O que, finalmente, quer a Coreia do Norte?

Asiáticos e milenares que são os norte-coreanos dão mostras de ter ido além de Maquiavel, aproximando-se de Lênin acrescido de alguma sabedoria confuciana e espírito de rebeldia herdado pelos ensinamentos de Laotsé

Por Elias Jabbour*

Nem sempre imagens têm mais valor do que mil palavras. No caso em questão, as imagens e o retorcimento da retórica explanada pelo governo da Coreia do Norte são parte de um grande jogo de ridicularização de um regime cujo único objetivo é a autodefesa. Também existe uma ponta de luta pela sobrevivência. Sobrevivência que significa a própria sobrevida de uma nação milenar. E para mim isso basta.

Perguntemos a qualquer letrado, ou especialista. Você sabia que enquanto a Europa se ensanguentava em guerras religiosas, a Coreia já era uma nação com todos os traços que poderiam a classificar como um Estado Nacional precoce e anterior ao nascimento de Cristo?

Você sabia que houve uma guerra entre os lados norte e sul da península coreana entre os anos de 1950 e 1953? Você sabia que foi a primeira vez, desde a independência dos EUA (1776) que os norte-americanos assinaram um armistício, ou seja, foram derrotados pela primeira vez em quase 200 anos? Você sabia que desde 1776 os EUA nunca ficaram longe de uma guerra, fora dos seus domínios, por mais de dez anos? Você sabia que na Guerra da Coreia caiu, sobre o lado norte da península, o correspondente a dez bombas nucleares testadas em Hiroshima e Nagasaki? Você sabia que, desde 2001, estão apontadas, à capital da Coreia do Norte (Pionguiangue), cerca de 60 mísseis carregados de ogivas nucleares?

Mais perguntas: Você tem notícia acerca da invasão de um algum país por parte da Coreia do Norte? Você sabia que o país mais bloqueado, cercado e difamado no mundo é a Coreia do Norte? Será que essa difamação tem alguma relação com a derrota dos EUA na já referida guerra? Será que querem condenar a Coreia do Norte ao retorno à Idade da Pedra? Será que a Coreia do Norte há 60 anos não é o espinho na garganta dos EUA? Diante dos fatos e da história, você acha que os EUA fariam com a Coreia do Norte o mesmo que fizeram com o Iraque, o Afeganistão e outros? A Coreia do Norte tem ou não o direito de se defender? Você tem alguma dúvida sobre o destino de Kim Jong Un: seria recebido com festa num exílio na Europa ou teria o mesmo destino, com os mesmos requintes de crueldade, reservado a Muamar Kadafi?

Responder estas questões não é uma tarefa complicada. Um mínimo de honestidade já bastaria para saber o que está em jogo nesta guerra psicológica em curso na península coreana. De imediato sugiro qualquer julgamento moral sobre a natureza do regime norte-coreano, se é socialista ou não, se é democrático ou ditatorial, bonito ou feio, rude ou sofisticado. Tem gosto para tudo. Também não seria muito legal tomar a máxima do chanceler brasileiro (Antonio Patriota), segundo quem esperava uma “atitude mais ocidentalizada do líder norte-coreano”.

coreia do norte

Talvez Antonio Patriota esteja levando a sério demais o conselho de Huntington sobre um Choque de Civilizações, quando na verdade tanto Huntington quanto Patriota não passam de vítimas de um verdadeiro “choque de ignorância”. Meu parêntese continua para externar algo mais de fundo. É chocante imaginar que o chefe de nossa chancelaria nunca tenha lido Edward Said (“Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente”), nem tampouco Barrington Moore Jr. (“As Origens Sociais da Ditadura e da Democracia – Senhores e Camponeses na Construção do Mundo Moderno”). De forma explicita em ambos os livros ficam claras as evidências, na Ásia, de práticas democráticas ao nível da aldeia que remontam ao menos 3.000 anos.

O que quer de fato a Coreia do Norte, partindo de um julgamento mais pautado pela história? É evidente que o regime busca sobrevida e para isso nega a lógica da rendição incondicional tão cara a outras experiências, entre elas as da URSS, Leste Europeu e recentemente da Líbia.

Uma nação que historicamente teve seu território sob a cobiça estrangeira, cercada de grandes potências por todos os lados, passando por uma sanguinária ocupação japonesa e que sabe do que são capazes os EUA, não pode se dar ao luxo de esperar o bonde da história passar. O bonde da história derrotou as experiências socialistas da URSS e Europa, levando quase a nocaute por asfixia o governo da Coreia do Norte na década de 1990. Os últimos 25 anos foram marcados por privações de todo tipo, levando inclusive a fome para o outro lado do rio Yalu. O bloqueio, a fome imposta de fora para dentro e as inúmeras ameaças militares e provocações (Coreia do Norte como parte do “Eixo do Mal”, segundo Bush) só fez restar ao governo nortecoreano a opção de se “armar até os dentes” diante do que ocorria em Belgrado sob as hostes das chamadas “intervenções humanitárias”.

