Banco do Brics deverá criar mecanismos de apoio mútuo para emergentes

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27/03/2013 – 9h14

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff ressaltou hoje (27) que a criação do Banco do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul) vai colaborar para o desenvolvimento da região e dos países emergentes. Ela discursou duas vezes nesta quarta-feira, na 5ª Cúpula do  Brics , em Durban, na África do Sul. Segundo Dilma, o banco é um esforço para instituir mecanismos mútuos de apoio.

“É um banco talhado para as nossas necessidades. Temos de estreitar laços e criar mecanismos de apoio mútuos”, destacou a presidenta. “É um mecanismo de estabilidade que pode criar linhas recíprocas de crédito, fortalecendo a solidez do mercado internacional.”

A instituição bancária terá os mesmos moldes do Banco Mundia (Bird). Cada país que integra o Brics deverá destinar US$ 10 bilhões para formar o capital inicial do banco, que deverá chegar a US$ 50 bilhões. O banco centrará as ações no financiamento de infraestrutura e atuará em concorrência direta com o Bird.

A ideia é que a nova instituição bancária seja uma espécie de alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Dilma destacou também a importância de manter uma posição de otimismo, mesmo diante das dificuldades causadas pela crise econômica internacional, que atinge principalmente os 17 países da zona do euro.

“Devemos ter o otimismo e o dinamismo, reiterar a confiança e manter uma atitude contra o pessimismo e a inércia que atingem outras regiões. Vamos responder a essa crise com vigor”, disse a presidenta que também elogiou a criação de um fundo para ajudar os países emergentes.

A proposta é criar um fundo, estimado em US$ 100 bilhões, para ajudar países emergentes com problemas financeiros.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/noticia/2013-03-27/banco-do-brics-devera-criar-mecanismos-de-apoio-mutuo-para-emergentes 

Brics manifesta preocupação com situação na Síria e risco de ação militar no Irã

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27/03/2013 – 18h36

Da Agência Lusa

Brasília – O bloco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) manifestou hoje (27) preocupação com a deterioração da situação militar e humanitária na Síria e com os riscos de uma escalada militar no Irã.

“Manifestamos profunda inquietação face à deterioração da situação de segurança e humanitária na Síria e condenamos o aumento das violações dos direitos humanos e das leis humanitárias internacionais, na altura em que a violência continua”, disseram os líderes dos cinco países no comunicado final da cúpula de Durban, na África do Sul.

“Apelamos a todas as partes para garantirem a segurança dos que trabalham para agências humanitárias”, diz o texto, que reafirma a oposição à crescente militarização do conflito.

Os países emergentes expressaram também preocupação com o risco de uma escalada militar no Irã, acusado por países ocidentais e por Israel de estar desenvolvendo armas nucleares.

“Cremos que não há alternativa a uma solução negociada para o problema do nuclear no Irã. [...] Estamos preocupados com os riscos de uma ação militar e com sanções unilaterais”, escreveram os líderes no comunicado.

“Reconhecemos o direito do Irã a utilizar energia nuclear com fins pacíficos, no quadro das suas obrigações internacionais, e apoiamos a resolução dos problemas por vias políticas e diplomáticas, pelo diálogo”, disseram o Brics.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/noticia/2013-03-27/brics-manifesta-preocupacao-com-situacao-na-siria-e-risco-de-acao-militar-no-ira

Coletiva BRICS e Viagem à Índia

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Publicado em 22/03/2012
A Embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, Subsecretária-Geral Política II, conversou com a imprensa a respeito da IV Cúpula BRICS, que ocorrerá em Nova Délhi, em 29 de março, e da visita oficial da Presidenta Dilma Rousseff à India, a se realizar no dia 30 de março. Brasília, 22 de março de 2012.

Coletiva – Reunião Ministerial BASIC

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Publicado em 21/09/2012
Coletiva à imprensa com a Ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira; o Ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota; a Ministra de Água e Assuntos Ambientais da República da África do Sul, Edna Molewa; o Vice-Ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China, Xie Zenhua; e o Embaixador da República da Índia no Brasil, Bellur Shamarao Prakash, após o encerramento da Reunião de Ministros do BASIC sobre Mudança do Clima. Brasília, 21 de setembro de 2012
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=5QOh-BdwuBc

TRNN: “”Everyone But China” Agreement Prevents Regulation of Hot Money and Speculation Kevin Gallagher: Trans-Pacific Partnership threatens national sovereignty, extends corporate rights, and targets China”

