Chefe da ONU elogia acordo entre Japão e Coreia do Sul sobre escravidão sexual durante a 2ª Guerra


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Publicado originalmente em: 29/12/2015

Japão pediu desculpas oficiais pelos esquemas de escravidão sexual envolvendo mulheres coreanas durante a Segunda Guerra Mundial. Acordo prevê pagamento de 8,3 milhões de dólares em indenizações para as vítimas e familiares.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, elogiou o acordo firmado nesta segunda-feira (28) entre a Coreia do Sul e o Japão, que pediu desculpas oficialmente pelos esquemas de escravidão sexual criados ao final da Segunda Guerra, envolvendo mulheres coreanas. A nação japonesa também se comprometeu a pagar indenizações para as vítimas, chamadas “mulheres de conforto”, e seus familiares. O valor total das compensações é de 8,3 milhões de dólares.

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(Foto: Hong Ki-won/Yonhap/Reuters)

Para o chefe da ONU, os países devem construir “uma relação orientada para o futuro e baseada no reconhecimento da história”. Ban Ki-moon elogiou o presidente sul-coreano, Park Geun-hye, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, por sua liderança e visão para melhorar a relação bilateral entre os Estados.

Fonte: ONU Brasil

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6 respostas em “Chefe da ONU elogia acordo entre Japão e Coreia do Sul sobre escravidão sexual durante a 2ª Guerra

  1. O pedido de desculpas acompanhado do acordo de indenização feito pelo Japão à Coreia possui uma importância que vai muito além da formalidade e cifras. O acordo simboliza uma preocupação mundial com o esclarecimento e responsabilização dos culpados das barbáries feitas nos períodos bélicos, isto é um reflexo da justiça de transição, iniciado em países da Europa e que atualmente vem se espalhando pelo mundo, inclusive no Brasil, embora não na mesma velocidade. As ofensas aos direitos humanos perpetradas na guerra ou em ditaduras não devem ser esquecidas, pelo contrário, seus responsáveis devem ser ao menos declarados, para que o mundo nunca mais passe por estes períodos sombrios e que aqueles que se quer pensam em cometer delitos que atentem contra os direitos humanos saibam que mesmo tardiamente, serão culpados de suas atrocidades.
    O pedido de desculpas também é de extrema importância na luta das mulheres contra violência sexual e por seus direitos e liberdades. Nos mostra que não existiu ou existirá qualquer fato ou circunstância que permita a diminuição do papel da mulher na sociedade ou a mitigação de seus direitos. Hoje, mais que em qualquer outro tempo na história as mulheres estão empoderadas a nível mundial e fatos como o supracitado acordo servem para ratificar este poder e a importância da luta feminina.

  2. O acordo firmado entre o Japão e a Coreia do Sul representa um grande passo dado pelo Japão, visto que, como consequência, tornará mais harmoniosa a relação entre esses dois países – relação esta abalada após a Segunda Guerra Mundial, devido à exploração (escravidão) sexual de mulheres coreanas por parte do exército japonês.
    A exploração sexual de mulheres é apenas uma das tantas atrocidades cometidas na Segunda Guerra Mundial. No entanto, o reconhecimento da história feito pelo Japão contribui para afirmar a posição condenatória do país quanto a exploração sexual, além de demonstrar a importância de se responsabilizar, nos dias atuais, crimes como tráfico de mulheres e exploração sexual – crimes de práticas muito frequentes e que são temas centrais nos debates internacionais.
    A exploração sexual de mulheres apresenta-se, na atualidade, como uma das faces da escravidão moderna, de âmbito local, nacional e internacional. Portanto, relações internacionais voltadas ao combate da escravidão sexual feminina são de suma importância para a proteção da mulher, bem como para a evolução de seus direitos e garantia de sua liberdade.

  3. A decisão tomada pelo Japão ao pedir desculpas e resolver indenizar a Coreia do Sul por causa da escravidão sexual cometida durante a segunda guerra, mostra, primeiramente um respeito entre essas nações, fato que é muito relevante e, segundamente um respeito aos direitos humanos dessas mulheres que foram retiradas de suas famílias e abusadas sexualmente.

    Os direitos humanos já são reconhecidos mundialmente, uma vez que a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos; portanto, essas mulheres deveriam sim possuir suas liberdades, mas como não a possuíram, nada mais justo do que indenizar suas famílias devido a violação de seus direitos morais, como o direito à própria liberdade sexual; portanto, novamente reforçando, o Japão tomou uma decisão nobre, demonstrando respeito a sociedade sul coreana, e dando um passo para efetivamente acabar, ou ao menos reduzir, a quantia de vezes que esse fato tão preocupante ocorre na sociedade mundial; uma vez que a exploração sexual representa um dos tipos remanescentes de escravidão da atualidade.

