Gilberto Maringoni: Por que é tão difícil se chegar a acordos internacionais?

Diretrizes a serem aprovadas na Rio+20 se baseiam na construção de consensos entre os países participantes. Parece algo democrático, mas não é. Ao contornar diferenças e arestas, os consensos se mostram inócuos e dão margem a que os mais fortes imponham suas vontades sobre os demais.

Rio de Janeiro – Após meses de negociações, foi finalmente acordado por consenso o documento base a ser ratificado pelos chefes de Estado reunidos na Rio+20. Tem 49 páginas e deixou para trás inúmeros pontos polêmicos sobre prazos, restrições, normas de conduta e penalidades para os que não aderirem ao pacto ambiental a ser firmado na capital carioca.

Em outras palavras, ao que tudo indica, o fato positivo reside no fato em si de existir um documento. Sua construção é vaga o suficiente para contornar arestas, evitar conflitos, contentar a todos e – por conseguinte – ser inócuo.

É raro serem aprovados acordos entre Estados soberanos que escapem ao senso comum. As dificuldades estão não apenas nas visões e enfoques de governos de diversas orientações. Os limites de tais tratados residem também na maior ou menor capacidade desses Estados exercerem sua soberania interna. Ou seja, um tratado internacional, a princípio, não pode violar o poder público de cada país.

Consensos e dissensos


O método de aprovação de documentos como o rascunho da Rio+20 parte de um princípio que parece democrático, mas não é. Trata-se da ideia de se “construir consensos”.

Democracia não é consenso. Democracia é conflito e decisão de maioria, desde a Grécia antiga. A decorrência da adoção de tal primado é a subordinação da minoria à maioria, respeitando direitos de manifestação de todos. É algo imperfeito, mas até agora não se encontrou maneira mais racional de se tomarem decisões coletivas.
O consenso, ao contrário, é antidemocrático e ineficiente.
É antidemocrático por ter como meta a eliminação das diferenças. A diversidade passa a ser vista não como valor a ser preservado, mas como fator nocivo ao entendimento.
O consenso pode ser obtido de duas maneiras. A primeira é através da supremacia ou da hegemonia de um ou mais membros de determinado coletivo. Assim se deu na assinatura do Consenso de Washigton, em 1989. Nada havia de democrático ali. Os Estados Unidos, valendo-se de seu poder econômico – potencializado pelo fato de serem os emissores da moeda internacional – e das pressões que é capaz de exercer em todas as esferas das relações internacionais, impuseram um duro receituário aos países da periferia.

A outra forma de se obter consensos reside em se chegar a diretrizes desidratadas de quaisquer ímpetos transformadores, que podem ser aceitos por todos. Não produzem, em geral, efeito algum.

Os pontos de conflito são excluídos de qualquer entendimento coletivo. Um único agente tem a prerrogativa de discordar de uma posição majoritária e inviabilizar um pacto comum. Além disso, temas que ficarem de fora do acertado podem ser encaminhados livremente por qualquer um, sem que tal ação seja vista como desrespeito à maioria. O consenso é contra votação ou deliberação democrática.

Anarquia internacional


O sistema internacional não é democrático. Faltam regras e normas disciplinadoras. Vigora a anarquia, que não quer dizer bagunça, mas ausência de governo.

Assim, quaisquer deliberações entre Estados, tomadas no âmbito da Organização das Nações Unidas ou de grupos de países como o G-20, G-77, OMC, União Europeia, Mercosul e outros não têm força de algo que se assemelhe à lei ou normas legais. O que se firma são acordos, tratados, protocolos e pactos específicos.
As sanções possíveis para países que desrespeitem partes ou o todo de tais contratos não estão escritas em nenhuma regra geral, pois inexiste uma Constituição Universal. As penalidades se inscrevem no corpo dos próprios acertos.

Em casos como a OMC, o país que não seguir orientações acordadas pode se ver excluído dos fluxos internacionais de transações da própria organização. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é apenas isso, uma declaração.

