Banco do Brics deverá criar mecanismos de apoio mútuo para emergentes

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27/03/2013 – 9h14

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff ressaltou hoje (27) que a criação do Banco do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul) vai colaborar para o desenvolvimento da região e dos países emergentes. Ela discursou duas vezes nesta quarta-feira, na 5ª Cúpula do  Brics , em Durban, na África do Sul. Segundo Dilma, o banco é um esforço para instituir mecanismos mútuos de apoio.

“É um banco talhado para as nossas necessidades. Temos de estreitar laços e criar mecanismos de apoio mútuos”, destacou a presidenta. “É um mecanismo de estabilidade que pode criar linhas recíprocas de crédito, fortalecendo a solidez do mercado internacional.”

A instituição bancária terá os mesmos moldes do Banco Mundia (Bird). Cada país que integra o Brics deverá destinar US$ 10 bilhões para formar o capital inicial do banco, que deverá chegar a US$ 50 bilhões. O banco centrará as ações no financiamento de infraestrutura e atuará em concorrência direta com o Bird.

A ideia é que a nova instituição bancária seja uma espécie de alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Dilma destacou também a importância de manter uma posição de otimismo, mesmo diante das dificuldades causadas pela crise econômica internacional, que atinge principalmente os 17 países da zona do euro.

“Devemos ter o otimismo e o dinamismo, reiterar a confiança e manter uma atitude contra o pessimismo e a inércia que atingem outras regiões. Vamos responder a essa crise com vigor”, disse a presidenta que também elogiou a criação de um fundo para ajudar os países emergentes.

A proposta é criar um fundo, estimado em US$ 100 bilhões, para ajudar países emergentes com problemas financeiros.

Fonte: 
http://agenciabrasil.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/noticia/2013-03-27/banco-do-brics-devera-criar-mecanismos-de-apoio-mutuo-para-emergentes
 

Brics manifesta preocupação com situação na Síria e risco de ação militar no Irã

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27/03/2013 – 18h36

Da Agência Lusa

Brasília – O bloco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) manifestou hoje (27) preocupação com a deterioração da situação militar e humanitária na Síria e com os riscos de uma escalada militar no Irã.

“Manifestamos profunda inquietação face à deterioração da situação de segurança e humanitária na Síria e condenamos o aumento das violações dos direitos humanos e das leis humanitárias internacionais, na altura em que a violência continua”, disseram os líderes dos cinco países no comunicado final da cúpula de Durban, na África do Sul.

“Apelamos a todas as partes para garantirem a segurança dos que trabalham para agências humanitárias”, diz o texto, que reafirma a oposição à crescente militarização do conflito.

Os países emergentes expressaram também preocupação com o risco de uma escalada militar no Irã, acusado por países ocidentais e por Israel de estar desenvolvendo armas nucleares.

“Cremos que não há alternativa a uma solução negociada para o problema do nuclear no Irã. [...] Estamos preocupados com os riscos de uma ação militar e com sanções unilaterais”, escreveram os líderes no comunicado.

“Reconhecemos o direito do Irã a utilizar energia nuclear com fins pacíficos, no quadro das suas obrigações internacionais, e apoiamos a resolução dos problemas por vias políticas e diplomáticas, pelo diálogo”, disseram o Brics.

Fonte: 
http://agenciabrasil.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/noticia/2013-03-27/brics-manifesta-preocupacao-com-situacao-na-siria-e-risco-de-acao-militar-no-ira

Coletiva BRICS e Viagem à Índia

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Publicado em 22/03/2012
A Embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, Subsecretária-Geral Política II, conversou com a imprensa a respeito da IV Cúpula BRICS, que ocorrerá em Nova Délhi, em 29 de março, e da visita oficial da Presidenta Dilma Rousseff à India, a se realizar no dia 30 de março. Brasília, 22 de março de 2012.

As aporias do sistema geopolítico mundial na era nuclear

Desde os tratados de Westfália no século XVII que o sistema internacional esteve governado segundo uma peculiar aporia: primeiro, em tese, nada se sobrepõe à soberania dos Estados na relação com os outros Estados; segundo, na prática do direito internacional, a soberania de um Estado está sujeita à violação pela força superior de seus eventuais oponentes na promoção do que definem como seus interesses soberanos. Esse segundo princípio foi formalizado por Clausewitz (“Da Guerra”) pelo enunciado de que a guerra é um instrumento racional dos Estados para a promoção de seus interesses.

O sistema vigorou por 300 anos até a Segunda Guerra Mundial quando, ao fim dela, um novo sistema internacional começou a ser configurado pela explosão da bomba atômica pelos Estados Unidos e, quatro anos depois, pela União Soviética. Já a Guerra Fria indicava que a guerra “quente” não podia ser considerada um instrumento “racional” para uma solução de força dos conflitos de interesse entre potências nucleares. O fim da Guerra Fria, não tendo sido o fim da era nuclear, mas sua dispersão, apenas acentuou esse pressuposto.

O mundo tem hoje cinco potências nucleares plenas e declaradas (com capacidade de lançar mísseis intercontinentais e por submarinos), duas potências nucleares de segunda ordem (Índia e Paquistão), uma potência nuclear encoberta (Israel) e dois candidatos a potência nuclear (Irã e Coreia do Norte). Os demais países não nuclearizados aparentemente se conformam com essa situação, quando menos por temor explícito ou implícito de retaliações econômicas por parte do clube nuclear no âmbito do Tratado de Não Proliferação.

Tal sistema, por mais assimétrico, injusto e instável que pareça, no âmbito das  potências nucleares leva à paz, não à guerra. Na vigência do virtual duopólio de poder da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética teriam ido à guerra (no mínimo naval, mas ninguém sabe como acabaria) em face da crise dos mísseis em Cuba, ou mesmo por motivos ideológicos, não fossem elas potências nucleares. Pelo mesmo motivo a União Soviética não se meteu diretamente na Guerra do Vietnã e os Estados Unidos não se imiscuíram diretamente quando da invasão do Afeganistão pela União Soviética.

