“Quiseram criar um fato consumado”, diz Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores


Postado originalmente em: 12/02/2016

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Uma indicação controversa estremece as relações diplomáticas entre o Brasil e Israel. Em agosto do ano passado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou pelo Twitter que o novo embaixador do país no Brasil seria o colono Dani Dayan. Só depois de divulgar o nome pela rede social, Israel comunicou a indicação ao governo brasileiro. Argentino naturalizado israelense, empresário bem-sucedido no ramo da tecnologia de informação, Dayan é um ativo defensor dos assentamentos israelenses em território palestino. Ele também defende a não existência de um Estado da Palestina. Morador da Cisjordânia, ocupada por Israel em 1967, Dayan presidiu por seis anos o Conselho Yesha, que representa 500 mil colonos israelenses.

O Brasil, por sua vez, é contrário à ocupação dos territórios palestinos, iniciativa que inviabiliza a solução de dois Estados para a região – um para Israel, outro para a Palestina. E, como mais de 70% dos países-membros das Nações Unidas, o Brasil apoia a criação de um Estado palestino. Para o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores (2003-2011) e da Defesa (2011-2015), não foi por acaso que o governo Netanyahu quebrou a praxe diplomática de só anunciar a indicação de um embaixador depois de ele receber a aprovação do país onde será acreditado. “Isso faz parte da estratégia evidente de Israel de tornar a ocupação da Cisjordânia um fato consumado”, afirma Amorim. “Acharam que o Brasil não teria a determinação de recusar, que acabaria aceitando a indicação.”

O governo brasileiro, no entanto, já emitiu sinais evidentes de que não pretende aceitar a indicação. Em postura coerente com sua política externa, vem postergando a aprovação do nome de Dayan, o que no mundo diplomático significa recusa. “Caberia ao governo de Israel nomear outra pessoa”, lembra Amorim. “Se agisse de forma diferente, o Brasil estaria se curvando a uma pressão indevida.” Por enquanto, Israel insiste na nomeação, que encontra algum respaldo em parte das Forças Armadas brasileiras, devido ao uso de tecnologia militar israelense, em particular de equipamentos eletrônicos para aviões, satélites e drones.

Brasileiros – Como o senhor vê o impasse entre o governo brasileiro e o israelense, por causa da indicação de Dani Dayan como embaixador no Brasil?
Celso Amorim – Bem, não vejo propriamente como um impasse. A palavra que me ocorre é em inglês. Em diplomacia, isso seria considerado um blunder (asneira), não é só um mistake (erro). Para começar, é uma gafe diplomática. É um erro grave na diplomacia tornar pública a nomeação de um embaixador sem ter previamente o que se chama, em diplomatês, o agrément, a aceitação por parte do governo no qual ele vai ser acreditado. Isso é uma coisa que não se faz. Em algumas situações, se não há nenhum problema, pode-se até passar por cima, ignorar. Mas nesse caso específico não aconteceu por acaso. Essa é minha teoria. Aconteceu porque eles estavam querendo nomear uma pessoa que provavelmente não seria aceita pelo governo brasileiro. Então eles quiseram criar um caso consumado.

Forçar o Brasil a aceitar a indicação?
Eu acredito. Acharam que o Brasil não teria a determinação de recusar, acabaria aceitando. E isso faz parte da estratégia evidente de Israel de tornar a ocupação da Cisjordânia também um fato consumado. Digo isso como alguém que trabalhou intensamente, dentro do que o Brasil pode fazer, evidentemente, para a solução baseada em dois Estados. Tanto a existência do Estado Palestino como o respeito à existência do Estado de Israel. Então me sinto muito à vontade para dizer isso. Diferentemente de outras pessoas, que têm uma postura mais radical, para um lado ou para o outro, sempre procurei fazer essa aproximação. Tanto que eu visitei Israel cinco vezes quando era ministro das Relações Exteriores. E o presidente Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar Israel, em 2010.

Então a postura do Brasil é coerente com sua política externa?
Absolutamente coerente. E absolutamente necessária. Em uma situação dessa, com peso político muito grande, seria até um sinal de debilidade, de fraqueza, se o Brasil tivesse aceitado esse fato consumado que o governo israelense quis impor. O Brasil agiu com altivez nesse caso. Altivez correta, porque não agir dessa maneira seria se curvar diante de uma pressão indevida.

