Europa: austeridade x crescimento

Em seu primeiro discurso como primeiro ministro ante o parlamento italiano, Enrico Letta foi contundente. “A Itália está morrendo com a aplicação da austeridade. Necessitamos de políticas de crescimento”. Não é uma voz isolada. O Banco Central europeu terá  que decidir nesta quinta-feira se baixa a taxa de juros, que está em um mínimo histórico, para estimular o crescimento. A Carta Maior conversou com Simon Tilford, do Centro para a Reforma Europeia, com sede em Londres, sobre o futuro da zona do euro.

Por Marcelo Justo, direto de Londres.

Londres - Quase ninguém mais aguenta a austeridade na Europa. Em seu primeiro discurso como primeiro ministro ante o parlamento italiano, Enrico Letta foi contundente. “A Itália está morrendo com a aplicação da austeridade. Necessitamos de políticas de crescimento”. Não é uma voz isolada. Na última semana, nada mais nada menos que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que era preciso “uma política correta que tenha ao mesmo tempo aceitação social e política”. A contundente derrota em fevereiro do candidato da austeridade, Mario Monti, foi o mais claro sinal do esgotamento político e social da austeridade. Com um desempregou que superou os 27% na Espanha e na Grécia, bateu recordes em Portugal e na França e chegou a 19 milhões nos 17 países da eurozona, o esgotamento desse modelo é a cada dia mais visível.

Com este pano de fundo, o Banco Central europeu terá que decidir nesta quinta-feira se baixa a taxa de juros, que está em um mínimo histórico, para estimular o crescimento.

Chega a surpreendê-lo que desde o ortodoxo José Manuel Barroso até Enrico Letta, ou os documentos do Partido Socialista francês, publicados pelo Le Monde, todos falem do fracasso da austeridade?

Simon Tilford: A ideia de que a austeridade iria preparar o caminho para o crescimento mediante o retorno da confiança dos mercados não funcionou. Hoje muitas economistas se encontram em uma recessão ou mesmo em uma depressão. Os dados são inquestionáveis. O problema é que admitir o fracasso da austeridade é muito difícil para os políticos porque teriam que admitir que há dificuldades institucionais na Europa que deve mudar.

Quais são esses problemas institucionais?

ST: É preciso uma autoridade bancária que atue realmente como uma fonte de crédito de última instância para toda a zona do euro. A única razão pela qual baixaram os custos de financiamento dos países periféricos é porque o presidente do Banco Central da Europa (BCE), Mário Draghi, disse em agosto passado que faria tudo o que fosse necessário para sustentar o euro. Não ocorreu o que diziam alguns políticos caso se seguisse uma política de austeridade. Um absurdo, se pensarmos que o custo da dívida caiu também para a França que resiste a aplicar a austeridade.

O que ocorreu é que os investidores pensam que o BCE vai atuar como emprestador de última instância se houver um problema. Mas isso deve se institucionalizar e é preciso uma federalização do sistema bancário da eurozona para romper o vínculo atual entre a dívida dos bancos e a dos estados. E, certamente, é fundamental que haja políticas de crescimento, que substituam as atuais políticas de austeridade.

Está claro que o Plano A, da austeridade, falhou. Como seria o Plano B? Estamos falando de um plano keynesiano clássico?

ST: A Europa precisa crescer. Não se trata simplesmente de gastar mais dinheiro ou de que a Espanha ou Itália se endividem mais para estimular o crescimento. O que é preciso é que a zona do euro em seu conjunto tenha uma política de expansão. Ou seja, que países com forte superávit comercial como a Alemanha relaxem sua política fiscal e gastem mais, fortalecendo seu consumo interno, e que haja um relaxamento radical da austeridade na periferia.

No momento, do que se fala é de uma redução das taxas de juros nesta quinta-feira. Isso serviria de estímulo para o consumo?

ST: Não creio que tenha um grande impacto. O tema é por que o chamado mecanismo de transmissão do dinheiro está quebrado. A razão pela qual o crédito é caro na Espanha ou Itália para o consumo individual ou empresarial é porque os bancos são muito débeis. Para solucionar esse problema, precisam quebrar o vínculo entre os bancos e o Estado. Os investidores são reticentes a emprestar aos governos pelo medo que tem da debilidade do setor bancário e da necessidade de que ele tenha que ser resgatado pelo Estado. Ao mesmo tempo, há desconfiança no setor bancário porque ele tem muita dívida do governo em seus balanços. Isso se consegue com um BCE que atue como emprestador de última instância e algum mecanismo de federalização do sistema bancário.

É possível ter um plano de investimento em nível da Comissão Europeia para estimular o crescimento na Espanha, Itália, Grécia e Portugal?