Poucos regimes no mundo tem uma noção da política como uma ciência que leva em conta não somente a correlação de forças, mas também o chamado tempo e espaço. Asiáticos e milenares que são os coreanos dão mostras de ter ido além de Maquiavel, aproximando-se de Lênin acrescido de alguma sabedoria confuciana e espírito de rebeldia herdado pelos ensinamentos de Laotsé. Somente gente preparada poderia manter em pé um país cercado, humilhado e ameaçado desde seu nascedouro e com um cenário recrudescido nas últimas duas décadas.

O conceito de ditadura não serve de explicação. Mais pobre ainda é levar à sério certas conversas do tipo “governo que se mantém às custas da fome do povo e do não cumprimento dos direitos humanos”, quando na verdade a soberania nacional está acima de qualquer direito humano. Ou se acredita ser possível algum direito humano sob ameaça ou intervenção estrangeira? O único direito humano universal é o direito à vida. E o direito a vida naquela parte do planeta se confunde e se entrelaça com o direito de ser nação soberana. É simples, sem ser simplista: a Coreia do Norte não está de brincadeira, pois sabem com quem estão lidando e do que são capazes os EUA.

Os norte-coreanos querem ter o direito de ser o que eles decidiram ser desde a explosão das primeiras revoltas camponesas contra a ocupação japonesa, ainda na década de 1910 do século passado. Ao invés de buscarmos dar lições de democracia, civilidade e de governo para uma nação milenar, seria mais interessante entender como um país exposto àquelas condições pode alcançar um nível de desenvolvimento tecnológico capaz de projetar e lançar satélites artificiais, mísseis intercontinentais e mesmo bombas nucleares, algo que nem nossos amigos do Irã e seus imensos recursos petrolíferos conseguiram até hoje.

Acho que se decifrarmos a formação social que forjou um povo capaz de expulsar Gengis Khan de seus domínios, no auge do poderio militar do Império Mongol, chegaremos a explicações mais plausíveis e próximas da realidade.

Elias Jabbour é doutor em Geografia Humana pela FFLCH-USP. Autor de “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado” (Anita Garibaldi/ EDUEPB, 2006).

Fonte: PragmatismoPolítico

Maduro busca apoio de Mercosul em meio a tensão com EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, inicia nesta terça-feira sua primeira viagem internacional de olho no apoio político de seus aliados do Mercosul diante das ameaças de instabilidade interna e de novas pressões por parte dos Estados Unidos, que questionam a legitimidade de seu governo.

Analistas afirmam que Maduro visa mostrar que há estabilidade política na Venezuela

Herdeiro político do líder Hugo Chávez, morto em março, Maduro obteve uma vitória apertada nas eleições extraordinárias de abril, com 1,5% de vantagem, pouco mais de 220 mil votos. O resultado é questionado pelo rival opositor, Henrique Capriles, que exigiu a realização de uma auditoria da totalidade das urnas.

Na avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil, com a viagem, Maduro pretende alcançar três objetivos centrais: fortalecer o apoio político de seus aliados no Mercosul, demonstrar à comunidade internacional que há estabilidade política no país e acertar os mecanismos do ingresso da Venezuela ao bloco sul-americano.

Sem a liderança e o apoio popular que contava seu mentor Hugo Chávez, é fundamental para Maduro demonstrar que seu governo conta com aliados de peso como a presidente Dilma Roussef e a argentina Cristina Kirchner, na avaliação de Luis Fernando Ayerbe, Coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.

“É muito importante (para Maduro) esse apoio internacional e mostrar que ele é reconhecido como um líder”, afirmou Ayerbe. “Há uma enorme preocupação com a divisão interna, com a ofensiva da oposição e que isso possa representar um problema para o governo a curto prazo”, acrescentou.

Apoio do Mercosul

A necessidade de trazer para casa um maior apoio político do Mercosul – visto pelos venezuelanos como uma barreira política de proteção – ganhou ainda mais força depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, questionou a legitimidade do governo de Maduro, incrementando a tensão política que se arrasta há anos entre Caracas e Washington.

“Nossa visão tem sido que o povo venezuelano deve eleger seus líderes em eleições legítimas”, disse Obama, em entrevista ao canal Univisión.

