EUA e OTAN estudam acelerar saída do Afeganistão e deixar problemas com governo local

Presidência norte-americana já teria desistido de entrar em acordo com o Talibã e admite força do grupo

Nas vésperas da invasão dos Estados Unidos no Afeganistão completar 11 anos, oficiais norte-americanos e da missão da OTAN enfrentam incertezas sobre o futuro da operação militar no país. Com uma taxa crescente de militares mortos em atentados terroristas e oficiais afegãos envolvidos nos ataques, autoridades começaram a encarar a possibilidade de acelerar a retirada de 120 mil tropas do território e deixar os problemas consequentes da guerra nas mãos dos afegãos.

Forças afegãs terão que assumir responsabilidades da missão da OTAN a partir do final de 2014

É isso o que mostra as reportagens especiais, divulgadas nesta terça-feira (02/10), do jornal norte-americano New York Times e do britânico Guardian.

“A partir de agora até o final de 2014, você pode ver adaptação na nossa presença. Nossas tropas podem ser recolocadas, assumir outras funções ou até mesmo serem retiradas, ou nós podemos reduzir o número de tropas estrangeiras”, afirmou o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussem, em entrevista ao Guardian.

Segundo ele, as decisões sobre os próximos passos dos militares da OTAN e dos EUA no Afeganistão devem se basear no relatório do general John Allen, chefe da operação, sobre os acontecimentos no campo. “As decisões políticas vão ser tomadas baseadas nas suas recomendações em como vamos nos adaptar e transferir a responsabilidade aos afegãos”, acrescentou Rasmussem.

Até 2014, a missão da OTAN deve encerrar suas atividades no país, que serão assumidas, integralmente, pelas forças afegãs. Apesar disso, o secretário-geral explicou que os oficiais do bloco militar vão continuar auxiliando e treinando os oficiais da polícia e das Forças Armadas do Afeganistão e que militares norte-americanos ainda permanecerão no país por conta de acordo bilateral entre Washington e Cabul.

Em relação ao envolvimento de oficiais afegãos em atentados terroristas contra tropas da OTAN e dos EUA, Rasmussem reconheceu a existência de uma crescente desconfiança entre os militares. No entanto, o secretário-geral acrescentou que, em muitos casos, os ataques eram realizados por infiltrados terroristas ou de talibãs disfarçados como oficiais.

Nem mesmo a investida militar norte-americana conseguiu reverter a situação da violência no Afeganistão e o poder de grupos terroristas. A operação, responsável pelo envio de 33 mil tropas adicionais ao território em 2009, terminou neste mês com poucos resultados.

De acordo com a organização ICasualties, o número de oficiais da OTAN e dos EUA mortos cresceu nestes últimos anos: em 2005, 131 militares faleceram e, em 2011, 566. Isso contribuiu para que a opinião pública dos países da OTAN e dos EUA se tornassem ainda mais insatisfeitas com a situação no Afeganistão.

Por conta desse contexto de exaustão entre a sociedade e as próprias tropas, o governo dos EUA já está abandonando seus planos de entrar em acordo com o Talibã, informaram diplomatas e militares ao New York Times. “É um inimigo muito resistente e eu não vou mentir em relação a isso”, disse um oficial.

Segundo eles, a Casa Branca está abandonando seus planos “ambiciosos” de derrotar ou negociar com o grupo terrorista afegão e começa a admitir a possibilidade de deixar o problema aos próximos governantes do país. De acordo com um militar que não quis se identificar, os EUA e a OTAN não vão conseguir resolver essa situação nos próximos dois anos. 

“O tom da discussão mudou para uma resolução menos liderada pelos norte-americanos e mais pelos afegãos, mas que terá mais tempo de duração”, explicou Shamila Chaudhary, analista no Grupo Eurasia e do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, ao New York Times.

No entanto, enquanto o número de militares norte-americanos diminui, a presença de forças de segurança privada contratadas pelo governo dos EUA aumenta. Não existe número certo sobre quantos mercenários servem atualmente no território afegão por conta do alto índice de subcontratações e falta de clareza nas informações.

O Departamento de Estado norte-americano estimou que, em 2011, existiam mais de 18 mil mercenários no país e o pesquisador Jeremy Scahill, em artigo no site The Nation, informou a existência de mais de 160 mil oficiais da segurança privada naquele ano.

Mesmo que a OTAN e os EUA retirem suas tropas e oficiais do país, o povo afegão ainda terá que enfrentar muitos problemas herdados da invasão de 2001.

Fonte: OperaMundi

Leia outras notícias sobre o Afeganistão.

Otan anuncia redução de operações conjuntas com forças de segurança afegãs

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico do Norte) anunciou nesta terça-feira que deve reduzir suas operações conjuntas com as forças de segurança do Afeganistão após uma série de incidentes nos últimos dias.

O chamado “fogo verde”, quando soldados afegãos abrem fogo contra os colegas das tropas internacionais, vem aumentando consideravelmente.

Um porta-voz da aliança militar ocidental disse que, no futuro, a coalizão entre as forças internacionais e afegãs só será colocada em ação para operações de grande escala.

Missões conjuntas menores deverão agora ser aprovadas por comandantes de alto escalão utilizando critérios caso a caso.

Analistas acreditam que as novas regras abalam a parte central da estratégia da Otan no Afeganistão, que primava até então pelo trabalho em parceria com as forças locais.

