Pepe Escobar: “Paz na Síria? Culpa de Putin! “


putin obama
18/9/2015, Pepe Escobar, Asia Times – tradução do pessoal da Vila Vudu.

Para avaliar o calibre intelectual do governo Obama, basta saber que ainda estão ‘analisando’ se devem persistir “ignorando” como até agora o presidente Vladimir Putin da Rússia, ou se devem investir numa parceria real para resolver o drama humanitário/geopolítico na Síria. Afinal, quando em dúvida entre diplomacia ou caos, todo aquele arsenal de armas que se concentra na avenida Beltway sempre segue a direção indicada pelo pensamento simplório que une neoconservadores e neoliberais: ‘mudança de regime’.

Além do mais, há a histeria non-stop de “Os Russos Estão Chegando!” – Guerra Fria 2.0 remix, que agora está-se mudando da ocupação/invasão da Ucrânia, para a ocupação/invasão da Síria. A Casa Branca – a qual, como o Pentágono não é de brincar em serviço – realmente suplicou ao Kremlin que haja “de modo mais construtivo” lado a lado com a espetacularmente ineficiente coalizão dos muito suspeitos oportunistas que, em tese, combatem contraISIS/ISIL/Daesh.

O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest esclareceu que quando Obama decide que a tarefa sisífica de pegar o telefone e clicar “K” de “Kremlin” sim, interessa aos interesses dos EUA, ele clicará. A shakespereana dúvida pode durar vários dias – mesmo depois de o presidente Putin ter divulgado, por Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, que continua aberto ao diálogo.

A Casa Branca está pelo menos considerando um oferecimento de Moscou, para que realmente discutam a movimentação dos russos na Síria, mediante conversações diretas militares-com-militares. O Pentágono falará, tentando encontrar a tal “clareza” que tanto insiste em não aparecer aos olhos do governo Obama.

O duplo jogo de Ancara

A diplomacia, entrementes, está ativíssima. O ministro de Relações Exteriores da Turquia Feridun Sinirlioglu foi a Sochi para conversações sobre Síria – e Ucrânia – com os russos. A posição de Ancara permanece fossilizada: qualquer apoio a Bashar al-Assad significa mais civis mortos.

Também discutiram Oleogasodutostão – capítulo “Ramo Turco”. Diferente do que ‘noticia’ a mídia-empresa apocalíptica nos EUA, o oleogasoduto não foi descartado por Ancara. O problema é que Ancara não consegue, sequer, formar governo coerente desde as eleições de junho.

O comandante do Corpo dos Guardas Revolucionários do Irã [Iranian Revolutionary Guard Corps (IRGC) e superstar Comandante Qasem Soleimani também foi a Moscou essa semana, para promover a cooperação Damasco-Moscou. Calma, espere… Não, não foi. Porque Moscou simplesmente não autorizou a visita. Soleimani esteve na Rússia há três meses. A próxima reunião importante para discutir Síria acontecerá na 2a-feira, entre o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir Abdollahian, e seu contraparte russo Mikhail Bogdanov.

Aqui é necessária uma rápida recapitulação. O capítulo sírio da “Primavera Árabe” foi patrocinado/financiado/armado quase totalmente por Ancara – que inverteu completamente sua doutrina geopolítica de antes de “zero problemas com nossos vizinhos” – ajudada por Doha; o envolvimento substancial da Casa de Saud e o apoio integralmente liderado pela retaguarda vindos da Casa Branca de Obama.

Passados quatro anos e meio e uma tragédia incomensurável, a verdadeira face dessa operação de mudança “Assad tem de sair” de regime… é a crise dos refugiados. Mais de 2 milhões, dos 4 milhões de sírios fugiram para a Turquia. Até que recentemente Ancara os libertou em massa dos campos de contenção onde haviam sido detidos, no caminho para os Bálcãs e a Prometida Terra Teutônica.

Implica dizer que Ancara está exatamente no centro da maior crise de refugiados que a Europa conhece em 70 anos. E o mesmo se pode dizer de Washington-que-apoia-Ancara. ISIS/ISIL/Daesh capturaram todas as armas que a CIA entregou por lá. Na operação foram ajudados por aquele patético “Exército Sírio Livre” – e por tanques e Humvees saídos do desmontado Exército Iraquiano treinado pelos EUA. Qualquer possível solução para aliviar a crise dos refugiados ao mesmo tempo em que se dê combate ao ISIS/ISIL/Daesh deve incluir interromper as mil-e-uma formas diretas e indiretas pelas quais Ancara continua a garantir “apoio” ao falso “Califato”.

