Fracassa tentativa da oposição de anular acordo nuclear com o Brasil

Num breve debate, partidos da coalizão do governo garantem prorrogação da parceria por mais cinco anos. Partido Verde, autor de moção pelo cancelamento, alega que pacto não condiz com atual política energética alemã.

Numa sessão de cerca de 30 minutos e com pouco menos de 50 parlamentares presentes, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) garantiu na noite desta quinta-feira (06/11) a prorrogação do acordo nuclear entre Brasil e Alemanha por mais cinco anos.

A coalizão do governo, formada pela União Democrata Cristã (CDU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), votou contra a moção que pedia o cancelamento da cooperação bilateral, garantindo assim a maioria necessária para a manutenção da parceria com o Brasil. O Partido Verde, autor da moção, foi apoiado pela legenda A Esquerda.

No entanto, a CDU e o SPD se comprometeram a analisar o documento para verificar a necessidade de alterações no texto.

“Estou decepcionada, principalmente com o SPD. Tendo em vista como o partido se comportou e agiu no último governo, ele deveria ter apoiado a moção. O fim do acordo deveria ter sido importante para o SPD, devido à nossa credibilidade perante a comunidade internacional ao mostrarmos que realmente estamos falando sério sobre banir a energia nuclear”, disse a deputada Sylvia Kotting-Uhl em entrevista à DW Brasil após o plenário.

Segundo Kotting-Uhl, uma das autoras da moção do Partido Verde, agora a oposição vai exigir que as promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, garantindo que ele seja focado somente nas questões da segurança, do armazenamento do lixo atômico e do desligamento de usinas e não voltado a fomentar a geração de energia nuclear.

Agitação no plenário

Durante o debate, Kotting-Uhl e o deputado da legenda A Esquerda Hubertus Zdebel e defenderam o fim do acordo nuclear com o Brasil, alegando que a cooperação nesse setor não condiz com a atual política alemã de mudar sua matriz energética e desligar todas as usinas do país.

No entanto, o deputado da CDU Andreas Lämmel defendeu a manutenção da cooperação no setor, afirmando que o fim do acordo nuclear poderia colocar em risco a parceria entre os dois países em outras áreas. “É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirmou.

O parlamentar causou alvoroço entre os colegas verdes ao afirmar que a Alemanha possuía as usinas nucleares mais seguras do mundo e, com o acordo bilateral vigente, poderia repassar ao Brasil esse conhecimento e experiência. O deputado do Partido Verde e ex-ministro alemão do Meio Ambiente Jürgen Trittin ficou visivelmente irritado com a afirmação.

No debate, as deputadas do SPD Nina Scheer e Hiltrud Lotze também apoiaram a continuação da parceria com Brasil, mas, assim como Kotting-Uhl, ressaltaram é preciso fazer uma avaliação minuciosa do acordo para verificar se mudanças são necessárias para garantir que ele não seja destinado à construção de novas usinas ou ao uso militar da tecnologia.

Ao se pronunciar, Lotze acusou Trittin de não ter feito nada para finalizar o acordo na época em que foi ministro do Meio Ambiente.

Acordo controverso

O acordo de cooperação no setor nuclear entre os dois países foi assinado em 1975. Com ele, o Brasil se comprometia a criar um programa com empresas alemãs para a construção de oito usinas nucleares, além do desenvolvimento de uma indústria teuto-brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores.

A parceria também previa o repasse da tecnologia alemã ao país. A vigência inicial do acordo era de 15 anos, podendo ser prorrogado por períodos de cinco anos, caso nenhuma das partes o cancelasse.

Pouco do previsto na proposta inicial se concretizou. Já nos primeiros anos, o pacto começou a fracassar, devido à pressão americana, às críticas internacionais e à crise econômica que afetou o Brasil na década de 1980.

Apenas duas das oito usinas programadas saíram do papel: Angra 1 e Angra 2. Além disso, quatro anos após o início da parceria, o governo brasileiro começou a desenvolver um programa nuclear paralelo, que visava ao total conhecimento do ciclo de enriquecimento de urânio, o que possibilitaria a fabricação de uma bomba atômica.

Apesar de algumas propostas terem ficado de lado, o acordo já foi renovado cinco vezes. Para ser anulado, um dos países precisa manifestar o desejo de cancelamento um ano antes do fim da vigência. Com o resultado da votação de hoje, ele será renovado pela sexta vez em 2015.

Essa foi a segunda tentativa alemã de encerrar a parceria. Em 2004, ela esteve prestes a ser cancelada, segundo Trittin, então ministro alemão de Meio Ambiente, mas o Brasil voltou atrás.

Atualmente, no âmbito da parceria, são realizados encontros anuais entre representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e da Sociedade Alemã para a Segurança de Usinas e Reatores Nucleares (GRS), para a troca de informações e experiências, além de workshops e cursos.

“É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirma o deputado Andreas Lämmel

Oposição vai exigir que promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, diz Sylvia Kotting-Uhl

FONTE: http://www.dw.de/fracassa-tentativa-da-oposição-de-anular-acordo-nuclear-com-o-brasil/a-18046353

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

What Neocons Want from Ukraine Crisis

What Neocons Want from Ukraine Crisis

President Barack Obama has been trying, mostly in secret, to craft a new foreign policy that relies heavily on cooperation with Russian President Vladimir Putin to tamp down confrontations in hotspots such as Iran and Syria. But Obama’s timidity about publicly explaining this strategy has left it open to attack from powerful elements of Official Washington, including well-placed neocons and people in his own administration.

