A geopolítica chinesa da ferrovia: dependência e integração


O que está posto para o setor metroferroviário nos acordos com a China é a reafirmação da nossa condição de dependência, com poucas indicações de investimento nesta indústria e o atrelamento da economia brasileira à sua “vocacional” matriz exportadora de commodities.

Há anos a China tenta se estabelecer como uma potência política e econômica na América do Sul. A recente visita de uma delegação econômica chinesa, liderada pelo primeiro ministro Li Keqiang, é a mostra de que eles estão dispostos a capturar o imaginário desenvolvimentista que tem pairado sobre a região nos últimos dez anos. A carteira dos possíveis investimentos é grande e apenas no Brasil foram fechados 35 acordos, com ênfase em infraestrutura.

Com os projetos que foram postos à mesa, a China busca a defesa de seus interesses de expansão econômica e política na região, enquanto os países que recebem os chineses passam por um momento de turbulência econômica, vendo com muito bons olhos os investimentos estrangeiros.

No Brasil, a vinda dos chineses com investimentos para o modal ferroviário foi bastante celebrada em diferentes nichos do governo, tendo como filão principal a intenção de construir uma Ferrovia Transcontinental, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico.

A ferrovia é projetada no território brasileiro para partir de Porto de Açú, no litoral do Rio de Janeiro, e chegar até Boqueirão da Esperança, no estado do Acre, com aproximadamente 4400 Km de extensão. A ligação com o Pacífico é prevista para ser feita no Peru, fato que gerou bastante descontentamento entre os bolivianos, exacerbando as tensões existentes entre os dois países.

O interesse brasileiro quanto à parceria com os chineses no setor metroferroviário objetiva viabilizar economicamente a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que integraria a Ferrovia Transcontinental.

A ferrovia visa a ligar a região Centro-Norte do País aos principais portos nacionais por meio da Ferrovia Norte-Sul, partindo da cidade de Uruaçú-GO até Vilhena-RO, com 1638 Km de extensão. A conclusão dessa ferrovia daria um salto de qualidade no escoamento da crescente produção de soja na região.

A partir de Vilhena-RO, tudo é incerto para os chineses e eles têm noção disso, a ponto de ainda estarem firmando acordos para estudos básicos sobre a viabilidade da construção da ferrovia em território peruano.

Os acordos entre Brasil e China provocaram agitações no mercado metroferroviário brasileiro, seja pela possibilidade de construção de ferrovias para melhor integração do mercado de commodities entre os dois países, seja pelos acordos comerciais para a compra de material ferroviário a preços mais acessíveis, abrindo o setor para as indústrias chinesas.

O mercado ferroviário chinês é um dos mais ativos do mundo: boa parte dos trilhos comprados para nossos projetos ferroviários é proveniente da China, ao passo que somos um país com recursos minerais e industriais para a produção nacional dos mesmos.

A indústria metroferroviária nacional avalia com bastante preocupação a entrada dos chineses no mercado brasileiro. Os precedentes não são bons, vide o caso dos contratos chineses junto à Argentina, que abriu seu mercado para a participação dos chineses sem a preocupação de resguardar a indústria nacional, gerando demissões e quebras no setor na competição com o material rodante chinês.

No Brasil já existiram conflitos desse tipo, principalmente nas licitações de metrôs e trens urbanos financiados pelo Banco Mundial, que não exige em seus contratos de financiamento a compra de trens nacionais. Tanto o Consórcio Via Quatro do metrô de São Paulo quanto a Super Via, no Rio de Janeiro, tiveram seus projetos financiados pelo banco e compraram material rodante de outros países, tal como Coreia do Sul e China, respectivamente, deixando as fabricantes nacionais de lado.

É necessário dizer que, no Brasil, em momentos de crescimento econômico, ocorre a expansão das ferrovias, mas, quando a situação econômica se deteriora, os investimentos minguam e o que foi investido começa a se deteriorar. Foi assim no período do café, na estatização na década de 1950 e nas concessões da década de 1990: há uma histórica falta de recursos para o modal.