Mais de 50 soldados ocidentais foram mortos por seus colegas afegãos e a polícia local neste ano, sendo 15 só em agosto.

Fonte: BBCBrasil

Pepe Escobar: Como o Mal se tornou o Bem e agora voltou a ser o Mal

O tiro pela culatra que se levanta em Bengasi

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online

Muçulmanos paquistaneses queimam bandeira dos Estados Unidos durante manifestação em Quetta. (Foto: Banaras Khan / AFP Photo)

“Papai, o que é um tiro pela culatra?”

Aqui está uma fábula para contar às crianças, junto ao fogo, em um não tão distante e distópico futuro apocalíptico.

Era uma vez, durante a “guerra ao terror” de George “Dubya” Bush, as Forças do Bem no Afeganistão capturaram (e devidamente torturaram ) um terrorista maligno, Abu Yahia al-Libi.

Abu Yahia al-Libi era, com certeza, líbio. Foi submetido por três anos nas entranhas da prisão de Bagram, perto de Kabul, mas de alguma maneira conseguiu escapar daquela supostamente inexpugnável fortaleza em julho de 2005.

Por então, as Forças do Bem se davam muito bem na cama com o Coronel Gadaffi da Líbia, cujos serviços de espionagem (para o deleite da administração de Bush) estavam dando o que tinham de mais repugnante para exterminar, ou ao menos isolar, aos jihadistas-salafistas do tipo Al-Qaeda, no estilo de al-Libi.

No entanto, em 2011, as Forças do Bem, agora sob nova administração, decidiram que era hora de enterrar a já tão passada “guerra ao terror” e dançar conforme uma nova moda, mais popular: a intervenção humanitária, também caracterizada como “ação militar cinética”.

Daí que al-Libi retornou dos mortos (agora, lutando ao lado das Forças do Bem para destituir – e oportunamente eliminar – o “maligno” Coronel Gadaffi). Al-Libi tinha se tornado um “guerreiro da liberdade”, apesar de que ele conclamasse abertamente que a Líbia deveria se tornar um Emirado Islâmico.

A lua de mel não durou muito.

Em setembro de 2012, pela primeira vez em três meses, o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, conhecido como O Cirurgião, divulgou um vídeo especial de 42 minutos para “celebrar” o 11º aniversário do 11 de setembro, admitindo finalmente a eliminação de seu número dois.

Seu número dois não era outro que Abu Yahya al-Libi, que tinha sido alvejado no Waziristão em 4 de junho por um dos drones adorados pelo presidente Barack Obama.

Um efeito imediato do vídeo de al-Zawahiri foi que uma turba furiosa, conduzida pelo grupo islamista Ansar al Sharia, incendiou o consulado dos EUA em Bengasi. O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, foi morto. Não importou o fato de que Stevens tinha sido um heroi dos “rebeldes da OTAN” que haviam “libertado” a Líbia – notoriamente salpicados com jihadistas-salafistas do tipo de al-Libi.

Stevens foi recompensado por Washington com o posto de embaixador tão somente depois de que o “maligno” Gadaffi finalmente tivesse sido sodomizado, linchado e assassinado por (o que mais) uma turba furiosa.

Assim que, por fim, a serpente pôde morder sua própria cauda.

Terror, terror, terror

O que ocorreu em Bengasi pode ter sido apenas um protesto fora de controle contra um filme amador grosseiro feito na Califórnia, produzido e dirigido por um corretor de imóveis estadunidense-israelense que é um comprovado islamófobo (agora, dizem que sua identidade era um disfarce), financiado com US$ 5 milhões de doadores judeus não identificados, o qual apresentava o Islã como “um câncer” e o Profeta Maomé como um mulherengo, pedófilo e, acima de tudo, uma fraude.  O filme foi devidamente propagandeado pelo pastor da Flórida, demente e fanático queimador de Alcorões, Terry Jones.

Porém, o assassinato do embaixador dos EUA na Líbia é apenas o prato de entrada do que pode ocorrer na Síria, onde vintenas de “guerreiros da liberdade” apoiados pela CIA, pelos turcos e pela Casa de Saud estão vinculados a Al-Qaeda, seja por meio do supostamente reformista Grupo de Luta Islâmico Líbio (LIFG) ou por gangues terceirizadas como a Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP) ou Al-Qaeda no Magreb (AQIM).

Então, como Washington vai “submeter os perpetradores à justiça” da Líbia? Afinal, esta é a mesma gangue que foi saudada como “herois” quando eles sodomizaram, lincharam e eliminaram o “maligno” Gadaffi.

Asia Times Online vem alertando por mais de um ano sobre tiros pela culatra na Líbia – e potencialmente na Síria, onde sheiks sauditas medievais freneticamente emitem fátuas legitimando a matança em larga escala de “infieis”alauítas.

Tudo isso é uma reprise do mesmo velho filme sobre a jihad no Afeganistão na década de 1980; primeiro, eles são chamados de “guerreiros da liberdade”, mas, quando eles nos atacam, voltam a se tornar “terroristas”.

Agora temos jihadistas-salafistas armados pela OTAN na Líbia, e jihadistas-salafistas financiados pela Casa de Saud e pela Turquia na Síria – empregando métodos “terroristas”, tais como homens-bombas, para derrocar o regime de Assad – todos ligados e prontos para agir. Isso certamente dá um novo significado à expressão “ação cinética” de Obama.

