Pepe Escobar explica: “A guerra do oleogasodutostão na Síria: Uma guerra de negócios, não de balas.”

6/8/2012, Pepe EscobarAl-Jazeera, Qatar

Syria’s Pipelineistan war

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Negócio entre Síria e Irã pode ameaçar gravemente a posição da Turquia na estrada leste-oeste de energia  [REUTERS]

Muito abaixo do “vulcão de Damasco” e da “batalha de Aleppo”, as placas tectônicas do tabuleiro de xadrez da energia global continuam a mover-se. Além da tragédia e do luto da guerra civil, a Síria é também disputa pelo poder no oleogasodutostão.

Há mais de um ano, foi fechado um negócio de US$10 bilhões no Oleogasodutostão, [1] entre o Irã, o Iraque e a Síria, para construir, até 2016, um gasoduto que unirá os campos de petróleo gigantes de South Pars no Irã – atravessando o Iraque e a Síria, com uma possível extensão até o Líbano – e os mercados alvos de exportação (a Europa).

Ao longo dos últimos 12 meses, com a Síria naufragada em guerra civil, não se falou do oleogasoduto. Até que a conversa recomeçou. A paranóia suprema da União Europeia é não se deixar prender, como refém, pela Gazprom russa. O oleogasoduto Irã-Iraque-Síria é item essencial para diversificar os suprimentos de energia e pôr fim ao “monopólio” russo.

Mas é mais complicado que isso. Acontece que a Turquia é o segundo maior cliente da Gazprom. Toda a arquitetura da segurança energética turca depende do gás que vem da Rússia – e do Irã. A Turquia sonha com tornar-se a nova China, configurando a Anatólia como o entroncamento-encruzilhada estratégico para a exportação do óleo e gás da Rússia e dos campos de gás e petróleo russos, Cáspio-Central-asiático, iraquiano e iraniano, para a Europa.

Tente passar a perna em Ancara nesse jogo, e você terá problemas. Até praticamente ontem, Ancara aconselhava Damasco a fazer reformas – e depressa. A Turquia não queria o caos na Síria. Hoje, a Turquia está alimentando o caos na Síria. Examinemos uma das possíveis razões

Estive lá, nas encruzilhadas [2]

A Síria não é grande produtor de petróleo; suas reservas estão sumindo. Mesmo assim, até o início da guerra civil, Damasco vendia nada desprezíveis $4 bilhões anuais em petróleo – um terço do orçamento do governo.

A Síria é muitíssimo mais importante como uma encruzilhada de energia [3], mais ou menos como a Turquia, mas em menor escala. O ponto chave é que a Turquia precisa da Síria para atender sua estratégia de energia. [4]

A parte síria no Oleogasodutostão inclui o gasoduto AGP (Arab Gas Pipeline), do Egito a Trípoli e o IPC, de Kirkuk, no Iraque, a Banyas – ocioso desde a invasão, pelos EUA, em 2003.

A peça central da estratégia de energia da Síria é a “Política dos Quatro Mares” [orig. Four Seas Policy [5]] – conceito introduzido por Bashar al-Assad no início de 2011, dois meses antes do início do levante. É mais ou menos como uma mini usina turca – uma rede de energia que liga o Mediterrâneo, o Cáspio, o Mar Negro e o Golfo.

Damasco e Ancara imediatamente puseram mãos à obra – integrando as grades, unindo-as ao gasoduto AGP e, o que é crucial, planejando a extensão do gasoduto AGP de Aleppo a Kilis na Turquia; o que permitiria uni-lo adiante à ópera perene do Oleogasodutostão [6] Nabucco, supondo que essa dama gorda consiga algum dia cantar (o que absolutamente ainda não é garantido).

Damasco também já se preparava para aproximar-se do IPC; no final de 2010, assinou um memorando de entendimento com Bagdá para construir um gasoduto e dois oleodutos. Mercado-alvo, mais uma vez: a Europa.

Foi quando começou o inferno. Mas mesmo quando os levantes já estavam em andamento, o negócio de $10 bilhões do Oleogasodutostão Irã-Iraque-Síria foi clinchado. Se concluído, transportaria 30% a mais, de gás, que o quase definitivamente condenado projeto Nabucco.

Hei! Aí está o xis da questão: o que alguns chamam de Gasoduto Islâmico contorna (e deixa para trás) a Turquia.

O veredito permanece aberto sobre se esse complexo gambito no Oleogasodutostão pode ser considerado, ou não, um casus belli que explique que Turquia e OTAN ponham-se enlouquecidamente à caça de Assad. Mas não se deve esquecer que a estratégia de Washington no sul da Ásia, desde o governo de Clinton (o marido) sempre foi contornar, deixar para trás, isolar e ferir o Irã por todos os meios necessários.

Ligações perigosas

Damasco com certeza perseguia uma muito complexa estratégia de dois braços – ligando-se simultaneamente com a Turquia (e o Curdistão iraquiano), mas também contornando e deixando para trás a Turquia e incorporando o Irã.

Cobertura em profundidade da violência em escalada na Síria

Com a Síria presa numa guerra civil, nenhum investidor global sequer sonhariaem brincar de Oleogasodutostão. Mas, num cenário pós-Assad, todas as opções estão abertas. Tudo dependerá do futuro relacionamento entre Damasco e Ancara, e Damasco e Bagdá.

O petróleo e o gás terão de vir do Iraque, de qualquer modo (além de mais gás, do Irã); mas o destino final do Oleogasodutostão sírio pode ser a Turquia, o Líbano ou a própria Síria – exportando diretamente a partir do leste do Mediterrâneo.