Fazendo coro aos protestos da oposição, Obama disse que “o hemisfério completo está vendo a violência, protestos e ataques à oposição”. Os Estados Unidos não reconheceram oficialmente a presidência de Maduro.

Para o analista político Carlos Romero, professor da Universidade Central da Venezuela, a legitimidade de Maduro não é foco de debate na região, mas, sim, sua capacidade de governar nos próximos anos.

“Legitimidade, ele (Maduro) tem. Toda a comunidade latino-americana reconheceu seu triunfo”, afirmou Romero à BBC Brasil. “Alguns vizinhos mostram preocupação pela polarização política, mas não questionam o resultado em si”.

Na opinião dos especialistas, a principal preocupação na América do Sul é que a situação no país “alcance extremos” que coloquem em risco investimentos privados e megaprojetos de infraestrutura e energéticos firmados ainda no governo Chávez. “Qualquer mudança brusca que não ocorrer pela via democrática será um grave problema para o Brasil e para os demais países”, afirmou Ayerbe.

Na era Chávez, o Brasil se converteu no terceiro principal parceiro comercial da Venezuela, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e China. De 1999 a 2012 a balança comercial saltou de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 3 bilhões) para US$ 6 bilhões (R$ 12 bilhões).

Crise diplomática

Na semana passada, a polarização política no país veio à tona novamente com a troca de socos entre oposicionistas e chavistas na Assembleia Nacional, deixando um saldo de onze parlamentares feridos.

O episódio foi o pivô de um mal estar diplomático com o Peru, responsável pela presidência pro-tempore da Unasul. O chanceler peruano Rafael Roncagliolo pediu que o bloco sul-americano reiterasse o chamado ao governo Maduro por “tolerância” e ao “diálogo” – a linguagem usada na utilizada na reunião de emergência do bloco, convocada dias depois da eleição venezuelana por causa da crescente tensão nas ruas de Caracas.

Após a divulgação do resultado oficial do pleito, correligionários de Maduro e de Capriles convocaram uma série de protestos populares. Enfrentamentos nesses protestos resultaram, segundo a Procuradoria Geral da Venezuela, na morte de nove pessoas. O governo diz que a violência foi incitada pela oposição, que responsabiliza o governo pelas mortes.

Recentemente, Maduro também se envolveu em um imbróglio diplomático com a  Colômbia, ao acusar o ex-presidente Álvaro Uribe de estar envolvido em um plano para assassiná-lo. Segundo o presidente venezuelano, Uribe contaria com o apoio de ex-funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, como Otto Reich e Roger Noriega, e da oposição venezuelana.

Na segunda-feira, o embaixador venezuelano em Bogotá teve que dar explicações à chancelaria da Colômbia, a pedido do governo do presidente Juan Manuel Santos.

Até este incidente, Caracas e Bogotá viviam uma espécie de “lua-de-mel” diplomática, após anos de crises entre Chávez e Uribe.

Mercosul

Com os colegas sul-americanos, Maduro terá de negociar os termos e regras aduaneiras para a adesão definitiva do país ao Mercosul. A Venezuela tem o prazo de três anos para adequar-se às regras comerciais do bloco.

Outro objetivo da viagem, de acordo o próprio Maduro, é “comprar comida” para conter o desabastecimento de alguns produtos da cesta básica. “Parte chave desse giro que começo amanhã (esta terça-feira) é para garantir outra vez a reserva de três meses de alimentos, de produtos de higiene da casa e pessoal”, afirmou.

Com uma economia dependente da exportação petroleira, a precariedade da produção agropecuária na Venezuela é um dos principais problemas que enfrenta o governo. Apesar da política de subsídios agrícola e da política de reforma agrária, quase 70% da alimentação dos venezuelanos depende de importações. Somente do Brasil, a venda de carnes carnes bovinas e de frangos correspondem a quase 25% da pauta de exportação brasileira à Venezuela, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC).

Na quarta-feira, Maduro viaja a Buenos Aires para reunião com a presidente argentina Cristina Kirchner. O encontro com a presidente Dilma Roussef está previsto para quinta-feira. Maduro não visitará o Paraguai, suspenso do bloco desde a destituição do presidente Fernando Lugo.

Fonte: BBCBrasil

Netanyahu quer a paz com os palestinos?

Bastou a sinalização de que as negociações podem ser retomadas para o premier israelense criar mais uma potencial barreira à paz

por José Antonio Lima
Benjamin Netanyahu

Oficialmente, o processo de paz entre Israel e a Autoridade Palestina está paralisado desde 2010. Ainda assim, nos últimos dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou duas vezes sobre a possibilidade de submeter o futuro acordo a um referendo popular. Há motivos para crer nas boas intenções de Netanyahu, mas sobram razões para desconfiar delas. Aparentemente, a novidade de Netanyahu é mais um sinal de sua covardia e intenção de barrar a criação do Estado palestino.