Se uma paradoxal estabilidade instável prevaleceu, conforme esses exemplos, no período de extremo conflito ideológico da Guerra Fria, muito maior é a razão para que prevaleçam a partir dela. Enquanto sistemas de Estados soberanos, e não de sistemas sociais conduzidos por ideologias  radicalizantes, não temos mais um bloco ocidental nem um bloco oriental rígidos no campo ideológico: são Estados governados cada um por seus interesses particulares, e em grau maior ou menor controlados por processos democráticos internos, onde dificilmente surgiria um demagogo propagandeando a guerra externa com objetivos políticos internos.

Contudo, nada impede guerras na periferia do clube nuclear conduzidas ou não por potências nucleares, como é o caso das guerras do Afeganistão, do Iraque, da Chechênia, de Óstia do Sul, ou a miríade de guerras civis desde a Síria aos deserdados países africanos. O que não se concebe são guerras diretas entre potências nucleares. A Índia e o Paquistão, que haviam travado três guerras depois da descolonização, só não travaram a quarta, justificada pelo atentado terrorista de Bombai, porque são potências atômicas, mesmo que de segunda linha.

O poder nuclear, portanto, revelou-se que não é para ser usado, mas para ser manobrado como instrumento de pressão e de dissuasão. Esta última se aplica sobretudo às próprias potências nucleares entre si. Nesse caso a guerra já não é mais a continuação da política por outros meios, como em outro enunciado de Clausewitz, mas a política passa a ser o instrumento absolutamente exaustivo das relações internacionais no âmbito de potências nucleares. É uma novidade histórica que requer, certamente, uma também nova filosofia da guerra.

Voltemos a Clausewitz e à parte mais relevante de seu primeiro enunciado:  “a guerra é um instrumento racional dos Estados”. Onde estaria a racionalidade de uma guerra nuclear que se arrisca a generalizar-se? Fora os conceitos dos filósofos que consideram a história um ente em si, movido por forças abstratas impessoais, a guerra, na prática, é uma decisão de governo. Em essência, de elites governamentais que, em algum grau, e sobretudo nas democracias, têm de prestar contas de seus atos ao povo.

Claro, uma guerra nuclear não começa necessariamente como guerra nuclear: pode ser o fim de uma escalada de guerra convencional. Isso, porém, não elimina a dissuasão interna em relação aos atos daqueles que conduzem as decisões políticas: nenhum governante com algum grau de responsabilidade perante o povo iniciaria uma escalada bélica convencional contra outra potência nuclear sabendo que ela não se renderia  ao ponto de entregar-lhe seus arsenais atômicos na hipótese de uma derrota “convencional”.

Isso pode parecer kantiano, e de alguma forma o é. Kant, idealisticamente,  argumentava que a paz perpétua só poderia ser atingida quando todos os países fossem repúblicas, no suposto de que o poder republicano responderia ao povo, não à vontade das elites aristocráticas ou de outra natureza. A questão em tempos de democracia de cidadania ampliada, no que se refere à guerra nuclear, é, pois, essencialmente de informação. Bem informado das consequências catastróficas de uma guerra nuclear, o “povo” há de dissuadir a aventura das elites.

Creio que, no contexto da sociedade de informação, mesmo que elites aventureiras ou demagógicas tenham a sua mão instrumentos clássicos de manipulação da opinião pública, estes são virtualmente inócuos no que diz respeito à guerra nuclear: ninguém a deseja ou justifica emocional ou racionalmente, e o líder que tentasse justificá-la por motivos de honra, de prestígio ou mesmo de interesses econômicos  correria o risco de uma rebelião interna. É que o uso do poder nuclear infunde terror público, independentemente de quem o proponha.

Por certo que podem acontecer guerras convencionais aéreas diretas entre potências nucleares, seguindo algum código de prevenção de uso de poder nuclear. Houve exercícios de guerra nesse sentido durante a Guerra Fria, inclusive por Herman Kahn. Isso, entretanto, é tão racionalmente implausível quanto a própria guerra nuclear. Possibilidades existem, porém, de guerras convencionais indiretas entre potências nucleares em territórios de outros países, como aconteceu de fato no Vietnã e no Afeganistão, mas neste caso envolvendo sobretudo motivos ideológicos. De qualquer modo, isso será discutido adiante.

Uma vez feitas essas ponderações quanto à inviabilidade da guerra nuclear entre potências nucleares, voltemos ao tema realmente crucial das relações internacionais contemporâneas: o uso do poder nuclear como instrumento de pressão contra nações não nucleares. Note-se que não é necessário poder nuclear para subjugar outras nações: basta superioridade em força militar convencional. A novidade é que o poder nuclear constitui um sistema de proteção para aliados militarmente fracos de potências nucleares concorrentes.

O sistema internacional, depois do fim da União Soviética, está assumindo rapidamente uma configuração similar á do século XIX no que diz respeito ao estabelecimento de alianças multipolares e áreas de influência, em diferentes graus de prioridade, em torno dos países nucleares. É uma espécie de contrapartida dialética do processo de globalização das últimas três décadas. Uma diferença é que, ao contrário do sistema de alianças do século XIX que levou a várias guerras, o sistema atual, por causa do poder nuclear, parece tender à paz.

O primeiro indicador desse processo é o cuidadoso respeito a áreas de influência que os países nucleares consideram vitais. Na guerra imposta pela Rússia a Óstia do Sul, considerada vital para Moscou por causa da presença de uma grande população russa no país, alguns dirigentes da direita europeia ensaiaram uma intervenção da OTAN, o que foi fulminantemente abortado pelos Estados Unidos pela óbvia razão de que aquilo representava o risco de um confronto direto com a Rússia, ainda uma potência nuclear de primeira linha.