Já houve algum episódio similar na diplomacia brasileira?
Aconteceu na época da famosa Guerra da Lagosta (contencioso entre o Brasil e a França, entre 1961 e 1963, quando barcos franceses passaram a pescar o crustáceo no litoral do Nordeste brasileiro). O Brasil nomeou um embaixador para a França e, por descuido, anunciou antes. Foi realmente por descuido. Essa pessoa, aliás, era muito amiga dos franceses. Dizem que era amiga até do presidente Charles de Gaulle (Amorim se refere a Vasco Leitão da Cunha, ministro das Relações Exteriores da ditadura, de 1964 a 1966). E a França recusou, porque isso contraria a praxe diplomática. No caso presente, não só houve uma quebra da praxe diplomática, como havia a intenção de colocar no Brasil uma pessoa que lidera um movimento contrário às nossas posições. Ele defende a manutenção e possivelmente a ampliação dos assentamentos. Um dos pontos centrais para haver paz entre a Palestina e Israel é a devolução dos territórios da Cisjordânia, onde existem assentamentos israelenses, para os palestinos. Isso foi fundamental em todos os momentos em que se discutiu a questão. E eu acompanhei vários desses momentos. Já se falou até em fazer algum pequeno arranjo, uma troca de território, em um ou outro caso. Tem gente na Palestina que é contra, mas outros aceitam. Agora a manutenção  pura e simples dos assentamentos é algo totalmente impossível. Algumas vezes as negociações foram interrompidas por esse motivo.

Como foi?
Um exemplo ocorreu em 2010, envolvendo construções em Jerusalém Oriental. A rigor, não era nem na Cisjordânia. Eram construções autorizadas pelo governo israelense em Jerusalém Oriental. Isso levou à impossibilidade de retomar as negociações. Elas já estavam difíceis, por causa de outros elementos. Nos anos 1990, na época Acordo de Paz de Oslo, fazendo uma média, porque os números variam de acordo com quem fala, havia 50 mil colonos israelenses na Palestina. Hoje os números variam entre 500 mil e 650 mil, em um território muito pequeno. Não estamos falando de um território imenso. Recentemente fui à região e da janela do nosso escritório em Ramallah, a capital administrativa da Palestina, dava para ver assentamentos.

Da janela da representação do Brasil na Palestina?
Isso. Em uma colina próxima, a não mais que dois, três quilômetros de distância, existem assentamentos israelenses. E não é que a pessoa indicada por Israel como embaixador defenda privadamente esses assentamentos. Ele é um líder dessa corrente. Na minha opinião, aceitar a indicação dele, mesmo que ela tivesse seguido os trâmites corretos, seria muito difícil para o Brasil. Seria interpretado como um recuo na nossa posição, que, aliás, é a posição das Nações Unidas e de todos os planos de paz que foram apresentados até hoje.

Se aceitasse, o Brasil ficaria vulnerável diante da comunidade internacional? Os interesses do País no Oriente Médio seriam prejudicados?
Não tem a menor dúvida. Seria um recuo, da mesma maneira que nosso reconhecimento do Estado da Palestina, que se deu ao final de 2010, foi muita apreciado pelos países árabes. A nossa atitude em defesa do direito de os palestinos formarem o seu Estado é muito apreciada entre os árabes. E não é uma defesa retórica. Até países com nuances diferentes apreciam isso. Em 2007, durante o governo do presidente Lula, o Brasil foi convidado a participar de um encontro importante, que foi a Conferência de Annapolis, em Maryland, onde fica a base naval americana. A conferência, pela retomada das negociações de paz no Oriente Médio, reuniu chefes de governo e ministros das Relações Exteriores de vários países. Juntamente com a Índia e a África do Sul, fomos os únicos países em desenvolvimento, não árabes, ou pelo menos não islâmicos, a estar presentes. Algo muito importante. Uma demonstração do interesse e da compreensão de que o Brasil pode ajudar. E devo dizer que durante todo esse período a nossa relação com Israel foi muito franca. Tive muito diálogo com a minha contrapartida, a ministra Tzpi Livni. O presidente Lula, no nível dele, mais alto evidentemente, e eu também tivemos muito bom diálogo com Shimon Peres (presidente de Israel entre 2007 e 2010). Tudo isso seria colocado em segundo plano se o Brasil viesse a admitir como embaixador um defensor ativo da não existência do Estado Palestino. E com o agravante de Israel ter feito a indicação sem seguir as praxes diplomáticas.

