Putin: “US wars in Afghanistan, Iraq, Libya distorted international law”

Vídeo

Publicado em 04/03/2014
WATCH FULL VIDEO HERE http://youtu.be/QiKF8JN1qmk
Wars in Iraq, Afghanistan, Libya were distortions of intl law and UNSC resolution, says Vladimir Putin during is conversation with journalists. READ MORE http://on.rt.com/pmgkkh
Fonter: Russia Today

Syrian News-CrossTalk Israel vs Syria ft. Pepe Escobar)

Vídeo

This video is [FAIR USE] under COPYRIGHT LAW it is: 1 noncommercial 2 trans-formative in nature 3 not competitive with the original work 4 not effecting its market negatively FAIR USE NOTICE: This video contains copyrighted material the use of which has not always been specifically authorized by the copyright owner. We are making such material available in our efforts to advance understanding issues, etc. We believe this constitutes a fair use of any such copyrighted material as provided for in section 107 of the US Copyright Law. In accordance with Title 17 U.S.C. 107, the material on this site is distributed without profit to those who have expressed a prior interest in receiving the included information for research and educational purposes.syrian news,syria.syria war,The US Secretary of State John Kerry has pledged 123m in new non-lethal aid to the Syrian opposition. Kerrys announcement comes after meeting with opposition leaders at a Friends of Syria in Turkey on Saturday. The Syrian National Coalition has been calling for weapons and a no-fly zone to help defeat president Bashar al-Assads forces. But Kerry insists that a political solution is the primary focus. Al Jazeeras Dominic Kane reports.no description availableUN human rights investigators have spoken to the victims of Syrias civil war and gathered medical testimonies which point to the fact that Syrian rebels have used sarin nerve gas, while any allegations of its use by the government remain unsubstantiated.

Syrian News-CrossTalk Israel vs Syria ft. Pepe Escobar)

Vídeo

This video is [FAIR USE] under COPYRIGHT LAW it is: 1 noncommercial 2 trans-formative in nature 3 not competitive with the original work 4 not effecting its market negatively FAIR USE NOTICE: This video contains copyrighted material the use of which has not always been specifically authorized by the copyright owner. We are making such material available in our efforts to advance understanding issues, etc. We believe this constitutes a fair use of any such copyrighted material as provided for in section 107 of the US Copyright Law. In accordance with Title 17 U.S.C. 107, the material on this site is distributed without profit to those who have expressed a prior interest in receiving the included information for research and educational purposes.syrian news,syria.syria war,The US Secretary of State John Kerry has pledged 123m in new non-lethal aid to the Syrian opposition. Kerrys announcement comes after meeting with opposition leaders at a Friends of Syria in Turkey on Saturday. The Syrian National Coalition has been calling for weapons and a no-fly zone to help defeat president Bashar al-Assads forces. But Kerry insists that a political solution is the primary focus. Al Jazeeras Dominic Kane reports.no description availableUN human rights investigators have spoken to the victims of Syrias civil war and gathered medical testimonies which point to the fact that Syrian rebels have used sarin nerve gas, while any allegations of its use by the government remain unsubstantiated.

O melhor de Pepe Escobar no Corbert Report

Vídeo

Publicado em 12/10/2012
DOCUMENTATION: http://www.corbettreport.com/?p=5472

Corbett Report Radio #204

Following our conversation with Pepe Escobar earlier this week, tonight we dip into The Corbett Report archives to highlight some of our previous conversations with the Asia Times Online correspondent. Tonight we look at pipeline politics, the Palestinian bid for UN membership, and the R2P humanitarian bombing paradigm.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=yAgt5Eroz3I

2013: o que mudou de fato no mundo?

O mais importante foi a mudança de clima no cenário mundial. Desde o triunfo na guerra fria, os EUA militarizavam os conflitos. Não foi assim com Síria e Irã.