O tiro pela culatra – como no Afeganistão – poderia ter demorado anos para vir. Desta vez, ele ergueu sua feia cabeça após apenas alguns meses. E isso é tão somente o começo.

E agora? A quem vocês vão bombardear? A quem vão matar com os drones? Que tal bombardear Bengasi um ano depois de condenar Gadaffi à morte porque ele teria ameaçado… bombardear Bengasi?

Perguntem à Secretária de Estado Hillary (“Viemos, vimos, ele morreu”) Clinton, que alega falar em nome do “povo da Líbia”. Talvez ela venha com uma política de alinhamento retroativo dos EUA com Gadaffi.

E, já que estamos em ano eleitoral, por que não perguntamos ao próprio invisível ex-presidente Bush? Afinal, ele proclamou em 20 de setembro de 2001 que: “ou vocês estão conosco, ou estão com os terroristas”.

Bem, O Sr. Tiro-pela-culatra poderia dizer: tenha cuidado com o que recebe quando vai para a cama com terroristas.

Fonte: Viomundo

Bandeira branca

Em meio a cenas de protesto e de dura repressão por parte da polícia de Chicago, as nações da Otan e suas aliadas tiveram sua primeira reunião desde a cúpula de Lisboa em 2010. Naquela ocasião, tratou-se de redefinir e ampliar seu “Conceito Estratégico” para além do Atlântico Norte como forma de garantir o fornecimento de energia, atuando na Ásia Central e outras regiões vitais.?

Desta vez, ao contrário, o ponto principal da pauta é um recuo. Barack Obama quer mostrar a eleitores e aliados uma “luz no fim do túnel” no Afeganistão, uma conclusão honrosa para uma guerra que já consumiu 12 anos e 1 trilhão de dólares.

É urgente salvar as aparências, antes que a retirada comece a parecer uma debandada. O Canadá abandonou os combates em 2011, François Hollande avisou que a antecipação da retirada da França para o fim deste ano é “inegociável”, a Austrália marcou sua retirada para 2013, a Polônia para 2014 e o Reino Unido para 2015. Washington manobra para que o quadro às vésperas das eleições de novembro pareça o melhor possível.

Segundo o acordado, a Otan transferirá a responsabilidade pela segurança ao governo de Cabul em meados de 2013, o que supostamente significará o fim das repetidas cenas de barbárie protagonizadas por soldados dos EUA contra inimigos derrotados e até civis indefesos, que horrorizam o Ocidente e predispõem os afegãos a apoiar o Taleban contra os estrangeiros. São cada vez mais frequentes os casos de soldados e funcionários ocidentais mortos a tiros por policiais ou soldados com os uniformes do governo de Hamid Karzai.

A retirada das forças aliadas se completaria até o fim de 2014. Obama, ao mesmo tempo, pressiona Karzai a retomar com urgência os entendimentos com o Taleban e chegar a uma “solução política”. Com a queixa de “falta de clareza” de Washington, os fundamentalistas suspenderam em 15 de março a negociação no Catar iniciada em fevereiro, mas as retomaram no fim de abril, visando a troca de cinco líderes talebans presos em Guantánamo por um soldado estadunidense capturado em 2009.

Isso sugere que os EUA estão dispostos a ceder mais em troca de um pacto até novembro, mesmo se as circunstâncias sugerem que esse arranjo seria tão precário quanto os Acordos de Paris de 1973, que serviram de desculpa para encerrar a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e abriram caminho à vitória definitiva do vietcongue em 1975. O desenlace pode ser ainda mais constrangedor, já que a base de poder independente de Karzai é mínima, mais frágil que aquela do governo de Saigon, em 1974. Suas tropas resultam de uma aliança, forçada por Bush júnior, de caudilhos tribais que podem trair uns aos outros e a Karzai assim que virem os marines pelas costas.

A aposta inicial de Obama era que o reforço que duplicou as forças dos EUA no Afeganistão em 2009 seria suficiente para enfraquecer o Taleban e obrigá-lo a negociar. Obviamente, não foi assim: os fundamentalistas não recuaram e se tornaram mais ousados, a ponto de realizar ataques inéditos na própria capital.

Além disso, a intensificação dos ataques com drones (aviões sem piloto) contra supostos fundamentalistas na fronteira e no próprio território do vizinho Paquistão, bem como a execução de Bin Laden perto da academia militar desse país, esgotaram a escassa disposição desse governo a colaborar. Condenou a 33 anos de prisão, por traição, o médico paquistanês que ajudou os EUA a localizá-lo e fechou há seis meses as vias de abastecimento da Otan desde que um ataque aéreo dos EUA matou 24 soldados paquistaneses, obrigando-a a recorrer à Rússia e Ásia Central.

Obama disse ingenuamente que a morte de Bin Laden “foi o dia mais importante do mandato”, mas também a pretensão de ter enfraquecido seriamente a Al-Qaeda merece dúvidas. Suas ações no Iraque e Iêmen nunca cessaram. Nesse último país, a organização controla uma província inteira desde março de 2011 e em 21 de maio um de seus homens-bomba, recrutado no exército iemenita, explodiu no meio de uma parada militar: matou 100 soldados e feriu 300. Nos últimos meses, a Primavera Árabe abriu espaços à Al-Qaeda na Líbia, onde sua bandeira tremula sobre edifícios públicos, na Síria, onde cometeu vários atentados com carros-bomba contra o regime de Bashar al-Assad e talvez em outros países do Oriente Médio e África.

