Banco Central Europeu e Alemanha divergem sobre pacote de estímulo


Vítor Constancio, vice-presidente do BCE diz que sua intervenção livrou a região do euro de “deflação”

Publicado originalmente em: 12/03/2016

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Berlim contra Frankfurt. Empresários, os think tanks e a imprensa alemã pularam na jugular de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), depois que o novo pacote de estímulo para combater a anemia da zona do euro foi anunciado na quinta-feira. O establishment alemão defende seus poupadores com unhas e dentes e critica algumas medidas, mais em linha com a estagnação secular na Europa do que com o ciclo econômico na Alemanha, que enfrenta uma enorme crise. O BCE saiu em própria defesa em uma atitude incomum e de rara firmeza para os padrões de Frankfurt. O vice-presidente do BCE, Vítor Constancio, fez um apelo a favor do ativismo do Eurobanco e novamente exigiu uma expansão fiscal para apoiar a política monetária. “Evitamos uma deflação”, disse.

Draghi respirou tranquilo na sexta-feira. Os mercados acabaram com seu grande dia na quinta-feira, com uma reação surpreendente de baixa depois de uma primeira sacudida promissora: mandavam um lembrete de que o banco central não é o todo-poderoso; mandavam um recado de que a instituição talvez tenha perdido sua magia. Com algumas horas de atraso que causaram pavor em Frankfurt, os investidores finalmente digeriram na sexta-feira a enxurrada de medidas expansionistas, e o dia foi de alta para o mercado de ações, de bônus, câmbio e petróleo, praticamente tudo o que é negociado. Mas Draghi tem outras frentes abertas: empregadores, think tanks e a imprensa alemã, liberal ou social-democrata, popular ou de prestígio, entraram em cena com um ataque furioso contra o pacote de medidas para resgatar a economia europeia da estagnação e do risco de deflação.

O Bundesbank (banco central alemão) já alertou na reunião do conselho: continua contra qualquer coisa que se pareça com um estímulo. Jens Weidmann, presidente do BC alemão, foi muito claro contra a nova rodada de compras de títulos, taxas de juro negativas e liquidez de graça para o setor bancário. O que se seguiu foi o burburinho habitual na Alemanha após qualquer movimento em Frankfurt. O influente think tank IFO atacou com a dureza de sempre: Hans-Werner Sinn acusou o BCE de “tentar salvar bancos zumbis e Estados à beira da falência”. As medidas são uma boa notícia para os países inadimplentes do Sul, dizem empresários. “Mas, para os alemães, são uma catástrofe. Os poupadores serão expropriados mediante uma redistribuição gigantesca do Norte para o Sul da Europa”, disse Anton Börner, presidente da entidade patronal BGA.

Constancio, do BCE, rebateu as críticas, mas também o ceticismo de parte dos analistas sobre a eficácia da política monetária, em meio a uma estagnação que já dura muito tempo, com um alto endividamento e uma política fiscal ausente, que dificulta a transferência de liquidez dos mercados para a economia real. “O que teria acontecido sem essa política monetária?”, perguntou. A zona do euro “estaria em deflação desde o ano passado”, disse. “Se não fazemos política monetária, o que fazemos então? Os países que podem utilizar a política fiscal não vão fazê-lo. E, aqueles que vão fazê-lo, não deveriam”, reclamou.

Esse continua sendo o nó górdio da zona do euro, no oitavo ano da Grande Crise. “As discussões sobre política monetária muitas vezes soam como teologia com um toque cômico”, diz Paul de Grauwe, da London School, “mas o BCE está certo. Talvez suas políticas não sejam muito eficazes, mas isso ocorre porque a política fiscal não aparece: Bruxelas continua de lado; Berlim só usa o orçamento obrigada pelos refugiados. A Alemanha reclama do BCE, mas, se fizesse o que deve, com menos excesso de ideologia, a Europa estaria muito melhor”

Fonte: El País

7 respostas em “Banco Central Europeu e Alemanha divergem sobre pacote de estímulo

