Solução brasileira ‘salva’ reunião do clima de fracasso

Passava de 1h da madrugada e o cansaço de três noites em claro pesava, quando o negociador-chefe do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, se deparou com o ministro britânico de Energia e Clima, Chris Huhne, na plenária.

Já era domingo, segundo dia de prorrogação da reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas na África do Sul, ainda sem conclusão à vista, e o clima pesou.

Huhne, ex-jornalista e atual deputado liberal-democrata, e Figueiredo, ex-comunista e atual diplomata, trocavam acusações polidas e mútuas de estarem pondo em risco todo o trabalho de mais de duas semanas em Durban.

O pomo da discórdia era uma nova versão do texto final a ser adotado pela convenção do clima, mais precisamente a descrição do valor legal dele.

Metas de redução

Pela primeira vez na história das negociações sobre o clima, países em desenvolvimento estavam prestes a se comprometer legalmente com metas de redução de emissão de gases do efeito estufa.

Desde a década de 90, a legislação climática separava o mundo entre países desenvolvidos, com obrigações de redução, e países em desenvolvimento, livres de compromissos com força de lei.

No século 21, com a disparada de crescimento da China, seguida por Índia e Brasil, essa divisão ficou cada vez mais incômoda para os Estados Unidos (que embora nunca tenha assumido metas de redução, continuou participando do processo internacional da ONU) e para a União Europeia.

A solução para eles era fechar um acordo que igualasse todos os participantes perante à lei, ainda que com compromissos diferentes.

China e Índia, entretanto, embora tivessem aceitado negociar um acordo assim para o futuro, não estavam satisfeitos com o que lhe caberia nessa barganha: uma nova etapa do Protocolo de Kyoto (que vence em 2012) e um acordo que finalmente incluísse os Estados Unidos, entre outros.

Não era de se estranhar, portanto, que estes países quisessem enfraquecer ao máximo este novo futuro vínculo legal.

‘Momento histórico’

Ministro britânico Chris Huhne insistia em vínculo legal mais forte para compromissos de cortes

Na plenária, já cercado por uma pequena multidão, o inglês reclamava da nova versão que continha a expressão “resultado legal” no lugar de “instrumento legal” – como aparecera em versões anteriores.

Negociadores europeus, no burburinho que se formou em torno dos dois, diziam que não podiam simplesmente aparecer com um texto e querer jogar fora o que fora negociado anteriormente e ameaçavam abandonar navio.

Figueiredo, que durante as duas semanas de COP-17 não raro fez o papel de intermediário entre os chamados BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) e os Estados Unidos e UE, tratou de defender a mudança.

“Eu estava tentando fazer ver a todos que por uma palavra não se perde um momento histórico”, disse Figueiredo depois do final feliz.

Na hora, visivelmente irritado, respondeu em inglês a Huhne: “Não me venha com essa, isso você pode dizer fora daqui, mas não me venha com essa”, dando a entender que não aceitaria qualquer “jogo de cena” em uma hora tão crucial para as negociações.

Afastou-se e de longe, conversava com outro representante brasileiro, ainda abalado, enquanto Huhne articulava.

“Então, temos nós que falar com a Índia”, dizia. Negociadores europeus lhe responderam que não faria diferença – a Índia não mudaria de posição.

“Temos que tentar”, respondeu Huhne, enquanto a presidência da COP-17 pedia aos delegados que tomassem seus assentos para a retomada dos procedimentos.

A sessão foi reaberta, mas não por muito tempo. Novamente, a UE pediu tempo para conversar. Dessa vez, os dez minutos se transformaram em quase uma hora de intensas conversas.

Solução intermediária

Figueiredo desapareceu em uma nuvem de negociadores da Índia e da UE.

De volta à plenária, item a item, a agenda foi aprovada, sem sinal das tensões presenciadas havia pouco.

A explicação? Na dúvida entre “resultado legal” e “instrumento legal”, o embaixador Figueiredo saiu-se com “instrumento com força legal”.

Em entrevista coletiva após a aprovação do novo período de compromisso sob Kyoto, do Fundo Verde do Clima, do texto sobre REDD e outros, além, é claro, principalmente o novo instrumento legalmente vinculante, Huhne era só elogios.

“Luiz é um advogado criativo e imaginativo e um grande parceiro de negociações, e o Brasil tem um histórico de conquistas incrível que está cada vez mais sendo projetado no âmbito internacional”, disse o ministro.

Para a comissária europeia, Connie Hedegaard, foi o momento definitivo das longas duas semanas de negociação.

