PEPE ESCOBAR: “O QUEBRA-CABEÇAS DAS SANÇÕES EUA-UE-RÚSSIA”

146260_600

17/9/2014, [*] Pepe EscobarRT, Moscou

The US-EU-Russia sanctions puzzle

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Façam os russos o que fizerem, ninguém nem pensa: a solução é aplicar sanções, sanções e mais sanções. Agora, lá nos vamos outra vez… O mais recente pacote de sanções, do Tesouro dos EUA & União Europeia, ataca bancos, a indústria de energia e a indústria de defesa russos.

As atuais sanções são mesquinhas. São imundas. Não há eufemismo que mascare o que são as sanções contra a Rússia; são, de fato, uma declaração de guerra econômica.

O Sberbank, maior banco russo não terá acesso a capitais ocidentais para financiamentos de longo prazo, inclusive a qualquer tipo de empréstimo com prazo superior a 30 dias. E as atuais sanções contra empréstimos de 90 dias que afetam seis outros grandes bancos russos – de um pacote anterior de sanções – passam a aplicar-se também a partir de 30 dias.

No front da energia, o que EUA-UE querem é pôr fim aos novos projetos russos de exploração na Sibéria e no Ártico, impedindo as empresas do Grande Petróleo ocidentais de vender equipamento e tecnologia para projetos de exploração de gás de xisto no oceano, em águas profundas.

Significa que Exxon e Shell, por exemplo, estão com suas operações congeladas em cinco projetos com empresas gigantes de petróleo/gás/gasodutos russas: Gazprom, Gazprom Neft, Lukoil, Surgutneftegaz e Rosneft.

Ninguém jamais perdeu dinheiro apostando na imbecilidade dos “altos funcionários dos EUA” de sempre – que hoje se dedicam a “comentar” o mais recente pacote de sanções, como “instrumento” para “forçar Moscou a respeitar a lei internacional e a soberania do estado”. Qualquer passar de olhos, rápido que seja, sobre os registros históricos relacionados ao tal “instrumento” já provoca convulsões de gargalhadas.

E há também o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro dos EUA, David Cohen, que só faz insistir que o pacote “isola” ainda mais a Rússia do sistema financeiro global.

Membros do Parlamento Europeu aplaudem de pé, durante votação do acordo entre Ucrânia e União Europeia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, dia 16/9/2014
(foto: Vincent Kessler)

O pacote também foi descrito pela imprensa-empresa ocidental como capaz de “irritar ainda mais os mercados financeiros, já super sensíveis”. Ora! Nenhum mercado deu qualquer sinal de “irritação”. Na Rússia, as ações das empresas sancionadas subiram de valor. Nos EUA, as ações das empresas de energia despencaram. Tradução taquigráfica: os mercados “irritados” e “super sensíveis” interpretaram o novo pacote de sanções como mais um gol-contra, de Washington e Bruxelas.

A Eurásia distancia-se

Quanto a “isolar” a Rússia, as empresas estão impedidas de se aproximar, na novilíngua de Washington-Wall Street, “de importantes fontes de financiamento denominadas em dólar”. Dito eufemisticamente, não podem nem chegar perto de “capital ocidental” – e quem fala de capital ocidental fala de dólar e euro. Quem acompanha os grandes movimentos que se vão sobrepondo em direção a um mundo multipolar, já sabe que a Rússia já não precisa de dólares norte-americanos e de euros.

Moscou pode usar essas moedas para comprar-trocar por bens e serviços nos EUA e na União Europeia. Mas, mesmo esses bens e serviços, podem ser comprados em outros pontos do mundo. Para tanto, você não precisa de “capital ocidental” – com Moscou fazendo avançar rapidamente o uso das respectivas moedas nacionais com outros parceiros comerciais. A gangue atlanticista assume que Moscou precisaria de bens e serviços dos EUA e UE, muito mais do que EUA e UE precisariam de bens e serviços da Rússia. Não passa de falácia.

A Rússia pode vender seus abundantes recursos de energia em qualquer moeda exceto dólares norte-americanos e euros. A Rússia pode comprar da Ásia e da América do Sul todas as roupas de que precisa. No front eletrônico e de alta tecnologia, praticamente tudo já é fabricado, mesmo, na China.

Crucialmente, será muito excitante assistir à União Europeia – que ainda não tem política comum de energia para todo o bloco – forçada a negociar com fornecedores alternativos. Azerbaijão, Turcomenistão e Qatar, por grande número de razões complexas – que vão de gás em quantidade insuficiente para vender, à ausência de gasodutos – não entram nessa dança.

