WikiLeaks’ Julian Assange Calls on Computer Hackers to Unite Against NSA Surveillance

Vídeo

Publicado em 31/12/2013
http://www.democracynow.org – WikiLeaks founder Julian Assange addressed a major gathering of computer experts Monday at the Chaos Communication Congress in Hamburg, Germany, calling on them to join forces in resisting government intrusions on internet freedom and privacy. We play highlights from Assange’s speech, as well as the one given by Sarah Harrison, the WikiLeaks member who accompanied Edward Snowden to Russia. We also hear from independent journalist and security expert Jacob Appelbaum, who reveals a spying tool used by the National Security Agency known as a “portable continuous wave generator.” The remote-controlled device works in tandem with tiny electronic implants to bounce invisible waves of energy off keyboards and monitors to see what is being typed. It works even if the target computer is not connected to the Internet.

Please consider supporting independent media by making a donation to Democracy Now! today, visit: http://owl.li/ruJ5Q

Democracy Now!, is an independent global news hour that airs weekdays on 1,200+ TV and radio stations Monday through Friday. Watch it live 8-9am ET at http://www.democracynow.org.

Julian Assange On Snowden,The Fifth Estate, Wikileaks, NSA Scandal & Espionage Act

Vídeo

Publicado em 11/10/2013
Julian Assange On Snowden,The Fifth Estate, Wikileaks, NSA Scandal & Espionage Act

Edward Snowden is safe in Russia, but the fates of journalists who helped him and published his leaks are now of more concern for WikiLeaks, Julian Assange said in an exclusive interview with RT Spanish ‘Behind the News’ host Eva Golinger.

Assange also shared his views on the NSA scandal in Latin America and the future of freedom of information.

He criticized the US and the White House for abusing its power more than any other administration in history, stressing that President Obama has prosecuted twice as many journalists under the espionage act as all previous US presidents combined since 1917.

Snowden is safe, I am more worried about Sarah Harrison, Guardian journalists

JA: Edward Snowden: he’s now safe in Russia. He has asylum for a one-year period formally. But assuming he doesn’t run anyone over in a car, I imagine that the Russians will be happy to extent that indefinitely. I’m more concerned in terms of present people at risk, with our journalist Sarah Harrison, who was involved in getting Edward Snowden out of Hong Kong, spent 39 days with him in the Moscow airport, protecting him filing asylum applications and is still in Russia. Now, she’s from the UK, as we know. The Guardian newspaper was raided, Glenn Greenwald’s partner detained for nine hours on account of terrorism charges here without charge. A formal investigation, a formal terrorism investigation has started up in relation to all those people.

EG: The film?

JA: OK, so the film, Fifth Estate …or actually introduced already…

EG: Do you think it’s an attempt to discredit you and your organization?

JA: I don’t sort of look at the things that way. This film comes from Hollywood. I know the book that it was based on. The books were definitely an attempt to do precisely that. DreamWorks has picked the two most discredited libellous books out of dozens of books available for it to pick. But it’s coming out of a particular milieu about.. within Hollywood and that constraints, it seems, what scripts can be written and what things would get distribution. I don’t know if that was the intent of the filmmakers. It’s certainly the result, but it’s been doing quite poorly in the reviews.

I think the information we have published about it was pretty successful in knocking out any view that is inaccurate history. It’s interesting to see that in the America’s Disney, who’s responsible for the distribution there, has been putting up posters of me with the word ‘traitor’ emblazoned across my face. You know, a laughable concept ‘cos because I’m an Australian, I couldn’t even be a traitor, in theory, to the United States. I mean it’s a type of libel.

I think ultimately people are starting to become immune to those sorts of attacks. There’s been so many as time is going by. And people who’ve been watching the WikiLeaks saga have seen many of these attacks, having seen that they’ve turned out not to be true. So I think our base is not going to be affected by the film.

Read More: http://rt.com/news/assange-interview-…

RT: Julian Assange’s The World Tomorrow: Slavoj Zizek & David Horowitz (E2)

Vídeo

Publicado em 24/04/2012
Slavoj Zizek and David Horowitz are the guests for the second episode of Julian Assange’s interview show, “The World Tomorrow”. “Intellectual superstar” Slavoj Zizek is a philosopher, psychoanalyst and cultural commentator. David Horowitz is a renowned stalwart of hardline conservative American political thought and an unrepentant Zionist.