“E acho que se não tivéssemos encontrado aquela solução com a Índia naquele momento, estaríamos naquela sala até agora ou nada teria saído daqui.”

Fonte: BBC Brasil

Em marcha lenta, reunião do clima entra na reta final

  Com a chegada de ministros e chefes de governo a Durban, na África do Sul, começa nesta segunda-feira a etapa final da 17ª conferência das Nações Unidas sobre mudança climática.

  O encontro começou em marcha lenta, contrastando com a urgência sugerida por pesquisas científicas recentes que apontam para uma aceleração no aquecimento global e aumento recorde de emissões de dióxido de carbono – considerado o principal responsável pelo efeito estufa – nos últimos anos.

  Ao fim de uma semana de negociações, o chamado segmento técnico do encontro produziu poucos avanços rumo a uma nova fase de redução de emissões sob o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, mas segundo observadores mais otimistas, as discussões parecem estar no rumo certo.

  O problema é que o encontro tem que terminar na sexta-feira e, como brincou um negociador, com a chegada dos ministros “perde-se dois dias de trabalho”, já que todos se reúnem na grande plenária para ouvir as declarações dos quase 200 países participantes.

  Enquanto, nas palavras da presidente da chefe das Nações Unidas para o clima, Cristiana Figueres, o mundo “se arrasta rumo a uma economia de baixo carbono”, a dificuldade maior para a segunda etapa do encontro sul-africano será acomodar as diferentes exigências para a continuação do único acordo internacional sobre redução de emissões.

-Cancún

  No ano passado, em Cancún, os participantes concordaram em tomar providências para manter o aquecimento global em 2ºC acima dos níveis pré-industriais, mas ainda não se sabe como isso será possível.

  Cientistas afirmam que, para que a meta seja cumprida, seria preciso que as emissões globais de CO2 começassem a entrar em declínio a partir de 2020, ou seja, teriam que atingir o seu pico antes disso.

  No entanto, em vez de estarem em vias de estabilização, elas parecem estar em crescimento acelerado. E os países em desenvolvimento, principalmente, China e Índia são os maiores contribuintes para o aumento das emissões.

  O argumento dos Estados Unidos, engrossado por Canadá e Japão, é que um acordo obrigatório de redução de emissões sem estes países (e o Brasil) não teria o efeito desejado.

  Essa exigência de metas de redução obrigatórias para os países em desenvolvimento esbarra, no entanto, em forte resistência dos últimos, que afirmam ter o direito de aumentar as suas emissões se isso for garantir o crescimento de suas economias.

-Cabo de guerra

  Uma das soluções de meio termo que vêm sendo estudadas seria aguardar até 2015 para então fechar-se um acordo que abarcasse todos os envolvidos.

  Neste cabo de guerra, a União Europeia tem dado sinais de que estaria disposta a assumir metas obrigatórias em um acordo que previsse a adesão de outros países a partir de 2015 – como uma versão light do Protocolo de Kyoto. Como a Europa hoje responde por cerca de 10% das emissões mundiais apenas, a ideia foi apelidada por alguns de “Kyotinho”.

  O mecanismo de incentivo à redução de emissões provocadas por desmatamento, o chamado REDD, também continua emperrado.

  Nos próximos dias, segundo observadores, será preciso muita conversa entre os envolvidos para que se chegue a acordos sobre a salvaguardas previstas no mecanismo. Entre outros detalhes, discute-se de que forma o REDD pode conter salvaguardas para, por exemplo, preservar a biodiversidade e os direitos de populações locais ou indígenas.

  Outro tema que avançou lentamente na primeira semana foi a concretização do Fundo Verde para o Clima, outra ideia lançada no encontro de Copenhague e oficializada no ano passado em Cancún.

  A ideia é que os países ricos liberem US$ 100 bilhões até 2020 para ajudar os afetados pelas mudanças do clima. No entanto, o governo americano já se afastou do plano, e organizações ambientalistas denunciam que os países ricos tentaram, ao longo da semana passada, jogar a responsabilidade por estes recursos para a iniciativa privada.

  Até sexta-feira, os negociadores terão uma semana cheia.

Manifestantes protestaram nesta quinta-feira (01/12) em Durban durante a COP-17.

Fonte: BBC Brasil

COP-17 começa na África do Sul e busca avançar na renovação do Protocolo de Kyoto

Começou nesta segunda-feira (28), em Durban, na África do Sul, a 17ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-17). O evento prossegue até 9 de dezembro, no International Convention Center (ICC) e no Durban Exhibition Centre (DEC). A última reunião do gênero foi realizada em Cancún, no México, em 2010.