Ancara está definitivamente apostando num governo pós-Assad liderado pelos sunitas, não muito diferente do partido AKP. A Turquia já suspendeu a exploração de petróleo que fazia em parceria com a Síria e está às vésperas de suspender todas as relações comerciais.

As relações entre Síria e Iraque dão-se por dois eixos entre os quais parece haver um mundo a separá-los: com Bagdá e com o Curdistão iraquiano.

Imaginem um governo formado pelo Conselho Nacional Sírio e pelo Exército Sírio Livre: seria definitivamente oposto a Bagdá, sobretudo em termos sectários; sobretudo, o governo de maioria xiita de al-Maliki vive em bons termos estratégicos com Teerã; nos últimos tempos, também com Assad.

As montanhas alawitas [7] comandam as estradas do Oleogasodutostão sírio na direção dos portos de Banyas, Latakia e Tartus no Mediterrâneo leste. Há também muito gás ainda por ser descoberto – notícia surgida de recentes explorações em Chipre e Israel [8]. Assumindo que o regime de Assad seja derrubado e empreenda alguma retirada estratégica para as montanhas, multiplicam-se as possibilidades de alguma espécie de guerrilha que sabote os dutos.

No pé em que as coisas estão hoje, ninguém sabe como uma Damasco pós-Assad reconfigurará suas relações com Ancara, Bagdá e o Curdistão iraquiano – para nem falar de Teerã. Mas não há dúvidas de que a Síria continuará a jogar o jogo do Oleogasodutostão.

O enigma curdo

Quase todas as reservas de petróleo sírias estão no nordeste curdo – geograficamente, entre Iraque e Turquia; o resto está ao longo do Eufrates, rumo ao sul.

Os curdos sírios são 9% da população – cerca de 1,6 milhão de pessoas. Embora não sejam sequer minoria considerável, os sírios curdos já perceberam que, aconteça o que acontecer num ambiente pós-Assad, eles estão muito bem posicionados no Oleogasodutostão, oferecendo via direta para exportações de petróleo do Curdistão iraquiano, em teoria contornando e deixando para trás ambas, Bagdá e Ancara.

É como se toda a região estivesse jogando um Bingo de Quem Contorna (e deixa para trás) Quem [9]. Na medida em que se possa dizer que o Gasoduto Islâmico contorna (e deixa para trás) a Turquia, um negócio direto [10] e ntre Ancara e o Curdistão iraquiano para construir dois oleogasodutos estratégicos de Kirkuk a Ceyhan pode também ser interpretado como contornar (e deixar para trás) Bagdá.

Bagdá, é claro, resistirá – destacando que os dutos são nada, vazios e inoperantes, a menos que o governo receba a parte que lhe cabe: afinal, pagam 95% do orçamento do Curdistão iraquiano.

Os curdos, tanto na Síria como no Iraque, têm jogado com grande esperteza. Na Síria, não confiam nem em Assad nem no Conselho Nacional Sírio. O Partido PYD – ligado ao PKK – diz, do CNS, para desqualificá-lo, que não passa de fantoche da Turquia. E o Conselho Nacional Curdo [ing. Kurdish National Council (KNC)] teme a Fraternidade Muçulmana Síria.

Assim, a maioria absoluta dos cursos sírios têm-se mantido neutros: não apoiam os fantoches turcos (ou sauditas); todo o poder à causa pan-curda. Salih Muslim Muhammad, líder do PYD, resumiu tudo: “O que interessa aos curdos é afirmar nossa existência”.

Isso significa, essencialmente, mais autonomia. Exatamente o que obtiveram do acordo assinado dia 11 de julho em Irbil, sob os auspícios do presidente do Curdistão iraquiano Masoud Barzani: o Curdistão sírio coadministrado pelo PYD e pelo Conselho Nacional Curdo. Foi consequência direta de o regime Assad ter optado por uma esperta retirada estratégica.

Não surpreende que Ancara esteja em surto de pânico. [11] – Ancara vê não só o PKK encontrando paraíso seguro na Síria, hospedado pelos primos do PYD, mas vê, também dois semiestados curdos, de facto, que emitem poderosos sinais na direção dos curdos na Anatólia.

Para minimizar esse pesadelo, Ancara poderia ajudar economicamente os cursos sírios, muito discretamente – de ajuda humanitária a investimentos em infraestrutura – usando para isso suas boas relações com o Curdistão iraquiano.

Na visão de mundo de Ancara, nada se pode interpor no caminho de seu sonho de tornar-se a ponte essencial de energia entre Ocidente e Oriente. Implica relações extremamente complexas com nada menos que nove países: Rússia, Azerbaijão, Geórgia, Armênia, Irã, Iraque, Síria, Líbano e Egito.

Quanto ao mundo árabe em geral, já desde antes da Primavera Árabe discutia-se seriamente um Oleogasodutostão árabe para unir ligasse Cairo, Amã, Damasco, Beirute e Bagdá. Pode fazer mais para unificar e desenvolver um novo Oriente Médio que qualquer “processo de paz”, “mudança de regime” ou levante pacífico ou super militarizado.

Nessa delicada equação, o sonho de um Grande Curdistão volta à cena. E os curdos podem ter boas razões para otimismo: muito em silêncio, Washingtonparece apoiá-los, numa aliança estratégica absolutamente sem alarde.