ST: As somas necessárias para isso são gigantescas. Um investimento assim poderia melhorar um pouco as coisas. Mas se pensamos na Espanha, ela não precisa de mais infraestrutura. A Itália ou, fora da zona do euro, o Reino Unido, sim precisam de investimentos em infraestrutura que, em ambos casos, necessitam de uma urgente modernização. O que um país como a Espanha precisa resolver é sua crise bancária, relaxar a política de austeridade e existir uma demanda mais forte de outros países europeus para sair de sua crise.

O grande obstáculo para a adoção de um plano B é a Alemanha, mas no momento, até as eleições de setembro, não há nenhuma possibilidade de mudança. Agora, mesmo que a oposição vença as eleições, ela que critica mais a austeridade, uma mudança de política levará tempo para se concretizar. A zona do euro tem tanta margem política, econômica e social para esperar uma mudança?

ST: Surpreendeu-me muito o grau de tolerância verificado em relação à austeridade. As pessoas aguentaram muito mais do que a maioria dos observadores pensavam. Mas não se pode apostar nisso indefinidamente. Se olharmos para a crescente impopularidade da União Europeia e a frustração das pessoas, veremos que essa é uma estratégia insustentável. Surpreende-me que França, Itália e Espanha não tenha adotado uma posição comum mais forte. É possível que tenham decidido não colocar a Alemanha contra a parede. Mas não descarto que venham a fazer isso. A própria Alemanha terá que aceitar que esta estratégia não está funcionando. O problema é que para além de quem ganhe a eleição em setembro, o eleitorado alemão colocará limites para uma mudança de estratégia. Na Alemanha não há muita aceitação da necessidade de federalização real da eurozona para que ela funcione. Somente se a crise chegar a um ponto limite e isso forçar um debate aberto na Alemanha, poderá ocorrer uma mudança de estratégia.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: CartaMaior

Estado de bem-estar social é sustentado por quem vive do salário

Não foram os benefícios à população que criaram a impagável dívida pública portuguesa

Nas últimas semanas fortaleceu-se um discurso, que vem de longe, sobre a impossibilidade de os portugueses arcarem com o Estado de bem-estar social. O aumento da dívida pública é associado à impossibilidade de sustentar os gastos sociais do Estado. Primeiro-ministro, demais ministro, comentaristas da grande imprensa assumem esta premissa como verdadeira, com escasso espaço para o contraditório. Mas ela é falsa. Quem vive do salário em Portugal (e não de lucro, renda ou juros) paga todos os seus gastos sociais.

O argumento do peso “excessivo” do Estado-providência deve ser rebatido com fatos.

Em um estudo que publicamos (“Quem Paga o Estado Social em Portugal?”, Editora Bertrand, 2012) calculamos quanto quem trabalha e vive do salário entrega ao Estado em contribuições e impostos (diretos e indiretos) e quanto recebe deste em serviços públicos prestados (saúde, educação, segurança social, transportes, esportes, espaços públicos, cultura). Chegamos à conclusão de que os déficits do Estado não podem ser imputados aos gastos sociais e, na maioria dos anos, há mesmo um excedente, isto é, os trabalhadores entregam mais ao Estado do que recebem dele em gastos sociais.

Não nos surpreenderam os resultados, estando Portugal neste campo a par de outros países da OCDE, onde foram já realizados estudos semelhantes, como o do economista norte-americano Anwar Shaikh, que traduzimos no referido livro.

Acrescenta-se nas nossas conclusões que, em Portugal, o rendimento dos trabalhadores correspondia já em 2010 e 2011 a cerca de 50% do PIB (incluindo os pagamentos para a Segurança Social, tanto dos trabalhadores como a TSU [Taxa Social Única], e antes de impostos); mas cerca de 75% da tributação entregue ao Estado provinha desses mesmos trabalhadores.

Uma das muitas greves em Portugal que irromperam desde o ano passado

Um governo de um país não tem legitimidade para apresentar uma dívida, uma fatura para pagar, sem explicar porque a contraiu, como a contraiu e em benefício de quem. Mas não é indispensável auditar a dívida para concluir que quem trabalha em Portugal não deve.

O montante da dívida gera uma renda sempre crescente na forma de juros – estando acordado no plano com a Troika o constant crescimento da dívida portuguesa a pagar: 2007 (68,3% do PIB), 2011 (107,8% do PIB), 2013 (117,1% do PIB), previsão do governo. Este grande aumento da dívida é acompanhado por um gigantesco aumento da massa de juros. Na sua aparência trata-se de uma dívida – que apela à honestidade dos trabalhadores para pagarem –, mas na sua essência é uma renda fixa de capital.

O Orçamento do Estado para 2013 (OE-2013) explica porque aumentou a produtividade (aumentou porque a queda do PIB foi acompanhada de uma queda maior no emprego) e diminuiu o custo unitário do trabalho (CUT) . Mas não explica porquê mesmo assim a dívida cresce cada vez mais.