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PAUL JAY, SENIOR EDITOR, TRNN: Welcome to The Real News Network. I’m Paul Jay in Baltimore.
The Trans-Pacific Partnership is rather controversial. Amongst other things, its critics say, it will weaken the sovereignty of many of the countries that sign on to that agreement. It’s also apparently become an everyone-in-Asia-but-China agreement.
Now joining us to talk about the significance of the TPP is Kevin Gallagher. He’s an associate professor and director of the Global Economic Governance Initiative at Boston University. He’s the cochair of the Party Task Force On Regulating Global Capital Flows. And he joins us today from the PERI institute at Amherst, Massachusetts.
Thanks for joining us.
KEVIN GALLAGHER, ASSOC. PROF. INTERNATIONAL RELATIONS, BOSTON UNIVERSITY: Thanks for having me, Paul.
JAY: So why is this trade agreement so controversial?
GALLAGHER: Well, there’s a whole host of reasons why the trade agreement is controversial.
First, it’s seen largely as a geopolitical move, rather than economic move. The United States is trying to surround China with trading partners so that it can try to get China to move away from some of its economic policies. If you take a look at the economic studies that look at the benefits of the agreement, they’re less than 1 percent of GDP for most of the countries involved.
But the big thing that a lot of countries are concerned of is that it will really curtail their national sovereignty to do a whole host of welfare policies and social welfare policies, and even to regulate their financial systems.
JAY: For example?
GALLAGHER: For example, one of the things going on in the world economy right now is that there’s all sorts of hot speculative capital or finance–bonds, derivatives, and so forth–moving out of the rich countries because the rich countries aren’t doing so well and sloshing around in the emerging market in developing countries. And those countries are regulating that so that it doesn’t cause asset bubbles and crises in their countries. But our treaty would make those kind of measures illegal.
JAY: Now, before we get into the issue of capital flows, this agreement contains within it provisions where private companies can sue governments sort of like they can do under NAFTA. Is that right? And that’s been one of the criticisms.
GALLAGHER: That’s correct. That’s one of the biggest concerns in many countries and lots of advocates in the United States have. Unlike the World Trade Organization, where if there’s a dispute between two countries, the two country governments have to come together and make claims against each other in a public forum at the World Trade Organization, under a U.S. trade deal a private sector actor, say, a foreign investor, can directly sue a foreign country for a measure that is in violation of the agreement in a somewhat closed environment in a private tribunal at the World Bank.
JAY: So now let’s get into this issue of hot money and capital flows. This whole issue of whether capital is free to do whatever it wants cross-border has been one of the more controversial issues in international trade. What does the TPP say about it, and how are people responding?
GALLAGHER: The TPP requires that capital among all the trading partners in the treaty freeze flows freely and without delay in between all the trading partners. This stands in stark contrast with most of the economic evidence that’s been coming out, and even the views of the IMF.
JAY: Now, wasn’t this one of the most important economic theories of the ’90s and all this, that this whole point of free trade agreements was the free flow of capital, and that’s supposed to give rise to growth, and limiting capital flows is supposed to be old-school?
GALLAGHER: Yeah. It worked well on the blackboard in the 1990s, and definitely the prevailing economic theory was if you let go of restrictions on finance, it would cross borders and it would move into countries that don’t have enough investment and those countries would grow. But 20 years of economic evidence shows that there’s no strong relationship between opening yourself up to capital flows and economic growth and that there is a pretty strong relationship between opening up to capital flows and having banking crises, at least until you hit some mid level of development.
JAY: So give a specific example of why this is a problem. And this has a lot to do with speculative activity in this derivatives trading and, I guess, countries’ ability to control this sort of thing.
GALLAGHER: Yeah, absolutely. If you want to make a distinction on capital flows, there’s foreign direct investment, which is a multinational that’ll go to your country and open up a building that’ll make things and employ people and actually sell products like shoes and cars and so forth. That’s called foreign direct investment. It has its controversial aspects, but it’s not something that is usually going to cause a financial crisis.
