Segundo Cláudio TÉLLEZ (2004), a Teoria dos Jogos lida com o estudo sistemático e formal do conflito e da cooperação em relações entre diferentes atores. Para isso, lança mão de modelos matemáticos, os quais descrevem interações subordinadas a regras. A meta é determinar quais as estratégias devem ser adotadas, em face de que os resultados dependem também das estratégias eleitas pelos outros jogadores.
A Teoria dos Jogos tem ajudado na elucidação de problemas econômicos, no campo das ciências sociais e a entender e solucionar conflitos políticos. Nas Relações Internacionais, tem papel relevante na estratégia militar, pois desvela questões políticas e vários aspectos das interações dos agentes envolvidos em conflitos.
Como toda teoria, a dos jogos não conta com unanimidades, nem mesmo entre os seus defensores. A maioria dos autores citados, no entanto, adota uma visão materialista da teoria, onde todos os jogadores estariam interessados na maximização de elementos quantificáveis em termos de recursos materiais. Isso leva às variações da teoria obedecendo ao mesmo conceito: as escolhas dos jogadores devem ser analisadas e entendidas em termos da quantificação material aferida por eles. Essa visão externalista, no entanto, não tem o condão de esgotar a relevância da racionalidade no processo decisório dos jogadores.

A Teoria dos Jogos parte do pressuposto que os jogadores envolvidos são egoístas e racionais, buscando constantemente atingir seus próprios interesses. Os jogadores têm diferentes opções de ação; suas decisões irão se combinar com as decisões dos outros jogadores, sendo que cada combinação levará a um resultado diferente.

Teoria dos jogos no conflito Sírio
Para ilustrar, imaginemos um acordo hipotético sobre armamento nuclear entre a Índia e o Paquistão – ambos potências nucleares em disputa por território fronteiriço. A matriz resultante da aplicação da Teoria dos Jogos – nesse exemplo, extremamente simplificada, por óbvio – consideraria as seguintes hipóteses:
- Ambos os países cumprem o acordo (adesão);
- Índia cumpre o acordo (adesão), mas o Paquistão, não (deserção);
- Índia não cumpre o acordo (deserção), mas o Paquistão, sim (adesão);
- Ambos os países não cumprem o acordo (deserção);
Salta aos olhos que tanto Índia quanto Paquistão irão levar em conta o comportamento, ou pelo a expectativa de, no momento de tomar a sua decisão. Mais, cada país irá atribuir diferentes “pesos” para cada hipótese, segundo seus próprios desejos e estratégias. Para completar a complexidade, devemos nos recordar que os países não são unidades monolíticas, podendo ser influenciados por fatores internos no seu posicionamento frente à comunidade internacional.
No exemplo dado, podemos imaginar que ambos os países acreditem ser melhor aderir ao tratado do que envolver-se em uma corrida armamentista que esgotaria seus recursos financeiros. Mas também podemos imaginar que um país ache ainda mais interessante que o outro signatário cumpra o acordo, ao passo que ele não o fará, adquirindo vantagem militar sobre o outro pactuante. O outro país, obviamente, observará esse tipo de atitude, levando-a em conta no seu cálculo quanto a que atitude assumir.
Nesse exemplo simples, com apenas dois países e um assunto relevante como corrida armamentista nuclear, já podemos vislumbrar a complexidade que a Teoria dos Jogos lida. Transpondo esse exemplo para o campo do Comércio Internacional, veremos essa complexidade crescer exponencialmente, pois além de termos vários países interagindo no mesmo tratado, teremos adesões e deserções parciais, políticas de aliança comercial, ações de retaliação, atuações em bloco, etc.
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Fonte: Jurisetdejure






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