Nós avançamos uma explicação que ainda ninguém rebateu: a dívida cresce porque os trabalhadores pagam cada vez mais para o Estado social e esse valor é desviado das funções sociais do Estado para o pagamento de “rendas privadas”, entre elas os casos óbvios das parcerias público-privadas, do BPN, das subcontratações externas nos hospitais-empresa.

Uma das conclusões que apresentamos é a de que, desde que se iniciam os hospitais-empresa, o custo com salários baixa (de 2,4% do PIB em 1995 para 0,9% em 2010), a contração de serviços externos aumenta (no mesmo período passa de 2% do PIB para mais de 5%) e o custo final do serviço prestado ao utente aumenta (mais que o aumento dos gastos totais em cerca de 0,5% do PIB).

Ou seja, a produtividade cai, com um custo acrescido para os contribuintes. A “refundação do Estado social” proposta pelo governo não parece ser mais do que pegar nestes exemplos infelizes e generalizá-los.

Menos óbvio, mas essencial para explicar os gastos sociais foi o uso do dinheiro da Segurança Social (resultado da poupança dos trabalhadores) para financiar a reestruturação das empresas privadas e privatizadas, impelindo os trabalhadores para a reforma antecipada. Ainda menos perceptível é a forma como o governo, em nome do equilíbrio das contas públicas, opta por uma política de queda da produção e de aumento do desemprego, de forma a reforçar os ganhos dos setores exportadores (e abrindo um conflito nacional com as empresas que vivem do consumo interno), financiando essa política de desemprego massivo com os recursos da Segurança Social. O desemprego não é uma inevitabilidade, mas sim uma política consciente deste governo e estipulada no Memorando de Entendimento com a Troika. No OE 2013 prevê-se um aumento do desemprego até 16,4% (pp. 24 e 25 do Relatório OE 2013).

O dogma neoliberal é um dogma porque assume a economia como uma ciência a –histórica, ou seja, o homem não seria artífice da sua história, não faria escolhas na forma como a sociedade produz e se reproduz, ou seja, não escolheria as suas relações de trabalho, mas estaria fadado a aceitar a produção para o lucro, o desemprego, as dívidas “públicas” como se de inexoráveis leis da gravidade se tratassem.

Na verdade, a primeira questão que nos devemos colocar hoje, em Portugal, é a seguinte: somos um país que produz uma riqueza anual em torno de 170 bilhões de euros, podendo esse valor ser bem maior caso toda a mão-de-obra desempregada fosse utilizada, e não temos riqueza para pagar as necessidades mais básicas de qualquer sociedade? Se a riqueza de uma sociedade que tem um dos salários mais baixos da Europa e mais longas jornadas de trabalho, de acordo com a OCDE, não vai para a saúde, educação, auxílio mútuo e bem-estar na reforma, vai para onde?

Raquel Varela, historiadora, e coordenadora do livro “Quem Paga o Estado Social em Portugal?”

Fonte: OperaMundi

Thatcher-Reagan e o neoliberalismo: a contrarrevolução travestida de reforma e modernização

A virada de período histórico operada pelo fim da URSS, pela passagem à hegemonia unipolar dos EUA e pela hegemonia do modelo neoliberal, representou um duro golpe para a esquerda. Mais além da desaparição do sistema soviético – que, antes mesmo de se avaliar sua natureza, representava um contrapeso ao bloco imperialista –, a derrota da esquerda foi de dimensões muito maiores.

Em primeiro lugar porque a crise soviética não desembocou numa solução de esquerda – como esperavam os trotskistas e poderiam supor os social-democratas –, mas numa alternativa plenamente capitalista, de direita.

Em segundo lugar, porque trouxe com ela a desmoralização do socialismo, do Estado, da economia planificada, da política, dos partidos, das soluções coletivas, junto com a desqualificação da esquerda, do movimento sindical, do mundo do trabalho.

Alterou-se não apenas o cenário político, mas também o ideológico. Com a desaparição de alternativas, o liberalismo se impôs, carimbando seu sistema político como “a democracia”, a economia capitalista como “a economia”.

Mas a principal vitória ideológica do liberalismo renascido foi a desqualificação, como superado, de todo o ideário da esquerda, que até esse momento aparecia como a superação histórica do capitalismo. A desaparição da URSS era considerada como a negação de uma evolução histórica que levaria do capitalismo ao socialismo; surgia a teorização do fim da história, com a vitória do capitalismo e da democracia liberal.

Completou-se o quadro com a ruptura da aliança, na Europa, entre socialistas e comunistas, com aqueles aderindo ao neoliberalismo e estes ficando isolados e sem base importante de apoio popular. Na América Latina o fenômeno similar foi a adesão dos nacionalismos (mexicano, argentino) e da social-democracia (chilena, venezuelana, brasileira) ao neoliberalismo.