Por exemplo, o momento vivido pelo setor metroferroviário no Brasil hoje não é dos melhores: o ajuste fiscal atinge em cheio os projetos de infraestrutura de transportes, sendo os investimentos em ferrovias bastante prejudicados, a ponto de impelir o Ministério da Fazenda a retirar do horizonte próximo a implementação do novo marco regulatório do setor, que visava a dar maior competitividade ao modal.

O atual modelo de concessão é vertical, em que não há competição entre as concessionárias para o uso das diferentes malhas do País, tendo como consequência o encarecimento do frete ferroviário. A regulação do modal também é frágil, faltando fiscalização satisfatória por parte da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) nos contratos de concessão. O quadro para a iniciativa privada também não é favorável: apenas no mês de maio, foram registradas cerca de 100 demissões nas concessionárias ferroviárias.

Em 1967, Albert Hirshman escreveu um interessante ensaio sobre projetos de desenvolvimento, no qual desenvolveu a ideia de que grandes projetos devem ter algumas de suas características não reveladas para sua realização, tal como o preço a ser pago pelo empreendimento e seus respectivos impactos socioambientais.

O caso da ferrovia transcontinental é um desses projetos desenvolvimentistas com poucas informações a seu respeito: poucos estudos de impacto socioambiental, indefinições quanto ao traçado e custo imprevisível são algumas das marcas do projeto. As informações disponíveis não autorizam o anúncio de um empreendimento desse tamanho para a região. Então o que está em jogo no anúncio da Ferrovia Transcontinental?

O que está posto para o setor metroferroviário nos acordos firmados com a China é a reafirmação da nossa condição de dependência, com poucas indicações de investimento na indústria metroferroviária e o atrelamento da economia brasileira à sua “vocacional” matriz exportadora de commodities, veio central da expansão do modal ferroviário brasileiro nos últimos anos.

Assim, a entrada dos chineses no mercado metroferroviário brasileiro deve ser vista com cautela, a fim de que não terminemos liquidando o setor mais uma vez, entregando-o a interesses pouco preocupados com a solução de nossos gargalos de infraestrutura de transportes

Fonte: Brasil Debate

20 respostas em “A geopolítica chinesa da ferrovia: dependência e integração

  1. A entrada dos chineses deve ser realmente tratada com bastante cautela. A China, implementa sua politica de crescimento visando atingir uma posição dominante na economia global, conquistando o mercado externo e ganhando controle sobre os países em desenvolvimento.
    Não está sendo diferente com o Brasil, a atuação da China no Brasil, no momento e posição atual do país, escancara uma posição do Brasil de dependência e fragilidade.

  2. O Brasil é, e sempre foi, um país exportador de commodities. Não penso que a questão seria questionar essa matriz que é cultural, mas sim a de questionarmos se é apenas por esse viés que podemos buscar nosso desenvolvimento. Até quando continuaremos vulneráveis e dependentes de grandes indústrias internacionais, não apenas Chinesas, no que tange a equipamentos de infraestrutura, tecnologia e demais itens de complexidade mais avançada?

    Sim, o chamado Custo Brasil é um elemento desfavorável ao incentivo do setor secundário no Brasil, mas isso não quer dizer que, por isso, devemos desconsiderar a manufatura nacional. O fomento ao empreendedorismo é um importante instrumento de transformação neste cenário político internacional, podendo abrir portas para o Brasil em termos econômicos e sociais.

