Quatros anos de Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo

- Pelourinho de Debret
O papel da iniciativa privada no combate à escravidão contemporânea ganhou um novo impulso com a realização do 2º seminário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, nesta quarta-feira (18), em São Paulo (SP). No evento, foram apresentados o Código de Conduta e instrumentos colaborativos para o monitoramento da iniciativa. Mais de uma centena de empresas já assinaram o Pacto Nacional e assumiram o compromisso de cortar relações comerciais com agentes econômicos envolvidos na exploração criminosa de mão-de-obra escrava.
Desde 2005, quando foi criado, o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo “cresceu em quantidade e em qualidade”, analisou Andréa Bolzon, coordenadora nacional do projeto de combate ao trabalho escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. Além da OIT, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e a organização não-governamental (ONG) Repórter Brasil fazem parte do Comitê de Monitoramento do Pacto Nacional.
O envolvimento dos empresários por meio do Pacto – que foi inclusive incorporado como política pública no 2º Plano Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – consiste, segundo Andrea, em mais um dos fatores que colocam o Brasil como vanguarda mundial em termos de combate à escravidão. Continua em aberto, contudo, o desafio do monitoramento para a checagem do cumprimento dos compromissos que caracterizam a iniciativa. Trata-se, para ela, de um passo fundamental para que o Brasil continue sendo um exemplo para outros países no mundo.
Na visão do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), presente no evento realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) que reuniu cerca de 150 pessoas, o setor empresarial – bem como o Poder Judiciário – têm potencial para exercer “protagonismo” nos esforços para a erradicação dessa prática criminosa.
“Para além do compromisso da consciência, o trabalho escravo vulnerabiliza o crescimento econômico brasileiro”, declarou o ministro, em referência direta aos riscos que os produtores nacionais (como os de carne bovina e soja) correm de sofrer uma espécie de “dumping (sanção) social” em organismos internacionais por conta dos insistentes flagrantes de escravidão no meio rural.
Números divulgados no seminário pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que 5.016 trabalhadores foram libertados em 2008. Durante o ano passado, foram realizadas 158 operações que verificaram as condições trabalhistas em 301 fazendas. Houve pagamento de R$ 8,9 milhões de indenizações e 4,8 mil autos de infração foram lavrados no mesmo período.
Paulo Vannuchi classificou 2009 como “ano decisivo para o combate ao trabalho escravo”, pois 2010 será um ano eleitoral em que a disputa político-partidária acirra os ânimos e domina a agenda nacional. A estratégia apresentada pelo ministro para 2009 inclui a intensificação do monitoramento do Pacto Nacional para um maior engajamento das companhias privadas, a promoção de oficinas de sensibilização sobre o tema junto ao Poder Judiciário – a primeira será realizada no final deste mês em Belém (PA) -, e os desdobramentos práticos do Pacto Federativo de governos estaduais. Todos esses movimentos culminariam no 1º Encontro Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes máximos do Legislativo (Câmara e Senado) e do Judiciário – Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal da Justiça (STJ) e Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A partir dessa série de iniciativas, o ministro espera que seja criado um ambiente mais favorável para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco de terras de infratores flagrados explorando trabalho escravo. Desde agosto de 2004, a matéria, que já foi aprovada no Senado, permanece à espera de votação em segundo turno no Plenário da Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vem afirmando que já está acertado entre líderes partidários que a PEC 438/2001 será uma das que serão submetidas à votação logo que a pauta seja retomada pela Casa.
Para Paulo Vannuchi, não é justo que um grupo restrito de brasileiros viole preceitos em busca do “lucro fácil” e manchem o país. “Esse tipo de negócio não é consistente, não é seguro”, reforçou. Quem se associa a escravocratas corre risco de ser punido com multas e com quebra de contratos, compromisso esse assumido pelas empresas signatárias do Pacto Nacional.
Papel relevante
“A erradicação do trabalho escravo é um compromisso de Estado, mas não se realizará sem apoio da sociedade”, completou Marcelo Campos, coordenador nacional do grupo móvel de fiscalização do MTE , que também compôs uma das mesas do 2º seminário. Ele fez questão de realçar que a “sociedade”, no caso, não se limita apenas aos segmentos ligados aos trabalhadores, mas também ao setor patronal.
Marcelo destacou ainda a fundamental cooperação entre os diferentes órgãos públicos – Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Justiça do Trabalho, Justiça Federal, etc. – para o combate ao trabalho escravo. Ele lembrou que depois da resolução do STF que definiu que julgamentos de casos de trabalho escravo são de atribuição da Justiça Federal, houve mais de 30 condenações.
Foram apresentadas pelo representante do MTE as bases do Programa Marco Zero, que pretende atuar na intermediação de mão-de-obra rural por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine) nas regiões das Regiões Norte e Nordeste com alto índice de aliciamento de trabalhadores. Oito municípios foram escolhidos para fazer parte da primeira fase do novo programa federal: Paragominas (PA), Marabá (PA), Floriano (PI), Açailândia (MA), Bacabal (MA), Codó (MA), Sinop (MT) e Alta Floresta (MT).
A “lista suja”, cadastro de empregadores que foram comprovadamente flagrados explorando mão-de-obra escrava, também foi mais uma vez explicada ao público formado majoritariamente por representantes de empresas. Marcelo lembrou que a constatação fática de exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão no momento da fiscalização dá início a um rito administrativo, no qual o empregador tem amplo direito de defesa, que dura, em média, dois anos. É preciso, portanto, que haja “robustas provas e argumentações” para que um empregador seja incluído na “lista suja”, instrumento fundamental para a composição do Pacto Nacional.