The gravest threat to this Obama-Putin collaboration has now emerged in Ukraine, where a coalition of U.S. neocon operatives and neocon holdovers within the State Department fanned the flames of unrest in Ukraine, contributing to the violent overthrow of democratically elected President Viktor Yanukovych and now to a military intervention by Russian troops in the Crimea, a region in southern Ukraine that historically was part of Russia.resident Barack Obama discusses the crisis in Ukraine for 90 minutes on March 1, 2014, with Russian President Vladimir Putin. (White House photo/Pete Souza)

Though I’m told the Ukraine crisis caught Obama and Putin by surprise, the neocon determination to drive a wedge between the two leaders has been apparent for months, especially after Putin brokered a deal to head off U.S. military strikes against Syria last summer and helped get Iran to negotiate concessions on its nuclear program, both moves upsetting the neocons who had favored heightened confrontations.

Putin also is reported to have verbally dressed down Israel’s Prime Minister Benjamin Netanyahu and then-Saudi intelligence chief Prince Bandar bin Sultan over what Putin considered their provocative actions regarding the Syrian civil war. So, by disrupting neocon plans and offending Netanyahu and Bandar, the Russian president found himself squarely in the crosshairs of some very powerful people.

If not for Putin, the neocons – along with Israel and Saudi Arabia – had hoped that Obama would launch military strikes on Syria and Iran that could open the door to more “regime change” across the Middle East, a dream at the center of neocon geopolitical strategy since the 1990s. This neocon strategy took shape after the display of U.S. high-tech warfare against Iraq in 1991 and the collapse of the Soviet Union later that year. U.S. neocons began believing in a new paradigm of a uni-polar world where U.S. edicts were law.

The neocons felt this paradigm shift also meant that Israel would no longer need to put up with frustrating negotiations with the Palestinians. Rather than haggling over a two-state solution, U.S. neocons simply pressed for “regime change” in hostile Muslim countries that were assisting the Palestinians or Lebanon’s Hezbollah.

Iraq was first on the neocon hit list, but next came Syria and Iran. The overriding idea was that once the regimes assisting the Palestinians and Hezbollah were removed or neutralized, then Israel could dictate peace terms to the Palestinians who would have no choice but to accept what was on the table.

U.S. neocons working on Netanyahu’s campaign team in 1996, including Richard Perle and Douglas Feith, even formalized their bold new plan, which they outlined in a strategy paper, called “A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm.” The paper argued that only “regime change” in hostile Muslim countries could achieve the necessary “clean break” from the diplomatic standoffs that had followed inconclusive Israeli-Palestinian peace talks.

In 1998, the neocon Project for the New American Century called for a U.S. invasion of Iraq, but President Bill Clinton refused to go along. The situation changed, however, when President George W. Bush took office and after the 9/11 attacks. Suddenly, the neocons had a Commander in Chief who agreed with the need to eliminate Iraq’s Saddam Hussein — and a stunned and angry U.S. public could be easily persuaded. [See Consortiumnews.com’s “The Mysterious Why of the Iraq War.”]

So, Bush invaded Iraq, ousting Hussein but failing to subdue the country. The U.S. death toll of nearly 4,500 soldiers and the staggering costs, estimated to exceed $1 trillion, made the American people and even Bush unwilling to fulfill the full-scale neocon vision, which was expressed in one of their favorite jokes of 2003 about where to attack next, Iran or Syria, with the punch line: “Real men go to Tehran!”

Though hawks like Vice President Dick Cheney pushed the neocon/Israeli case for having the U.S. military bomb Iran’s nuclear facilities – with the hope that the attacks also might spark a “regime change” in Tehran – Bush decided that he couldn’t risk the move, especially after the U.S. intelligence community assessed in 2007 that Iran had stopped work on a bomb four years earlier.

The Rise of Obama

The neocons were dealt another setback in 2008 when Barack Obama defeated a neocon favorite, Sen. John McCain. But Obama then made one of the fateful decisions of his presidency, deciding to staff key foreign-policy positions with “a team of rivals,” i.e. keeping Republican operative Robert Gates at the Defense Department and recruiting Hillary Clinton, a neocon-lite, to head the State Department.

Obama also retained Bush’s high command, most significantly the media-darling Gen. David Petraeus. That meant that Obama didn’t take control over his own foreign policy.

Gates and Petraeus were themselves deeply influenced by the neocons, particularly Frederick Kagan, who had been a major advocate for the 2007 “surge” escalation in Iraq, which was hailed by the U.S. mainstream media as a great “success” but never achieved its principal goal of a unified Iraq. At the cost of nearly 1,000 U.S. dead, it only bought time for an orderly withdrawal that spared Bush and the neocons the embarrassment of an obvious defeat.

So, instead of a major personnel shakeup in the wake of the catastrophic Iraq War, Obama presided over what looked more like continuity with the Bush war policies, albeit with a firmer commitment to draw down troops in Iraq and eventually in Afghanistan.