The tone of the conversation between Zizek, Horowitz and Assange alternated between combative, personal and good-humoured. The topics covered jumped backwards and forwards at a wildfire pace, to include Palestinians and Nazis, Joseph Stalin and Barack Obama, the decline of Europe and the tension between liberty and equality, amongst many others.

Foram Manning, Snowden e Assange que correram riscos para expor crimes

Manning fez algo muito corajoso para tornar públicas as maquinações do modo de fazer guerra moderna dos EUA. Edward Snowden expôs a sofisticação e alcance extraordinários do sistema de vigilância. E Julian Assange se senta entre as quatro paredes de seu reduto, perseguido pelo crime de publicar. 

Por Amy Goodman – Democracy Now

“Que edifício perigoso é a guerra, como ela pode facilmente desmoronar e enterrar todos nós em ruínas”, escreveu Carl von Clausewitz, o general prussiano e teórico militar do século XIX, em seu famoso texto “Da Guerra”, quase 200 anos atrás. Essa frase foi tirada do capítulo “Informação na guerra”, um assunto que ainda reverbera hoje, desde Fort Meade, Maryland, onde Bradley Manning acaba de ser condenado por espionagem por uma corte militar, passando pela embaixada do Equador em Londres, onde o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, mora há mais de um ano, tendo conseguido asilo político para escapar de perseguição política dos EUA, até a Rússia, onde o denunciante da National Security Agency Edward Snowden está após ter recebido asilo temporário.

A condenação de Manning despertou um interesse momentâneo dos membros da mídia de elite dos EUA, que passaram pouco tempo na corte marcial de dois meses, localizada poucos quilômetros ao norte de Washington. Aqueles que torciam por Manning ficaram aliviados que ele foi considerado inocente da acusação mais séria, a de ajudar o inimigo, o que teria como consequência uma sentença de prisão perpétua. Ele foi condenado em 20 das 22 acusações, e pode pegar uma pena de 136 anos de prisão.

“Os vazamentos de Bradley Manning expuseram crimes de guerra, ocasionaram revoluções e promoveram reformas democráticas” disse Assange, de dentro da embaixada. “Ele é o denunciante por excelência”. É interessante que o ex-secretário de Defesa Robert Gates tenha escrito o seguinte para o senador Carl Levin, em 2010, sobre os vazamentos:

“A avaliação feita até hoje aponta que nenhuma fonte de informação especial ou métodos tenham sido comprometidos com o vazamento.”

Manning deu uma declaração no início do julgamento em que se responsabilizou pelos vazamentos, mas, importante, apontou seus motivos. Ele mencionou especificamente o vídeo do ataque de um helicóptero Apache que trucidou uma dúzia de civis em Bagdá, em 12 de julho de 2007. Dois dos mortos trabalhavam para a agência de notícias Reuters, o operador de câmera Namir Noor-Eldeen, 22, e seu motorista, Saeed Chmagh, pai de quatro.

Podemos ouvir Manning dizer suas próprias palavras durante o julgamento, graças a uma gravação não autorizada, de seu depoimento, vazada anonimamente. Ele disse:

”O aspecto mais alarmante do vídeo, para mim, foi como a equipe que operava as armas parecia estar se deliciando com a carnificina. Eles desumanizaram os indivíduos que eles estavam atacando e pareciam não dar nenhum valor à vida humana, e se referiam a eles como ‘bastardos mortos’, e se elogiavam uns aos outros por suas habilidades de matar um grande número de pessoas… Para mim, aquilo pareceu uma criança torturando formigas com lentes de aumento.”

Uma das acusações de que Manning foi julgado culpado foi de “publicação arbitrária”. Isso não tem precedentes na lei militar. O advogado de Manning afirmou que esse é um crime inventado. O verdadeiro crime, do qual ninguém foi acusado, é o desrespeito arbitrário pela vida humana, o que foi exposto por Manning.

O vazamento de Manning deu para a Reuters, e para o mundo, uma ilustração do horror da guerra moderna, da morte violenta de dois trabalhadores da mídia no cumprimento de seu serviço.

