Economia da zona do euro cresce acima do esperado no terceiro trimestre

Países que adotam moeda única registram expansão de 0,2%. Duas principais economias europeias, Alemanha e França, afastam-se de uma recessão, e Grécia segue em trajetória de crescimento.

A economia dos países da zona do euro registrou no terceiro trimestre deste ano um crescimento mais forte do que o esperado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (14/11) pelo Departamento de Estatísticas da União Europeia (Eurostat). Especialistas, porém, ressaltam que o bloco continua enfraquecido e precisando de mais estímulos.

De acordo com estimativas preliminares, a economia dos 18 países que adotam a moeda comum cresceu 0,2% entre julho e setembro passado, em comparação com o trimestre anterior, quando o aumento foi de apenas 0,1%. A expectativa inicial era de que esse índice iria se repetir.

Já na comparação com o mesmo período do ano anterior, a economia da zona do euro cresceu 0,8% no terceiro trimestre. Entre abril e junho, o crescimento havia sido de 0,7% em relação aos mesmos três meses de 2013.

Em toda a UE, o PIB cresceu 0,3% no terceiro trimestre com relação aos três meses anteriores, quando a expansão havia sido de 0,2%. Na comparação anual, a expansão da economia do bloco europeu entre julho e setembro foi de 1,3%.

A boa notícia também inclui as principais economias europeias, Alemanha e França, que davam indícios de enfraquecimento. Os novos índices superaram projeções de mercado e mostram que os países estariam se afastando de uma recessão.

O PIB alemão cresceu 0,1% no terceiro trimestre em comparação ao período anterior, quando tinha recuado 0,1%. Alguns especialistas acreditavam que o país, a maior economia do euro, poderia registrar índice negativo pelo segundo trimestre seguido, mas o aumento no consumo das famílias e um leve impulso no comércio exterior estimularam a economia.

Em comparação com o mesmo período de 2013, porém, o PIB da Alemanha subiu apenas 1,2%, índice abaixo dos 1,4% alcançados no segundo trimestre.
Também a França, cuja economia tinha estagnado no primeiro trimestre e caído 0,1% no segundo, registrou um aumento do PIB neste terceiro trimestre, de 0,3%. Com relação ao ano anterior, a subida foi de 0,4%.

Países em crise

A Grécia parece estar deixando para trás uma recessão que já dura seis anos, registrando o terceiro trimestre consecutivo de crescimento no PIB. Neste terceiro trimestre de 2014, a economia grega expandiu 0,7% com relação ao trimestre anterior – ou 1,4%, quando comparado com o mesmo período de 2013.

Já a Itália continuou em recessão no terceiro trimestre, com uma queda de 0,1% na economia em relação aos três meses anteriores, e de 0,4% na comparação com 2013.

A economia espanhola, por sua vez, avançou 0,5%, ligeiramente abaixo dos 0,6% do segundo trimestre. Comparada com o mesmo trimestre do ano passado, a Espanha cresceu 1,6% – neste caso, acima dos 1,3% registrados no segundo trimestre.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, entre julho e setembro, a economia do país cresceu 0,2% na variação em cadeia, e 1% com relação ao ano passado.

“A economia da zona do euro ainda está crescendo, embora com ritmo lento, apesar de todos os alertas de hecatombe do FMI e de outros”, afirmou o chefe de pesquisa de mercados financeiros e macroeconomia da ABN AMRO, Nick Kounis, à agência de notícias Reuters.

“Década perdida”

Nesta segunda-feira, representantes do mercado financeiro participaram de uma mesa-redonda em Frankfurt para avaliar a economia na UE. Para Ulrich Kater, economista-chefe do banco DekaBank, anfitrião do encontro, o bloco europeu encontra-se em meio a uma “década perdida”. Em média, o crescimento anual europeu entre 2008 e 2014 foi de apenas 0,1%.

“Os problemas que contribuíram para a crise do euro – como, por exemplo, o alto endividamento dos países – ainda não foram solucionados”, alertou Kater.

MSB/lusa/rtr/dw

 Fonte: http://www.dw.de/economia-da-zona-do-euro-cresce-acima-do-esperado-no-terceiro-trimestre/a-18063726
Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Maduro anuncia aumento de 15% do salário mínimo a partir de dezembro

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Caracas - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira um aumento de 15% no salário mínimo a partir de dezembro, o que o eleva a 4.889,11 bolívares, ou US$ 776 (R$ 1.927) na taxa de câmbio preferencial de 6,30 bolívares por dólar, o diferencial mais baixo dos três que funcionam no país.