No plano ideológico, a direita revigorou-se, assumindo a bandeira das reformas e da modernização, agora identificadas com o mercado e contra o Estado. A esquerda ficou na defensiva, como se tivesse deixado de representar o futuro da humanidade, para representar o passado. O capitalismo assumiu ares de dinamismo, de eficácia, de modernização, enquanto o socialismo e o Estado foram projetados como arcaicos, estagnantes, antidemocráticos.

O auge do modelo neoliberal passou relativamente logo, a crise capitalista iniciada em 2008 se encarregou de terminar com o consenso das políticas econômicas neoliberais. Mas a ideologia que o acompanhou segue vigente: mercado, consumismo, soluções individuais, desqualificação da política – e, com ela, dos partidos, dos Estados e governos, dos parlamentos.

Ideologicamente, a esquerda segue na defensiva, porque não construiu uma interpretação contemporânea para disputar com a narrativa neoliberal. Mesmo os sucessos de governos latino-americanos não foram codificados em um modelo pós-neoliberal, para difundi-los. O prestígio do Lula por todo o mundo revela o potencial de uma proposta dessa ordem, mas ela não foi formulada, ainda que verbalizada pelo Lula e pela Dilma.

Vivemos um período de transição, entre um modelo velho que teima em sobreviver – e conta com o monopólio mundial dos meios de comunicação para isso – e um mundo novo, com avanços reais, mas ainda sem capacidade de formulação e menos ainda de sua difusão.

Fonte: BlogdoEmir/CartaMaior

Kaiser Report 430: Os mitos sobre Margareth Thatcher

Vídeo

Publicado em 11/04/2013
In this episode of the Keiser Report, Max Keiser and Stacy Herbert explore the myth of whether Margaret Thatcher “saved Britain,” or gave them a British dream of “striving to mature before your debts do.” They look at North Sea oil production, and wonder how big a UK sovereign wealth fund would be today if Thatcher had saved any of the country’s oil wealth. In the second half of the show, Max Keiser talks to Jan Skoyles of The Real Asset Company about Bitcoin: Is she bit-curious or bit-con? They also discuss her report released today which asks, who is buying gold? Brazil, Paraguay, China are stacking bail-ins with the people’s money in the bank.
We explore the myth that Margaret Thatcher “saved Britain.” Max suggests she gave the population a British dream of “striving to mature before your debts do.” They look at North Sea oil production, and wonder how big a UK sovereign wealth fund would be today if Thatcher had saved any of the country’s oil wealth. In the second half of the show, Max Keiser talks to Jan Skoyles of The Real Asset Company about Bitcoin: Is she bit-curious or bit-con? They also discuss her report released today which asks, who is buying gold? Brazil, Paraguay, China are stacking bail-ins with the people’s money in the bank.
Fonte: http://maxkeiser.com/2013/04/11/kr430-keiser-report-myths-of-margaret-thatcher/

Vladimir Safatle: Canonizando Margaret Thatcher

por Vladimir Safatle, na Folha de S. Paulo, sugestão do professor Caio Toledo

“Não existe esse negócio de sociedade. Existem apenas homens e mulheres individuais, e há famílias.” Foi com essa filosofia bizarra que Margaret Thatcher conseguiu transformar o Reino Unido em um dos mais brutais laboratórios do neoliberalismo.

Com uma visão que transformara em inimigo toda instituição de luta por direitos sociais globais, como sindicatos, Thatcher impôs a seu país uma política de desregulamentação do mercado de trabalho, de privatização e de sucateamento de serviços públicos, que seus seguidores ainda sonham em aplicar ao resto do mundo.

De nada adianta lembrar que o Reino Unido é, atualmente, um país com economia menor do que a da França e foi, durante um tempo, detentor de um PIB menor que o brasileiro. Muito menos lembrar que os pilares de sua política nunca foram questionados por seus sucessores, produzindo, ao final, um país sacudido por motins populares, parceiro dos piores delírios belicistas norte-americanos, com economia completamente financeirizada, trens privatizados que descarrilam e universidades com preços proibitivos.

Os defensores de Thatcher dirão que foi uma mulher “corajosa” e, como afirmou David Cameron, teria salvo o Reino Unido (Deus sabe exatamente do quê). É sempre bom lembrar, no entanto, que não é exatamente difícil mostrar coragem quando se escolhe como inimigo os setores mais vulneráveis da sociedade e quando “salvar” um país equivale, entre outras coisas, a fechar 165 minas.

Contudo, em um mundo que gostava de se ver como “pós-ideológico”, Thatcher tinha, ao menos, o mérito de não esconder como sua ideologia moldava suas ações.

A mesma mulher que chamou Nelson Mandela de ” terrorista” visitou Augusto Pinochet quando ele estava preso na Inglaterra, por ver no ditador chileno um “amigo” que estivera ao seu lado na Guerra das Malvinas e um defensor do “livre-mercado”.