A demanda por parcerias com o setor privado “antes das fiscalizações” também foi colocada pelo procurador Gláucio de Oliveira, do Ministério Público do Trabalho (MPT). Ele frisou que já se deparou com trabalhadores alojados em currais e “não há invenção nem exagero de fatos” nas situações encontradas pelas equipes do grupo móvel nacional e pelos módulos rurais das Superintendências Regionais de Trabalho e Emprego (SRTE).
A quantidade de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados pelo MPT em consequência de flagrantes de trabalho escravo nos últimos anos é relevante. O procurador observou, porém, que também é preciso que as instituições públicas e privadas se aproximem para garantir melhora nas condições de vida depois da libertação das pessoas e também nas cidades de origem. “Não podemos apenas fazer o básico. É preciso ir além”, comentou.
19.03.2009
OIT e Governo da Bahia lançam projeto de combate ao trabalho infantil

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Resgatar e prevenir 14 mil crianças de 18 municípios do Território de Identidade: Semi-Árido Nordeste II, com idade inferior a 16 anos, de trabalhos exploradores e perigosos, oferecendo serviços educacionais. Esse é o propósito do projeto de cooperação técnica “Apoio aos Esforços Nacionais por um Estado Livre do Trabalho Infantil – Bahia, Brasil”, lançado no dia 4 de dezembro, na Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Governo do Estado durante a reunião do ComitêGestor para o Programa Bahia do Trabalho Decente.
O projeto será o promotor do eixo trabalho infantil da Agenda Bahia de Trabalho Decente (ABTD) e será coordenado pelo Governo do Estado, pelo Comitê Gestor e pela OIT, com o apoio das Secretarias Estaduais de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte; de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza; de Desenvolvimento e Integração Regional; e de Educação
As estratégias incluem o apoio aos esforços da Bahia no sentido de tornar-se um estado livre de trabalho infantil e também a conquista de um apoio mais amplo nos níveis estadual e federal em prol da ação continuada contra o trabalho infantil no Brasil. Todas as intervenções, que foram desenhadas por meio do diálogo social, serão desenvolvidas de maneira integrada e representam demandas e compromissos das principais organizações de trabalhadores, empregadores, governamentais e da sociedade civil da Bahia.
Troca de expeiência – Eliminar as piores formas de trabalho infantil no Brasil até 2016. Essa é a meta estabelecida pela OIT, segundo a diretora Mundial do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil(IPEC/OIT), Michele Jankanish. Ela considera a parceria uma boa oportunidade de aprender e trocar experiências dos programas de combate ao trabalho infantil na Bahia.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, aproveitou a oportunidade para reforçar a necessidade da articulação das entidades envolvidas no combate ao trabalho infantil para potencializar as ações desenvolvidas.
Apresentado pelo coordenador Nacional do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (Ipec), Renato Mendes, o projeto de cooperação técnica vai atender ao Semi-Árido Nordeste II por conta dos baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios e da fragilidade das instituições governamentais na região, segundo informou Renato Mendes.
Durante a apresentação do projeto, Mendes apontou a paternidade precoce como uma das conseqüências do abandono escolar e, conseqüentemente, do trabalho infantil.
Visita – Uma comitiva, composta pela diretora Mundial do IPEC/OIT, Michele Jankanish; o secretário Nilton Vasconcelos e do responsável do IPEC nas Américas, Lars Johansen, visitou a turma do Projeto Juventude Cidadã do Bairro da Paz, que cursa o módulo de Qualificação Profissional do Juventude Cidadã na Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), na Paralela. O projeto desenvolve qualificação profissional e promoção da cidadania para jovens de 16 a 24 anos,
O objetivo da visita foi conhecer o trabalho desenvolvido pelo Juventude Cidadã e aproveitar a experiência para futuros programas que podem ser realizados pela OIT em parceria com a Setre.
Ronaldo Pereira da Silva, 18 anos, é um dos 160 jovens atendidos pelo Programa Juventude Cidadã, no Bairro da Paz. Cursando administração no módulo de Qualificação Profissional, Ronaldo acredita que ao final do curso estará preparado para entrar no mercado de trabalho. “Ter participado do programa é um diferencial”, confia o jovem.
Buscar sempre a elevação da escolaridade e a qualificação. Esse foi o conselho dado pelo secretário Nilton Vasconcelos aos jovens participantes do Juventude Cidadã. “Além disso, novas possibilidades de ocupação, como o associativismo e o cooperativismo, podem ser boas alternativas”, afirmou o secretário.
Também fizeram parte da comitiva, a oficial de Programação do Escritório da OIT no Brasil, Maria Beatriz Cunha, acompanhada da superintendente de Desenvolvimento do Trabalho, Maria Thereza Andrade; a assessora Especial da Setre, Tatiana Silva, e a coordenadora de Projetos Especiais da Setre, Rosane Porto.
Juventude Cidadã – Programa do Ministério do Trabalho e Emprego, coordenado na Bahia pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o Juventude Cidadã em sua primeira etapa, iniciada em 16 de junho, atende 2.440 jovens, em Salvador.
Com duração de oito meses e uma carga horária de 600 horas, o projeto desenvolve ações de formação em direitos humanos, cidadania, qualificação profissional e prestação de serviços voluntários à comunidade. Durante o período de cinco meses, relativo ao módulo do serviço civil comunitário, cada participante recebe uma bolsa no valor de R$ 120,00.
De acordo com a coordenadora de Projetos Especiais da Setre, Rosane Porto, a meta é, até o final do ano, atender 3.500 jovens na capital e outros sete mil jovens em 58 municípios do interior. Em Salvador, 13 entidades são parceiras da Setre para execução do programa.
A execução do Programa Juventude Cidadã conta com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, que investe R$ 8 milhões. Em contrapartida, o Governo do Estado faz um investimento de R$ 9.540.600, provenientes do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep).
Com informações do Governo da Bahia
05.12.2008
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