  4. A Segunda Guerra Mundial foi um grande marco para a história dos países, principalmente para o Japão e Coreia do Sul. Acontecimentos do passado de tal época deixaram grandes marcas, tristezas, traumas, um verdadeiro terror histórico, com várias destruições, sendo a escravidão sexual das mulheres apenas mais uma das atrocidades cometidas. Dessa forma, a iniciativa da nação japonesa de pedir desculpas e pagar as devidas indenizações foi um ato de muito respeito e que deve ser valorizado. Independente do tempo, quando há marcas de tal dimensão, nunca é tarde para reaver as situações e estabelecer uma boa convivência entre os países, que agora possuirão um olhar para o futuro, sem mágoas para o passado. Além disso, os Direitos Humanos já são reconhecidos mundialmente atualmente, e essas mulheres sofreram uma violação muito grande quanto a isso, em que suas liberdades foram retiradas, então a indenização é um meio de arcar com essa violação do direito.

  5. A situação entre Japão e Coreia é mais complexa do que se pensa. Esses “esforços” diplomáticos ainda são insuficientes. Existem sentimentos anti-Japão e anti-Coreia muito intrínsecos nesses países, decorrentes de guerras.

    Apesar de testemunhos anteriores sobre o sofrimento das mulheres de conforto, algumas vítimas vieram a público pela primeira vez apenas em 1981. Mas o Japão só reconheceu o uso de bordéis de guerra 12 anos depois. Tóquio pediu “desculpas” pela primeira vez em 2007, mas foi considerado um pedido incompleto e não sincero.

    Vários japoneses seguem negando que mulheres foram escravizadas sexualmente durante a Segunda Guerra, entrando até mesmo no questionamento se era escravidão ou se era a livre escolha delas, ou seja, não existe uma consciência dos crimes de guerra cometidos pelo país, ocorre um ocultamento, gerando conflito com os coreanos. Diferente da consciência alemã sobre os crimes cometidos na Segunda Guerra.

    No dia 28 de dezembro de 2015, quando completavam 50 anos do restabelecimento das relações diplomáticas, as autoridades da Coreia do Sul e do Japão selaram um acordo. O primeiro ministro Shinzo Abe pedia desculpas pelo sofrimento das mulheres de conforto, por meio do chanceler em Seul, além de estabelecerem indenizações. Pelo pacto, a Coreia se comprometia a tratar o assunto como “definitivamente resolvido”. Esse acordo recebeu pouco apoio popular e enfrenta resistência da sociedade coreana.

    Em 28 de dezembro de 2016, aniversário do acordo, ativistas sul coreanos instalaram uma nova estátua de uma mulher de conforto em frente ao consulado do Japão em Busan, segunda maior cidade da Coreia do Sul. Há várias outras estátuas espalhadas pelo país. Essa ação foi uma crítica ao acordo, que foi feito sem consultar as vítimas, e o Japão não assumiu a responsabilidade legal, ou seja, não reconheceu culpa pelo ato específico de escravização sexual que seria realizada pelo exército, por falta de evidências. Os manifestantes continuam considerando esse pedido de desculpas incompleto.

    O Japão respondeu retirando do país temporariamente o embaixador e cônsul-geral em Busan. Além disso, suspendeu o câmbio de moedas e adiou negociações econômicas. O Japão afirmou que a estátua violava o acordo de 2015, que determinava que as reparações feitas resolveriam o assunto irreversivelmente.

    O debate sobre o assunto dentro dos dois países é complicado. Existem livros de testemunhos e estudos, como “The Comfort Women” de Sarah Soh, que ampliam a visão sobre mulheres de conforto. Esses livros são completamente desconhecidos entre os coreanos e japoneses pela falta de tradução. Mesmo se houvesse tradução, é possível que houvesse censura ao livro, como ocorreu à um livro semelhante: “Comfort Women of the Empire” de Park Yu-Ha em 2013, que também foi acusado de difamação e condenado a pagar multa.

    No livro de Soh, há relatos de mulheres que realmente sofreram abuso (escravas sexuais), algumas que viveram em condições favoráveis, outras que trabalharam para apoiar as famílias financeiramente nos tempos de guerra ou escapar de relações familiares tensas. Não havia apenas um perfil de mulher de conforto. Ela dá voz até às vítimas que aceitaram o Fundo de Mulheres Asiáticas de 1994, que foram marcadas como traidoras por ativistas.

    Acredito que os acordos feitos entre os países deveriam focar mais em satisfazer as demandas da população, não apenas pensando em relações diplomáticas entre governos.

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