WHY MALI MATTERS

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African Youth Union

WHY MALI MATTERS

Mali’s major mining operations.
Mali is well known as one of Africa’s foremost gold producers (currently ranked 3rd in Africa with expected production to rise to 56 tonnes in 2011, thanks to new producing mines at Kodieran and Gounkoto).
However the next few years should see encouraging performances in the extraction of other mineral resources.
• A new cement factory will the capacity of 1,200,000 tonnes per annum is expected to start work in 2011, as well as a second one to be installed at Hombori.
• Mali will become an iron ore producer for the first time in 2011, with the exploitation of the Tienfala permit.
• Mali also has rich manganese prospects, which are estimated to be 20T (Gao) and are ready to be mined.
• A Malian phosphate producer is aiming at a 200,000 tpa production by 2012 at the Tamaguilelt deposit.
• This year will also see the by the first drilling for oil and gas by a major international E&P company
• Bauxite reserves are estimated at 1.2 million tonnes and could be exploited in the near future
• Mali also has potential for other mineral resources such as lithium, uranium, diamonds, kaolin and gemstones.
At the same time Mali is making efforts to sustainable diversify its mineral resources, with programs aimed to sustainably benefit, its population economy and environment. Some of these projects include: the review and update of the Mining Code, a proposed regional mining school to be built and the establishment of organisations such as la Cellule d’appui a la de decentralisation et a la déconcentration des mines (CADD).
8 – 11 November 2011 Centre International de du Mali
Gold:
Mali:Africa’s third largest gold producer with large scale exploration ongoing
Mali has been famous for its gold since the days of the great Malian empire and the pilgrimage to Mecca of the Emperor Kankou Moussa in
1324, on his caravan he carried more than 8 tonnes of gold! Mali has therefore been traditionally a mining country for over half a millennium.

Mali currently has seven operating gold mines which include: Kalana and Morila in Southern Mali, Yatela, Sadiola and Loulo in Western Mali, and mines which have recently restarted production notably Syama and Tabakoto. Advanced gold exploration projects include: Kofi,
Kodieran, Gounkoto, Komana, Banankoro, Kobada and Nampala.

Uranium:
Encouraging signs and exploration in full swing
Exploration is currently being carried out by several companies with clear indications of deposits of uranium in Mali. Uranium potential is located in the Falea area which covers 150 kmÇ of the Falea- North
Guinea basin, uranium potential in Falea is thought to be 5000
tonnes. The Kidal Project, in the north eastern part of Mali, with an area of 19,930 km2, the project covers a large crystalline geological province known as L’Adrar Des Iforas. Uranium potential in the Samit deposit, Gao region alone is thought to be 200 tonnes.

Diamonds:
Mali has potential to develop its diamond exploration: in the Kayes administrative region (Mining region 1), thirty (30) kimberlitic pipes have been discovered of which eight are show traces of diamonds.
Some eight small diamonds have been picked in the Sikasso administrative region (southern Mali).

Precious stones consist of the following and can be found in:
• Circle of Nioro and Bafoulabe: Garnets and rare magnetic minerals
• Circle of Bougouni and Faleme Basin: Pegmatite minerals
• Le Gourma – garnet and corindons
• L’Adrar des Ilforas – pegmatite and metamorphosing minerals
• Hombori Douentza Zone: quartz and carbonates
Iron Ore and Bauxite Manganese: significant resources present in Mali but still unexploited.
Mali has according to estimates more than 2 million tonnes of potential iron ore reserves located in the areas of Djidian-Kenieba,

Diamou and Bale.
Bauxite reserves are thought to be 1.2 million tonnes located in Kita,
Kenieba and Bafing- Makana. Traces of manganese have been found in Bafing – Makana, Tondibi and Tassiga.

Other mineral resources and potential in Mali
• Calcarous rock deposits: 10 million tonnes est. (Gangotery),
30 million tonnes est. (Astro) and Bah El Heri (Nord de Goundam)
2.2 Million tonnes est.
• Copper: potentialities in Bafing Makan (Western Region) and
Ouatagouna (Northern Region)
• Marble : Selinkegny ( Bafoulabe) 10.6 MT estimated reserves and traces at Madibaya
• Gypsum : Taoudenit (35 MT est.), Indice Kereit ( Nord de Tessalit)
0.37 MT est.
• Kaolin : Potential estimated reserves (1MT) located in Gao
( Northern Region)
• Phosphate: Reserve located at Tamaguilelt, production of
18,000 t/per annum and an estimated potential of 12 million tonnes.
There are four other potential deposits in the North of 10 million tonnes.
• Lead and zinc: Tessalit in the Northern Region (1.7 MT of estimated reserves) and traces in Bafing Makana (Western
Region) and Fafa (Northern Mali)
• Lithium: Indications in Kayes (Western Region) and estimated potential of 4 million tonnes in Bougouni (Southern Region)
• Bitumen schist: Potential estimated at 870 million tonnes, indications found in Agamor and Almoustrat in the Northern Region.
• Lignite: Potential estimated at 1.3 million tonnes, indications found in Bourem (Northern Region)
• Rock Salt: Estimated potential of 53 million tonnes in Taoudenni
( Northern Region)
• Diatomite: Estimated potential of 65 million tonnes in Douna Behri
(Northern Region)
Mali’s Petroleum potential already attracting significant interest from investors
Mali’s Petroential has been documented since the 1970’s
Mali’s mining sector, a rich but unexploited potential

Fonte: https://www.facebook.com/Africanyouthunion/posts/598677556825415 

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ONU alerta sobre situação no Sudão do Sul; Conselho de Segurança deve reforçar missão

Chefe da ONU para os direitos humanos informou que execuções extrajudiciais em massa, ataques com base na etnia e detenções arbitrárias foram documentadas nos últimos dias. Conselho de Segurança se reúne emergencialmente.

