Teoria dos Jogos e Direito Internacional – Quando John Nash encontrou Bártolo de Sassoferrato

Segundo Cláudio TÉLLEZ (2004), a Teoria dos Jogos lida com o estudo sistemático e formal do conflito e da cooperação em relações entre diferentes atores. Para isso, lança mão de modelos matemáticos, os quais descrevem interações subordinadas a regras. A meta é determinar quais as estratégias devem ser adotadas, em face de que os resultados dependem também das estratégias eleitas pelos outros jogadores.

A Teoria dos Jogos tem ajudado na elucidação de problemas econômicos, no campo das ciências sociais e a entender e solucionar conflitos políticos. Nas Relações Internacionais, tem papel relevante na estratégia militar, pois desvela questões políticas e vários aspectos das interações dos agentes envolvidos em conflitos.

Como toda teoria, a dos jogos não conta com unanimidades, nem mesmo entre os seus defensores. A maioria dos autores citados, no entanto, adota uma visão materialista da teoria, onde todos os jogadores estariam interessados na maximização de elementos quantificáveis em termos de recursos materiais. Isso leva às variações da teoria obedecendo ao mesmo conceito: as escolhas dos jogadores devem ser analisadas e entendidas em termos da quantificação material aferida por eles. Essa visão externalista, no entanto, não tem o condão de esgotar a relevância da racionalidade no processo decisório dos jogadores.

A Teoria dos Jogos parte do pressuposto que os jogadores envolvidos são egoístas e racionais, buscando constantemente atingir seus próprios interesses. Os jogadores têm diferentes opções de ação; suas decisões irão se combinar com as decisões dos outros jogadores, sendo que cada combinação levará a um resultado diferente.

                       Teoria dos jogos no conflito Sírio

Para ilustrar, imaginemos um acordo hipotético sobre armamento nuclear entre a Índia e o Paquistão – ambos potências nucleares em disputa por território fronteiriço. A matriz resultante da aplicação da Teoria dos Jogos – nesse exemplo, extremamente simplificada, por óbvio – consideraria as seguintes hipóteses:

  1. Ambos os países cumprem o acordo (adesão);
  2. Índia cumpre o acordo (adesão), mas o Paquistão, não (deserção);
  3. Índia não cumpre o acordo (deserção), mas o Paquistão, sim (adesão);
  4. Ambos os países não cumprem o acordo (deserção);

Salta aos olhos que tanto Índia quanto Paquistão irão levar em conta o comportamento, ou pelo a expectativa de, no momento de tomar a sua decisão. Mais, cada país irá atribuir diferentes “pesos” para cada hipótese, segundo seus próprios desejos e estratégias. Para completar a complexidade, devemos nos recordar que os países não são unidades monolíticas, podendo ser influenciados por fatores internos no seu posicionamento frente à comunidade internacional.

No exemplo dado, podemos imaginar que ambos os países acreditem ser melhor aderir ao tratado do que envolver-se em uma corrida armamentista que esgotaria seus recursos financeiros. Mas também podemos imaginar que um país ache ainda mais interessante que o outro signatário cumpra o acordo, ao passo que ele não o fará, adquirindo vantagem militar sobre o outro pactuante. O outro país, obviamente, observará esse tipo de atitude, levando-a em conta no seu cálculo quanto a que atitude assumir.

Nesse exemplo simples, com apenas dois países e um assunto relevante como corrida armamentista nuclear, já podemos vislumbrar a complexidade que a Teoria dos Jogos lida. Transpondo esse exemplo para o campo do Comércio Internacional, veremos essa complexidade crescer exponencialmente, pois além de termos vários países interagindo no mesmo tratado, teremos adesões e deserções parciais, políticas de aliança comercial, ações de retaliação, atuações em bloco, etc.

Leia outras matérias sobre Teoria dos Jogos.

Fonte: Jurisetdejure

Cuba aciona Australia na OMC por violação de direitos de propriedade intelectual relacionados a produtos do tabaco.

Imagem

Complaint by Cuba. (See also DS434, DS435 and DS441)

On 3 May 2013, Cuba requested consultations with Australia concerning certain Australian laws and regulations that allegedly impose trademark restrictions and other plain-packaging requirements on tobacco products.

Cuba challenges the following measures:

  • The Tobacco Plain Packaging Act 2011, Act No. 148 of 2011, “An Act to discourage the use of tobacco products, and for related purposes”;
  • The Tobacco Plain Packaging Regulations 2011 (Select Legislative Instrument 2011, No. 263), as amended by the Tobacco Plain Packaging Amendment Regulation 2012 (No. 1) (Select Legislative Instrument 2012, No. 29) (“the Regulations”);
  • The Trade Marks Amendment (Tobacco Plain Packaging) Act 2011. Act No. 149 of 2011, “An Act to amend the Trade Marks Act 1995, and for related purposes”; and 
  • Any related measures adopted by Australia, including measures that implement, complement or add to these laws and regulations, as well as any measures that amend or replace these laws and regulations.

