Pepe Escobar: “Bem-vindos às guerras por acordos comerciais”


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28/5/2015, Pepe Escobar, Asia Times Online
BANGKOK — A China continua a crescer nada desprezíveis 7%. Mesmo assim, por causa da desvalorização do yuan e de uma queda abrupta no mercado de ações, em muitas capitais a narrativa circulante é de que um Armagedon ter-se-ia abatido sobre o modelo econômico que ao longo dos anos gerou crescimento que sextuplicou o PIB da China.

Poucos sabem que Pequim, simultaneamente, está engajada numa tarefa titânica: mudar seu vetor de crescimento, das exportações para investimento massivo em serviços; enfrentar o papel negativo ou só de autossatisfação das empresas estatais; e desinflar pelo menos três bolhas – da dívida, da especulação imobiliária e do mercado de ações –, no contexto de uma virtual estagnação econômica global.

Tudo isso, enquanto praticamente não há qualquer cobertura na mídia ocidental, sobre o impulso puxado pela China rumo à integração do comércio eurasiano, que ajudará eventualmente a consolidar o Império do Meio como a maior economia do planeta.

O que nos leva a uma subtrama crucial no Grande Quadro: o Sudeste da Ásia.

Daqui a quatro meses, a Associação de Nações do Sudeste Asiático,ANSA [ing. Association of Southeast Asian Nations (ASEAN)], de dez membros, estará integrada, via a Comunidade Econômica da ANSA, CEANSA [ing. ASEAN Economic Community (AEC)].

A Comunidade Econômica da Associação de Nações do Sudeste Asiático não é pouca coisa. Estamos falando da integração econômica de um mercado combinado de 620 milhões de pessoas, e PIB coletivo de $2,5 trilhões.

Claro, ainda é uma ANSA dividida. Em termos gerais, os países do interior do continente do Sudeste da Ásia são mais próximos da China; a franja marítima do mesmo Sudeste da Ásia é mais confrontacional – dentre outros motivos porque os EUA só fazem insuflar o confronto. Vai demorar até que haja um código de conduta baseado em regras para o Mar do Sul da China, assinado por todos os participantes.

Mesmo assim, ainda que haja contraste visível entre a área continental e a área marítima do Sudeste da Ásia, e a integração das duas áreas possa conter mais retórica que fatos – pelo menos no curto prazo –, Pequim não parece estar preocupada com o grande jogo. Afinal de contas, a China é inextrincavelmente conectada ao sudeste asiático continental.

Considerem Cambodia, Laos, Myanmar e Tailândia. É mercado coletivo de 150 milhões de pessoas e PIB de mais de $500 bilhões. Inclua esses quatro no contexto da sub-região do Grande Mekong, que inclui as províncias de Guangxi e Yunnan do sul da China, e tem-se mercado de 350 milhões de pessoas e PIB de mais de $1 trilhão. A conclusão, como Pequim vê as coisas, é inevitável: o Sudeste Asiático é o quintal do sul da China.

TPP versus PERA

A Parceria Trans-Pacífico [ing. Trans-Pacific Partnership (TPP)] comandada pelos EUA é amplamente considerada, em inúmeras latitudes da ANSA, como componente chave da ‘pivotagem para Ásia’.

Se a ANSA já é dividida, a TPP só acentua a divisão. Só quatro países da ANSA – Brunei, Malásia, Cingapura e Vietnã – estão envolvidos em negociações dos acordos da [parceria] TPP. Os outros seis países preferem a Parceria Econômica Regional Ampla, PERA [ing. Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP)].

A PERA é ideia ambiciosa que aspira a converter-se maior acordo de livre comércio do mundo; 46% da população da Terra, com PIB conjunto de $17 trilhões e 40% do comércio mundial. A parceria PERA inclui 10 nações da ANSA plus China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália e Nova Zelândia. Diferente da [parceria] TPP, liderada pelos EUA, a [parceria] PERA é liderada pela China.

Ainda que haja substancial grau de vontade política, será impossível para esses 16 países concluir suas negociações nos próximos quatro meses – para anunciar a constituição da [parceria] PERA simultaneamente ao início da Comunidade Econômica da ANSA, CEANSA. Seria forte estímulo à noção partilhada da “centralidade” da ANSA.

Problemas e mais problemas por todos os lados. Para começar, a grave disputa China-Japão pelas ilhas Diaoyu/Senkaku. E a sempre crescente confusão entre China/Vietnã/Filipinas no Mar do Sul da China. Competição e desconfiança é a norma. Muitas dessas nações veem a Austrália como um cavalo de Troia. Assim sendo, é pouco provável que se alcance algum consenso antes de 2017.