Nas últimas semanas, surgiram diversos indícios da reativação do processo de paz, graças à iniciativa do governo dos Estados Unidos, que recebeu árabes e israelenses para uma série de diálogos.

Na segunda-feira 28, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, conversou com uma delegação da Liga Árabe. Após as reuniões, o chanceler do Catar, Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani, afirmou, em nome da Liga Árabe, que um acordo deveria “ser baseado na solução de dois Estados, com base na linha de 4 de junho de 1967, com [a possibilidade] de pequenas trocas de terras mútuas e aceitas por ambas as partes”. Traduzindo, o que Jassim al-Thani fez foi ressuscitar a Iniciativa Árabe para a Paz, lançada em 2002 pela Arábia Saudita. Por essa proposta, todos os países árabes normalizariam suas relações com Israel em troca da criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como capital.

A Iniciativa Árabe para a Paz fracassou e hoje se tornou inaceitável para Israel. Entre vários motivos, porque Israel ocupou, violando a lei internacional, uma série de territórios da Cisjordânia que não aceita mais devolver. A inovação do chanceler do Catar é que, agora, a Liga Árabe aceita oficialmente alterações na fronteira de 1967, como já fazia a Autoridade Palestina. Esta mudança é importante pois cria um caminho de retomada de negociações, uma vez que a posição dos Estados árabes também conta para a paz.

Por que um referendo?

Diante da iniciativa dos EUA e da sinalização positiva árabe, Netanyahu surgiu com a proposta do referendo. Na quinta-feira 2, em reunião com o ministro das Relações Exteriores da Suíça, Didier Burkhalte, disse ter a intenção de “aprender” com o país europeu como realizar consultas populares.

Os defensores de Netanyahu alegam que a proposta do referendo é boa para a paz. Em primeiro lugar porque, ao garantir que a palavra final será dada pela população israelense, Netanyahu evitaria a oposição automática aos diálogos de setores mais extremistas da coalizão governista. Em segundo lugar, porque a votação daria um ar de legitimidade ao possível acordo de paz, tornando-o inquestionável dentro de Israel.

Ocorre que, mesmo diante do viés positivo, está claro o possível uso negativo do referendo. A votação popular pode se tornar uma espécie de “seguro” contra a paz. Se as negociações forem mesmo retomadas, Netanyahu poderá usar o referendo para tentar forçar os palestinos a moderarem suas exigências, para não aceitar de antemão as propostas feitas, ou mesmo para fechar um acordo natimorto, por ser inaceitável para a população, cada vez mais radicalizada. Ao pedir o referendo antes mesmo de voltar à mesa de negociações, Netanyahu está transferindo ao povo israelense a responsabilidade sobre um assunto central do futuro do país. Ao fazer isso, o premier foge a uma das obrigações de um líder – tomar decisões impopulares, mas fundamentais para a segurança da nação. Seria um evento inédito na história de Israel, que nem mesmo em 1979, quando assinou a paz com o Egito, fez um consulta formal aos eleitores.

Hoje há muitos obstáculos para a paz, muitos deles no campo palestino, como a divisão Fatah-Hamas e a própria postura do Hamas, um grupo, antissemita, que prega a matança indiscriminada de judeus. Outros obstáculos, entretanto, partem do governo de Israel, particularmente de Benjamin Netanyahu. É ele quem exige dos palestinos o (inaceitável antes do acordo) reconhecimento de Israel como Estado judeu e quem se recusa a mencionar as fronteiras de 1967 como base para as negociações. Com essa postura intransigente e a ideia de transformar o acordo em refém de um referendo, Netanyahu reforça a imagem de ser um líder que não busca a paz, mas sim submeter os palestinos a uma situação inaceitável.

Fonte: CartaCapital

Entrevista coletiva do candidato brasileiro a DG-OMC, após apresentação ao Conselho-Geral

Vídeo

Publicado em 04/02/2013
O candidato brasileiro à Direção-Geral da Organização Mundial do Comércio, Embaixador Roberto Azevêdo, concedeu entrevista coletiva à imprensa, após sua apresentação ao Conselho-Geral da OMC. Genebra, 31 de janeiro de 2013.

Crédito: OMC (original e versões em francês e espanhol em http://gaia.world-television.com/wto/…)
Fonte http://www.youtube.com/watch?v=yCET5gNv1Ok

LANÇAMENTO – Jurisprudência Internacional

Prezados usuários, pesquisadores, alunos e amigos.