“Decidi assumir esta proposta que vem dos trabalhadores de aumentar a base de cálculo do ticket alimentação de 0,5% a 0,75% e, além disso, decretar o aumento de 15% do salário mínimo a partir de 1º de dezembro”, disse Maduro em um discurso que foi transmitido em rede obrigatória de rádio e televisão.

O presidente declarou que, levando em conta que em janeiro passado houve um aumento de 10% do salário mínimo e em maio se decretou outro aumento de 30%, com este novo incentivo já se eleva a 68,2% a melhora total em 2014 se forem incluídos outros benefícios como o ticket alimentação.

“Decretei 68,28% de aumento em todo o ano de 2014, muito acima da inflação induzida pela criminosa guerra econômica deste ano”, comentou.

Segundo a última taxa anualizada oficial correspondente ao período entre agosto 2013 e agosto 2014, a inflação na Venezuela é de 63,4%.

Neste momento, na Venezuela funcionam três taxas de câmbio oficiais de modo que um mesmo dólar pode custar 6,3, 11 ou 50 bolívares em função do destino para o qual seja solicitado.

Maduro fez o anúncio do aumento do salário mínimo uma semana depois de decretar um aumento de salário de 45% aos membros da Força Armada Nacional Bolivariana, uma decisão que foi criticada por diferentes setores da oposição.

 

Fonte: América Economia Brasil

Bogotá alberga foro por el Proceso de Paz

La capital colombiana es punto de encuentro para que diversas personalidades, a favor y en contra del Proceso de Paz entre el Gobierno y las FARC-EP, debatan sobre el futuro del país a partir de un acuerdo que ponga fin al conflicto armado de más de medio siglo.

Este miércoles se lleva a cabo en Colombia, en la Universidad del Rosario en el centro de Bogotá (capital), el foro Proceso de Paz. Allí diversas personalidades se unen para debatir los alcances de los acuerdos preliminares producto de la agenda de diálogos que han mantenido el Gobierno de Juan Manuel Santos y las FARC-EP en La Habana desde el 2012.

El procurador de Colombia, Alejandro Ordóñez, que ha fijado posición en contra del proceso de paz que busca acabar con más de medio siglo de conflicto armado en Colombia, dijo que no tolerará que miembros de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo (FARC-EP), se postulen a cargos políticos, una vez que se consolide la paz en esa la nación andina. 

Así lo informó, el corresponsal de teleSUR en ese país, Vladimir Carrillo, quien está dando cobertura al foro Proceso de Paz que se desarrolla en Bogotá (capital). “Él es uno de los que se ha opuesto al proceso de paz y ha dicho que la Procuraduría estaría en contra de que miembros de las FARC-EP se postulen a cargos de elección popular, después de que se firmen los acuerdos de paz”.

Carrillo agregó que pese a la férrea oposición de Ordóñez, varios sectores políticos del país reiteraron su respaldo al proceso de paz, que será discutido en este foro partiendo de los puntos de la agenda acordada en La Habana, Cuba, donde el Gobierno y los delegados de las FARC-EP mantienen las negociaciones con las víctimas del conflicto armado.

El jefe negociador del Gobierno colombiano en los diálogos de paz, Humberto de la Calle, estuvo presente en el foro, y aseguró que la guerrilla dejará las armas después de la firma de un eventual acuerdo para terminar el conflicto armado.

“No habrá una paz armada. No es posible que se suscriba un acuerdo y las FARC guarden las armas en la expectativa de someter al Estado a una especie de examen sobre el cumplimiento de los acuerdos”, afirmó De la Calle durante su intervención.

El foro “Proceso de Paz” servirá de plataforma para que los colombianos debatan y aprueben los puntos de la agenda de paz a fin de que contribuyan con el avance del proceso. Propiedad de la tierra, participación política y drogas ilícitas, respectivamente. 

“Trabajamos por la consecución de una agenda concreta que no refunda la patria, no estamos tocando la totalidad de los problemas, nadie tiene esa intención. (…) Es un proceso básico y concreto sobre seis puntos que deben conducir a la terminación del conflicto”, destacó De la Calle.