    Quanto aos acordos metroferroviários com a China, de que trata a presente notícia, é importante ressaltar que esses devem ser norteados pela transparência e pela economia sustentável, por envolver interesses públicos internacionais. São acordos de riscos, e naturalmente exigem maior cautela. Porém, vejo como um preço que se paga por persistirmos como um Estado de Primeiro Setor, com insistente caráter prestacionista, o que o deixa totalmente oneroso e com pouco espaço para inovações nacionais privadas. Essa aproximação com a China, além de toda essa exposição da vulnerabilidade do Brasil em termos de infraestrutura e otimização de transportes terrestres, também o expõe a embates políticos de mercado, como com indústrias norte-americanas que eram, historicamente, parceiras de diversas atividades desenvolvidas no Brasil, e que agora tendem a perder espaço para o avanço chinês. Há, portanto, vários aspectos a serem analisados, de modo que tudo saia da melhor maneira possível para os interesses brasileiros.

    • Apesar das ambições chinesas em território nacional, é preciso observar que o investimento também irá gerar vantagens para empresas brasileiras, repercutindo positivamente em nossa economia. Isso pode ser evidenciado pelos acordos celebrados, que beneficiam 26 frigoríficos nacionais e tem a perspectiva de incrementar em 520 milhões de dólares as exportações brasileiras com a construção do projeto ferroviário transcontinental mencionado na notícia. Ressalta-se que outras companhias brasileiras também foram beneficiadas com a noticia do empreendimento, como a Petrobrás e a Vale.

      De qualquer modo, ainda que traga novidades positivas para o Brasil, é realmente necessário que tais investidas chinesas sejam analisadas com precaução. Mais cautela é necessária, quando observamos que o líder chinês Li Keqiang, não faz qualquer questão de ser discreto quanto a vontade de erguer em territorio nacional novas fábricas chinesas de diversos setores.

      A grande questão será o governo brasileiro utilizar desta relação para capitalizar melhorias na qualidade do comércio, bem como estabelecer novas parcerias com outros países, através de negócios bem articulados. Ou seja, deve-se encarar a investida chinesa como a possibilidade de gerar novos acordos e não deixar que a dependência aumente, permitindo que a China aproveite-se da situação de crise brasileira para “comprar” o Brasil mais barato.

  3. Antes centrada na compra de commodities brasileiras e na pequena participação na área de petróleo (pré-sal), os chineses pretendem investir de forma maciça em infraestrutura: ferrovias, portos, aeroportos, rodovias e hidrelétricas no Brasil. O dinheiro chinês chega num momento em que o Brasil implementa diversos cortes no orçamento e no investimento em infraestrutura. Esse dinheiro é essencial para contribuir com o reaquecimento da economia. Estão nos projetos a construção da ferrovia Transoceânica, que deve ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, ao porto de Ilo, na costa do Peru. O corredor de trilhos entre os oceanos Atlântico e Pacífico vai abrir uma saída para os produtos brasileiros como grãos e carnes para o Pacífico, sem que a carga precise passar pelo Canal do Panamá, diminuindo bastante os custos e o tempo gasto. O objetivo é tornar as mercadorias mais competitivas e com um menor custo também para a China.

  4. Acredito que a entrada dos chineses no mercado metroferroviário realmente deve ser feita com cautela. O que se percebe é uma falta de investimento nesse modal no Brasil. Ao afirmar acordos com a China, o país acaba reafirmando essa condição de dependência. Todavia, o que não se pode negar é a possibilidade do Brasil adquirir ótimas vantagens econômicas com esses acordos. Entre os principais projetos, está a construção de uma ferrovia transcontinental, que cruzará o país de leste a oeste, passando pelo Peru para acessar portos no Oceano Pacífico. Dessa forma, um novo caminho para a Ásia se abriria para o Brasil, reduzindo assim distâncias e custos. Adicionalmente, o projeto daria um salto de qualidade no escoamento da produção de soja na região. Dito isso, acredito que esses acordos sejam interessantes para o Brasil, mas devem ser analisados cuidadosamente a fim de se evitar futuros conflitos de interesses em território nacional.

  5. O interesse dos países em desenvolvimento, ou mesmo com forte comércio internacional, em ampliar sua influência política na América do Sul, almejando fins economicamente favoráveis é evidente. Isso ocorre porque não somente o Brasil, mas todo o continente sul-americano, em regra, é forte exportador de commodities e necessita exportar produtos de maior tecnologia.