Depois do colapso do neoliberalismo em 2008, ninguém nunca ouviu uma simples autocrítica sua a respeito da crise que destroçou a economia de seu país, toda ela inspirada em ideias que ela colocou em circulação. O que não é estranho para alguém que, cinco anos depois de assumir o governo do Reino Unido, produziu o declínio da produção industrial, o fim de fato do salário mínimo, dois anos de recessão e o pior índice de desemprego da história britânica desde o fim da Segunda Guerra (11,9%, em abril de 1984). Nesse caso, também sem a mínima autocrítica.

Thatcher gostava de dizer que governar um país era como aplicar as regras do bom governo de sua “home”. Bem, se alguém governasse minha casa dessa forma, não duraria muito.

Vídeo: Thatcher apoiando Pinochet

 Fonte: Viomundo

Keiser Report: Financial Fascism (E421)

Vídeo

Publicado em 21/03/2013
In this episode of the Keiser Report, Max Keiser and Stacy Herbert discuss the big picture of bank holidays and wealth confiscation in order to pay off the $100 trillion error account banksters basically admitted to having at Davos in 2011. In the second half of the show, Max Keiser talks to Reggie Middleton of BoomBustBlog.com about Cyprus, the rules that have been revealed and his upcoming special investigation on certain European banks he’s discovered have been committing fraud.
FOLLOW Max Keiser on Twitter: http://twitter.com/maxkeiser
Fonte: RT / Keiser Report http://maxkeiser.com/

Correntistas temem crise de confiança na Europa com ‘confisco’ no Chipre

03630434.rA decisāo dos ministros da Zona do Euro de tributar o dinheiro depositado em contas bancárias no Chipre é considerada “inquietante” e “surpreendente” pelas principais associações de correntistas europeus, que temem uma grave crise de confiança entre investidores e denunciam a medida como ilegal.

“As consequências são muito negativas. O resultado é uma desconfiança geral que pode, inclusive, repercutir na economia. Imagine se as pessoas começarem a retirar o dinheiro dos bancos para investir em outros serviços, como ouro ou imóveis, por exemplo?”, disse à BBC Brasil Juan Manuel Viver, representante da Eurofinuse, a Federação Europeia de Usuários de Serviços Financeiros, entidade que representa cerca de 50 associações na Europa.

Viver não acredita que haverá corrida em massa dos clientes aos bancos europeus para retirar dinheiro, mas considera que a decisão abre um precedente. “As pessoas vão ter medo, pois vão pensar que se fizeram uma vez, podem fazer de novo”, acrescentou.

Segundo ele, a União Europeia violou um acordo implícito de que os correntistas devem ser protegidos em caso de falência do sistema. “Mais uma vez, é o cidadão comum que paga o resgate do sistema financeiro”.

A decisão de tributar os depósitos no Chipre foi tomada na madrugada do último sábado, em Bruxelas, após negociações entre ministros da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), para salvar o país da bancarrota.

O acordo prevê a cobrança de uma taxa de 6,75% em contas de 20 mil a até 100 mil euros, e de 9,9% nas contas acima desse valor. Contas com menos de 20 mil euros não serão taxadas. O Parlamento do Chipre votará a medida nesta terça-feira.

Garantia ‘relativa’

A Adicae, Associação dos Usuários de Bancos e Seguradoras, na Espanha, também se disse surpresa com a decisão. “Entendemos que tributar depósitos é contrário à normativa europeia que protege os correntistas em caso de falência do sistema bancário. O que até agora era uma garantia absoluta passa a ser uma garantia relativa”, explica o diretor de comunicação da Adicae, Fernando Herrero.

Herrero considera difícil prever a reação dos cidadãos europeus, mas não descarta a fuga de depósitos em alguns países. “Já vimos uma situação semelhante na Espanha. Com certeza, haverá clientes retirando dinheiro dos bancos, mas é difícil dizer se isso pode se tornar um movimento generalizado”, afirmou.

Já o secretário-geral da F2IC, Federação francesa dos Investidores Individuais e de Clubes de Investidores, Aldo Ficurani, não acredita em um efeito dominó.

Segundo ele, o Chipre tem uma situação particular, com um número elevado de contas em nome de estrangeiros, e a medida europeia teria como alvo principal as pessoas que usam os bancos do país para lavar dinheiro ou fugir do fisco. “É um paraíso fiscal e acredito que os europeus querem acabar com isso”. Ele considera, entretanto, que a medida é “preocupante”, uma vez que também atinge o pequeno investidor cipriota, além abalar a confiança nas instituições europeias.