O fator determinante a estabelecer punições é a hierarquia entre países, um eufemismo para designar a correlação de forças internacional. As invasões de países como Afeganistão, Iraque e Líbia não obedeceram quaisquer contratos internacionais, mas a lei do mais forte ou a recorrente lógica imperial.

Racionalidade e previsibilidade


A criação de organismos multilaterais ao longo das últimas décadas – ONU à frente – faz parte de esforços para se dotar as relações internacionais de um mínimo de racionalidade e previsibilidade. A ONU, como se sabe, é fruto da correlação de forças existente na arena mundial ao fim da II Guerra Mundial.

O poder maior estava com os Estados Unidos, que legitimaram a constituição de um Conselho de Segurança, composto atualmente por 15 países, cinco deles (EUA, Inglaterra, França, Rússia e China) com poder de veto sobre decisões de maioria.

Interferências no mercado


Nesse quadro é que se balizam as tentativas de se produzirem acordos na Rio+20. Diretrizes sobre o aquecimento global, a emissão de gases, a proteção ecológica implicam o estabelecimento de limites para agressões ao meio ambiente e mudanças em padrões de produção e consumo.

A prioridade dada ao transporte individual, por exemplo, entra em choque direto com políticas de mobilidade urbana eficientes e não poluentes. Regras desse tipo interferem na economia de mercado, acarretando custos e restrições à busca incessante de lucros por parte das grandes corporações mundiais. Há fortes oposições a alternativas como essas.

É possível chegarmos a uma situação em que os interesses das maiorias prevaleçam sobre os das minorias econômicas? Sim, é. Mas sua materialização dependerá não apenas da construção de uma nova correlação de forças internacional, mas especialmente em saber que vários interesses serão prejudicados.

Decisões assim não serão fruto de consensos. Serão resultado de uma dura batalha democrática para saber quem pagará a conta da proteção ambiental.

Fonte: CartaMaior

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Integração da mulher é essencial para o desenvolvimento sustentável, diz Chefe da ONU Mulheres

A Diretora Executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, recomendou hoje no Riocentro a maior participação feminina na sociedade, indústria, comércio e principalmente política mundial, são essenciais para atingir o verdadeiro desenvolvimento sustentável da humanidade. Falando à imprensa a apenas três dias da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Bachelet disse que o caminho até que a mulher receba a consideração almejada permanece longo.

“Há avanços, mas a mulher ainda está longe na maioria dos países de participar da sociedade no mesmo pé de igualdade que os homens”, disse Bachelet. Ela disse que para haver desenvolvimento sustentável, é essencial que os governos incluam programas ativos de inclusão da mulher em todas as áreas: comercial, social, de saúde, política, educacional e nas ciências e pesquisa, entre tantas outras.

“Mulheres e crianças continuam excluídas”

Bachelet dividiu o pódio com Gro Harlem Brundtland, ex-Primeira Ministra da Noruega e atual representante do Secretário Geral para mudanças climáticas, considerada uma das maiores lideranças do mundo ambiental. Autora do relatório ‘ Nosso Futuro Comum’ no final da década de 1980, Brundtland antecipou com o documento a agenda da Rio-92 – a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED – sigla em inglês) – realizada no Rio em 1992.

“Nos últimos anos venho estudando tudo o que se passou desde de 1992 e o que me vem mais à cabeça são as meninas e mulheres, que continuam em sua maioria excluídas de participar da sociedade mundial”, disse Brundtland. “Principalmente, é essencial que o mundo respeite o direito da mulher em determinar quantos filhos quer ter e como quer controlar o seu corpo, isso é o primeiro passo em determinar a paridade social dos gêneros”, analisou.

Médica, Brundtland foi também diretora executiva da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nascida em 1939, a geração de Brundtland abriu frentes inusitadas no mundo da política escandinava, conquistando espaços e direitos nos países nórdicos até então considerados impossíveis – como a igualdade de direitos na educação e na economia, simultaneamente ao direito universal de cuidar da família sem sofrer penalidades econômicas e profissionais.