A ideia da Parceria Econômica Regional Ampla, PERA, nasceu em novembro de 2012 numa reunião de cúpula da ANSA no Cambodia. Até hoje já aconteceram nove rodadas de negociações. Curiosamente, a ideia inicial partiu do Japão – de um mecanismo que combinasse a multidão de acordos bilaterais que a ANSA construíra entre seus parceiros. Mas atualmente a China está na liderança.

E como se não bastasse a disputa entre as ‘parcerias’ TPP e PERA, há também a Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático, ALCPA [ing. Free Trade Area of the Asia-Pacific (FTAAP)]. Foi introduzida na reunião da Associação dos Países Exportadores de Petróleo (APEP) em Pequim, ano passado, pela – obviamente – China, para distanciar do ideário da [parceria] TPP as nações cujo principal parceiro comercial é a China.

Joseph Purigannan de Foreign Policy in Focus resumiu bem todo esse frenesi: “Se se conectam todos esses desenvolvimentos de ‘mega acordos de livre comércio”, o que se vê é na verdade a intensificação do que se pode chamar de guerra por território entre os grandes players.” Quer dizer que, mais uma vez, é guerra Chinavs. EUA, guerreada por procuração.

A Big Pharma manda

A parceria trans-Atlântico, TPP, é divulgada nos EUA como se visasse a fixar padrões comuns para quase a metade da economia mundial.

Mas essa parceria TPP – negociada sob máximo segredo poderososlobbies empresariais bem longe de qualquer controle, longe até de qualquer conhecimento, público – é essencialmente a OTAN ‘comercial’ (e parceira íntima da outra ‘parceria’ orientada para a UE, a TTIP). A TPP foi desenvolvida como braço econômico/comercial do ‘pivoteamento para a Ásia’ – com dois sonhos ardentes embutidos: excluir a China e diluir a influência do Japão. E, sobretudo, a TPPvisa a impedir que grande parte da Ásia – e dentro dela, as nações da ANSA – consigam chegar a qualquer acordo que não inclua os EUA.

A reação da China é sutil, não frontal. Pequim está apostando, de fato, em multiplicar os acordos – da Parceria Econômica Regional Ampla, PERA, para a Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático, ALCPA. O objetivo final é reduzir a hegemonia do dólar norte-americano (não esqueçamos: a TPP é baseada no dólar).

Mesmo depois de ter assegurado a aprovação no Congresso, mês passado, para uma tramitação rápida que leve a um acordo, o presidente Obama e o todo poderoso lobby comercial pró TPP estão encontrando muita dificuldade para convencer os 12 parceiros – muito desiguais – nessa ‘parceria’ TPP].

Para a futura geração de drogas biológicas, por exemplo, a ‘parceria’TPP privilegia abertamente as gigantes da indústria farmacêutica, “Big Pharma“, como a Pfizer, e a Takeda do Japão. A TPP opõe-se a empresas de propriedade estatal – muito importantes em economias como Cingapura, Malásia e Vietnã –, em benefício de concorrentes estrangeiras, na disputa por contratos com os governos desses países.

TPP quer pôr fim ao tratamento preferencial que a Malásia garante a malaios étnicos no business, moradia, educação e contratos com o estado – um dos fundamentos do modelo de desenvolvimento da Malásia.

Sob o pretexto de cortar tarifas sobre tecidos “sensíveis”, as grandes corporações têxteis dos EUA, como Unifil, querem impedir o Vietnã de vender roupas baratas, feitas na China, no mercado dos EUA.

E EUA e Japão continuam em séria oposição na agricultura e na indústria automobilística, ainda discutindo, por exemplo, em que ponto um veículo inclui conteúdo local suficiente para qualificar-se à isenção de impostos.

O primeiro-ministro general Prayut Chan-ocha está convencido de que a ‘parceria’ TPP tanto pode salvar como pode quebrar a Tailândia – com ênfase na parte “quebrar”. Foi o que disse a importante grupo de visitantes do Conselho de Comércio EUA-ANSA.

Bangkok está aterrorizada, temendo que aquelas leis sobre patentes de medicamentos – por exemplo, o direito de fabricar medicamentos genéricos – sejam substituídas por leis extremamente restritivas, ditadas pelos suspeitos de sempre: a “Big Pharma“.

Um cinturão, uma Rota, um banco

No final, tudo sempre volta à fórmula hoje legendária do presidente Xi Jinping da China, I Tai I Lu (“Um Cinturão, Uma Rota”). Também conhecida como a estratégia da(s) Nova(s) Rota(s) da Seda, da qual um dos componentes chaves é a exportação de todos os modos de tecnologia chinesa de conectividade para outras nações ANSA.