Em dezembro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Dilma Rousseff havia “fugido” dele em Paris, durante o encontro sobre o clima, por causa do problema em relação a Dayan. Foi uma provocação?
Nem posso comentar os fatos, porque não estava lá. Estou fazendo uma análise. Não é a posição do governo brasileiro. É a minha posição. Largamente coincidente com a do governo. Eu não creio que a presidenta Dilma Rousseff seja mulher de fugir do que quer que seja. Não creio. E também não sei se ele se expressou dessa maneira. Com todo respeito à imprensa, às vezes se coloca uma pimenta a mais. Enfim, seria uma expressão muito pouco diplomática se ele tivesse dito isso.

De qualquer maneira, no ano anterior, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel já havia classificado o Brasil como um “anão diplomático”. Há uma queda de braço?
Não pode haver queda de braço, porque o Brasil não tem problema. Quem tem problema é Israel. O Brasil é um país que se relaciona com todos os países do mundo. E se relaciona de forma pacífica. Pela índole do povo e pelo bom trabalho diplomático durante anos, décadas, séculos. E esse trabalho não é só dos diplomatas, mas também dos governantes, dos líderes do País. O Brasil não tem uma guerra na região há praticamente 150 anos. O que é uma maravilha, tendo dez vizinhos. Não há situação equiparável no mundo. Acho que esse cidadão, que nem merece resposta, não deve ter nem um mapa-múndi na frente dele.

O estranhamento diplomático de agora pode afetar o comércio entre os dois países?
Não necessariamente. O Brasil, não o País sozinho, mas o Mercosul, fez um acordo de livre comércio com Israel. Aliás, foi o primeiro acordo de livre comércio que o Mercosul fez fora da própria região. O que mostra que, da nossa parte, não há nenhum preconceito. Tem sim que haver um cuidado – e estou dando a minha opinião, o governo não tem nada a ver com isso – de não importar produtos feitos em território ocupado. Porque isso contraria inclusive as convenções internacionais. Sobretudo não deixar que esses produtos se beneficiem das cláusulas do acordo.

São os mesmos produtos que a União Europeia proibiu de importar com o selo “Made in Israel”?
Exatamente, porque, na realidade, ali não é Israel. É território ocupado. Não se trata de proibir a importação dos produtos. Movimentos como o Stop the Wall defendem que não se importe nada. O que a União Europeia faz e acho que o Brasil também deveria fazer é não permitir que produtos desses lugares se beneficiem de acordos de livre comércio. Para falar a verdade, o ideal é que esses produtos não venham. Se vierem, pelo menos não permitir que eles se beneficiem dos acordos. Por isso, a União Europeia não admite a rotulagem. Se é rotulado “Made in Israel”, em teoria, se há um acordo de livre comércio, poderia vir com tarifa zero, ou com tarifa muito baixa, dependendo dos termos exatos do acordo. Isso é que não poderia acontecer. Eles não podem ser tratados como produtos israelenses.

Nas Forças Armadas há críticas à postura do governo brasileiro, sob o argumento de que poderia afetar a transferência de tecnologia de Israel para o Brasil. Isso faz sentido?
Não creio. Não posso ter certeza absoluta, mas eles também têm muito interesse. Quando houve aquele episódio do anão diplomático, o presidente de Israel ligou para a presidenta Dilma Rousseff pedindo desculpas. Eu não estava no governo, mas sei por ter lido nos jornais. Não creio que agora vá acontecer a mesma coisa. Mas eles têm sempre interesse em vender a tecnologia deles. Agora, acredito e disse isso várias vezes a meus colegas comandantes das Forças Armadas, diretores de departamento, que o Brasil tem de diminuir a dependência em relação a Israel em certas tecnologias. Eles têm boas tecnologias. Elas são economicamente viáveis, mas nós não podemos submeter o País, que é muito mais amplo, à dependência. Tenho certeza de que a maioria dos militares vê dessa maneira, porque eles têm uma noção de Estado muito boa. Tem de diminuir a dependência, mesmo que isso eventualmente possa implicar uma mudança em um determinado setor. Sei que é difícil. Por isso mesmo vinha dizendo há muito tempo.