O problema é que Ancara é parte da supremamente ineficiente coalizão dos EUA. Afinal, alguns adultos em Washington conseguiram ver paradoxo que brilhava aos olhos de todos. Mesmo assim, o governo Obama continua amarrado por uma Ancara dominatrix que brinca de rabo que balança o cachorro. A equipe de Obama ainda acredita que Assad (“tem de sair”) é responsável, não só pela criação do falso “Califato” – absurdo completo sempre levianamente repetido por David das Arábias Cameron e pelo general Hollande –, mas que também é responsável pelo abissal fracasso da coalizão dos EUA que não consegue dar cabo do falso “Califato”.

É Ancara quem realmente comanda o que passa por ‘zona aérea de exclusão’ sobre a fronteira turco-síria, e Ancara quer combater os curdos sírios, ou curdos do PKK, não os bandidos de al-Baghdadi.

Droga! Onde foi parar minha inteligência em campo?

Enquanto isso, a máquina do Pentágono, se estivesse focada na “missão”, bem poderia Chocar & Apavorar os bandidos do “Califato” numa orgia-alimentar-de-fim-de-semana. Mesmo considerando o muito que eles não aprenderam no Iraque, é pouco provável que o Pentágono tenha em campo qualquer inteligência minimamente aproveitável.

Trata-se de uma faixa de deserto de mais de 400 km de comprimento, que acompanha a fronteira Sykes-Picot-em-processo-de-desmanche entre Síria e Iraque – de al-Baaj no norte do Iraque e até Rutba próxima à fronteira jordaniana. Há quem chame a coisa de Tora Bora iraquiana; sim, parece mesmo o Afeganistão, só que com mais deserto.

ISIS/ISIL/Daesh controlam as províncias de Nínive, Dijla, Ifrit e Al-Jazeera no Iraque, Abu Kamal e Deir ez-Zor na Síria, e a maior parte de Furhat no Iraque, à volta de al-Baaj; é onde está instalado o centro de comando e controle do ISIS/ISIL/Daesh. Se algum analista do Pentágono se desse o trabalho de falar com o analista iraquiano Hisham al-Hashemi, ficaria sabendo que o próprio al-Baghdadi vive escondido em al-Baaj, com suas duas esposas. Mas quem está realmente no comando no momento é o emir para a Síria e Iraque, Abu Alaa al-Afari.

Os EUA jamais conseguiram controlar essas terras desoladas – para nem falar de, anteriormente, Saddam Hussein. As tribos locais são extremamente de linha duríssima e mestres nas artes do contrabando. Os bandidos do “Califato” casaram-se com mulheres das tribos e estão totalmente integrados. Xiitas são tratados como hereges malignos, piores, até, que cristãos. Adivinhem quem ensina doutrina nas tribos? Imãs da Arábia Saudita.

A Coalizão poderia facilmente bombardear até converter em poeira cinco batalhões especiais do ISIS/ISIL/Daesh – cada um com até 500jihadis divididos por nacionalidade e especialização, e todos concentrados localmente; cidadãos do Maghreb e dos países do CCG garantem proteção aos comandantes, por exemplo, enquanto asiáticos e leste-europeus recolhem butins e impostos e vão providenciando o transporte das armas. A brigada chave é uma que “libertou” Mosul; 80% deles são iraquianos, e agora estão combatendo em Hassake, na Síria.

Pode haver cerca de 130 mil soldados do “Califato” em ação, incluídos os cerca de 15 mil estrangeiros. Mas as hidras de muitas cabeças estão em al-Baaj. Reduza o local a pó, e teremos Perseu Obama derrotando a medusa jihadi.

Mas em vez disso, o que há é o espetáculo pífio de quatro – repito: 4 – “rebeldes moderados” treinados pelos EUA deixados para combater oISIS/ISIL/Daesh na Síria, como admitiu o general Lloyd Austin em audiência da Comissão de Serviços Armados do Senado dos EUA, 4a-feira passada. Todos se lembram daqueles “rebeldes” extraídos de robusto grupo de 54, que foram atacados pela Frente al-Nusra em julho. Quer dizer: a al-Qaeda na Síria – exibida como “moderados” pelos neoconservadores e pela imprensa-empresa norte-americana – reduziu aquela quimera dos “rebeldes moderados” de Obama (15 mil! Treinados e bem equipados!)  a… bem… a uma quimera de quatro (4).