O negociador brasileiro enviado a Durban é o embaixador André Corrêa do Lago. O objetivo das discussões é buscar avançar, de forma equilibrada, na implementação da Convenção e do Protocolo de Kyoto (adotado em 1997, durante conferência na cidade japonesa de mesmo nome); bem como no Plano de Ação de Bali, que foi acordado na COP 13, em 2007; além dos Acordos de Cancun, alcançados durante a COP 16, em dezembro do ano passado.

Mais de 20 mil delegados e observadores de quase 200 países, organizações internacionais e representantes da sociedade civil tentarão estabelecer um novo acordo global para redução dos gases causadores do efeito estufa, já que o Protocolo de Kyoto expira em 2012.

Esse protocolo é considerado atualmente, pelos especialistas em meio ambiente, como o único acordo climático consistente, em que a maioria dos países desenvolvidos se compromete a ter metas de redução das emissões, com exceção dos Estados Unidos, que nunca ratificaram o acordo.

Outro ponto da agenda prevista é a normatização do funcionamento do “fundo verde”, mecanismo de financiamento de ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas nos países pobres. Uma das propostas é de que sejam alocados US$ 100 bilhões por ano no fundo até 2020. No entanto, ainda não há definição sobre quais países devem pagar esses recursos e quais devem recebê-los.

Fonte: Planalto.gov

Declaração Conjunta do BASIC sobre Mudança do Clima

Declaração conjunta proferida na conclusão da VIII Reunião Ministerial do BASIC sobre Mudança do Clima – Inhotim, Minas Gerais, 26 e 27 de agosto de 2011

A VIII Reunião Ministerial do BASIC sobre mudança do clima realizou-se em Inhotim, Minas Gerais, em 26 e 27 de agosto de 2011. Participaram do encontro Antonio de Aguiar Patriota, Ministro das Relações Exteriores do Brasil; Izabella Teixeira, Ministra do Meio Ambiente do Brasil; Maite Nkoana-Mashabane, Ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, na qualidade de próxima Presidente da COP; Edna Molewa, Ministra de Recursos Hídricos e Assuntos Ambientais da África do Sul; Xie Zhenhua, Vice-Presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China; e J.M. Mauskar, Secretário Especial para Meio Ambiente e Florestas da Índia. Em alinhamento com a abordagem do “BASIC ampliado”, a Argentina foi convidada na qualidade de Presidente do Grupo dos 77 e China.

 

Resultado de Durban

 

Os Ministros reiteraram a importância de se atingir um resultado amplo, equilibrado e ambicioso em Durban, no contexto do desenvolvimento sustentável e em conformidade com os dispositivos e princípios da Convenção, em particular os princípios da equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades, e de acordo com o Mapa do Caminho de Bali. Esse resultado deve cobrir, na totalidade, as negociações sob os dois trilhos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC): o Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Compromissos Futuros das Partes do Anexo I sob o Protocolo de Quioto (AWG-KP) e o Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Ações Cooperativas de Longo Prazo (AWG-LCA). Enfatizaram que Durban deve progredir em todos os aspectos das negociações, incluindo o estabelecimento dos compromissos das Partes do Anexo I para o segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto e de compromissos comparáveis de países do Anexo I que não são Partes do Protocolo de Quioto; a operacionalização das decisões de Cancun; e a resolução de questões pendentes não concluídas em Cancun. Enfatizaram a centralidade da adaptação e de meios de implementação como parte de um resultado equilibrado e amplo. Esses elementos são necessários para garantir equilíbrio na conclusão do Mapa do Caminho de Bali e do Plano de Ação de Bali. Ressaltaram que acordo sobre o segundo período de cumprimento é a prioridade central de Durban, na medida em que eventual fracasso nesse sentido poderia gerar um desafio ao multilateralismo e solaparia a resposta multilateral à mudança do clima baseada em regras no âmbito da UNFCCC. Ministros reiteraram seu apoio a um processo preparatório transparente e inclusivo que assegure que Durban seja um grande passo adiante nos trabalhos rumo à perspectiva de um resultado abrangente, ambicioso, justo e efetivo, garantindo a implementação plena, efetiva e sustentada da UNFCCC e seu Protocolo de Quioto.