Os russos, por sua vez, toleraram de má vontade as intervenções da OTAN nas revoluções da Primavera Árabe, já que eram países que de maneira alguma representavam áreas de interesse vital para ela; mas nenhuma potência ocidental se meteu com a guerra civil em curso na Síria, aliada estratégica de russos e chineses, pelo menos por enquanto. Da mesma maneira a França pode jogar sua economia em crise na guerra civil do Mali pois isso não confronta nenhum interesse relevante de outras potências nucleares.

A guerra externa, portanto, está se tornando um instrumento obsoleto da política internacional. Trata-se de efeito direto do poder nuclear. Os Estados Unidos começaram a aprender isso na Coreia e no Vietnã, tiveram um breve gosto de vitória no Iraque, e se enterraram virtualmente no Afeganistão – de onde Obama, com dificuldade, ensaia uma maneira honrosa de dar o fora. Isso não significa que se deve  descartar, de antemão, um surto de guerras externas neocolonialistas sob o escudo nuclear. É apenas improvável.

É nesse contexto que se deve considerar as tentativas da Coreia do Sul e, supostamente, do Irã de ter acesso a tecnologia nuclear bélica. Em termos dos tratados de Westfalia, eles têm todo o direito de construir a bomba. É uma prerrogativa de sua soberania. Contudo, no âmbito desses mesmos tratados, sua vontade pode ser confrontada por um poder militar mais forte. Mas esse poder, ao menos formalmente, está institucionalizado numa instância superior à soberania dos Estados, o Conselho de Segurança da ONU.

Essa instância foi, em termos conceituais, a grande novidade do pós-guerra. Contudo, no ambiente da Guerra Fria, ela se revelou inteiramente ineficaz quando os Estados Unidos empreenderam à margem de decisões do Conselho a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã e outros guerras de menor dimensão (inclusive a extraordinária “conquista” de Granada, uma minúscula ilha-nação do Caribe, pelo Governo Reagan). Também a União Soviética ignorou o Conselho ao se meter, via Cuba, em guerras civis em desenvolvimento na África e no Afeganistão.

No ambiente internacional contemporâneo, a força do Conselho de Segurança reside justamente no seu poder de “congelar” alianças no sentido definido acima. Isso ocorre, porém, de forma contraditória, não por sua capacidade de tomar decisões, mas pelo inverso, ou seja, pela capacidade de veto do seu núcleo permanente. Assim, uma guerra “legitimada” contra a Coreia do Norte ou contra o Irã sob a justificativa de impedir que tenham acesso pleno ao poder nuclear só seria tecnicamente possível com a concordância da Rússia e da China.

Isso não impede, porém, que os Estados Unidos e as demais potências ocidentais, assegurando por via política a neutralidade da Rússia e da China, se decidam a promover  uma outra guerra da Coreia e uma primeira contra o Irã. Os Estados Unidos, apelando ao conceito da segurança mundial, poderiam fazê-lo unilateralmente mesmo sem essa neutralidade sob o estímulo de Israel. Nos dois casos, a questão passa ao nível técnico: qual a viabilidade de guerras contra esses dois países e qual seria seu custo em termos humanos e materiais?

Nos dois casos, entraria em jogo, como justificação subjetiva da guerra, o conceito de ameaça à segurança mundial. E nisso há substanciais diferenças entre Coreia do Norte e Irã. A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo, submetido a uma ditadura familiar,  de cujas relações com a sociedade interna pouco se sabe no ocidente, inclusive quanto ao grau de responsabilidade da elite dirigente em relação aos próprios cidadãos (se, realmente, existe cidadania no país). Diante disso, é controverso falar em responsabilidade internacional.

Evidentemente que, nessas circunstâncias, fazer a guerra à Coreia para desarmá-la preventivamente do poder atômico depende sobretudo de julgamentos subjetivos sobre o comportamento internacional de suas elites. Aqui não se trata de uma questão ideológica, mas de evidências concretas: o que se pode deduzir subjetivamente das ações efetivas da elite dirigente da Coreia do Norte em relação à comunidade internacional, a começar pela Coreia do Sul e o Japão?  E, sobretudo: poderia a Coreia do Norte, dados os precedentes de sua retórica, comportar-se como uma nação suicida?

O terrorismo suicida foi o segundo elemento, junto com o poder nuclear, que introduziu um novo paradigma nas relações internacionais no pós-guerra. A combinação de poder nuclear e terrorismo suicida materializaria uma ameaça real à segurança do mundo. Antes, o poder nuclear apenas podia efetivar-se se houvesse vetores capazes de transportá-lo a longas distâncias por submarinos ou mísseis. Agora, como se viu nos atentados de 11 de setembro, o terrorista vai junto com a bomba. E mesmo uma bomba nuclear “suja” poderia causar estragos catastróficos.

Isso acentua a questão da responsabilidade das elites dirigentes e, também, o efetivo controle delas quanto ao (não) uso de armas nucleares que venham a possuir. A  simples possibilidade de que um Estado ditatorial, como a Coreia do Norte, com sua retórica belicista, venha a disponibilizar tecnologia nuclear “caseira” para grupos terroristas representa óbvios riscos de segurança sobretudo para os Estados Unidos. Assim, é pouco provável que os Estados Unidos deixem de usar seu poder militar para dissuadir a Coreia do Norte de ter a bomba exceto se a Coreia do Norte evoluir para um sistema mais aberto e democrático.