 Fonte: TELESUR

Reino Unido anuncia corte de dívida com UE, outros países desmentem

Segundo ministro britânico das Finanças, após encontro em Bruxelas, quantia foi reduzida pela metade, e prazo para pagamento, estendido. Colegas de pasta de países como Alemanha e Holanda contestam essa versão.

Mal entendido ou erro bilionário de tradução? O fato é que há duas versões quanto aos resultados do encontro dos ministros das Finanças da União Europeia (UE) desta sexta-feira (07/11), em Bruxelas. O assunto central na pauta era o que fazer com a súbita dívida com que se depararam alguns Estados da UE, desde que foram alteradas as regras para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

O caso mais extremo é o do Reino Unido, de quem eram exigidos, até 1º de dezembro, 2,1 bilhões de euros de contribuição adicional para os cofres da UE. Segundo o ministro britânico das Finanças, George Osborne, após a votação em Bruxelas, a quantia foi cortada pela metade, e poderá ser paga até setembro de 2015, em duas parcelas sem juros.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também se manifestou a respeito após o encontro. “Eu disse que não pagaria 1,7 bilhões de libras (2,1 bilhões de euros) em 1º de dezembro. Agora cortamos a conta pela metade e não pagaremos nada antes de julho do ano que vem”, escreveu em sua conta no Twitter.

A comissária da UE encarregada de assuntos orçamentários, Kristalina Georgieva, confirmou a soma final de 1 bilhão de euros, com base em cálculos provisórios.
Entretanto, ministros das Finanças de outros países do bloco declararam que foi discutido um pagamento em parcelas, mas não uma redução da quantia.

Jeroen Dijsselbloem, da Holanda, afirmou que Osborne “ainda terá que pagar uma quantia alta. Ele não falou hoje sobre um corte da dívida e tampouco foi concedido qualquer corte”. Seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble, confirmou: “Nós não conversamos sobre isso”.

Hans Jörg Schelling, ministro das Finanças da Áustria, disse que um pagamento adicional calculado pela Comissão Europeia não pode ser colocado em questão. Também segundo o colega de pasta irlandês, Michael Noonan, não houve qualquer correção para baixo. E um dos mediadores das negociações diagnosticou: “Os britânicos estão misturando as coisas. A quantia a ser paga é de 2,1 bilhões de euros”.

O único consenso é quanto à extensão do prazo de pagamento até setembro do ano que vem, o que também beneficiará outros países devedores, como a Holanda e a Itália. De resto, só os próximos dias dirão quem está com a verdade: se Londres ou se todo um grupo de ministros das Finanças da UE.

Britânicos indignados

Já pela manhã, Osborne, definira o tema e o tom de confrontação do encontro com seus colegas europeus: “Quero um acerto melhor para o Reino Unido”. Ele disse considerar inaceitáveis tanto a quantia quanto o prazo imposto, por isso incluíra o assunto na pauta do dia.

Na reunião de cúpula da UE em outubro, Cameron já expressara em alto e bom som sua irritação com a exigência da Comissão Europeia. Estava fora de questão ele passar um cheque dessas dimensões, em prazo tão breve: isso não era forma de se lidar com ele, esbravejou.

Antes da cúpula em Bruxelas, o holandês Dijsselbloem, por sua vez, procurava acalmar os ânimos. Também o seu país é alvo de uma pesada cobrança: 642 milhões de euros. Mas ele estava otimista de que se encontraria uma solução, afirmou.

Novas bases de cálculo

O pomo da discórdia são as contribuições entre os Estados-membros da UE, que na verdade deveriam ser rotina anual. Quem teve melhor desempenho econômico no ano anterior, deve depositar mais nos cofres europeus, enquanto os países mais fracos recebem restituição sobre as contribuições pagas.

Até agora, em geral, isso só resultara na transferência de algumas centenas de milhões de euros, para lá e para cá. A agitação em torno das somas inusitadamente elevadas, este ano, de deveu a os peritos em estatística da UE terem alterado a base de cálculo do PIB: agora, passou-se a considerar também setores da economia informal, como o narcotráfico, a prostituição e o contrabando de cigarros.

Todos os países se declararam de acordo com as novas regras, inclusive o Reino Unido – aparentemente sem pensar nas possíveis consequências. E como está previsto para 2014 o pagamento dos anos atrasados, de repente os britânicos se viram confrontados com a conta bilionária.