What we’re really concerned about is the movement of things like you noted, such as derivatives, currency trades, stocks and bonds, and so forth that can move in and out of a country within minutes and days. And in the wake of the crisis, developed countries–the United States, Japan, and the Europeans–have been expanding central bank balance sheets to get interest rates really low. We’re trying to expand the economies here.
Unfortunately, they aren’t–those banks aren’t lending at those low interest rates to small businesses and businesses in the United States. Rather, speculators are borrowing the money at low interest rates in the United States and speculating in countries where there’s higher interest rates and more of a promise for growth.
So a specific example is Brazil. Brazil’s had an interest rate at about 10 percent since 2009. The United States interest rate’s been about 2 percent. So you borrow money from the United States at 2 percent, you invest it in Brazil–say you buy the Brazilian currency at 10 percent. You make the differential in between the two interest rates. You can manufacture a derivatives trade within that and bet against the dollar and on the Brazilian real at the same time, and if you’re leveraged significantly, you can make a killing for yourself. But you might also cause some real problems in the case of Brazil. In Brazil’s case–.
JAY: Like, you’ll be driving the Brazilian currency even higher.
GALLAGHER: Yeah. The Brazilian currency in between 2009 and 2011 appreciated by about 40 percent. And so Brazilian exporters of manufacturing and all sorts of other goods couldn’t compete in the world economy, and it caused havok in their economy. It’s one of the reasons why they’ve had significant slowdown in growth in the past year.
JAY: And this has been one of the big critiques by these countries of the American quantitative easing, the Fed’s policy that it’s been encouraging by shoveling this money into the banks to do this carry trade. Now, a lot of people are talking about how this kind of leads to–somebody–I forget the name of the guy, but somebody coined currency wars as the term. Is that where we’re headed?
GALLAGHER: Yeah, that’s the environment that we’re living in now. It was Guido Mantega, the finance minister of Brazil, who pointed his finger at the United States for its low interest rates and said, you’re causing a currency war here, because by expanding expansionary policy in the United States, it makes the dollar weaker, and if the dollar’s weaker, other countries’ currencies are stronger and it’s harder for them to compete in the world.
Another shot in the currency war just happened a couple of weeks ago at the G7 and G20 meetings, because Japan has now gotten back into the game and it is trying to get low interest rates, and people are worried that the yen will be cheap. And that’s another part of the currency war.
What our expert panel report is concerned about is that this currency war could turn into a trade war, because one of the things that developing countries are trying to do to defend themselves from this sloshing hot money that’s coming from the rich countries is putting in place regulations on cross-border finance.
JAY: And we know from the 20th century and before that trade wars can often lead to real wars.
GALLAGHER: Let’s hope not.
JAY: The TPP–everyone but China–is this part of the scenario, that the Trans-Pacific Partnership becomes a tool for waging currency war against China?
GALLAGHER: I’m not sure it’s a tool for waging a currency war against China, but it really is going to restrict the ability of the countries to defend themselves with respect to this currency war. Some of the key countries that are involved in the TPP on this hemisphere are Peru and Chile, on the Pacific side are Vietnam, Singapore, and Malaysia. Those are countries that because they’re dynamic emerging-market economies and have relatively higher interest rates, they have been witnessing this high exchange rate appreciation and the development of asset bubbles in their real estate markets and in their stock markets because of all this hot money. And traditionally those countries have been using regulations to mitigate cross-border finance. They wouldn’t be able to do that now.
JAY: No one’s making them sign these agreements. Why are they–why do they want in?
GALLAGHER: Well, they want in because they want access to the U.S. economy. And so that’s what they’re trading away. I wouldn’t only criticize the United States. I’d criticize some of our trading partners for trading too much away to get access to our slow-growing economy.
We’ve got a huge, $15 trillion economy. People want access to it. That’s what we offer on the table. But the conditions for access to our economy can often be really detrimental for the ability of countries to grow.
Chile and one other country in the Trans-Pacific Partnership negotiations is pushing to get an exception to the TPP so they can regulate cross-border financial flows. Right now the United States is continuing to refuse to allow that kind of exception so that countries can prevent and mitigate financial crises.
JAY: Alright. Thanks very much for joining us, Kevin.
GALLAGHER: Thanks for having me.
JAY: And thank you for joining us on The Real News Network.
Fonte: http://therealnews.com/t2/index.php?option=com_content&task=view&id=31&Itemid=74&jumival=9883

