Economia da América Latina não recuperá o dinamismo em 2016


Publicado originalmente em 26/12/2015

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Os prognósticos de organismos multilaterais, bancos e consultorias sobre a economia latino-americana costumam prever mais crescimento do que finalmente se experimenta. Por exemplo, 12 meses atrás, o consenso dos mercados previa para 2015 uma leve aceleração de 1,9% no crescimento na região, mas agora reconhecem a primeira retração latino-americana desde a crise mundial em 2009, de 0,2%, segundo a empresa Focus Economics. No caso de 2016, os mesmos bancos e consultorias pesquisadas preveem que a América Latina crescerá somente 0,6%. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), depois de prognosticar um ano atrás que o PIB regional cresceria 2,2% em 2015, agora calcula que está encolhendo 0,4% e prediz que, no próximo ano, se recuperará apenas 0,2%.

Nem o contexto internacional nem a situação própria das economias latino-americanas contribuem para recuperar o dinamismo perdido dos primeiros anos do século 21. Embora Estados Unidos estejam crescendo mais, e isso ajude o México, a América Central e o Caribe, a China, maior parceiro comercial de vários países sul-americanos, desacelera ano a ano. A demanda do gigante asiático era um dos principais fatores do já finalizado período de altos preços das matérias-primas, principais exportações sul-americanas e recurso fiscal fundamental para o México.

A CEPAL prevê que em 2016 o petróleo e os minérios se manterão em baixa, com o consequente prejuízo para as economias mexicana, colombiana, venezuelana, peruana e chilena, entre outras. Os produtos agrícolas têm melhor perspectiva, para sorte do Brasil e Argentina. A alta das taxas de juros dos Estados Unidos, apesar de moderada, acrescenta mais pressão ao barateamento dos produtos básicos e estimula a saída de capitais da América Latina, com as consequentes desvalorizações das moedas e seu impacto em termos de inflação. A tudo isso somam-se as crises econômicas enfrentadas por Argentina, Brasil e Venezuela. Estes dois últimos países, além do mais, sofrem crises políticas que retroalimentan as crises econômicas.

“No contexto atual adquirem maior relevância as políticas fiscais ativas, promovendo ajustes inteligentes: olhar tanto o nível de gasto público como sua composição para evitar ajustes excessivos no investimento público e no gasto social; revisar a estrutura de subsídios aos combustíveis e os incentivos fiscais, procurando potencializar instrumentos de promoção de investimentos e financiamento de gasto social; e reduzir a evasão [tributária]”, recomendou a secretária executiva do CEPAL, Alicia Bárcena, ao apresentar as previsões de seu organismo.

A economista Nora Lustig, da Universidade de Tulane (EUA), alerta para um aumento da pobreza na região depois da redução na década passada: “Provavelmente haverá reversões importantes em que a economia crescerá pouco ou cairá. Além disso, a possibilidade de usar a política fiscal para melhorar a situação social diminuiu porque a margem fiscal encolheu brutalmente, sobretudo por causa do barateamento das matérias-primas”.

O Brasil decresceu 3,5% neste ano  (3,6% é o que projeta o Banco Central brasileiro) e encolherá mais 2% em 2016, segundo a CEPAL. No mundo financeiro, o JPMorgan aparece como um dos bancos mais pessimistas sobre o ano que vem, com uma previsão de redução de 3,7% do PIB. O BBVA, por outro lado, aparece como um dos mais otimistas ao prever uma retração de 0,5%. O economista George Gray Molina, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), teme que comece a reverter-se parte da histórica redução da pobreza que o Brasil tinha conseguido nos anos anteriores.

A economia mexicana terá um crescimento de 2,5% em 2015 e quase a mesma cifra em 2016, segundo a CEPAL. O Santander se atreve a prever 3,5%, enquanto o Bank of America Merrill Lynch antevê 2,5%. O problema do México é que a economia cresce pouco e a pobreza aumenta, conforme demonstram os dados oficiais divulgados em julho.

Assim como os organismos e os bancos esperavam há um ano que a situação de Brasil e México seria melhor do que foi, prognosticavam para a Argentina um cenário pior que o atual. A CEPAL prevê que a economia argentina termine 2015 com uma alta de 2% e os bancos e consultorias que preveem o PIB extra-oficial, ou seja, sem a manipulação estatística aplicada pelo kirchnerismo, falam de um crescimento de 0,8%, segundo a Focus Economics. Para 2016, primeiro ano do liberal Mauricio Macri no poder, a entidade da ONU antecipa que a economia crescerá menos, 0,8%, enquanto o JP Morgan prevê uma queda de 0,5% e o Nomura, uma expansão de 1,2%.

As outras grandes economias se manteriam no mesmo caminho de 2015, segundo a CEPAL: o Chile, com um crescimento de 2,1%; a Colômbia, com 3%; o Peru, com uma leve aceleração de 3,4% e a Venezuela, com outro forte desmoronamento de 7%. Os bancos são ligeiramente mais otimistas com os PIB chileno e venezuelano. As economias pequenas, como Bolívia, Cuba, Guatemala, Nicarágua, Panamá e República Dominicana, são as únicas que crescerão mais de 4%.