A missão da ONU apoia o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) em um dos pontos de distribuição de assistência humanitária, em Bentiu, no Estado de Unity. Foto: UNMISS/Anna Adhikari

A missão da ONU apoia o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) em um dos pontos de distribuição de assistência humanitária, em Bentiu, no Estado de Unity. Foto: UNMISS/Anna Adhikari

A ONU alertou nesta terça-feira (24) alertando sobre a situação de insegurança e de violações graves e crescentes dos direitos humanos no Sudão do Sul. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem dialogado com diversos líderes locais e regionais, além de reforçar a capacidade da missão de paz da ONU no país (UNMISS) para permitir que ela faça o possível para proteger os civis e intensificar os esforços para encontrar uma solução política para a crise.

Segundo as Nações Unidas, Ban Ki-moon já falou com líderes da União Africana, Etiópia, Ruanda, Malauí, Tanzânia, Paquistão, Bangladesh e Nepal.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, expressou grande preocupação também nesta terça-feira (24) diante das graves e crescentes violações de direitos humanos que ocorreram nos últimos 10 dias, chamando a liderança de ambos os lados para proteger os civis e abster-se da incitação da violência étnica.

Pillay disse que execuções extrajudiciais em massa, ataques com base na etnia e detenções arbitrárias foram documentadas nos últimos dias, acrescentando que uma vala comum foi descoberta em Bentiu, no Estado de Unity, com pelo menos dois outros relatos similares em Juba.

Dois assessores especiais da ONU – sobre a Prevenção do Genocídio e sobre a Responsabilidade de Proteger – também expressaram preocupação com o grave risco de uma escalada de violência entre comunidades, observando que os ataques direcionados a civis e funcionários da ONU poderiam constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade.

Eles exortaram todas as partes a agir com moderação e em conformidade com o direito internacional humanitário e os direitos humanos, lembrando a responsabilidade do governo de proteger todos os sul-sudaneses, independente de sua etnia ou filiação política.

O Escritório da ONU Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que cerca de 81 mil pessoas foram deslocadas pela crise no país, mas que o número real é provavelmente maior.

O OCHA afirma que 45 mil pessoas buscaram refúgio em campos administrados pela missão da ONU no país, enquanto o acesso para aqueles que estão fora tem sido limitado devido à insegurança contínua.

O coordenador do OCHA, Toby Lanzer, visitou Bor e disse que 17 mil sul-sudaneses buscaram abrigo na base da ONU. Ele afirmou que os trabalhadores de ajuda humanitária estão sob intensa pressão e que as instalações humanitárias estão sendo saqueadas em várias regiões.

Neste domingo (22), a UNMISS começou a retirar todo o pessoal considerado não essencial de Juba. Eles estão sendo levados para Entebbe, em Uganda. A decisão foi tomada como medida de precaução. A missão, no entanto, está sendo reforçada, inclusive com membros das forças de paz de países da região.

O Ministério do Interior disse que a resposta humanitária para ajudar cerca de 20 mil pessoas deslocadas em duas bases da UNMISS em Juba está ganhando força, com o registro dos civis e a distribuição de alimentos em andamento.

Mais de 2.200 famílias receberam alimentos no domingo (22) e segunda-feira (23), em Juba, enquanto a ajuda alimentar foi distribuído para 7 mil civis abrigados na base da UNMISS em Bentiu no domingo (22).

Líderes religiosos confirmaram que as orações da meia-noite este ano não ocorrerão apenas na véspera de Natal, e sim a todo o momento durante os conflitos. Foto: UNMISS/Irene Scott

Líderes religiosos confirmaram que as orações da meia-noite este ano não ocorrerão apenas na véspera de Natal, e sim a todo o momento durante os conflitos. Foto: UNMISS/Irene Scott

A clínica móvel está operacional e realizou 200 consultas médicas na segunda-feira (23) em uma base da UNMISS em Juba.

As famílias deslocadas em Juba receberam mosquiteiros, cobertores, colchões, sabão e conjuntos de cozinha. Itens adicionais estão sendo pré-posicionados para distribuição nos próximos dias.

Risco para as crianças aumenta com falta de saneamento

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também presta assistência aos civis. A agência está especialmente preocupada com a população do Estado de Jonglei, onde os conflitos se intensificaram.

O Fundo afirmou que a falta de saneamento gera um alto risco para a saúde. As crianças passam o dia sob sol forte e calor intenso e dormem ao relento nas noites frias. Com a ajuda de parceiros, o UNICEF está construindo latrinas e pelo menos 400 ficam prontas nos próximos dias. Equipes de voluntários limpam as áreas a céu aberto, onde as pessoas são obrigadas a fazer suas necessidades.

agência da ONU também ajuda no cadastro das famílias de deslocados, um passo bastante importante para reunir crianças que foram separadas de seus pais durante os confrontos.

Conselho de Segurança deve enviar 5,5 mil soldados ao país
(Da Rádio ONU em português, direto de Nova York)

Em reunião de emergência no fim da tarde desta segunda-feira (23), hora local em Nova York, o Conselho de Segurança avaliou um pedido do secretário-geral da ONU sobre o envio de mais tropas para o Sudão do Sul.

Mais cedo, Ban Ki-moon encaminhou uma carta ao órgão, pedindo reforço para a missão da ONU. Com a piora do conflito inter-comunitário no país mais novo do mundo, 45 mil civis já buscaram abrigo nas bases das Nações Unidas.

Após a reunião de emergência, o embaixador da França, Gérard Araud, que preside o Conselho de Segurança este mês, explicou que o órgão vota na tarde de terça-feira (24) – também horário de Nova York – a resolução que autoriza o envio de mais tropas ao Sudão do Sul.