A geopolítica das armas

Há ao menos três décadas, o rápido crescimento econômico chinês aponta para a futura retomada de um cenário global com duas potências econômicas e militares: os Estados Unidos e a China. E um sinal da consolidação deste quadro é a ascensão da China como o quinto maior exportador de armas convencionais do mundo, segundo relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), publicado na noite deste domingo 17, ao qualCartaCapital teve acesso com exclusividade no Brasil. Essa é a primeira vez desde o fim da Guerra Fria que o top 5 não é formado apenas por EUA e outros quatro países europeus.

Foto: Mashleymorgan/Flickr

Pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, a China está entre os cinco maiores exportadores de armas.

O estudo ainda mostra que o volume das transferências mundiais das principais armas convencionais (aviões de combate, tanques, veículos armados, helicópteros, artilharia, mísseis, entre outros) aumentou 17% entre os períodos de 2003-2007 e 2008-2012. Os EUA seguem como o maior fornecedor global nos últimos cinco anos, com 30% das exportações, seguidos por Rússia (26%), Alemanha (7%), França (6%) e China (5%). É a primeira vez que o Reino Unido não está nesta lista desde 1950.

Entre os dois quinquênios analisados, as exportações de armas convencionais chinesas subiram 162%, com acordos que têm estabelecido o país como um significativo fornecedor mundial. A maior parte das vendas foi para a Ásia e Oceania (74%). Somente o Paquistão ficou com 55% das exportações do país. “A China sempre foi uma grande exportadora de armas leves, mas não tinha uma indústria militar muito desenvolvida. Mas há mais de uma década existe um investindo forte para dar suporte a esse crescimento militar ajudado por um desenvolvimento industrial e tecnológico”, explica Gunther Rudzit, especialista em segurança e professor da Faculdade Rio Branco, em São Paulo.

 

Esse avanço militar chinês reflete uma possível corrida armamentícia em países asiáticos e da Oceania, responsáveis por 47% das importações mundiais no setor nos últimos cinco anos, um aumento de 35% em relação ao período anterior. Além disso, os cinco maiores importadores são todos da Ásia: Índia (12%), China (6%), Paquistão (5%), Coreia do Sul (5%) e Cingapura (4%).

Em grande parte, esses Estados compram armas chinesas para lidar com tensões e conflitos de fronteiras marítimas com a própria potência asiática.

A busca por sistemas de defesa na região, acredita Paul Holtom, diretor do programa de transferências de armas do SIPRI, pode ser uma compensação pela defasagem provocada na crise asiática dos anos 90. Mas também está relacionada à ascensão militar chinesa. “Os países sempre levam em conta como a China vai agir, o que também influencia fornecedores como os EUA a comercializar mais equipamentos avançados que no passado.”

No último quinquênio, diversos países da região encomendaram ou anunciaram planos de adquirir armas de longo alcance e sistemas de suporte que os tornariam capazes de projetar poder muito além de suas fronteiras. No ano passado, a Rússia entregou um submarino nuclear à Índia, e a China inaugurou um porta aviões.

A Índia importou 59% mais armas no período, com compras de aviões de combate da Rússia e EUA. No sudeste asiático, as importações cresceram 169%, devido a tensões por fronteiras marítimas, especialmente entre China e Vietnã ou as Filipinas. “O mar ao sul da China é disputado entre muitos países e essa tentativa de ter vantagem em termos navais prevalece na lógica regional. Alguns pesquisadores chegam a comparar os atritos do sudeste asiático à Europa do início do século XX”, Rudzit.

Enquanto isso, a China revelou no ano passado uma série de sistemas de armas domésticos que diminuíram sua dependência externa, por isso sua importações caíram 47% entre 2008 e 2012. No mesmo período, houve aumento no volume de importação de armas das Américas (34%) e África (104%) e queda de 20% na Europa (países como Portugal e Espanha estão vendendo aviões de combate novos por não terem condições de mantê-los) e 7% do Oriente Médio.

Vendas de armas

Os dados do SIPRI são prévios à decisão dos EUA no ano passado em realocar grande parte de suas forças militares e marítimas rumo à Àsia, mas podem ser um indicativo da escolha norte-americana. Antes mesmo da decisão, a indústria de defesa norte-americana era uma das principais fornecedoras para a região. “Os EUA têm olhado a Índia como um mercado potencial, um país antes dominado por exportações da Rússia e países europeus”, explica Holtom.

A China, que fornece enorme quantidades de sistemas básicos para países de menor desenvolvimento, contudo, está entrando em mercados importantes para países europeus e os EUA. “É interessante notar que, há alguns anos, a Rússia montou um grupo de estudos sobre a indústria de defesa chinesa para saber se ela competiria com a russa em médio prazo”, lembra Holtom.

“A China está se desenvolvendo em áreas importantes, mas ainda há laços tradicionais muito fortes neste tipo de comércio. Ninguém deixa de comprar armas de um país facilmente, porque esse mercado é de relação política intensa e profunda”, completa Rudzit.