From the start, however, Obama was opposed by key elements of his own administration, especially at State and Defense, and by the still-influential neocons of Official Washington. According to various accounts, including Gates’s new memoir Duty, Obama was maneuvered into supporting a troop “surge” in Afghanistan, as advocated by neocon Frederick Kagan and pushed by Gates, Petraeus and Clinton.

Gates wrote that Kagan persuaded him to recommend the Afghan “surge” and that Obama grudgingly went along although Gates concluded that Obama didn’t believe in the “mission” and wanted to reverse course more quickly than Gates, Petraeus and their side wanted.

Faced with this resistance from his own bureaucracy, Obama began to rely on a small inner circle built around Vice President Joe Biden and a few White House advisers with the analytical support of some CIA officials, including CIA Director Leon Panetta.

Obama also found a surprising ally in Putin after he regained the Russian presidency in 2012. A Putin adviser told me that the Russian president personally liked Obama and genuinely wanted to help him resolve dangerous disputes, especially crises with Iran and Syria.

In other words, what evolved out of Obama’s early “team of rivals” misjudgment was an extraordinary presidential foreign policy style, in which Obama developed and implemented much of his approach to the world outside the view of his secretaries of State and Defense (except when Panetta moved briefly to the Pentagon).

Even after the eventual departures of Gates in 2011, Petraeus as CIA director after a sex scandal in late 2012, and Clinton in early 2013, Obama’s peculiar approach didn’t particularly change. I’m told that he has a distant relationship with Secretary of State John Kerry, who never joined Obama’s inner foreign policy circle.

Though Obama’s taciturn protectiveness of his “real” foreign policy may be understandable given the continued neocon “tough-guy-ism” that dominates Official Washington, Obama’s freelancing approach gave space to hawkish elements of his own administration.

For instance, Secretary of State Kerry came close to announcing a U.S. war against Syria in a bellicose speech on Aug. 30, 2013, only to see Obama pull the rug out from under him as the President worked with Putin to defuse the crisis sparked by a disputed chemical weapons attack outside Damascus. [See Consortiumnews.com’s “How War on Syria Lost Its Way.”]

Similarly, Obama and Putin hammered out the structure for an interim deal with Iran on how to constrain its nuclear program. But when Kerry was sent to seal that agreement in Geneva, he instead inserted new demands from the French (who were carrying water for the Saudis) and nearly screwed it all up. After getting called on the carpet by the White House, Kerry returned to Geneva and finalized the arrangements.[See Consortiumnews.com’s “A Saudi-Israel Defeat on Iran Deal.”]

Unorthodox Foreign Policy

Obama’s unorthodox foreign policy – essentially working in tandem with the Russian president and sometimes at odds with his own foreign policy bureaucracy – has forced Obama into faux outrage when he’s faced with some perceived affront from Russia, such as its agreement to give temporary asylum to National Security Agency whistleblower Edward Snowden.

For the record, Obama had to express strong disapproval of Snowden’s asylum, though in many ways Putin was doing Obama a favor by sparing Obama from having to prosecute Snowden with the attendant complications for U.S. national security and the damaging political repercussions from Obama’s liberal base.

Putin’s unforced errors also complicated the relationship, such as when he defended Russian hostility toward gays and cracked down on dissent before the Sochi Olympics. Putin became an easy target for U.S. commentators and comedians.

But Obama’s hesitancy to explain the degree of his strategic cooperation with Putin has enabled Official Washington’s still influential neocons, including holdovers within the State Department bureaucracy, to drive more substantive wedges between Obama and Putin. The neocons came to recognize that the Obama-Putin tandem had become a major impediment to their strategic vision.

Without doubt, the neocons’ most dramatic – and potentially most dangerous – counter-move has been Ukraine, where they have lent their political and financial support to opposition forces who sought to break Ukraine away from its Russian neighbor.

Though this crisis also stems from the historical division of Ukraine – between its more European-oriented west and the Russian-ethnic east and south – neocon operatives, with financing from the U.S.-funded National Endowment for Democracy and other U.S. sources, played key roles in destabilizing and overthrowing the democratically elected president.

NED, a $100 million-a-year agency created by the Reagan administration in 1983 to promote political action and psychological warfare against targeted states, lists 65 projects that it supports financially inside Ukraine, including training activists, supporting “journalists” and promoting business groups, effectively creating a full-service structure primed and ready to destabilize a government in the name of promoting “democracy.” [See Consortiumnews.com’s “A Shadow US Foreign Policy.”]

State Department neocons also put their shoulders into shoving Ukraine away from Russia. Assistant Secretary of State for European Affairs Victoria Nuland, the wife of prominent neocon Robert Kagan and the sister-in-law of the Gates-Petraeus adviser Frederick Kagan, advocated strenuously for Ukraine’s reorientation toward Europe.

Last December, Nuland reminded Ukrainian business leaders that, to help Ukraine achieve “its European aspirations, we have invested more than $5 billion.” She said the U.S. goal was to take “Ukraine into the future that it deserves,” by which she meant into the West’s orbit and away from Russia’s.

But President Yanukovych rejected a European Union plan that would have imposed harsh austerity on the already impoverished Ukraine. He accepted a more generous $15 billion loan from Russia, which also has propped up Ukraine’s economy with discounted natural gas. Yanukovych’s decision sparked anti-Russian street protests in Kiev, located in the country’s western and more pro-European region.