Se o texto for aprovado, a Missão da ONU vai ganhar o reforço de 5,5 mil soldados de paz. Segundo Araud, os 15 Estados-membros do Conselho receberam de forma positiva a proposta de resolução. Araud destaca que a violência se espalha no país e a situação humanitária está piorando.

Para a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, os relatos da ONU sobre a situação no Sudão do Sul são “perturbadores”, com pelo menos 100 mil pessoas desalojadas. Ela destaca que o Conselho de Segurança pede a todos os lados em conflito na nação africana que protejam os civis, independente de sua condição política ou étnica.

Ouça a matéria da Rádio ONU clicando aqui.

ONU investigará relatos de violações dos direitos humanos
(Da Rádio ONU em português, direto de Nova York)

Ban Ki-moon afirmou na segunda-feira (23) que as Nações Unidas vão investigar os relatos de graves violações dos direitos humanos e de crimes contra a humanidade no Sudão do Sul. Ele fez a afirmação em entrevista a jornalistas na sede da ONU em Nova York. Ban disse estar “muito preocupado” com os assassinatos étnicos no país.

O secretário-geral disse que os responsáveis pelos crimes “vão ser acusados e terão de enfrentar as consequências, mesmo que digam que não tinham conhecimento dos ataques”. Ele reuniu, pela manhã, seus principais assessores para discutir a situação. Participaram da reunião por videoconferência a representante especial da ONU para o Sudão do Sul, Hilde Johnson, e o representante especial da União Africana, Haile Menkerios.

O chefe da ONU declarou que tem pedido de forma consistente ao presidente Salva Kiir e aos líderes da oposição que negociem uma solução política para a crise. Ban disse que qualquer que seja a diferença entre eles, não se justifica a violência que tomou conta do país.

Ele também enviou uma mensagem direta para os sul-sudaneses dizendo que a ONU apoiou o caminho para a independência e continuará ao lado deles nesse momento.

A representante especial do secretário-geral da ONU, Hilde F. Johnson, aproveitou para lembrar o Natal e a mensagem de paz que a data traz. “No meu país, este é o dia de Natal, 24 de dezembro. Em outros países, amanhã é dia de Natal, mas para nós é hoje o dia de Natal. E como sabemos, a mensagem de Natal é a mensagem da paz, e para mim é importante lembrar a todos que, neste momento particular, gostaríamos de exortar os dois líderes, qualquer um que tenha influência na situação atual, bem como todos os cidadãos do Sudão do Sul a contribuir para que este Natal seja um Natal de paz e não de violência.”

Fonte: http://www.onu.org.br/onu-alerta-sobre-situacao-no-sudao-do-sul-conselho-de-seguranca-deve-reforcar-missao/

Brasil levará à ONU denúncias de espionagem massiva dos EUA

Governo deseja lançar em 2015 seu próprio satélite para “proteger povo brasileiro da vigilância norte-americana”

O ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, confirmou nesta quinta-feira (15/08) que o governo brasileiro pode solicitar à ONU (Organização das Nações Unidas) uma investigação em instância internacional sobre as denúncias de espionagem massiva dos EUA na América Latina. Bernardo confirma que país não “está satisfeito” com as explicações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry – que esteve no Brasil nesta semana.

“Não nos convencem até o momento as informações e as explicações que os EUA nos deram. Vamos a algum tribunal internacional, provavelmente alguma instância da ONU. Porque, antes de tudo, consideramos que é (o escândalo de espionagem) um problema mundial”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Paulo Bernardo também confirmou a intenção brasileira de lançar ao espaço em 2015 o seu próprio satélite. O objetivo é tornar-se “independente dos EUA” nesse setor e “proteger a nação da espionagem”. “O Brasil defende uma descentralização: a internet deve ser multilateral”, disse.

As declarações de Bernardo estão circunscritas em um momento importante das relações entre Brasil e EUA. A visita de John Kerry ao Brasil teve como missão cuidar dos últimos detalhes do encontro da presidente Dilma Rouseff com Barack Obama em outubro.

Kerry defende o sistema de espionagem como parte do “sistema de segurança nacional do país”, pedindo, no entanto, diálogo com as autoridades brasileiras para que o programa seja entendido.

“Deixe-me ser transparente com vocês: eu não posso discutir questões operacionais, mas posso dizer que o Congresso (dos EUA) aprovou uma lei depois do 11 de setembro (de 2001), quando fomos atacados pela Al-Qaeda, e começamos um processo de tentar entender (os atentados) antes de nos atacarem”, declarou em uma entrevistas coletiva à imprensa.

Fonte: OperaMundi

 

As aporias do sistema geopolítico mundial na era nuclear

Desde os tratados de Westfália no século XVII que o sistema internacional esteve governado segundo uma peculiar aporia: primeiro, em tese, nada se sobrepõe à soberania dos Estados na relação com os outros Estados; segundo, na prática do direito internacional, a soberania de um Estado está sujeita à violação pela força superior de seus eventuais oponentes na promoção do que definem como seus interesses soberanos. Esse segundo princípio foi formalizado por Clausewitz (“Da Guerra”) pelo enunciado de que a guerra é um instrumento racional dos Estados para a promoção de seus interesses.

O sistema vigorou por 300 anos até a Segunda Guerra Mundial quando, ao fim dela, um novo sistema internacional começou a ser configurado pela explosão da bomba atômica pelos Estados Unidos e, quatro anos depois, pela União Soviética. Já a Guerra Fria indicava que a guerra “quente” não podia ser considerada um instrumento “racional” para uma solução de força dos conflitos de interesse entre potências nucleares. O fim da Guerra Fria, não tendo sido o fim da era nuclear, mas sua dispersão, apenas acentuou esse pressuposto.