 

Protocolo de Quioto

 

Os Ministros reafirmaram que o Protocolo de Quioto é um marco do regime de mudança do clima. Destacaram o papel do Protocolo de Quioto de garantir que cortes significativos de emissões de gases de efeito estufa por países desenvolvidos sejam comensuráveis com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) e com o objetivo de 2⁰ C reconhecido em Cancun. Ressaltaram que a continuidade dos mecanismos de flexibilidade do Protocolo de Quioto, em particular do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), depende do estabelecimento de metas quantificadas de redução de emissões de Partes do Anexo I, sob o segundo período de cumprimento. Instaram Partes do Protocolo de Quioto a trabalharem, de maneira construtiva, para assegurar que não haja lacuna entre o primeiro e o segundo períodos de cumprimento. Enfatizaram que a perspectiva de Partes do Anexo I deixarem o Protocolo de Quioto para apresentarem suas contribuições de mitigação sob o AWG-LCA só pode ser um reflexo de reduzida vontade política para diminuírem suas emissões de gases de efeito estufa. É difícil de conceber que um país deixaria o Protocolo de Quioto para fazer mais.

 

Questões pendentes a serem concluídas

 

Tomando nota da submissão da Índia de itens adicionais a serem adicionadas à agenda provisória da COP, os Ministros destacaram a importância de se tratarem assuntos pendentes que devem progredir em Durban. Isto é essencial para gerar o equilíbrio necessário nas negociações de mudança do clima.

 

Operacionalização de Cancun

 

Os Ministros clamaram pela rápida implementação de todas as instituições acordadas em Cancun, incluindo o registro de ações de mitigação adequadas nacionalmente e de apoio internacional; o Comitê de Adaptação; o Comitê Executivo, Centro e Rede de Tecnologia; e o Fundo Verde para o Clima, que deve fornecer meios significativos de implementação para ações imediatas de resposta à mudança do clima. Destacaram que o grau sob o qual países em desenvolvimento podem implementar suas ações depende do grau sob o qual países desenvolvidos cumprirem seus compromissos de fornecer financiamento, apoio tecnológico e capacitação suficientes para ambos mitigação e adaptação.

Fundo Verde para o Clima

 

Os Ministros ressaltaram a importância de garantir que a Conferência das Partes exerça supervisão adequada do Fundo Verde, de forma a assegurar o seu adequado gerenciamento e desembolso tempestivo para países em desenvolvimento. Enfatizaram que o Comitê Transitório deve interagir com o AWG-LCA e ser orientado por ele.

 

Financiamento

 

Os Ministros consideraram o trabalho dos peritos do BASIC sobre formato comum de comunicação para contabilidade rigorosa, robusta e transparente de financiamento oferecido pelas Partes do Anexo I. Um formato comum de comunicação para financiamento é uma prioridade para Durban, de forma a viabilizar contabilidade de desempenho em relação ao cumprimento da meta quantificada de financiamento no montante de US$ 100 bilhões por ano até 2020. Também ressaltaram a importância de assegurar o aumento de financiamento até e depois de 2020. Reiteraram a necessidade de assegurar que a contabilidade do financiamento oferecido por todos os países desenvolvidos seja consistente, completa, comparável, transparente e acurada. Também ressaltaram a importância de informação detalhada e abrangente sobre fluxos de financiamento imediato (“fast start”) providos por países desenvolvidos, que deve ser disponibilizada oficialmente. Reafirmaram sua visão de que o Secretariado da UNFCCC deve publicar informação sobre financiamento já desembolsado no âmbito do financiamento imediato, por estar relacionado a compromisso multilateral.

 

MRV

 

Os Ministros também refletiram sobre as discussões dos peritos do BASIC sobre mensuração, comunicação e verificação da mitigação dos países do Anexo I.  Enfatizaram a necessidade de regras comuns rigorosas de contabilidade, com vistas a assegurar transparência e comparabilidade de compromissos de mitigação de todos os países desenvolvidos. Ressaltaram que as regras do Protocolo de Quioto são a referência para os esforços empreendidos por todos os países desenvolvidos nesta área. Expressaram a importância de operacionalizar os arranjos de transparência de países em desenvolvimento, com base nas provisões existentes no âmbito da Convenção. Destacaram a contribuição robusta já oferecida pelos países em desenvolvimento para as reduções de emissões, que demonstra um maior nível de esforço em comparação à mitigação das Partes que são países desenvolvidos.

 

Acesso equitativo ao desenvolvimento sustentável

 

Os Ministros saudaram o trabalho realizado pelos peritos do BASIC sobre “moldura para acesso equitativo ao desenvolvimento sustentável”, tal como solicitado na VI Reunião Ministerial do BASIC. Este trabalho servirá como contribuição valiosa ao conjunto de conhecimento científico que informa o desenvolvimento de políticas.