Nuland was soon at work planning for “regime change,” encouraging disruptive street protests by personally passing out cookies to the anti-government demonstrators. She didn’t seem to notice or mind that the protesters in Kiev’s Maidan square had hoisted a large banner honoring Stepan Bandera, a Ukrainian nationalist who collaborated with the German Nazis during World War II and whose militias participated in atrocities against Jews and Poles.

By late January, Nuland was discussing with U.S. Ambassador to Ukraine Geoffrey Pyatt who should be allowed in the new government.

“Yats is the guy,” Nuland said in a phone call to Pyatt that was intercepted and posted online. “He’s got the economic experience, the governing experience. He’s the guy you know.” By “Yats,” Nuland was referring to Arseniy Yatsenyuk, who had served as head of the central bank, foreign minister and economic minister — and who was committed to harsh austerity.

As Assistant Secretary Nuland and Sen. McCain cheered the demonstrators on, the street protests turned violent. Police clashed with neo-Nazi bands, the ideological descendants of Bandera’s anti-Russian Ukrainians who collaborated with the Nazi SS during World War II.

With the crisis escalating and scores of people killed in the street fighting, Yanukovych agreed to a E.U.-brokered deal that called for moving up scheduled elections and having the police stand down. The neo-Nazi storm troopers then seized the opening to occupy government buildings and force Yanukovych and many of his aides to flee for their lives.

With these neo-Nazis providing “security,” the remaining parliamentarians agreed in a series of unanimous or near unanimous votes to establish a new government and seek Yanukovych’s arrest for mass murder. Nuland’s choice, Yatsenyuk, emerged as interim prime minister.

Yet, the violent ouster of Yanukovych provoked popular resistance to the coup from the Russian-ethnic south and east. After seeking refuge in Russia, Yanukovych appealed to Putin for help. Putin then dispatched Russian troops to secure control of the Crimea. [For more on this history, see Consortiumnews.com’s “Cheering a ‘Democratic’ Coup in Ukraine.”]

Separating Obama from Putin

The Ukraine crisis has given Official Washington’s neocons another wedge to drive between Obama and Putin. For instance, the neocon flagship Washington Post editorialized on Saturday that Obama was responding “with phone calls” when something much more threatening than “condemnation” was needed.

It’s always stunning when the Post, which so energetically lobbied for the U.S. invasion of Iraq under the false pretense of eliminating its (non-existent) weapons of mass destruction, gets its ire up about another country acting in response to a genuine security threat on its own borders, not half a world away.

But the Post’s editors have never been deterred by their own hypocrisy. They wrote, “Mr. Putin’s likely objective was not difficult to figure. He appears to be responding to Ukraine’s overthrow of a pro-Kremlin government last week with an old and ugly Russian tactic: provoking a separatist rebellion in a neighboring state, using its own troops when necessary.”

The reality, however, appears to have been that neocon elements from within the U.S. government encouraged the overthrow of the elected president of Ukraine via a coup spearheaded by neo-Nazi storm troopers who then terrorized lawmakers as the parliament passed draconian laws, including some intended to punish the Russian-oriented regions which favor Yanukovych.

Yet, besides baiting Obama over his tempered words about the crisis, the Post declared that “Mr. Obama and European leaders must act quickly to prevent Ukraine’s dismemberment. Missing from the president’s statement was a necessary first step: a demand that all Russian forces – regular and irregular – be withdrawn … and that Moscow recognize the authority of the new Kiev government. … If Mr. Putin does not comply, Western leaders should make clear that Russia will pay a heavy price.”

The Post editors are fond of calling for ultimatums against various countries, especially Syria and Iran, with the implication that if they don’t comply with some U.S. demand that harsh actions, including military reprisals, will follow.

But now the neocons, in their single-minded pursuit of endless “regime change” in countries that get in their way, have taken their ambitions to a dangerous new level, confronting nuclear-armed Russia with ultimatums.

By Sunday, the Post’s neocon editors were “spelling out the consequences” for Putin and Russia, essentially proposing a new Cold War. The Post mocked Obama for alleged softness toward Russia and suggested that the next “regime change” must come in Moscow.

“Many in the West did not believe Mr. Putin would dare attempt a military intervention in Ukraine because of the steep potential consequences,” the Post wrote. “That the Russian ruler plunged ahead shows that he doubts Western leaders will respond forcefully. If he does not quickly retreat, the United States must prove him wrong.”

The madness of the neocons has long been indicated by their extraordinary arrogance and their contempt for other nations’ interests. They assume that U.S. military might and other coercive means must be brought to bear on any nation that doesn’t bow before U.S. ultimatums or that resists U.S.-orchestrated coups.

Whenever the neocons meet resistance, they don’t rethink their strategy; they simply take it to the next level. Angered by Russia’s role in heading off U.S. military attacks against Syria and Iran, the neocons escalated their geopolitical conflict by taking it to Russia’s own border, by egging on the violent ouster of Ukraine’s elected president.

The idea was to give Putin an embarrassing black eye as punishment for his interference in the neocons’ dream of “regime change” across the Middle East. Now, with Putin’s countermove, his dispatch of Russian troops to secure control of the Crimea, the neocons want Obama to further escalate the crisis by going after Putin.

