Revoluções Coloridas: a nova maneira de se fazer a guerra


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Uma recente conferência com estrategistas russos levantou a questão de as Revoluções Coloridas serem uma nova maneira de se fazer a guerra no século XXI. A típica Revolução Colorida começa com manifestações mais ou menos pacíficas, como as da Praça Maidan em Kiev no ano passado, exigindo governos mais liberais desde um ponto de vista ocidental. As potências tentam influenciar esse tipo de ação para promover alterações na política externa de um território a seu próprio favor.

Manifestantes na Praça Maidan, em Kiev. Foto: Geovien So Barcroft Media / Landov Manifestantes na Praça Maidan, em Kiev.
Foto: Geovien So Barcroft Media / Landov

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Sobre Luiz Albuquerque

O Núcleo de Estudos sobre Cooperação e Conflitos Internacionais (NECCINT) da Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com as Faculdades Milton Campos, sob a coordenação do professor Luiz Albuquerque, criou o Observatório de Relações Internacionais para servir como banco de dados e plataforma de pesquisas sobre relações internacionais e direito internacional . O site alimenta nosso trabalho de análise de conjunturas, instrumentaliza nossas pesquisas acadêmicas e disponibiliza material para capacitação profissional. Mas, além de nos servir como ferramenta de trabalho, este site também contribui para a democratização da informação e a promoção do debate acadêmico via internet.

4 respostas em “Revoluções Coloridas: a nova maneira de se fazer a guerra

  1. As Revoluções Coloridas tem se mostrado eficazes dentro do contexto do mundo globalizado tendo em vista a atenção prestada por órgãos internacionais em conflitos entre Estados que cominam, muitas vezes, na mediação/interferência nos interesses envolvidos.
    A solução prática encontrada para esse “problema” foi desenvolvida pelos EUA já a alguns anos e praticada em diversas situações, servindo de molde para politicas intervencionistas, como podemos observar no conflito entre Rússia e Ucrânia. Se trata da ‘5Th Generation Warfare (5GW)¹’, um novo modo de fazer guerra que anda mudando os antigos parâmetros. Este modelo prevê a intervenção sob o véu democrático, a incitação de conflitos internos para atingir e enfraquecer o governo no intuito de derrubá-lo “democraticamente” e orquestrar a transição para um novo governo subserviente, em conluio, com os interesses da nação agressora.
    Parafraseando seu idealizador Bill Lind:

    “Whoever is first to recognize, understand, and implement a generational change can gain a decisive advantage. Conversely, a nation that is slow to adapt to generational change opens itself to catastrophic defeat.”¹

    Nada mais é tudo isso que que uma forma de mascarar os evidentes interesses presentes no pano de fundo do conflito, que no caso em questão é de anexar o território ucraniano ao Russo, dado a importância econômica e geográfica da região, com enfoque para o conflito existente sobre o gás natural².

    ¹ http://globalguerrillas.typepad.com/globalguerrillas/2006/10/the_changing_fa.html

    ²http://pt.wikipedia.org/wiki/Disputa_comercial_pelo_g%C3%A1s_natural_entre_R%C3%BAssia_e_Ucr%C3%A2nia

  2. As Revoluções Coloridas são uma série de manifestações políticas, características do século XXI, no Leste Europeu e posteriormente no Oriente Médio contra líderes autoritários ou ditatoriais que tendem a se manter no poder por meio de fraudes e corrupção. Tais manifestações têm em comum a resistência mais ou menos pacífica e o discurso liberal e democratizante. Nos países onde estouraram, os chefes de Estado tinham perdido o apoio do povo e de outros setores. Nos territórios em que esses movimentos foram bem sucedidos, os líderes acabavam depostos ou renunciavam. Contudo, o alcance dessas revoluções pode ser questionado visto que, embora feitas em nome de uma possível democracia, comumente, não atingem nem a democratização nem maior liberdade para os povos envolvidos. Além disso, está em discussão o papel desempenhado por agentes externos, com destaque para os norte-americanos. Critica-se constantemente o papel desses agentes, que apresentam as Revoluções Coloridas como nacionalistas mas têm grande poder para manipulá-las. Alguns países como a Geórgia recebem há alguns anos apoio militar dos EUA, por exemplo. Outros países como a Ucrânia, fazem uso de tais revoluções para mudar sua imagem externa e conseguir entrar no jogo político europeu. Dessa forma, podemos nos perguntar: até onde vai a autodeterminação dos povos?

  3. As chamadas revoluções coloridas aconteceram em países onde os chefes de Estado tinham perdido apoio popular e de diversos setores da administração devido a escândalos de corrupção. Os opositores destes regimes possuíam vastos recursos e apoio da opinião pública que estava insatisfeita com o governo. Este movimento ocorreu em países do leste europeu como na Geórgia e na Ucrânia. Segundo André Liebich, professor de História e Política Internacional do Graduate Institute for Internacional Estudos de Genebra, esses movimentos aproximam-se mais dos surtos revolucionários da França, a Bélgica, a Polônia e a Itália em 1830 do que as manifestações de 1789 ou 1917.
    Apesar dessa revolução colorida ser feita sobre a premissa da democracia, nem sempre ela termina com a tomada de um governo democrático Na Geórgia, dois anos após a troca de poder não há democracia. Primeiro, a “Revolução Rosa” começou pela contestação dos resultados das eleições parlamentares mas acabou com a troca do presidente. A eleição presidencial organizada dois meses mais tarde deu esmagadora vitória a Saakachvili (96% dos sufrágios), seguida de uma vitória do seu partido no legislativo. Esses resultados fazem da Geórgia pós-revolucionária uma república de partido único.
    Assim sendo, podemos perceber que essas revoluções nem sembre terminam com um resultado democrático.

  4. Essas revoluções coloridas são manifestações políticas ocorridas no espaço da antiga União Soviética contra líderes autoritários, acusados de práticas ditatoriais, fraudes eleitorais ou outras formas de corrupção, adotando uma cor específica ou flores como o símbolo que dá nome à sua mobilização. Surgiu na Europa Oriental e também teve repercussões no Oriente Médio.
    Nas manifestações usa se a manifestação direta, a resistência não-violenta e um discurso democratizante, liberalizante e pró-ocidental, destacando-se também o papel realizado por algumas ONG´s e organizações estudantis.
    O sucesso desses movimentos é variável e alguns líderes como Vladimir Putin da Rússia e Aleksandr Lukashenko no Bielorússia tomaram medidas para prevenir a sua expansão.
    Foi por este meio que conseguiu a derrubada do governo de Slobodan Milosevic, para garantir o desmembramento da Iugoslávia. Fez a chamada Revolução Rosa na Geórgia, a Revolução Laranja na Ucrânia, Revolução das Tulipas, no Quirquistão. Nos últimos anos, a derrubada do governo eleito no Egito de Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, do presidente Viktor Ianokovitch na Ucrânia, da presidente Shinawatra na Tailândia e as manifestações na Venezuela e em Hong Kong, são exemplos da reprodução da política de “revoluções coloridas” impulsionada pelos Estados Unidos.
    É um excelente meio para promover a “política do Ocidente”, e inclusive em 2007 houve a tentativa de expandir essas revoluções para a América Latina com o uso de estudantes de ONGs para fazer oposição aos governos de esquerda, como no caso dos opositores de Hugo Chávez, no referendo para a reforma da Constituição da Venezuela, em que os estudantes tiveram um papel importante na oposição.
    Trata-se de mais uma arma dos EUA, só que não-violenta, para derrubar os governos de oposição.

    Bruno Antônio Rocha Borges – 20074
    Milton Campos – Noite

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