 

Fonte: BBC Brasil

A geopolítica das armas

Há ao menos três décadas, o rápido crescimento econômico chinês aponta para a futura retomada de um cenário global com duas potências econômicas e militares: os Estados Unidos e a China. E um sinal da consolidação deste quadro é a ascensão da China como o quinto maior exportador de armas convencionais do mundo, segundo relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), publicado na noite deste domingo 17, ao qualCartaCapital teve acesso com exclusividade no Brasil. Essa é a primeira vez desde o fim da Guerra Fria que o top 5 não é formado apenas por EUA e outros quatro países europeus.

Foto: Mashleymorgan/Flickr

Pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, a China está entre os cinco maiores exportadores de armas.

O estudo ainda mostra que o volume das transferências mundiais das principais armas convencionais (aviões de combate, tanques, veículos armados, helicópteros, artilharia, mísseis, entre outros) aumentou 17% entre os períodos de 2003-2007 e 2008-2012. Os EUA seguem como o maior fornecedor global nos últimos cinco anos, com 30% das exportações, seguidos por Rússia (26%), Alemanha (7%), França (6%) e China (5%). É a primeira vez que o Reino Unido não está nesta lista desde 1950.

Entre os dois quinquênios analisados, as exportações de armas convencionais chinesas subiram 162%, com acordos que têm estabelecido o país como um significativo fornecedor mundial. A maior parte das vendas foi para a Ásia e Oceania (74%). Somente o Paquistão ficou com 55% das exportações do país. “A China sempre foi uma grande exportadora de armas leves, mas não tinha uma indústria militar muito desenvolvida. Mas há mais de uma década existe um investindo forte para dar suporte a esse crescimento militar ajudado por um desenvolvimento industrial e tecnológico”, explica Gunther Rudzit, especialista em segurança e professor da Faculdade Rio Branco, em São Paulo.

 

Esse avanço militar chinês reflete uma possível corrida armamentícia em países asiáticos e da Oceania, responsáveis por 47% das importações mundiais no setor nos últimos cinco anos, um aumento de 35% em relação ao período anterior. Além disso, os cinco maiores importadores são todos da Ásia: Índia (12%), China (6%), Paquistão (5%), Coreia do Sul (5%) e Cingapura (4%).

Em grande parte, esses Estados compram armas chinesas para lidar com tensões e conflitos de fronteiras marítimas com a própria potência asiática.

A busca por sistemas de defesa na região, acredita Paul Holtom, diretor do programa de transferências de armas do SIPRI, pode ser uma compensação pela defasagem provocada na crise asiática dos anos 90. Mas também está relacionada à ascensão militar chinesa. “Os países sempre levam em conta como a China vai agir, o que também influencia fornecedores como os EUA a comercializar mais equipamentos avançados que no passado.”

No último quinquênio, diversos países da região encomendaram ou anunciaram planos de adquirir armas de longo alcance e sistemas de suporte que os tornariam capazes de projetar poder muito além de suas fronteiras. No ano passado, a Rússia entregou um submarino nuclear à Índia, e a China inaugurou um porta aviões.

A Índia importou 59% mais armas no período, com compras de aviões de combate da Rússia e EUA. No sudeste asiático, as importações cresceram 169%, devido a tensões por fronteiras marítimas, especialmente entre China e Vietnã ou as Filipinas. “O mar ao sul da China é disputado entre muitos países e essa tentativa de ter vantagem em termos navais prevalece na lógica regional. Alguns pesquisadores chegam a comparar os atritos do sudeste asiático à Europa do início do século XX”, Rudzit.

Enquanto isso, a China revelou no ano passado uma série de sistemas de armas domésticos que diminuíram sua dependência externa, por isso sua importações caíram 47% entre 2008 e 2012. No mesmo período, houve aumento no volume de importação de armas das Américas (34%) e África (104%) e queda de 20% na Europa (países como Portugal e Espanha estão vendendo aviões de combate novos por não terem condições de mantê-los) e 7% do Oriente Médio.

Vendas de armas

Os dados do SIPRI são prévios à decisão dos EUA no ano passado em realocar grande parte de suas forças militares e marítimas rumo à Àsia, mas podem ser um indicativo da escolha norte-americana. Antes mesmo da decisão, a indústria de defesa norte-americana era uma das principais fornecedoras para a região. “Os EUA têm olhado a Índia como um mercado potencial, um país antes dominado por exportações da Rússia e países europeus”, explica Holtom.

A China, que fornece enorme quantidades de sistemas básicos para países de menor desenvolvimento, contudo, está entrando em mercados importantes para países europeus e os EUA. “É interessante notar que, há alguns anos, a Rússia montou um grupo de estudos sobre a indústria de defesa chinesa para saber se ela competiria com a russa em médio prazo”, lembra Holtom.

“A China está se desenvolvendo em áreas importantes, mas ainda há laços tradicionais muito fortes neste tipo de comércio. Ninguém deixa de comprar armas de um país facilmente, porque esse mercado é de relação política intensa e profunda”, completa Rudzit.