A jurisprudência dos Tribunais Internacionais é de grande relevância na pesquisa e na consolidação do Direito Internacional. O NECCINT trabalhou durante alguns meses para disponibilizar as principais decisões das principais Côrtes de forma a facilitar a pesquisa de todos. Apresentamos jurisprudências das seguintes casas:

Côrte Internacional de Justiça

Tribunal Penal Internacional

Côrte Interamericana de Direitos Humanos

Acordos da Organização dos Estados Americanos

Convenções da Organização Internacional do Trabalho

Casos da Organização Mundial do Comércio

Casos do MERCOSUL – MERCOSUR

O link para o serviço pode ser encontrado aqui ou

Barra 2

Esperamos que todos aproveitem e contribuam com sugestões e críticas para aumentarmos ainda mais nosso banco de dados e melhorarmos este serviço.

Um grande abraço

Raphael Amaral

Colaborador do NECCINT

Patriota pede que a ONU se atualize e amplie o Conselho de Segurança

23/11/2012 – 19h25 Renata Giraldi Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em defesa da ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, cobrou hoje (23) que a entidade se “atualize” conforme a nova ordem mundial. A cobrança de Patriota é permanente, pois o governo brasileiro critica o formato atual do órgão, que corresponde ao cenário após a 2ª Guerra Mundial, e quer ocupar um assento permanente no conselho.

“Continuamos trabalhando para que a ONU se atualize, reforme-se, em particular, o Conselho de Segurança, acompanhe essa evolução da redistribuição do poder internacional, atualizando com novos membros permanentes e não permanentes”, disse o chanceler, após participar de um seminário, em Salvador, na Bahia, no qual foi discutido o Mercosul e as novas perspectivas do bloco.

Patriota reiterou ainda que o Brasil vive um dos seus melhores períodos. “Hoje o Brasil é, talvez, pela primeira vez na sua história, um país de alcance global. Existem dados materiais que comprovam isso. Somos um dos poucos países que têm relações com todos [os países]”, lembrou ele, acrescentando que o número de embaixadas do Brasil na África é superior à quantidade das representações do Reino Unido.

O pleito do Brasil é integrar de forma permanente o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O órgão é formado por 15 integrantes, dos quais apenas cinco têm assentos permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. De forma rotativa, a cada dois anos, os demais dez lugares são alternados.

Atualmente, ocupam os dez assentos rotativos: Azerbaijão, Guatemala, Marrocos, Paquistão e Togo, cujos mandatos acabam no próximo ano, além de Colômbia, Alemanha, Índia, Portugal e a África do Sul, cujos períodos terminam em dezembro.

As autoridades brasileiras defendem a ampliação do número de cadeiras no conselho de 15 para 25, entre as quais o Brasil se coloca como candidato a titular. A discussão é mantida no debate político internacional, mas esbarra em restrições por parte de alguns países por questões de divergências regionais.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: Agência Brasil

Unasul discutirá crise política do Paraguai

A crise política do Paraguai  será um dos temas centrais da VI Cúpula da União de Nações Sulamericanas (Unasul) que ocorre na capital peruana dentro de oito dias, segundo informação de fontes diplomáticas consultadas pela agência pública de Cuba, Prensa Latina.

Cumbre de Unasur tratará crisis de Paraguay

A reunião analisará a situação do país ante denúncias de ações repressivas do governo de Federico Franco, após o julgamento parlamentar que derrubou o presidente Fernando Lugo no mês de junho.

O coordenador da organização da cúpula, Benjamin Chimoy, disse que o caso paraguaio será tratado entre os chanceleres e chefes de Estado dos 11 países participantes.

O presidente do Grupo Especial de Alto Nível criado pela Unasul para monitorar a situação paraguaia, Salomón Lerner, afirmou nos últimos dias que apresentará um informe sobre os resultados aos diplomatas um dia antes do início da cúpula.

Fontes diplomáticas latinoamericanas adiantaram que na reunião de chefes de Estado não se tratará do fim da suspensão aplicada ao Paraguai devido ao golpe, já que o governo de Federico Franco não estará representado na reunião do dia 30.

Lerner está em Assunção, capital paraguaia, em visita de estudo da situação política do país e em particular do processo para as eleições do próximo ano. O governo de Franco se negou a recebê-lo, mas não impediu seu ingresso no país e o contato com autoridades eleitorais e dirigentes opositores.

Os informantes apontarem que uma importante corrente da Unasul se inclina a manter a suspensão até o fim da votação convocada para o dia 13 de abril de 2013.

