Desaceleração da China dificulta recuperação brasileira


Publicado originalmente em 09/01/2016

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A primeira semana de 2016 começou da maneira mais turbulenta possível no mercado financeiro. Dados que mostram que a desaceleração da economia chinesa desencadeou uma queda nas bolsas de valores do país asiático, que se espalhou para todo o planeta.

Grande exportador de minérios e de grãos para o mercado chinês, o Brasil foi atingido em cheio pelas instabilidades na segunda maior economia do mundo.

O dólar comercial encerrou a primeira semana do ano em R$ 4,04, com alta de 2,34%. O índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, despencou mais de 6% nas últimas cinco sessões e está no menor nível desde março de 2009, no auge da crise provocada pelo colapso do crédito imobiliário nos Estados Unidos. Segundo economistas, a desaceleração da China dificulta ainda mais a saída do país da pior recessão em 25 anos.

Para o economista Róridan Duarte, membro do Conselho Federal de Economia, a mais nova crise internacional veio no pior momento para o país. “As dimensões da economia chinesa, com PIB [Produto Interno Bruto] de quase US$ 10 trilhões, fazem qualquer espirro se tornar uma gripe em todo o mundo. Um país que cresce 7%, em vez de 10%, tem um desempenho fantástico, mas a desaceleração causa impacto em todo o planeta”, afirma.

Em relação ao Brasil, o economista diz que ele se tornou dependente da economia chinesa quando o país asiático passou a investir em infraestrutura e comprou mais commodities – bens primários com cotação internacional. Com a desaceleração, o país diminuiu o consumo desses bens, fazendo os preços internacionais desabarem. “Diferentemente da crise de 2003, o Brasil não poderá usar as exportações para se recuperar mais rápido porque a demanda mundial por produtos brasileiros caiu”, diz.

Para Duarte, o grande desafio do Brasil será aproveitar a desvalorização do real para diversificar a pauta de exportações e vender mais produtos industrializados. “O problema é que isso levará algum tempo porque o país passou por um processo de desindustrialização nos últimos anos, e a recuperação da indústria não é imediata”, explica.

Apesar de concordar que a crise internacional complica a recuperação da economia brasileira, a professora de Economia Virene Matesco, da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que os principais problemas do país não são externos, mas internos. Para ela, a recuperação da economia brasileira depende mais de o país superar a crise política e executar o ajuste fiscal do que do desempenho da China.

“Claro que o que acontece na China, que é o nosso principal parceiro comercial, interfere no Brasil. Assim como na Argentina, nosso terceiro maior parceiro comercial. Só que a recessão brasileira foi causada por uma crise fiscal piorada por uma crise política”, observa Matesco. “O cenário internacional é um fator secundário.”

Segundo Matesco, o maior desafio para o Brasil será o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, reconquistar a credibilidade dos investidores em relação ao governo. “O novo ministro tem de mostrar se realmente está comprometido com o ajuste fiscal porque, nos anos anteriores, ele foi o idealizador de muitas políticas de aumento de gastos que não deram certo e não elevaram os investimentos”, acrescenta.

Fonte: Exame

13 respostas em “Desaceleração da China dificulta recuperação brasileira

  1. Com a desaceleração do crescimento do PIB ( Produto Interno Bruto ) da China, afetou diretamente a economia brasileira, visto que atualmente os dois países são grandes parceiros comerciais. O Brasil exporta commodities, enquanto importa da China produtos industrializados.
    Com o processo de Globalização, as economias dos países acabam se tornando interdependentes, por isso, pessoalmente não vejo possibilidade de manter um modelo estritamente liberal em que o mercado se auto regule.
    Há também de se analisar a importância de manter relações diplomáticas e comerciais com o maior número possível de países, o que de certa forma o Brasil tenta fazer.Dependendo da crise externa, o país possa se reerguer pois não tem todas as suas fichas apostadas em só um lugar.

  2. Geralmente os países têm um produto como carro forte de exportação, raramente um país possui mais de dois ou três produtos. O Brasil é o único país no mundo que possui relevância mundial no mercado de mais de dez produtos distintos. Quais sejam, diversas commodities, pedras, carnes, frutas, etc… O minério e a soja são apenas alguns dos produtos que o Brasil produz a nível mundial, no entanto, a economia nacional depende sobremaneira da exportação destes dois itens, isto revela uma má gestão econômica do governo e o grande atraso dos nossos parques industriais e matrizes de produção. Com investimentos em diversificação e renovação da indústria o Brasil poderia deixar de ser um exportador de matérias primas e exportar produtos de alto valor agregado a uma gama muito maior de países, mas enquanto somos administrados por um governo que está em vias de falir o país estamos sucetíveis a depender de um ou outro parceiro econômico.