Como o jovem soldado também disse em sua eloquente declaração, “acredito que se o público em geral, e especialmente o público dos EUA, tivesse acesso às informações [dos vazamentos], isso poderia gerar um debate nacional sobre o papel dos militares e sobre nossa política externa de maneira geral, da forma como se relacionou com Iraque e Afeganistão.”

De fato, ele gerou tal debate. A onda mais recente de vazamentos, de Edward Snowden, apenas intensificou o debate, com uma rara coalizão bipartidária no Congresso para reprimir o que muitos veem como um desertor. Apesar de que uma emenda legislativa, de autoria do republicano John Amash e do democrata John Conyers na Casa dos Representantes tenha sido derrotada, por pouco, semana passada, os dois também são autores de um projeto, o HR 2399, que faz a mesma coisa.

Carl von Clausewitz escreveu que “a grande incerteza a respeito de informação em toda guerra é uma dificuldade peculiar, porque toda ação deve, em grande medida, ser planejada de um dia para o outro”. Manning fez algo muito corajoso ao soltar essas informações, para desvelar o véu que esconde, para tornar públicas as maquinações do modo de fazer guerra moderna dos EUA. Edward Snowden expôs a sofisticação e alcance extraordinários do sistema de vigilância dos EUA, acabando com os que ousassem divulgar informações. E Julian Assange se senta entre as quatro paredes de seu reduto, perseguido pelo crime de publicar. Ainda assim, aqueles que planejaram as guerras, que cometeram crimes de guerra, que promoveram espionagem ilegal, por enquanto, andam livremente.

Tradução: Rodrigo Mendes

Fonte: CartaMaior

Assange: “EUA querem uma confissão falsa”

Leia trecho inédito de entrevista com o criador do WikiLeaks sobre a pressão do governo americano sobre o soldado Bradley Manning, que está sendo julgado

Por Lino Bocchini

Há dois anos tive a oportunidade de passar 3 dias com Julian Assange, na casa de campo inglesa onde ele cumpriu sua prisão domiciliar, para fazer a matéria de capa da revista Tripde maio de 2011 – fui redator-chefe da revista até janeiro passado. Nas salas espaçosas e nos quartos, a mobília de época convivia com dezenas de laptops, cabos e enormes HD externos. Na porta da geladeira da cozinha no casarão do século XVIII, um imã gritava solitário: “Free Bradley Manning”.

Carlos Latuff/Opera Mundi

Nas longas conversas com o australiano criador do WikiLeaks, o nome do soldado era aparecia com frequência. Em um trecho inédito da entrevista reproduzido a seguir, Assange afirma que são duas as intenções do governo americano ao coagir o jovem militar responsável pelo vazamento de 250 mil cables, como são chamados os comunicados das embaixadas americanas à Casa Branca. A ação do jovem Manning em 2010, então com 22 anos, expôs ao mundo a forma como os EUA enxergam e se relacionam com o mundo. Manning começou a ser julgado na segunda-feira 3 de junho. Mas vale recuperar as palavras de Assange sobre o que ele acredita serem as motivações para sua detenção pelo governo americano:

“Primeiro, Manning foi preso e está mantido nestas condições sombrias, em uma solitária, para que ceda. Querem que ele faça uma confissão, que diga que deu documentos para nós e, mais, que conspiramos junto com ele para conseguir tais documentos. Dessa forma eles ganhariam um argumento para indiciar-nos por conspiração e espionagem. Querem obrigá-lo a fazer uma confissão falsa que leve a esse tipo de conexão”.

O criador do WikiLeaks continua, com sua calma habitual: “Em segundo lugar estão fazendo isso com Manning para não perderem o controle sobre os militares. Eles se preocupam com a existência de um soldado que não seguiu as ordens. Mas Bradley viu violações de direitos humanos dentro do aparato militar dos EUA e causou tremendo constrangimento para o exército americano ao entregar esse material para a imprensa. E, claro, não querem passar a ideia de que generais não conseguem manter o controle sobre os soldados. Usando-o como exemplo, outros soldados vão ficar em seus lugares e cumprir suas tarefas. Dar à imprensa material como esse iria conter as práticas abusivas do exército americano, e esse é um ponto-chave das forças armadas daquele país”.