 

Redução de emissões provenientes do desmatamento e degradação florestal

 

Os Ministros reconheceram a importância de incrementar a ação para reduzir emissões provenientes do desmatamento e degradação florestal, aumentar remoções por florestas e práticas sustentáveis de manejo florestal, com base em financiamento internacional e transferência de tecnologia ampliados. Também destacaram os importantes benefícios adicionais que REDD+ pode oferecer para o desenvolvimento sustentável em áreas como a proteção de biodiversidade.

 

Perigos do unilateralismo

 

Os Ministros expressaram sua preocupação com medidas unilaterais sobre mudança do clima, tanto em planejamento como já implementadas, que podem gerar impactos negativos em outros países. Expressaram sua grande preocupação com a decisão da União Europeia de incluir o setor de aviação no Esquema Europeu de Comércio de Emissões, incluindo voos de companhias não europeias com destino e partida em território europeu.

 

G77 e China

 

Os Ministros enfatizaram a importância da unidade do G77 e China e seu papel central nas negociações sobre mudança do clima. Notaram as claras demonstrações de liderança do G77 e China e sua vontade de contribuir para vigoroso esforço global. Os Ministros decidiram manter a abordagem do “BASIC ampliado”, de forma a aumentar a transparência de suas reuniões. Também saudaram o papel desempenhado pela vindoura Presidência Sul-Africana da COP e seus esforços para organizar consultas inclusivas de alto nível sobre mudança do clima, que contribuirão para um resultado exitoso e ambicioso em Durban.

 

Rio+20

 

Os Ministros também tiveram a oportunidade de discutir a perspective para a Conferência Rio+20 em 2012. Nesse sentido, ressaltaram o importante papel dos países do BASIC para garantir o sucesso da Rio+20, bem como a Conferência de Durban sobre Mudança do Clima e a Conferência de Nova Delhi sobre Biodiversidade. Este é um claro sinal de seu firme compromisso de avançar soluções multilaterais para problemas globais.

 

IX Reunião de Ministros

 

Os Ministros receberam com satisfação a oferta da China para sediar a IX Reunião de Ministros do Grupo BASIC em 31 de outubro e 1° de novembro. Uma reunião de peritos será realizada juntamente com a reunião ministerial.

 

Fonte: Itamaraty

Dilma resume a posição do Brasil na COP – 15 em Copenhague

14 de Dezembro de 2009 – 20h41

Dilma: acordo climático não pode rasgar Convenção nem Protocolo

“O Brasil tem a melhor e mais detalhada proposta de redução de emissões de gases do efeito estufa entre todas as trazidas para Copenhague (Dinamarca) pelos países que buscam fechar um novo acordo climático global e não rasgará a Convenção do Clima nem jogará fora o Protocolo de Quioto para atender aos interesses dos países desenvolvidos”, disse a ministra Dilma Roussef (Casa Civil).

Dilma participou no domingo (13) de reunião na sede do Ministério e Assuntos Exteriores dinamarquês em Copenhague com cerca de 60 ministros e representantes de países envolvidos nas negociações na Conferência da ONU sobre Clima (COP 15).

A Ministra disse ainda que não haverá acordo se os mais desenvolvidos não assumirem sua responsabilidade, que inclui números mais consistentes de redução de suas emissões e financiamento às nações em desenvolvimento.

“Temos vários pontos de vista, todos legítimos em cada parte, mas temos que ter aqui um acerto com legitimidade global”, afirmou Dilma, em entrevista coletiva realizada no Hotel Island, em Copenhague. “Para haver o acordo que queremos, não podemos desfigurar tudo. Podemos sim abrir mão de algumas coisas, mas não rasgar a Convenção do Clima nem jogar fora o Protocolo de Quioto.”

Dilma Roussef reafirmou que a proposta brasileira levada a Copenhague foi elaborada atendendo aos interesses do País, mostrando que o desenvolvimento é perfeitamente compatível com a proteção do meio ambiente. Além disso, a proposta traz um nível de detalhamento que nenhum outro país fez.

É justamente esse detalhamento que agora os negociadores buscam, principalmente em relação as propostas apresentadas pelos países desenvolvidos. Segundo a ministra Dilma, uma nova reunião será realizada nesta segunda-feira (14/12) para discutir os dois principais temas – mitigação e financiamento -, com o objetivo de se chegar a um denominador comum a ser apresentado aos presidentes e primeiros-ministros na quinta-feira (17/12). Dilma afirmou que está otimista de que vai haver acordo.