Na época em que era ministro da Defesa?
Isso. Eu dizia para eles tomarem cuidado, falava com eles nas reu­niões internas. É claro que nunca falei publicamente porque pareceria que eu estava criticando. Aliás, isso é válido para Israel e para qualquer outro país. Não se pode depender excessivamente de um país, sobretudo se for um fornecedor que está em uma área de conflito. Imagine se de repente o Brasil não puder tomar uma determinada posição por precisar da venda de um produto. E depois Israel certamente não é o único detentor dessas tecnologias. Pode ser até que custe mais caro. Às vezes a independência  custa caro. Tem de enfrentar a realidade. O Brasil não pode ser dependente. Nem de Israel nem de quem quer que seja. No caso de Israel é por ser um país que está em área de conflito. De repente, em uma situação internacional, o Brasil pode tomar uma posição com a qual Israel não está de acordo.

Como tomou ao se alinhar à maioria dos países nas Nações Unidas e aprovar a criação do Estado da Palestina?
Exatamente. Em um assunto multilateral é mais difícil eles chegarem a fazer uma ameaça desse tipo. De qualquer forma, é uma vulnerabilidade que não se pode ter. E tenho certeza de que a maioria dos militares brasileiros tem o pensamento estratégico muito bem estabelecido, fundamentado.

Há também quem classifique como hipocrisia a postura do governo brasileiro, pois continuam as relações comerciais com Israel. Como o senhor vê esta posição?
Não vejo nenhuma hipocrisia. Aliás, quando era ministro das Relações Exteriores, tive muita preocupação em manter relações boas com Is­rael, sempre dentro do que é possível e aceitável. Até para poder ter algum papel naquela região. Não foi só a Conferência de Annapolis. Há vários momentos em que o Brasil foi instado a ter uma posição de facilitação. Eu não diria de mediação. Em diplomatês tem níveis. Mediação é uma coisa muito presente, muito formal, mas recebemos pedidos tanto da Síria quanto de Israel para ajudar. Em um caso foi comigo diretamente. No outro, eu estava com o presidente Lula e ele me deu a tarefa. Era para o Brasil ajudar no encaminhamento da questão das colinas de Golan, na fronteira entre Síria e Israel. A confiança veio dos dois lados. No caso do pedido israelense, foi feito pelo próprio Netanyahu. No caso da Síria foi o presidente Bashar al-Assad.

Se o governo Netanyahu não retirar a indicação e o Brasil não aceitá-la, Israel fica sem embaixador no País?
Há casos em que isso ocorre de uma maneira quase incidental. Devido a algum fato na vida do indicado, ele pode ficar impedido de assumir. É preciso então nomear outra pessoa, pedir novo agrément, passar pelo Congresso, etc. Isso acontece. É claro que tem um lado simbólico. Normalmente, um encarregado de negócios tem menos acesso aos mais altos líderes do que um embaixador pleno. Tudo é relativo também. Às vezes um encarregado de negócios de uma grande potência pode ter mais acesso do que muitos embaixadores. Em tese, é mais fácil para um embaixador, mas também não é o fim do mundo. Os países vão continuar a comerciar. No caso atual, há interesse mútuo. Nem sou contra que se mantenham as relações na área tecnológica, desde que não fiquemos totalmente dependentes.

Qual a saída diplomática para esta situação?
Caberia ao governo de Israel nomear outra pessoa. É o que deveria ocorrer. Talvez requeira algum tempo para que isso ocorra. E tudo isso tem de ser inserido em um contexto em que o Brasil sempre busca a paz. Às vezes as pessoas não percebem as conexões. Um exemplo é essa questão do terrorismo, do Estado Islâmico, que tem parte de sua raiz no conflito entre Israel e Palestina. Então é muito importante trabalhar pela paz na região. E o caso dos assentamentos é o ponto mais gritante. É a humilhação diária que os palestinos sofrem. Não sou favorável a nenhuma ação violenta, mas essa humilhação acaba também gerando frustração. As ações violentas são de filhos do desespero. São pessoas que sofrem não só as restrições econômicas, mas a humilhação diária. Para levar o filho à escola, às vezes até a um lugar que se alcança pela vista, a pessoa tem que passar por três, quatro barreiras. Leva uma hora. Ou duas. Em um lugarzinho pequeno. Se fosse em linha reta, chegaria em dez minutos. Então, acho que o Brasil tem de manter essa atitude. Esse gesto foi muito importante. Merece aplauso. 

