Emissões na área de energia exigem prudência


Foto: Shutterstock

Publicado Originalmente: 19/02/2016

A cada dia, mais o noticiário é ocupado por informações sobre dramas climáticos em todas as partes e de discussões sobre o que se prevê para essa área. A cidade de São Paulo enfrenta inundações inéditas. O Rio de Janeiro parece envolvido num cobertor pesado, enquanto a temperatura diária ultrapassa os 40 graus Celsius. O Nordeste brasileiro atravessa grave seca, principalmente em 84 municípios de regiões do Rio São Francisco. Nos Estados Unidos, há áreas sofrendo com temperaturas de até 25 graus negativos.

E as perspectivas, aqui e no mundo, não são alentadoras. Rajendra Pachauri, o experiente diplomata que durante 15 anos comandou o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (ONU), tem dito que, embora o acordo sobre o clima alcançado em Paris no final de 2015 seja “um avanço”, em termos científicos os compromissos assumidos pelos países para reduzir suas emissões (“Contribuições Nacionalmente Determinadas”) são “completamente inadequados para limitar a 2 graus Celsius o aumento da temperatura planetária até o final deste século” (comparando com os níveis pré-industriais). Numa das mais recentes avaliações globais, feita por numerosos cientistas em Yokohama, no Japão, sentenciou-se que, se não houver esforços adicionais, no fim deste século o aquecimento global passará “do nível alto para um nível mais alto” – com consequências alarmantes.

O mundo não tem alternativa a não ser reduzir – até eliminar – as emissões de poluentes que se acumulam na atmosfera e contribuem para as mudanças climáticas. Nenhum país poderá escapar. E o Brasil, que tem condições privilegiadas para mudar, graças à sua matriz energética mais favorável, continua envolvido numa “crise de energia” – diz o noticiário das últimas semanas, referindo-se às hidrelétricas, que emitem menos que termoelétricas ou geradoras que utilizam carvão, diesel ou gás. Há uma crise nos investimentos para implantar linhas de transmissão. A empresa vencedora do leilão para a linha Manaus-Boa Vista desistiu do projeto. Estão paradas desde novembro as obras que ligarão a hidrelétrica de Belo Monte ao Nordeste, com a concessionária em recuperação judicial (Valor Econômico, 15/2). E chega-se ao ponto de o Ministério de Minas e Energia “não descartar” uma volta à ligação de termoelétricas, as mais poluidoras (Agência Globo, 21/10/15).

A chamada “crise na área do petróleo” pode abrir caminho a energias mais “limpas”. Mas por aqui quase só se ouvem lamentações (por causa também dos problemas que a crise provoca na área do pré-sal, com a queda de preços até para menos de US$ 30 por barril), agravada pela concorrência do gás de xisto nos Estados Unidos e em outras partes.

No próximo dia 25 começará em Fortaleza a II Jornada sobre Cidades e Mudanças do Clima, com representantes de 86 países da América Latina e 100 no total, aí incluídos delegados de oito cidades com mais de 100 mil habitantes. O organizador é o Iclei, que reúne membros de governos “dedicados ao desenvolvimento sustentável”, com a atenção neste momento centrada no clima. Será importante, porque a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, chama a atenção: o fenômeno El Niño é o mais forte em 50 anos; atinge e atingirá muitos países e chega à África Austral, onde muitos países terão as menores chuvas dos últimos 35 anos.

Como atuar em nível global e ainda pensando que os problemas atingem muito desigualmente as populações dos países e, em cada um deles, os indivíduos, diferenciados em matéria de renda e consumo? O cientista brasileiro Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lembra: na média, cada pessoa no mundo poderia emitir o equivalente a duas toneladas anuais de dióxido de carbono, de modo a não contribuir para situações indesejáveis; mas um norte-americano emite 18,6 toneladas anuais; um alemão, 10 toneladas; um chinês, 7,9 toneladas; um brasileiro, 7,5 toneladas (na média). Será difícil em toda parte. No Brasil, o governo fixou em 37% a meta de redução das emissões até 2025.

É indispensável olharmos para o quadro que a ONU traça: inundações, tormentas, ondas de calor e outros desastres cortaram a vida de mais de 600 mil pessoas desde 1995; e a tendência “é aumentar”, pois nos quatro últimos anos ocorreram 14% mais fenômenos dessa natureza do que há dez anos, quase o dobro em relação ao período 1985-89; e afetaram 4 bilhões de pessoas (Eco 21, janeiro de 2015).