E agora, com vocêêêêês, Putin!

O governo Obama – devidamente seguido pelos lacaios europeus – simplesmente se recusa a ouvir. Já em 2014 o ex-representante da Síria para a ONU-Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, dizia que a análise que os russos estavam fazendo de todo o quebra-cabeças sírio sempre estivera certa, desde o primeiro momento.

Agora, aí está um Prêmio Nobel da Paz e ex-negociador Martti Ahtisaari, a dizer que já desde o início de 2012 havia sobre a mesa uma proposta dos russos, que incluía a saída de Assad, depois de negociações de paz com interlocutores oposicionistas confiáveis não jihadistas.

O que Moscou fez agora foi subir o jogo diplomático – tentando cobrir o vácuo entre Damasco e alguma oposição aproveitável (que absolutamente não é uma multidão de pessoas), ao mesmo tempo em que constrói uma verdadeira coalizão para dar combate aoISIS/ISIL/Daesh. No que tenha a ver com Moscou, trata-se de grave ameaça à segurança nacional, com jihadistas enxameando rumo ao “Siriaque”, do rio Volga ao norte do Cáucaso.

E aí se encontra uma distinção importante: os interesses nacionais da Rússia não convergem necessariamente para a mesma direção que os interesses da segurança nacional do Irã (por exemplo, quando a Síria oferece uma ponte ao Hezbollah e uma projeção mediterrânea para o Irã).

Mesmo assim, Moscou é o único jogo diplomático na cidade, porque o Plano A de Washington continua a ser ‘mudança de regime’, e não há mapa do caminho “ocidental” coerente que garanta, ao mesmo tempo, esmagar o ISIS/ISIL/Daesh, ao mesmo tempo em que impede o desmembramento catastrófico do estado sírio.

A posição de Assad, em detalhes, está em RT, 16/9/2015. A posição de Putin, em detalhes, está em Russia Insider, 16/9/2015. Cabe a cada observador bem informado e não enviesado extrair as consequências inescapáveis. Enquanto isso, a enormidade da crise dos refugiados está aberta a quem queira vê-la, praticamente ao lado do quartel-general da União Europeia; nenhum euroburocrata viciado-dependente-terminal de ‘reuniões de cúpula’ sequer se aproximou dos que buscam asilo para falar com eles, que fosse.

Ao mesmo tempo em que escala no front diplomático, é claro que Moscou não perde de vista os fatos em campo – como se constata pela infraestrutura expandida da base aérea de Latakia onde estão alocados conselheiros especialistas russos. A histeria-piração organizada da think-tankelândia norte-americana, a ‘denunciar’ que a escalada diplomática “complica enormemente” a campanha da coalizão liderada pelos EUA perde até para brincadeira-truquezinho de jardim de infância.

Não haverá “confronto direto” entre os F-16s da Coalizão e os jatos russos – e o Pentágono sabe disso. O que o Pentágono não pode admitir é que a escalada diplomática russa necessariamente impede ideiazinhas como a de a Coalizão se enganar na mira e bombardear forças de Assad, em vez de forças do ISIS/ISIL/Daesh. E por falar nisso, o poder de Ancara sobre Washington continua a decair – desde que os EUA não se interessaram por ser parte da muito propagandeada zona aérea de exclusão a ser estabelecida no norte, sobre Aleppo.

Todos os membros da coalizão Turquia & CCG foram indiretamente alertados: esqueçam a ideia de usar armas letais fornecidas por Turquia, CCG e EUA, para atacar conselheiros e instrutores russos que se opõem aos “rebeldes moderados”. “Complica enormemente” os “esforços” da coalizão, no duplifalar da Think-tankelândia norte-americana, significa que ninguém conseguirá bombardear impunemente as forças de Assad. Ô droga! Como fica difícil entregar uma mudança de regime, ante tantos obstáculos!

De volta a pré-Bismarck?

A UE, enquanto isso, paga o preço pela obsessão da mudança de regime, convulsionada e estraçalhada por incontáveis divisões provocadas pela crise dos refugiados somada ao espectro do eterno medo de ter a jihad ao pé da porta nas suas ruas – e trens – que é a única coisa que ‘une’ as maiores capitais da Europa. Mas então, porque a UE talvez deseje desesperadamente uma solução para o quebra-cabeças sírio, aí temos David das Arábias Cameron e o general Hollande a preparar-se para lançar ataques aéreos que muito improvavelmente farão os bandidos do “Califato” estremecer nas suas botas de griffe, de deserto.