Por Emir Sader

Como sempre, se acumulam uma quantidade de fatos – entre mortes, eleições, sublevações, etc. – que se destacam jornalisticamente no mundo, mas dificultam a compreensão das alterações nas relações de poder, as que efetivamente contam na evolução da situação internacional.

No emaranhado de acontecimentos, o mais importante foi a mudança de clima no cenário internacional. Desde que triunfou na guerra fria, os EUA tem tido como postura diante dos conflitos internacionais, sua militarização. Transferir para o campo em que sua superioridade é manifesta, tem sido a característica principal da ação imperial dos EUA. Foi assim no Afeganistão, no Iraque, por forças intermedias na Líbia. E se encaminhava para ser assim nos casos da Síria e do Irã.

De repente, pegando ao Secretario de Estado norteamericano, John Kerry, pela palavra, o governo russo propôs ao da Síria um acordo, que desconcertou o governo norteamericano, até que não pôde deixar de aceitar. Isto foi possível porque Obama não conseguiu criar as condições políticas para mais uma ofensiva militar dos EUA. Primeiro o Parlamento britânico negou o apoio a Washington.
Depois, foi ficando claro que nem a opinião publica, nem o Congresso norteamericano, nem os militares dos EUA, estavam a favor da ofensiva anunciada ou do tipo de ofensiva proposta.

O certo é que os EUA foram levados a aceitar a proposta russa, o que abriu as portas para outros desdobramentos, entre eles, combinado com as eleições no Irã, para a abertura de negociações políticas também com esse país por parte dos EUA. No seu conjunto, se desativava o foco mais perigoso de novos conflitos armados.

Como consequência, Israel, a Arábia Saudita, o Kuwait, ficaram isolados nas suas posições favoráveis a ações militares contra a Síria e até contra o Irã. Foi se instalando um clima de negociações, convocando-se de novo uma Conferência na segunda quinzena de janeiro, em Genebra, para discutir um acordo de paz. Uma conferência que não coloca como condição a questão da saída do governo de Assad, como se fazia anteriormente.

A oposição teve que aceitar participar, mesmo nessas condições. E ainda teve a surpresa que os EUA e a Grã Bretanha suspenderam o fornecimento de apoio militar aos setores opositores considerados moderados, que foram totalmente superados pelos fundamentalistas, apoiados pela Arabia Saudita e pelo Kuwait.

Como dois pontos determinam um plano, as negociações sobre a Síria abriram campo para as negociações dos EUA com o Irã, aproveitando-se da eleição do novo presidente iraniano. Desenhou-se, em poucas semanas, um quadro totalmente diverso daquele que tinha imperado ao longo de quase todo o ano. Os EUA passaram da ofensiva à defensiva, a Rússia, de ator marginal, a agente central nas negociações de paz, a ponto que a Forbes, pela primeira vez, elegeu Vladimir Puttin como o homem mais forte do mundo, na frente de Obama. Isso se deve não ao poderio militar ou econômico da Russia, mas ao poder de iniciativa política e de negociação que o país passou a ter.

Fonte: CartaMaior

A primavera árabe foi uma ilusão?

Não sou daqueles que, preconceituosamente, supõem haver uma incompatibilidade entre democracia e mundo árabe. Mas, há tensões históricas que hoje comprovam o fracasso da tese, romantizada pela mídia, de “primavera árabe”.

Vejamos. Depois do colapso do Império Otomano e do fim dos protetorados europeus no pós-Segunda Guerra, surgiu no Egito o modelo autoritário de modernização (Gamal Abdel Nasser, com a queda do rei Faruk), que procurou silenciar a hierarquia muçulmana e se fundamentar nas Forças Armadas essencialmente laicas, a exemplo do que havia ocorrido com a Turquia, nos anos 1920, com Kemal Ataturk.

O modelo nasserista se espalhou rapidamente pela região, com o pan-arabismo frustrado da RAU (República Árabe Unida), entre 1958 e 1961, e a ascensão do partido Ba´ath no Iraque e na Síria.