Fonte: El País

5 respostas em “Economia da América Latina não recuperá o dinamismo em 2016

  1. A América Latina está em maus lençóis, a crise aqui não é somente econômica. Governos autoritários de vertente socialista disfarçados de democracias estão guinando todo o povo latino ao fracasso em uma crise política, social e econômica. O ex presidente do Brasil, Lula, em 2009 chegou a dizer que a crise internacional era uma forte onda que chegara ao Brasil somente como uma marolinha, bom, àquele tempo a “marolinha” já foi suficiente para desacelerar abruptamente nosso mercado, mas de fato a crise não atingiu o Brasil na mesma intensidade com a qual atingiu outros mercados, como o dos EUA, por exemplo.
    No entanto agora a crise econômica chega ao Brasil é demais países da América latina cobrando “juros” por não ter vindo antes, e se instala em uma conjuntura na qual países latino-americanos estão sem capacidade para sustentar seus próprios governos, quanto mais realizar uma boa gestão econômica. Enquanto a América Latina não se livrar destes governos auto declarados sociais não retomará o processo de desenvolvimento social e econômico.

  2. Não se pode analisar,na America Latina, o fator econômico dissociado do fator político. Nessa prerrogativa, o cenário de crescimento ou déficit na economia de um país latino-americano depende muito da política social adotada pelo Estado. Além disso, as alianças políticas determinam a dependência econômica de um Estado para com o outro. Em geral, os países da América do sul, como o Brasil, tem uma importante aliança com a China, a qual enfrenta uma significante desaceleração econômica nos últimos anos, o que acarreta em diminuição na importação dos países sul-americanos.
    Diante disso, o CEPAL reconhece que é necessário que os países da América Latina tomem medidas de ajustes fiscais para combater a crise, o que Alícia Barcena chamou de “Ajustes inteligentes”. Nesse sentido, esses ajustes não devem exceder, para que não se perca o avanço social conquistado nos últimos dez anos, como alerta a economista Nora Lustig, da Universidade de Tulane (EUA). No Brasil por exemplo, 22 milhões de pessoas saíram da miséria. Portanto, é preciso saber bem o que deve ser “cortado” do orçamento para salvaguardar a integridade dos avanços sociais conquistados.

  3. As expectativas de crescimento econômico para os países da América isoladamente, bem como do conjunto de seus países considerados como um todo refletem a realidade social e econômica dessa região. Cumpre ressaltar, que o mundo atualmente vive em uma fase crítica economicamente considerada, tendo em vista que as principais economias mundiais se encontram em dificuldades financeiras. Contudo, o problema da América Latinha vai muito além de problemas econômicos.
    As desigualdades sociais, bem como os governos autoritaristas, que possuem o controle de grande parte dos países desta região, dificultam o crescimento econômico, e consequentemente o desenvolvimento isolado dos países.
    Ainda que conforme informações vinculadas pelo CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe), países como México, Chile demonstraram algum crescimento econômico no ano de 2015, os demais países latino-americanos estagnaram economicamente, não apresentando qualquer avanço ou desenvolvimento.Os Estados Unidos não são capazes de alavancar, ainda que tenham um crescimento considerável, a economia da América Latina.
    Espera-se que tenha uma mudança de mentalidade dos países autoritários da América Latina para que se haja maior desenvolvimento e, mostre um crescimento econômico maior.

  4. A previsão de que países da América Latina não apresentarão crescimento expressivo em
    2016, mostra estar ligada diretamente as posições das duas maiores economias mundiais,
    Estados Unidos e China.
    Com o crescimento dos Estados Unidos, depois da grave crise mundial de 2008, alguns países
    sul-americanos poderão ser beneficiados, mas quando um gigante como a China, muda o seu
    rumo, toda a economia sofre os seus efeitos. A China foi uma das principais responsáveis pelo
    crescimento mundial nos últimos anos e agora, neste processo de desaceleração e diminuição
    do crescimento, afeta indiretamente os mercados financeiros e seus parceiros comercias. A
    China, demandava grande quantidade de matéria prima que era exportada pelos países da
    América do Sul aquecendo os seus mercados.
    Segundo a CEPAL, atualmente o petróleo e o minério de ferro estão em baixa e os produtos agrícolas terão melhores perspectivas o que será bom para o Brasil e Argentina. Estas
    previsões de crescimento da América Latina são feitas por diferentes órgãos e não
    necessariamente serão confirmadas, a depender da capacidade de organização de cada país
    em implementar medidas criativas e que possam reduzir seus gastos públicos entre outros.
    Infelizmente para o Brasil e outros países da América do Sul a perspectiva de crescimento se
    torna cada dia mais difícil devido a graves crises políticas que interferem em seu crescimento
    econômico e social.

  5. A chegada da esquerda ao poder em vários países da América Latina foi acompanhada por uma ambiciosa política social que beneficiou as classes populares, numa região que sofre drasticamente com as disparidades sociais.
    Economicamente, o fator comum a estes países é “a baixa do preço” sofrida pelas matérias-primas, resultado da grande demanda por parte da China.
    Para o nosso país e outros latino-americanos a perspectiva de crescimento se torna cada dia mais difícil devido a graves crises políticas que interferem no seu crescimento. A atual situação econômica do Brasil é tecnicamente de estagnação. A crise econômica de 2016 não é mais apenas uma hipótese e consta como fato em toda pauta de reunião de empresários do país.
    As estatísticas não deixam dúvidas sobre a gravidade da situação econômica brasileira, muito embora o governo tenha tentado mascarar a crise com interpretações convenientes e a manipulação de dados.

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