A Alemanha, em contrapartida, receberá de volta 780 milhões de euros de suas contribuições para o fundo comum da UE. Para Paris, a notícia de que tem direito à devolução de 1 bilhão de euros é especialmente bem-vinda, pois são numerosos os buracos orçamentários a tapar.

Perdão, nem pensar

Nenhum dos países credores está disposto a abrir mão de sua restituição: não há ministro das Finanças que faça tal coisa, declararam fontes diplomáticas antes do encontro. Portanto, não estava em negociação se, mas sim como e quando as contribuições adicionais seriam pagas.

Cabe agora à Comissão Europeia sugerir uma forma de adiar os pagamentos, o que exigirá uma emenda nas leis do bloco. E os britânicos continuam ameaçados de ainda ter que pagar juros, caso não honrem a dívida dentro do prazo.

O destino dos países credores também está em aberto, dependendo de a Comissão Europeia se dispor ou não a adiantar as devoluções, recorrendo a suas próprias verbas. Afinal, os franceses e os alemães já estão contando com o dinheiro que lhes cabe.

AV/dw/afp/rtr

Fonte: http://www.dw.de/reino-unido-anuncia-corte-de-d%C3%ADvida-com-ue-outros-pa%C3%ADses-desmentem/a-18048358

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Investigação nos EUA ameaça arranhar imagem da Petrobras no exterior

Já abalada pela Operação Lava Jato, estatal é alvo agora das autoridades americanas. Segundo especialistas, caso pode espantar investidores, prejudicar suas ações na Bolsa de NY e ter impacto negativo na imagem do país.

Depois de começar a ser investigada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, a Petrobras agora é alvo das autoridades americanas sobre sua conduta nos Estados Unidos. As apurações devem, mais uma vez, causar mais danos à imagem da estatal brasileira, que também negocia suas ações na Bolsa de Nova York.

Segundo o jornal britânico Financial Times em matéria publicada no domingo (09/11), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra a estatal. Já a Securities Exchange Commission (SEC) – órgão que regula o mercado de capitais nos EUA e equivalente no Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – vai iniciar uma investigação civil contra funcionários da empresa.

“A investigação afeta, e muito, a imagem da Petrobras, pois transmite ao mercado a imagem de que a ela está sujeita, por exemplo, a influências políticas, o que não se pode admitir para uma empresa com ações negociadas em bolsa”, afirma o advogado Eduardo Boccuzzi.

Segundo Boccuzzi, especialista em fusões, aquisições e mercado de capitais, as ações da empresa já perderam 23% em valor neste ano na Bolsa de Valores de Nova York. E os escândalos, afirma, espantam investidores, que vendem papéis da estatal para adquirir os de outras empresas.

A investigação do escândalo, de acordo com Boccuzzi, pode ter ainda uma influência negativa sobre a imagem do país e dificultar o acesso de outras empresas brasileiras ao mercado de capitais americano.

“Em geral, investidores estrangeiros vão se sentir temerários em investir em empresas nacionais, principalmente estatais, que queiram emitir valores mobiliários em bolsas no exterior”, diz Boccuzzi.

Para o professor de direito comercial Alexandre Bueno Cateb, do Ibmec/MG, dependendo do grau de apuração e profundidade da investigação, existe o risco até mesmo de a Petrobras sofrer restrições de captar recursos no exterior. E, num cenário ainda pior, ela poderia ser impedida de continuar a negociar ações na Bolsa de Nova York.

“As autoridades americanas querem manter a credibilidade do mercado de ações dos EUA”, diz Bueno Cateb. “E como a Petrobras está envolvida em situações nebulosas, eles querem saber o que está acontecendo, se alguém está usando informações privilegiadas e se beneficiando dos negócios que a Petrobras realiza.”

Nesta segunda-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou a investigação dos EUA sobre suspeitas de desvio de recursos na Petrobras. Ele disse que, se os EUA abriram a investigação, eles devem dar continuação “como o Brasil está fazendo”. “A expressão doa a quem doer é muito correta em relação às investigações que já estão sendo feitas pelo governo federal”, disse Temer.

Executivos e empresa sob risco

As investigações do Departamento de Justiça e da SEC estão centradas na possibilidade de a estatal ou funcionários dela terem recebido propina ou terem violado o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – a lei anticorrupção dos EUA.