O governo Obama, por sua vez, simplesmente não permitirá que a União Europeia ponha-se a importar energia do Irã a partir de, pode-se dizer, amanhã cedo. Mesmo que o acordo nuclear hoje cambaleante venha a ser assinado antes do final de 2014 – e presumivelmente abra o caminho para o fim das sanções contra o Irã.

Os mercados ditos “irracionais” nada têm de irracionais: os mercados estão vendo o que realmente está acontecendo. Mercados são movidos pela busca de lucro máximo, derivado darealpolitik.

Entrementes, Moscou ainda nem contragolpeou. E pode ser contragolpe letal – que vise exportadores para a Rússia e mesmo consumidores de energia russa. Na sequência, a União Europeia retaliará. E a Rússia contrarretaliará. É exatamente o que Washington quer: guerra econômica/comercial que devaste e rache a Eurásia.

Sobre aqueles US$ 20 trilhões…

No front político, Ucrânia e União Europeia já concordaram, inicialmente, em “adiar o Acordo de Associação com a União Europeia para o final de 2016”.

O tal acordo é absolutamente irrealizável; fizeram, agora, o mesmo que Yanukovich havia feito em novembro passado, porque sabia que Kiev não podia perder praticamente todo o comércio que a liga a Ucrânia à Rússia, em “troca” de um muito vago “livre comércio” com a União Europeia. O acordo para “adiar” o acordo foi, de fato, supervisionado por aquela indescritível insuperável mediocridade que atende pelo nome de José Manuel Barroso, presidente em final de mandato da Comissão Europeia.

Mas foi quando o Parlamento Europeu, em sessão plenária em Estrasburgo, correu a ratificar o Acordo de Associação da Ucrânia, no mesmo momento em que o presidente Petro Poroshenko submetia o documento ao Parlamento ucraniano. Não significa que o Acordo passa(ria) a ser imediatamente vigente. A “integração” econômica com a União Europeia – fórmula eufemística para a invasão de mão-única, da Ucrânia, por produtos da União Europeia – só começará em janeiro de 2016. E não há como uma União Europeia detonada pela crise vir a incorporar a Ucrânia, antes daquela data, ou jamais, seja quando for.

Na 5ª-feira (18/9/2014), Poroshenko reúne-se com patrão dele, o presidente Barack Obama dos EUA, e falará em sessão conjunta do Congresso dos EUA. Preparem-se para um choque de retórica contra o “império do mal” de dimensões intergalácticas.

Mas será no sábado, em Berlim que a coisa real começa a desdobrar-se: negociações de energia entre Rússia, União Europeia e Ucrânia. Desnecessário repetir: Moscou tem todas as cartas decisivas.

A dívida-monstro de Washington já está chegando aos US$ 20 trilhões – e não para de aumentar. Com crise-monstro se aproximando como tsunami vindo do inferno, não surpreende que Washington tenha tido de recorrer à tática diversionista perfeita: o retorno do “império do mal”. É a escola Marvel Comics de política, tuuuuuuuuuuuudo outra vez.

A Rússia tem enorme reserva de capital estrangeiro – e pode atravessar a tempestade. A Alemanha – principal economia da União Europeia – por sua vez, já começou a sofrer. O crescimento ali já é negativo (-0,2%). O vento histérico das sanções está soprando precisamente nessa direção – desencaminhando ainda mais as economias europeias. E ninguém tem qualquer esperança de que a UE tenha colhões para enfrentar Washington. Não naquela Bruxelas infestada de vassalos.

_________________________________

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.

Livros:

− Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War,  Nimble Books, 2007.

− Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge,  Nimble Books, 2007.

− Obama Does Globalistan,  Nimble Books, 2009.

Fonte: Rede Castor Photo

Pepe Eecobar: Obama’s ‘stupid stuff’ legacy

obama putin
By Pepe Escobar

But whether people see what’s happening in Ukraine, and Russia’s aggression towards its neighbors in the manner in which it’s financing and arming separatists; to what’s happened in Syria – the devastation that [President Bashar al-]Assad has wrought on his own people; to the failure in Iraq for Sunni and Shia and Kurd to compromise – although we’re trying to see if we can put together a government that actually can function; to ongoing terrorist threats; to what’s happening in Israel and Gaza – part of peoples’ concern is just the sense that around the world the old order isn’t holding and we’re not quite yet to where we need to be in terms of a new order that’s based on a set of different principles, that’s based on a sense of common humanity, that’s based on economies that work for all people.President Barack Obama

Looks like US President Barack Obama made a royal mess of what his mentor Dr Zbigniew “Grand Chessboard” Brzezinski taught him. 

Dr Zbig always quotes Sir Halford John Mackinder’s three grand imperatives of imperial geostrategy; to prevent collusion and maintain security dependence among the vassals; to keep tributaries pliant and protected; and to keep the barbarians from coming together.