    No que se refere a China, o país é o maior comprador do minério de ferro brasileiro, além de outras importantes matérias primas. Em contrapartida, exporta produtos feitos com o minério e de grande valor agregado, inclusive para o Brasil, já que indústria de alta tecnologia nacional não é suficientemente fortes para concorrer com os importados chineses.

    Visando diminuir seu custo de produção, os asiáticos pretendem investir em infraestrutura brasileira de transporte, mais especificamente na construção de ferrovias. Trata-se de grande investimento que contemplaria milhares de quilômetros adentro do território brasileiro. A construção deste sistema de transporte viria em bom momento, visto que fomentaria a economia nacional gerando empregos e serviços, principalmente considerando o atual momento de crise. No entanto, nem só benefícios viriam com o início das construções, senão vejamos.

    Primeiramente, deve ser considerar que a China é grande produtora de trilhos. Se os trilhos para as construções vierem da China, no entanto, a indústria pátria se encontraria desprivilegiada, pelo o que não se alcançaria o objetivo de promover o progresso da economia brasileira. Em segundo lugar, é indispensável realizar um estudo que contemple o aproveitamento das ferrovias, a partir do momento em que o interesse chines por commodities brasileiras acabe, posto que se trata de infraestrutura com elevado custo de manutenção. Por fim, é provável que, com as construções, o gigante asiático aumente sua influência sobre o mercado nacional, o que poderia levar a uma enorme dependência.

    Sendo assim, é importante analisar sobre todos os pontos de vistas no que importaria o investimento chinês em infraestrutura nacional na economia e desenvolvimento social brasileiros. Tal situação deve ser analisada com cuidado, pois medidas simples, como o aumento do impostos sobre produtos e serviços chineses poderiam fragilizar a relação entre os dois países, desfavorecendo a economia nacional.

  6. A questão sobre ferroviária quando é tratada no Brasil é sempre problemática. Fiquei muito espantado no momento em que tomei conhecimento sobre a construção da ferroviária transcontinental, sendo que a construção de ferroviárias sempre foi desestimulada pelas indústrias automobilísticas, no sentido de valorizar a malha rodoviária para se ter mais produção de veículos automotores, ocasionando mais demanda e oferta. Além desse ponto, a questão ferroviária no Brasil é tão complicada que a malha ferroviária não é unificada, possuindo bitolas deferentes. Há um consenso no país entre os especialistas do transporte ferroviário que o fator que mais contribui para suficiência de êxito comercial é a uniformidade da malha ferroviária, contudo o país não a possui.
    Ademais visto as complicações no cenário de produção ferroviária no solo brasileiro, existe a complicação que se relaciona com o país Chinês, que sempre visa a sua própria estabilidade econômica. E é importante frisar que essa relação deve ser observada com cuidado, ao passo que não possuímos suficiência na área e a China sim. Então conclui-se que é muito fácil de o Brasil se portar como um hipossuficiente diante dessa negociação, no sentido de conceder benefícios a um país hipersuficiente.