Claro que os motivos de Washington não são exatamente altruístas. O Curdistão iraquiano comandado por Barzani é ferramenta valiosa para que os EUA mantenham um pé militar no Iraque. O Pentágono jamais admitirá, mas já há planos avançados para a instalação de uma nova base militar dos EUA no Curdistão iraquiano – ou para transferir para o Curdistão iraquiano a base da OTAN atualmente em Incirlik.

Essa é um dos mais fascinantes subtramas da Primavera Árabe: os curdos encaixam-se perfeitamente no jogo de Washington em todo o arco do Cáucaso ao Golfo.

Mais de um executivo da Chevron e da British Petroleum já devem estar babando, ante as possibilidades que se abrem, das triangulações entre Iraque, Síria e Turquia, com vistas a um Oleogasodutostão. E, claro, muitos curdos também salivam abundantemente, só de pensar quantas portas o mesmo Oleogasodutostão abre, para um Curdistão Expandido.

Notas de rodapé

[1] 28/3/2012, OpenOil, em: Syria’s transit future: all pipelines lead to Damascus?

[2] Orig. I went down to the crossroads. É verso de “Cross Road Blues”, Robert Johnson [1911-1938], pode ser lido em tradução ruim e ouvido cantado pelos The Doors

[3] 8/3/2012, OilPrice, em: Don’t Factor Syrian Oil into Market Jitters

[4] 6/8/2012, EKEM – European Energy Policy Observatory, em: “Syria’s Energy Future After the Upheaval

[5] 6/1/2011, UPI, em: Syria’s Assad pushes ‘Four Seas Strategy

[6] 1/10/2009, Pepe EscobarTruthout, em: Jumpin’Jack Verdi, Its a Gas, Gas, Gas

[7] 12/10/2011, Al JazeeraNir Rosen, em: “Assad’s Alawites: An entrenched community

[8] 11/6/2010, HaaretzGal Luft em: A geopolitical game changer

[9] 2/8/2012, OilPriceDaniel j. Graeber, em: Kurds Hold the Aces in Iraqi Oil Sector
[10] 11/7/2012, Iraq Oil ReportBen Lando & Staff, em: Kurdistan begins independent crude exports

[11] 2/8/2012, Today’s ZamanServet Yanatma, em: Drills aimed at PYD under way, US cautions against intervention

Fonte:

Versão em português: Redecastorphoto

Versão original: Al Jazeera

http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/08/a-guerra-do-oleogasodutostao-na-siria.html

Bresser Pereira: A Argentina tem razão [em retomar o controle sobre a YPF]

A Argentina se colocou novamente sob a mira do Norte, do “bom senso” que emana de Washington e Nova York, e decidiu retomar o controle do Estado sobre a YPF, a grande empresa petroleira do país que estava sob o controle de uma empresa espanhola. O governo espanhol está indignado, a empresa protesta, ambos juram que tomarão medidas jurídicas para defender seus interesses. O “Wall Street Journal” afirma que “a decisão vai prejudicar ainda mais a reputação da Argentina junto aos investidores internacionais”. Mas, pergunto, o desenvolvimento da Argentina depende dos capitais internacionais, ou são os donos desses capitais que não se conformam quando um país defende seus interesses? E, no caso da indústria petroleira, é razoável que o Estado tenha o controle da principal empresa, ou deve deixar tudo sob o controle de multinacionais?

Em relação à segunda pergunta parece que hoje os países em desenvolvimento têm pouca dúvida.

Quase todos trataram de assumir esse controle; na América Latina, todos, exceto a Argentina.

Não faz sentido deixar sob controle de empresa estrangeira um setor estratégico para o desenvolvimento do país como é o petróleo, especialmente quando essa empresa, em vez de reinvestir seus lucros e aumentar a produção, os remetia para a matriz espanhola.

Além disso, já foi o tempo no qual, quando um país decidia nacionalizar a indústria do petróleo, acontecia o que aconteceu no Irã em 1957. O Reino Unido e a França imediatamente derrubaram o governo democrático que então havia no país e puseram no governo um xá que se pôs imediatamente a serviço das potências imperiais.

Mas o que vai acontecer com a Argentina devido à diminuição dos investimentos das empresas multinacionais? Não é isso um “mal maior”? É isso o que nos dizem todos os dias essas empresas, seus governos, seus economistas e seus jornalistas. Mas um país como a Argentina, que tem doença holandesa moderada (como a brasileira) não precisa, por definição, de capitais estrangeiros, ou seja, não precisa nem deve ter deficit em conta corrente; se tiver deficit é sinal que não neutralizou adequadamente a sobreapreciação crônica da moeda nacional que tem como uma das causas a doença holandesa.

A melhor prova do que estou afirmando é a China, que cresce com enormes superavits em conta corrente. Mas a Argentina é também um bom exemplo. Desde que, em 2002, depreciou o câmbio e reestruturou a dívida externa, teve superavits em conta corrente. E, graças a esses superavits, ou seja, a esse câmbio competitivo, cresceu muito mais que o Brasil. Enquanto, entre 2003 e 2011 o PIB brasileiro cresceu 41%, o PIB argentino cresceu 96%.

Os grandes interessados nos investimentos diretos em países em desenvolvimento são as próprias empresas multinacionais. São elas que capturam os mercados internos desses países sem oferecer em contrapartida seus próprios mercados internos. Para nós, investimentos de empresas multinacionais só interessam quando trazem tecnologia, e a repartem conosco. Não precisamos de seus capitais que, em vez de aumentarem os investimentos totais, apreciam a moeda local e aumentam o consumo. Interessariam se estivessem destinados à exportação, mas, como isso é raro, eles geralmente constituem apenas uma senhoriagem permanente sobre o mercado interno nacional.