Fonte: CartaCapital

Assange defende aumento massivo de meios de comunicação

Em entrevista à Carta Maior, concedida na embaixada do Equador no Reino Unido, Julian Assange fala sobre seu novo livro, que está sendo publicado no Brasil, e analisa o atual momento da mídia mundial. “O abuso que grandes corporações midiáticas fazem de seu poder de mercado é um problema. Nos meios de comunicação, a transparência, a responsabilidade informativa e a diversidade são cruciais. Uma das maneiras de lidar com isso é abrir o jogo para que haja um incremento massivo de meios de comunicação no mercado”, defende.

Marcelo Justo – Direto de Londres

O fundador de Wikileaks, Julian Assange, recebeu a Carta Maior em um escritório especial que a embaixada do Equador no Reino Unido preparou para que ele converse com a imprensa no momento da publicação no Brasil de seu novo livro “Cyberpunks. A Liberdade e o futuro da internet”. Veste uma camiseta da seleção brasileira, com o número sete e seu nome nas costas: a desenvoltura futebolística combina com seu bom bom humor. O cabelo branco e a pele quase translúcida lhe dá um ar de albino insone, mas os mais de seis meses encerrado nos confins da embaixada e o mais que incerto futuro ante à decisão do governo britânico de não conceder-lhe o salvo-conduto que permitiria que viajasse ao Equador, não parecem pesar muito.

É certo que ele em uma aparentemente merecida fama de recluso e que em seu pequeno quarto na embaixada deve fazer o mesmo que fazia a maior parte do tempo em sua vida livre: ficar grudado em seu computador e na internet. É difícil imaginar a vida de Julian Assange sem a tela do monitor e o ciberespaço. Por isso o livro que começa a ser vendido este mês no Brasil, publicado pela editorial Boitempo, contem algo tão inesperado como a camiseta brasileira: uma visão particularmente cética e mesmo negativa sobre o impacto da internet.

Você fala em seu livro da internet como uma possível ameaça para a civilização. Muitos pensam que a internet é uma arma para o progresso humano que produziu, entre outras coisas, Wikileaks. Sua interpretação não é um pouco pessimista?

Assange: Não resta dúvida que a internet deu poder às pessoas que não o tinham ao possibilitar o acesso a todo tipo de informação em nível global. Mas, ao mesmo tempo, há um contrapeso a isso, um poder que usa a internet para acumular informação sobre nós todos e utilizá-la em benefício dos governos e das grandes corporações. Hoje não se sabe qual destas forças vai se impor. Nossas sociedades estão tão intimamente fundidas pela internet que ela se tornou um sistema nervoso de nossa civilização, que atravessa desde as corporações até os governos, desde os casais até os jornalistas e os ativistas. De modo que uma enfermidade que ataque esse sistema nervoso afeta a civilização como um todo.

Neste sistema nervoso há vários aparatos do Estado, principalmente, mas não unicamente, dos Estados Unidos, que operam para controlar todo esse conhecimento que a internet fornece à população. Este é um problema que ocorre simultaneamente com todos nós. E se parece, neste sentido, aos problemas da guerra fria.

Você é muito crítico do Google e do Facebook que muita gente considera como maravilhosas ferramentas para o conhecimento ou as relações sociais. Para essas pessoas, em sua experiência cotidiana, não importa a manipulação que possa ser feita na internet.

Assange: Não importa porque esta manipulação da informação está oculta. Creio que nos últimos seis meses isso está mudando. Em parte por causa de Wikileaks e pela repressão que estamos sofrendo, mas também pelo jornalismo e pela investigação que está sendo feita. O Google é excelente para obter conhecimento, mas também está fornecendo conhecimento sobre os usuários. Ele sabe tudo o que você buscou há dois anos. Cada página de internet está registrada, cada visita ao gmail também. Há quem diga que isso não importa porque a única coisa que eles querem é vender anúncios. Esse não é o problema. O problema é que o Google é uma empresa sediada nos Estados Unidos sujeita à influência de grupos poderosos. Google passa informação ao governo de maneira rotineira. Informação que é usada para outros propósitos que não o conhecimento. É algo que nós, no Wikileaks, sofremos em primeira mão e que vem ocorrendo com muita gente.