  7. O ingresso dos chineses no Brasil para a execução de projetos de malha ferroviária pelo Brasil demonstra a fragilidade de um comércio interno rico em matéria prima, porém de investimentos pátrios escassos.
    O Brasil, na década de 50, durante o governo JK, deixou de lado o transporte ferroviário para abrir mercados ao transporte rodoviário. Concedeu isenção de impostos para que montadoras como a FIAT, a Volkswagen e outras produzissem carros a preços acessíveis à população para favorecer a expansão da malha ferroviária.
    Desde aquele momento não mais foram registrados investimentos para o desenvolvimento e expansão da malha ferroviária. E, em se tratando de um país como o Brasil, este setor é de particular relevância visto à extensão quase continental do território brasileiro.
    Assim, a falta de investimentos do próprio governo brasileiro, ao longo dos anos, acabou por enfraquecer a indústria de trilhos nacional que são incapazes de concorrer com as indústrias chinesas, que tem cada vez mais influenciado na economia dos países da América do Sul.
    Em que pese o fato de a indústria chinesa apresentar melhor custeio de produção deve-se levar em conta que a concorrência delas em detrimento da indústria nacional é desigual visto que no Brasil os direitos trabalhistas são cumpridos e, podem levar a um aumento do custo de produção.
    Além disso, o projeto de expansão da malha ferroviária não tem sido rigorosamente implementado para que seja estipulado um valor total de gastos e um prazo de término das obras. Desta forma, o investimento poderá ser extirpado se por exemplo, houver embargo da obra por problemas culturais, como o que tem ocorrido com a Hidrelétrica Belo Monte.
    E, não é possível desconsiderar a crise econômica pela qual o país está sofrendo diante da continua alta da moeda americana e, consequente desvalorização do real. Qualquer despesa dependerá de uma prévia receita fixada e, para um empreendimento de tal monta com certeza sua execução dependerá de muito recursos.
    Se o país em 50 anos não apresentou interesse em tamanha expansão ferroviária, porque neste momento tão instável da economia interna estaria buscando a realização de um projeto ferroviário executado por empresas chinesas? As consequências deste investimento poderão ocasionar desde problemas na falta de planejamento do projeto até uma onda de desempregos no setor ferroviário interno e consequente enfraquecimento de uma indústria ferroviária que tem matéria prima em excesso, porém não possui investimentos para progredir.
    Consoante a isso, o Brasil tem se posicionado no mercado mundial apenas como um produtor de commodities e, não consegue melhorar seus produtos em virtude de uma falta de planejamento de como melhor gastar o dinheiro público para obter respostas favoráveis à economia.

  8. Entendo como válido qualquer interesse, mesmo que de iniciativa internacional, com o intuito de melhorar nossas questões de logística interna, que representa grande insatisfação não só do setor especificamente, mas também da sociedade brasileira como um todo. Me filio à teoria, de que, qualquer esforço, mesmo com interesses implícitos, é melhor do que nenhum. Desde que nos venha a auferir algum tipo de benefício, atendendo a uma demanda secular.

    Entretanto, dado ao recente rebaixamento do investiment grade do país, bem como a incerteza que paira no mercado chinês, devem fazer com que o plano seja abortado, tendo em vista que haverá uma mudança de planos de ambas as partes em suas relações comerciais, por conta de uma mudança no cenário econômico de ambos.

  9. A construção dessa ponte ferroviária em parceria com os chineses certamente trará mais benefícios econômicos ao grupo estrangeiro que ao governo brasileiro, uma vez que o Brasil, na sua condição de grande exportador de commodities, possui uma concentração considerável de jazidas minerais na região amazônica, principalmente de minério de ferroas grandes ambições dos chineses, certamente, se concentram mais na possibilidade de exploração dessas jazidas no percurso periférico da ferrovia, no território amazônico, que nos meros fins de transporte continental de matéria-prima partindo-se do porto de origem, em Açú, no litoral do Rio de Janeiro. Ou seja, o transporte seria apenas pano de fundo, um negócio secundário, uma justificativa para os chineses, que certamente mobilizarão recursos e apoio político para um projeto mais ambicioso, utilizando-se da logística já oferecida pela ferrovia Ferrovia Transcontinental: explorar as jazidas minerais da região amazônica e utilizar-se da ferrovia Ferrovia Transcontinental para escoar essa produção mineral. De sobra, face ao baixo preço dos commodities de exploração mineral hoje cobrados pelo Brasil, teremos de significativo apenas transtornos diplomáticos com os países vizinhos da região amazônica e os graves passivos ambientais resultantes dos contratos de exploração e transporte de minerais.