Os EUA também parecem apostar em um acordo com o Irã, mesmo se sanções continuem a ser aplicadas. O Congresso de Washington está prestes a votar um projeto de lei para autorizar uma guerra com o país e o Pentágono se diz pronto para essa eventualidade, mas, para o aparente desgosto de Tel-Aviv, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, visitou Teerã na segunda-feira 21, dois dias antes da retomada das negociações do Conselho de Segurança com o Irã em Bagdá, e disse estar muito próximo de um acordo para retomar as inspeções nas instalações nucleares iranianas.

Ao que parece, tanto as potências quanto Teerã podem aceitar um arranjo que permita ao Irã continuar a enriquecer urânio a 3,5% para seus reatores nucleares (o que o Brasil e o Japão, por exemplo, também fazem), desde que suspenda o enriquecimento a 20% e abra suas instalações o suficiente para dar garantias convincentes de não estar construindo armas nucleares. Os diplomatas consideraram substanciais o avanços em Bagdá e marcaram outra reunião para meados de junho em Genebra. Israel continua a exigir oficialmente o desmantelamento total do programa nuclear iraniano, mas Netanyahu deve saber muito bem que, sem o respaldo de Washington, suas ameaças serão vazias.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o ministro da Defesa Ehud Barak informou a Obama a disposição de flexibilizar sua posição. A adesão à base governista do partido Kadima facilita ao governo, se quiser, enquadrar a ultradireita. Ao mesmo tempo, a derrota do Mahmoud Ahmadinejad para os partidários do aiatolá Ali Khamenei nas eleições parlamentares permite alguma flexibilização do Irã. Embora mais aferrados que o presidente ao fundamentalismo e, talvez mais autoritários, os ultraconservadores parecem mais pragmáticos quando se trata de política externa.

Fonte: Carta Capital
Veja mais sobre a guerra no Afeganistão

Obama sinaliza que não antecipará retirada de tropas da Otan do Afeganistão

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que “não haverá retirada precipitada” das forças internacionais do Afeganistão, mesmo que a França antecipe sua saída da região.  Ele participou, nesse domingo (20), da abertura da Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Chicago, nos Estados Unidos. A previsão é começar a retirada das tropas no fim de 2014, mas a França quer iniciar o processo antes.

“Mantemos a determinação de concluir a missão”, reafirmou Obama, que se reuniu com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Os 28 aliados da Otan e representantes dos países parceiros defendem o fim da participação militar no território afegão devido aos elevados custos e às perdas de vidas.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a prioridade “é que não haja retirada precipitada”. “Vamos continuar empenhados no Afeganistão até o sucesso da operação. Juntos, podemos continuar a fazer da Otan uma resposta crível aos desafios de segurança de amanhã porque nenhum país pode agir sozinho.”

A Otan está no Afeganistão há cerca de dez anos. Durante a cúpula, Rasmussen se prepara para apresentar 25 projetos de cooperação, parte do programa Defesa Inteligente, lançado para reduzir o impacto dos cortes nas despesas militares, particularmente na Europa.

Paralelamente às discussões políticas sobre a manutenção de forças militares no Afeganistão pelas autoridades, militantes ligados ao movimento Occupy, o mesmo que mobilizou Wall Street em setembro de 2011, desfilaram no centro de Chicago pedindo o fim das guerras. “Queremos a paz, queremos mais dinheiro para a educação”, disse a estudante Isabel Olivia, de 18 anos, segurando bandeira na qual se lia “Fim à Otan”.

Fonte: Agência Brasil

Pepe Escobar: “O horror, o horror”. Soldados americanos massacram inocentes no Afeganistão: a “tragédia trespassada pela farsa

epa03143041 Afghans gather for a memorial ceremony for the victims who were killed by a US soldier on 11 March, at their village in Panjwayee district of volatile Kandahar, Afghanistan, 13 March 2012. A government delegation including two brothers of Afghan President Hamid Karzai, was reportedly under fire as they visited the scene of the incident in Kandahar today. A rogue US soldier opened fire at a village killing around 16 civilians including minors early 11 March. EPA/I. SAMEEM

Pepe Escobar: “O horror, o horror” [1]

16/3/2012, Pepe EscobarAl-Jazeera, Qatar

The horror, the horror

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Hong Kong – Começou muito antes de um matador solitário, sargento do Exército dos EUA, casado e pai de dois filhos, andar até um vilarejo em Panjwayi, sudoeste da cidade de Kandahar e, “supostamente” num surto psicótico, ter assassinado 16 civis.

Foi o momento Haditha do Afeganistão [2] – como no Iraque; ou o momento Mi-Lai, como no Vietnã [3].

Segundo a mais recente pesquisa Post/ABC – feita antes do massacre de Kandahar – 55% dos norte-amerianos desejam o fim da guerra do Afeganistão [4].Já estava em formação, crescendo, desde os bombardeios seriais com aviões-robôs, os drones, contra festas de casamento tribais; desde os “raidsaéreos” seriais secretos das Forças Especiais dos EUA; desde os assassinatos seriais secretos das “equipes de matadores”, em 2010; desde o ritual de urinação sobre cadáveres de afegãos, por “nossos rapazes em uniforme”; até, a ofensa mais recente e não menos importante, da queima de exemplares de livros sagrados em Bagram. Será que… “Missão cumprida”?