Fonte: PrensaLatina

Leia outras notícias sobre o Paraguai.

Conselho de Segurança discute ataque de Israel à Gaza: EUA vetam condenação de Isreal de novo, apesar do forte bombardeio à Gaza (14/11/12)

JESSICA DESVARIEUX (produtora da TRNN): Bem-vindos à The Real News Network. Sou Jessica Desvarieux, em Baltimore.

Semana muito importante para a ONU e os EUA. Temos hoje conosco Vijay Prashad, professor de Estudos Internacionais no Trinity College em Hartford, Connecticut. Dentre seus livros mais recentes estão Uncle Swami: South Asians in America e Arab Spring, Libyan Winter. Vijay é colaborador regular das revistas FrontlineeCounterPunch. Obrigada por nos receber, Vijay.
VIJAY PRASHAD: Obrigado a vocês.
DESVARIEUX: Então, Vijay, fale-nos sobre a reunião do Conselho de Segurança da ONU, que aconteceu dia 14/11.
PRASHAD: Dia 14 de novembro, à noite, os representantes de Marrocos e do Egito convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o ataque israelense contra Gaza. Você sabe, a questão de Gaza é sempre sensível. Houve várias discussões na ONU, não só sobre Gaza, mas também sobre a política das colônias de Israel na Cisjordânia. Recentemente, dia 6/11, houve uma reunião importante, na qual a ONU alertou Israel sobre o que foi apresentado como flagrante violação em áreas cultivadas na Cisjordânia. Você sabe, Israel iniciou e, de fato, nunca parou, de arrancar oliveiras, mas, dessa vez, a ação aconteceu em época de colheita das azeitonas. Quero dizer: a ONU várias vezes tentou levantar questões sobre a ação dos israelenses nos Territórios Ocupados e em Gaza.
Fato é que essas áreas estão sob ocupação israelense. Não há nação palestina soberana. Gaza não tem soberania. Não existe Gaza soberana. Assim, quando o ataque acontece contra Gaza, não se trata de um país atacando outro país ou em disputa contra outro país. O que há ali é uma potência ocupante que usa força desproporcional contra uma região mantida sob ocupação desde 1967.
Hardeep Singh Puri
Nesse contexto, Egito e Marrocos e outros países convocaram uma sessão de emergência do Conselho de Segurança. Nessa sessão de emergência, vários países, os 15 membros do Conselho, dessa vez, todos disseram que alguma coisa tem de ser feita. O presidente do Conselho de Segurança, atualmente, é o representante da Índia e membro permanente, Hardeep Singh Puri. Depois da reunião, ele disse que houve unanimidade no Conselho de Segurança, que todos concordam que é preciso fazer alguma coisa, que a situação dos palestinos é atroz.
O problema foi que não houve acordo sobre o que fazer. E o Conselho de Segurança ficou paralisado. Em outras palavras, a maioria dos 15 membros disseram que Israel tem de ser condenado por usar força desproporcional, não só pelo assassinato premeditado de membros do Hamás, mas, também, pela prática de bombardear estações de tratamento de água e outras instalações indispensáveis à sobrevivência da população palestina. O que uma estação de tratamento de água em Khan Yunis teria a ver com foguetes lançados de Gaza, contra Israel? Por que destruir uma caixa d’água? As questões levantadas lá foram desse tipo.
Susan Rice
Mas os EUA bloquearam qualquer tentativa de tentar redigir algum tipo de Resolução. A embaixadora Susan Rice insistiu e deixou bem claro que os únicos culpados de tudo são os membros do Hamás, não o governo de Israel.
É muito estranho, porque ela fala do conflito como se fosse guerra entre dois governos, entre dois Estados soberanos e, portanto, a ONU teria de interferir e condenar os dois “estados”. O que ela quer é alguma espécie de “proporcionalidade” na condenação, apesar de todos saberem que se trata de guerra fundamentalmente desproporcional. Isso, aliás, foi o que disseram s representantes do Egito.
Mas Susan Rice segue uma doutrina criada em 2002, chamada de “Doutrina Negroponte”. Leva o nome do embaixador John Negroponte, o qual, quando estava na ONU, estabeleceu bem claramente que os EUA sempre bloqueariam qualquer ação da ONU que implicasse qualquer tipo de crítica a Israel. Essa posição é conhecida como “Doutrina Negroponte”. E desde 2002, de fato desde antes de 2002, isso é exatamente o que os EUA fazem.