Negociação de soluções intermediárias entre grupos antagônicos não está ocorrendo, e é pressuposto para democracia

Esse modelo se enfraqueceu diante das derrotas militares para Israel e, um pouco mais tarde, com a Guerra Civil na Argélia (1991-2002), quando grupos islâmicos desafiaram a hegemonia discricionária da Frente de Libertação Nacional, vitoriosa na guerra de independência contra os franceses.

Eis que, na década de 1980, surge a “guerra santa”, no distante Afeganistão, auxiliada pelos Estados Unidos para a expulsão dos invasores soviéticos. Foi um sinal poderoso que, bem mais tarde, no momento oportuno, foi interpretado corretamente pelos grupos e partidos muçulmanos moderados, da Tunísia ou do Egito, e não tão moderados assim, na Síria e na Líbia.

A simples citação desses países já nos fornece o mapa do malogro da chamada “primavera árabe”. É saudável a articulação para derrubar ditaduras pós-nasseristas. O problema é o que criar no lugar delas.

A democracia supõe a capacidade de negociar soluções intermediárias entre grupos antagônicos. É justamente o que não está ocorrendo. Na Líbia e na Tunísia, sem um Exército nacional verdadeiramente forte, o poder de pressão se pulverizou entre milícias, grupos religiosos e entidades da sociedade civil. No Egito, com Forças Armadas bem ou mal arraigadas na sociedade, as tentativas de islamização das instituições resultaram na deposição do presidente Mohammed Mursi e no banho de sangue estancado pela volta dos militares ao poder. E na Síria, apoiada pelo Irã e ao mesmo tempo hostilizada pela Turquia e pela Arábia Saudita, a Guerra Civil deixou de ser um problema interno para ganhar contornos regionais.

Vejam que esse quadro não espelha o simplismo confessional que procura interpretar o quebra-cabeça segundo a lógica de autodefesa e expansão dos interesses xiitas (associados aos alaouitas) ou sunitas. Estamos diante de um quadro generalizado de desorganização institucional. Depois da etapa do grito, chegou a etapa das armas, prevalecendo o poder dos mais fortes. O que viabiliza e de certo modo legitima a tutela sob a qual os militares conseguiram novamente submeter o Egito, país que hoje é o “mais comportadinho” da região.

Isso é primavera? Com certeza, não. É o prosseguimento, com novas formas de dogmatismo, do longo inverno que dissocia a democracia dessa região do mundo.

 (*) João Batista Natali é jornalista, colaborador da Folha de S. Paulo, onde foi repórter por 38 anos. É professor de Ética na Faculdade Cásper Líbero e comentarista da TV Gazeta. Formado em jornalismo e filosofia, é mestre e doutor em semiologia.

Fonte: OperaMundi

Vitórias da multipolaridade mundial

O que parecia impossível há 3 semanas, agora é uma realidade consolidada. O Conselho de Segurança da ONU aprovou o acordo da Rússia com os EUA para a crise síria.

O ultimo obstáculo foi superado, de forma favorável à Rússia, concedendo apenas formalmente aos EUA, à Grã Bretanha e à França. Foi incluído um capitulo do regulamento da ONU, que prevê ações armadas, caso o governo da Síria não obedeça as demandas do acordo. Mas a Rússia conseguiu o essencial para ela: só haveria uma ação armada produto de uma nova decisão, o que possibilitaria a Rússia de exercer o seu direito de veto.

A Russia e a China aprenderam do caso da Líbia – que poderia ter sido evitado, como o está sendo o da Siria -, quando os EUA, a Grã Bretanha e a França se valeram de uma vaga resolução do Conselho de Segurança, autorizando ações de “proteção da população civil”, para que a OTAN bombardeasse indiscriminadamente o país durante meses, até a queda do regime.