  10. A entrada dos chineses do mercado brasileiro, de fato, pode ser bastante prejudicial para as empresas nacionais. Com um cenário de recessão, inflação, desvalorização do real e, consequentemente, a valorização do dolar americano, as empresas chinesas poderão ingressar no mercado brasileiro com bastante facilidade e, de certa forma, concorrer de forma desleal às demais empresas nacionais. Primeiramente, deve-se destacar que com a desvalorização do minério de ferro e a atual situação no país, as empresas brasileiras responsáveis pelo fornecimento de matéria-prima não estão atingindo um faturamento necessário para se sustentar. Ocorre que as empresas chinesas chegam com o produto mais barato e, consequentemente, tomam o espaço no mercado. Lamentável ver que o governo brasileiro, ao invés de ajudar as empresas a superarem essa crise econômica, estão aumentando os impostos, fazendo com que cada vez fique mais difícil a concorrência no mercado mundial.

  11. O extraordinário crescimento sustentado da economia chinesa por mais de duas décadas é, sem lugar a dúvidas, uma das maiores transformações da economia e da política internacional. Seu desenvolvimento econômico, utilizando como “vantagem comparativa” enormes reservas de mão de obra barata, a converteu num centro, por excelência, da produção manufatureira a nível mundial, sendo considerada como a “oficina do mundo” como se denominava a Inglaterra depois da Revolução Industrial. No ano passado, esses êxitos e o espetacular aumento de suas importações, que cresceram em 40% ao longo do ano, converteram-na em um dos dois motores da recuperação da economia mundial marcando decididamente a emergência da China como um ator a levar em conta no cenário internacional.

  12. Deve ser analisada com grande cautela a entrada da indústria chinesa no setor metroferroviário nacional, e todos os possíveis impactos a curto, médio e longo prazo que tal decisão poderia acarretar.
    Deve- se analisar a situação econômica brasileira, visto que nos últimos anos a economia estava em ascensão, sendo constantemente buscada pelos investimentos externos. O problema é que com o surgimento da crisem, há uma rápida perda de interesse no país, com isso os investimentos cessam e toda a infraestrutura implementada pode ser facilmente perdida visto a falta de recursos para manutenção e finalização das obras.
    Um segundo ponto extremamente relevante é a falta de bons precedente. O ingresso da China nesse setor em outros como na argentina não teve resultados favoráveis. O que em um primeiro momento parecia um bom negocio, uma oportunidade de desenvolvimento, a longo prazo resultou em grave prejuízo, já que houve grave dano ao setor argentino e aumento do desemprego

  13. Sem dúvidas, a China, integrante dos Brics junto com o Brasil, tem se tornado uma potência que a cada dia emerge e cresce no cenário politico e econômico mundial. Com isso, fica evidente que pode o Brasil, mantendo relações com esta grande potência, pode adquirir vantagens econômicas com estes acordos. No entanto, sua entrada como parceira em alguns segmentos com o nosso país deve ser realizada de maneira cautelosa, vez que pode aumentar cada vez mais a nossa dependência. O projeto a qual esta notícia transmite é a construção de uma ferrovia transcontinental, que cruzará o país de leste a oeste, passando pelo Peru para se ter acesso aos portos no Oceano Pacífico. Com isso custos iriam se reduzir, mas com toda certeza os grupos estrangeiros iriam se beneficiar mais, uma vez estar o Brasil passando por momentos de grande dificuldades, onde as empresas estão cada vez menos conseguindo faturamentos positivos capazes de se sustentarem. Não restam dúvidas que uma análise mais profunda acerca desta implementação é necessaria, colocando no papel os pontos positivos e negativos, haja vista o problema nacional econômico no qual o Brasil esta inserido atualmente.

  14. A entrada dos chineses no mercado metro ferroviário deve ser analisada com cuidado. É perceptível que o Brasil não faz investimentos nessa área. Quando se firma um acordo com a China, o Brasil fica em situação delicada, levando em conta que pode-se gerar uma condição de dependência, e consequentemente o controle dos chineses sobre nós.
    Mas é importante perceber que a China cada dia cresce mais no cenário político e econômico mundial, fazendo com que o Brasil possa adquirir grandes vantagens econômicas com esses acordos, mas sempre agindo com cautela, para que não terminemos liquidando o setor mais uma vez, entregando-o a interesses com pouca preocupação em solucionar nossas falhas de estrutura na questão do transporte.