Some leading neocons even see ousting Putin as a crucial step toward reestablishing the preeminence of their agenda. NED president Carl Gershman wrote in the Washington Post, “Ukraine’s choice to join Europe will accelerate the demise of the ideology of Russian imperialism that Putin represents.  … Russians, too, face a choice, and Putin may find himself on the losing end not just in the near abroad but within Russia itself.”

At minimum, the neocons hope that they can neutralize Putin as Obama’s ally in trying to tamp down tensions with Syria and Iran – and thus put American military strikes against those two countries back under active consideration.

As events spin out of control, it appears way past time for President Obama to explain to the American people why he has collaborated with President Putin in trying to resolve some of the world’s thorniest problems.

That, however, would require him to belatedly take control of his own administration, to purge the neocon holdovers who have worked to sabotage his actual foreign policy, and to put an end to neocon-controlled organizations, like the National Endowment for Democracy, that use U.S. taxpayers’ money to stir up trouble abroad. That would require real political courage.

Joseph Nye: The Myth of Isolationist America

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 Is the United States turning inward and becoming isolationist? That question was posed to me by a number of financial and political leaders at the recent World Economic Forum at Davos, and was heard again a few days later at the annual Munich Security Conference. In a strong speech at Davos, Secretary of State John Kerry gave an unambiguous answer: “Far from disengaging, America is proud to be more engaged than ever.” Yet the question lingered.

Unlike the mood at Davos a few years ago, when many participants mistook an economic recession for long-term American decline, the prevailing view this year was that the US economy has regained much of its underlying strength. Economic doomsayers focused instead on previously fashionable emerging markets like Brazil, Russia, India, and Turkey.

The anxiety about US isolationism is driven by recent events. For starters, there is America’s refusal (thus far) to intervene militarily in Syria. Then there is the coming withdrawal of US troops from Afghanistan. And President Barack Obama’s cancellation of his trip to Asia last autumn, owing to domestic political gridlock in the US Congress and the resulting government shutdown, made a poor impression on the region’s leaders.

CommentsView/Create comment on this paragraphIndeed, with Kerry’s time and travel focused on the Middle East, many Asian leaders believe that Obama’s signature foreign policy – strategic “rebalancing” toward Asia – has run out of steam, even as tension between China and Japan, evident in their leaders’ statements at Davos, continues to mount.

Particularly egregious from the point of view of “Davos” was the recent refusal by Congress to approve the reform and refunding of the International Monetary Fund, even though a plan that added no significant burden to the American taxpayer had been agreed years earlier by the G-20 under Obama’s leadership.

When I asked a prominent Republican senator why Congress had balked at keeping an American commitment, he attributed it to “sheer orneriness,” reflecting the mood of right-wing Tea Party Republicans and some left-wing Democrats. Further evidence of American isolationism can be found in a recent opinion poll taken by the Pew Research Center and the Council on Foreign Relations. According to the survey, fifty-two percent of Americans believe that the US “should mind its own business internationally and let other countries get along the best they can on their own.” About the same number said that the US is “less important and powerful” than it was a decade ago.

The problem with these perceptions – both at home and abroad – is that the US remains the world’s most powerful country, and is likely to remain so for decades. China’s size and rapid economic growth will almost certainly increase its relative strength vis-à-vis the US. But even when China becomes the world’s largest economy in the coming years, it will still be decades behind the US in terms of per capita income.

CommentsView/Create comment on this paragraphMoreover, even if China suffers no major domestic political setback, projections based on GDP growth alone are one-dimensional and ignore US military and soft-power advantages. They also ignore China’s geopolitical disadvantages within Asia.

America’s culture of openness and innovation will ensure its role as a global hub in an age when networks supplement, if not fully replace, hierarchical power. The US is well positioned to benefit from such networks and alliances, if American leaders follow smart strategies. In structural terms, it matters greatly that the two entities in the world with economies and per capita income similar to the US – Europe and Japan – are both American allies. In terms of balance-of-power resources, that boosts America’s net position, but only if US leaders maintain these alliances and ensure international cooperation.

Decline is a misleading metaphor for today’s America, and Obama fortunately has rejected the suggestion that he should pursue a strategy aimed at managing it. As a leader in research and development, higher education, and entrepreneurial activity, the US, unlike ancient Rome, is not in absolute decline. We do not live in a “post-American world,” but we also no longer live in the “American era” of the late twentieth century. In the decades ahead, the US will be “first” but not “sole.”

That is because the power resources of many others – both states and non-state actors – are growing, and because, on an increasing number of issues, obtaining America’s preferred outcomes will require exercising power with others as much as over others. The capacity of US leaders to maintain alliances and create networks will be an important dimension of America’s hard and soft power. The problem for US power in the twenty-first century is not just China, but the “rise of the rest.”

The solution is not isolation, but a strategy of selectivity similar to what President Dwight Eisenhower advocated in the 1950’s. A smart power strategy starts with a clear assessment of limits. The preeminent power does not have to patrol every boundary and project its strength everywhere. That is why Eisenhower prudently resisted direct intervention on the French side in Vietnam in 1954.

Eisenhower was right about something else, too: America’s military strength depends on preservation of its economic strength. Nation-building at home is not the isolation that critics fear; on the contrary, it is central to a smart foreign policy.