Mas no que concerne o controle do Estado há usos legítimos da internet para a luta contra a pornografia infantil, o terrorismo, a evasão fiscal…

Assange: Indiscutivelmente há usos legítimos e a maior parte do tempo a polícia faz isso adequadamente. Mas nas vezes em que não faz, esses usos podem ser terríveis, aterrorizadores, como está ocorrendo atualmente nos Estados Unidos. É preciso levar em conta que o que chamamos de quatro cavaleiros do apocalipse – a pornografia infantil, o terrorismo, as drogas e a lavagem de dinheiro – são usados para justificar um sistema de vigilância massivo da mesma maneira que usaram armas de destruição em massa para justificar a invasão do Iraque. Não se trata de uma vigilância seletiva de pessoas que estão cometendo um delito. Há uma gravação permanente de todo mundo. Isso é uma ameaça diferente de tudo o que já vivemos antes, algo que nem Goerge Orwell foi capaz de imaginar em “1984”.

No Ocidente, falou-se muito da revolução do Twitter para explicar a primavera árabe. Esse não é um exemplo perfeito do potencial revolucionário da internet?

Assange: A primavera árabe se deveu à ação das pessoas e dos ativistas, desde a Irmandade Muçulmana até outros grupos organizados. A internet ajudou o pan-arabismo da rebelião com pessoas de diferentes países aprendendo umas com as outras. Também ajudou a que Wikileaks difundisse os documentos que deram mais ímpeto ao movimento. Mas se você olha para os manuais dos grupos que coordenavam os protestos, na primeira e última página, recomendavam que não se usasse Twitter e Facebook. Para as forças de segurança as mensagens no Twitter e no Facebook são um documento probatório de fácil acesso para prender pessoas.

O que pode se fazer então?

Assange: A primeira coisa é ter consciência do problema. Uma vez que tenhamos consciência disso, não nos comunicaremos da mesma maneira por intermédio desses meios. Há uma questão de soberania que os governos da América Latina deveriam levar em conta. As comunicações que vão da América latina para a Europa ou a Ásia passam pelos Estados Unidos. De maneira que os governos deveriam insistir que essas comunicações sejam fortemente criptografadas. Os indivíduos deveriam fazer a mesma coisa. E isso não é fácil.

De que maneira um governo democrático ou um congresso pode contribuir para preservar o segredo das comunicações pela internet?

Assange: Para começar, garantindo a neutralidade do serviço. Do mesmo modo que ocorre com a eletricidade, não se pode negar o fornecimento com base em razões políticas. Com a internet não deveria existir essa possibilidade de controlar o serviço. O conhecimento é essencial em uma sociedade. Não há sociedade, não há constituição, não há regulação sem conhecimento. Em segundo lugar, é preciso negar às grandes potências e superpoderes o acesso à informação de outros países. Na Argentina ou no Brasil a penetração do Google e do Facebook é total. Se os parlamentos na América latina conseguirem introduzir uma lei que consagre a criptografia da informação, isso será fundamental.

Temos falado da revolução do Twitter, mas em termos de meios mais tradicionais, como a imprensa escrita ou a televisão, vemos que há um crescente debate mundial sobre seu lugar em nossa sociedade. O questionamento ao poder de grandes corporações midiáticas como o grupo Murdoch ou Berlusconi na Itália e as leis e projetos na Argentina ou Equador para conseguir uma maior diversidade midiática mostram um debate muito intenso a respeito. O que você pensa sobre essas iniciativas? 

Assange: Nós vimos em nossa própria luta como o grupo Murdoch ou o grupo Bonnier na Suécia distorceram deliberadamente a informação que forneceram sobre nossas atividades porque suas organizações têm um interesse particular no caso. Então temos, por um lado, a censura em nível do Estado e, por outro, o abuso de poder de grupos midiáticos. É um fato que os meios de comunicação usam sua presença para alavancar seus interesses econômicos e políticos. Por exemplo, “The Australian”, que é o principal periódico de Murdoch na Austrália, vem sofrendo perdas há mais de 25 anos. Como isso é possível? Por que ele segue mantendo esse veículo. Porque ele é utilizado como uma arma para atingir o governo para que este ceda em determinadas políticas importantes para o grupo Murdoch.