Maiores exportadores

Os EUA lideram a lista dos maiores exportadores de armas entre 2008 e 2012, com 30% do comércio mundial. O país vendeu armas para ao menos 85 países, além da Otan. A maior parte destes equipamentos foi comprada por Estados da Ásia e Oceania (45%), Oriente Médio (27%) e Europa (18%).

Segundo os dados, 62% das entregas foram de aeronaves, incluindo 49 aviões de combate como o F-35.

Em retirada do Iraque e do Afeganistão, os EUA venderam 4% de suas exportações para cada um destes países. Os itens inclusos nas negociações variam de tanques a veículos armados novos e de segunda mão.

A Rússia vem em segundo lugar na lista, com 26% das exportações no setor. Destas, 46% são de aeronaves e 20% de mísseis. Ásia e Oceania também são os maiores compradores, 65% do total. Além disso, o relatório mostra que o país foi responsável por 71% das exportações de armas convencionais para a Síria nos últimos cinco anos, incluindo o período de guerra civil do país do Oriente Médio.

Alemanha e França ocupam a terceira e quarta posições, respectivamente. Os dois países registraram quedas de 8% e 18% no período analisado.

Fonte: CartaCapital

Crise da dívida no Chipre derruba bolsas e governo adia votação de pacote

Governo adiou por mais um dia votação de pacote de austeridade que prevê imposto sobre depósitos bancários

Com as atenções do mercado voltadas para o programa de renegociação da dívida soberana do Chipre, os mercados financeiros pelo mundo mostraram sinais de nervosismo na manhã desta segunda-feira (18/03), com bolsas asiáticas fechando em queda e europeias abrindo com a mesma tendência. Além do mau desempenho das bolsas,  na esteira do agravamento da crise das dívidas na zona euro, também é registrada a queda do euro face ao dólar e o aumento dos juros das dívidas dos países mais endividados.

O primeiro indicador negativo da crise ocorreu na Ásia, onde as bolsas registraram o pior desempenho em quase oito meses. O índice Nikkei, principal indicador da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 2,7%. O desempenho em baixa foi seguido pelo Hang Seng, de Hong Kong, em queda de 2%, o Strait Times, de Cingapura, com 0,9%, o Kospi de Seul, com 0,92%, o SET, de Bangcoc, com 0,41% e o KLCI, de Kuala Lumpur, com 0,39%. A exceção foi o SSE Composite, de Xangai, com alta de 1,68%.

O mau humor do mercado se espalha também pela Europa: em Londres, o FTSE abriu em baixa de 1,48%, seguido pelo DAX-30, de Frankfurt, com queda de 1,32%, o CAC-40, de Paris, com 2,08%, o PSI-20 de Lisboa, com 1,47%, o Ibex-35, com 2,85% e o FTSE-MIB, de Mião, com 2,84%.

A mesma instabilidade se encontra no mercado cambial, onde a moeda única recuou, no início da manhã, para 1,2905 dólares, o valor mais baixo registrado em 2013, frente aos 1,3055 da sessão anterior.

Nos mercados secundários de dívida (revenda de títulos), os juros implícitos às Obrigações do Tesouro a dez anos de Portugal, Espanha, Grécia e Itália estavam em alta. No caso dos títulos portugueses, as taxas voltaram a superar a barreira dos 6%, enquanto no caso espanhol subiram para 5%.

A reação negativa ao programa de resgate cipriota acontece no dia em que o Parlamento cipriota votaria, em pleno feriado no país, as medidas do acordo que o governo negociou com a União Europeia. No entanto, o Parlamento decidiu de última hora postergar o pagamento para terça-feira (19/03).

Japoneses passam sobre telão indicativo com os índices das bolsas mundias nesta segunda-feira

Em causa está um empréstimo de 10 bilhões de euros que tem como contrapartida o cumprimento, por parte de Nicósia, de um plano de medidas recessivas.

Entre elas está incluído um aumento de impostos sobre as empresas, que pode chegar a 12,5% e um imposto extraordinário sobre os depósitos.

Ele abrange todas as poupanças, e inicialmente previa a aplicação de uma taxa de 6,7% sobre os depósitos abaixo de 100 mil euros e de 9,9% sobre os acima deste valor. Após uma série de protestos nas ruas e críticas internacionais, o governo reviu a meta, diminuindo o primeiro valor para 3% e aumentando o segundo para 12,5% – o objetivo é suavizar o impacto das medidas para os pequenos poupadores.

A aprovação parlamentar não está garantida, já que o partido conservador de Anastasiadis, DISY, e seu parceiro, o centrista DIKO, só superam a maioria absoluta por um voto.

Revolta

O resgate da dívida aprovado na madrugada do sábado (16) desencadeou uma onda de revolta na população. Logo após a notícia, o povo saiu às ruas para retirar fundos de suas contas, mas os bancos cooperativos, os únicos que abrem durante o sábado, tinham recebido a proibição de permitir transferências bancárias.