O mundo tem hoje cinco potências nucleares plenas e declaradas (com capacidade de lançar mísseis intercontinentais e por submarinos), duas potências nucleares de segunda ordem (Índia e Paquistão), uma potência nuclear encoberta (Israel) e dois candidatos a potência nuclear (Irã e Coreia do Norte). Os demais países não nuclearizados aparentemente se conformam com essa situação, quando menos por temor explícito ou implícito de retaliações econômicas por parte do clube nuclear no âmbito do Tratado de Não Proliferação.

Tal sistema, por mais assimétrico, injusto e instável que pareça, no âmbito das  potências nucleares leva à paz, não à guerra. Na vigência do virtual duopólio de poder da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética teriam ido à guerra (no mínimo naval, mas ninguém sabe como acabaria) em face da crise dos mísseis em Cuba, ou mesmo por motivos ideológicos, não fossem elas potências nucleares. Pelo mesmo motivo a União Soviética não se meteu diretamente na Guerra do Vietnã e os Estados Unidos não se imiscuíram diretamente quando da invasão do Afeganistão pela União Soviética.

Se uma paradoxal estabilidade instável prevaleceu, conforme esses exemplos, no período de extremo conflito ideológico da Guerra Fria, muito maior é a razão para que prevaleçam a partir dela. Enquanto sistemas de Estados soberanos, e não de sistemas sociais conduzidos por ideologias  radicalizantes, não temos mais um bloco ocidental nem um bloco oriental rígidos no campo ideológico: são Estados governados cada um por seus interesses particulares, e em grau maior ou menor controlados por processos democráticos internos, onde dificilmente surgiria um demagogo propagandeando a guerra externa com objetivos políticos internos.

Contudo, nada impede guerras na periferia do clube nuclear conduzidas ou não por potências nucleares, como é o caso das guerras do Afeganistão, do Iraque, da Chechênia, de Óstia do Sul, ou a miríade de guerras civis desde a Síria aos deserdados países africanos. O que não se concebe são guerras diretas entre potências nucleares. A Índia e o Paquistão, que haviam travado três guerras depois da descolonização, só não travaram a quarta, justificada pelo atentado terrorista de Bombai, porque são potências atômicas, mesmo que de segunda linha.

O poder nuclear, portanto, revelou-se que não é para ser usado, mas para ser manobrado como instrumento de pressão e de dissuasão. Esta última se aplica sobretudo às próprias potências nucleares entre si. Nesse caso a guerra já não é mais a continuação da política por outros meios, como em outro enunciado de Clausewitz, mas a política passa a ser o instrumento absolutamente exaustivo das relações internacionais no âmbito de potências nucleares. É uma novidade histórica que requer, certamente, uma também nova filosofia da guerra.

Voltemos a Clausewitz e à parte mais relevante de seu primeiro enunciado:  “a guerra é um instrumento racional dos Estados”. Onde estaria a racionalidade de uma guerra nuclear que se arrisca a generalizar-se? Fora os conceitos dos filósofos que consideram a história um ente em si, movido por forças abstratas impessoais, a guerra, na prática, é uma decisão de governo. Em essência, de elites governamentais que, em algum grau, e sobretudo nas democracias, têm de prestar contas de seus atos ao povo.

Claro, uma guerra nuclear não começa necessariamente como guerra nuclear: pode ser o fim de uma escalada de guerra convencional. Isso, porém, não elimina a dissuasão interna em relação aos atos daqueles que conduzem as decisões políticas: nenhum governante com algum grau de responsabilidade perante o povo iniciaria uma escalada bélica convencional contra outra potência nuclear sabendo que ela não se renderia  ao ponto de entregar-lhe seus arsenais atômicos na hipótese de uma derrota “convencional”.

Isso pode parecer kantiano, e de alguma forma o é. Kant, idealisticamente,  argumentava que a paz perpétua só poderia ser atingida quando todos os países fossem repúblicas, no suposto de que o poder republicano responderia ao povo, não à vontade das elites aristocráticas ou de outra natureza. A questão em tempos de democracia de cidadania ampliada, no que se refere à guerra nuclear, é, pois, essencialmente de informação. Bem informado das consequências catastróficas de uma guerra nuclear, o “povo” há de dissuadir a aventura das elites.

Creio que, no contexto da sociedade de informação, mesmo que elites aventureiras ou demagógicas tenham a sua mão instrumentos clássicos de manipulação da opinião pública, estes são virtualmente inócuos no que diz respeito à guerra nuclear: ninguém a deseja ou justifica emocional ou racionalmente, e o líder que tentasse justificá-la por motivos de honra, de prestígio ou mesmo de interesses econômicos  correria o risco de uma rebelião interna. É que o uso do poder nuclear infunde terror público, independentemente de quem o proponha.

Por certo que podem acontecer guerras convencionais aéreas diretas entre potências nucleares, seguindo algum código de prevenção de uso de poder nuclear. Houve exercícios de guerra nesse sentido durante a Guerra Fria, inclusive por Herman Kahn. Isso, entretanto, é tão racionalmente implausível quanto a própria guerra nuclear. Possibilidades existem, porém, de guerras convencionais indiretas entre potências nucleares em territórios de outros países, como aconteceu de fato no Vietnã e no Afeganistão, mas neste caso envolvendo sobretudo motivos ideológicos. De qualquer modo, isso será discutido adiante.

Uma vez feitas essas ponderações quanto à inviabilidade da guerra nuclear entre potências nucleares, voltemos ao tema realmente crucial das relações internacionais contemporâneas: o uso do poder nuclear como instrumento de pressão contra nações não nucleares. Note-se que não é necessário poder nuclear para subjugar outras nações: basta superioridade em força militar convencional. A novidade é que o poder nuclear constitui um sistema de proteção para aliados militarmente fracos de potências nucleares concorrentes.