Note-se que em circunstâncias muito mais complexas da Guerra Fria, no confronto com o único poder militar que poderia equiparar-se ao seu, os Estados Unidos praticamente impuseram a “glasnost” à União Soviética como preliminar de tratados mais abrangentes de redução de arsenais nucleares. Agora, confrontando um poder muito menor como a Coreia do Norte, os Estados Unidos certamente empreenderão todos os esforços políticos para se assegurar da neutralidade russa e chinesa em seus esforços para impedir a bomba coreana e, caso não consiga essa neutralidade, tomarão provavelmente uma decisão unilateral.

A questão iraniana é mais complexa. Trata-se de uma república regida por códigos democráticos formais sob autoridade última religiosa. O braço executivo do Governo nega que esteja construindo a bomba. Os aiatolás, o grande conselho moral e político do país, asseguram que a interpretação do Islã veda a busca do poder nuclear. Em termos históricos, algo que o ocidente se nega a reconhecer, o Islã, em suas guerras santas, tinha um protocolo de guerra que vedava o assassinato de mulheres, crianças e camponeses desarmados, assim como a destruição de colheitas – tudo isso incompatível com a arma nuclear.

Nessa mesma época histórica de ascensão do Islã, a Guerra Santa dos cruzados levava ao massacre indiscriminado de crianças, idosos e mulheres na Palestina, ao incêndio de cidades inteiras, à prática de torturas e a toda sorte de crueldades contra presos. No ocidente, sob o patrocínio da Igreja, instituiu-se a Inquisição como forma de controle de consciências pela fogueira, a caça às bruxas, ao terror contra seitas alternativas (cátaros), à conversão forçada de judeus. É claro que, com esses currículos, os islâmicos pareceriam bem mais civilizados e humanos que os ocidentais. Em outras palavras, fariam melhor (não) uso da bomba atômica.

Entretanto, por trás da questão nuclear iraniana está Israel. E Israel, única potência nuclear do Oriente Médio, coloca-se numa posição radical contra o acesso do Irã à bomba, por óbvias razões geopolíticas, e, entre outros motivos, porque a elite dirigente iraniana expressa publicamente a retórica irrealista de que Israel deve ser destruído. A esse respeito, trata-se de uma banalidade demagógica para efeito interno, de péssima repercussão internacional: como disse a então secretária de Estado Hillary Clinton, se o Irã atacar Israel para destruí-lo os Estados Unidos “deletam” o Irã!

Por sua parte, é possível que o Irã não vise mesmo a construir a bomba num primeiro momento, mas, sim, afirmar sua soberania no sentido de poder fazê-la quando quiser, haja vista a capacidade nuclear existente de seu principal inimigo, Israel. O exercício efetivo desse direito implica três situações: primeiro, da inserção efetiva do Irã no sistema de alianças russo-chinês; segundo, como consequência disso, da capacidade norte-americana de convencer politicamente a Rússia e a China a ajudá-los a dissuadir o Irã de fazer a bomba e submeter-se  ao sistema de fiscalização da AIEA; terceiro, em vista do fracasso dessa iniciativa, da vontade norte-americana de submeter-se a pressão de Israel e de fazerem, ambos, uma guerra aérea de destruição das instalações nucleares iranianas.

Essa terceira situação, que remete ao foco principal deste ensaio, coloca complexidades ainda maiores que a questão coreana. As instalações nucleares coreanas são muito mais vulneráveis a um ataque aéreo, inclusive por mísseis, do que as iranianas. Um relatório de um ex-agente de informação vazado na imprensa norte-americana deu conta de que as principais instalações nucleares iranianas estão enterradas a 10 a 12 metros de profundidade e são invulneráveis a ataques aéreos convencionais – ao gosto daqueles feitos por Israel em suas guerras, e inclusive no ataque nos anos 80 a instalações nucleares do Iraque.

Além disso, o poderio antiaéreo iraniano, já considerável tendo em vista anos de preparação para uma eventual guerra, seria, no caso de uma guerra decidida fora do âmbito do Conselho de Segurança, certamente reforçado, em termos materiais e humanos, por russos e chineses, seus supridores de equipamentos bélicos.  Nesse caso, teríamos um confronto convencional de potências nucleares numa guerra aérea em terceiro país. (A invasão por terra, claro, seria fora de propósito em função de perdas humanas dos agressores: Irã não é Iraque.) Até que ponto isso poderia desencadear uma escalada de forma a estabelecer um confronto direto entre as próprias potências nucleares? Não sabemos, mas podemos inferir.

O risco é suficientemente alto para o destino da humanidade para que nos recusemos a especular sobre ele. Portanto, tentemos estabelecer um curso ideal para reduzir o risco. O primeiro passo seria estabelecer, com o concurso de Rússia e China, um processo que leve ao reconhecimento da boa fé dos iranianos quando afirmam que não têm intenção de construir a bomba. Isso chegou a ser iniciado com o concurso de Brasil e Turquia no Governo Lula (irresponsavelmente criticado por parte da grande mídia brasileira, por certo inspirada pela inteligência norte-americana), mas foi recusado, depois de previamente combinado com ele, pelo Governo Obama. Como poderia ser retomada iniciativa similar?

Há uma preliminar concreta: a questão iraniana não pode ser dissociada da questão palestina. Portanto, o primeiro passo caberia aos Estados Unidos no sentido de pressionar Israel a voltar à mesa de negociações. Nesse contexto, seria proposto à elite dirigente iraniana que retirasse de sua retórica a destruição do Estado de Israel. Considerando, por outro lado, que a política interna iraniana em nível de governo é extremamente instável, com diferentes correntes disputando o poder (e a busca da construção da bomba, mais do que seus riscos, acaba sendo objeto de pregação demagógica), seria exigido do Conselho Supremo de aiatolás, o poder supremo efetivo do país, um posicionamento formal dirigido à comunidade internacional de que o país renuncia ao propósito de construção da bomba atômica, preservando seu direito de desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos sujeito à fiscalização da AIEA.