A smart strategy would avoid involvement of ground forces in major wars on the Asian continent. Yet such prudence is not the same as isolationism. The US needs to combine its soft- and hard-power resources better.

As Obama said in his 2014 State of the Union address, “in a world of complex threats, our security depends on all elements of our power – including strong and principled diplomacy.” Eisenhower could have said that, and no one would accuse him of being an isolationist.

Joseph S. Nye 

Joseph S. Nye, a former US assistant secretary of defense and chairman of the US National Intelligence Council, is University Professor at Harvard University. He is the author of Presidential Leadership and the Creation of the American

Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/joseph-s–nye-refutes-the-increasingly-widespread-view-that-the-us-is-turning-inward#V0LgkvWU2o3JW8Wj.99

Fonte:Project Syndicate  http://www.project-syndicate.org/commentary/joseph-s–nye-refutes-the-increasingly-widespread-view-that-the-us-is-turning-inward
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Proteção a Snowden

A hipocrisia é a deferência que o vício paga à virtude. Alguém deveria ter se lembrado dessa frase quando o Itamaraty tentou justificar as razões para não dar asilo a Edward Snowden.

A história, todos conhecem. Ao expor o funcionamento do sistema de espionagem norte-americano, o ex-funcionário de uma empresa prestadora de serviços à NSA, agência de segurança doméstica dos Estados Unidos, demonstrou como a “guerra ao terror” era uma desculpa tosca para espionarem o celular de Angela Merkel, os contratos da Petrobras e o seu e-mail, caro leitor.

Ainda mais interessante 
do que a descoberta foi a reação daqueles que sempre encontram uma razão para postar diatribes contra a vigilância absoluta em Cuba e na Rússia soviética: “Não há problema algum, todo mundo sempre soube que todos espionam todos”. Sim, os mesmos que se indignam com o fim das liberdades individuais no “mundo vermelho” acham normal elas sumirem no ar, desde que por obra de uma agência de inteligência norte-americana.

Segundo essa lógica, não deixa de ter lá sua graça descobrir que Snowden se transformou no objeto de uma das mais impressionantes caçadas humanas dos últimos tempos, com direito a invasão do avião presidencial do boliviano Evo Morales, simplesmente por “mostrar o que todo mundo sabia”. Diga-se de passagem, eu devo estar fora do mundo, pois juro que não sabia que minhas ligações e e-mails iam parar na mesa de algum burocrata da NSA. Para mim, isso era conversa de gente com delírio de perseguição.

Agora, Snowden pede asilo ao Brasil. Nada mais natural. O Brasil, esta terra pátria do terrorismo internacional que trama às escusas explodir o Pentágono e a Disney, foi um dos países mais espionados dos últimos anos.  A presidenta Dilma foi à Assembleia-Geral das Nações Unidas para mostrar sua indignação, no que fez bem. Uma visita oficial aos EUA foi cancelada e, ao que parece, a venda de caças norte-americanos para as Forças Armadas brasileiras foi suspensa pelos próximos 50 anos.

Snowden deve ter visto a reação e pensado haver alguém no governo brasileiro disposto a reconhecer seu estatuto de asilado político, perseguido por seu país por mostrar como seu governo agia de maneira criminosa em relação aos aliados. Então, Snowden escreveu uma carta. Ele deve ter se lembrado de como Julian Assange, outro que resolveu “mostrar o que todo mundo sabia”, conseguiu apoio do pequeno Equador e passou a viver em sua embaixada londrina até a Inglaterra resolver respeitar as leis de imunidade diplomática e os acordos internacionais de salvo-conduto. Além de pedir asilo, Snowden se dispunha a ajudar na investigação de crimes contra cidadãos brasileiros.

Um dia depois, a resposta brasileira aparece na mídia. O Itamaraty mostrava certo tom de indignação. “Não vamos aceitar que o asilo apareça como moeda para troca de informações.” Ótimo, mas o detalhe é que o argumento serviu para desqualificar o pedido de Snowden. Talvez seria mais honesto dizer que o pedido seria analisado independentemente do auxílio ou não nas investigações, pois o governo reconhece a existência de um crime contra o nosso País e que Snowden tem sido perseguido, entre outras coisas, por denunciá-lo.

Com a delicadeza 
costumeira, a presidenta afirmou: “Não acho que o governo brasileiro tem de se manifestar sobre esse indivíduo que não deixou claro nada, que não se dirigiu a nós”. Bem, “esse indivíduo” foi quem mostrou como a segurança do computador de Dilma Rousseff era tão boa quanto a segurança do meu computador. Só por isso, ela lhe deveria ser um pouco mais grata. Por outro lado, dizer que Snowden não se dirigiu a nós é no mínimo estranho. Alguém manda uma carta aberta aos brasileiros publicada na mídia e não a manda “a nós”. Há de se perguntar onde estaria este “nós” se não na esfera da opinião pública.

O episódio serve para mostrar que um pouco menos de hipocrisia neste caso seria bem-vindo. O Brasil pode temer a reação norte-americana caso conceda o asilo, mas então deverá pagar o preço de ser uma nação que não age conforme os princípios que diz acreditar. Ele poderia, por exemplo, usar o Mercosul e dar um asilo conjunto com vários países, o que poderia ser uma inovação diplomática interessante e com menos vulnerabilidade. Bem, talvez seja esperar demais.

