Exportações da América Latina e do Caribe ficaram estagnadas pelo terceiro ano consecutivo e cresceriam somente 0,8% em 2014


15485510421_639dde1905_z

(09 de outubro)

O comércio exterior da América Latina e do Caribe completará três anos de estagnação em 2014, devido a um escasso crescimento das exportações da região e a uma leve queda de suas importações, segundo informou hoje a CEPAL.

O organismo das Nações Unidas divulgou em Santiago, Chile, seu Relatório anual Panorama da Inserção Internacional da América Latina e Caribe 2014, em que projeta que o valor das exportações regionais crescerá em média somente 0,8% este ano, após ter aumentado 23,5% em 2011, 1,6% em 2012 e cair 0,2% em 2013, enquanto que as importações da região cairão 0,6% em 2014, após o aumento de 21,7% em 2011 e 3,0% apresentado em 2012 e em 2013.

O fraco desempenho do comércio exterior regional deve-se principalmente ao baixo dinamismo da demanda externa de alguns de seus principais mercados, em especial a União Europeia, junto com a queda importante no comércio intrarregional. Soma-se a isto, a diminuição nos preços de diversos produtos básicos que a região exporta, principalmente minérios.

O Relatório aponta que as exportações do México e da América Central serão as mais dinâmicas em 2014, com um crescimento de 4,9% em valor em seu conjunto, vinculado ao melhor desempenho dos Estados Unidos, enquanto que as vendas externas do MERCOSUL apresentarão uma queda de 2,3%.

No documento, a CEPAL destaca que a participação dos países da América Latina e do Caribe nas três principais cadeias de valor globais (América do Norte, Europa e Ásia) é escassa. Com exceção do México, a região não se constitui um fornecedor importante de bens intermediários não primários para estas cadeias, nem tem um peso significativo como importador de bens intermediários procedentes dessas regiões do mundo.

A CEPAL enfatiza que a participação nas cadeias de valor internacionais pode acarretar múltiplos benefícios potenciais para o desenvolvimento de um comércio inclusivo, ou seja, um comércio que favoreça o crescimento e a produtividade, que reduza a heterogeneidade estrutural, melhore o bem-estar da maioria (emprego e salários) e reduza a desigualdade.

O Relatório acrescenta que para ampliar as oportunidades de um novo enfoque de comércio,  fundamentado em uma maior articulação inter e intrarregional de cadeias de valor, é indispensável adotar políticas ativas vinculadas ao maior investimento em infraestrutura, em inovação e em ciência e tecnologia, além de políticas de financiamento inclusivo que apoiem as pequenas e médias empresas. Isto permitirá escalar a patamares de maior valor agregado com melhoras na inovação de processos e produtos.

No documento, a CEPAL chama a atenção para fortalecer em particular a integração e a cooperação regionais, já que constituem um caminho essencial para diversificar a estrutura produtiva e exportadora da região.

Ainda que os países da América do Sul e da América Central exportem para a própria região o dobro de produtos do que para os Estados Unidos e para a União Europeia, e oito vezes o número exportado para a China, persiste um baixo nível de comércio para o interior da América Latina e do Caribe, com um reduzido nível de integração produtiva. Em 2013 a participação das exportações da região para os países da mesma área foi de 19%, enquanto que a União Europeia exportou 59% de suas vendas totais para membros do mesmo grupo e para os países de Ásia- Pacífico 50%.

“O mercado regional é fundamental para o desenvolvimento de cadeias de valor na América Latina e no Caribe. O aprofundamento deste mercado constitui uma estratégia indispensável para avançar rumo a uma inserção internacional mais orientada para a mudança estrutural”, enfatizou Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL, ao apresentar o documento.

Para isso, a CEPAL indica a necessidade de reformular as políticas industriais dos países e passar de uma ótica exclusivamente nacional para uma regional ou sub-regional onde se evite o protecionismo no comércio e a concorrência para atrair o investimento estrangeiro mediante “guerras de incentivos”, ao mesmo tempo em que se avance para um mercado regional com regras comuns.

“Melhorar a qualidade da inserção internacional dos países da região é fundamental para avançar rumo a um crescimento sustentável e inclusivo. Isto requer coordenar as políticas industrial e comercial”, destacou Bárcena.

Finalmente, o Relatório faz uma análise das relações intrarregionais e extrarregionais dos países da  Comunidade  do  Caribe (CARICOM),  considerando  como  eixo  central  a  necessidade   de fortalecer a integração regional no âmbito produtivo. De fato, a proporção do comércio intrarregional dos países da CARICOM não supera 15%.

O documento conclui que é necessário enfrentar os obstáculos que dificultam a transformação adequada das estruturas produtivas e de exportação dos países caribenhos.