Desta vez a Rússia e a China se opuseram a algo similar, até que o governo russo pegou pela palavra do Secretaria de Estado John Kerry, formulou uma proposta de acordo e conseguiu o apoio do governo sírio.

A proposta prosperou porque Obama não conseguiu gerar as condições políticas para o bombardeio, com o qual já tinha se comprometido, com o apoio solitário da França. De repente, foi se consolidando um marco de negociação entre a Russia e os EUA – este, depois de suspender reunião de Obama com Puttin, pelo caso Snowden, teve que se dirigir, mesmo a contragosto, à reunião de Kerry com o Ministro de Relações Exteriores da Rússia.

Somado a essa grande vitória das soluções politicas, pacificas, negociadas – que o Brasil, entre outros países, sempre pregou -, está a retomada de relações entre os EUA e o Irã. Juntos, configuram um novo cenário internacional, com o avanço da multipolaridade, em detrimento das vias bélicas usadas pelos EUA.

Perdem Israel, a oposição síria, a Arábia Saudita, o Qatar. Ganham os que pregam o enfraquecimento da hegemonia norte-americana em favor da multipolaridade mundial.

Por Emir Sader

Fonte: CartaMaior

 

Pepe Escobar: Obama wants to take credit for Syria chem weapons plan

Vídeo

Publicado em 16/09/2013
Officials from countries on the UN Security Council are meeting for consultations, ahead of the main debate in New York. World leaders have applauded the Syrian chemical disarmament deal, agreed on by Russia and the US. But investigative journalist Pepe Escobar says Washington’s now trying to twist the narrative in its favour.
Fonte: Russia today ( http://www.youtube.com/watch?v=8509WMn6B_k )

HISTÓRIA: Descodificando o “Outro”, Uma Turquia além do estereótipo.

Imagem

O receio de alguns ocidentais em relação à Turquia tem raízes no imaginário europeu em relação aos otomanos. Esta imagem foi formada ao longo dos séculos de contato e de convivência entre as duas partes, oscilando de acordo com os períodos de protagonismo ou declínio otomano. Os otomanos eram aqueles que estavam mais próximos dos Estados europeus do ocidente, esta proximidade teve um profundo efeito na formação da identidade tanto dos otomanos como dos europeus, do mesmo modo que estruturou um complexo processo de atração e de afastamento. A autoconsciência de um povo, da sua diferença e autonomia, das suas características particulares e singulares, nasce muitas vezes da comparação com o “outro” como forma de se autodefinir em termos daquilo que é, ou não é. Nos seus confrontos com Bizâncio, com os Estados dos Balcãs, e com a Europa ocidental e oriental, os otomanos enfatizaram por vezes sua identidade como guerreiros muçulmanos da fé. Isso não impediu que seus líderes admirassem e recorressem à soldados, artistas e técnicos bizantinos, búlgaros, sérvios e europeus ocidentais. 

Para os europeus, os otomanos foram um meio fundamental de autodefinição da cultura europeia enquanto tal. Houve momentos em que serviram como modelo de qualidades que os europeus desejavam ter. Maquiavel e outros intelectuais europeus, como Bodin e Montesquieu, enalteceram a integridade, a disciplina e a obediência dos exércitos e dos governantes otomanos. Numa época em que a crítica direta ao rei podia ser perigosa, utilizavam os otomanos como exemplo inspirador para melhorar a conduta dos monarcas, exércitos e estadistas europeus. Entretanto, quando os europeus procuravam se definir, caracterizaram-se segundo aquilo que não eram. 