O sistema internacional, depois do fim da União Soviética, está assumindo rapidamente uma configuração similar á do século XIX no que diz respeito ao estabelecimento de alianças multipolares e áreas de influência, em diferentes graus de prioridade, em torno dos países nucleares. É uma espécie de contrapartida dialética do processo de globalização das últimas três décadas. Uma diferença é que, ao contrário do sistema de alianças do século XIX que levou a várias guerras, o sistema atual, por causa do poder nuclear, parece tender à paz.

O primeiro indicador desse processo é o cuidadoso respeito a áreas de influência que os países nucleares consideram vitais. Na guerra imposta pela Rússia a Óstia do Sul, considerada vital para Moscou por causa da presença de uma grande população russa no país, alguns dirigentes da direita europeia ensaiaram uma intervenção da OTAN, o que foi fulminantemente abortado pelos Estados Unidos pela óbvia razão de que aquilo representava o risco de um confronto direto com a Rússia, ainda uma potência nuclear de primeira linha.

Os russos, por sua vez, toleraram de má vontade as intervenções da OTAN nas revoluções da Primavera Árabe, já que eram países que de maneira alguma representavam áreas de interesse vital para ela; mas nenhuma potência ocidental se meteu com a guerra civil em curso na Síria, aliada estratégica de russos e chineses, pelo menos por enquanto. Da mesma maneira a França pode jogar sua economia em crise na guerra civil do Mali pois isso não confronta nenhum interesse relevante de outras potências nucleares.

A guerra externa, portanto, está se tornando um instrumento obsoleto da política internacional. Trata-se de efeito direto do poder nuclear. Os Estados Unidos começaram a aprender isso na Coreia e no Vietnã, tiveram um breve gosto de vitória no Iraque, e se enterraram virtualmente no Afeganistão – de onde Obama, com dificuldade, ensaia uma maneira honrosa de dar o fora. Isso não significa que se deve  descartar, de antemão, um surto de guerras externas neocolonialistas sob o escudo nuclear. É apenas improvável.

É nesse contexto que se deve considerar as tentativas da Coreia do Sul e, supostamente, do Irã de ter acesso a tecnologia nuclear bélica. Em termos dos tratados de Westfalia, eles têm todo o direito de construir a bomba. É uma prerrogativa de sua soberania. Contudo, no âmbito desses mesmos tratados, sua vontade pode ser confrontada por um poder militar mais forte. Mas esse poder, ao menos formalmente, está institucionalizado numa instância superior à soberania dos Estados, o Conselho de Segurança da ONU.

Essa instância foi, em termos conceituais, a grande novidade do pós-guerra. Contudo, no ambiente da Guerra Fria, ela se revelou inteiramente ineficaz quando os Estados Unidos empreenderam à margem de decisões do Conselho a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã e outros guerras de menor dimensão (inclusive a extraordinária “conquista” de Granada, uma minúscula ilha-nação do Caribe, pelo Governo Reagan). Também a União Soviética ignorou o Conselho ao se meter, via Cuba, em guerras civis em desenvolvimento na África e no Afeganistão.

No ambiente internacional contemporâneo, a força do Conselho de Segurança reside justamente no seu poder de “congelar” alianças no sentido definido acima. Isso ocorre, porém, de forma contraditória, não por sua capacidade de tomar decisões, mas pelo inverso, ou seja, pela capacidade de veto do seu núcleo permanente. Assim, uma guerra “legitimada” contra a Coreia do Norte ou contra o Irã sob a justificativa de impedir que tenham acesso pleno ao poder nuclear só seria tecnicamente possível com a concordância da Rússia e da China.

Isso não impede, porém, que os Estados Unidos e as demais potências ocidentais, assegurando por via política a neutralidade da Rússia e da China, se decidam a promover  uma outra guerra da Coreia e uma primeira contra o Irã. Os Estados Unidos, apelando ao conceito da segurança mundial, poderiam fazê-lo unilateralmente mesmo sem essa neutralidade sob o estímulo de Israel. Nos dois casos, a questão passa ao nível técnico: qual a viabilidade de guerras contra esses dois países e qual seria seu custo em termos humanos e materiais?

Nos dois casos, entraria em jogo, como justificação subjetiva da guerra, o conceito de ameaça à segurança mundial. E nisso há substanciais diferenças entre Coreia do Norte e Irã. A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo, submetido a uma ditadura familiar,  de cujas relações com a sociedade interna pouco se sabe no ocidente, inclusive quanto ao grau de responsabilidade da elite dirigente em relação aos próprios cidadãos (se, realmente, existe cidadania no país). Diante disso, é controverso falar em responsabilidade internacional.

Evidentemente que, nessas circunstâncias, fazer a guerra à Coreia para desarmá-la preventivamente do poder atômico depende sobretudo de julgamentos subjetivos sobre o comportamento internacional de suas elites. Aqui não se trata de uma questão ideológica, mas de evidências concretas: o que se pode deduzir subjetivamente das ações efetivas da elite dirigente da Coreia do Norte em relação à comunidade internacional, a começar pela Coreia do Sul e o Japão?  E, sobretudo: poderia a Coreia do Norte, dados os precedentes de sua retórica, comportar-se como uma nação suicida?

O terrorismo suicida foi o segundo elemento, junto com o poder nuclear, que introduziu um novo paradigma nas relações internacionais no pós-guerra. A combinação de poder nuclear e terrorismo suicida materializaria uma ameaça real à segurança do mundo. Antes, o poder nuclear apenas podia efetivar-se se houvesse vetores capazes de transportá-lo a longas distâncias por submarinos ou mísseis. Agora, como se viu nos atentados de 11 de setembro, o terrorista vai junto com a bomba. E mesmo uma bomba nuclear “suja” poderia causar estragos catastróficos.