Não surpreende que a opinião paneuropeia está cada vez mais se convencendo de que quem está perpetuando a tragédia síria é o governo Obama – porque não desiste das miragens-obsessões de troca de regime e só fala de um inexistente “Exército Sírio Livre”, de inexistentes “rebeldes moderados” (‘moderados’ feito a al-Qaeda na Síria), pra nem falar da demonizaão de qualquer ajuda que Rússia e Irã ofereçam a Damasco.

Putin não poderia ter sido mais translucidamente claro – e os adultos que haja por lá, de Washington a Bruxelas, captaram a mensagem: “Sem participação ativa das autoridades e dos militares sírios será impossível expulsar os terroristas daquele território, do país e de toda a região (…) Sem o apoio russo à Síria, a situação no país seria já pior que a da Líbia – e a onda de refugiados, muito maior.”

Quer dizer… Se há alguma chance de alguma paz na Síria, é por culpa de Putin.

Mas há outro possível cenário, que está sendo ativamente discutido para o futuro próximo. Seria uma “avançada” diplomática para criar múltiplos microestados em todo o Oriente Médio – como um contragolpe à carnificina em curso. Ter-se-ia, dentre outros, o Allawitastão, o Curdistão, o Druzistão, o Yazidistão, o Houthistão – todos com fronteiras que já razoavelmente claras na terra.

Pode-se dizer que seria um remix, para o século 21, dos principados europeus da Europa pré-Bismarck. Precedente, é o que a UE criou nos Bálcãs: dividiu a Iugoslávia pelas linhas religiosas, mesmo que a ampla maioria da população seja uniformemente eslava.

Esse remix do Oriente Médio só funcionaria se Turquia e Irã aceitassem que se crie um Curdistão. Nunca aceitarão.

Quanto a iraquianos e sírios, também desenvolveram forte identidade nacional: 70% dos sírios, conforme pesquisa recente, opõem-se à divisão do país (e 82% veem ISIS/ISIL/Daesh como criação dos EUA e/ou invenção estrangeira) Mas a Síria poderia mesmo assim ser dividida em três, dependendo de até onde leve o jogo de poder entre EUA e Rússia. Mas pelo que se tem hoje, a luta por uma Síria unida, pacífica e secular é o único jogo realpolitiko na cidade. *****

Fonte: Asian Times

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Sobre Luiz Albuquerque

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9 respostas em “Pepe Escobar: “Paz na Síria? Culpa de Putin! “

  1. O interessante aqui é observar como o jogo orquestrado entre os dois grandes impérios do século XXI se desenrola de uma maneira magistral para a Rússia: durante a “invasão” na Crimea Putin esperou pacientemente que a mídia dos EUA fizesse todo o seu escarcéu para então realmente mostrar que a sua “Paz Armada” era pacífica. Novamente, Putin esperou que os Estados Unidos tivessem a sua imagem internacional cada vez mais suja pelas suas coalizações no mínimo peculiares para mostrar novamente que o seu plano não era o de uma total invasão 8 ou 80 e sim um plano, que não foi revelado ao público por três anos.

    Seria no mínimo tolo imaginar que não houve algo de planejado pelos russos, visto que eles cada vez mais sujam a imagem estado-unidense na visão internacional, mesmo que aos poucos e de maneira despretensiosa, mas indo além, os russos tem se mostrado cada vez mais carismáticos em seus atos e Putin já a muito tem sido eleito um ídolo pela internet devido as suas ações.

    Enquanto o jogo continua, mais pessoas passam fome, mais sírios correndo para fora do seu próprio pais, enquanto ninguém toma uma atitude certeira sobre o que fazer, a não ser permanecerem com seus próprios orgulhos, seja a EU ou a Turquia/Irã, enquanto mais cenas trágicas como a da criança afogada na praia poderão se repetir.