Cuba claims that Australia’s measures appear to be inconsistent with Australia’s obligations under:

  • Articles 2.1, 3.1, 15.4, 16.1, 20, 22.2(b) and 24.3 of the TRIPS Agreement;
  • Articles 2.1 and 2.2 of the TBT Agreement; and 

Articles III:4 and IX:4 of the GATT 1994

Fonte: OMC: http://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/cases_e/ds434_e.htm

A teatralização do atentado de Boston

Precisamos estar atentos ao significado político-ideológico da espetacularização do atentado de Boston. É uma forma de desviar a atenção mundial de questões muito mais fundamentais: a primeira é o estado de terror que o Estado norte-americano está impondo internamente a seus cidadãos e ao mundo inteiro. Com isso atraiçoa o que de melhor tinha: a defesa dos direitos fundamentais.

Por Leonardo Boff*

Precisaria ser inumano e sem sentido de solidariedade e de compaixão não se indignar e não condenar o atentado perpetrado em Boston, com dois mortos e centenas de feridos. Mas isso não nos dispensa de sermos críticos. Houve uma teatralização mundial do atentado com objetivos ocultos que devem ser desvendados. Atentados ocorrem muitos no mundo, especialmente no Afeganistão e no Iraque, na presença das tropas norte-americanas e dos aliados. Sempre com muitos mortos e centenas de feridos. Quase ninguém dá importância ao fato, já naturalizado e banalizado. Muitos pensam: trata-se de gente terrorista ou próxima a eles, incômodos à ocupação ocidental. Que se matem. Convenhamos: são seres humanos como aqueles de Boston. Mas as medidas de avaliação são diferentes. Sabemos o porquê. 

Precisamos estar atentos ao significado político-ideológico da espetacularização do atentado de Boston. É uma forma de desviar a atenção mundial de questões muito mais fundamentais: a primeira é o estado de terror que o Estado norte-americano está impondo internamente a seus cidadãos e ao mundo inteiro. Com isso atraiçoa o que de melhor tinha: a defesa dos direitos fundamentais. Não fechou Guantánamo nem ratificou instrumentos internacionais importantes como o Tratado de Roma da Corte Penal Internacional nem a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José de Costa Rica). Não quer que as violações e atentados que seus agentes perpetram pelo mundo afora para garantir o império sejam levados àqueles tribunais.

Mas pela ininterrupta ocupação das mídias mundiais (a nossa Globo estava em peso por lá) a propósito do atentado, os “senhores do mundo” querem desviar a atenção da segunda questão, esta, sim, de consequências funestas e que pode afetar a todos: a ameaça do fim da espécie humana. Primeiro, estes “senhores” devastaram durante séculos o planeta a ponto de ele não poder, sozinho, recuperar sua sustentabilidade. Pelos eventos extremos, dá mostras de que os limites foram ultrapassados. Em seguida, no afã de acumular ilimitadamente e dominar o processo de planetização da humanidade, montaram uma máquina de morte que ameaça a vida na Terra e pode trazer o armagedon para a espécie humana.

Notáveis cientistas do mundo e os mais sérios teóricos da ecologia chamaram a atenção para esta ameaça real. Apenas não sabemos exatamente quando e como vai ocorrer. Mas, mantido o curso atual das coisas, ela será fatal. Michel Serres, renomado filósofo francês da ecologia, já o disse: depois de Hiroshima, Nagasáki e agora de Fukushima, a humanidade descobriu um novo tipo de morte: a morte da espécie. Sim, como Gorbachev não se cansa de repetir: podemos destruir toda a espécie humana, sem restar nenhum testemunho, com as armas químicas, biológicas e nucleares que já construimos e estocamos. Segurança? Nunca é absoluta. Lembremos Three Islands, Chernobyl e Fukushima

Então: a nossa espécie realmente se mostrou o Satã da Terra: aprendeu a ser homicida (mata seus semelhantes), etnocida (quantos povos originários não foram liquidados?), ecocida (devastou ecossistemas inteiros) e agora pode ser especiecida (leva a própria espécie ao suicídio).

O sistema imperial vive buscando bodes expiatórios (antes eram os comunistas, depois os subversivos, agora os terroristas, os imigrantes…, quem mais?) sobre os quais recai o desejo mimético e coletivo de vingança. E assim se autoexime de culpas e de erros. Mas principalmente faz de tudo para que esta ameaça letal sobre a espécie humana não seja lembrada e se transforme numa consciência mundial perigosa.