Fonte: Tijolaço

Vejam outras matérias sobre a Argentina

Espanha apela para Argentina por solução amigável sobre petrolífera e ameaça ir a tribunal internacional

Brasília – O ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Garcia-Margallo, apelou hoje (23) às autoridades da Argentina que tentem resolver “amigavelmente” a disputa sobre a expropriação da YPF, administrada pela Repsol. Margallo foi claro: se não houver acordo, os espanhóis recorrerão a um tribunal internacional para impedir a expropriação da petrolífera,     anunciada no último dia 16.

“[Queremos que a ] Argentina retorne à comunidade internacional, ao diálogo e organize esse litígio de forma amigável em conformidade com os tribunais internacionais”, observou o chanceler. “Nós não vamos disputar o direito da Argentina sobre a soberania energética. Mas, na minha opinião, é um [grande] erro no século 21”, disse Magallo, que participa de uma reunião de chanceleres da União Europeia, em que o tema da expropriação será discutido.

O ministro espanhol acrescentou: “[O governo da] Espanha está considerando todas as medidas que podem trazer a Argentina de volta à mesa de negociações. Vamos procurar uma solução negociada”.

Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou a suspensão das preferências tarifárias em relação à Argentina. O detalhamento das medidas deve ocorrer ao longo desta semana. Foi aprovado um texto de repúdio à decisão da Argentina.

“A Argentina deve retornar à legalidade internacional e restaurar a confiança nos investimentos e os direitos fundamentais nas relações internacionais, como a liberdade de propriedade e livre iniciativa”, disse o chanceler.

Fonte: Agência Brasil

Vídeo: Presidenta argentina submete renacionalização da YPF ao Congresso. Veja direto da fonte.

Visión Siete: El Gobierno envía al Congreso el proyecto de expropiación del 51 por ciento de YPF

La presidenta Cristina Fernández anunció el envío al Congreso de un proyecto de ley que establece la expropiación del 51 por ciento de las acciones de YPF, estableciendo que de ese número, el 51% le corresponderá a la Nación y el 49% restante quedará bajo la administración de la Organización Federal de Estados Productores de Hidrocarburos (OFHEPI), que integran las provincias con producción petrolera. La empresa continuará operando como una sociedad anónima abierta. Además, decretó la intervención de la compañía petrolera y designó al ministro de Planificación, Julio De Vido, como interventor. “Somos casi el único país que no maneja los recursos naturales”, subrayó la Jefa de Estado y consignó que desde 1999 hasta el 2011 “la utilidad neta de YPF fue de 16.450 millones de dolares” y que la empresa distribuyó dividendos por 13.246 millones de dólares. “El problema fue la desnacionalización”, agregó. Emitido por Visión Siete, noticiero de la TV Pública argentina, lunes 16 de abril de 2012.

http://www.tvpublica.com.ar

Fonte: Tijolaço

Entenda a questão da renacionalização da Repsol-YPF na Argentina pelas diferentes perspectivas

Argentina diz basta à espoliação da Repsol

16/04/2012

A Argentina renacionalizou as ações YPF pertencentes à espanhola Repsol. A decisão soberana, anunciada nesta 2ª feira pela presidenta Cristina Kirchner, em rede nacional de rádio e televisão, é uma resposta ao vampirismo que tem pautado a atuação do capital espanhol no setor. A Repsol detinha 57% da petroleira argentina privatizada em 1993 no processo de desmonte neoliberal do Estado argentino promovido pelo governo Carlos Menen. Em 2010 os investidores espanhóis extraíram um lucro de 1,4 bilhão de euros do subsolo argentino. A produção nacional de petróleo, porém, recuou quase 5,5%.
A Argentina foi a economia ocidental que mais cresceu na última década. Entre 2003 e 2010 o consumo argentino de petróleo e gás aumentaria respectivamente 38% e 25%. A oferta cairia 12% e 2,3%. A assimétrica evolução evidenciou o descompromisso do capital estrangeiro com o desenvolvimento do país. Os atritos entre o Estado e a Repsol se intensificaram. Em 2010, as importações de petróleo resultaram num déficit de US$ 3 bi na balança comercial argentina. Em 2011 a Argentina gastou US 11 bi com a conta petróleo.

O país tem reservas para atender as suas necessidades. Encontra-se em solo argentino a 3ª maior reserva de gás de xisto do mundo: a Repsol, em que pesem os apelos da Casa Rosada, sempre ignorou essa fronteira de soberania energética. Agia em relação à energia como a Vale do Rio Doce agiu, durante a gestão do tucano Roger Agnelli, aos apelos de Lula para que a empresa investisse mais na siderurgia nacional. Ou, para ficar numa queda de braço atual, com a mesma desfaçatez exibida pela banca brasileira, que se recusa a abdicar de um pedaço do spread –de 37%, em média, o mais alto do mundo– para viabilizar a queda dos juros.

Nos últimos três anos o governo Cristina fixou um imposto sobre exportações de petróleo, a exemplo do que fez com as commodities agrícolas. O objetivo era justamente reter no metabolismo econômico os ganhos extras gerados pela especulação internacional com matérias-primas. No Brasil, esses ganhos extras foram sistematicamente repassados pela Vale aos acionionistas –e assim festejados pela mídia demotucana como prova de superioridade da gestão privada na exploração das riquezas nacionais. Um contrafogo neoliberal aos avanços da Petrobrás.