  3. O Brasil hoje enfrenta a pior recessão dos últimos 25 anos. A desaceleração da China causa um impacto bruto e direto ao país devido a grande exportação de commodities do Brasil para o país asiático. A economia mundial segue uma matemática básica onde o preço do produto varia de acordo com seu consumo, ou seja, se o consumo cai o preço também cai. O país asiático era parceiro do Brasil em relação às exportações e importações. Na crise de 2003 o Brasil usou da exportação para reaquecer a economia do país, mas com os últimos acontecimentos a procura dos bens exportados pelo Brasil diminuiu e seus preços junto.
    A crise atual não é apenas uma crise econômica, é também uma crise política. Internamente o país enfrenta problemas políticos que estão causando impactos negativos na economia interna e que consequentemente geram desgaste na economia externa. O Brasil deixou de ter credibilidade com os investidores devido aos problemas do governo, e essa credibilidade só poderá ser reconquistada com uma estabilidade interna governamental, que por sua vez gerará estabilidade no cenário econômico internacional. Quanto ao deficit causado pela desaceleração da China, o país deveria procurar novos compradores para seus commodities e deveria também aquecer a economia interna para exportar produtos já industrializados, diversificando seu leque de possibilidades e conquistando novos mercados consumidores.

  4. No atual cenário econômico mundial, a China ocupa, ao lado dos Estados Unidos, uma posição de destaque. Por ser a segunda maior economia do mundo, tudo o que altera ou modifica sua estabilidade possui reflexos em diversas partes do mundo. No Brasil não poderia ser diferente, já que a China é um dos nossos principais parceiros comerciais. Ela é responsável pelo maior número de exportações brasileiras, e se sua economia desacelera, os efeitos serão sentidos na nossa economia. A relação Brasil-China vem se destacando e ganhando importância, pois, a China com sua enorme mão de obra e mercado consumidor importa do Brasil principalmente minério de ferro, soja, carne e petróleo. Já o Brasil importa seus produtos industrializados e o carvão mineral. Por se tratar de países com proporções continentais, uma mudança ou a desaceleração na importação ou exportação dos produtos pode trazer consequências reais para ambas as economias. A dependência brasileira da economia chinesa se dá principalmente pelos investimentos feitos no país. As commodities representam grande parte das exportações brasileiras, e com a desaceleração, a China passou a demandar menos dos nossos produtos, mexendo assim nos preços, trazendo instabilidade pro mercado brasileiro.

  5. Através dessa notícia, percebe-se o quanto a China é importante para economia mundial. Sua desaceleração desencadeou crises que repercutiram em diversos países, como o Brasil. Nosso país se tornou dependente da economia chinesa, pois este país começou a ter um grande investimento em infraestrutura e commodities. E, consequentemente, com essa desaceleração, o consumo de bens diminui e a importação também, o que faz com que os preços internacionais desabem.
    Essa crise possa ser válida sobre um aspecto. O Brasil pode aproveitar essa desvalorização e passar a investir em outras áreas. Diversificar as exportações para os produtos industrializados pode ser uma boa ideia, mas não será fácil. O país não está preparado para exportar grandes remessas de produtos desse porte, o que vai demandaria um tempo significativo para se enquadrar nos novos moldes.
    Talvez, como diz a professora Virene Matesco, o problema pode ser resolvido com maior facilidade se houver um ajuste político primeiramente.

  6. No cenário econômico atual, a China se encontra como uma grande força na economia, sendo a segunda maior economia e o segundo maior importador de mercadorias e serviços comerciais. Sendo assim, a atual desconfiança que vem recaindo sobre a grande potência econômica, ocasionando, por exemplo, a queda do preço do petróleo, faz com que aja impactos em todo o mundo. O Brasil, grande parceiro comercial da China, sofre com a desaceleração econômica do país, já que as exportações diminuem com o baixo investimento da China em matérias primas brasileira. Países emergentes, como os países da America Latina, também sofrem com a queda do ritmo do crescimento chinês.
    Há de se esperar que a crise sofrida pela China seja resolvida em breve, com a ajuda de países que são afetados diretamente e indiretamente.

  7. No atual cenário da economia mundial, é perceptível que a desacelaração da China, com a diminuição da importação no pais como por exemplo do petróleo, afeta diretamente a economia do Brasil, pois esses países possuem uma parceria comercial. Devido aos últimos acontecimentos na economia a procura dos bens que o Brasil exportava diminuiu, repercutindo na diminuição de seus preços juntos.
    Porem, a crise atual do Brasil alem de econômica, é política, e isso gera impactos negativos na economia interna do pais, que vaga gerando desgaste nas suas relações com os outros países, devido a falta de credibilidade do governo. Para resolver o problema, o pais poderia tentar intensificar a exportação de produtos industrializados para conquistar novos mercados, ou talvez procurar novos compradores para seus commodities. Deve procurar também resolver seus problemas políticos internos, para tentar retomar a credibilidade e a confiança e dos outos países.