Em algumas oportunidades os europeus fizeram dos otomanos o repositório do mal; identificaram as características que queriam possuir, atribuindo as contrárias ao seu inimigo. Para os europeus, os otomanos ora eram terríveis, selvagens e “vís”, ora eram tarados sexuais, devassos e dissolutos. Segundo Quataert, um dos principais estudiosos do Império Otomano, “até mesmo no século XIX, a imaginação europeia rotulava o “Oriente Otomano” como antro de degenerada perdição dos prazeres pretensiosamente ausentes ou proibidos no salutar e civilizado Ocidente”. A maioria dos europeus ocidentais e dos americanos talvez não reconhecem que devem aos otomanos, por exemplo, o apreciado café e a tulipa, ou a vacina da varíola que protege a nossa saúde. Desde seus primórdios, o Império Otomano influenciou o cotidiano, a religião e a política daquilo que a Europa veio a ser. 

Donald Quataert ficou perplexo quando esteve na Áustria para visitar uma exposição que festejava o tricentésimo aniversário do Segundo Cerco de Viena (1683). O que assustou o historiador foi a ideia amplamente difundida entre crianças e professores – bem como os europeus em geral – de que a data marcaria a ocasião em que todos foram salvos da conquista otomana. Mas a verdade era que Viena não seria arrasada por uma força destruidora muçulmana, mas sim conquistada e incorporada à um Império multiétnico e multirreligioso. Na ocasião do Cerco de Viena, o poder imperial otomano apoiava-se em uma mescla de povos que seria a causa dos seus quase seis séculos de coesão interna. 

Os otomanos estão presentes na cultura popular europeia. No século XVII, a temática da literatura ficcional francesa incluía os monarcas otomanos – como por exemplo, a história do cativeiro do sultão Beyazit I (1389-1402) e do seu captor Timur (Tamerlão), publicada em 1648. Porém, a maioria das narrativas relatava a crueldade dos turcos, tal como a de Suleyman, o Magnífico, em relação ao seu favorito, o grão-vizir Ibrahim. Numa peça francesa de 1612, Mehmet, o Conquistador, que fora um príncipe renascentista cosmopolita, requintado e conhecedor de várias línguas, transformou-se em um brutal e cruel tirano cuja mãe era retratada bebendo o sangue de uma vítima. Em outros relatos igualmente bizarros representavam-se os soldados otomanos oferecendo sacrifícios à Marte, o deus romano da guerra. Todavia, o afastamento da ameaça otomana após o fracasso de Viena em 1683, alterou essa imagem.

Os habitantes de toda Europa começaram a copiar aberta e intensamente seus vizinhos. Nesse período, os otomanos contribuíram notavelmente no âmbito da música clássica europeia, introduzindo os instrumentos de percussão nas orquestras modernas. De 1720 até meados do século XIX, a chamada “música turca” tornou-se a grande voga na Europa. Esta música surgira com a Banda dos Janízaros, que acompanhava os exércitos otomanos a fim de incitar as tropas e inspirar temor aos inimigos. O rei polaco Augusto II (1697-1733) admirava tanto a música janízara que um sultão o presenteou com uma banda. Em 1727, a imperatriz Ana da Rússia decidiu que também necessitava de uma banda, mandando vir de Istambul um grupo idêntico. Em 1782, Londres obteve a sua banda, mas neste caso os tambores, as pandeiretas e os címbalos eram tocados por africanos, talvez para criar uma atmosfera de exotismo. Um resquício deste entusiasmo pelas bandas janízaras é a tradição de os tamboreiros-mor lançarem ao ar as suas baquetas. Nos EUA, esta prática evoluiu para o bastão das majorettes.

A popularidade dos sons janízaros deixou de se confinar à banda, entrando na corrente dominante daquilo a que hoje chamamos música ocidental. A influência janízara pode ser sentida na Nona Sinfonia de Beethoven, na Quarta Sinfonia de Brahms, na Sinfonia Marcial de Haydn; na abertura do Guilherme Tell de Rossini, ou na marcha de Wagner, Tannhäuser. A Sonata K. 331 para piano em lá maior, de Mozart, contém uma rondo alla turca, um tema que também influenciou o jazz americano. Em 1686, uma ópera produzida em Hamburgo, contava o destino do grão-vizir Kara Mustafa Paşa após o cerco de Viena. A ópera de Händel, Tamerlano (1724), relata a derrota do sultão Beyazit I para Timur, o Coxo. 
No século XVIII, a “moda turca” também influenciava a Europa ocidental. Surgiam por toda a parte pseudo-sultões e sultanas. Os cafés ao estilo otomano enchiam-se de frequentadores vestidos à maneira turca, estes fumavam cachimbos d’água e comiam doces “turcos”. 