Maiores exportadores

Os EUA lideram a lista dos maiores exportadores de armas entre 2008 e 2012, com 30% do comércio mundial. O país vendeu armas para ao menos 85 países, além da Otan. A maior parte destes equipamentos foi comprada por Estados da Ásia e Oceania (45%), Oriente Médio (27%) e Europa (18%).

Segundo os dados, 62% das entregas foram de aeronaves, incluindo 49 aviões de combate como o F-35.

Em retirada do Iraque e do Afeganistão, os EUA venderam 4% de suas exportações para cada um destes países. Os itens inclusos nas negociações variam de tanques a veículos armados novos e de segunda mão.

A Rússia vem em segundo lugar na lista, com 26% das exportações no setor. Destas, 46% são de aeronaves e 20% de mísseis. Ásia e Oceania também são os maiores compradores, 65% do total. Além disso, o relatório mostra que o país foi responsável por 71% das exportações de armas convencionais para a Síria nos últimos cinco anos, incluindo o período de guerra civil do país do Oriente Médio.

Alemanha e França ocupam a terceira e quarta posições, respectivamente. Os dois países registraram quedas de 8% e 18% no período analisado.

Fonte: CartaCapital

Historiador conecta desinteresse dos EUA pela América Latina a avanços da região

O historiador Erick Langer, diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington, fala nesta entrevista sobre vários temas da história continental, como o populismo, a ascensão e as crises do neoliberalismo, as conexões das terras baixas com os Andes e a influência da China e dos EUA.

Martín Granovsky

Aos 57 anos, nascido no dia 22 de maio de 1955, Erick Langer é um historiador especialista em América Latina que dirige o influente Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington. Lá começa a funcionar uma cátedra sobre a Argentina.

Nesta entrevista, ele discorre sobre sobre vários temas da história continental, como o populismo, a ascensão e crise do neoliberalismo, as conexões das terras baixas com os Andes e a influência da China e dos EUA.

“Me parece muito interessante que o continente tenha mudado tanto na última década e tenha podido aproveitar, do ponto de vista econômico, uma grande mudança mundial: a maior presença chinesa”, disse Langer.

Em que, na sua opinião, a América Latina aproveitou da China?
A China é um rival dos Estados Unidos que requer matérias-primas da América Latina. Isso contribuiu para que a América Latina pudesse enfrentar a crise em melhores condições. Não sem perigos, claro.

Qual será o perigo?
Que a América Latina não intensifique o processo de elaboração de matérias-primas e siga exportando commodities. É um desafio para todos os governos da região, sem exceções. A vantagem é que a partir de 2000 a América Latina em geral, e a América do Sul em particular, se libertou da dependência do modelo neoliberal dos Estados Unidos.

Como esse modelo afetava a região?
Criou um desassossego das classes médias e baixas em termos de distribuição da riqueza. Essa expressão não estava, evidentemente, no Consenso de Washington.

O documento do consenso exortando à desregulação e a desregulamentar a economia é de 1989. Não ficou nada?
Na região? Praticamente nada. É um fator positivo para a região.

Ou seja, o crescimento chinês é um elemento positivo e a queda do Consenso de Washington é outro ponto bom.
E acrescento um fator de peso: os Estados Unidos estão muito preocupados com o Oriente Médio e efetivamente não prestaram muita atenção à América Latina.

Os acadêmicos e os dirigentes políticos discutem sempre se isso é bom ou ruim. Alguns defendem que para a América Latina a situação é melhor quando Washington menos se ocupa dela.
Bom, em matéria política há um tema prático a ter em conta. Vai soar quase redundante. Quando Washington se ocupa menos, a ingerência é menor. A maioria das vezes que os Estados Unidos puseram o olhar em outros lugares e não tanto na América Latina, como na Primeira Guerra Mundial, a favorecida foi a América Latina. Não dou o exemplo da Segunda Guerra Mundial porque o fenômeno é muito mais complexo. Mas depois de muitas vezes o problema foi que os governos do continente não foram aliados dos Estados Unidos, mas dependentes de Washington. Não é a mesma coisa. Os Estados Unidos tinham o poder de se impor. De impor, inclusive, um modelo que já não funciona. Barack Obama se deu conta disso, embora seu principal tema não seja a América Latina. E antes dele, George Bush não estava concentrado na América Latina.

Quer dizer que é bom para a região que não haja uma dedicação especial?
Mas eu investigo a América Latina! Você quer que fique desempregado?

Professor, seu currículo na parte de idiomas diz que fala quéchua. Onde aprendeu?
Em Stanford.