Os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Roussef (Casa Civil) e o embaixador Luis Alberto Figueiredo, negociador-chefe do Brasil na reunião da ONU sobre clima (COP 15), em Copenhague, em entrevista coletiva realizada no Hotel Island, na capital dinamarquesa.
Foto: Jorge Cordeiro/PR

Responsabilidades

A ministra Dilma Roussef deixou claro que as responsabilidade sobre o clima no planeta são comuns a todos, mas devem ser diferenciadas, levando-se em conta principalmente o PIB per capital e o estoque de CO2 já emitido. Os países em desenvolvimento têm emissões per capita e estoque de CO2 muito menores do que os países desenvolvidos. Por isso a obrigatoriedade em reduzir emissões é das nações mais ricas. Além disso, os países desenvolvidos têm que se comprometer com o financiamento de ações futuras de mitigação em países em desenvolvimento.

São dois “trilhos” de negociações, afirmou Dilma, fundamentais para o sucesso da reunião climática de Copenhague. O trilho do Protocolo de Quioto exige uma redução obrigatória de emissões por parte das nações desenvolvidas e voluntárias dos em desenvolvimento. Já o trilho da Convenção do Clima, de longo prazo, prevê fundos de investimento para que os países mais pobres possam desenvolver sem poluir.

A posição brasileira, afirmou a ministra, é clara: assumir ações voluntárias de peso, como a redução significativa do desmatamento na Amazônia, a produção sustentável de biodiesel e produção de energia por meio de fontes limpas como a hidrelétrica, e ter fundos próprios, como o da Amazônia e o recém criado de Mudanças Climáticas, para desenvolver ações futuras de mitigação e proteção ambiental/climática.

A questão de se estabelecer um fundo com financiamento externo ainda não avançou muito, lembrou Dilma, porque novamente os países desenvolvidos evitam falar concretamente em números – ou seja, quanto dinheiro estariam dispostos a disponibilizar para financiar o desenvolvimento sustentável das nações mais pobres.

“Se tivermos fundos com recursos externos, iremos numa velocidade, mas se não houver esses recursos internacionais, a velocidade será menor”, disse, criticando o estágio atual das negociações, em que os países em desenvolvimento têm proposto o financiamento de suas próprias medidas mitigatórias e os desenvolvidos em nada contribuem. “É uma inversão de responsabilidades. Se os maiores emissores não colocarem dinheiro algum, não conseguiremos a redução almejada nas emissões. A conta não fechará”, afirmou a ministra.

Fonte: Blog do Planalto pescado de: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=121323&id_secao=1 

Postado por

Luiz Albuquerque

ONU elogia ação da China sobre clima

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A China é hoje líder mundial na limitação às emissões dos gases-estufa“, afirmou o holandês Yvo de Boer na abertura da última reunião preparatória para a conferência do clima de Copenhague.
O representante americano no encontro de Barcelona não discordou, mas emendou uma canelada nos anfitriões. “A visão de que os EUA não estão se esforçando não é correta. Estamos fazendo mais do que a União Europeia“, disse Jonathan Pershing.
Os europeus jogaram no mesmo campo, embora com mais sutileza. “Outros países desenvolvidos deveriam demonstrar sua liderança“, declarou o sueco Andreas Carlgren, ministro do Ambiente.
Os EUA não se comprometeram até agora com nenhum número nos dois assuntos que mais importam na discussão diplomática: quanto vão cortar nas emissões de gases até 2020 (prazo final utilizado nas negociações atuais) e quanto dinheiro colocarão para financiar ações contra o aquecimento global.
Tanto o chefe da ONU quanto o representante americano fizeram questão de dizer que veem grandes diferenças entre a situação dos EUA agora e a que o país tinha em 1997, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto, primeiro tratado global do clima.
Na época de Kyoto, a Casa Branca, então comandada por Bill Clinton, não tinha o apoio necessário no Congresso. “Havia uma grande desconexão entre a delegação dos EUA e o sentimento no Senado”, afirmou De Boer.
A pressão sobre os EUA surgiu também em evento de ONGs brasileiras em Barcelona. “Não se vai resolver o problema se o cara não aparecer [em Copenhague]. E o cara não é o Lula. É o Obama. Ele pode fazer a diferença, e não está fazendo”, disse Paulo Adário, do Greenpeace.

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Postado por Flávio Vieira