Por Vladimir Safatle

Fonte: CartaCapital

Rafael Correa: “Se espionagem fosse feita pelo Equador, seríamos criminosos”

Presidente equatoriano não acredita em punição aos EUA e afirma que “Justiça internacional é conveniência do mais forte”

O presidente do Equador, Rafael Correa, declarou nesta terça-feira (29/10) que, se a espionagem em massa realizada pelos Estados Unidos tivesse sido feita por outros países, como o Equador ou a Venezuela, eles seriam tachados de criminosos e levados à Corte Internacional de Haia.

“Se essa espionagem tivesse sido realizada por Venezuela, Rússia, Equador ou Cuba, por exemplo, seríamos considerados ditadores, criminosos e levados para Haia. Mas, neste caso, não vai acontecer absolutamente nada, porque, infelizmente, a Justiça internacional não é outra coisa que não a conveniência do mais forte, e os EUA são o mais forte”, disse, em uma entrevista ao canal Russia Today.

De acordo com Correa, os Estados Unidos se “acham acima do bem e do mal”. “Somos parte de um mundo multipolar, democrático, onde se atua com base nas regras do jogo e não baseado em um governo de um país que se acha superior ao resto do mundo, e que, ao mesmo tempo, cai em tremendas contradições como a espionagem em massa que se evidenciou ultimamente.”

O presidente equatoriano foi irônico ao citar a possível espionagem feita pelos Estados Unidos no celular da chanceler alemã Angela Merkel. “[Ela] É terrorista?”, questionou, ao afirmar que os norte-americanos alegavam que o monitoramento era necessário para “combater o terrorismo”.

Correa ainda classificou as atividades da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA, na sigla em inglês) de “injustiça”. “O Equador não tem pretensão de mudar a ordem mundial. Queremos proteger o nosso povo dessa injustiça, e isso requer a integração latino-americana. Unidos seremos mais fortes e teremos mais presença internacional”, concluiu Correa.

Fonte: OperaMundi

Brasil levará à ONU denúncias de espionagem massiva dos EUA

Governo deseja lançar em 2015 seu próprio satélite para “proteger povo brasileiro da vigilância norte-americana”

O ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, confirmou nesta quinta-feira (15/08) que o governo brasileiro pode solicitar à ONU (Organização das Nações Unidas) uma investigação em instância internacional sobre as denúncias de espionagem massiva dos EUA na América Latina. Bernardo confirma que país não “está satisfeito” com as explicações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry – que esteve no Brasil nesta semana.

“Não nos convencem até o momento as informações e as explicações que os EUA nos deram. Vamos a algum tribunal internacional, provavelmente alguma instância da ONU. Porque, antes de tudo, consideramos que é (o escândalo de espionagem) um problema mundial”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Paulo Bernardo também confirmou a intenção brasileira de lançar ao espaço em 2015 o seu próprio satélite. O objetivo é tornar-se “independente dos EUA” nesse setor e “proteger a nação da espionagem”. “O Brasil defende uma descentralização: a internet deve ser multilateral”, disse.

As declarações de Bernardo estão circunscritas em um momento importante das relações entre Brasil e EUA. A visita de John Kerry ao Brasil teve como missão cuidar dos últimos detalhes do encontro da presidente Dilma Rouseff com Barack Obama em outubro.

Kerry defende o sistema de espionagem como parte do “sistema de segurança nacional do país”, pedindo, no entanto, diálogo com as autoridades brasileiras para que o programa seja entendido.

“Deixe-me ser transparente com vocês: eu não posso discutir questões operacionais, mas posso dizer que o Congresso (dos EUA) aprovou uma lei depois do 11 de setembro (de 2001), quando fomos atacados pela Al-Qaeda, e começamos um processo de tentar entender (os atentados) antes de nos atacarem”, declarou em uma entrevistas coletiva à imprensa.

Fonte: OperaMundi

 

A primavera árabe sufocada pelas armas

Oriente Médio: não há uma condenação clara da comunidade internacional às reformas políticas produzidas sob a mira das armas

Por Nabila Ramdani

Mohamed Brahmi

Multidão participa do funeral do líder opositor Mohamed Brahmi, no sábado 27. Brahmi foi morto em Ariana, subúrbio da capital Túnis

 

Os assassinatos grotescos de egípcios comuns por seus próprios militares dizem tudo sobre a falta de avanço da Primavera Árabe. Apenas um ano depois das eleições democráticas que deveriam anunciar uma era de liberdade e estabilidade no terceiro país mais populoso da África, testemunhamos nada menos que uma chacina rotineira nas ruas.

Os mortos e feridos por armas automáticas no Cairo tentavam demonstrar seu apoio a Mohamed Morsi, o presidente eleito deposto pelo exército. Homens armados – e inclinados a usar as armas contra civis desarmados – hoje controlam uma cidade que já foi um foco de esperança e otimismo.

Assim como as imagens de uma Praça Tahrir lotada e jubilosa passaram a simbolizar as glórias passageiras da Primavera Árabe, líderes mundiais como Barack Obama prometeram de modo incessante conter os ditadores “que matam seu próprio povo”. Lembra-se de como David Cameron enviou prontamente jatos da RAF para ajudar a bombardear Kaddafi na Líbia? A “proteção de vidas civis” sempre foi a primeira justificativa para o uso dessa força letal, assim como foi para o Ocidente afinal se declarar favorável às revoluções em todo o Oriente Médio e norte da África.

