um índice de 2,7 médicos por mil habitantes em 2026.

O programa já selecionou 18.240 médicos – brasileiros e estrangeiros – para atendimento em 4.058 municípios, uma cobertura de 73% do território brasileiro. Cerca de 63 milhões de brasileiros que não possuíam atendimento médico passaram a contar com profissionais devido ao Mais Médicos, incluindo 34 distritos indígenas.

Objetivo é suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades

O ‘Mais Médicos’ é um Programa de saúde lançado em 8 de julho de 2013 pelo Governo Federal, cujo objetivo é suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.

Médicos brasileiros tiveram prioridade em preencher as vagas do programa. As vagas remanescentes foram oferecidas primeiramente a brasileiros formados em universidades no exterior e em seguida a médicos estrangeiros, que trabalham sob uma autorização temporária para praticar Medicina, limitada à provisão de atenção básica de saúde e restrita às regiões onde serão direcionados pelo Programa.

A OPAS/OMS no Brasil e o Ministério de Saúde assinaram um Termo de Cooperação para colaborar na expansão do acesso da população brasileira à atenção básica de saúde. O termo inclui diversas linhas de ação, desde documentar, disseminar informação a prover aconselhamento técnico e apoio à capacitação e treinamento continuado aos médicos selecionados, seguindo as recomendações do Código Global de Práticas em Recrutamento Internacional de Pessoal de Saúde da OMS. A OPAS/OMS também assinou um Acordo de Cooperação de natureza similar com o Ministério de Saúde Pública de Cuba.

Os médicos cubanos trabalham nos municípios que não foram selecionados por nenhum médico (brasileiros ou estrangeiros) nas primeiras rodadas de recrutamento. A maioria destes municípios tem 20% ou mais da população vivendo em extrema pobreza, e a maior parte deles está nas regiões Norte e Nordeste do país. Todos os médicos fazem um treinamento de três semanas de duração, uma semana de acolhimento nos estados aos quais serão destinados e um módulo de avaliação.

Fonte: ONU Brasil

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