A Repsol não furou um único poço de petróleo na Argentina desde 2009. Na Espanha, o governo do direitista PP adianta que reagirá à ‘expropriação‘. Faria melhor se concentrasse o súbito ardor soberano na resistência a ação predatória do capital financeiro sobre a sociedade espanhola: nesta 2ª feira, o cartel rentista global exigia da Espanha um ganho extra entre quatro e cinco pontos acima da rentabilidade dos títulos alemães para continuar financiando a austeridade suicida de Mariano Rajoy.

Postado por Saul Leblon às 14:25

Fonte : Carta Maior

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Espanha promete resposta dura após nacionalização de YPF pela Argentina

Atualizado em  17 de abril, 2012 – 08:25 (Brasília) 11:25 GMT

Espanhola Repsol disse que pode recorrer a arbitragem internacional após nacionalização da YPF

O governo espanhol alertou, nesta terça-feira, que vai defender seus interesses e responder com medidas “claras e contundentes” ao anúncio de que a Argentina pretende “expropriar” 51% da petrolífera de capital argentino e espanhol Repsol-YPF.

O ministro espanhol da Indústria, José Manuel Soria, disse que as medidas serão divulgadas nos próximos dias. Segundo ele, o anúncio feito na segunda-feira pela presidente Cristina Kirchner é um gesto de hostilidade contra a Espanha e o governo espanhol.

A empresa espanhola Repsol tem 57% de participação na YPF.

Esses atos não saírão impunes“, disse o presidente da Repsol, Antonio Brufau.

Segundo ele, a presidente Kirchner recorreu à nacionalização “como forma de esconder a crise econômica e social que a Argentina está enfrentando”. Brufau acusou a Argentina de fazer uma campanha, nas últimas semanas, para derrubar o valor das ações da empresa e conseguir um preço baixo pela expropriação.

A Repsol disse que vai recorrer à arbitragem internacional, se necessário. Segundo a agência de notícias AFP, a empresa quer receber uma indenização de pelo menos US$ 10 bilhões.

Crise diplomática

O embaixador argentino em Madri foi convocado a comparecer, nesta terça-feira, ao Ministério das Relações Exteriores da Espanha para discutir o assunto.

Mais cedo, o chanceler espanhol, José Manuel Garcia-Margallo, disse que o “clima de amizade” entre os dois países havia sido rompido.

O premiê da Espanha, Mariano Rajoy, tem viagens marcadas ao México e Colômbia, onde deve tentar conseguir apoio contra a decisão argentina.

A nacionalização foi anunciada sob aplausos, na segunda-feira, pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que disse ter se inspirado na Petrobras.

Um projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, estabelece que o Estado passa a controlar a empresa – que havia sido privatizada nos anos 1990.

Manifestantes comemoraram a nacionalização da YPF na Argentina

A presidente justificou a decisão diante da queda na produtividade da petroleira, do aumento inédito das importações de combustíveis, e do fato da a Argentina ser um dos poucos países no mundo que não têm o “controle” deste setor.

Depois de 17 anos, pela primeira vez em 2010, tivemos que importar gás e petróleo. Também tivemos redução no saldo comercial [devido à queda nas exportações do setor], que entre 2006 e 2011 foi de 150%”, afirmou.

“Não se trata de estatização, mas de recuperação da empresa, que passará a ser controlada pelo Estado argentino”, disse, em rede nacional de rádio e de televisão.

Ela também anunciou a assinatura de um decreto intervindo na companhia, que passará a ser administrada por autoridades locais, antes mesmo da aprovação do texto pelos parlamentares argentinos.

Petrobras

Cristina afirmou que a decisão argentina não é um “fato inédito”, já que outros governos, como México e Bolívia, possuem 100% das empresas petrolíferas estatais. Ela citou o Brasil como um modelo.

“No Brasil, o Estado tem 51% [das ações] por meio da Petrobras. Nós escolhemos o mesmo caminho [com a Repsol-YPF]. Queremos ter uma relação igualitária com nosso sócio [Brasil], para ajudar a América Latina a se transformar também em região de auto-abastecimento. E, por isso, queremos incluir Venezuela no Mercosul para fechar o anel energético”, disse.

A presidente disse que a medida não afeta “outros sócios ou acionistas” da Repsol-YPF. No entanto, após o anúncio, as ações da empresa registraram forte queda na Argentina e no mercado internacional.

A presidente afirmou também que seu governo quer trabalhar junto com o empresariado, mas que “não vai tolerar” a falta de cooperação com seu país. O anúncio da presidente foi interpretado por analistas argentinos como sinal de “maior ingerência do Estado” na economia local.

Fonte: BBC Brasil

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YPF da Argentina e histeria privatista

Por Altamiro Borges

A decisão da presidenta Cristina Kirchner de reestatizar a empresa petrolífera da Argentina, a YPF, fez ressurgir com força o debate sobre as privatizações das estatais na América Latina. Os ideólogos privatistas e também os “privatas” – aqueles que desviaram a grana da venda do patrimônio público para as suas contas, como revela o livro “A privataria tucana” – estão irritados, histéricos.

Arrogância imperial da Espanha

A Espanha, que tem saqueado as riquezas de várias nações para tentar se salvar do colapso econômico – seja com a remessa de lucros da Repsol na Argentina ou da Telefônica no Brasil –, já declarou guerra ao governo soberano do país vizinho. Arrogante e imperial, o primeiro-ministro Mariano Rajoy criticou a “quebra de contrato” com a multinacional espanhola e prometeu “duras” retaliações.