É claro que essa pauta é um exercício idealista. Contudo, é racional. Se se pensou a guerra convencional como instrumento racional de promoção de interesses dos Estados é porque se tratava de racionalização de processos reais. O processo real, como acontece no momento, tem a dimensão contraditória do racional e do irracional: um nos leva à relativa estabilidade nas relações internacionais; outro, ao possível desastre para toda a humanidade. Um segue a um paradigma em construção, instrumentalizado pela negociação e a cooperação entre os povos; outro, ao paradigma clausewitziano do século XIX anterior à existência do poder nuclear. O mundo, por suas elites dirigentes, não terá como deixar de fazer a escolha.

J. Carlos de Assis é eEconomista, professor de Economia e Política Internacional da UEPB, autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus”, ed. Civilização Brasileira.

 

Fonte: RUMOSDOBRASIL

Rússia convida oposição síria para reunião e pressiona Al Assad para fim do conflito

Ministro de Relações Exteriores Serguei Lavrov se reunirá com emissário da ONU para debater formação de governo de transição

Em mais um passo que pode ser considerado um afastamento gradativo do alinhamento da Rússia com o governo da Síria, Mikhail Bogdanov, um dos vice-ministros de Relações Exteriores russo, enviou nesta sexta-feira (28/12) um convite ao líder da Coalizão Nacional Síria, Moaz el Jatib, para participar em negociações sobre uma solução para o conflito sírio.

O representante do governo russo afirmou que o encontro pode acontecer em Moscou ou fora da Rússia, em cidades como Genebra, na Suíça ou Cairo, no Egito. Segundo Bogdanov, Jatib recebeu a proposta.

O convite ocorre um dia após o encontro entre o chanceler Serguei Lavrov com seu colega sírio, Faisal Makhdad. Lavrov afirmou que estimula o governo sírio a dialogar com as forças de oposição para solucionar o confronto armado que devasta o país há 22 meses e causou mais de 40 mil mortes.

O ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov (à direita), abre mais espaço para diálogo com a oposição síria

Na reunião, alertou sobre a necessidade urgente de finalizar o conflito. “Estimulamos ativamente, como fazemos há meses, o regime sírio a fazer o que for possível para concretizar as intenções de dialogar com a oposição”, declarou o chanceler durante entrevista coletiva.

Mais cedo, em uma entrevista à agência de notícias russa Interfax, Lavrov chamou o impasse sírio de “caos sangrento” e advertiu que uma solução pacífica deve ser tomada urgentemente. Para ele, quanto mais tempo durar o conflito no país, mais grave se tornará a situação para todo o mundo.

O ministro das Relações Exteriores russo acredita que as chances de se chegar a uma decisão sobre o conflito até o dia 30 de junho, quando acontecerá uma reunião do grupo de ação sobre a Síria em Genebra, na Suíça, são mínimas. No encontro previsto para o meio do ano que vem, deverá ser criado um documento sobre o passos para a criação de um eventual governo de transição na Síria.

“Mas a possibilidade ainda existe e é preciso lutar por isso”, afirmou sem se pronunciar sobre uma possível saída do poder do presidente Bashar al Assad. A saída da família Assad no poder é a única pré-condição imposta pelos rebeldes para o fim dos conflitos.

O emissário internacional da ONU e da Liga Árabe para a crise na Síria, Lakhdar Brahimi, chegará no sábado a Moscou. Segundo Lavrov, essa reunião permitirá “uma visão de conjunto com pontos de vista das duas partes”. Brahimi está em Damasco desde o início da semana, onde se reuniu com Al Assad, fez contatos com a oposição e propôs um novo governo de transição até a realização de novas eleições.

“É necessário formar um governo que tenha poderes plenos. Ou seja, um governo que realmente assumirá o poder durante o período de transição. Este período transitório terminará com as eleições que poderão ser presidenciais, caso haja um acordo para conservar o regime presidencial atual, ou parlamentar, caso este acordo estabeleça uma mudança para o regime parlamentar”, disse Brahimi à imprensa nesta quinta-feira (27).

Desde o início do conflito, a Rússia bloqueou, ao lado da China, todos os projetos de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenavam o regime de Al Assad e abriam caminho para a aplicação de sanções ou, inclusive, o recurso da força. Ao lado do Irã, é considerada a principal aliada ne Al Assad na comunidade internacional. Recentemente, começou a dar declarações mais favoráveis à oposição, chegando a dizer que o conflito armado “não terá vencedores”.

Fonte: OperaMundi

Bashar al-Assad estaria buscando asilo na América Latina

Notícia foi divulgada por jornal israelense e confirmada por veículo da Venezuela

Bashar al-Asad, presidente de Siria. Foto. AFP

O jornal Haaretz, de Israel, divulgou que o Presidente da Síria, Bashar al-Assad, estaria procurando asilo político na América Latina para ele próprio, para os seus parentes e para os seus aliados políticos. De acordo a publicação, o Vice-Chanceler sírio, Faisal al-Miqdad, já teria apresentado cartas pessoais do líder para os governantes de Cuba, Venezuela e Equador.

Analistas internacionais atribuem a decisão do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de deixar o seu país a diversos fatores, como o aumento da pressão internacional diante de uma suposta movimentação de armas químicas do governo sírio, assim como uma possível sinalização da Rússia de que as suas posições poderão ser reavaliadas em relação à Síria e ainda à intensa violência que ocorre em Damasco e em outras cidades do país.

Por sua vez, o jornal venezuelano El Universal confirmou a entrega de uma carta de Bashar al-Assad ao Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na quarta-feira, 28 de novembro, antes dele viajar para Cuba, onde está fazendo tratamento contra o câncer. Hugo Chávez tem sido um grande apoiador de Assad desde o início do conflito, mas a sua posição diante do pedido de asilo do líder sírio não se tornou pública até o início desta semana.