O presidente Rafael Correa faz uma distinção entre a “liberdade de extorsão” e a “liberdade de expressão”. Eu não colocaria exatamente assim, mas temos visto que o abuso que grandes corporações midiáticas fazem de seu poder de mercado é um problema. Nos meios de comunicação, a transparência, a responsabilidade informativa e a diversidade são cruciais. Uma das maneiras de lidar com isso é abrir o jogo para que haja um incremento massivo de meios de comunicação no mercado.

Fonte: CartaMaior

Com ampla margem, Correa é reeleito presidente do Equador: “Ninguém irá deter nossa revolução”

Candidato que mais se aproximou do presidente, Guillhermo Lasso — com cerca de 20% dos votos — reconheceu o resultado

As pesquisas de intenção de voto no Equador estavam certas. O presidente Rafael Correa conquistou um novo mandato com larga vantagem e ainda no primeiro turno neste domingo (17/02). Pouco antes do fechamento das urnas, pesquisas de boca de urna já apontavam o triunfo do líder equatoriano. Após a contagem inicial dos votos, e frente à ampla brecha entre o economista e seus adversários, a vitória já era uma certeza. O candidato que mais chegou perto de Correa, Guillhermo Lasso — que deve ter cerca de 20% dos votos — reconheceu o resultado.

Rafael Correa celebra a vitória nas urnas do lado do vice, Jorge Glass, no palácio presidencial em Quito, capital equatoriana

Após a divulgação das pesquisas de boca de urna, Correa saiu na varanda do Palácio Carondelet, onde passou o dia com a família e apoiadores, para agradecer os votos. “Nada nem ninguém irá parar essa revolução, estamos fazendo história. Estamos construindo a pátria pequena e a pátria grande. Obrigado pela confiança, nunca lhes faltaremos, esta vitória é de vocês”, afirmou, em meio aos gritos de alegria dos milhares de simpatizantes, todos vestidos com a cor verde da Aliança País, coligação governista.

Ele confirmou que não irá se candidatar na próxima eleição equatoriana, em 2017. “É isso que diz a Constituição e penso que é um bom sistema uma só reeleição”, afirmou Correa. Eleito pela primeira vez em 2006 no segundo turno com 56,67% dos votos, ele assumiu no ano seguinte, convocou Assembleia Constituinte e, após referendo popular aprovando a nova Carta Magna, convocou nova eleição para 2009, quando foi eleito novamente com 51,99%. A Constituição do país permite apenas uma reeleição imediata.

Lasso, do partido Criando Oportunidades, admitiu o triunfo de Correa numa entrevista coletiva em Guayaquil, a cidade mais populosa do Equador. “É de pessoas decentes reconhecer a derrota e é o que estou fazendo esta noite”, falou.  Diante dos resultados preliminares, o empresário afirmou: “digo com claridade que me converti no segundo líder político do Equador.”

Em entrevista coletiva para a imprensa estrangeira, Correa dedicou sua reeleição ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que faz tratamento contra um câncer em Cuba. “Aproveito a oportunidade para dedicar esta vitória a esse grande líder latino-americano que mudou a Venezuela, comandante Hugo Chávez Frías”, disse. O presidente desejou a Chávez “uma pronta recuperação e o melhor dos futuros para sua queridíssima Venezuela. Eu o admiro muito.”

Assange

Sobre o caso do fundador do portal WikiLeaks, o australiano Julian Assange, asilado na embaixada do Equador em Londres, Correa disse que o caso deve ser solucionado com rapidez, e que isso depende da Europa. “O que existe é uma situação diplomática que tem que ser solucionada o mais rapidamente possível, e tudo está nas mãos da Europa”, disse. “O Equador fez o que deveria fazer no exercício de sua soberania”, insistiu Correa, defendendo a decisão de proteger Assange, a quem o Reino Unido não concedeu um salvo-conduto para que deixe Londres.

O presidente equatoriano assinalou que “é um caso que foi analisado profundamente, e ficou evidente que, sim, havia um risco à sua vida. Por esse asilo, não entendemos por que pode existir um problema entre a Grã-Bretanha e o Equador”. “Não pode existir um problema por causa de um asilo, isto é neocolonialismo”, afirmou Correa.