  2. O Urso acordou!!
    Depois de muito tempo sendo deixado de lado no cenário internacional e vendo as suas antigas áreas de influência se aproximando da OTAN (como por exemplo: a Geórgia e o Leste Europeu), Mascou passa a ser novamente um fator de desequilíbrio e preocupação para o Ocidente.
    Primeiro, os camaradas de Putin, para defender a vontade do povo e instalações estratégicas da região anexaram a Crimeia. Depois se voltaram em solidariedade ao povo da Nova Russia.
    Com os olhares do mundo voltados, novamente, para o Oriente Médio é claro que o Kremlin também iria se manifestar. Foi divulgado amplamente nos meios de comunicação que Russia apoiava, politicamente perante o Conselho de Segurança da ONU e com o fornecimento de armas, o regime de Assad. Mais recentemente, foi publicado pela órgãos oficias do governo americano, a ampliação e deslocamento de tropas e aviões russos para suas bases em território sírio. Essa conduta russa, apesar de gerar críticas por parte dos EUA, foi a mais nova e mais bem vista ação tomada por algum país para tentar estabilizar a região.
    Além do mais, queria defender a posição mais pró-ativa tomada pelo Kremlin de enviar tropas a região. Acredito que tal ação é extremamente justificável e necessária. Pois,
    a) Assad é um aliado antigo dos russos. Logo, a declínio do seu regime afetaria ativamente a economia russo. Tendo em vista que a Seria tem forte comercio, mais especialmente de armas, com os russos;
    b) A preservação da base naval de Tartus. O Oriente Médio é uma região vital para todos os países, tendo em vista que a qualquer fato que lá ocorrer pode oscilar o preço do petróleo. Diante disso, é de extrema importância para a Russia, manter na região instalações que podem servir de apoio logístico ou para qualquer outro interesse do Estado Russo.
    c) O ISIS pode ser considerada a maior organização e a mais temida no cenário internacional atualmente. Ameaçando não só os países aliados dos EUA e árabes, mas também a Russia. A região da Chechênia, além de possuir reservas de gás e petróleo, possui um históricos separatistas e de extremismo religioso islâmico. Com isso, temos um fator preocupamento para e segurança nacional desse país, pois o ISIS, além de já estar tentando se expandir, manifestou-se contra o controle russo da região.
    Mas, independente dos reais motivos para o Putin estar na Síria, fica claro que esta ação poderá gerar, ainda que demore, um fim do conflito na região, fazendo com que a Russia ressurja e mostre que ainda é uma elemento importante na geopolítica, além de ser uma dos autores para o fim do ISIS.

  3. Continua a se mostrar desastrosa esta prática de patrocínio ao terrorismo feita pelos EUA. Anos e anos de desestabilização por operações de inteligencia que, ao armar rebeldes para atuar contra seus inimigos, ironicamente acabam criando seus mais letais e verdadeiros inimigos.
    Foi assim com o ISIL, com o Talibã, e da mesma meneira os EUA continuam cometendo os mesmos erros, ao invés de concentrar na ameaça mais iminente a segurança da região, aposta suas fichas nas provaveis investidas mais danosas ao povo sírio ao propor o combate ao regime de Bashar al Assad.

    Surge a Russia como uma positiva alternativa ao negociar a saída do lider alawita com seus opositores, optando por uma via diplomática à guerra. Ao fazer isso expande-se o leque de frentes pelas quais podem se fazer oposição ao ISIL, muito melhor do que a tola e contra intuitiva alternativa norte americana.

    Atualmente cerca de 178,000 Sírios aliados ao governo lutam contra as forças do ISIL. Provocando uma mudança de regime, não só tiraria um numero substancial de forças combatentes na luta contra o califato, apenas os garantiria mais poder recursos e território.

    Tomara que não se perpetue a doutrina americana de implementações forçadas de mudanças de regime, como fizeram contra os Sandinistas na Nicaragua, Mosaddegh no Irã, e tantos outros e que se busque a resolução dos conflitos a menira russa, diplomática e dentro dos limites legais.

  4. O Direito Internacional sempre viveu uma situação de conflito entre EUA e Rússia, consideradas ambas as maiores potências bélicas mundiais.

    Desde a guerra fria oque se vê no globo terrestre são ambos disputando o “domínio” sobre outras nações teoricamente soberanas de maneira a influencia-las com alianças, para demonstrar ao público de fora qual regime é mais próspero.

    Agora vêm a Síria como o maior interesse de ambas potências, a guerra civil que colocou em evidência a fuga da população em busca de refúgio na União Européia divide a opinião da população que se manteve no país.

    A parte mais irônica de todas essa história é as duas nações que notoriamente ignoram o direito internacional, liderarem uma diplomacia em território sírio, ocupando o país se valendo da justificativa de fazer a paz

  5. Nas semanas que antecedem a Conferência em Genebra, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou com toda cautela que o encontro seria “a melhor oportunidade” para encerrar os conflitos sangrentos na Síria. Contudo, ninguém deve subestimar as dificuldades. Entre os pontos acordados está a instauração de uma transição política que atenda às aspirações legítimas do povo sírio” e “o estabelecimento de um governo. Trata-se do primeiro documento com teor político após quatro anos do conflito no país.