  15. O interesse dos países em desenvolvimento, ou mesmo com forte comércio internacional, em ampliar sua influência política na América do Sul, almejando fins economicamente favoráveis é evidente. Isso ocorre porque não somente o Brasil, mas todo o continente sul-americano, em regra, é forte exportador de commodities e necessita exportar produtos de maior tecnologia.

    No que se refere a China, o país é o maior comprador do minério de ferro brasileiro, além de outras importantes matérias primas. Em contrapartida, exporta produtos feitos com o minério e de grande valor agregado, inclusive para o Brasil, já que indústria de alta tecnologia nacional não é suficientemente fortes para concorrer com os importados chineses.

    Visando diminuir seu custo de produção, os asiáticos pretendem investir em infraestrutura brasileira de transporte, mais especificamente na construção de ferrovias. Trata-se de grande investimento que contemplaria milhares de quilômetros adentro do território brasileiro. A construção deste sistema de transporte viria em bom momento, visto que fomentaria a economia nacional gerando empregos e serviços, principalmente considerando o atual momento de crise. No entanto, nem só benefícios viriam com o início das construções, senão vejamos.

    Primeiramente, deve ser considerar que a China é grande produtora de trilhos. Se os trilhos para as construções vierem da China, no entanto, a indústria pátria se encontraria desprivilegiada, pelo o que não se alcançaria o objetivo de promover o progresso da economia brasileira. Em segundo lugar, é indispensável realizar um estudo que contemple o aproveitamento das ferrovias, a partir do momento em que o interesse chines por commodities brasileiras acabe, posto que se trata de infraestrutura com elevado custo de manutenção. Por fim, é provável que, com as construções, o gigante asiático aumente sua influência sobre o mercado nacional, o que poderia levar a uma enorme dependência.

    Sendo assim, é importante analisar sobre todos os pontos de vistas no que importaria o investimento chinês em infraestrutura nacional na economia e desenvolvimento social brasileiros. Tal situação deve ser analisada com cuidado, pois medidas simples, como o aumento do impostos sobre produtos e serviços chineses poderiam fragilizar a relação entre os dois países, desfavorecendo a economia nacional.

  16. Os chineses pretendem investir muito na infraestrutura do país, construindo fontes de energia e implementando o transporte no país. Mas a entrada dos chineses do mercado brasileiro, de fato, pode ser bastante prejudicial para as empresas nacionais. A construção de tal ferrovia irá ajudar muito o país, mas ao mesmo tempo aumenta a intervenção de outro pais dentro de nosso território. Em contrapartida, a china é um país em grande ritmo de crescimento, podendo ser um grande parceiro para o desenvolvimento do Brasil, uma vez que conta com recursos giagantescos e pretendem investir em uma área precaria no Brasil. Portanto é necessario analisar a situação econômica brasileira para verificar se a abertura ao investimento chines irá trazer mais beneficios do que maleficios.

  17. Artigo de alta qualidade que aborda o histórico desse modo de transporte no país, inclusive com suas atuais lacunas, atrelado ao modo como o Brasil lida com sua economia e a influência sofrida por nações que aqui querem investir seus capitais. Salta aos olhos, o potencial que o Brasil possui para o transporte metroferroviário, que além do próprio benefício do escoamento de produtos e transporte de passageiros, auxiliaria indiretamente na manutenção e segurança das estradas. Porém é um modal negligenciado pelo país, que quando recebeu investimento, falhou vergonhosamente, seja na execução dos projetos, na manutenção das linhas ou pela corrupção. Quanto aos acordos tratados com a China, é salutar um estudo aprofundado, principalmente em relação ao mercado interno, haja visto que não há por que trazer capital estrangeiro para cá, se o país não conseguir manter o próprio emprego interno. Famoso por oferecer commodities, o Brasil deve mudar e passar a oferecer também trabalhadores competentes e tecnologia, a fim de complementar esses e demais acordos com qualidade interna, fazendo assim com que não só a obra pronta seja proveitosa para o país, mas também o processo de construção e o legado que permanecerá.