O direitista não tem moral para falar em “quebra de contratos” – que o digam os trabalhadores espanhóis que tiveram seus direitos aniquilados por seu recente pacote de austeridade fiscal, que rasgou todos os “contratos” trabalhistas em vigor na Espanha. Rajoy esperneia para defender a ganância da Repsol, uma multinacional que não investia no setor e apenas roubava o povo argentino.

O ganância da Repsol

A YPF foi privatizada em 1999 pelo governo neoliberal de Carlos Menem. A Repsol passou a deter 57% das ações da ex-poderosa estatal de petróleo. Com o tempo, porém, ficou visível a falsidade do discurso sobre a tal eficiência da iniciativa privada. Em 2010, a Repsol obteve um lucro de 1,4 bilhão de euros do subsolo argentino. Já a produção nacional de petróleo recuou quase 5,5%.

Em decorrência do pujante crescimento econômico da Argentina, o consumo de petróleo aumentou 38% e o de gás cresceu 25%, entre 2003 e 2010. Já oferta da multinacional caiu 12% e 2,3%, respectivamente. Com isso, o país, que já foi autossuficiente em petróleo, foi forçado elevar a importação do produto. No ano passado, o governo gastou US$ 11 bilhões com a conta petróleo.

A falta de compromisso da Repsol com o desenvolvimento do país atiçou os atritos com o governo argentino, que nesta segunda-feira (16) anunciou a reestatização da empresa. Antes, a presidenta já havia fixado um imposto sobre a exportação de petróleo e adotado outras medidas para coagir a multinacional. Mas a Repsol não recuou no saque. Desde 2009, ela não furou um único poço de petróleo no país.

A gritaria da mídia colonizada

Diante da decisão soberana do governo argentino, os privatistas e “privatas” fazem o maior escarcéu – sem analisar os méritos da medida. Para isso, como sempre, eles contam com as manipulações da mídia entreguista e colonizada. O Clarín, veículo-palanque das correntes neoliberais da Argentina, aliou-se à Espanha para condenar o governo de Cristina Kirchner.

No Brasil, a mídia também partiu para o ataque. Em seu editorial de hoje (17), a Folha condena a “expropriação” da multinacional Repsol. Para o jornal, que venera o deus-mercado, “trata-se de uma medida intempestiva, que gera insegurança jurídica e erode ainda mais a já desgastada credibilidade daquele país aos olhos do mercado internacional”.

No Jornal da Globo de ontem à noite, Willian Waack, frequentador do Instituto Millenium – o antro dos barões da mídia nativa – só faltou pregar a derrubada da presidenta Cristina Kirchner. Talvez ele até receba algum título honorifico do rei da Espanha ou algum agradecimento especial da Repsol!

Fonte; Blog do Miro

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Martes 17 de Abril de 2012, 05:54 am

Repsol recurrirá a arbitraje internacional por nacionalización de YPF

El acto de expropiación es “ilegítimo e injustificable”, afirmó presidente de Repsol, Antonio Brufau. (Foto: Efe)

La expropiación “sólo es una forma de tapar la crisis social y económica que está enfrentando Argentina” debido principalmente a una “política energética equivocada”, dijo el Presidente de la petrolera.

La petrolera Repsol pedirá por arbitraje internacional una compensación de más de 10 mil millones de dólares tras la decisión del gobierno de Cristina Kirchner de expropiar su filial YPF, que el presidente del grupo atribuyó a un deseo de “tapar la crisis” en Argentina.

“Estos actos no quedarán impunes”, aseguró el presidente de Repsol Antonio Brufau en rueda de prensa en Madrid.

La compañía española pedirá “una compensación a través del arbitraje internacional”, afirmó, que deberá “ser al menos igual” al valor de su participación de 57,4 por ciento en YPF, que Repsol valoró en 10 mil 500 millones de dólares.

Sobre la “campaña de hostigamiento” realizada en las últimas semanas por las autoridades de Argentina, Brufau consideró que estuvo “calculadamente planificada para provocar el derrumbe de la acción de YPF y facilitar la expropriación a precio de saldo”.

Acusando a la petrolera de no cumplir sus compromisos de inversión en el país en un momento en que no deja de crecer el déficit energético de Argentina, Kirchner envió el lunes al Congreso un proyecto de ley para declarar de utilidad pública un 51 por ciento de YPF.

“A través de levantar la bandera de la expropiación y buscar un responsable en YPF se oculta la realidad”, consideró Brufau.

Afirmó que las autoridades argentinas entraron en las instalaciones de Repsol YPF “al amparo de una ley de Videla”, el presidente de Repsol aseguró que esta actuación “no es propia de un país moderno”. “La gente de este país se merece otra cosa”, añadió.

“Repsol iniciará todos las acciones legales que están a su alcance”, afirmó. “El abanico es amplio”, subrayó, citando “demanda constitucional, civil, comercial”.

A las críticas de falta de inversión, Brufau respondió asegurando que desde la adquisición de la filial argentina en 1999, “YPF ha hecho 20 mil millones dólares de inversión” en Argentina a los que “hay que añadir los 15 mil millones de la compra”.

Desde entonces, “las inversiones siempre han sido muy superiores a los resultados”, aseguró.

teleSUR – Efe/KMM

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Pepe Escobar: “A rússia comanda o óleo-gasodutostão”, do Asia Times

QUINTA-FEIRA, 22 DE MARÇO DE 2012

23/3/2012, Pepe EscobarAsia Times Online

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
O novelão perene do Óleo-gasodutostão chama-se “Nabucco” – o suposto Santo Graal do gás, do Mar Cáspio para a Europa, 4.000km, da Turquia à Áustria.