Stanford, Califórnia?
Exatamente. Já anteriormente a zona andina me interessava e depois, graças ao quéchua, pude falar diretamente na Bolívia para entrevistar vários caciques andinos. Há tempo que não o falo, embora o entenda bastante bem. Sabe qual é o meu problema? Com quem falar por aqui?

Por que se interessou pela América do Sul andina e pela zona do Chaco?
Quando era estudante de um programa de intercâmbio fui para Sucre. A um colégio jesuíta. Me impactou de forma profunda o fato de ter vivido ali. Originalmente, queria voltar para a Europa. Passei cinco anos na Alemanha. Aquela viagem pela América do Sul foi incrível. Era junho, julho e agosto de 1973. Viajei por quase toda a região. Cheguei ao Chile quando Salvador Allende ainda estava no governo. Estando na Argentina, por pura casualidade não fui um dos que estiveram presentes no dia 20 de junho de 1973, quando Juan Domingo Perón voltou definitivamente. Me salvei dos tiros porque havia decidido ir a Ezeiza e no último momento alguns amigos de Córdoba me chamaram. Acompanhei tudo. Pouco tempo antes haviam matado o Che Guevara.

Claro, o mataram na Bolívia em 1967, apenas seis anos antes de sua viagem. De seu próprio “Diário de motocicleta”. Até onde chegou?
Até Medellín. Dali volte de avião aos Estados Unidos. Em Sucre e depois, através das minhas pesquisas, indaguei sobre a resistência camponesa o que se podia chamar, grosso modo, de modernização. Para mim foi fascinante. Os pesquisadores não costumam tomar como objeto de estudo as regiões em baixa, mas em crescimento. Fazem mal, porque é muito interessante. Eu tratei de ver como se portavam as pessoas quando tudo ia pior e que mudanças aconteciam, por exemplo, do final do século XIX para o século XX, pela passagem da mineração da prata, com centro em Potosí, à mineração do estanho, que favoreceu mais o norte que o sul. O próximo projeto incorporará o comércio no norte da Argentina, que investiguei muito nos últimos anos. No século XIX não havia ainda fronteiras nacionais efetivas. As fronteiras econômicas iam muito além. Pensar em unidades nacionais no século XIX é perder algumas perspectivas, como a da Bolívia, e não entender bem as relações e as encruzilhadas com o norte argentino, chileno e o sul peruano. Nesse momento me interessaram os chiriguanos. Mas a minha tese já estava avançada e resolvi deixar o tema para mais adiante. É gracioso, porque terminei publicando um livro 20 anos depois.

Vi o título. Traduzido seria “Esperando peras do olmo: as missões franciscanas na fronteira chiriguana no coração da América do Sul, 1830-1949″.
Leia-o, por favor. Espero que demonstre uma maturidade que antes não tinha como historiador. Olhe, naquele momento nem se usava a palavra “guarani”. No primeiro capítulo demonstro que o poder militar era a favor dos chiriguanos, e que com esse poder podiam tirar o excedente da sociedade crioula. Em muitos casos foram mais poderosos que os próprios crioulos.

E tudo pela raridade do intercâmbio em Sucre. É uma cidade muito bonita, mas pouco conhecida.
Melhor que não a conheçam. Deixe Sucre assim. Quando me aposentar quero me mudar para Sucre e morar na parte velha da cidade.

Professor, voltemos dos chiriguanos aos sul-americanos de hoje. Você compartilha a visão que mostra, do ponto de vista político, várias Américas do Sul situadas em extremos opostos?
Me parece que não há uma divisão tão taxativa porque os processos são muito semelhantes. Tomemos de novo em consideração algumas realidades. Antes os chineses pensavam na América do Sul como Chile, porque os chilenos haviam sido muito efetivos em se vender na China. Quer dizer que, em última instância, não foram tão diferentes como acabaram sendo os outros, não é certo? Na atualidade, a América do Sul tem uma realidade estável. É uma realidade comum. Mas também, com suas diferenças, o protesto é um hábito comum. Há protestos antigovernamentais, para além dos conteúdos, na Argentina, no Chile e no México. E dá a sensação de que às vezes é difícil classificar cada coisa como de direita ou de esquerda.