Sempre que houve qualquer tentativa de censurar Israel, fosse pela invasão do Líbano em 2006, pela Operação Chumbo Derretido contra Gaza em 2009, ou agora, dia 14 de novembro, pela Operação Pilar de Nuvens, que depois passou a ser chamada Pilar de Defesa, [1] em cada momento desses, os EUA bloquearam qualquer possibilidade de discussão séria sobre a ocupação israelense de terras palestinas e sobre a violência dos ataques israelenses – os jatos F-16s, os helicópteros Apache, violência sempre altamente desproporcional.
A verdade é que, quando se fala em “foguetes” palestinos, fala-se de canos de chumbo disparados pela combustão de um produto feito com esterco; e a bomba propriamente dita é feita de TNT e ureia, quer dizer, de mais esterco. Nada disso se compara aos jatos F-16 super equipados, à frota de barcos de guerra atracados ao largo e que bombardeiam Gaza, ou aos helicópteros Apache.
Fato é que a reunião do Conselho de Segurança deu em nada, porque a reunião foi paralisada. É importante lembrar os discursos moralistas da Embaixadora Susan Rice, quando russos e chineses bloquearam a resolução que os EUA desejavam ver aprovada, em fevereiro de 2012, contra o governo da Síria. Ela esbravejava que o sangue derramado na Síria estaria manchando as mãos de chineses e russos. Se se acredita nela, pode-se dizer que o sangue derramado em Gaza a partir de 14 de novembro mancha, hoje, as mãos do governo Obama. Parece-me muito grave, mas, de fato, é raciocínio que os EUA inventaram.
Comandante Ahmed al-Jaabari, do Hamás, ferido, 14/11/2012
(Haaretz, Israel)
DESVARIEUX: Vijay, e sobre o líder do Hamás que foi assassinado? A mídia o apresenta como comandante militar, Ahmed al-Jaabari. Você tem melhor informação, de fontes que não sejam norte-americanas?
PRASHAD: Não há qualquer dúvida de que Jaabari era comandante da ala militar do Hamás. Isso é verdade. Mas muito mais importante é uma matéria publicada dia 15 de novembro, matéria de capa do jornal Haaretz  [2], que é jornal liberal publicado em Israel, em que se diz que, algumas horas antes de ser assassinado, o comandante Jaabari recebera a mais recente versão de um documento a ser negociado, o que sugere que o Hamás e alguns setores do governo de Israel já estavam em negociações por canais paralelos ao governo de Netanyahu, para construir um acordo de paz.
Ahmed al Jaabari
A matéria do Haaretz foi a primeira vez que ouvi falar sobre essa negociação “paralela” é um desenvolvimento, de fato, surpreendente. Se o comandante Jaabari estava, de fato, trabalhando com vistas a algum tipo de acordo de paz e nesse preciso momento é assassinado pelo governo Netanyahu… o que se deve pensar sobre a seriedade ou sobre a confiabilidade de quem quer que, dentro do governo israelense, estivesse negociando alguma paz com o Hamás?
Deve-se lembrar também que, em 2006, quando o Hamás venceu as eleições no setor Gaza dos Territórios Palestinos Ocupados, quando o Hamás foi eleito, o líder do Hamás escreveu ao presidente George W. Bush dos EUA e declarou que o seu grupo estava pronto a assinar uma trégua com Israel, desde que Israel devolvesse os Territórios Ocupados e retornasse às fronteiras de 1967.
Na mesma carta, tratou-se também de outros assuntos. E aquela carta, que era simples movimento para começar a abrir negociações, jamais obteve resposta. O governo Bush jogou a carta no lixo e declarou o Hamás “organização terrorista”. Esses fato, a carta sem resposta, de 2006, e, se é verdade que o comandante Jaabari estava trabalhando em algum tipo de negociação de paz, e é assassinado… Tudo isso obriga a desconfiar muito da honestidade dos EUA como negociadores; e obriga a desconfiar também de qualquer suposta agenda de paz que envolva Israel. De fato, tudo isso mostra que Israel não tem interesse algum em fazer paz alguma com o povo palestino, e só se interessa por manter a atual ocupação, sempre modificando os fatos em campo, sempre sufocando Gaza, até que, como por milagre Israel consiga fazer sumir o problema palestino…
DESVARIEUX: Vamos continuar cobrindo os eventos na Palestina, pelo The Real News. Muito obrigado, Vijay, por nos receber.

Fonte: The ReEal News

Enviado especial à Síria detalha situação ao Conselho de Segurança da ONU

24/09/2012 Renata Giraldi Repórter da Agência Brasil

Brasília – O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, apresenta hoje (24), no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) um balanço sobre sua primeira visita ao país. Brahimi se reuniu com o presidente sírio, Bashar Al Assad, e integrantes da oposição.