O presidente Barack Obama dos EUA repetiu que, depois de dez anos de guerra que custou, por baixo, $400 bilhões, o “papel de combate” das tropas da OTAN terminará em 2014. Segundo Obama, Washington só quer garantir que “a al-Qaeda não esteja operante e haja suficiente estabilidade para que não haja lá uma terra de ninguém”. [5]

A Al-Qaeda não está “operante” por lá, faz muito tempo; só há um punhado de instrutores norte-americanos, e não estão “lá”, mas nos Waziristões, nas áreas tribais paquistanesas.

E quanto à “estabilidade”, esqueçam. As “forças de segurança afegãs” que teoricamente assumirão o comando em 2014, ou talvez antes, são nada, estão destroçadas. A taxa de analfabetismo é de espantosos 80%. Pelo menos 25% desertam. O estupro de crianças é endêmico. Mas de 50% dos soldados afegãos vivem permanentemente chapados de haxixe, de esteroides.

 Afegãos exigem justiça sobre o tiroteio que assassinou civis 

(mulheres, velhos e crianças)

O nível de desconfiança entre afegãos e norte-americanos é cósmico. Segundo estudo de 2011, que o Pentágono classificou como secreto, depois de ter vazado para o Wall Street Journal  [6] – os militares norte-americanos veem os afegãos como covardes corruptos; e os afegãos veem os militares norte-americanos como covardes intrometidos.

Considere o momento Saigon-1975, seja agora seja em 2014, e os fatos em campo são sempre os mesmos: instabilidade suficiente para sacudir os pilares do Hindu Kush.

Dê cara ou dê coroa na Contrainsurgência… Ganhei!

O Afeganistão sempre foi uma tragédia trespassada pela farsa. Considerem as 83 restrições originais da OTAN nas regras de engajamento, que levaram, por exemplo, a um surto de soldados franceses mortos em 2008, porque a França, pressionada pelos EUA, parou de pagar aos Talibã por proteção; ou imaginem Berlim dizendo que a coisa não é guerra, só “missão humanitária”.

As batalhas internas – diferente do que se via no Vietnã – já são legendárias. Como os Contrainsurgentistas – a gangue da contrainsurgência, apoiada pelo chefe do Pentágono Bob Gates – investidos numa “nova missão” e sob “nova liderança militar”, vencendo a aposta contra a estratégia “ContraterrorismoPlus” (CT-PLUS), ou “Contrainsurgenterrorismo”, do vice-presidente Joe Biden, de menos soldados em campo e trabalhando no contraterrorismo.

O vencedor, como todos lembrarão, foi o general-rockstar Stanley McChrystal, que dizia que o plano Biden levaria ao “Caos-zistão”, por acaso palavra que dava título a uma análise sigilosa da CIA.

Stanley McChrystal – porta-voz do Pentágono em março de 2003, durante a invasão do Iraque – queria muito mudar a cultura da OTAN e do Exército dos EUA no Afeganistão. Queria destruir a cultura “atire-primeiro-e-faça-voar-aquela-merda” e evoluir para “proteção à população civil”. Em suas próprias palavras, aquela “munição ar-terra” e “fogo indireto” contra casas de famílias afegãs “só eram autorizadas som condições muito limitadas e bem claras”.

Venceu – protegido pelo escudo de general-rockstar – mas só por um rápido momento.

Tudo isso, com o Departamento de Estado, a DEA e o FBI avisando sobre os terríveis contrabandistas de drogas e cesta sortida de bandidagem; e, do lado oposto, a CIA e o Pentágono elogiando a mesma rapaziada, que seria fonte de informações de inteligência “da boa”, que sempre venceria.

E tudo era plenamente justificado por um bando de relutantes guerreiros/falcões liberais, em postos como o Center for a New American Security [Centro para uma Nova Segurança Americana] – abarrotado de jornalistas “respeitáveis”.

Hamid Karzai venceu as eleições afegãs mediante fraude gigantesca. Seu meio-irmão Ahmed Wali Karzai – então chefe de conselho provincial em Kandahar – vivia livre para manter azeitado seu massivo negócio de drogas, e fazia pouco caso das eleições (“o povo nessa região não entende disso”).

Quem se importava, se o governo afegão em Kabul era/é de fato um sindicato do crime? Comandantes locais “leais” – “os nossos filhos da puta” – recebiam dinheiro cada vez mais farto e até mantinham dedicadas Forças Especiais como assessores e conselheiros pessoais, deles e dos respectivos esquadrões da morte.

McChrystal, diga-se a seu favor, admitiu que os soviéticos nos anos 1980s fizeram várias coisas certas (por exemplo, construir estradas, promover governo central, garantir educação igual para meninos e meninas, modernizar o país).

Mas eles também fizeram muitas coisas terrivelmente erradas, como varrer a terra à bomba e matar 1,5 milhão de afegãos. Se os planejadores do Pentágono tivessem pelo menos presença de espírito e lessem Afgantsy: The Russians in Afghanistan 1970-89 (Profile Books), escrito pelo ex-embaixador britânico Rodric Braithwaite, a partir de várias ricas fontes russas, da KGB à Fundação Gorbachev; da internet ao livro espetacular do falecido general Alexander Lyakhovsky.