After dabbling briefly with “leading from behind” – a non-starter – Obama finally went Mackinderesque with his stellar “Don’t Do Stupid Stuff” foreign policy doctrine.

Nevertheless, an always alert former secretary of state Hillary Clinton said “Don’t do Stupid Stuff” isn’t a “foreign policy organizing principle”. Yet “Stupid Stuff” is all that the Obama foreign policy team knows how to do.

Starting with Obama treating Russia under President Vladimir Putin the way Hillary’s husband treated Russia under vodka container Boris Yeltsin. Then came the decision – without any public debate – to start bombing Iraq all over again. And soon Syria. Bombs Away in Syraq!

So “protect” Yazidis, yes. Protect Gazans, no. “Protect” Kiev’s bunch of neo-Nazis, fascists and shady oligarchs, yes. Protect Russophones in Eastern Ukraine, no.

It all started with protecting Irbil – already protected by Sumerian goddess Ishtar for millennia. Then protecting Irbil and Baghdad. Then protecting all “strategic” sites in Iraq.

Retired General Carter Ham of AFRICOM/”We came, we saw, he died” fame, was adamant that it will be “very difficult” to pull off so much protecting with only a few fighter jets. So drones will be needed. And troops on the ground.

From protecting ExxonMobil and Chevron to double bombing in Syraq. No wonder the Return of the Living (Neo-Con) Dead are so excited. It’s the Greater Middle East all over again. And guess who will be part of the coalition of the willing to fight the Caliph? Britain, Australia, Turkey, Jordan and Gulf Cooperation Council stalwarts Qatar, Saudi Arabia and the United Arab Emirates.

Almost the same bunch (five among seven) that enabled the rise of the Islamic State of Iraq and Syria (ISIS) in the first place, from “Assad must go” to “good” and “bad” jihadis, and finally to ISIS (now the Islamic State) configured as the sprawling abode – complete with flush private army – of Caliph Ibrahim.

And no, there’s no strategy. Hee haw!

Bye bye petrodollar
Now let’s see the dividends of “Don’t Do Stupid Stuff” as applied to Ukraine.

Back to the Mackinderesque Dr Zbig. Some vassals – the usual NATO/GCC suspects, but not all of them – may still believe they profit from “security dependence”, while others remain nervously pliant and, in theory, feel “protected” by the Empire of Chaos.

But then the Empire of Chaos “encouraged” a de facto coup. And gave the green light for the new Kiev mob to do in Eastern Ukraine roughly what Israel does in Gaza. The idea in Ukraine was to bog down Russia in its western borderlands and cut off the economic/trade link between Russia and Germany. Cut Eurasia in half.

But then Obama launched a Cold War 2.0 that could easily turn hot. He destroyed the relationship with chancellor Angela Merkel and Germany and amplified the strategic embrace between the Bear and the Dragon, with the result that Beijing started paying less attention to the “pivoting to Asia” because now it enjoys even more backing from Moscow. Meanwhile, Moscow further stalls Washington’s advances in Central Asia.

Sanctions on Russia not only reinforce its internal market but also boost its foreign trade – way beyond European shores. Yet still it was not enough to totally sell out to Wall Street and totally wreck US foreign policy. With aides/advisors like National Security Advisor Susan Rice, Deputy National Security Advisor Benjamin Rhodes, US Ambassador to the United Nations Samantha Power, and Assistant Secretary of State Victoria Nuland, who needs enemies?

Obama’s sanctions hysteria is leading the way to the progressive end of the US dollar as reserve currency, and the end of the petrodollar.

Witness this – the most important news of these last few months after the Russia-China “gas deal of the century”.

Obama is accelerating the now uncontrolled collapse of the Empire of Chaos. The new axis of the future – Beijing, Moscow, Berlin – is slowly but surely coming together. There’s nothing “barbarian” about them. And the bulk of the Global South supports them.

“The old order isn’t holding” – indeed. “The Caliph is evil. So I’m applying more sanctions on Russia.” How’s that for Empire management? Good boy. Now pivot. With yourself. And with no strategy.

Pepe Escobar is the author of Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007), Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge (Nimble Books, 2007), and Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). He may be reached at pepeasia@yahoo.com.

(Copyright 2014 Asia Times Online (Holdings) Ltd. All rights reserved. Please contact us about sales, syndication and republishing.)