No século XIX, esta “turcomania” foi lentamente substituída. Manteve-se a temática comum da crueldade, da intriga, do ciúme e da barbárie. Paralelamente à velha imagem desumana surgia a do turco apaixonado ou histriônico. A figura do turco tolo já se tornara corriqueira. No século XIX, o turco libidinoso e de orgãos sexuais desproporcionados tornara-se uma característica importante da literatura pornográfica vitoriana. Muitos europeus, como Lord Byron e o romancista Pierre Loti, passaram a considerar o Império Otomano a terra dos sonhos, onde os devaneios sexuais ou de outra natureza podiam tornar-se realidade. Procurava-se no Oriente idealizado um refúgio para o tédio e para a monotonia da vida industrial moderna. 

Graças aos artefatos otomanos exibidos em várias feiras mundiais do século XIX, incluindo a Exposição Centenária Americana de 1876, o “recanto turco” tornou-se um lugar-comum nos lares europeus. Nas salas de estar das classes mais abastadas havia cadeirões almofadados ornamentados com borlas e longas franjas, junto aos quais se viam bandejas de cobre e os sempre presentes tapetes “orientais”. Os otomanos enriqueceram o imaginário europeu. Em sua fase de retração militar, o anticristo e inimigo da Reforma deu lugar a formas mais inofensivas. Até mesmo nos nossos dias, embora o Império Otomano tenha desaparecido, as suas heranças permanecem no mundo cultural europeu e nas suas ramificações. 

Podemos discutir como a visão “ocidental” em relação aos “turcos” e aos povos árabes variou de acordo com as circunstâncias de cada época. A imagem romântica vulgarizou o “Oriente” como uma terra onde era possível realizar todos os prazeres da imaginação humana. Essa visão do mundo “oriental” popularizou a imagem da odalisca como estereótipo da mulher muçulmana até pouco tempo atrás, enquanto após o atentado ao World Trade Center fomos bombardeados por imagens de muçulmanas usando o hijab (véu), chador, niqab e a burqa. Na prática, ambas as visões falham ao estereotipar a sociedade islâmica e a condição da mulher no Islã.

É perceptível as diferenças de conduta em cada país ou até mesmo em cada cidade; a Turquia e o Líbano são exemplos de sociedades mais abertas, enquanto a Arábia Saudita e o Afeganistão são mais rígidos. Istambul é um exemplo da diversidade no Islã, nos bairros históricos, como Eminönü é comum encontrar as mulheres usando o hijab e até o chador. Em contrapartida, é frequente ver turcos bebendo a cerveja EFE (a principal marca de cerveja da Turquia) nos diversos bares das ruas adjacentes à Istiklâl Caddesi, ou jovens “ficando” em clubes noturnos como o Reina. Esta diversidade é um legado do histórico cosmopolita da cidade, da visão heterodoxa do Islã comum aos povos nômades e da política secular nacionalista de Kemal Atatürk. Se ao longo dos séculos formou-se um imaginário que não traduz corretamente a sociedade turca, cabe a nós historiadores reconhecermos os defeitos desta visão, refletir sobre o passado e compreender os dilemas atuais. 

Autor: Diogo Farias.

* Tela de Paul Trouillebert (1874) retratando uma serva do harém otomano.

Fonte: http://www.zoonpolitikonbrasil.blogspot.com.br/2013/09/historia-descodificando-o-outro-uma.html