Isso acentua a questão da responsabilidade das elites dirigentes e, também, o efetivo controle delas quanto ao (não) uso de armas nucleares que venham a possuir. A  simples possibilidade de que um Estado ditatorial, como a Coreia do Norte, com sua retórica belicista, venha a disponibilizar tecnologia nuclear “caseira” para grupos terroristas representa óbvios riscos de segurança sobretudo para os Estados Unidos. Assim, é pouco provável que os Estados Unidos deixem de usar seu poder militar para dissuadir a Coreia do Norte de ter a bomba exceto se a Coreia do Norte evoluir para um sistema mais aberto e democrático.

Note-se que em circunstâncias muito mais complexas da Guerra Fria, no confronto com o único poder militar que poderia equiparar-se ao seu, os Estados Unidos praticamente impuseram a “glasnost” à União Soviética como preliminar de tratados mais abrangentes de redução de arsenais nucleares. Agora, confrontando um poder muito menor como a Coreia do Norte, os Estados Unidos certamente empreenderão todos os esforços políticos para se assegurar da neutralidade russa e chinesa em seus esforços para impedir a bomba coreana e, caso não consiga essa neutralidade, tomarão provavelmente uma decisão unilateral.

A questão iraniana é mais complexa. Trata-se de uma república regida por códigos democráticos formais sob autoridade última religiosa. O braço executivo do Governo nega que esteja construindo a bomba. Os aiatolás, o grande conselho moral e político do país, asseguram que a interpretação do Islã veda a busca do poder nuclear. Em termos históricos, algo que o ocidente se nega a reconhecer, o Islã, em suas guerras santas, tinha um protocolo de guerra que vedava o assassinato de mulheres, crianças e camponeses desarmados, assim como a destruição de colheitas – tudo isso incompatível com a arma nuclear.

Nessa mesma época histórica de ascensão do Islã, a Guerra Santa dos cruzados levava ao massacre indiscriminado de crianças, idosos e mulheres na Palestina, ao incêndio de cidades inteiras, à prática de torturas e a toda sorte de crueldades contra presos. No ocidente, sob o patrocínio da Igreja, instituiu-se a Inquisição como forma de controle de consciências pela fogueira, a caça às bruxas, ao terror contra seitas alternativas (cátaros), à conversão forçada de judeus. É claro que, com esses currículos, os islâmicos pareceriam bem mais civilizados e humanos que os ocidentais. Em outras palavras, fariam melhor (não) uso da bomba atômica.

Entretanto, por trás da questão nuclear iraniana está Israel. E Israel, única potência nuclear do Oriente Médio, coloca-se numa posição radical contra o acesso do Irã à bomba, por óbvias razões geopolíticas, e, entre outros motivos, porque a elite dirigente iraniana expressa publicamente a retórica irrealista de que Israel deve ser destruído. A esse respeito, trata-se de uma banalidade demagógica para efeito interno, de péssima repercussão internacional: como disse a então secretária de Estado Hillary Clinton, se o Irã atacar Israel para destruí-lo os Estados Unidos “deletam” o Irã!

Por sua parte, é possível que o Irã não vise mesmo a construir a bomba num primeiro momento, mas, sim, afirmar sua soberania no sentido de poder fazê-la quando quiser, haja vista a capacidade nuclear existente de seu principal inimigo, Israel. O exercício efetivo desse direito implica três situações: primeiro, da inserção efetiva do Irã no sistema de alianças russo-chinês; segundo, como consequência disso, da capacidade norte-americana de convencer politicamente a Rússia e a China a ajudá-los a dissuadir o Irã de fazer a bomba e submeter-se  ao sistema de fiscalização da AIEA; terceiro, em vista do fracasso dessa iniciativa, da vontade norte-americana de submeter-se a pressão de Israel e de fazerem, ambos, uma guerra aérea de destruição das instalações nucleares iranianas.

Essa terceira situação, que remete ao foco principal deste ensaio, coloca complexidades ainda maiores que a questão coreana. As instalações nucleares coreanas são muito mais vulneráveis a um ataque aéreo, inclusive por mísseis, do que as iranianas. Um relatório de um ex-agente de informação vazado na imprensa norte-americana deu conta de que as principais instalações nucleares iranianas estão enterradas a 10 a 12 metros de profundidade e são invulneráveis a ataques aéreos convencionais – ao gosto daqueles feitos por Israel em suas guerras, e inclusive no ataque nos anos 80 a instalações nucleares do Iraque.

Além disso, o poderio antiaéreo iraniano, já considerável tendo em vista anos de preparação para uma eventual guerra, seria, no caso de uma guerra decidida fora do âmbito do Conselho de Segurança, certamente reforçado, em termos materiais e humanos, por russos e chineses, seus supridores de equipamentos bélicos.  Nesse caso, teríamos um confronto convencional de potências nucleares numa guerra aérea em terceiro país. (A invasão por terra, claro, seria fora de propósito em função de perdas humanas dos agressores: Irã não é Iraque.) Até que ponto isso poderia desencadear uma escalada de forma a estabelecer um confronto direto entre as próprias potências nucleares? Não sabemos, mas podemos inferir.

O risco é suficientemente alto para o destino da humanidade para que nos recusemos a especular sobre ele. Portanto, tentemos estabelecer um curso ideal para reduzir o risco. O primeiro passo seria estabelecer, com o concurso de Rússia e China, um processo que leve ao reconhecimento da boa fé dos iranianos quando afirmam que não têm intenção de construir a bomba. Isso chegou a ser iniciado com o concurso de Brasil e Turquia no Governo Lula (irresponsavelmente criticado por parte da grande mídia brasileira, por certo inspirada pela inteligência norte-americana), mas foi recusado, depois de previamente combinado com ele, pelo Governo Obama. Como poderia ser retomada iniciativa similar?