Começa com o Fundo Rota da Seda, de $40 bilhões, anunciado no final do ano passado. Mas outras vias de investimento para redes de infraestrutura – autoestradas, ferrovias, portos – devem vir através do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, BAII [ing. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)].

O BAII portanto pode também ser interpretado como uma extensão do modelo chinês de exportações. A diferença é que, em vez de exportar bens e serviços, a China estará exportando expertise em infraestrutura, além do seu excesso de capacidade doméstica de produção.

Um desses projetos é uma ferrovia da província de Yunnan atravessando Laos e Tailândia até Malásia e Cingapura – com a Indonésia ali bem próxima (onde a China já disputa com o Japão o contrato para construir os primeiros 160 km de ferrovia para trens de alta velocidade entre Jacarta e Bandung). A China construiu nada menos que 17 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade – 55% do total mundial – em apenas 12 anos.

Washington não está exatamente apreciando muito as relações cada vez mais próximas entre Pequim e Bangkok. A China, por sua parte, gostaria que seus laços com a Tailândia servissem como protótipo para o relacionamento com outras nações ANSA.

Daí a pressa que mostram os empresários chineses para investir em outras nações ANSA, usando a Tailândia como sua base regional de investimentos. Trata-se sempre de investir em nações com potencial excelente para tornarem-se bases de produção chinesa.

No futuro imediato, é inevitável a integração econômica nas terras continentais do Sudeste Asiático. É possível que vá de Myanmar ao Vietnã. E logo, por ferrovia, do sul da China, pelo Laos, até o Golfo da Tailândia; e por Myanmar, até o Oceano Índico.

O mercado de trabalho está cada vez mais integrado. Há cinco milhões de pessoas de Myanmar, Cambodia e Laos já trabalhando na Tailândia – a maior parte dos quais legalmente. O comércio de fronteira está crescendo – uma vez que “fronteiras” institucionais pouco significam nas regiões centrais do sudeste da Ásia (como tampouco significam muito entre Afeganistão e Paquistão, por exemplo).

Mas ainda é jogo muito aberto. Tudo aí tem a ver com conectividade. Com cadeias globais de produção. Tem a ver com regras comerciais harmonizadas. Mas quase tudo aí é um jogo de poder de apostas tremendamente altas: para determinar quem – EUA ou China – virá eventualmente a fixar as regras globais para comércio e investimento.

Fonte: Asia Times

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Sobre Luiz Albuquerque

O Núcleo de Estudos sobre Cooperação e Conflitos Internacionais (NECCINT) da Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com as Faculdades Milton Campos, sob a coordenação do professor Luiz Albuquerque, criou o Observatório de Relações Internacionais para servir como banco de dados e plataforma de pesquisas sobre relações internacionais e direito internacional . O site alimenta nosso trabalho de análise de conjunturas, instrumentaliza nossas pesquisas acadêmicas e disponibiliza material para capacitação profissional. Mas, além de nos servir como ferramenta de trabalho, este site também contribui para a democratização da informação e a promoção do debate acadêmico via internet.

5 respostas em “Pepe Escobar: “Bem-vindos às guerras por acordos comerciais”

  1. Muito se tem discutido nos dias atuais sobre a suposta decadência da a economia chinesa, causando especulações nos mercados de todo o mundo. Tais especulações advém do fato de ter ocorrido recentemente uma abrupta queda das ações chinesas, gerando um efeito dominó em todo o mundo.
    Fora a desvalorização acelerada das ações, outro fator que incide na agravação da desconfiança por partes dos países internacionais, é o fato de o país ter um governo autoritário, cuja transparência na divulgação de informações é exceção, e não a regra.
    É fato que a China é a segunda economia do planeta e portanto um eventual abalo de sua economia provocaria um abalo na economia mundial. Entretanto, apesar apesar de terem ficado para trás os anos em que o gigante asiático avançava em um ritmo de 10% ao ano, ainda sim atualmente a economia cresce 7% ao ano. Fora isso, a economia da China é, hoje, bastante sólida, a título de exemplo desta solidez a China possui reservas internacionais em moedas fortes de mais de três trilhões de dólares, dinheiro este capaz de enfrentar qualquer especulação por parte da comunidade financeira internacional.
    Deste modo, o Sudeste Asiático tem enormes potenciais para continuar, afinal, como bem salientou a reportagem estamos falando de uma integração econômica de um mercado combinado de 620 milhões de pessoas, e PIB coletivo de $2,5 trilhões