Pensa também na Argentina?
Claro. É difícil definir um governo de peronistas como de esquerda ou de direita. Há um processo político único ao longo da história que não encaixa muito bem nestes termos. Falo da formação do peronismo. Juan Perón estava muito convencido dos não alinhados. O justicialismo é uma mescla de muitas ideologias. Ainda hoje é difícil definir os Kirchner como de esquerda e ficar nisso como toda explicação. O peronismo tem uma organização de base muito mais forte que qualquer outro partido político em toda a América Latina e pode arrasar nas urnas. Organiza-se muito bem. Recolheu a herança e a retórica de cuidar dos operários, o que é muito importante. Vejamos uma diferença em relação ao meu país. Nos Estados Unidos não existe uma esquerda. Mas existe uma direita. Nesse sentido, hoje a Argentina está voltando a um leito natural. Carlos Menem obviamente foi peronista, mas tinha outras características e foi uma exceção nessa trajetória.

É exatamente a época do Consenso de Washington, que resumiu as experiências práticas de Ronald Reagan e Margaret Thatcher.
Sim, a década de 90.

Você dizia que falar de esquerda ou de direita não esgota uma análise. E a noção de populismo o satisfaz como conceito?
Também não é suficiente. É muito difícil definir o que é populismo. Dito agora é diferente de quando um pesquisador o aplicava nos anos 30 ou 40, uma época muito ligada ao começo das etapas de substituição das importações industriais. Hoje pode haver experiências de substituição, mas a base sempre é a busca de um tipo de relação com a economia mundial. O que se poderia resgatar, e há uma herança muito longa de Juan Manuel de Rosas em diante, é a importância que um chefe político que seja um personagem carismático pode ter. Isto faz com que a política se torne muito personalista. Assim teríamos uma característica populista. De todo modo, a chave é se se transpõem ou não os limites da democracia. Enquanto a oposição possa ganhar (se o faz ou não, é outra questão) está tudo bem. Não falo apenas da Argentina. Acontece em todos os países.

Os opositores têm a mesma característica em todas as partes?
Não. Mas há um elemento comum: a oposição está muito desorganizada em todos os países onde há líderes fortes.

Há líderes fortes porque não há oposição organizada ou há oposição desorganizada pela existência de lideranças fortes?
O populismo tem uma virtude e uma desvantagem: abarca muitas correntes políticas. E essas diferentes correntes se manifestam no líder. A oposição, ao contrário, não tem muitos interesses em comum e então as diversas correntes não se unem.

Bem. Deixo-o no passado. Que outro momento da Argentina viveu, além de 73 e do retorno de Perón?
Fui bolsista da Fullbright em 2000. Fernando de la Rúa era o presidente. Vi a queda, com o “corralito” e o drama social. E depois se deu a extraordinária recuperação econômica que vocês experimentaram. De todo modo, hoje me parece que se deve observar muito a velocidade relativamente menor de crescimento da economia chinesa e avaliar se a América Latina é capaz de saltar para outro modelo que no futuro não a faça depender da venda de matérias-primas. Não sei se você sabe, quando conversam em privado, muitos dirigentes chineses equiparam a América Latina à África.

Em que se baseiam?
Nas perspectivas de utilização econômica. Eles não entendem as enormes diferenças. A América Latina é outro mundo, diferente da África. Mas muitos dirigentes chineses pensam assim.

Por que concordou em criar a Cátedra Argentina?
O embaixador Jorge Argüello veio e me propôs. Me pareceu bem. Pensamos em estabelecer um espaço acadêmico porque nos parecia que a Argentina é um país sumamente importante da América Latina. A Cátedra Argentina será uma forma construtiva de colocar a Argentina no tapete para que as pessoas de Washington se deem conta da complexidade do país. Para melhorar as relações é necessário melhorar a difusão e o conhecimento. O desconhecimento cria problemas. É um projeto de longo alcance. Essa Cátedra Argentina deve durar muitos anos e não depender da administração política de turno. Por isso necessitamos de recursos. O próprio embaixador me dizia que ele queria que seguisse em frente. O Brasil ganhou um grande espaço em Washington. É lógico. O Brasil está crescendo e tem importância mundial. Mas há países tão importantes como o Brasil e nosso objetivo é manter em tela também a Argentina.

Quem deveria olhar essa tela?
Os estudantes, evidentemente, e toda a comunidade acadêmica. Mas, mais amplamente, o conjunto de latino-americanistas, de especialistas em América Latina, e funcionários e dirigentes. Que conheçam mais a Argentina e a tomem em conta, porque é importante para manter boas relações na América Latina e no Cone Sul em geral.