Há uma preliminar concreta: a questão iraniana não pode ser dissociada da questão palestina. Portanto, o primeiro passo caberia aos Estados Unidos no sentido de pressionar Israel a voltar à mesa de negociações. Nesse contexto, seria proposto à elite dirigente iraniana que retirasse de sua retórica a destruição do Estado de Israel. Considerando, por outro lado, que a política interna iraniana em nível de governo é extremamente instável, com diferentes correntes disputando o poder (e a busca da construção da bomba, mais do que seus riscos, acaba sendo objeto de pregação demagógica), seria exigido do Conselho Supremo de aiatolás, o poder supremo efetivo do país, um posicionamento formal dirigido à comunidade internacional de que o país renuncia ao propósito de construção da bomba atômica, preservando seu direito de desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos sujeito à fiscalização da AIEA.

É claro que essa pauta é um exercício idealista. Contudo, é racional. Se se pensou a guerra convencional como instrumento racional de promoção de interesses dos Estados é porque se tratava de racionalização de processos reais. O processo real, como acontece no momento, tem a dimensão contraditória do racional e do irracional: um nos leva à relativa estabilidade nas relações internacionais; outro, ao possível desastre para toda a humanidade. Um segue a um paradigma em construção, instrumentalizado pela negociação e a cooperação entre os povos; outro, ao paradigma clausewitziano do século XIX anterior à existência do poder nuclear. O mundo, por suas elites dirigentes, não terá como deixar de fazer a escolha.

J. Carlos de Assis é eEconomista, professor de Economia e Política Internacional da UEPB, autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus”, ed. Civilização Brasileira.

 

Fonte: RUMOSDOBRASIL

Julian Assange entrevista Moazzam Begg, ex-detento de Guantánamo, e Asim Qureshi, advogado que largou o mundo corporativo para lutar contra os abusos da guerra ao terror

Publicado em 01/11/2012 por 

In partnership with Agência Publica, Investigative journalism center from Brazil – http://www.apublica.org

Desde o início da ofensiva norte-americana, em 2001, na chamada Guerra ao Terror, centenas de prisioneiros foram levados à base de Guantánamo onde permanecem encarcerados sem acusação formal e sem direito à defesa.

O britânico Moazzam Begg, intelectual muçulmano detido sob suspeita de ser integrante da Al-Qaeda, é um deles. Preso em 2002 no Afeganistão, só foi libertado três anos depois, sob muita pressão do Reino Unido. Jamais foi acusado formalmente de terrorismo.

Ao sair de Guantánamo, Begg juntou-se ao advogado Asim Qureshi para fundar a Cagepriosioners, organização que defende o direito ao devido processo legal para prisioneiros detidos na guerra contra o terrorismo.

“O que você tem que entender é que, até onde os muçulmanos sabem, eles estão sob ataque em países ao redor do mundo todo. Há centenas de milhares de pessoas morrendo. E se você olhar o conceito de jihad no contexto atual, ele diz que, como muçulmanos, temos o direito de nos defendermos. Não tem sentido dizer que as pessoas que estão sendo mortas por ocupações, domínios coloniais, racismo, não devem se defender e devem continuar levando tapas, sendo estupradas”, diz Asim Qureshi, em entrevista concedida a Julian Assange durante sua prisão domicliar, no interior da Inglaterrada. Julian pergunta, então, se esta “defesa” significaria resistência militar. “Claro”, responde o advogado, ponderando que as “armas” da Cageprisoners são o lobby e as campanhas.

Para Moazzam Begg, que hoje é um reconhecido defensor de diretios humanos, a grande diferença na guerra ao terror entre as administrações Bush e Obama foi a seguinte: “Eu costumava dizer que Bush era o presidente do governo em que as detenções extrajudiciais estavam acontecendo. Mas o Obama é o presidente do governo em que as mortes extrajudiciais estão acontecendo. Então, Obama prometeu uma mudança, disse que a mudança tinha chegado à América. E é isso: a mudança é de detenções extrajudiciais para mortes extrajudiciais”

Fonte: The World Tomorrow

Menina blogueira baleada pelo Talebã recebe novas ameaças no Paquistão

A menina Malala Yousafzai, de 14 anos, que mantém campanhas pelo direito à educação de garotas e foi baleada na cabeça por militantes do Talebã na terça-feira, voltou a receber ameaças e, segundo o grupo, não será poupada caso sobreviva.

Em entrevista à BBC Urdu, a seção paquistanesa do Serviço Mundial da BBC, Ehsanullah Ehsan, porta-voz dos talebãs, reiterou as ameaças à vida da menina e disse que ela foi alvo do ataque por “promover o secularismo”.

Talebã assumiu autoria do ataque, dizendo que a menina é ‘secular e não poderia ser poupada’

“É uma regra muito clara da Sharia [a lei islâmica] que qualquer mulher, que por qualquer meio tenha um papel na guerra contra os mujahedins [termo pelo qual os militantes são conhecidos], deveria ser morta”, disse Ehsan.

Outras duas estudantes foram feridas no ataque, e uma continua em estado grave.

Malala tornou-se conhecida ainda em 2009, aos 12 anos, quando manteve o blog Diário de uma estudante paquistanesa na BBC Urdu.

Os depoimentos de Malala na época podem ser lidos Cliqueaqui(em inglês).

Na época ela comentava os impactos na comunidade das medidas do Talebã, que naquele ano havia fechado mais de 150 escolas para meninas, e explodido outras cinco na região do vale de Swat.

O clima já era tenso na época e havia uma ameaça constante de que escolas de meninas pudessem ser alvo de ataques. Malala relatava na época que muitas de suas colegas haviam se mudado com suas famílias para cidades maiores como Lahore, Peshawar e Rawalpindi.