Na quarta-feira, 5, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sugeriu não ser a favor de um acordo para o asilo de Bashar al-Assad como forma de colocar um fim à guerra civil síria. “Quem comete violações de direitos humanos deve ser responsabilizado e levado à Justiça. Isto é um princípio fundamental dos direitos humanos.”

O jornal The New York Times e o analista político russo Fyodor Lukianov informaram na terça-feira, 4, que Bashar al-Assad já se considerava um homem política e fisicamente morto. Ele acredita que poderá ser morto por membros do próprio governo, se deixar o país, ou por grupos de oposição, se ficar.

Fonte: DiariodaRussia

Os Brics e o rompimento da unipolaridade

A demanda pela democratização da governança mundial e pelo fortalecimento do sistema multilateral por meio de maior participação dos países que representam potências médias é uma proposta do PT há muito tempo. A articulação entre vários desses países em torno de interesses comuns começou a ser trabalhada pelo governo Lula em iniciativas como o Ibas (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul), o G-20 na OMC, o G-20 financeiro e, desde 2009, anualmente nas Cúpulas de Chefes de Estado do Brasil, Rússia, Índia e China, países aos quais se somou a África do Sul em 2011, formando o agrupamento Brics.

A sigla Bric foi utilizada pelo economista norte americano Jim O’Neill em artigo escrito em 2001 ao se referir a quatro economias emergentes não filiadas à OCDE, Brasil, Rússia, Índia e China. Sua transformação em um agrupamento internacional se deu inicialmente em torno do potencial econômico que poderia representar. De fato, em 2002 o comércio intra Brics que em 2002 era de apenas US$ 27 bilhões, no final de 2011 já  era dez vezes maior. Do Brasil com esses países, era da ordem de US$ 10 bilhões em 2003 e em 2011 fechou em US$ 96 bilhões.

Entretanto, a China responde por quase 80% desses valores. Por isso, na visita oficial que a presidenta Dilma fez à Índia às vésperas da IV Cúpula do Brics em Nova Délhi, foi acertada a intenção de elevar as transações entre os dois países dos atuais US$ 9,2 bilhões para US$ 15 bilhões em 2015.

Esta Cúpula de Chefes de Estado, intitulada “Parceria para a Estabilidade Global, Segurança e Prosperidade”, realizada em 29 de março, teve um caráter inusitado. Além de tratar de temas econômicos, adotou posições em torno de assuntos como segurança e governabilidade mundial. Do ponto de vista do realismo político, isso faz muito sentido, pois o território dos Brics cobre 26% do planeta, detém 43% da população e 46% da força de trabalho do mundo. A previsão é que o bloco responda em 2012 por 56% do crescimento econômico mundial.

A possibilidade de coordenação de posições sobre a política mundial se fortaleceu a partir de 2011, quando os cinco países compartilharam mandatos no Conselho de Segurança da ONU, no qual apenas China e Rússia são membros permanentes com poder de veto. Neste encontro, o debate girou em torno de Líbia, Síria e Irã, que estavam e continuam sendo pressionados pelos países membros da Otan, A Declaração Final da IV Cúpula reitera a postura favorável à construção da paz no Oriente Médio e à busca da solução para os conflitos na Síria e no Afeganistão, bem como para as controvérsias do programa nuclear iraniano por meios pacíficos.

O documento também tece críticas à excessiva liquidez e volatilidade de capital promovida pelos Bancos Centrais dos países desenvolvidos, que, em vez de contribuir para sua recuperação econômica, tem provocado instabilidade monetária nos demais, como vem ocorrendo de modo mais intenso na África do Sul e no Brasil. Diante dessa questão, os Brics se propuseram a intervir coordenadamente na próxima reunião do G-20 financeiro, agendada para junho, no México, além de reivindicar maior velocidade na mudança do sistema de cotas do FMI e do Banco Mundial acordada em 2010. Em relação ao pedido do FMI para os Brics lhe aportarem maiores recursos, sua posição foi que esse aporte depende de maior confiança na eficiência do fundo, vinculada, por sua vez, à ampliação do poder de decisão dos países em desenvolvimento na instituição.

Outra decisão importante foi criar um grupo de trabalho intergovernamental para avaliar e propor a constituição de um Banco de Desenvolvimento dos Brics. O grupo deverá reportar a respeito do tema na V Cúpula, em 2013, na África do Sul.

Nesse momento de incertezas e insegurança geradas pela crise econômica nos países centrais com profundos desdobramentos sociais e políticos, o agrupamento Brics tem papel importante, embora nunca se deva esquecer que é um conjunto de países muito distintos. Grosso modo, situam-se em quatro continentes diferentes, três deles – Rússia, Índia e China – possuem armas atômicas e os dois primeiros são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O sistema político e os interesses individuais também se diferenciam. Dessa forma, no caso do Brasil, é importante combinar essa articulação com outras iniciativas como a Unasul e, principalmente, o Fórum Ibas, que se encontra muito avançado tematicamente, possuindo inclusive um fundo para cooperação com terceiros países, como a Palestina e o Haiti.

Fonte: Teoria e Debate

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Rússia entra oficialmente para Organização Mundial do Comércio

MOSCOU (AFP) – A Rússia se tornou nesta quarta-feira 22 oficialmente o 156º membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), após 18 anos de difíceis negociações, com a esperança de modernizar sua economia, apesar das advertências de muitos sobre o preço social da adesão.

O diretor geral da OMC, Pascal Lamy, destaca em um comunicado que a “viagem” da Rússia foi “longa” e que a adesão “reforçará, sem dúvida nenhuma, o sistema de comércio multilateral”.