Pouco depois, os bancos fecharam suas portas e as filas se mantiveram nos caixas automáticos, onde os cidadãos se preparavam para tirar o máximo permitido por dia, mil euros.

Em discurso televisado noite de domingo (17), o presidente afirmou que na reunião do Eurogrupo só havia duas opções: o plano de reestruturação da dívida ou a quebra do sistema bancário.

Anastasiadis prometeu aos cidadãos que mantiverem seus depósitos no banco por um período superior a dois anos que o Estado devolverá a metade do imposto extraordinário e oferecerá um bônus sobre as futuras receitas com a exploração de gás natural.

O Chipre conta com reservas de gás em suas águas territoriais e espera explorá-las nos próximos anos.
 

Fonte: OperaMundi

A Europa precisa de uma nova consulta popular

O projeto de unificação europeia começou nos anos 50 do século passado, ainda sob o impacto das duas guerras mundiais. Se trataria, antes de tudo, de criar uma comunidade de nações, com destinos comuns, que evitasse que conflitos entre elas levasse a novas guerras mundiais.

Posteriormente, conforme seu desenho foi se concretizando, a emergente hegemonia neoliberal no mundo, já nos anos 80, fez com que a unificação ganhasse novos contornos.

Por um lado, a criação de um mercado comum, que disputasse com os EUA e outros mercados, em escala mundial.

Mas logo se viu que não era somente a economia que preponderaria, a dimensão financeira foi ganhando preeminência. Basta dizer que a consulta feita em todos os países não foi sobre se estavam de acordo com a unificação europeia, mas se queriam ter moeda única – o euro. Essa seria o condutor da unificação, a moeda única. A instância mais importante da unificação europeia é o Banco Central Europeu e não o Parlamento Europeu, que nem sequer é protagonista durante a prolongada crise atual.

Assim que começou a valer, apesar do debilitamento do dólar, o euro já demonstrou que não teria força para competir com a moeda norteamericana. Iniciada a crise economica atual, em 2008, os efeitos iniciais positivos da unificação se desfizeram rapidamente e se reverteram para se constituir numa armadilha, especialmente para os países mais fragilizados pela crise.

Espanha, Portugal e Grécia tinham se valido de benefícios significativos da unificação, na sua qualidade de países menos desenvolvidos. A modernização econômica dos países foi evidente. Mas acumularam problemas, especialmente seus sistemas bancários e suas dívidas públicas, que acabaram explodindo na crise iniciada em 2008.

Se saltamos para a situação atual, está claro que o predomínio das políticas de austeridade, comandadas pela Alemanha através do Banco Central Europeu e do FMI, está asfixiando os países do Sul. Mas todos os governos que aplicam a austeridade (chamada de austericídio) perdem as eleições. Perdem na França, na Espanha, em Portugal, agora na Italia.

Está claro que a forma que assumiu a unificação europeia perdeu legitimidade, é questionada em todos os países. Em todas as pesquisas feitas atualmente, a maioria tem opinião negativa da unificação europeia. Mas, ao mesmo tempo, não há forma razoável de um país sozinho sair do processo de unificação, como se cogitou sobre a Grécia. Seria marginalizado, adotaria uma moeda muito frágil, seria punido duramente pelo Banco Central Europeu, para evitar o “mau exemplo”. 

As eleições alemãs deste ano pode levar à reeleição de Angel Merkel, mas também pode dar a vitória à social democracia e mudar uma peça chave na política europeia.

Mas independentemente dessa variável, se houvesse uma mínima sensibilidade e consciência democrática nos dirigentes políticos europeus, teria que convocar uma nova consulta popular sobre a unidade europeia: se os países a querem ainda e sob que forma.

Não é o que prima hoje na Europa, onde os governantes se pelam de medo de eleições e de consulta popular, porque perdem todas. Basta ver que na Italia, o queridinho do BCE, do FMI e de Angela Merkel, Mario Monti, depois de governar por mais de um ano, conforme eles desejavam, chegou em quarto lugar, com 10% dos votos, enquanto os tres primeiros, que condenavam, cada um à sua maneira, as politicas de austeridade, somaram 85%.

Mas não ha saída para a Europa que não seja uma reformulação das condições da sua unificação, imprimindo-lhe um caráter politico e não estritamente econômico e financeiro. Só assim poderia sair da armadilha em que se meteu e que está levando ao fim da maior construção histórica que o continente já havia logrado – o Estado de bem estar social -, que durante três décadas propiciou pleno emprego, melhoria social constante da vida das pessoas e estabilidade politica.

Do contrário, sob o controle de ferro da Alemanha, a Europa, além de pelo menos uma década perdida de recessão, dará passos largos para sua decadência, perda de legitimidade dos seus governos e perda de importância em escala mundial.

Fonte: CartaMaior