Fonte: Asia Times

 

Pepe Escobar: From Minsk to Wales, Germany is the key

From Minsk to Wales, Germany is the key

Published time: August 28, 2014 09:27
 
Ukraine's President Petro Poroshenko (L), Russia's President Vladimir Putin (top centre R) and Belarus' President Alexander Lukashenko (3rd R from Putin) meet with high-ranking officials and presidents from Kazakhstan and the European Union in Minsk, August 26, 2014.(Reuters / Alexei Druzhinin)

Ukraine’s President Petro Poroshenko (L), Russia’s President Vladimir Putin (top centre R) and Belarus’ President Alexander Lukashenko (3rd R from Putin) meet with high-ranking officials and presidents from Kazakhstan and the European Union in Minsk, August 26, 2014.(Reuters / Alexei Druzhinin)

 
The road to the Minsk summit this past Tuesday began to be paved when German Chancellor Angela Merkel talked to ARD public TV after her brief visit to Kiev on Saturday.

Merkel emphasized, “A solution must be found to the Ukraine crisis that does not hurt Russia.”

She added that “There must be dialogue. There can only be a political solution. There won’t be a military solution to this conflict.”

Merkel talked about “decentralization” of Ukraine, a definitive deal on gas prices, Ukraine-Russia trade, and even hinted Ukraine is free to join the Russia-promoted Eurasian Union (the EU would never make a “huge conflict” out of it). Exit sanctions; enter sound proposals.

She could not have been more explicit; “We [Germany] want to have good trade relations with Russia as well. We want reasonable relations with Russia. We are depending on one another and there are so many other conflicts in the world where we should work together, so I hope we can make progress”.

The short translation for all this is there won’t be a Nulandistan (after neo-con Victoria ‘F**k the EU’Nuland), remote-controlled by Washington, and fully financed by the EU. In the real world, what Germany says, the EU follows.

Geopolitically, this also means a huge setback for Washington’s obsessive containment and encirclement of Russia, proceeding in parallel to the ‘pivot to Asia’ (containment and encirclement of China).

It’s the economy, stupid

Ukraine’s economy – now under disaster capitalism intervention – is… well, a disaster. It’s way beyond recession, now in deep depression. Any forthcoming IMF funds serve to pay outstanding bills and feed the (losing) creaking military machine; Kiev is fighting no less than Ukraine’s industrial heartland. Not to mention that the conditions attached to the IMF’s ‘structural adjustment’ are bleeding Ukrainians dry.

Taxes – and budget cuts – are up. The currency, the hryvnya, has plunged 40 percent since early 2014. The banking system is a joke. The notion that the EU will pay Ukraine’s humongous bills is a myth. Germany (which runs the EU) wants a deal. Fast.

The reason is very simple. Germany is growing only 1.5 percent in 2014. Why? Because the Washington-propelled sanction hysteria is hurting German business. Merkel finally got the message. Or at least seems to have.

The first stage towards a lasting deal is energy. This Friday, there’s a key meeting between Russian and EU energy officials in Moscow. And then, later next week, it will be Russian, EU and Ukrainian officials. The EU’s energy commissioner, Gunther Oettinger, who was in Minsk, wants an interim deal to make sure Russian gas flows through Ukraine to Europe in winter. General Winter, once again, wins any war.

(L-R) Kazakhstan's President Nursultan Nazarbayev, Russia's President Vladimir Putin, Belarus' President Alexander Lukashenko, Ukraine's President Petro Poroshenko, High Representative of the European Union for Foreign Affairs and Security Policy Catherine Ashton, European Commissioner for Energy Guenther Oettinger, European Commissioner for Trade Karel De Gucht pose on the sideline of a summit in Belarus' capital of Minsk on August 26, 2014. (AFP Photo / Kirill Kudryavtsev)

(L-R) Kazakhstan’s President Nursultan Nazarbayev, Russia’s President Vladimir Putin, Belarus’ President Alexander Lukashenko, Ukraine’s President Petro Poroshenko, High Representative of the European Union for Foreign Affairs and Security Policy Catherine Ashton, European Commissioner for Energy Guenther Oettinger, European Commissioner for Trade Karel De Gucht pose on the sideline of a summit in Belarus’ capital of Minsk on August 26, 2014. (AFP Photo / Kirill Kudryavtsev)

Here, essentially, we have the EU – not Russia – telling Ukrainian President Petro Poroshenko to stuff his (losing) ‘strategy’ of slow-motion ethnic cleansing of eastern Ukraine.

Moscow has always insisted the Ukraine crisis is a political problem that needs a political solution. Moscow would accept a decentralization solution considering the interests – and language rights – of people in Donetsk, Lugansk, Odessa, Kharkov. Moscow does not encourage secession.

Poroshenko, on the other hand, is your typical Ukrainian oligarch in a dance of oligarchs. Now that he’s on top, he does not want to become road kill. He might, if he relies on ‘support’ by the neo-Nazis of Right Sector and Svoboda, because then there will never be a political solution.