Há movimentos ocorrendo em várias partes, mesmo enfrentando reação poderosa de setores econômicos de ou grandes investidores em projetos de energia com taxas altas de emissão de poluentes, O presidente dos EUA, Barack Obama, por exemplo propôs (The New York Times, 22/1) limite para emissões de metano na extração de petróleo e gás (o metano é 25 vezes mais poluentes que o dióxido de carbono). Os impostos nesses setores também serão maiores.

Na nossa área de energia, o setor das renováveis é o que tem mostrado maior crescimento – mas partindo de uma base inferior. Entre 2005 e 2014, eólica, solar e biomassas foram as que mais avançaram ( 146%); a energia hídrica aumentou 10%; petróleo, 32%; gás natural, 80% – segundo o Balanço Energético Nacional (Estado, 15/2). Mas prevê-se aumento de 34% na demanda até 2035, com pequeno avanço das renováveis (1,4%), comparadas com as fósseis. Pode ser um número até mais favorável, pois já está ocorrendo considerável desinvestimento na área das fósseis, segundo a revista New Scientist (14/11/15).

Analistas muito respeitados, como o professor Sérgio Besserman Vianna, dizem (O Globo,14/2) que a meta de limitar a 1,5 grau Celsius a temperatura do planeta é “miragem enganadora. O que já está aí aponta para 3 graus Celsius, se não houver redução da produção e do consumo”. São palavras muito fortes, ditas por quem tem competência e é respeitado.

FONTE: envolverde

2 respostas em “Emissões na área de energia exigem prudência

  1. O portal da labor do sistema da ONU sobre o cambio climático, vem realizando inúmeras campanhas para conscientizar as pessoas sobre o uso razoável da energia. É interessante perceber que por meio de seu curso virtual educa a comunidade em sete itens:
    1. A funcionalidade dos bosques. Neste ponto traz a colação o tema do desmatamento, o qual provoca até o 20% das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo, devido à tala de bosques de uso agrícola. Devesse destacar que os bosques são sumidores netos de carbono, e portanto capasses de absorver a décima parte das emissões mundiais de CO2 na biomassa e o solo.
    2. A procedência das emissões. Segundo as cifras da ONU, durante os últimos trinta anos, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram a uma media de 1,6% por ano, com emissões de CO2, provenientes do uso de biocombustível que cresceu 1,9% por ano. o maior incremento em emissões de gases de efeito estufa se registrou no subministro de energia e o transporte de estrada, isto nos países em desarrolho.
    3. A redução do 50% das emissões como planejamento para o ano 2050. Aqui devesse destacar a preocupação por a compra de direito de emissões por parte dos grandes países, que alcançaram seu limite anual.
    4. O investimento de energia. É importante investir grandes sumas no aumento da capacidade energética renovável nos próximos 20 anos, nos pises em desarrolho.
    5. A redução dos dejetos para a conservação da energia.
    6. A redução nos países em desarrolho das emissões, permitindo desviar recursos para o crescimento econômico e a erradicação da pobreza.
    7. A utilização das ultimas tecnologias como meio de redução das emissões dos gases de efeito estufa.

  2. Um dos assuntos mais importantes dessa década é o clima do planeta. Inundações, ondas de calor e outros desastres tem a tendência de aumentar ainda mais. No final do ano de 2015 a Conferência do Clima da ONU terminou com um acordo considerado histórico. O objetivo do acordo seria que os signatários ajam para que a temperatura média do planeta tenha uma elevação abaixo de 2°C.
    As emissões na área de energia podem ser prejudiciais quando se trata do clima no planeta. É informado ainda que o Ministério de Minas e Energia não descarta uma volta das termoelétricas. As hidroelétricas, ainda que emitam menos poluentes que as termoelétricas, também trazem grandes impactos ambientais em sua instalação. Na área que recebe o grande reservatório de uma hidroelétrica a natureza se transforma: o clima muda, afeta peixes e outros animais e florestas que poderiam se encontrar nesses locais. As energias eólica e solar avançaram muito nos últimos anos, o que pode considerar um dado otimista, mas no Brasil, esse tipo de energia teve um avanço pequeno se comparado ao grande potencial que o país tem para geração dessas. Deve haver um maior investimento em energia, inclusive no Brasil que apresenta uma matriz energética tão favorável.
    As pessoas também, emitem muito mais dióxido de carbono do que a média. Há países com um consumo muito alto. E os problemas com o aquecimento global vão afetar de formas diferentes cada país e classe econômica. Por enquanto que alguns locais apreciam climas mais quentes que o habitual, outros apreciam invernos mais rigorosos do que o normal.

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