  8. O comentário da professora de Economia Virene Matesco destacado na presente notícia evidencia os problemas no Brasil, que são internos, e não externos. Não há dúvidas que no mundo globalizado algo que ocorreu do outro lado do mundo interfere no Brasil. Se a desaceleração da China está dificultando a recuperação do Brasil, está na hora dos brasileiros se alertarem para o que está acontecendo dentro do país e se esperar os efeitos fora dele. A recuperação da credibilidade do mercado brasileiro no cenário internacional deveria ser o alvo das preocupações neste momento e para isso é preciso que o Brasil se torne novamente um país atrativo, que demonstre um Governo competente e uma população ativa. A economia brasileira precisa se fortalecer e os problemas precisam ser enfrentados, primeiro os internos e consequentemente a repercussão nos problemas externos será positiva.

  9. Dado a configuração atual do planeta, a globalização, se mostra impossível o colapso de uma economia não trazer nenhum tipo de efeito em outra. O Brasil passa por uma grave crise econômica e precisa se ater aos seus problemas internos, porém verifica-se a partir da notícia colacionada que a economia chinesa, de extrema importância mundial, sofreu um enfraquecimento que desestabilizou ainda mais a economia brasileira, mormente pelo fato de o país ser significativo nos investimentos de infraestrutura e commodities internamente. A crise brasileira não diz respeito apenas ao setor econômico e industrial, mas também ao âmbito político e enquanto o país não se debruçar sobre os problemas internos para resolvê-los, sua imagem perante as demais nações continuará prejudicada e provocando ainda mais desequilíbrios como o noticiado acima.

  10. Nosso país tornou-se dependente da economia chinesa quando o país asiático passou a investir em infraestrutura e comprou mais commodities (bens primários com cotação internacional). Com a desaceleração, o país diminuiu o consumo desses bens, fazendo os preços internacionais desabarem. Diferentemente da crise de 2003, o Brasil não poderá usar as exportações para se recuperar mais rápido porque a demanda mundial por produtos brasileiros caiu, principalmente durante a crise política em que se vivencia. Ainda, deve-se considerar grande queda na exportação, vez que após o desastra ambiental em Mariana-MG, uma das maiores empresas exportadoras teve suas atividades mobilizadas.Nesse passo, o maior desafio desafio do Brasil será aproveitar a desvalorização do real para diversificar a pauta de exportações e vender mais produtos industrializados. O problema é que isso levará algum tempo porque o país passou por um processo de desindustrialização nos últimos anos, e a recuperação da indústria não é imediata.

  11. A economia brasileira enfrenta grande crise econômica, o que é notório. Dentre os fatores desencadeadores desta crise, está a desaceleração do crescimento chinês. O Brasil se tornou, nos últimos anos, muito mais depende da economia chinesa, do que dos Estados Unidos, por exemplo. Então, qualquer mudança, positiva ou negativa, na economia do país asiático, afeta a nossa.
    Este, no entanto, é um fator secundário da nossa crise, próximo aos problemas enfrentados internamente. Um país a beira de colapso democrático não é um lugar seguro para investidores, ou seja, a crise política é o maior entrave para que a economia brasileira volte a crescer.

  12. O Brasil está muito dependente da economia chinesa por essa ser grande parceira comercial do pais. De fato, com a diminuição por parte da China de importação de commodities, sofremos um impacto muito grande em relação as exportações. Devido a crise interna do pais, o Brasil vem sentindo com maior intensidade as crises estrangeiras. Dessa forma, deve organizar a politica interna que muito influência na confiança internacional no país e realizar um ajuste fiscal na economia para poder segurar as demandas que diminuíram no nosso mercado.

  13. O Brasil como um dos grandes exportadores de commodities para a China acaba sofrendo um grande impacto pela desaceleração chinesa, haja visto que o Brasil já está passando por uma terrível recessão (a pior em 25 anos) e agora aliada com a redução de importação chinesa geram danos que a população brasileira sente na pele, como por exemplo a redução de gastos até que normalize a situação econômica, o que enseja em demissões em massa da classe trabalhadora. Num outro giro, tal desaceleração pode propiciar um momento do Brasil investir em outras áreas, o que representaria um crescimento geral do país e quando a economia mundial estabilizar teremos outros grandes carros chefes de exportação, que não só minerais para a China, o que aumentaria a demanda de empregos, bem como solidificaria a economia brasileira no cenário internacional. Vale-se refletir da frase utilizada por grandes economistas e empresários, que diz que “são nos momentos de crise que surgem as grandes oportunidades”.

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