Pela legislação, executivos e funcionários da empresa podem ser presos, e a companhia e seus empregados podem ter que pagar multa. Na lei, o valor não é estipulado, mas, segundo especialistas, pode ser alto.

A FCPA pune empresas americanas que subornam funcionários públicos de outros países, mas a legislação também é aplicada para empresas estrangeiras que têm ações listadas em bolsas de valores nos EUA. Pelo fato de a Petrobras negociar ações em Nova York, a empresa está sujeita à legislação americana.

“O mercado de capitais só funciona se existir credibilidade para atrair investidores interessados em investir de forma saudável”, diz Bueno Cateb. “O mercado que não tem a devida credibilidade passa a ser totalmente especulativo. As empresas precisam atrair investimentos a longo prazo para permitir a criação de riqueza, empregos e renda no país.”

No Brasil, a estatal é investigada após a denúncia de um suposto esquema de corrupção feitas por seu ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Yousseff. Eles foram presos em março deste ano durante a Operação Lava Jato, que apura um esquema de lavagem de dinheiro em que políticos receberiam propina em contratos da estatal.

Entre os contratos da Petrobras, está a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que teria servido para abastecer o caixa dois de partidos e pagar propina. Num negócio suspeito de superfaturamento e evasão de divisas, a compra da texana custou 1,18 bilhão de dólares, mais de 27 vezes o valor desembolsado anteriormente pela belga Astra Oil.

Procuradas pela DW Brasil, a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não se manifestaram até o fechamento da reportagem. Já a Securities Exchange Commission (SEC) disse que não faria comentários sobre o tema.

Fonte: http://www.dw.de/investigação-nos-eua-ameaça-arranhar-imagem-da-petrobras-no-exterior/a-18057422

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Comissão Europeia apresenta prognósticos econômicos sombrios

Cinco anos após o início da crise do euro, economia da UE continua perdendo força, e nem mesmo a locomotiva Alemanha escapa. Bloco deve crescer apenas 1,3% neste ano, e perspectivas só melhoram para 2016.

Mal a nova Comissão Europeia foi empossada, sob a presidência de Jean-Claude Juncker, e os problemas já começaram. Enquanto o finlandês Jyrki Katainen – vice-presidente para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade do órgão executivo – é conhecido como adepto do Pacto de Estabilidade e Crescimento da Zona do Euro, não se pode dizer o mesmo de seu colega de equipe, Pierre Moscovici.

Na qualidade de antigo ministro das Finanças da França, Moscovici é responsabilizado pelo endividamento excessivo do Estado francês. Como comissário para Assuntos Econômicos e Financeiros e Fiscalidade, ele terá que trabalhar em conjunto com Katainen.

Entretanto, nesta terça-feira (04/11), a coletiva de imprensa para apresentação do prognóstico econômico para o quarto trimestre na União Europeia (UE) e na zona do euro mostrou que a colaboração entre os dois ainda não está funcionando muito bem.

Inesperadamente, Moscovici anunciou que pretendia viajar para a Grécia, a fim de conversar sobre o breve fim do programa de apoio financeiro da UE para o país. Katainen disse, então, que tinha a mesma a intenção e que talvez ambos pudessem viajar para Atenas juntos. Assim, a primeira lição que os dois precisam aprender é como coordenar suas agendas.

O que ambos tinham a anunciar em seguida, porém, eram os lamentáveis dados sobre o desenvolvimento econômico na zona do euro, coletados por seus antecessores. A tendência é sombria, e só com muito esforço os dois comissários conseguiram passar alguma esperança de melhora.

Se, no início do ano, Bruxelas ainda contava com uma taxa de crescimento de 1,6% para a UE, agora está claro que ela não passará de 1,3%. Na zona do euro, o crescimento deve ser de 0,8%, em vez do antes previsto 1,2%. As previsões para 2015 são igualmente desoladoras: crescimento de 1,5% para a UE e de 1,1% para a zona do euro. Somente para o ano seguinte, as perspectivas melhoram ligeiramente.

Como primeira razão dessa dinâmica tão lenta, Katainen citou os problemas estruturais profundos, conhecidos mesmo antes da crise do euro. Em segundo lugar, vem o excesso de dívidas públicas e privadas; em terceiro, as tensões nos mercados financeiros desde a crise; e por último, um curso de reformas instável e não implementado em alguns Estados-membros.