  6. FELIZMENTE OU INFELIZMENTE, COMO EM UM JOGO DE XADREZ, AS DECISÕES DIPLOMÁTICAS SÃO TOMADAS APENAS APÓS MUITA ANÁLISE DE CENÁRIOS E DE MOVIMENTOS DOS DEMAIS JOGADORES DESTE TABULEIRO. ENQUANTO A CASA BRANCA, ESPERA PUTIN CEDER, PARA MUDAR O REGIME QUE ELES MESMOS APOIARAM HÁ ALGUNS ANOS, A RÚSSIA RESISTE EM FORTALECER O GOVERNO SÍRIO. ENQUANTO ISSO, ESTA QUEDA DE BRAÇO, BATIZADA POR GUERRA FRIA 2.0 REMIX, DESACELERADA PELA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL, QUE FAZ COM QUE OS PAÍSES DEEM UM FOCO MAIOR NOS SEUS PROBLEMAS INTERNOS E POSTERGUEM AS DECISÕES INTERNACIONAIS, EVITA UMA SOLUÇÃO HUMANITÁRIA PARA A REGIÃO, QUE DESASSOLA MILHARES DE FAMÍLIAS SÍRIAS, QUE SÃO OBRIGADAS A ENTERRAR SEUS PARENTES OU MIGRAR COMO REFUGIADOS PARA DIVERSOS CANTOS DO MUNDO.

  7. O Direito Internacional sempre viveu uma situação de conflito entre EUA e Rússia, consideradas ambas as maiores potências bélicas mundiais.Nota-se que desde o fim da segunda guerra mundial, EUA e a União Soviética vem disputando o “domínio” sobre outras nações teoricamente soberanas,mas que na pratica não o são de maneira a influencia-las com alianças, para demonstrar ao público de fora qual regime é mais próspero.Neste momento o conflito se concentra na Síria. O que é mais absurdo é que EUA e Russia, duas nações que não respeitam o direito internacional, conduzirem uma negociação de paz.

  8. A Europa, após hospedar duas guerras munidas, se encontra ,mais uma vez, envolta por um grande fluxo migratório e se esforça para amenizar os efeitos da chegada de milhares de refugiados, desabrigados e em condições precárias de saúde.Com a maior crise humanitária dos últimos tempos, o problema crucial a ser discutido é a intervenção dos EUA nos processos revolucionários dos países do Oriente médio e norte da África. A política imperial dos EUA, seguida pelos países europeus, financiou o armamento dos revolucionários e comemorou suas vitórias contra governos ditatoriais, entretanto, com a queda destes não se preocupou em incentivar e, principalmente, investir na instauração da democracia. O desleixo de países considerados desenvolvidos e democráticos com a situação pós revolução dos países do Oriente Médico e Norte da África resultou no estado de caos em que estes se encontram, deixando os cidadãos a mercê de revolucionários radicais, o que causou o grande êxodo destas pessoas para os países da Europa. A grande questão neste o momento é: os países europeus tem estrutura para receber todos esses refugiados? E ainda, estes terão oportunidades de crescimento e desenvolvimentos econômico-social nestes países? Ou serão novos apátridas tratados com preconceito vivendo, a margem da sociedade europeia?

  9. A política imperial dos EUA, seguida pelos países europeus, financiou o armamento dos revolucionários e comemorou suas vitórias contra governos ditatoriais, entretanto, com a queda destes não se preocupou em incentivar e, principalmente, investir na instauração da democracia.
    Continua a se mostrar desastrosa esta prática de patrocínio ao terrorismo feita pelos EUA. Anos e anos de desestabilização por operações de inteligencia que, ao armar rebeldes para atuar contra seus inimigos, ironicamente acabam criando seus mais letais e verdadeiros inimigos.
    Surge a Russia como uma positiva alternativa ao negociar a saída do lider alawita com seus opositores, optando por uma via diplomática à guerra. Ao fazer isso expande-se o leque de frentes pelas quais podem se fazer oposição ao ISIL, muito melhor do que a tola e contra intuitiva alternativa norte americana. Desde a guerra fria que se vê as disputas territorialistas desses dois países, para se ter o “domínio” sobre outras nações teoricamente soberanas de maneira a influencia-las com alianças, para demonstrar ao público de fora qual regime é mais próspero.

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