Fonte: ONU Brasil

Rio+20: Proposta final deve excluir criação do fundo financeiro para desenvolvimento sustentável

Rio de Janeiro – Sem acordo, o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) deve excluir a possibilidade de criação de um fundo para a sustentabilidade a partir de 2013. A exclusão é analisada pelos negociadores como vitória dos países ricos, liderados pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela Austrália e pelo Japão, que se opunham à proposta. O rascunho do texto tem 56 páginas. O documento inicial continha 80 páginas.

Pela proposta em discussão sobre a criação do fundo, defendida pelo Brasil e por vários países em desenvolvimento, a meta era que as nações assumissem o compromisso de instituir um mecanismo de financiamento, começando com US$ 30 bilhões a partir de 2013, até chegar a US$ 100 bilhões em 2018, com o objetivo de garantir instrumentos para o desenvolvimento sustentável.

No entanto, a proposta não foi adiante porque, liderados pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela Austrália e pelo Japão, representantes de várias delegações alegaram que o momento econômico e político atual é desfavorável ao debate sobre elevação de recursos. O desconforto, segundo os negociadores, tem diferentes motivações, como os impactos da crise econômica internacional e as disputas políticas internas – os Estados Unidos em campanha eleitoral, por exemplo.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, justificou a redução de páginas como sendo resultado da “compilação de propostas” consensuais. O secretário executivo da delegação do Brasil na Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, acrescentou que foram retiradas repetições e duplicações.

Porém, negociadores que acompanham os debates reiteraram que o rascunho, que circula hoje (16) nas salas do Riocentro, local que concentra as discussões políticas, será menos específico do que o desejado pelos representantes dos países em desenvolvimento e mais amplo, como defendiam as delegações dos países ricos.

O segundo capítulo do texto preliminar será dedicado aos compromissos políticos. Patriota disse que será a reafirmação das metas fixadas há duas décadas, na Rio92. Segundo ele, neste capítulo estarão as responsabilidades comuns e diferenciadas. Na prática, essa parte do texto refere-se ao que países desenvolvidos e em desenvolvimento devem assumir como objetivos em áreas distintas, inclusive mudanças climáticas.

Apesar de haver um texto preliminar já pronto, o chanceler disse que as negociações prosseguirão, pois há várias pendências que ainda dificultam um acordo geral. De acordo com ele, os negociadores intensificarão as reuniões até a noite de segunda-feira (18). O chanceler acrescentou ainda que a expectativa é construir um documento final próximo de um consenso total antes do dia 19.

Fonte: Agência Brasil

Dilma e Médici?

Certa vez, li um artigo de jornal no qual o autor comparava a política externa do presidente Lula com a de Ernesto Geisel (1974-1979). Essa comparação não extrapola muito a realidade. Geisel, que pertencia ao grupo dos castelistas, é associado internamente à abertura “lenta, gradual e segura” da ditadura militar. Nesse período o AI-5 foi extinto, militares foram exonerados em decorrência do assassinato do jornalista Vladimir Herzog na prisão – fato que recentente foi novamente trazido à tona por investigações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Por outro lado, no âmbito da política externa, o governo Geisel representa o chamado “pragmatismo responsável e ecumênico”. Foi nesse período que o Brasil rompeu definitivamente seu alinhamento automático e incondicional com os Estados Unidos – que tanto marcou governos anteriores como o de Castelo Branco – e buscou se aproximar de países da Ásia, da África e do Oriente Médio. As relações com a China comunista foram reatadas, bem como foi reconhecido o governo do MPLA em Angola, a despeito de sua orientação marxista. Geisel foi o maior defensor do universalismo em política externa, algo que em muito o aproxima da recente política externa do governo Lula, a qual teve como eixos fundamentais a diversificação de parcerias e a aproximação com a África e a Ásia. O lema da política externa de Geisel era este: “negócios são negócios” (nós não nos importamos com a sua orientação ideológica), frase inclusive repetida por Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores de Lula. Dizem até que Geisel votou em Lula para presidente em 1994, para citar outro fato curioso!

Isso me fez pensar no seguinte, se podemos comparar o governo de Lula com o de Geisel, com quem poderíamos comparar o governo de Dilma Rousseff? Ao assistir ao seu recente discurso no Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas, infelizmente me parece que a política externa de Dilma em muito se assemelha à do general Emílio Médici (1969-1974).