A reunião ocorre na véspera da abertura oficial da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Brahimi, que é diplomata argelino, deverá informar em detalhes como as autoridades se manifestam sobre as alternativas para encerrar os conflitos que duram 18 meses e mataram mais de 25 mil pessoas.

Brahimi teve reuniões com autoridades não só da Síria, como também do Egito, da Turquia e da Jordânia. No cargo desde o dia 1º deste mês, ele reconheceu que há dificuldades em buscar a paz na Síria. Ele visitou um campo de refugiados, em Zaatari, 80 quilômetros de Amã (Jordânia) e pediu uma “solução política” para a crise síria.

Na ONU, há divisões sobre eventuais medidas que devam ser tomadas na Síria. Os Estados Unidos defendem intervenção militar na região. O Brasil é favorável à busca por uma solução pacífica, sem intervenção militar no país.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa    //   Edição: Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil

Governo diz ser “inaceitável” crítica dos Estados Unidos sobre protecionismo e sinaliza que vai recorrer à OMC

21/09/2012 

Renata Giraldi e Carolina Gonçalves - Repórteres da Agência Brasil

Brasília – O governo do Brasil reagiu às críticas dos Estados Unidos que condenaram o que julgam ser o protecionismo brasileiro.O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana. Em protesto à afirmação, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, enviou ontem (20) carta ao embaixador Ron Kirk, representante para o Comércio dos Estados Unidos.

“Nós consideramos injustificável e inaceitável, tanto no conteúdo como na forma, essa manifestação do responsável pelo comércio internacional norte-americano, Ron Kirk”, disse Patriota, depois de uma reunião sobre questões climáticas, no Palácio Itamaraty.

O ministro ressaltou ainda que a crítica do governo norte-americano é considerada inadequada pelas autoridades brasileiras. “A resposta [carta enviada] que foi transmitida ontem mesmo mostra como é descabida e incongruente a carta [encaminhada pelos Estados Unidos]”, destacou ele.

Para Patriota, os Estados Unidos são os principais beneficiados pela ampliação do mercado brasileiro. “Se há um país que tem se beneficiado da ampliação do mercado brasileiro tem sido os Estados Unidos nos últimos anos”, disse ele.

O ministro destacou que as medidas adotadas pelo Brasil são reconhecidas pelos próprios norte-americanos e estão “dentro da legalidade” da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Nós consideramos que é preciso procurar outras maneiras de se desenolver uma relação comercial equilibrada e mutuamente benéfica. Esse tipo de manifestação não é construtiva na nossa opinião”, ressaltou.

Na carta encaminhada a Kirk, o chanceler diz que os norte-americanos são os principais responsáveis pelas barreiras impostas, por exemplo, aos produtos agrícolas brasileiros. “O Brasil tem sido obrigado a enfrentar a valorização artificial de sua moeda e uma enxurrada de mercadorias importadas a preços baixos. Os Estados Unidos têm sido um dos principais beneficiários desta situação”, reagiu, mais cedo, o chanceler. “Preocupa-nos a perspectiva de continuação de subsídios ilegais concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos.”

O ministro destacou que esses benefícios concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos causam impactos negativos nas economias dos países em desenvolvimento. “[Eles] impactam o Brasil e outros países em desenvolvimento, inclusive alguns dos mais pobres da África”, diz o texto.

Patriota diz ainda, na carta, que todos os mecanismos adotados pelo Brasil têm o respaldo da OMC e que o governo não abrirá mão dos instrumentos que julga legítimos. “O governo brasileiro não abdicará de seu direito de fazer uso de todos os instrumentos legítimos permitidos pela OMC”, informa o texto.

Em relação a eventuais efeitos negativos nas negociações na chamada Rodada Doha, como insinuaram as autoridades norte-americanas, Patriota negou impactos. “Discordo totalmente de Vossa Excelência quanto aos efeitos que as medidas adotadas pelo Brasil poderiam ter sobre o resultado da Rodada Doha”, disse.

O ministro negou que a presidenta Dilma Rousseff, que estará nos Estados Unidos na próxima semana, irá reunir-se com o presidente norte-americano, Barack Obama. Segundo ele, não há encontro bilateral “previsto”.

De 2007 a 2011, a venda de produtos norte-americanos para o Brasil dobrou, segundo dados oficiais. Em quatro anos, as exportações dos Estados Unidos para o mercado brasileiro saltaram de US$ 18,7 bilhões para US$ 34 bilhões. O Brasil passou de 16º para 8º maior mercado de produtos norte-americanos.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: Agência Brasil