Organizações questionam falta de representatividade das mulheres na Conferência do Clima da ONU


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Dezenas de organizações não-governamentais se juntaram fora da Conferência do Clima (COP21) em Paris, França, na terça-feira (8) para enfatizar a importância da existência de mais mulheres à frente das discussões, tanto em termos de quem está negociando o novo acordo climático, como quanto ao conteúdo do que será escrito nessas páginas.

“Nós ficamos muito estressadas há dois meses quando todas as referências de gênero que estavam presentes no texto foram cortadas”, afirmou a vice-diretora executiva da ONU Mulheres, Lakshmi Puri.

A representante explicou que, para garantir não só a volta das referências no texto como também o seu reforço, a agência da ONU fez contato com Estados-membros e toda a sociedade civil. Segundo ela, o acordo que está atualmente em negociação cita novamente a igualdade de gênero, o empoderamento da mulher, a liderança de mulheres e seu papel no preâmbulo, faz referência à adaptação, financiamento e construção de capacidades baseada em gênero.

“Nesta manhã nós estivemos com mulheres ministras de todas as partes do mundo para falar que nós precisamos delas para permanecer firmes nas negociações em nome das mulheres, e para que falem com as suas delegações, de forma que eles façam o que é justo e direito para as mulheres”, declarou a advogada nigeriana e diretora executiva do Centro de Questões do Século 21, Titi Akosa.

“Queremos dizer que com a crise atual climática, mulheres e as pessoas marginalizadas são as mais afetadas”, afirmou Lean Deleon, que representou o Grupo Maior de Mulheres, destacando que este é justamente o grupo que não tem lugar nas mesas de decisão. “Então queremos amplificar as vozes vindas das comunidades populares”, pontuou.

Segundo a ONU Mulheres, mudanças climáticas atingem mais as mulheres e meninas, particularmente, já que muitas delas passam uma quantidade de tempo desproporcional buscando comida, combustível e água, ou batalhando para que os cultivos sejam produtivos. De acordo com a agência da ONU, essa relação estreita com o universo à sua volta também mostra que mulheres precisam ser parte da solução.

Fonte: ONU Mulheres.

5 respostas em “Organizações questionam falta de representatividade das mulheres na Conferência do Clima da ONU

  1. A participação social é um instrumento de suma importância da relação dos cidadãos com seus represantes políticos. Além disso, a participação social é um mecanismo de promoção da cidadania e do reconhecimento de direitos. Dessa forma, a participação efetiva de grupos historicamente marginalizados, como as mulheres é vital para a elaboração de políticas que visam promover a igualdade e o fim da discriminação. Nesse sentido, as mulheres necessitam de maior representatividade em cargos de liderança e comando no cenário internacional, pois só estariamos promovendo a diversidade, e o debate em âmbito internacional de temas que afetam diretamente a vida das mulhres.

  2. A participação social é um processo importante da relação mais direta e transparente dos cidadãos e cidadãs com o Estado que permite que tenham seus direitos reconhecidos e possam incluir suas demandas nas decisões políticas reforçando os espaços de socialização e o papel dos sujeitos sociais e políticos. Como vivemos numa sociedade com forte viés discriminatório, onde a igualdade de oportunidades não é igual para todos, a concretização dessa participação se constitui um dos maiores desafios que estão postos para o cidadão e cidadã, exigindo uma construção permanente desse processo democrático para que se tenha garantido o pleno exercício da cidadania. Em se tratando das mulheres esta participação torna-se fundamental e diferenciada pela situação de desigualdade e discriminações que vivenciamos. A representatividade feminina é importante por potencializar pautas de interesse das mulheres em diferentes áreas, além de contribuir decisivamente para maior produtividade. Por isso, é urgente discuti-la, especialmente considerando o contexto de conservadorismo em que se encontra o Brasil e o Mundo como um todo.

  3. Quando se fala em Conferência do Clima da ONU, dificilmente se pensa que o tema há alguma relação estreita com a mulher. E talvez seja essa a razão para as mulheres não estarem tão presentes nas discussões sobre o assunto. Entretanto, as alterações climáticas atingem frontalmente a classe feminina.
    A mulher exerce um papel relevante na garantia da subsistência da família, seja quando se insere no mercado de trabalho, e assim como o homem, contribui para o sustento da família, ou mesmo quando nos países mais pobres, tem que sair em busca do mínimo para sobreviver: a água. Assim sendo, parece lógico que uma alteração climática brutal não afetaria somente os homens. Daí a importância das mulheres estarem presentes nos debates da Conferência do Clima da ONU.
    O déficit de representatividade feminina nessas discussões dá a entender que essas não serão diretamente atingidas. Ocorre que, além de caracterizar uma evidente forma de empoderamento da mulher – haja vista que antigamente essa classe não tinha “voz” na sociedade – é importante para as conclusões sejam formuladas com base nas opiniões de todos os afetados.

  4. O empoderamento feminino tem adquirido grande visibilidade nas discussões da atualidade. O processo de promover a igualdade de gêneros envolve entre outras coisas, dar poder às mulheres nos ambientes em que são minoria. Por isso, a discussão promovida quanto à necessidade de ampliar a atuação feminina nas discussões da Conferência do Clima da ONU é tão essencial e nos recorda de algo importante: empoderar não significa apenas ouvir a mulher no seu ambiente doméstico ou círculo social mais próximo, mas também nas grandes discussões globais sobre assuntos variados. Este é o primeiro dos sete princípios de empoderamento das mulheres criados pela ONU Mulheres e o Pacto Global: estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível. No caso climático, dar luz à fala das mulheres é crucial pois está provado que elas são as mais atingidas pelas mudanças no clima. Vale lembrar que os textos dos acordos firmados em conferências globais deve desnudado de preconceito linguístico, pois a utilização exclusiva do gênero masculino também revela a desigualdade de gênero.

  5. As demandas feministas encontram-se disseminadas nas mais variadas sociedades e relacionam-se com diversos aspectos socioculturais, admitindo, por isso, uma dimensão específica em cada limitação territorial. Ainda assim, é inquestionável o fato de a representação feminina ser imprescindível para a consolidação da luta pelos direitos das mulheres. Isso porque representação importa sim e importa mais ainda quando efetivada em estruturas historicamente ocupadas quase que exclusivamente por homens. A importância de tal movimento está na exposição do que sempre existiu, em todos os lugares, isto é, está na exposição de que existem mulheres que precisam ser ouvidas e que estão prontas para ouvir, de que existem mulheres que são (e sempre foram) extremamente competentes para gerenciar os cargos mais altos de uma instituição. Nesse sentido, o empoderamento feminino concretiza-se de forma gradual e crescente, proporcionando visibilidade e acessibilidade às mulheres. Por fim, a ONU ao admitir a necessidade de lideranças femininas nas suas conferências reafirma o seu compromisso na luta pelo fim das desigualdades, elevando a discussão sobre igualdade de gênero e abandonando estruturas que não permitem, explicita ou implicitamente, a incorporação da mulher..

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