Em 1972, ano em que Médici se encontrava no poder, foi realizada em Estocolmo a Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente. O Brasil passava pelo chamado “milagre brasileiro” e crescia a taxas médias de 12% ao ano. Era também uma das fases de maior repressão da ditadura brasileira, na qual o crescimento econômico e o mito do Brasil-potência eram alguns dos pilares fundamentais de legitimação do regime – além, é claro, da bossa nova e do futebol. No âmbito externo, isso se refletiu na chamada “diplomacia do interesse nacional”.

A “diplomacia do interesse nacional” era a face externa do mito Brasil-potência, se consubstanciava na busca de uma maior parcela de poder mundial, a ponto do presidente Nixon dos Estados Unidos afirmar “para onde vai o Brasil, irá o resto da América Latina”. Na prática, significou o apoio a golpes militares em países vizinhos em nome do “combate ao comunismo”, o recuo do posicionamento brasileiro na inserção terceiro-mundista, na afirmação de sua identidade como um país em desenvolvimento, bem como a busca de mercados para a exportação de seus produtos manufaturados e semi-manufaturados.

Na área ambiental, como na Conferência de Estocolmo de 1972, isso significou a resistência a qualquer proposta que pudesse acarretar em restrições ao desenvolvimento econômico. O argumento ambientalista foi visto como mais uma forma de congelamento do poder mundial adicional ao já existente Tratado de Não-Proliferação Nuclear de 1968. Na Conferência, o Brasil pregou, portanto, o argumento da soberania absoluta, segundo o qual os países em desenvolvimento não poderiam abrir mão de seu crescimento econômico em nome da conservação do meio ambiente, uma vez que o mesmo não fora feito no passado pelos países desenvolvidos. As resistências do Brasil na Conferência de Estocolmo de 1972 foram tamanhas que o próprio Secretário-Geral da Conferência, Maurice Strong, chegou a afirmar: “Quando me tornei Secretário-Geral da Conferência [...] havia um forte movimento por parte dos países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil, de boicotar a Conferência.”

O chefe da delegação brasileira, João Augusto de Araújo Castro, criticava as posições ambientalistas dos países desenvolvidos, supostamente fantasiosas e irrealistas, e dizia: “É evidente que não poderíamos aceitar a resurreição, em pleno século XX, da teoria do selvagem feliz, de Rousseau, que deu sabor e colorido a todo o romantismo francês”. Dilma Rousseff reproduz no vídeo acima a mesma ideia do suposto idealismo ingênuo do discurso ambientalista, que seria “etéreo ou fantasioso”, e afirma: “Temos até uma missão mais difícil [na conferência], que é propor um novo paradigma de crescimento que não pareça fantasioso. Ninguém aceita discutir a fantasia. Ela [a Rio+20] não tem espaço para fantasia. Eu não falo da utopia, falo da fantasia. Tenho que explicar como comer, ter acesso a água e como vão ter acesso a energia”. Era de se esperar que o governo de Dilma Rousseff – que, enquanto ocorria a Conferência de Estocolmo em 1972, ainda era uma prisioneira política – reproduzisse um discurso sobre o meio ambiente diferente daquele mesmo regime que a encarcerou, mas infelizmente muitas semelhanças podem ser encontradas no discurso de ambos governos.

Apesar de tratar-se de dois governos radicalmente diferentes, percebe-se o mesmo velho discurso da “diplomacia do interesse nacional” de Médici sob outra roupagem. A diferença é que enquanto Médici fundamentava o mito do Brasil-potência no tri-campeonato de futebol, Dilma o fundamenta na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