The Empire of Chaos, needless to say, does not want a political solution – with a neutral Ukraine economically tied to both the EU and Russia; economic/trade integration across Eurasia is anathema.

It’s all about NATO

In parallel, every EU diplomat with a conscience – well, they do exist – knows that the non-stop hysteria about the Russian‘threat’ to Eastern Europe is a Washington-peddled myth designed to boost NATO. Secretary-General Anders ‘Fogh of War’ Rasmussen sounds like a scratched CD.

It’s hardly a secret in Brussels that larger EU powers simply don’t want permanent NATO bases in Eastern Europe. France, Italy and Spain are forcefully against it. Germany is still sitting on the wall, carefully weighing how not to antagonize both Russia and the US. Needless to say, the Anglo-American “special relationship” badly wants the bases, supported by the hysteria unleashed by Poland and the Baltic states – Estonia, Latvia and Lithuania.

So Fogh of War is on a predictable roll, talking “rapid reinforcements”, “reception facilities”, “pre-positioning of supplies, of equipment, preparation of infrastructure, bases, and headquarters” and “a more visible NATO presence.” This graphically proves, once again, that the Empire of Chaos couldn’t give a damn about Ukraine; it’s all about NATO expansion – the key talking point next week at the Wales summit.

The no-holds-barred neoliberal asset-stripping, wild privatization and outright looting of Ukraine, disguised as loans and ‘aid’, is now unstoppable. Yet gobbling up Ukraine’s agriculture and energy potential is not enough for the Empire of Chaos. It wants Crimea back (that future NATO base in Sevastopol…). It wants missile defense deployed in Poland and the Baltics. It would even love regime change in Russia.

And then there’s MH17. If sooner rather than later is proved the Empire of Chaos fooled Europe into counterproductive sanctions based on the flimsiest ‘evidence’, German public opinion will force Merkel to act accordingly.

Germany was the secret behind the Minsk summit. Let’s see if Germany will also be the secret behind the Wales summit. In the end it’s up to Germany to prevent Cold War 2.0 getting hotter by the day all across Europe.

The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.

Pepe Escobar is the roving correspondent for Asia Times/Hong Kong, an analyst for RT and TomDispatch, and a frequent contributor to websites and radio shows ranging from the US to East Asia.

Fonte: Russia Today

Pepe Escobar − “Balé da Energia 2: Síria, Ucrânia e o Oleogasodutostão”

europe-pipelines

26/8/2014, [*] Pepe EscobarRT − Rússia Today

Energy ballet-2: Syria, Ukraine & “Pipelineistan”

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Assim como Irã, Rússia, EUA e União Europeia estão envolvidos num sofisticado balé nuclear/de-energia, Síria e Ucrânia são também dois vetores chaves nos jogos de energia, com peso suficiente para determinar grande parte do que acontece a seguir no Novo Grande Jogo na Eurásia.

E essas duas guerras, na Síria e na Ucrânia, também são guerras de energia.

O plano máster do governo Obama para a Síria era “Assad tem de sair”; a mudança de regime geraria uma entidade da Fraternidade Muçulmana apoiada pelos EUA, e uma perna chave do Oleogasodutostão – o gasoduto Irã-Iraque-Síria, de US$ 10 bilhões – estaria amputada para sempre.

Leiam também: “Balé da Energia: Irã, Rússia e o Oleogasodutostão

O próprio emir do Qatar em pessoa tomou a estrada de Damasco em 2009 para negociar um gasoduto Qatar-Síria-Turquia. Mas Bashar al-Assad disse que não; explicou que não tinha interesse algum em pôr em risco os negócios de energia entre Síria e Rússia.

Mesmo assim, prosseguiram as conversas e, lembrando que em 2001, acontecera um entendimento para um projeto rival Irã-Iraque-Síria. Significa que já aparecia escrito na parede – ou nas tubulações (de aço) que chegariam, mais dia menos dia, ao Mediterrâneo Leste. O gás para consumidores europeus potenciais viria, de fato, do campo Pars Sul, no Irã, contíguo ao campo Cúpula Norte, do Qatar; juntos, os dois campos formam o maior campo de gás de todo o planeta.

Não só para o Qatar e para a Turquia, mas especialmente para a Voz do Patrão, era negócio inaceitável; a política oficial dos EUA de “isolar o Irã” estaria em cacos. Pior: a possibilidade estaria aberta para que a União Europeia em seguida se convertesse em consumidora privilegiada de ambos, Rússia e Irã, dos quais passaria a receber nada menos que 45% de seu suprimento de gás. A plena integração energia/comércio da Eurásia – nesse caso envolvendo grande parte da União Europeia, Rússia e Irã – é anátema absoluto para o Império do Caos.