Você tem direito de ser mal informado

O Pentágono jamais aceitará a retirada em 2014: caminha da direção absolutamente oposta à sua própria doutrina da Dominação de Pleno Espectro, que depende das muitas bases no Afeganistão para monitorar/ controlar/ infernizar concorrentes estratégicos – Rússia e China.

A saída será farsa. O Pentágono transferirá suas operações especiais para a CIA; tornar-se-ão “espiões”, em vez de “soldados em campo” [7].

O que significará, essencialmente, uma extensão ad infinitum do Programa Fênix no Vietnã, que se encarregou do assassinato premeditado [“targeted killing”] de mais de 20 mil “suspeitos” de apoiar o vietcong.

E isso nos leva ao atual diretor da CIA, o midiático general David Petraeus e sua cria –o COIN field manual FM 3-24 [Manual de campo MC 3-24 da Contrainsurgência], resposta do Pentágono ao Casamento do Céu com o Inferno [Marriage of Heaven and Hell] de William Blake, como casamento da contrainsurgência com a guerra ao terror. E isso, mesmo depois de um estudo da RAND de 2008, intitulado Como terminam os grupos terroristas [How Terrorist Groups End], ter insistido em que o único modo de derrotar grupos terroristas é mediante boa velha operação de aplicação da lei.

A matança de afegãos tensiona as relações com os EUA 

Petraeus não dá a mínima bola. Afinal, suas “operações de informação” – massiva manipulação da mídia, combinada com massiva distribuição das proverbiais malas cheias de dólares americanos – ganhou a “sua” e de George W Bush “avançada” [surge] no Iraque.

Os orgulhosos pashtuns foram osso muito mais duro de roer que os xeiques sunitas no deserto. Tornaram-se tão “sem tecnologia” – fabricando dezenas de milhares de bombas caseiras com fertilizante, madeira e munição mofada – que de fato neutralizaram, a ponto de inutilizar, nas estradas e trilhas, a alta tecnologia de morte dos EUA, o que levou à infinidade de matérias nos jornais sobre “considerável aumento na atividade de Dispositivos Explosivos Improvisados [Improvised Explosive Devices, IEDs]”.

Desde a posse de Obama, o Pentágono vem jogando extra-sujo para conseguir a exata guerra que sempre quiseram fazer no Afeganistão.

Conseguiram. Petraeus entrou em modo “progresso”, todos os dias e noites na mídia, ininterruptamente. As populações locais estar-se-iam “tornando mais receptivas” aos soldados dos EUA, apesar de a National Intelligence Estimate (NIE) – que manifesta o saber acumulado de 17 agências de inteligência dos EUA – ter continuado sombria.

Petraeus fez o que faz melhor: remixou a NIE. Jamais admitiu que a guerra prosseguiria para além de 2014. Disparou ataques aéreos, lançou número astronômico de ataques com helicópteros Apache e Kiowa, triplicou o número deraids noturnos da Forças Especiais, autorizou uma minioperação “Choque e Pavor”, bombardeou até a pulverização [8] a cidade de Tarok Kolache no sul do Afeganistão.

Depois de mais um massacre norte-americano em fevereiro de 2011 na província Kunar, que deixou 64 civis mortos, Petraeus ainda teve o atrevimento de acusar os afegãos de queimarem as próprias crianças [9] para apresentá-las como dano colateral. Bom para ele. Naquele momento, suas relações com Obama estavam até melhorando.

O governo Obama está, de fato, convencido de que a “avançada” de Obama, liderada por Petraeus e agendada para terminar em setembro, “estabilizou” o Afeganistão, pelo menos na região conhecida como “comando regional leste”; é o que Petraeus chama de “o suficientemente bom afegão”.

A maior parte do país, de fato, alcançou o “suficientemente bom talibã”, mas quem se preocupa com isso? Quando a queimar bebês, será apresentado pelos mais cínicos, talvez, como traço do excepcionalismo americano. Basta lembrar o Abrigo Amiriya, em Bagdá, dia 13/2/1991, quando nada menos que 408 crianças e as mães foram queimadas vivas pelos EUA.

Nunca mais o olharei nos olhos…

Como não lembrar o inimitável Dennis Hopper, na pele do fotojornalista psicodélico em Apocalypse Now, falando sobre o coronel Kurtz/Marlon Brando: “É um guerreiro-poeta no sentido clássico…” [10]

“Guerreiro-poeta” McChrystal estava convencido de que o Afeganistão não era o Vietnã; no Vietnã os EUA combatiam uma “insurgência popular”, mas não no Afeganistão (errado: as muitas tendências emaranhadas por trás da fachada “Talibã” foram-se tornando mais populares, na direta proporção do desastre de Karzai, para nem dizer que, no Vietnã, a conversa oficial do Pentágono pela mídia era a de que o vietcong nunca fora popular).

Generais, afinal, não têm surtos de assassinatos ao estilo Kurtz. Petraeus foi promovido, para lançar a Guerra Clandestina & Co., na CIA. Depois de demitido, na sequência de um “perfil” publicado na revista Rolling Stone – que droga derockstar é esse? – McChrystal terminou por ser reabilitado pela Casa Branca.

Deu aulas em Yale, entrou para o ramo da consultoria, está fazendo fortuna no circuito das conferências – destilando sabedoria sobre “liderança” e o Oriente Médio Expandido – e Obama nomeou-o conselheiro não remunerado de famílias de militares.