Não é somente nos discursos que podemos reconhecer a semelhança entre o governo Dilma e o governo Médici. Ela também pode ser percebida, por exemplo, nas relações de ambos com órgãos internacionais de proteção aos direitos humanos. Da mesma forma que Médici vetou a visita ao Brasil da CIDH, que investigava o assassinato de Olavo Hansen pelo DOPS, o governo Dilma boicotou a audiência da CIDH que investigava o caso de Belo Monte e, ao mesmo tempo, cortou o repasse de verbas à OEA. Ambas as ações dos dois governos foram justificadas pelo mesmo argumento: o princípio da não ingerência em assuntos internos. Mas, na prática, trata-se da recusa de ambos os governos a ter que prestar contas a investigações internacionais que possam prejudicar seus projetos de desenvolvimento nacional, mesmo a despeito do Brasil ser um signatário do Pacto de San José de Costa Rica e ter se submetido à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O mesmo general Médici que assinava o acordo da hidrelétrica de Itaipu com o Paraguai em 1973 – em nome do desenvolvimento nacional – e condecorava o ditador paraguaio Alfredo Stroessner, em muito se assemelha com a Dilma Rousseff que passa por cima de tudo e de todos a fim de levar a cabo o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. É gritante a semelhança do discurso do atual governo com os discursos de Médici sobre a região norte do Brasil, nos quais o general afirmava a necessidade de construção de infra-estrutura para facilitar a exploração minerária na região e atender à demanda energética a fim de possibilitar o povoamento, a superação da pobreza e, nas suas palavras, “fazer andar o relógio amazônico, que muito se atrasou ou ficou parado no passado”. Cabe notar que foi justamente no governo Médici que se iniciou a construção da BR-210 (Rodovia Perimetral Norte), devido à descoberta de minério na região, que foi diretamente responsável pelo genocídio do povo Ianomami e pelas conseqüentes mortes em massa devido às doenças trazidas e a deterioração de seus modos de vida tradicionais (ver Caso Yanomami, Decisão nº 7615 de 1985 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos).

Isso é um exemplo do tipo de tragédia que pode ocorrer quando se tenta levar a cabo um projeto de desenvolvimento sem diálogo popular, sem levar em conta as possíveis consequências futuras. Ações como a de construção da usina de Belo Monte podem minar os meios de vida tradicionais da população local, impossibilitar as atividades econômicas que praticavam, além de culminar na falta de alimentos, migrações em massa e na miséria. Às vésperas da Rio+20, é inaceitável que a esquerda brasileira seja assim tão impermeável ao discurso ambiental, classificando-o como uma “fantasia” – mesmo que seja em nome do desenvolvimento econômico e da distribuição de renda. Isso se assemelha ao discurso que o neoliberalismo sempre adotou em relação às reivindicações altermundistas: “fantasia, impossível, não há outra alternativa”. Não podemos aceitar um discurso de desenvolvimento a qualquer custo de um governo que se supõe ser um governo popular, pois proteger o meio ambiente é, em última instância, proteger os próprios seres humanos.

Dilma convida integrantes do Brics para a Rio+20

Em Nova Delhi, na Índia, a presidenta Dilma Rousseff convidou hoje (29) os presidentes dos países que compõem o Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para que participem da Conferência Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro. Entusiasmada, ela disse que a Rio+20 será uma “oportunidade única” para debater crescimento econômico com desenvolvimento sustentável.

“[Durante a Rio+20], haverá uma visão inclusiva e completa que exige um desenvolvimento de todos os países”, disse Dilma, lembrando que o desenvolvimento sustentável é a base para o crescimento econômico que incluem o combate à pobreza e a melhoria da qualidade de vida no mundo. Ela destaca que serão firmados compromissos econômicos, sociais e ambientais nas discussões.

Nos debates da Rio+20, a presidenta deverá enfatizar como alternativa mundial, o desenvolvimento da economia verde por meio de incentivos à melhoria da qualidade de vida das populações, erradicando a pobreza e estimulando a sustentabilidade. Ela defende que as alternativas sejam associadas aos programas de transferência de renda, como os adotados no Brasil, e aos números positivos da economia nacional.

No discurso hoje, a presidenta lembrou que as reuniões das autoridades ocorrerão de 20 a 23 de junho, no Rio. Porém, a conferência começará no dia 13, quando estarão presentes os especialistas e técnicos. O convite de Dilma foi dirigido aos presidentes Dmitri Medvedev (Rússia), Hu Jintao (China) e Jacob Zuma (África do Sul), além do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, no encerramento da 4ª Cúpula do Brics, em Nova Delhi.