  1. O Banco Central Europeu é o banco central dos 19 países da União Europeia que adotaram o euro. O objetivo primordial do BCE é manter a estabilidade de preços na área do euro e, desse modo, preservar o poder de compra da moeda única. Nos últimos anos, o Banco Central Europeu tem trabalhado arduamente para conter a crise econômica que se instalou na Europa. O presidente do Banco acredita que o fim do euro não é um assunto que evoluirá e que a moeda do euro é irreversível. O mecanismo que ele acredita que será uma solução para conter a crise é o plano de compra de títulos do governo. Tal atitude deverá solucionar diversas distorções nos mercados secundários. O Banco Central pretende diminuir custos de empréstimos, reduzindo os custos tomados por governos “afundados” na crise. O Banco Central da Alemanha divergiu e afirmou que esta medida prejudicará os esforções de reformar amplas e impopulares. Assim, o Banco Central Europeu e Alemanha têm tido um impasse no que diz respeito a conter a crise que afeta o continente europeu.

    Carolina Lobato Rodrigues – DIE (7º Período/Manhã)

  2. Nicole Meireles Sacco – 7º. Período – FDMC

    Definido como a instituição da União Europeia responsável por gerir o euro, bem como administrar o desenvolvimento da política econômica e monetária dos países da zona euro, o Banco Central Europeu é integrado por 19 países, tendo como principal objetivo a manutenção da estabilidade de preços em seus países membros e a garantia do poder de compra da moeda única adotada.
    Nos últimos tempos, a ação do BCE tem sido voltada para a adoção dos conhecidos pacotes de estímulo, a fim de que se possa proporcionar um crescimento econômico, bem como reduzir o endividamento na zona do euro. Apesar de criticado por parte do alemães, representantes do BCE defendem quem, sem tais pacotes de estímulo, a zona do euro estaria sofrendo com uma deflação desde o ano passado.
    A posição defendida pelo governo alemão acredita que as medidas do Banco Central Europeu para dar suporte a países que sofrem com a crise da zona do euro estão elevando os riscos envolvidos no sistema do euro e os redistribuindo entre os contribuintes. Porém, vale ressaltar que, na medida em que a zona do euro conta com a participação de países com diferentes níveis de estabilidade econômica, organização fiscal e crescimento, sempre haverá adoção de medidas que não são de interesse comum a todos os seus membros. Cabe ao BCE, porém, analisar quais destas medidas tornam-se mais vantajosas ao Bloco Econômico como um todo.

  3. O Banco Central Europeu (BCE) gere o euro, define e executa a política econômica e monetária da UE, tendo por principal objetivo manter a estabilidade dos preços e apoiar o crescimento econômico e a criação de emprego. Nesta quinta-feira (22), o BCE anunciou um pacote de estímulos para a economia da zona do euro. O objetivo é evitar a deflação e a recessão do bloco. Ao contrário dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, o BCE vinha resistindo até agora a colocar em prática um programa de compra de títulos públicos. Esse processo é conhecido como afrouxamento quantitativo.Governos e bancos centrais de todo o mundo buscam o crescimento da economia de seus respectivos países, mas isso tem de ser equilibrado.Uma das principais ferramentas que governos e autoridades monetárias têm para controlar o crescimento é subir ou baixar juros. Quando eles estão baixos, incentivam pessoas e empresas a gastar dinheiro, em vez de poupá-lo. Essa decisão do BCE só ocorreu agora pois o crescimento nos 19 países que formam atualmente a zona do euro perdeu força nos últimos meses, enquanto muitos deles já se encontram em recessão.

  4. A instituição responsável por manter pelo euro na Europa e o Banco Central Europeu e foi adotada por 19 países, tendo como principal objetivo manter a estabilidade dos preços e apoiar o crescimento econômico e a criação de empregos. Recentemente os think tanks e a imprensa alemã pularam na jugular de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), depois que o novo pacote de estímulo para combater a anemia da zona do euro foi anunciado na quinta-feira. O BCE saiu em própria defesa, o Vice Presidente do BCE , Vitor Constancio fez um apelo a favor do ativismo do Eurobanco e novamente exigiu uma expansão fiscal para apoiar a política monetária, “evitamos uma deflação disse”. Enquanto o BCE acredita no plano de compra de títulos de governo reduzindo os custos de empréstimos tomados por governos tomados pela crise , a Alemanha diz que esta medida prejudicara os esforços de amplas e impopulares. Portanto BCE e Alemanha discordam nas medidas para se tomar , para que se resolva a crise europeia.