McChrystal vê o Afeganistão preso “em alguma espécie de pesadelo pós-apocalíptico”. “O horror… O horror…” de Conrad é perene. A lição chave que o Pentágono aprendeu do Vietnã foi encaixotar o horror, vedar a caixa e voluptuosamente, abraçar-se a ela.

Portanto, não surpreende que McChrystal não consiga ver que olha como o coronel Kurtz remixado – enquanto Petraeus foi o mais metódico, mas não menos mortal, Capitão Willard.

Diferente do Vietnã, contudo, dessa vez não haverá um Coppola para ganhar a guerra para Hollywood. Mas muitos Homens Ocos [11] continuarão no Pentágono.

Notas dos tradutores

[1]  É expressão que aparece em Joseph Conrad, O Coração das Trevas (1902), num fragmento no qual fala “o criminoso” falando do seu crime (aqui traduzido, tradução de trabalho):

“Eu estava fascinado. Foi como se o véu se abrisse. Vi naquele rosto de marfim a expressão do orgulho obscuro, de poder cruel, de terror profundo – de um desespero intenso e sem esperança. Teria visto a vida passar ante os olhos, cada detalhe de desejo, tentação, rendição, naquele momento de conhecimento completo? Ante alguma imagem, soluçou um suspiro, alguma coisa que via – soluçou duas vezes, soluço sem ar: O horror! O horror!” 

Expressão semelhante (horror… horror… o horror tem face.) aparece em Apocalypse Now(1979), adaptação do romance de Conrad para o cinema, mas em contexto interpretativo diferente, como se vê e ouve:

… na cena antológica em que Kurz/Brando fala longamente. O nome do personagem de Coppola/Brando [Coronel Kurz], é quase o mesmo do personagem de Conrad [Kurtz], e o deslocamento da trama, do Congo colonial, em Conrad, para a guerra do Vietnã, em Coppola, muda a chave interpretativa.

Além disso, uma frase do romance de Conrad, sobre a morte de Kurz (Mistah Kurtz-he dead / A penny for the Old Guy [‘Sêo  Kurtz ‘tá morto / Um tostão, pelo coitado]) aparece na epígrafe do poema de T.S. Eliot (The Hollow Men [Os homens ocos], de 1925), citado adiante nesse artigo cheio de ecos e ressonâncias difíceis de traduzir (ver nota 11).

[2] O “massacre de Haditha” aconteceu dia 19/11/2005, na cidade de Haditha, na província de Al Anbar, no Iraque, onde um grupo de Marines dos EUA matou 24 civis iraquianos (várias mulheres e crianças) desarmados.

[3] O “massacre de May Lai” aconteceu dia 16/3/1968 (há exatos, ontem, 54 anos! Será que a matança nunca acabará?!), no Vietnã do Sul, onde soldados norte-americanos assassinaram quase 500 civis desarmados.

[4] 11/3/2012, Washington Post, em: “Amid anger over Afghan killings, U.S. faces growing public weariness about war

[5]  Ver também, sobre as declarações de Obama, 11/3/2012, MK Bhadrakumar, “Quando a visita esquece de ir embora…”.

[6] 17/6/2011, Wall Street Journal, em: “Report Sees Danger in Local Allies”.

[7] 26/1/2012, Stars and Stripes, em: “Bin Laden raid commander seeks global expansion of special ops”.

[8] 19/1/2011, Wired, em: “25 Tons of Bombs Wipe Afghan Town Off Map [Updated]

[9] 21/2/2011, Antiwar News, em: “Petraeus Accuses Afghan Parents of Burning Kids to Make US Look Bad

[10] Pode-se ver/ouvir em: “Words and wisdom

[11] The Hollow Men [Os homens ocos], poema de T.S.Eliot, 1925 (em inglês).

Fonte: Redecastorphoto

Atentado suicida contra a Otan mata 17 no Afeganistão

Pelo menos 13 militares americanos da Otan e quatro afegãos morreram neste sábado em um atentado suicida contra um ônibus que transportava tropas da coalizão internacional no Afeganistão (Isaf) reivindicado pelos talibãs.

A Isaf, como é habitual, não revelou a nacionalidade dos mortos e não revelou um número de feridos. Mas fontes do governo dos Estados Unidos confirmaram que todos os soldados vitimados eram americanos.

“Informações preliminares indicam que 13 membros da Força Internacional de Assistência à Segurança morreram na explosão de uma bomba em Cabul na manhã deste sábado”, afirma a Isaf em um comunicado.

Três civis e um policial afegão também morreram no ataque.

O atentado teve como alvo um ônibus americano da Isaf”, declarou mais cedo uma fonte militar ocidental que pediu anonimato.

O ministério afegão do Interior informou que três civis e um policial afegão morreram no atentado. O governo alegou não dispor de um balanço de vítimas estrangeiras.

Uma testemunha relatou uma “enorme explosão”.

“Vi pelo menos 10 corpos de soldados estrangeiros que foram retirados do ônibus e levados de helicóptero”

Em uma mensagem, o porta voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, reivindicou o atentado.

O ataque aconteceu perto do destruído palácio de Dar ul Aman, ao sudoeste de Cabul.

Em maio de 2010, um atentado cometido na mesma estrada de Dar ul Aman contra um comboio da Otan matou 18 pessoas, incluindo seis militares.

Os talibãs também reivindicaram um atentado suicida cometido por uma mulher diante da Agência Afegã de Inteligência (NDS) em Asadabad, capital da província oriental de Kunar.