A expectativa dos organizadores da Rio+20 é que pelo menos 100 presidentes da República e primeiros-ministros participem da conferência, além de 50 mil credenciados. A Rio+20 ocorre duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92.

Na Rio+20, deve ser definido um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com o foco na melhoria da qualidade de vida a partir da erradicação da pobreza, por meio de programas sociais, a economia verde e o desenvolvimento sustentável para uma governança mundial.

A conferência conta com o apoio e o comando da Organização das Nações Unidas (ONU) tanto é que o secretário-geral do evento é o diplomata chinês Sha Zukang. Porém, a presidenta da conferência é Dilma Rousseff.

Fonte: Agência Brasil

Universidade de Coimbra faz reunião sobre futuro da Amazônia

Universidade de Coimbra

Unesco e Universidade de Coimbra, de Portugal, realizam encontro onde pretendem pressionar a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, a debater matérias relacionadas com o futuro da floresta.

Especialistas internacionais reúnem-se, esta terça e quarta-feiras, na Universidade de Coimbra, em Portugal, para alertar para as questões científicas e políticas que envolvem a preservação da Amazônia.

O encontro “As Lutas pela Amazônia no Início do Milênio” é uma iniciativa da Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, da Fundação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do Brasil e da Universidade de Coimbra.

Futuro Amazônia

A conferência pretende promover o debate sobre o futuro da floresta tropical num momento em que está em preparação final a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, prevista para Junho na cidade do Rio de Janeiro.

Os organizadores do encontro na Universidade de Coimbra ambicionam colocar o futuro da Amazônia na agenda da Conferência Rio+20 e promover uma reunião de alto nível paralela à conferência onde se confrontem os compromissos saídos do Rio com as prioridades da Amazônia.

Ameaças

A nota que apresenta a conferência de Coimbra justifica o encontro com os vários desafios com que a Amazônia se debate como o processo de globalização, o desenvolvimento das telecomunicações e o mercado do conhecimento.

Uma das questões para que se procurará resposta tem a ver com as alternativas ou os limites que a nova ordem ecológica mundial poderá dar à permanente necessidade de recursos naturais que ameaça a Amazônia.

A floresta tropical detém um papel importante devido às riquezas em recursos naturais que armazena e pelo lugar determinante que ocupa na mudança climática global.

Fonte: RÁDIO ONU

Chanceleres do G20 reunidos no México discutem Rio+20 e combate ao crime organizado

Brasília – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, marcada para junho no Rio de Janeiro, é um dos principais temas da reunião de chanceleres do G20 (os países mais ricos do mundo), em Los Cabos, na fronteira do México com os Estados Unidos. O Brasil é representado pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, o subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores.

O objetivo do governo brasileiro e da Organização das Nações Unidas (ONU) é transformar a Rio+20 na maior conferência mundial sobre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e economia verde, definindo um novo padrão para o setor. Pelo menos 100 presidentes da República e primeiros-ministros são esperados neste evento no Rio de Janeiro, além de 50 mil credenciados.

A reunião de chanceleres começou ontem (18) e vai até amanhã (19) sob o comando do presidente do México, Felipe Calderón, mas com a ausência de representantes da China e da Rússia. A ministra das Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, disse que o objetivo da reunião é reforçar as parcerias e a cooperação em várias áreas, inclusive de segurança e combate ao crime organizado.

De acordo com Patricia Espinosa, o comando do G20 pelo México tem o objetivo também de buscar um “maior consenso” entre os países emergentes e desenvolvidos para promover a estabilização e crescimento da economia global.

As discussões ocorrem no momento em que vários países, alguns europeus, assim como os Estados Unidos e o Japão, vivem sob fortes impactos da crise econômica internacional. Em junho, nos dias 18 e 19, a presidenta Dilma Rousseff deve ir ao México participar das reuniões dos chefes de Estado e de Governo do G20.

Fonte: Agência Brasil