Na média, a Rússia vai aplicar taxas de importação de 7,8% e assumiu um compromisso específico em 11 setores de serviços, afirma o comunicado.

A Rússia, a última grande potência que estava fora da OMC, conseguiu em dezembro a aprovação dos países membros da organização para a adesão.

A Comissão Europeia elogiou nesta quarta-feira a adesão russa, que considerou “particularmente importante para a União Europeia (UE)”. O país é o terceiro sócio comercial do bloco, que por sua vez é a principal parceira comercial de Moscou. “A Rússia se tornou um membro de direito pleno da OMC. É uma forma perfeita para estimular o desenvolvimento da economia e a competitividade”, escreveu no Twitter o ex-ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, uma figura respeitada internacionalmente.

“A adesão deve garantir a estabilidade do comércio exterior, a redução das barreiras alfandegárias e administrativas, além da possibilidade de participar na elaboração das regras de cooperação internacional”, declarou ao jornal oficial Rossiiskaya Gazeta o principal negociador da entrada do país na OMC, Maxime Medvedkov.

“Os riscos são a queda das taxas de importação, a limitação das formas de apoio do Estado a alguns setores e, como consequência, o aumento da competitividade dos produtos estrangeiros”, admitiu.

Os críticos do projeto, em particular os deputados comunistas, alertam que a redução das taxas de importação fará com que os produtos estrangeiros inundem o mercado de produtos baratos, o que representará a morte de muitas indústrias herdadas da época soviética. O próprio presidente Vladimir Putin advertiu várias vezes sobre o preço a pagar pela adesão.

Mas a crise econômica mundial, que afetou duramente a Rússia acabou convencendo Moscou das vantagens de uma adesão.

Nenhum país negociou por tanto tempo como a Rússia para entrar na OMC: Moscou apresentou a candidatura em 1993, mas o processo foi interrompido diversas vezes, em particular depois da guerra relâmpago de 2008 contra a Geórgia, membro da organização que bloqueou as negociações. O recorde anterior era da China, que em 2001 entrou para a organização depois de 15 anos de conversas.

Fonte: Carta Capital

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A Guerra civil síria e a rivalidade entre as grandes potências

Sami Ramadani: The US and allied regional powers pushed early militarization of struggle as outside powers try to control outcome of Syrian revolution

Transcript

PAUL JAY, SENIOR EDITOR, TRNN: Welcome to The Real News Network. I’m Paul Jay in Baltimore.

The civil war in Syria has been one of the more difficult stories for The Real News to cover. We don’t have anyone on the ground there who we think is doing reliable reporting—not to say reporters aren’t finding slivers or pieces of the truth, but not an overall view of it. It’s very difficult to get analysis and takes on Syria that aren’t propagandistic for one side or the other.

What we know is you have the brutal and repressive Assad regime opposed by popular opinion throughout Syria, but not all of Syria, and opposed by outside forces, including the brutal and repressive Saudi regime and Qatari regime, and, of course, all within the geopolitical strategic aims of the United States vying with Russia and other outside powers, including Turkey and others. It’s a very complicated situation.

So to some extent at The Real News we kind of haven’t been doing much, because we’d rather do nothing than just add to the noise and the propaganda. But today we make another attempt to try to understand the balance of forces, who’s fighting, and where things are.

So now joining us from London is Sami Ramadani. He’s a senior lecturer in sociology at the London Metropolitan University and was a political refugee from Saddam’s regime in Iraq. He’s a frequent contributor to The Guardian newspaper and many other publications. And he now joins us from London. Thanks for joining us, Sami.

SAMI RAMADANI, SOCIOLOGY SENIOR LECTURER, LONDON METROPOLITAN UNIVERSITY: You’re welcome.

JAY: So let’s start with sort of a big overview. Who makes up the opposition? What are they fighting for? And let’s kick off from there.

RAMADANI: I think it’s a very good starting point, because the opposition as such does not exist as a unified body. And opposition forces exist, and there is a very wide-ranging variety of opposition forces in Syria. Some have been opposing the regime for decades. Some are more newcomers in the last few years. In terms of those forces which have been active on the ground for many decades, you could divide them broadly into three categories.

The Muslim Brotherhood is one force. They’ve been in Syria for decades—underground organization, fairly strong, perhaps the best-organized opposition force in Syria—not necessarily the most popular, but the best-organized.

There is a force which is, if you like, in the middle between these three political, broad opposition groups. The one in the middle are democratic forces who want elections, who want better economic stability in the country and so on.

And there is a more left-of-center and left-wing and socialist type opposition. This has also been going on for many decades.

All these opposition forces have—especially those on the left and the Muslim Brotherhood, have been the subject of regime repression, successive Syrian governments and so on.

Now, more recently, especially after the uprisings in Tunisia, followed by Egypt, opposition to the Syrian regime spread to the streets. There were demonstrations, protest marches, and so on demanding reform, demanding democratic changes in the country. They’re fighting against corruption, because the Syrian regime is also—at least lower down, is a very corrupt regime. Those who make enormous amounts of capital and money are also linked to the regime. The richest strata in society are linked to the regime. So there is a certain degree of corruption that people have been opposed to.

Also, high levels of unemployment played a factor.

Another important factor: that in recent years the Syrian government started privatizing large sectors of the economy. These measures were quite unpopular. It created new multimillionaires, while ordinary people’s living standards started dipping.

So a whole host of issues gathered or congregated, and you had the protest movement growing.

Now, the initial response of the regime was brutal. It was in Daraa, a town near the Jordanian border. This only inflamed the situation, and there were more demonstrations across Syria. Significantly, Damascus and Aleppo, Syria’s two most important cities [snip] a lot of the popular support for the regime, or at least most of the population is not strongly opposed to the regime. This will acquire enormous significance later on and to the armed conflict that is going on inside the country.