  2. A disputa pelo domínio econômico ocorre desde os primórdios da história da humanidade. Na atualidade a situação não mudou Estados Unidos, China, entre outras potências econômicas “brigam” para alcançar o maior desenvolvimento e poder econômicos possíveis.
    Um dos aspectos dessa disputa é a busca por acordos econômicos, que aumentam as exortações, originando mais riqueza e desenvolvimento para os países e consequentemente, gerando maior poder.
    Outro desafio é buscar novos meios de desenvolvimento da economia é estabelecer novas estratégias, novos rumos, a fim de que sua economia não fique ultrapassada. O fato de que Pequim está engajada numa nova tarefa dinâmica, que é mudar seu vetor de crescimento, das exportações para investimento massivo em serviços demonstra a necessidade de renovações, quanto à geração de riquezas do país, sendo imprescindível para evitar crises em seu sistema econômico.
    Deve-se estar alerta em relação ao fato de que, em um futuro breve, haverá uma integração econômica nas terras continentais do Sudeste Asiático. O mercado de trabalho está cada vez mais integrado.

  3. Apesar da China ter como característica um governo autoritário, atualmente é um dos países que mais cresce no mundo, no contexto econômico, industrial, financeiro. Porem vem discutindo sobre a suposta deterioração de sua balança comercial devido à queda das exportações, sendo isso reflexo do cenário econômico mundial que parou, as perspectivas da economia mundial pioraram.
    Deve ressaltar a existente ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), como relata no texto, é um bloco econômico que foi criado em 8 de agosto de 1967. É composto por dez países do sudeste asiático. Este bloco possui um acordo de cooperação econômica com a UE (União Europeia). A sede do bloco fica na cidade de Jacarta, capital da Indonésia. Embora o objetivo principal do bloco seja o desenvolvimento econômico, ele apresenta também propostas nos campos sociais e culturais. A china tem como objetivo multiplicar os acordos econômicos e aumentando assim as exportações o que aumentaria seu território de domínio econômico, com o objetivo de se torna a principal potencia econômica, uma vez que se esta em segundo lugar.

  4. Disputas por poder econômico e político são antigas, não é de se estranhar que na sociedade globalizada atual essas disputas tenham se tornado tão complexas, com o envolvimento de diversas nações e variáveis. Mas o que nunca muda é a bilateralidade do conflito, há dois polos opostos com interesses concorrentes. O que há algumas décadas era um conflito geo-político entre URSS e EUA, tornou-se uma batalha politico-econômica. E os EUA sempre presente na corrida por poder e influência; a superpotência que surgiu de uma colônia Europeia não abre mãe de seu posto, contudo há de se considerar até quando os americanos conseguirão segurar o avanço da China. Com desenvolvimento econômico rápido, esse país que a pouco tempo era de economia fechada cresce a rítimos acelerados. O grande contingente populacional e a disciplina oriunda do sistema socialista geram mão de obra barata e eficiente. Ter um lider autoritário desejoso de poder também em nada dificulta o avanço da China sob países vizinhos, muito antes pelo contrário. A crise econômica mundial pode haver diminuído o ritmo de crescimento da China, porém considerando que a repercussão é global, muito duvido que esse país, que em minha opinião já ultrapassou a classificação de emergente, não continue opondo ameaça real ao domínio americano do mercado mundial.

  5. Que é a economia que gira o mundo, disso não há dúvidas. Se antes as disputas eram por territórios, por poder de domínio e extensão, hoje as disputas se dão por dinheiro. No cenário internacional, as disputas por domínio de mercado estão em grande pauta no direito internacional. Se antigamente, as disputas eram políticas, como nos tempos da guerra fira, o que permanece é apenas a guerra velada, porque a disputa internacional pela obtenção do poder de compra de determinado país é clara. Nesse contexto, duas das maiores economias mundiais, como a China e os Estados Unidos estão sempre no centro das disputas. A China tem um ponto crucial nas relações econômicas, excelente para se negociar, tanto nas compras, por possuir mão de obra barata-muitas vezes escrava- o custo final de venda dos produtos sai menor, além de larga produção em razão da extensão populacional. Outro fator decorrente da extensão populacional da China, diz respeito ao seu poder de compra, entrar no mercado chinês é um excelente negócio, o número de consumidores é absurdo. Nessa seara, conflitos são inerentes, e órgãos internacionais de resolução de conflitos sempre acabam por ser acionados, além de inúmeros tratados que acabam sendo realizados para a tratativa dessas negociações; os acordos internacionais econômicos são muito comuns para regularem, dentro de um direito internacional, essas guerras por acordos comerciais.

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