Fonte: Brasileiros

3 respostas em ““Quiseram criar um fato consumado”, diz Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores

  1. A manobra feita pelo primeiro-ministro de Israel foi tentar, justamente como já dito por Celso Amorim, evitar que o Brasil – diante da indicação de Dayan – a negasse. Entretanto, o Brasil, notoriamente conhecido no plano internacional por sua diplomacia negou tal indicação por motivos explicitados na matéria. Cabe ao Estado verificar se irá ou não aceitar a indicação de determinado país ao cargo de Embaixador em seu território – onde ele residirá. Dayan, por ter opiniões contrárias as do Brasil em relação a questão da palestina, e demonstrá-las ativamente no cenário israelense foi negado pelo Brasil de forma discreta, implícita e polida, como tem de ser as relações que envolvem países soberanos. Não cabe nesse importante processo a informalidade de anunciar primeiro em redes sociais uma indicação sem nem mesmo fazê-la oficialmente ao Estado acreditado – o Brasil – ou a quebra de praxes, como a carta credencial, a fim de tentar manipular a decisão alheia. O nosso pais então, exerceu o seu livre direito de aceitar ou recusar a indicação do nome de Dayan para Embaixador de Israel no Brasil, o que demonstra que o país segue firme em seus princípios no plano internacional e não se viu acanhado ou pressionado pela quebra de praxe de Israel. Em geral, tais nomeações se dão de forma sigilosa justamente para evitar, caso a indicação seja negada, que as relações diplomáticas entre os países sejam abaladas. Além disso, o fato de o Brasil aceitar a indicação de Dani Dayan para Embaixador no país caracterizaria o fato na Cisjordânia reconhecido pelo governo brasileiro perante o plano internacional, o que é totalmente contra o posicionamento do país em relação a esse caso específico. Pois o Brasil estaria concordando e reconhecendo que a ocupação de áreas palestinas por israelenses é devida, o que poderia inclusive prejudicar nossa imagem em relação a outros países, como a maioria dos membros das Nações Unidas – que são contra a ocupação e defendem a o Estado da Palestina. Além disso, muitos críticos se pronunciaram contra o governo brasileiro, muito pelo comércio entre Brasil e Israel ou pela questão de tecnologia militar que o país tem a nos oferecer. Entretanto, como declarou o ex-ministro Amorim, a dependência de um país soberano em relação a informações ou a produtos de outro determinado país precisa ser tratada com atenção, a fim de evita que o país acabe de tornando manipulável por depender de determinados produtos e tenha suas ações no plano internacional freadas pelo medo de perder produtos. O que foi dito na reportagem é justo: há a necessidade de evitar que produtos produzidos em área de ocupação sejam comercializados no nosso país, e em todos os outros países contra a ocupação, se beneficiando de acordo comerciais – como o Mercosul. Uma vez que isso beneficiaria e fortaleceria as áreas de ocupação indevidas. Dessa forma, o governo brasileiro agiu em total consonância com suas ações diplomáticas e agiu de forma correta e esclarecida ao negar, de forma displicente, a indicação de Dani Dayan para embaixador de Israel no Brasil. E cabe a Israel indicar novo nome a passar por apreciação do governo brasileiro, preferencialmente nos tramites corretos e formais, com carta credencial e sigilosamente para reparar o “estranhamento” diplomático entre os dois países, causado pelo próprio Israel.