Desde quando está na Universidade de Georgetown?
Desde 1999. Era o único latino-americanista com uma cátedra e não conseguia ter estudantes graduados. Agora tenho vários doutorandos. Queria entrar nisso. Georgetown é mais conhecida como universidade do que outras e tem um componente de comunidade universitária que me atraiu muito.

Seu livro sobre os chiriguanos está relacionado com uma missão franciscana. Mas você trabalha em uma universidade com tradição de estar ligada à Companhia de Jesus.
Pela primeira vez na história da Georgetown não há um reitor jesuíta. Sua presença física diminuiu. Seu espírito é muito importante, porque se trata de uma cultura universitária que dá atenção ao ser humano total, o que não se dá em outras universidades. Para um professor com trajetória isso é apaixonante. Todos dão aulas, tanto nos cursos de graduação como de pós-graduação. Também somos uma universidade de pesquisa. E não deixamos de lado o componente da justiça social. Trabalhando sobre o tema dos movimentos indígenas me pareceu que podia fazer parte de uma equipe que tivesse interesse em temas de justiça social.

É um dos temas comuns da América Latina.
Sim, deve-se em boa medida às críticas e aos problemas do modelo neoliberal anterior, baseado no enriquecimento de um sobre os outros. Um modelo que no longo prazo não funciona. É uma luta que, como se terá dado conta, também travamos nos Estados Unidos. Há duas posições muito diferentes sobre como deveria ser o Estado e a quem deveria favorecer.

Fonte: CartaMaior

 

TED: Joseph Nye fala sobre mudança de poder entre EUA e China

Joseph Nye on global power shifts

http://www.ted.com Historian and diplomat Joseph Nye gives us the 30,000-foot view of the shifts in power between China and the US, and the global implications as economic, political and “soft” power shifts and moves around the globe.

TEDTalks is a daily video podcast of the best talks and performances from the TED Conference, where the world’s leading thinkers and doers give the talk of their lives in 18 minutes. Featured speakers have included Al Gore on climate change, Philippe Starck on design, Jill Bolte Taylor on observing her own stroke, Nicholas Negroponte on One Laptop per Child, Jane Goodall on chimpanzees, Bill Gates on malaria and mosquitoes, Pattie Maes on the “Sixth Sense” wearable tech, and “Lost” producer JJ Abrams on the allure of mystery. TED stands for Technology, Entertainment, Design, and TEDTalks cover these topics as well as science, business, development and the arts. Closed captions and translated subtitles in a variety of languages are now available on TED.com, at http://www.ted.com/translate. Watch a highlight reel of the Top 10 TEDTalks at http://www.ted.com/index.php/talks/top10

Fonte: TED

Brasil idealiza discussão sobre taxa de câmbio em relações internacionais, diz embaixador do país na OMC

10/10/2012 – 19h24

Luciene Cruz, Repórter da Agência Brasil

Brasília – O embaixador brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse hoje (10), que o Brasil é o idealizador da discussão sobre a taxa de câmbio nas relações internacionais. O debate deve ocorrer na próxima reunião da cúpula, prevista para ocorrer no início de novembro.

“Negociar mecanismo, não é papel brasileiro. Queremos discutir se as disciplinas existentes hoje são suficientes ou adequadas para dar tratamento à questão cambial. O papel brasileiro é analisar se a disciplina da OMC tem efetividade na situação atual”, disse. Azevêdo destacou ainda que existem várias maneiras de negociar mecanismos que tratam da questão cambial.

O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Valdemar Leão, disse que o diálogo vai girar em torno do efeito do câmbio nas relações comerciais. “Não vamos tratar do impacto monetário. O debate da OMC tem competência para tratar do câmbio, os efeitos no comércio e como remediá-los”.

Azevêdo disse ainda que o Brasil não pretende que o assunto seja discutido a longo prazo. “Não queremos estender a discussão a longo prazo que seja lesiva ao Brasil. Hoje [o câmbio] está a um patamar favorável. Queremos definir o contorno do que poderia ser a reunião, para resolver o assunto o mais breve possível”, disse.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: Agência Brasil

 

Max Keiser e Jim Rickards explicam o agravamento da “guerra cambial”

In this episode, Max Keiser and Stacy Herbert discuss flash crashes, reputation woes on the U.S. exchanges and sheep screaming at all the fraud. Max also talks to one of the Queen’s sheep for its opinion on quantitative easing. In the second half of the show, Max Keiser talks to Jim Rickards, author of Currency Wars, about QE to infinity, the dollar, the euro and a gold standard.

Fonte: Keiser Report

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