Alemanha é que deveria deixar o euro, diz ex-diretor do FMI


Postado originalmente em 20 de julho de 2015

São Paulo – A Grécia deveria ou não sair do euro? A questão foi discutida exaustivamente e o país acabou ficando – pelo menos por enquanto.

Mas há quem diga que o problema da moeda comum é na verdade a Alemanha, maior economia do bloco e principal arquiteto pelos pacotes de austeridade e resgate dos últimos anos.

A tese foi defendida pelo economista indiano Ashoka Modi, professor visitante da Universidade de Princeton, em um artigo publicado na Bloomberg View na sexta-feira.

Ele tem proximidade com o assunto: até alguns anos atrás, era diretor-assistente do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), responsável por supervisionar os pacotes de apoio a países em dificuldades.

Seu argumento é que “um retorno alemão ao marco faria o valor do euro cair imediatamente, dando aos países na periferia da Europa um impulso muito necessário na competitividade”.

A Alemanha hoje exporta muito, mas gasta e investe pouco. Isso gera um enorme saldo em conta corrente que funciona como uma draga na demanda do bloco – que acaba sem alternativa a não ser gerar crescimento através de exportações.

Se a Alemanha tivesse uma moeda própria, ela seria hoje muito mais forte que o euro – má notícia para a competitividade dos seus produtos, mas boa para países como Itália e Portugal.

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Em fevereiro, a mesma ideia foi defendida na revista Foreign Policy por Patrick Chovanec, professor da Universidade de Columbia e estrategista e diretor da gestora de ativos Silvercrest. Para ele, a Alemanha é a verdadeira âncora que pesa na economia europeia:

“Os superávits crônicos de comércio da Alemanha estão no coração dos problemas da Europa: ao invés de impulsionar a economia global, eles estão a afundando. Os superávits alemães e a pilha de dívidas na periferia da Europa são dois lados da mesma moeda. Os alemães economizaram (muito), e a moeda comum induziu eles – ao invés de economizar menos ou investir em casa – a emprestar para seus parceiros da zona do euro, que usaram o dinheiro para comprar bens alemães”.

A tese circula desde quando a crise da Europa se agravou, em meados de 2012. Na época, foi defendida em artigo no New York Times por Kenneth Griffin, presidente-executivo da Citadel, e Anil Kashyap, professor da Universidade de Chicago.

Todo o debate é um testamento aos vícios de origem do euro, uma união monetária criada sem unidade fiscal ou política e que amarrou a uma mesma moeda economias com tamanhos e necessidades totalmente diferentes.

Eventualmente, o bloco vai precisar ou se integrar mais ou ser reduzido para manter alguma coerência. Ou como já disse o investidor George Soros, outro proponente da ideia, ainda em 2012:

“A Alemanha precisa liderar ou sair. Qualquer uma das alternativas seria melhor do que criar uma insustentável Europa de duas velocidades”.

Fonte: Revista Exame

3 respostas em “Alemanha é que deveria deixar o euro, diz ex-diretor do FMI

  1. O Euro é a moeda oficial, da chamada Zona do Euro, que é constituída por 19 países dos 28 Estados-Membros da União Européia. A ideia surgiu, inicialmente, ainda nos anos 70, entretanto apenas com o Tratado de Maastricht em 1992, que essa ideia “saiu do papel”. Esse Tratado foi celebrado pelos 12 países da, então, Comunidade Econômica Européia e apenas em 2002, a moeda se tornou corrente nos membros originais.

    O que é noticiado, é de que hoje, a Alemanha, a economia mais forte da Europa é também responsável por segurar o crescimento de países da mesma região. A Alemanha, com a sua política econômica, acaba “ancorando” as outras economias por se tratar de uma economia que prioriza salvar dinheiro, do que gastar. Isso faz com que ela exporte demasiadamente e acabe prejudicando seus companheiros de União, pois isso mantém o Euro em cotações altas.

    Por sua vez, ao deixar de utilizar o Euro, a Alemanha teria que diminuir o numero de exportações prejudicando a sua economia, mas esse ato faria com que a cotação do euro caísse, impulsionando assim, os parceiros como Grécia e Itália a voltarem a crescer.

    Ou seja, cabe a Alemanha a decisão de “enterrar” os países em recesso econômico ou “dar uma mão” para ajudá-los a sair da crise.

  2. A Alemanha ocidental e a Alemanha oriental tornaram-se um único país em 1990 quando ocorreu a queda do muro de Berlim, o simbolismo máximo do fim do Socialismo e da influência da União Soviética na região. Isto só foi possível porque a Alemanha ocidental injetou milhões de marcos e financiou a reconstrução do país arruinado pelo comunismo presente desde o pós-guerra. Passados 25 anos, a Alemanha foi reconstruída e garantiu a toda sua população viver em uma democracia plena, preocupada com sua sociedade. A Alemanha é uma economia forte e dentro da União Europeia é o ator político de maior peso, a maior liderança e apresenta muito rigor em suas finanças públicas, o que sem dúvida a torna uma economia austera.

    A Alemanha deixou para trás economias do bloco europeu como Portugal, Grécia, Itália e Espanha que têm sobrevivido às custas de recursos externos . Se a Alemanha sai da zona do euro, como sugere os especialistas, como ficariam os países endividados? A economia de cada país se fortaleceria a ponto de reduzir o valor de suas dívidas externa e interna e com isto geraria crescimento econômico? O plano de austeridade imposto pela União Europeia e os credores destes países seria mais fácil de ser cumprido?
    Os argumentos apresentados na reportagem são convincentes, mas se a Alemanha saísse da zona do euro, o problema econômico dos países que estão na “corda bamba” iriam ser resolvidos, mas será que continuaria a existir Euro? Se a Alemanha sair, qual país seguraria o valor da moeda dentro da UE e por último, se sai a Alemanha, qual seria o próximo o sair? Não acho que seria a melhor solução para o Euro e tampouco para a Alemanha.

  3. Tem-se falado muito nos últimos tempos sobre a possível saída da Grécia da zona do euro. O próprio ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, ainda acredita que a saída temporária da Grécia talvez fosse a melhor opção. O FMI e muitos economistas porém defendem que os problemas da Grécia não poderão ser resolvidos sem um perdão de dívida por parte da União Europeia. E se a Alemanha saísse da zona do euro? O raciocínio apresentado por Ashoka Modi parte do pressuposto de que a economia Alemã é a principal responsável pelo alto preço do euro atualmente. Na realidade, como foi dito acima, se a Alemanha não participasse do euro, sua moeda seria muito mais forte, o que seria péssimo para as exportações alemãs pois perderia competitividade contra o dólar no mercado internacional. Por outro lado a saída da Alemanha possibilitaria que países do sul da Europa (Grécia, Itália, Espanha e talvez Portugal) possam estabilizar suas dívidas com uma moeda fortemente desvalorizada e finalmente pôr em ordem as suas economias.

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