Fonte: CEPAL

6 respostas em “Exportações da América Latina e do Caribe ficaram estagnadas pelo terceiro ano consecutivo e cresceriam somente 0,8% em 2014

  1. Já neste ano de 2015, a situação na América Latina e no Caribe continua a contar com previsões pouco otimistas em relação ao crescimento econômico. De acordo com as atuais notícias no site da BBC em relação à economia global, a previsão é de que o ano de 2015 será um pouco melhor que os anos anteriores. Mas esta previsão não deve ser tratada como a solução dos problemas econômicos, pois o dinamismo existente anteriormente a 2008 não será recuperado. Devemos considerar também como ponto negativo para a economia da América Latina e Caribe o atual fortalecimento do dólar, que levou à desvalorização das moedas regionais. Quanto às matérias-primas, a clara e forte queda no preço do petróleo afetou bastante a economia latino-americana e o que se espera é que o preço dos minérios não sofra queda tão violenta. Analisando este ponto, os países da América Central, importadores de energia, se beneficiarão quando comparados à America do Sul. Um outro dado determinante que influencia e explica a estagnação das exportações da região em questão é o crescimento desta. Ainda de acordo com o site da BBC, a região da América Central cresceu 3,7% em 2014 enquanto a América do Sul cresceu apenas 0,7%. Sendo assim, a solução para o comércio destas e entre estas regiões é mesmo a promoção da integração. A adoção de políticas voltadas para o maior investimento em infraestrutura, inovação, ciência e tecnologia e políticas de financiamento para apoiar pequenas e médias empresas se faz realmente necessária, pois, dessa forma, a América Latina e o Caribe dependerão menos dos acontecimentos ocorridos mundialmente e serão menos afetados por estes.

  2. Agora no ano de 2015, o Brasil ficará abaixo da média, mas o crescimento econômico da América Latina e do Caribe deve chegar a 2,4%, bem mais do que os 1,3% registrado no ano passado, de acordo com a ONU que constatou do relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2015”.

    No entanto, o contexto internacional continua delicado. A Europa ainda não conseguiu sair da crise. Já a retomada do crescimento nos Estados Unidos, prevista para atingir 2% em 2014, contribuiu para a situação no resto do continente e estimulou as economias da América Latina e Caribe. Além, do envio de dinheiro de latino-americanos que vivem nos Estados Unidos é uma fonte de renda importante nesta região.

    Para que o crescimento econômico da America Latina e Caribe não dependa apenas e necessariamente de outras economias mundiais, é essencial que se reduza a pobreza e a desigualdade, com medidas como a melhoria da qualidade da educação, o aumento da produtividade, a formalização do mercado de trabalho e das empresas, ter grande enfoque na criação de empregos e uma arrecadação tributária maior e mais justa.

    Laura Rocha – 401 diurno.

  3. O que se observa na matéria é a estagnação das economias da América Central e do Sul, uma vez que, a falta de investimento em setores como o de tecnologia reflete no enfraquecimento de seus mercados. Os países que compõem essa região são exportadores de matéria prima e importadores de produtos intermediários (matéria prima processada, com valor de mercado agregado). Portanto, diante de uma situação de crise, como, por exemplo, ocorre na Europa, a economia deixa de crescer, o desemprego aumenta e, consequentemente, os problemas sociais também aumentam. Portanto, o que se evidencia é a necessidade de investimento na indústria e na educação, para que através desse incentivo haja o aumento da produção de produtos intermediários; para que a matéria prima tenha mercado em âmbito regional e interno e para que produtos industrializados tornem-se mais acessíveis à população. Através de incentivos, a livre concorrência será fomentada, empregos serão gerados, mercados serão expandidos, as desigualdades sociais serão reduzidas e a economia dos países voltará a crescer.

  4. A crise em que se encontra a União Européia, a principal importadora mundial, afetou de modo direto os países exportadores da América Latina, como o Brasil. Além disso, países asiáticos como a China, também diminuíram a importação de matéria prima. Com o crescimento da União Européia abaixo de 1%, será muito difícil elevar os níveis do comércio internacional. No terceiro ano consecutivo da queda nas exportações da América Latina, que foi provocado pela baixa dos preços dos produtos básicos, o Brasil foi grande responsável nesta contração, com queda de 6%. Apesar de não ter sido o maior declínio, o Brasil responde por um quinto das vendas totais para fora da região. Dessa forma, uma das alternativas é a venda para vizinhos, que em sua maioria compram manufaturas, que são produtos mais sofisticados que as matérias primas.

  5. O sistema de economia global é o conjunto de todas as situações e circunstâncias que determinam as relações comerciais entre países, o que faz da economia global um resultado do comércio internacional. Comércio internacional, por sua vez, é a transação de bens, serviços e capitais entre os países, ultrapassando fronteiras.
    A economia global possibilita a expansão de mercados e, consequentemente, impulsiona o desenvolvimento econômico, o que proporciona mais empregos e melhoria na distribuição de renda e, desse modo, redução da desigualdade e “crescimento sustentável e inclusivo”, como foi dito no texto. Além disso, há outras vantagens econômicas resultantes que merecem atenção: o incentivo a investimentos estrangeiros, a maior competitividade do mercado, os ganhos de eficiência na economia e o intercâmbio cultural.
    Mas todo esse processo de economia global também gera efeitos negativos, desvantagens, ao provocar a interdependência dos mercados e, por isso, profunda suscetibilidade das economias nacionais às oscilações das economias externas. Uma crise no ambiente internacional, então, provocará perturbações também em economias que dependam fundamentalmente dos mercados afetados de modo direto pela crise, como é o caso da da América Latina e do Caribe retratado no texto, em que suas economias sofreram reflexos negativos resultantes de distúrbios em mercados dos quais são dependentes.

Comente esta notícia!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s