Eis aí o contexto argumentacional que “explica” o desastre intitulado “Assad tem de sair”; uma guerra DE terror, financiada em grande parte por Qatar e Arábia Saudita, com apoio logístico da Turquia, com Ancara, a CIA e a gangue do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) criando uma ponte aérea “secreta” para armar os chamados jihadistas “do bem”, usando para isso aviões cargueiros militares sauditas, qataris e jordanianos, desde 2012.

O mínimo que se pode dizer, é que a volta do chicote no lombo do chicoteador foi espetacular. “Assad tem de sair” deu em nada. E nada menos que o Estado Islâmico (IS), antes conhecido como ISIL, liderado pelo Califa Ibrahim, ergueu a própria cabeçorra. Até as Forças Especiais dos EUA estão embasbacadas ante o poder de luta deles.

O Califato, que engloba partes da Síria e do Iraque está ganhando rios de dinheiro vendendo – ironia mãe de todas as ironias – petróleo e gás a preço de liquidação no mercado negro. São pelo menos US$ 38 milhões de dólares/mês: US$ 8 milhões de um campo de gás capturado na Síria e US$ 30 milhões de, no mínimo, seis campos de petróleo capturados no Iraque.

As Casas de Saud e Thani mostram-se hoje ostensivamente horrorizadas com o Califa e seus degoladores, inclusive os já chamados jihadistas-Beatles. Mas mesmo assim os doadores sauditas e qataris privados, além de outros notáveis do CCG, continuam a fazer chover dinheiro e armas sobre o Califato. O presidente Erdogan na Turquia está hoje também oficialmente horrorizado. Mas a fronteira turco-síria continua escancarada para o ir e vir de todos os jihadistas viajantes.

No pé em que estão as coisas no Oleogasodutostão, a possibilidade de o projeto do gasoduto Qatar-Síria-Turquia decolar é zero. E as coisas não estão mais bem paradas no que tenha a ver com Irã-Iraque-Síria, considerando que dois desses três países estão em guerra civil sem final à vista.

Deem-nos Grad, que a gente frack

No cenário da Ucrânia, o “vilão” é a Rússia, em vez do Irã. E a implicação é muito mais direta sobre interesses dos EUA.

O que realmente interessa no leste da Ucrânia é limpar uma vasta área para o fracking – mediante uma ofensiva com mísseis Grad, o que levou a êxodo em massa de refugiados.

Michael Hudson resumiu muito bem:

Agora, imaginem se aqui nos EUA o presidente Obama e o vice-presidente Biden mandassem tropas para o interior do estado de New York, que se opõe à perfuração para extração de petróleo/gás, e bombardeassem as cidades de Rochester, Buffalo, e se pusessem a bombardear as cidades e a matar todos os que se opõem ao fracking. Pois isso, exatamente, é o que está acontecendo na Ucrânia. E estão fazendo isso com o apoio do Banco Mundial.

A empresa Royal Dutch Shell é a principal interessada em perfurar/extrair xisto betuminoso no leste da Ucrânia; em janeiro, assinou negócio de US$ 10 bilhões.

E há também a Exxon, além da conexão Burisma Holdings. O governador nomeado de Dnepropetrovsk, cidadão israelense-ucraniano, o tenebroso bilionário Igor Kolomoisky – que também mantém sua própria milícia privada – está na cama com ninguém menos que o vice-presidente dos EUA Joe Biden.filho de Joe Biden foi contratado como diretor para negócios de petróleo e gás da Burisma Holdings – exatamente a maior empresa de extração/refino de xisto betuminoso [fracking] na Ucrânia.

Além disso tudo, o Parlamento em Kiev aprovou lei que permitirá que investidores dos EUA e da União Europeia participem – em termos de joint venture – de até 49% da propriedade da tubulação enterrada no trecho ucraniano e das instalações subterrâneas de armazenamento de gás.

A conversa dos “especialistas” de Kiev é previsível: a joint venture trará o tão necessário “investimento”. E porá na prateleira para sempre o gasoduto Ramo Sul, de 2.446 km, planejado para levar o ouro azul da Gazprom pelo subsolo do Mar Negro e entrar na União Europeia na Bulgária, absolutamente sem passar pela Ucrânia. Tradução: o já periclitante orçamento de Kiev encolherá ainda mais, com a redução nas taxas cobradas pela “passagem” do gás.

A União Europeia importa da Rússia quase 30% do gás de que precisa. Metade disso transita hoje pela Ucrânia. Mas em futuro próximo o gasoduto Ramo Norte, pelo subsolo do Mar Báltico entrará em operação, e o Ramo Sul é praticamente certo, tão logo a confusão na Ucrânia seja resolvida. Contornar a Ucrânia é opção mais firme a cada dia.