  18. Excelente artigo! Tocou em um ponto em voga no cenário de crise econômica que vivemos: como dar aval ao financiamento pelo capital estrangeiro de projetos estratégicos sem comprometer a indústria nacional e ir contra os interesses nacionais.
    Pela exposição, o autor mostra ceticismo quanto à investida dos chineses na construção da ferrovia bioceânica. No entanto, desde que bem acordado, não devemos ver com maus olhos a iniciativa chinesa, uma vez que o Brasil coleciona uma série de fracassados episódios em que tentou bancar sozinho projetos estratégicos para o país, dando prioridade à indústria nacional.
    Citam-se, por exemplo, os seguintes casos:
    – A construção da ferrovia norte-sul: as obras estão atrasadíssimas e apesar de ter passado muito tempo do início da construção, a maioria dos trechos ainda estão no papel;
    – A construção do trem-bala SP/Rio: obra que consumiu muitos recursos públicos e sequer saiu do papel;
    – Estratégia de preferência e proteção à indústria brasileira na exploração do pré-sal: o projeto do pré-sal prevê um papel de protagonismo da Petrobras na exploração e um percentual mínimo de componentes oriundos da indústria brasileira nos projetos navais relacionados à prospecção do petróleo nesta nova camada. Entretanto, já está em análise pelo Congresso Brasileiro a mudança dessas regras, tendo em vista que foi muito prejudicial à saúde financeira da Petrobras.
    Com todos esses exemplos e em meio às investigações da operação Lava-Jato, urge a dúvida se o investimento chinês não seria uma boa oportunidade para alavancarmos a infra-estrutura brasileira.
    Certo é que precisamos ter cuidado para não ficarmos à mercê dos interesses da economia oriental. Caso contrário, na hipótese de um desinteresse superveniente pelo projeto, os chineses deixarão a ferrovia bioceânica como a madeira-mamoré: uma ferrovia fantasma.
    Os países desenvolvidos recebem a cada vez mais recursos de economias emergentes ou de grandes fundos de investimentos, como os árabes. Receber investimento estrangeiro para financiar este tipo de obra pode ser bem positivo. Basta, à diplomacia brasileira, assumir seu papel e tomar as rédeas do processo.

  19. Quase nada se discute sobre como a parceria afeta a posição do País no mundo, na América do Sul e os projetos de integração. Não é só o Brasil que entra nos “pacotes” chineses, mas outras nações como Peru, Bolívia, Equador e Argentina, o que pode enfraquecer compromissos políticos. Não deixa de ser contraditório constatar que o Brasil talvez não cumpra seus compromissos com o Banco dos Brics, mas que irá receber recursos da China e do Banco de Desenvolvimento Asiático. A hipótese de que as relações bilaterais com a China apresentam menor nível de subordinação do que as com os Estados Unidos é parcialmente verdadeira. É fato que a China se preocupa mais com o crescimento econômico na cooperação Sul-Sul, até como instrumento de fortalecimento e manutenção de seus mercados do que os norte-americanos. Contudo, esse é um processo recente, cujos efeitos não são conhecidos. China e Estados Unidos (ou G-2) oferecem duas coisas, em diferentes proporções, ao competirem geopolítica e geoeconomicamente no mundo: discurso positivo e recursos. Dentre estes, a realidade nos faz pender aos investimentos, até por necessidade. Se isso é nova parceria ou nova dependência, caberá ao Brasil definir. Sem essa visão, coloca-se em xeque uma projeção internacional que o País tem, e pode ampliar. Qualquer iniciativa de cooperação deve ser uma escolha estratégica brasileira e não uma saída por falta de opção. 

Comente esta notícia!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s