Hoje esses mesmos líderes ocidentais permanecem em silêncio sobre os excessos de um exército que sempre foi a principal base de poder do déspota egípcio Hosni Mubarak. Não importa como se analise, a supressão pelos militares do governo da Irmandade Muçulmana de Morsi foi um golpe de Estado clássico. Os que tentam justificar esse triunfo do poder militar são inevitavelmente aqueles que acreditam que a força marcial é a posição normal desejada de qualquer país árabe.

O exército egípcio negará o uso de munição para conter os protestos (estão sugerindo que os manifestantes atiraram em si mesmos?), enquanto políticos como o secretário de Relações Exteriores dos EUA, William Hague, saem com platitudes sobre se opor ao “uso da força”.

Mas não há uma condenação clara da comunidade internacional às mudanças políticas produzidas pela força das armas.

Isto ocorre enquanto as manifestações proliferam na Tunísia, depois de vários assassinatos políticos. Fala-se até em um país que já foi conhecido por sua Revolução de Jasmim, quase sem sangue, que hoje desce à barbárie. A morte do líder de oposição secular Mohamed Brahmi, na quinta-feira em Túnis, se segue ao assassinato de seu colega Chokri Belaid no início do ano. Pelo menos uma pessoa foi morta em protestos contra o governo, e uma bomba explodiu em um carro de polícia pouco depois.

A Líbia é o cenário de assassinatos diários, e o governo não é capaz de controlar os bandos armados que disputam poder e influência. Abdelsalam al-Mismari, um importante advogado envolvido na derrubada de Kaddafi, e duas autoridades de segurança foram mortos na sexta-feira em Benghazi, o “berço” da revolução líbia. Mismari havia se tornado um crítico declarado dos atiradores, juntamente com milhares de outros que não veem esperança de democracia enquanto eles efetivamente controlarem as ruas.

Muitos dos que participaram das primeiras reuniões pró-democracia na Síria em 2011 estão entre as mais de 100 mil baixas fatais da guerra civil no país. Outras centenas de milhares foram feridos, presos ou obrigados a fugir. De modo previsível, é o exército sírio bem equipado e altamente motivado, mais que qualquer forma de democracia, que dá ao presidente Bashar al- Assad sua melhor chance de prolongar seu governo.

Essa realidade selvagem faz as aspirações iniciais daqueles que começaram a Primavera Árabe parecerem bastante tênues. Ideais como a igualdade entre classes e sexos, instituições estatais eficientes e justas, a redução da pobreza, a administração da justiça e educação para todos dão em nada quando uma nação não consegue proteger seus cidadãos de seus próprios soldados ou das milícias armadas que assumiram seu lugar.

Em termos de mudança econômica e social, e contra o pano de fundo da violência, há poucas evidências de uma mudança para melhor na vida de milhões de árabes desde as insurreições de 2011. Pelo contrário, as lutas internas entre miríades de grupos de oposição, incluindo secularistas e islâmicos, retardaram as reformas, enquanto problemas sociais endêmicos como os sistemas de transporte perigosos e o analfabetismo generalizado foram ignorados.

A pobreza aumentou de maneira significativa, com 40% da população egípcia ganhando menos que o equivalente a 2 libras esterlinas por dia, o limite de pobreza oficial da ONU. O custo de vida sobe em espiral, juntamente com o desemprego em todos os outros países depois da Primavera Árabe. O número de jovens desempregados se multiplica, particularmente, criando uma vasta classe de pessoas tão revoltadas e ressentidas quanto enérgicas e cheias de recursos.

Foram esses jovens que criaram a Primavera Árabe, usando novas tecnologias de comunicações para manifestar suas queixas. Um dos motivos pelos quais eles tiveram tanto sucesso inicialmente na Tunísia e no Egito foi que seus conterrâneos uniformizados lhes deram ampla liberdade para se manifestar. A decepção popular na forma de demonstrações organizadas foi considerada uma alternativa aceitável a formas de protesto mais radicais, incluindo o terrorismo.

A Primavera Árabe não foi de modo algum um fracasso total, porque permitiu a essas demonstrações florescer em um movimento democrático que colocou os problemas do mundo árabe no cenário global, mas seu progresso hoje está sendo sufocado pelos que só acreditam no governo por ordens diretas.

Uma consequência das revoluções de 2011 foi a ascensão do islamismo como força política organizada. Movimentos como a Irmandade Muçulmana puderam usar vastas redes populares, geralmente baseadas em centros comunitários locais e mesquitas, para mobilizar o apoio eleitoral. Na maioria dos casos, outros partidos não podem sequer competir, mas isso não é motivo para que grupos antidemocráticos como os militares assassinem e prendam seguidores da Irmandade Muçulmana.

Ninguém pretendeu que a Primavera Árabe ofereceria uma solução rápida para os maciços problemas inerentes às sociedades árabes, mas se a força militar continuar sendo o árbitro definitivo de qual governo tem “permissão” para governar, as matanças seguirão incontidas.

Fonte: CartaCapital