Charles V and the Holy Roman Empire: Crash Course World History #219


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Sobre Luiz Albuquerque

O Núcleo de Estudos sobre Cooperação e Conflitos Internacionais (NECCINT) da Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com as Faculdades Milton Campos, sob a coordenação do professor Luiz Albuquerque, criou o Observatório de Relações Internacionais para servir como banco de dados e plataforma de pesquisas sobre relações internacionais e direito internacional . O site alimenta nosso trabalho de análise de conjunturas, instrumentaliza nossas pesquisas acadêmicas e disponibiliza material para capacitação profissional. Mas, além de nos servir como ferramenta de trabalho, este site também contribui para a democratização da informação e a promoção do debate acadêmico via internet.

Uma resposta em “Charles V and the Holy Roman Empire: Crash Course World History #219

  1. O reinado de Carlos Habsburgo é um marco tremendo na História da Europa e, em certo sentido, da História das Relações Internacionais. Sua Sacra Cesárea Católica Real Majestade reinou sobre o Sacro Império, Espanha, Países Baixos, Borgonha, Áustria e respectivas colônias, gerando o maior número de uniões pessoais simultâneas entre Estados. No campo das Relações Internacionais do início da Idade Moderna isso representa um super-ator internacional. Os outros reis da Europa não podiam ficar neutros a ele, e alianças foram ofrjadas diversas vezes, majoritariamente contra a França de Francisco I. Em sua pessoa, residia a Casa de Habsburgo, Valois-Borgonha e Transtâmara resultou em uma rede de conexões reais pela Europa, que só seria igualada pela Rainha Vitória e seus 9 filhos. Era sobrinho da Rainha Catarina de Aragão, primeira esposa de Henrique VIII de Inglaterra, e como filho de Joana, a Louca, é, de facto, primeiro Rei da Espanha.

    Cinco fatores são importantes de analisar em seu reinado, que se espalha cronologicamente de 1506 a 1556. O primeiro é a reforma: em 1517 Martinho Lutero lança as 95 Teses sobre as Indulgências, e as dedica ao papa Leão X (um médici), a controvérsia supera a Dieta de Worms e acaba sendo agravada em Augsburgo, onde a primeira declaração de fé luterana é subscrita por vários príncipes imperiais, inclusive eleitores. Essa racha na unidade cristã da Europa iniciaria o processo de enfraquecimento do sentido de Cristandade, que antes predominava na Europa, no sentido de uma comunidade internacional que unia as nações fiéis através do Papado.

    Outro fator correlato é a invasão de Roma em 1527, sob a bandeira imperial soldados alemães protestantes saquearam a cidade santa e quase chegaram a Sua Santidade, sendo este salvo pela guarda suíça, em seu momento mais heroico, no Castelo Sant’Ângelo. A fuga do papa da cidade e sua fuga para Urbino, ainda território de influência imperial, impediu que o papa arbitrasse disputas internacionais e que respondesse a altura a Reforma. Dessa forma, isolou o cabeça da Igreja, quando esta estava mais necessitada.
    O terceiro fator são as colônias, efetivando o contato contínuo da Europa desde então com as Américas e com a Ásia, integrando o mundo em termos de economia, religião e política, no que alguns historiadores chamam de 2ª globalização histórica (a primeira sendo as cruzadas).
    O quarto elemento é atualíssimo, e creio que Carlos V poderá passar a ser um símbolo de maior destaque na Europa em virtude das migrações contemporâneas. O Império Otomano, depois de conquistada Constantinopla em 1453. Voltou-se para a Europa ocupando rapidamente todo o Balcãs. Seu avanço e influencia só foram contidas na Batalha de Viena, sob o comando do Imperador, com espanhóis, alemães, austríacos, holandeses, e aliados poloneses, que se uniram enquanto civilização frente aos avanços infiéis.

    O mais interessante, contudo, para nossa análise, é a própria estrutura do Sacro Império Romano-Germânico, Estado esse que foi fundado por Otto I, coroado em 962 (diferente do que o vídeo retrata o Império Romano de Carlos Magno não é o mesmo que Carlos V, após a morte do rei dos francos e de seu filho, Pepino, o Breve, o Império Franco foi dividido entre os netos pelo Tratado de Verdun). O Império era na verdade uma união de vários principados, ducados, margraves, landgraves, cidades livres, dioceses independentes, os quais todos tinham independência política. Pela Bula Dourado ficou estabelecida a Coroa como Eletiva, com sete príncipes eleitores. O Imperador, portanto, agia como Mediador e Moderador (utilizando dos antigos laços de lealdade e vassalagem), transformando aqueles vários grupos unidos por traços culturais em uma semiunidade frente à Europa. Sua autoridade direta, portanto, era limitada. Todavia, estamos falando de um sistema internacional anterior a Paz de Westphalia e o arranjo final da Guerra dos Trinta Anos. O Império foi talvez a mais moderna e próxima tentativa de executar o ideal imperial, desde Alexandre, o Grande. O primeiro Império onde o sol jamais se põe representa a ideia de que os povos humanos de diferentes culturas, religiões e línguas podem viver sob o mesmo Estado, o mesmo governante, e por consequência, em paz e sem guerras (internas ao menos, até o império se torne efetivamente global), é uma ideia de prosperidade e paz perpétua, que antecede Kant, Nações Unidas, e outros modelos mais recentes.

    Matheus Cheib Baeta, aluno da Milton Campos, 4º período, 401, diurno.

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