Segundo a Comissão Europeia, mesmo na Alemanha, até então país-modelo, as coisas não vão mais tão bem: em 2014 a economia alemã se arrasta à beira de uma recessão, mas ainda alcança 1,3% de crescimento. No ano seguinte, o nível permanece baixo, e só em 2016, a conjuntura alemã volta a ganhar impulso. Por enquanto, o país estará bem restrito em seu papel de locomotiva econômica da UE. Katainen aconselha investimentos em infraestrutura.

Confiança na UE em xeque

No entanto, os prognósticos ficam realmente negativos quando se trata da maior economia nacional da zona do euro, a França: no ano em curso, seu crescimento fica abaixo de 1%, insuficiente para progredir na redução da dívida pública. E o novo endividamento francês aumenta implacavelmente, devendo chegar a até 4,7% do PIB até 2016 – bem distante dos 3% prescritos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

A questão é se – e como – a Comissão pode dar mais tempo para o país reduzir suas dívidas, já que ela tem até o fim do mês para se manifestar a respeito do planejamento orçamentário de Paris. A princípio, está claro que não haverá uma advertência de Bruxelas, porém, ainda não está à vista nenhum curso de reforma e austeridade plausível para a França.

Por sua vez, Moscovici reforçou que está na hora de a política europeia agir. “Nas últimas eleições europeias, partiu dos eleitores uma mensagem inquietante para nós: eles nos dizem que querem crescimento e empregos. Por isso, faz tanto sentido o presidente Juncker nos chamar de ‘a Comissão da última chance’.”

Caso não haja nos próximos cinco anos uma vontade definida nem ação decidida no sentido de crescimento e de vagas de trabalho, os cidadãos poderão ter dúvidas sobre o projeto europeu, advertiu o comissário francês. “Por isso, temos que acrescentar uma nova dimensão à política europeia: estabilização era e é necessária. Agora precisamos de mais dinamismo.”

Com isso, Moscovici se referiu a novos investimentos e, nesse ponto, continua defendendo a linha do governo francês. Para a Comissão Europeia, contudo, o impulso virá na forma do pacote de investimentos de 300 bilhões de euros anunciado por Juncker, cujos detalhes ainda são desconhecidos.

Desemprego elevado

Para citar pontos positivos dos prognósticos apresentados em Bruxelas: a economia da Irlanda cresceu sensacionais 3,6% – a lembrança da crise nacional de endividamento quase já vai longe. A Espanha também se encontra em rota ascendente, com expectativa de 1,7% de crescimento para 2015. O que continua sendo catastrófico no país, contudo, é o desemprego, cuja taxa é claramente superior a 20%.

No que tange à zona do euro, em geral, nos próximos dois anos os índices de desemprego só baixarão discretamente, mantendo-se bem acima de 10%. A Comissão segue prescrevendo reformas estruturais e investimentos públicos como antídoto.

A questão que o comissário Katainen não conseguiu responder a contento, é por que a zona do euro apresenta os mais baixos índices de crescimento entre as regiões econômicas mais desenvolvidas. Por um lado, disse, as crises pelo mundo, da Ucrânia até o Oriente Médio, afetam com violência especial sobre a Europa. Além disso, alguns países-membros se acomodaram numa falsa segurança, acrescentou. Afinal, a zona do euro só pode ser tão forte quanto a soma de seus membros.

FONTE: http://www.dw.de/comissão-europeia-apresenta-prognósticos-econômicos-sombrios/a-18039238

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Fracassa tentativa da oposição de anular acordo nuclear com o Brasil

Num breve debate, partidos da coalizão do governo garantem prorrogação da parceria por mais cinco anos. Partido Verde, autor de moção pelo cancelamento, alega que pacto não condiz com atual política energética alemã.

Numa sessão de cerca de 30 minutos e com pouco menos de 50 parlamentares presentes, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) garantiu na noite desta quinta-feira (06/11) a prorrogação do acordo nuclear entre Brasil e Alemanha por mais cinco anos.

A coalizão do governo, formada pela União Democrata Cristã (CDU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), votou contra a moção que pedia o cancelamento da cooperação bilateral, garantindo assim a maioria necessária para a manutenção da parceria com o Brasil. O Partido Verde, autor da moção, foi apoiado pela legenda A Esquerda.