Parte do gás a ser transportado pelos tubos de Nabucco pode vir do Azerbaijão. Outra parte, talvez – e “talvez” muito problemático – vem do Turcomenistão. Mas analista de questões de energia que se dê ao respeito sabe que Nabucco só poderá funcionar, se receber gás natural do Irã. Só acontecerá sobre o cadáver coletivo do pessoal em Washington. 

Assim sendo, vê-se que, mais uma vez, a ‘liderança’ política sem espinha dorsal da União Europeia (UE) – mais uma vez em atuação digna de poodles de desfile – sabotou, gloriosamente, o que sempre fora apresentado como seu mais ambicioso projeto energético; afundou, sob pressão dos EUA; e, bem feitas as contas, sacrificou a própria independência energética da Europa. E, isso, feito por aquela gente que não perde oportunidade de gemer que a Europa é “refém do gás” da Gazprom russa. 

Como em tudo, também no Óleo-gasodutostão há camadas e camadas de nuanças. Moscou liberou geral e está usando todas as armas para impedir que o Irã venha algum dia a unir-se ao projeto Nabucco – porque o item 1 da agenda política dos russos é estender a 30% o que controlam do suprimento de gás para a União Europeia.

O aspecto crucial do gás do Azerbaijão depende dos campos gigantes de Shah Deniz 2. Para o que se conhece como Corredor Sul, via Itália, há dois possíveis gasodutos em competição. E há dois outros que competem numa rota Norte/Bálcãs; um deles é o Nabucco; o outro, fiel ao etos das siglas do Óleo-gasodutostão, é o gasoduto SEEP, South East Europe Pipeline (Gasoduto Sul-Leste da Euroa). Só ano que vem o mundo conhecerá o último capítulo desse infindável novelão.

Para o Corredor Sul, o favorito é o TAP (Gasoduto Trans-Adriático), joint-venture suíço-alemã-norueguesa. O TAP usará infraestrutura já implantada e ainda precisa de investimentos só para um pequeno trecho de tubos submersos, da Grécia à Itália. A empresa norueguesa Statoil é sócia, com 25,5%, na exploração dos campos de Shah Deniz 2, o que facilita muito as coisas.

Para a rota Norte/Bálcãs, é possível que a cantora gorda da ópera decida-se a favor de Nabucco. Mas o mais cotado para vencer é o projeto da British Petroleum (BP), muito mais barato que Nabucco, e que não exige, para operar, suprimento de gás do Turcomenistão.

A British Petroleum – de grande fama como poluidora do Golfo do México – é, nada mais nada menos, que acionista majoritária dos campos Shah Deniz 2. O Azerbaijão – atolado em corrupção – pode ser descrito, sem exagero, como terra (e subsolo) da British Petroleum. Até sua mais íntima aliada, Washington, sabe que o presidente Ilham Aliyev do Azerbaijão, é uma variante local de capomafioso. Os azeris, por falar deles, andam muito populares em Washington, por cortesia do lobby israelense.

Jogamos xadrez de estilo ganha-ganha 
Vencedora indiscutível, nessa complexa batalha no Óleo-gasodutostão, é a Turquia. Afinal, todo o gás que viaje do Azerbaijão até a Europa tem de cruzar a Turquia. Desde dezembro último, de fato, a Turquia e o Azerbaijão já têm, assinado e vigente um memorandum, pelo qual se comprometem a construir o óleo-gasoduto Trans-Anatólia (Trans-Anatolian PipelineTANAP). OTANAP, eventualmente, se integrará ao Corredor Sul.

Ainda que o Azerbaijão decida vender seu excedente de gás à Rússia, mesmo assim a Turquia ganha. A Turquia autorizou que o óleo-gasoduto Corredor Sul Rússia-Itália (Vladimir Putin-Silvio Berlusconi?) atravesse território turco, em troca de comércio e laços energéticos mais robustos com a Rússia.

O caso é que a Rússia ganha sempre. O Corredor Sul é caso de sucesso. E a Gazprom, por sua vez, já ampliou a pegada ofensiva por toda a Ásia Central; significa que quanto mais gás a Gazprom importar deles, menos gás sobrará para a Europa (a menos que decidam comprar gás que só a Rússia terá para vender…).

Com Putin de volta à presidência em maio, a estratégia que traçou em 2000 está muito claramente valendo muito mais do que pesa. 

Alexei Miller, presidente da Gazprom – nomeado por Putin – está empenhado de corpo e alma em criar uma complexa economia de escala, com energia fornecida aos países da região, em espírito muito “ganha-ganha” à moda chinesa.

O governo no Azerbaijão, por exemplo, sabe muito bem que a Rússia é o únicoplayer capaz de determinar o que se faz no Cáucaso – e, além disso, oferece excelentes negócios com energia. Com o quê se chega facilmente o que os muros já gritam: a Rússia, governada por Putin, será ainda mais influente, do Cáucaso à Ásia Central.

Para que isso funcione, a Rússia tem de torpedear o projeto Nabucco. Em boa parte, já foi torpedeado pela vasta crise financeira europeia. É possível que Nabucco acabe custando gordíssimos $25 bilhões (e aumentando). “É possível” que a construção do complexo Nabucco comece ao final de 2014 e esteja concluída ao final de 2017; mas todas essas datas já foram marcadas e adiadas incessantemente, há anos. O Azerbaijão só pode fornecer menos da metade do gás. Ninguém, em lugar algum, sabe de fato qual será o jogo do Turcomenistão. E o Irã já foi descartado pela Voz do Dono – Washington.