Dia de eleição

Logo que comecou a votação, às sete da manhã, os eleitores do colégio Sao Francisco, no norte de Quito, esperavam com alvoroco a chegada de Correa, que apareceu uma hora depois da abertura da sessão acompanhado do candidato a vice, Jorge Glas. Ao entrar, o presidente foi aplaudido pelos eleitores. Duas mulheres que se dirigiram ao local somente para vê-lo choraram.

“Sou aposentada e faço exames num hospital que antes caía aos pedacos e agora é moderno, tem bons aparelhos”, explicou emocionada Ruth Guevara.

Após cumprir a obrigação eleitoral, o presidente declarou que quem ganha essa eleição é povo equatoriano. Desejou que as pessoas votassem com amor e responsabilidade. Após sair da escola, Correa resolveu voltar ao local, arrastando uma multidão atrás de si.

O pedreiro José Cristóbal Vela esperou que presidente votasse para entrar na fila da sessão. Contou ao Opera Mundi que trabalhou quinze anos sem previdência social. “Com Correa, os empresários foram obrigados a registrar os empregados. Agora tenho direitos”, disse ele, explicando porque votaria no presidente.

Meia hora depois, escutava-se “democracia, sim! ditadura não”, em coro, no colégio eleitoral. O canto vinha de militantes que acompanhavam Lucio Gutiérrez. Candidado pelo partido SP (Sociedade Patriótica), o ex-presidente equatoriano declarou que o proceso eleitoral “foi desigual, com um candidato que abusou dos recursos públicos com a cumplicidade do CNE [Conselho Nacional Eleitoral]”, referindo-se à Correa.

Gutiérrez disse que, por não confiar na imparcialidade do CNE, o SP faria sua própria contagem dos votos. O ex-presidente admitiu, no entanto, que “se a população quer o continuismo, temos que respeitar a vontade democrática do povo”.

Em entrevista coletiva concedida durante a manhã, a chefe da missão de observadores da Unasul, Ema Mejia, disse que o proceso eleitoral começava com normalidade. O próximo relatório sobre a realização das eleições no país deve sair nesta segunda-feira (18/02).

Num ato solidário, dois mil taxistas, policiais e empresas de transporte se uniram para levar voluntariamente pessoas com deficiencia aos locais de votação. Dos 135 mil eleitores com deficiência, cerca de 2,6 mil usaram o servico.

“Ninguém me obriga a ir, mas se tenho direito de votar eu vou”, disse Dona Ema Cruz, cega há um ano devido à diabetes, e recorreu à ajuda dos voluntários para votar, apesar de a obrigação eleitoral ser facultativa para deficientes físicos. “Se o Correa ganha, nós seguimos em frente”, acredita. O marido de dona Ema, Luis Olmedo, tem dificuldade para andar. Com os programas do governo, ganhou uma cadeira de rodas e um bastão que usa para se locomover. O casal recebe também uma pensão de 50 doláres. Se o resultado das eleições sair como espera, “o [meu] coraçãozinho vai ficar alegre”, brincou seu Luis.

Depois de registrar seu voto, a comunicadora Sonia Franco, eleitora de Alberto Acosta, da Unidade Plurinacional das Esquerdas, disse ter sentimentos mesclados. Por um lado, estava segura de sua escolha, por outro, sentia frustração. “Se o Correa ganhar, ficarei decepcionada e preocupada porque significa que ainda temos uma sociedade conservadora, que prefere um candidato que mantém as aparências, mas não é o que diz”, expressa.

Maria Loor trabalhou durante todo o dia como delegada do partido de Correa nos colégios eleitorais. Contou que foi colega de trabalho do pai do presidente e que conheceu o mandatário equatoriano quando ele tinha apenas seis anos de idade. “Ele era dinâmico, inquieto, mexia na minha máquina de escrever”, lembra a aposentada. “Foi uma surpresa quando soube que ele virou presidente do Equador e tenho orgulho de ver que ele está transformando o nosso país”, afirmou.

Pouco depois das cinco da tarde, com o encerramento da votação e a divulgação das pesquisas de boca de urna, milhares de pessoas se reuniram na frente do Palácio Carondelet, onde uma estrutura, com telões, estava montada, para que os eleitores acompanhassem a apuração dos resultados. Os militantes também festaram em frente à sede do partido Alianca País, onde o presidente deve aparecer após o término da apuração dos votos.

Fonte: OperaMundi