Now, within the opposition forces, there immediately appeared a force which was heavily publicized by Al Jazeera television and Al Arabiya television. Al Jazeera television is owned by the Qatar royal family, and Al Arabiya satellite television is owned by the Saudi royal family members, some of the Saudi royal family members. And these two stations immediately started not only transmitting video of demonstrations, but interviewing certain political figures, both sitting in London and Paris especially, and from Cairo and other cities, and later on from Turkey and Istanbul and Ankara so on.

Some of these opposition figures were immediately talking about overthrowing the regime while the street was calling for reform, for radical reform and radical changes and so on.

Now, you could see immediately there is a divergence. Important former regime figures also threw their weight in, particularly somebody called Abdul Halim Khaddam, who was Syria’s deputy prime minister under Assad’s regime, Assad the father. And somebody called Rifaat al-Assad, part of the Assad family, he also fled Syria. A big multibillionaire, he joined forces with the Saudis and so on, and for many years he’s been trying to regain power in Syria.

All these figures, plus prominent people from within the Muslim Brotherhood, started calling for the overthrow of the regime in a much more pronounced way.

JAY: So this divergence you’re talking about had a lot to do with the question of militarization of the opposition, and there was quite a division over that. And if I understand it correctly, a large part of the opposition, in the early stages at least, inside Syria, didn’t want to militarize, and a lot of the pressure for militarizing the opposition came from outside Syria. So if that’s true, pick up how that developed.

RAMADANI: Yes. Incidents started appearing when popular demonstrations—some snipers started appearing, and there they started engineering clashes with the security forces, not the army, because the army wasn’t involved at that stage. And there was one major incident that, if you like, gave a pretext for the regime, but also was clearly designed to militarize the opposition. And that incident was the Jisr al-Shughur incident, where about 110 Syrian soldiers were entrapped and slaughtered and buried in a communal burial ground. That incident happened in March last year, March, April last year.

JAY: And do we know who was responsible for that?

RAMADANI: And there was video footage showing that Turkey was encouraging that incident. They were trying to have as many refugees leave Syria to go to Turkey. Turkey had already established refugee camps along the Turkey-Syrian borders before the incident.

JAY: And what is Turkey’s interest in this? Why would they do that?

RAMADANI: Turkey, as it transpired, became very hostile to the Syria regime—a complete shift in policy. Remember that Turkey was also very close to Muammar Gaddafi’s regime in Libya. They were doing very good commercial deals with Gaddafi, thank you very much. But once the balance of forces shifted in Libya, Turkey switched sides and started backing some of the Muslim Brotherhood type forces amongst the opposition in Libya and called for the overthrow of the Gaddafi regime.

A shift in Turkey’s policy is very significant for the region. Turkey over the last few years built friendly relations with Iran, with Hamas, the Palestinian resistance movement, and with the Syrian regime it developed very close links. Turkey decided to agree to installing the antiballistic missile umbrella in Turkey. Before that, they objected to such installation. This started souring relations with Iran. When it came to the demonstrations inside Syria, gradually Turkey took the side of those who want to militarize the conflict.

Turkey, there is a lot of analysis now as to Turkey’s new role. Obviously they became much closer to U.S. policy in the region. And they patched up their problems with Israel. Remember, Israel and Turkey had a problem over the Gaza Strip, and the Turkish ship that tried to take food to Gaza was interrupted, intercepted by Israeli forces; eight Turkish citizens were killed; and so on. But this was patched up.

Together with the missile deal with the United States and some European promises to have Turkey join the European Union, to lift the veto on their membership by Germany, and probably France as well, Turkey shifted its policies.

They have problems now with Iran, and they developed problems against Syria. They have ambitions in Syria. They do occupy the İskenderun region, which is part of—historically part of Syria. They also fear the Kurdish national minority inside Syria, because the Kurdish national minority inside Syria has links with the Kurdish democratic rights movement and on Kurdish movement inside Turkey. This is a conflict that has been going on for decades. Some 20,000 Kurdish people were killed by the Turkish Armed Forces over so many decades.

JAY: So what you’re saying is this push from the outside for militarization is really driven by Turkey and Saudi Arabia and Qatar. To some extent it seemed to me, at least in the early stages, they were even more out front than the Americans were, at least in terms of public statements coming from American military leaders. They seem much more ambivalent on whether arms should be given to the opposition, where the Saudis and Qataris and, I hear from what you’re saying, the Turks, they were full speed ahead on this.

RAMADANI: My own take on this is that there are some differences within the U.S. administration as to what to do exactly in Syria. But in the meantime, I think they were pushing—the United States was pushing the Saudis and the Qataris and the Turks to give active support to the armed factions within Syria [snip] very close alliance the United States has with some political forces inside Lebanon. These became very active within Syria. A lot of the arms smuggling were happening not only through Turkey, but through the Lebanese port/border areas where these pro-U.S. and even some forces that are close to Israel within Lebanon are very active in terms of smuggling arms into Syria. Also, from the Kurdish regions of Iraq (these also border with Syria), some arms smuggling started occurring there, and that region is controlled by a Kurdish leader called Barzani, who is a very close ally of the United States.

So all these very close U.S. allies—Saudis, Qataris, Turkey, Lebanese forces, Kurdish forces in Iraq, some al-Sahawa forces in Iraq, which were established by General Petraeus when he was commander in Iraq, commander of U.S. forces in Iraq, also became supportive of the Syrian armed opposition and some al-Qaeda and former al-Qaeda. Forces started arriving from Libya to Turkey to enter Syria. So all these very close U.S. allies were being encouraged, it seemed, by the United States, while in public the United States says, no, I’m not going to arm the opposition

Fonte: The Real News Network