Compare-se isso ao sonho molhado de Kiev, inflado por Washington, de vir a “controlar” todo o fluxo de gás da Gazprom para a União Europeia e, além do mais, de controlar todo o comércio em dólares norte-americanos. Mais uma vez, voltamos à política básica do Império do Caos – impedir maior integração econômica/de-energia entre Rússia e União Europeia.

Assim sendo, a prioridade de Washington no curto prazo é sabotar o Ramo Sul; não surpreende que o gasoduto esteja suspenso, com a Comissão Europeia obedecendo caninamente a Voz do Patrão. Mas a obediência nesse caso também significa que, por hora, largas porções da União Europeia permanecem reféns da Ucrânia.

É sob essa luz que se tem de examinar a recente intervenção, pelo vice-ministro do Petróleo do Irã, Ali Mejidi, quando declarou entusiasticamente que o eternamente conturbado Nabucco, a ópera do Oleogasodutostão, se algum dia houve tal coisa, estaria outra vez “em cena”.

A ideia do gasoduto Nabucco é levar gás para a União Europeia via Turquia, Bulgária, Romênia, Hungria e Áustria. Sim, mas, gás vindo de onde? O Turcomenistão e o Cazaquistão ficaram, afinal, excluídos. Poderia ser gás do Azerbaijão, mas essa via exige uma fortuna extra em investimentos. A indústria iraquiana não estará, tão cedo, em operação. E o Irã só estará no jogo se assinar algum acordo nuclear até o final de 2014 e se as sanções forem levantas em 2015 (e todos esses “se” são gigantes).

Assim sendo, na Ucrânia, como na Síria, estamos de volta ao começo do jogo, em termos de energia. O país é uma arca de recursos econômicos, que está sendo sugado para dentro do poço do capitalismo de desastre. No fim, é provável que a Gazprom surja como vencedora.

Não está entendendo Síria e Ucrânia? Calma: basta seguir a trilha das guerras da energia.

____________________________________________

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire, Counterpunch e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today,The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.

Livros:

 Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War,  Nimble Books, 2007.

− Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge,  Nimble Books, 2007.    

 Obama Does Globalistan,  Nimble Books, 2009

 

Fonte: Rede Castor Photo.

Pepe Escobar: A chessboard drenched in blood

the-grand-chess-board-e1322080690924

A chessboard drenched in blood
By Pepe Escobar 

The intelligence and facts were being fixed around the policy.” Everyone remembers the Downing Street Memo, which unveiled the Bush/Blair “policy” in the run-up to the 2003 bombing/invasion/occupation of Iraq. The “policy” was to get rid of Saddam Hussein via a lightning war. The justification was “terrorism” and (non-existent) weapons of mass destruction (WMD), which had “disappeared”, mounted in trucks, deep into Syria. Forget about intelligence and facts. 

The tragedy of MH17 – turned, incidentally, into a WMD – might be seen as a warped rerun of imperial policy in Iraq. No need for a memo this time. The “policy” of the Empire of Chaos is clear, and multi-pronged; diversify the “pivot to Asia” by establishing a beachhead in Ukraine to sabotage trade between Europe and Russia; expand the North Atlantic Treaty Organization to Ukraine; break the Russia-China strategic partnership; prevent by all means the trade/economic integration of Eurasia, from the Russia-Germany partnership to the New Silk Roads converging from China to the Ruhr; keep Europe under US hegemony. 

The key reason why Russian President Vladimir Putin did not “invade” Eastern Ukraine – as much as he’s been enticed to by Washington/NATO – to stop a US military adviser-facilitated running slaughter of civilians is that he does not want to antagonize the European Union, Russia’s top trading partner. 

Crucially, Washington’s intervention in Kosovo invoking R2P – Responsibility to Protect – was justified at the time for exactly the same reasons a Russian intervention in Donetsk and Luhansk could be totally justified now. Except that Moscow won’t do it – because the Kremlin is playing a very long game.

The MH17 tragedy may have been a horrendous mistake. But it may also have been a desperate gambit by the Kiev minions of the Empire of Chaos. By now, Russian intel may have already mastered the key facts. Washington’s predictable modus operandi was to shoot from the hip, igniting and in theory winning the spin war, and doubling down by releasing the proverbial army of “top officials” brimming with social media evidence. Moscow will take time to build a meticulous case, and only then lay it out in detail. 