  2. A questão palestina como desafio internacional é uma demanda histórica pós-segunda guerra mundial, na qual, com muita relutância e pouco “espírito colaborativo” por parte de Israel, fica difícil de vislumbrar efetiva resolução. Mesmo com muito otimismo frente algumas medidas dos órgãos internacionais e acordos entabulados na região de litígio, fica nítido que por envolver a soberania de dois povos intimamente ligados às suas religiões, a intolerância de ambos os lados consubstancia em um cenário beligerante pouco fértil para a realização de um tratado que definitivamente termine com a questão. Nos últimos anos, podemos observar atitudes do Estado Israelense que agravam o sentimento de revolta por parte do povo palestino, pois são severamente penalizados por um ciclo interminável: as dificuldades impostas por Israel como os bloqueios entre as regiões, o avanço dos assentamentos e a construção de muros demarcadores, motivam (ainda que não justifiquem) uma minoria radical a luta armada, promovendo a consolidação de grupos como o Hamas, que ao agredirem Israel com ataques terroristas “legitimam” as intervenções militares israelenses na região. Obviamente que as autoridades do Estado Judaico se utilizam dessa premissa no cenário internacional. Os esforços de negociação não na região não são poucos, e o Brasil por ter figurado como conciliador efetivo teve o reconhecimento internacional dos feitos, inclusive de muitos estados islâmicos, sendo esse voto de confiança convertido no convite ao nosso país para participar da Conferência de Annapolis no ano de 2007. O não aceite do Brasil é manter-se coerente com todas as medidas adotadas nos últimos anos junto ao litígio vivenciado na região palestina, concordando assim com a fala do entrevistado. Outro ponto interessante que é esclarecido na presente publicação, nas falas de Celso Amorim, é a questão do comércio internacional e como as relações mercantis se vinculam ou não as questões geopolíticas e como algumas atitudes estatais podem gerar situações delicadas, tais como um acordo de livre comércio e o recebimento de produtos gravados de “made in Israel” produzidos em regiões ocupadas. A manobra diplomática tentada por Israel junto ao Brasil, assim como o caso do “anão diplomático” demonstram atitudes irresponsáveis de membros da ala conservadora israelense, que objetiva inviabilizar de todas as formas qualquer direcionamento para a criação do estado palestino. Celso Amorim, ex-ministro das relações internacionais do Brasil, sempre com maestria demonstra em suas falas a importância dos últimos anos das atividades diplomáticas do nosso país. Além disso, aponta o posicionamento brasileiro favorável quanto à criação do Estado da Palestina, assim como a maioria dos Estados junto a ONU. Essa pretensão defendida mostra-se, por mais que Israel não reconheça, a única possibilidade de terminar definitivamente a questão junto ao povo palestino.

  3. A DIPLOMACIA ENTRE O BRASIL E ISRAEL QUASE SOFREU UM APAGÃO,DEVIDO MANOBRAS FEITA PELO PRIMEIRO MINISTRO DE ISRAEL BEJAMIN NETANYAHO. ESTE AO AO QUEBRAR UM PRAXE DA DIPLOMACIA ANUNCIANDO ANTES DE RECEBER A APROVAÇÃO OU ACEITAÇÃO DO PAÍS ACREDITADO(NO CASO OBRASIL),INDICANDO O COLONO DANY DAYAN.SENDO O BRASIL PARTE DOS 70%DOS PAÍSES DA ONU FAVORÁVEIS A CRIAÇÃO DO ESTADO DA PALESTINA E TAMBÉM FAVORÁVEL A ISRAEL.O BRASIL É CONTRÁRIO A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO DA PALESTINA POR ISRAEL, EM DESTAQUE A CISJORDÂNIA.ESSA INDICAÇÃO NOTAVELMENTE SERIA UMA PRESSÃO(FORÇAÇÃO DE BARRA)POIS SE O BRASIL TIVESSE ACEITO ESSA INDICAÇÃO,ESTARIA DEMONSTRANDO CLARAMENTE UM FAVORITISMO A ISRAEL E PODERIA SE COMPROMETER COM A PALESTINA.O EX MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES CELSO AMORIMADUZ SER UM IMPASSE BLUNDER(ASNEIRA) ESSE AGRÉMENT (ACEITAÇÃO)SENDO QUE AS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS, DEFENDEM O “STOP THE WAL”QUE É UMA PROIBIÇÃO DE COMPRAR PRODUTOS DE TERRITÓRIOS OCUPADOS E O COLONO DANY DAYANY É UM DEFENSOR DE ASSENTAMENTOS ISRAELENSES EM TERRITÓRIO PALESTINO.O EX MINISTRO DAS RELAÇOES EXTERIORES LEMBRA TAMBÉM QUE O BRASIL É UM PAÍS QUE TEM DEZ VIZINHOS E QUE ESTÁ A 150 ANOS SEM GUERRA. LULA FOI O PRIMEIRO PRESIDENTE DO BRASIL A VISITAR ISRAEL EM 2010, NO ENCONTRO DE ANNAPO, MARYLAND NA RETOMADA DAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ NO ORIENTE MÉDIO FAVORÁVEL A DEVOLUÇÃO DA CISJORDÃNIA PARA A PALESTINA . ESSA DISPUTA POR TERRITÓRIOS SÓ GERAM VIOLÊNCIA,INCLUSIVE O ESTADO ISLÂMICO QUE APAVORA O MUNDO TODO COM O TERRORISMO.CELSO AMORIM CONCLUIU TAMBÉM QUE ESSA FOI UMA POSTURA COERENTE E NECESSÁRIA POR PARTE DO BRASIL.;QUE PROCURA MANTER RELAÇÕES DE PAZ.

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