Só o Óleo-gasoduto Trans-Cáspio (TCP Trans-Caspian Pipeline) – entre o Turcomenistão e o Azerbaijão – continua a aparecer nas cartas. Em teoria, poderia ser a ponte para que a Europa finalmente consiga algum acesso (indireto) até a riqueza energética do Mar Cáspio na Ásia Central. Ashgabat e Baku parecem estar sincronizadas – em negociações construídas por negociadores da União Europeia, com endosso dos turcos. Mas a Rússia de Putin fará o diabo, para detonar os planos do Óleo-gasoduto Trans-Cáspio, TCP.

A questão mais dramática, que mais pressiona por todos os lados, parecer ser a seguinte:

quando, afinal, alguém acordará em Bruxelas, sairá do barato masoquista em que a União Europeia continua mergulhada, porá fim à sandice norte-americana das sanções, e começará a conversar sobre energia com o Irã?!

Irã corta venda de petróleo para 6 países da UE – afirma TV

TEERÃ, 15 Fev (Reuters) – O Irã interrompeu as exportações de petróleo para seis países europeus em retaliação pelo fato de a União Europeia (UE) ter imposto sanções às importações do produto do país, sua principal fonte de renda, informou nesta quarta-feira a Press TV, emissora iraniana que transmite em inglês.

“O Irã cortou suas exportações de petróleo para seis países europeus”, afirmou a Press TV.

A Press TV disse que o Irã parou de exportar petróleo para Holanda, Grécia, França, Portugal, Espanha e Itália.

Os preços futuros do petróleo Brent subiam mais de um dólar o barril, para 118,78 dólares, por volta das 9h30, após o anúncio do corte iraniano.

Os 27 países-membros da União Europeia decidiram parar de importar petróleo de Irã a partir de 1o de julho por conta do impasse em torno do programa nuclear do país, que o Ocidente acredita ser destinado à construção de bombas, fato negado pelo Irã.

O Ministério de Petróleo do Irã disse em 4 de fevereiro que o Estado Islâmico certamente cortaria as exportações para “alguns” países da Europa.

Fonte: Reuters

China diz que veto da UE a petróleo do Irã não é “construtivo”

Países da UE concordam em vetar importações de petróleo iraniano

O governo chinês criticou a União Europeia nesta quinta-feira por proibir a importação de petróleo do Irã, o terceiro maior fornecedor do produto à China e grande parceiro comercial.

Na segunda-feira a União Europeia concordou em proibir a importação de petróleo do Irã e impôs uma série de outras sanções econômicas, juntando-se aos Estados Unidos em uma nova rodada de medidas que objetivam forçar o país a interromper suas atividades nucleares, que o governo iraniano diz terem fins pacíficos.

A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, vem se opondo há tempos a sanções unilaterais ao setor energético iraniano e tentando reduzir as tensões, que podem ameaçar seu suprimento.

Na semana passada, o governo chinês disse a uma delegação iraniana em visita que retomar as conversas nucleares é “prioridade máxima”. Durante uma turnê em estados árabes no início do mês, o premiê chinês Wen Jiabao também fez uma declaração dura se opondo ao desenvolvimento e posse de armas nucleares pelo Irã, mas defendeu o direito chinês de comprar petróleo cru do país persa como uma atividade comercial normal.

Indagado sobre o embargo da UE, o ministro das Relações Exteriores da China disse em um comunicado enviado por fax: “Não é uma abordagem construtiva simplesmente aumentar a pressão e impor sanções”.

“A China espera que as partes relevantes recorram a medidas que levem à paz e à estabilidade regionais”.

A China é o maior comprador de petróleo cru iraniano, mas cortou suas compras pela metade em janeiro e fevereiro por conta de uma disputa sobre os termos de pagamento.

Fonte: Reuters

Venezuela não acatará decisão do Banco Mundial sobre a Exxon

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse no domingo que seu país não vai aceitar a decisão de um tribunal do Banco Mundial no julgamento de uma disputa de bilhões de dólares com a Exxon Mobil Corp.

A Exxon levou o caso com a Venezuela ao Centro Internacional do Banco Mundial para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos, ou ICSID, pedindo uma compensação de 12 bilhões de dólares, depois que Chávez ordenou a nacionalização do projeto de petróleo Cerro Negro, em 2007.

“Estou lhes dizendo: não vamos acatar qualquer decisão,” disse Chávez durante um discurso transmitido pela TV. Ele tem acusado repetidamente a gigante do petróleo dos EUA de fazer uso de acordos injustos no passado, para “roubar” os recursos naturais do país da América do Sul, membro da OPEP.

Na semana passada outro painel de arbitragem da Câmara Internacional do Comércio, deu à empresa americana 908 milhões de dólares num julgamento separado do caso relativo à nacionalização da Cerro Negro, fazendo com que as atenções se voltassem para o processo em andamento no Banco Mundial.

No sábado, o ministro do petróleo venezuelano, Rafael Ramirez, disse à Reuters que ele não esperava que o veredicto sobre este caso saísse antes do final do ano. O caso deve começar a ser discutido em fevereiro.

Os dois casos têm sido observados de perto pela indústria do petróleo por causa de possíveis precedentes em futuras disputas entre empresas e países produtores, que têm cada vez mais procurado ficar com uma fatia maior das receitas do petróleo, a medida que os preços sobem e novas reservas tornam-se mais difíceis de encontrar.

Fonte: Reuters