Hegemony lost 
The Big Picture spells out the Empire of Chaos elites as extremely uneasy. Take Dr Zbigniew “The Grand Chessboard” Brzezinski, who as a former foreign policy mentor has the ears of the increasingly dejected White House paperboy. Dr Zbig was on CNN this Sunday challenging Europe’s leaders to “stand up to Putin”. He wonders if “Europe wants to become a satellite” and worries about “a moment of decisive significance for the future of the system – of the world system”. 

And it’s all Putin’s fault, of course: “We’re not starting the Cold War. He [Putin] has started it. But he has gotten himself into a horrendous jam. I strongly suspect that a lot of people in Russia, even not far away from him who are worried that Russia’s status in the world is dramatically being undermined, that Russia’s economically beginning to fail, that Russia’s threatened by the prospect of becoming a satellite to China, that Russia’s becoming self-isolated and discredited.” 

Obviously Dr Zbig is blissfully unaware of the finer points of the Russia-China strategic partnership, as well as their concerted voice inside the BRICS, the G-20 and myriad other mechanisms. His trademark Russophobia in the end always gets the better of him. And to think that in his latest book, Strategic Vision (2012), Dr Zbig was in favor of an enlarged “West” annexing Turkey and Russia, with the Empire of Chaos posing as “promoter” and “guarantor” of broader unity in the West, and a “balancer” and “conciliator” between the major powers in the East. A quick look at the record since 2012 – Libya, Syria, Ukraine, encirclement of China – reveals the Empire of Chaos only as fomenter of, what else, chaos. 

Now compare a fearful Dr Zbig with Immanuel Wallerstein – who was a huge influence in my 2007 warped geopolitical travel bookGlobalistan. In this piece (in Spanish) Wallerstein argues that the Empire of Chaos simply can’t accept its geopolitical decadence – and that’s why it has become so dangerous. Restoring its hegemony in the world-system has become the supreme obsession; and that’s where the whole “policy” that is an essential background to the MH17 tragedy reveals Ukraine as the definitive do or die battleground. 

In Europe, everything hinges on Germany. Especially after the National Security Agency scandal and its ramifications, the key debate raging in Berlin is how to position itself geopolitically bypassing the US. And the answer, as pressed by large swathes of German big business, lies in a strategic partnership with Russia. 

Show me the missile
Slowly, with no hype and no spin, the Russian military are starting to deliver the goods. Here, courtesy of the Vineyard of The Saker blog, is their key presentation so far. As The Saker put it, Russia had – and has – a “20/20 radar vision”, or full spectrum surveillance, on everything going on in Ukraine. And so, arguably, does NATO. What the Russian Ministry of Defense is saying is as important as the clues it is laying out for experts to follow. 

The damaged MH17 starboard jet engine suggests a shape charge from an air-to-air missile – and not a Buk; that’s consistent with the Russian Ministry of Defense presentation graphically highlighting an Ukrainian SU-25 shadowing MH17. Increasingly, the Buk scenario – hysterically peddled by the Empire of Chaos – is being discarded. Not to mention, again, that not a single eyewitness saw the very graphic, thick missile trace that would have been clearly visible had a Buk been used. 

Way beyond the established fact of a Ukrainian SU-25 trailing MH17, plenty of unanswered questions remain, some involving a murky security procedure at Amsterdam’s Schiphol airport – where security is operated by ICTS, an Israeli company based in The Netherlands and founded by former officers from the Israeli Shin Bet intel agency. And then there is the unexplained presence of “foreign” advisors in Kiev’s control tower.  

As much as Bashar al-Assad in Syria had absolutely no motive to “gas his own people” – as the hysterical narrative went at the time – the Eastern Ukraine federalists have no motive to down a civilian airliner. And as much as Washington doesn’t give a damn about the current civilian slaughter in Gaza, it doesn’t give a damn about the MH17 civilian deaths; the one and only obsession is to force Europeans to sanction Russia to death. Translation: break up Europe-Russia commercial and geopolitical integration. 

One week before the MH17 tragedy, the Russian Institute of Strategic Studies was already sounding the alarm concerning the Empire of Chaos’s “policy” and its refusal to “adhere to the principles and norms of international law and the rules and spirit of the existing system of international relations”. 

Moscow, in building its case on the MH17 tragedy, will bide its time to debunk Kiev’s claims and maximize its own credibility. The game now moves to the black boxes and the cockpit voice recorder. Still Ukraine will remain the do or die battlefield – a chessboard drenched in blood. 

Pepe Escobar is the author of Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007), Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge (Nimble Books, 2007), and Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). 

He may be reached at pepeasia@yahoo.com. 

(Copyright 2014 Asia Times Online (Holdings) Ltd. All rights reserved. Please contact us about sales, syndication and republishing.) 

Fonte: Asia Times