Dois guardas ficaram feridos, de acordo com Wasifullah Wasifi, porta-voz do governo de Kunar.

Os talibãs permanecem ativos na província de Kunar, perto da fronteira com o Paquistão, país acusado por Afeganistão e Estados Unidos de abrigar bases de insurgentes.

Atentados suicidas protagonizados por mulheres como deste sábado são raros. Em junho de 2010, os talibãs reivindicaram publicamente pela primeira vez um atentado comentido por uma suicida contra uma patrulha das forças afegãs e americanas na província de Kunar.

Em outro ataque, um homem com uniforme do Exército afegão matou neste sábado dois soldados da Otan no sul do Afeganistão.

O autor do ataque também morreu, segundo a Isaf.

Fonte: AFP 

Dez anos depois, Taliban diz: “A vitória está conosco”

O Taliban prometeu continuar combatendo todas as forças estrangeiras que restam no Afeganistão em uma declaração feita nesta sexta-feira para marcar o 10º aniversário da campanha militar dos Estados Unidos no país.

A luta do grupo na última década, “mesmo com armas e equipamentos escassos, forçou os ocupadores, que pretendiam ficar para sempre, a repensar a sua posição”, disse o porta-voz do Taliban, Zabihullah Mujahid, na declaração escrita em inglês.

O presidente Hamid Karzai e seus apoiadores ocidentais concordaram que todas as tropas de combate estrangeiras voltem para casa até o fim de 2014.

O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

Neste 7 de outubro completam-se dez anos do início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques de 11 de setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha-dura do Taliban.

Um porta-voz das forças lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que lutam no Afeganistão afirmou que não há nada planejado para comemorar o dia.

O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico. Ambos os lados alegam ter vencido.

A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o de um ex-presidente. Mas as forças da Otan reforçaram o controle sobre antigos redutos do Taliban no sul do país.

“Com a ocorrência dos 10 anos da Jihad promovida pelo povo afegão contra os invasores, devemos lembrar que a vitória divina está conosco”, disse o comunicado de Mujahid, que foi enviado por email.

“Se segurarmos firme na corda de Alá, evitarmos a insinceridade, a discórdia, a hipocrisia e outras doenças, então, com a ajuda de Alá, nosso inimigo será forçado a abandonar por completo nosso país”, acrescentou.

Embora as tropas estrangeiras tenham sido inicialmente bem-recebidas como libertadoras no Afeganistão, a presença delas provocou muitas mortes. Bilhões de dólares que entraram no país alimentaram a corrupção, assim como a mudança.

Fonte:
Reuters

Otan suspende transferência de presos após denúncias de tortura no Afeganistão

Caso aumenta desconfiança sobre a capacidade do governo afegão de gerir sua segurança

A missão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão suspendeu a transferência de prisioneiros de guerra para detenções administradas pelo governo afegão após acusações de torturas que teriam sido cometidas por autoridades policiais do país.

Segundo informações obtidas pela BBC e divulgadas nesta terça-feira, as acusações estão reunidas em um relatório da ONU ainda não publicado. O documento descreve casos de prisioneiros supostamente espancados e que teriam recebido choques elétricos.

Uma autoridade da Isaf (Força Internacional de Assistência para Segurança, na sigla em inglês) disse à BBC que a decisão da missão da Otan é uma medida de “prudência” até que todas as acusações sejam investigadas.

Os supostos casos de tortura ocorreram em prisões sob tutela da polícia e do serviço de inteligência do Afeganistão.

“Com cuidado apropriado, a Isaf tomou a medida prudente de suspender a transferência de detentos para determinadas prisões até que possamos verificar as observações de um relatório pendente da Unama (Missão da ONU no Afeganistão)”, disse a autoridade da Otan.

O relatório da ONU fala em tortura sistemática e habitual.

Muitos prisioneiros, vários deles detidos pelas forças da Otan, teriam apanhado com mangueiras de borracha e sofrido abuso sexual.

Em um dos casos relatados, um jovem de 19 anos teria apanhado por 19 dias até morrer de hemorragia. A maioria das vítimas são supostos rebeldes e muitos estavam presos sem acusação formal.

Segundo o funcionário da ONU, o governo afegão está trabalhando para contornar o problema.

Para uma autoridade da Isaf, o caso representa um grande retrocesso. A transferência da tutela dos presos é parte do processo de retirada das tropas internacionais de território afegão e de transferência de responsabilidades para as autoridades nacionais.

O caso reforça a desconfiança sobre a capacidade do Afeganistão cuidar de sua própria segurança.

Não é a primeira vez que o processo é suspenso: no ano passado, as autoridades de Defesa da Grã-Bretanha paralisaram a transferência de presos para cadeias em Cabul após a Justiça britânica concluir que os detentos sofriam o risco de tortura.

As prisões mencionadas no relatório são as dirigidas pelo Departamento Nacional de Segurança do Afeganistão nas cidades de Herat, Khost, Lagman, Kapisa e Takhar.

A Isaf também suspendeu as transferências para duas prisões administradas pela polícia em Kunduz e Tarin Kowt.

Fonte:
BBC

RT: Os EUA ainda podem pagar a Guerra no Afeganistão? Pepe Escobar responde.

Russia Today

Can US continue to afford the war in Afghanistan?

Pepe Escobar mostra os furos da estratégia americana no Afeganistão.

Fonte: Russia Today