No entanto, a CDU e o SPD se comprometeram a analisar o documento para verificar a necessidade de alterações no texto.

“Estou decepcionada, principalmente com o SPD. Tendo em vista como o partido se comportou e agiu no último governo, ele deveria ter apoiado a moção. O fim do acordo deveria ter sido importante para o SPD, devido à nossa credibilidade perante a comunidade internacional ao mostrarmos que realmente estamos falando sério sobre banir a energia nuclear”, disse a deputada Sylvia Kotting-Uhl em entrevista à DW Brasil após o plenário.

Segundo Kotting-Uhl, uma das autoras da moção do Partido Verde, agora a oposição vai exigir que as promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, garantindo que ele seja focado somente nas questões da segurança, do armazenamento do lixo atômico e do desligamento de usinas e não voltado a fomentar a geração de energia nuclear.

Agitação no plenário

Durante o debate, Kotting-Uhl e o deputado da legenda A Esquerda Hubertus Zdebel e defenderam o fim do acordo nuclear com o Brasil, alegando que a cooperação nesse setor não condiz com a atual política alemã de mudar sua matriz energética e desligar todas as usinas do país.

No entanto, o deputado da CDU Andreas Lämmel defendeu a manutenção da cooperação no setor, afirmando que o fim do acordo nuclear poderia colocar em risco a parceria entre os dois países em outras áreas. “É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirmou.

O parlamentar causou alvoroço entre os colegas verdes ao afirmar que a Alemanha possuía as usinas nucleares mais seguras do mundo e, com o acordo bilateral vigente, poderia repassar ao Brasil esse conhecimento e experiência. O deputado do Partido Verde e ex-ministro alemão do Meio Ambiente Jürgen Trittin ficou visivelmente irritado com a afirmação.

No debate, as deputadas do SPD Nina Scheer e Hiltrud Lotze também apoiaram a continuação da parceria com Brasil, mas, assim como Kotting-Uhl, ressaltaram é preciso fazer uma avaliação minuciosa do acordo para verificar se mudanças são necessárias para garantir que ele não seja destinado à construção de novas usinas ou ao uso militar da tecnologia.

Ao se pronunciar, Lotze acusou Trittin de não ter feito nada para finalizar o acordo na época em que foi ministro do Meio Ambiente.

Acordo controverso

O acordo de cooperação no setor nuclear entre os dois países foi assinado em 1975. Com ele, o Brasil se comprometia a criar um programa com empresas alemãs para a construção de oito usinas nucleares, além do desenvolvimento de uma indústria teuto-brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores.

A parceria também previa o repasse da tecnologia alemã ao país. A vigência inicial do acordo era de 15 anos, podendo ser prorrogado por períodos de cinco anos, caso nenhuma das partes o cancelasse.

Pouco do previsto na proposta inicial se concretizou. Já nos primeiros anos, o pacto começou a fracassar, devido à pressão americana, às críticas internacionais e à crise econômica que afetou o Brasil na década de 1980.

Apenas duas das oito usinas programadas saíram do papel: Angra 1 e Angra 2. Além disso, quatro anos após o início da parceria, o governo brasileiro começou a desenvolver um programa nuclear paralelo, que visava ao total conhecimento do ciclo de enriquecimento de urânio, o que possibilitaria a fabricação de uma bomba atômica.

Apesar de algumas propostas terem ficado de lado, o acordo já foi renovado cinco vezes. Para ser anulado, um dos países precisa manifestar o desejo de cancelamento um ano antes do fim da vigência. Com o resultado da votação de hoje, ele será renovado pela sexta vez em 2015.

Essa foi a segunda tentativa alemã de encerrar a parceria. Em 2004, ela esteve prestes a ser cancelada, segundo Trittin, então ministro alemão de Meio Ambiente, mas o Brasil voltou atrás.

Atualmente, no âmbito da parceria, são realizados encontros anuais entre representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e da Sociedade Alemã para a Segurança de Usinas e Reatores Nucleares (GRS), para a troca de informações e experiências, além de workshops e cursos.

“É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirma o deputado Andreas Lämmel

Oposição vai exigir que promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, diz Sylvia Kotting-Uhl

FONTE: http://www.dw.de/fracassa-tentativa-da-oposição-de-anular-acordo-nuclear-com-o-brasil/a-18046353

Matheus Luiz Puppe Magalhaes