“Eu tive um sonho terrível ontem com helicópteros do Exército e o Talebã. Tenho tido esses sonhos desde o início da operação militar em Swat. Minha mãe fez meu café da manhã e eu fui para a escola. Estou com medo de ir à escola porque o Talebã emitiu um alerta banindo todas as meninas de frequentarem as escolas”, dizia um post da garota no dia 3 de janeiro de 2009.

“Na volta da escola para casa, ouvi um homem dizendo ‘eu vou te matar’. Eu acelerei o passo e depois de um tempo olhei para trás para ver se ele ainda me seguia, mas para o meu alívio ele estava falando com alguém no celular e deve ter ameaçado outra pessoa pelo telefone”.

Cirurgia

As novas ameaças do Talebã contra a menina chegam no mesmo dia em que médicos disseram ter retirado a bala da cabeça de Malala. Ela permanece internada, mas permanece estável.

O ataque motivou uma série de protestos nas ruas de várias cidades do Paquistão e o governo deve estudar como garantir a segurança da menina.

Para M Ilyas Khan, analista da BBC em Islamabad, a vida da família jamais será a mesma, e é provável que ela tenha que viver sob proteção policial ou seja forçada a buscar asilo político em outro país.

A menina tornou-se famosa em 2009 por seu desejo inocente mas ainda assim muito corajoso de advogar pelo direito das meninas de estudarem em regiões do Paquistão dominadas pelo Talebã.

Além de chocar o país, o caso pode ter impactos na relação entre governo, parlamentares, e o Talebã.

“A inabilidade do governo de reconstruir [as escolas] juntou-se à sua ambivalência em relação ao Talebã, o que deu espaço aos militantes para levarem a cabo atos de sabotagem com impunidade. A questão é: isso vai mudar a partir de agora?” pergunta-se o analista.

“A tentativa de assassinato contra Malala Yousafzai chocou e irritou a nação. Há relatos do Parlamento sugerindo que um consenso mais amplo contra o Talebã pode estar sendo discutido – algo que os políticos paquistaneses nunca atingiram antes”, acrescenta.

Ataque

A menina foi baleada na terça-feira quando viajava com outras garotas na região do Vale do Swat, parte ultraconservadora do país. Um homem com barba teria atirado em Malala – não está claro se o ataque ocorreu antes de as meninas embarcarem na van ou durante o trajeto.

Ela foi atingida na cabeça e, segundo algumas testemunhas, também no pescoço. Após ser levada para um hospital local, foi transferida por helicóptero para um mais especializado em Peshawar.

Um porta-voz do Talebã confirmou que o grupo é responsável pelo ataque a Malala, sob a justificativa de que a menina é “anti-Talebã e secular, e não poderia ser poupada”.

Consequências

De acordo com a correspondente da BBC, até mesmo para a realidade sangrenta que predomina no Paquistão, o crime provocou fúria no país. O ataque foi condenado pelo premiê Raja Pervez Ashraf, que enviou um helicóptero para transferir Malala para Pashawar.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina.

No entanto, o diretor do Comitê Independente de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que “esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa” envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas.

O crime também foi criticado pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

A campanha articulada de Malala em prol da educação de meninas lhe rendeu admiradores e reconhecimento dentro e fora do país. Ela apareceu em TVs nacionais e internacionais falando de seu sonho de um futuro em que a educação no Paquistão prevalecesse.

Fonte: BBCBrasil

Primeiro-ministro do Mali pede intervenção militar no país em discurso na ONU

27/09/2012 Emerson Penha Correspondente da EBC na África

 Maputo (Moçambique) – Em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o primeiro-ministro do Mali, país africano no Deserto do Saara, pediu a formação de uma força militar multinacional para intervir em seu território. Cheick Modibo Diarra declarou que o Norte do Mali está ocupado por terroristas, traficantes e criminosos de vários tipos. Segundo ele, “só esta ação pode ajudar o exército do país a reconquistar o território e garantir a segurança das pessoas”.

O chefe de governo interino do país assumiu em meio a uma crise política generalizada que se instalou depois de um golpe de estado, em março, que derrubou o presidente Amadou Toumani Touré. A junta militar que liderou o golpe formou um governo às pressas, e Cheick Modiabo Diarra – que era o principal executivo da empresa americana Microsoft na África – pediu demissão de seu trabalho e aceitou participar do gabinete, com a tarefa principal de reorganizar as forças políticas do país e convocar eleições.

Mas a crise política permitiu que rebeldes Tuaregue – nômades do Deserto do Saara – dominassem quase dois terços do país, declarando a independência do Azawad, mesmo sem reconhecimento internacional. No local não há presença do Estado Malinês, e o vácuo de governo permitiu ações bárbaras: bandos saqueiam aldeias, roubam gado e alimentos estocados, torturam, estupram e matam, segundo a UNHCR, entidade da ONU para refugiados.

Além disso, os tuaregues, na maioria ligados a grupos radicais islâmicos, querem impor a Sharia – a lei muçulmana – e perseguem quem não se sujeita. O Departamento de Estado Norte-Americano recentemente denunciou ligações entre esses grupos e a organização terrorista Al Qaeda. Os rebeldes também estariam recebendo apoio de milícias da Líbia, que já teriam cedido a eles armas usadas na recente derrubada do regime de Muammar Khadafi.

As consequências da violência no Mali ultrapassam as fronteiras nacionais. Milhares fogem de suas casas nas regiões de conflito todos os dias. Além de 185 mil pessoas que vagam pelas cidades do país, principalmente na capital Bamako, mais 265 mil, de acordo com a UNHCR, já cruzaram os limites dos países vizinhos, principalmente, da Mauritânia, Argélia, de Níger e Burkina Faso. Nesses países, os malineses vivem em campos de refugiados perto da fronteira, e dependem da insuficiente ajuda de instituições de apoio humanitário ou da caridade de habitantes locais para terem água e comida.

Edição: Aécio Amado

Fonte: Agência Brasil

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