  5. O Banco Central Europeu (BCE) gere o euro e define e executa a política econômica e monetária da UE, tendo por principal objetivo manter a estabilidade dos preços e apoiar o crescimento econômico e a criação de emprego.
    No quadro delineado na notícia acima, o BCE deu início à política de impressão de dinheiro para compra de títulos soberanos, com o objetivo de sustentar o crescimento e tirar a inflação na zona do euro de níveis abaixo de zero rumo a uma meta de pouco menos de 2%. Tal prática tem como objetivo proteger os países da zona do euro de qualquer efeito em cadeia decorrente dos acontecimentos na Grécia. Esse processo é conhecido como afrouxamento quantitativo.
    Entretanto, a Alemanha, bem como os representantes de alguns outros países da zona do euro, rejeitam o plano apresentado pelo Banco Central Europeu. Eles afirmam que não querem perder o dinheiro que emprestaram ao governo grego. Os que divergem das medidas adotadas pelo BCE alegam que o BCE não poderia concordar com tal isenção de dívidas, uma vez que esta forma de financiamento estatal é considerada proibida por suas regras. O BCE, em contrapartida, declarou que poderá disponibilizar seus lucros com os títulos gregos.
    Por isso tudo, o Banco Central Europeu e Alemanha vivem em um impasse no que diz respeito a como atenuar a crise economica que afeta o continente europeu.

  6. Uma advertência que parece ir à contramão de muitos países que integram o clube de potências industrializadas e emergentes do G 20, preocupados com a degradação das perspectivas econômicas por causa da desaceleração da China, da queda dos preços do petróleo e das matérias-primas e da incessante agitação dos mercados financeiros. Nesse sentido, o Banco Central Europeu (BCE) parece decidido a redobrar seus esforços para dar impulso à zona do euro e se mostra cada vez mais prudente sobre a conveniência de voltar a subir sua taxa de juros, depois de tê-las aumentado em dezembro pela primeira vez em nove anos. Para que a economia real se fortaleça, são necessárias reformas. “A Alemanha tem experiência em programas conjunturais, tanto boas, quanto ruins. Enquanto foi possível incentivar a economia com medidas estatais durante a crise dos anos 1960, o mesmo não aconteceu nos anos 1970, durante a crise do petróleo, pois o problema estava na oferta.”
    Pacotes como estes só podem conter choques econômicos do ponto de vista da demanda. E é preciso que tenha ao mesmo tempo de uma política salarial moderada.

  7. Desde a crise de 2008 os pacotes contendo medidas de incentivo econômico são cada vez mais comuns. O bloco europeu tem a difícil tarefa de ‘harmonizar’ os interesses de potencias como Alemanha, Inglaterra e França (países que notadamente foram menos afetados por terem uma economia mais sólida) com países que passam por grave crise econômica como por exemplo a Grécia (que vive sob o olhar atento da comunidade europeia devido a incerteza de seu futuro econômico e político). A tarefa não é simples e há que se ponderar o argumento das duas partes. De um lado o Banco Central Europeu busca oferecer condições de restabelecimento econômico aos países mais afetados. Esses países enfrentam um momento delicado pois além da falta de credibilidade junto aos outros componentes do bloco, internamente a própria população não está unanime quanto a melhor solução.
    Em contra partida os países que terão de ‘arcar’ com esses incentivos financeiros e que correrão os riscos de não receber seu dinheiro de volta caso as medidas adotadas não sejam eficazes defendem maior prudencia quanto a concessão de crédito. Dificilmente haverá um desfecho capaz agradar em totalidade os envolvidos. Entretanto, a solidez do bloco e as diversas situações difíceis já enfrentadas (e superadas ) ensejam boas perspectivas quanto ao desfecho do impasse.

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