Ninguém aceita passivamente um veredito de morte. Vai lutar para garantir a vida e o futuro comum. Este deveria ser o objetivo de uma governança global, que exige a renúncia de uma vontade imperial que pensa só em sua perpetuação em vez de pensar no Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade. Por mais que se manipule o atentado de Boston, por quanto tempo, os poderosos ocultarão a situação dramática que pesa sobre nós? Oxalá acordemos todos, simplesmente porque não queremos morrer, mas viver e irradiar.

*Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é também escritor. É autor de ‘Proteger a Terra – Cuidar da vida: como escapar do fim do mundo’ (Record, 2011). 

Fonte: CartaMaior

Bolívia leva à Corte Internacional de Haia ação contra o Chile por saída para o Oceano Pacífico

A ação internacional de La Paz representa uma virada histórica, após mais de um século de tentativas diplomáticas em relação ao Chile

La Paz - A Bolívia entrou nesta quarta-feira com uma ação contra o Chile na Corte Internacional de Justiça de Haia, para que Santiago negocie “de boa fé” uma saída soberana para o Oceano Pacífico.

O governo chileno já respondeu que, no momento, “não há diálogo possível”.

A ação internacional de La Paz representa uma virada histórica, após mais de um século de tentativas diplomáticas em relação ao Chile, em diferentes cenários e fóruns internacionais.

Uma comissão do governo boliviano, liderada pelo chanceler David Choquehuanca e pelo embaixador e ex-presidente Eduardo Rodríguez, apresentou a documentação ao tribunal internacional para dar início a um litígio que foi preparado durante dois anos, com antecedentes jurídicos e históricos.

Choquehuanca leu uma declaração, do lado de fora da corte, que foi transmitida pelo canal estatal de televisão boliviano.

“O Estado plurinacional da Bolívia, neste 24 de abril de 2013, processa o Chile perante a Corte Internacional de Justiça, assumindo o mandato histórico do povo boliviano de recuperar sua qualidade marítima”, disse o chefe da diplomacia boliviana.

Segundo ele, a Bolívia “solicita à Corte Internacional de Justiça que sentencie e declare que o Chile tem a obrigação de negociar de boa fé com a Bolívia um acordo rápido e efetivo que lhe conceda uma saída plenamente soberana para o oceano Pacífico”.

O pedido – esclareceu – “não se baseia no Tratado de 1904″, que marcou os limites territoriais entre ambas as nações e que, segundo a Bolívia, foi firmado sob a ameaça de uma nova intervenção armada por parte do Chile.

As reações de Santiago não demoraram.

“Se eles (os bolivianos) pretendem conversar sobre a soberania marítima do Chile, não, não há diálogo possível”, declarou o ministro do Interior, Andrés Chadwick, no Palácio La Moneda.

“A Bolívia tem muito claro que podemos conversar, podemos dialogar, podemos trocar boas práticas de vizinhos. Sabem como o Chile cumpriu na íntegra nossas obrigações do Tratado de 1904, mas se se trata de conversar sobre a soberania marítima, que é o que eles pretendem, não há diálogo possível”, frisou Chadwick.


A Bolívia reivindica parte do território soberano, após ter cedido à força ao Chile, na guerra de 1879, cerca de 400 km de costa e 120.000 km², sua única saída para o Pacífico.

O presidente Evo Morales destacou a posição boliviana, dois anos depois de anunciar que La Paz levaria seu antigo caso a tribunais internacionais, segundo ele, “cansado de um diálogo inútil”.

“Depois de tantos anos de tentativas de retornar ao mar com soberania, decidimos recorrer à Corte Internacional de Justiça para que se faça justiça com a Bolívia”, acrescentou Morales, no palácio presidencial, em La Paz.

A defesa boliviana alega ainda que, ao longo do século passado e até o presente, foram estabelecidos diferentes cenários de diálogo, apesar de não terem relações diplomáticas, nas quais foram discutidos, sem sucesso, diferentes fórmulas de solução.

As alternativas incluíam desde a cessão sem soberania de territórios no norte do Chile, na fronteira com o Peru (o que foi rejeitado por Lima), até a troca territorial. O Peru também cedeu territórios ao Chile na guerra de 1879, como aliado da Bolívia.

No último nível de diálogo, entre o governo de Morales e de sua homóloga chilena Michelle Bachelet, assim como no do sucessor da então presidente Sebastián Piñera, entre 2006 e 2010, La Paz esperou uma proposta “concreta, útil e possível” em relação a uma saída para o mar e que, em sua opinião, nunca chegou.

Diante dessa tácita ruptura, Morales levou o tema a todos os fóruns internacionais, incluindo as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA), enquanto o governo de Piñera insiste em que não tem assuntos pendentes com a Bolívia. Segundo ele, entre ambos os países há um Tratado de Paz e Amizade de 1904 que definiu os limites fronteiriços binacionais.

Já La Paz considera que esse acordo não foi cumprido pelo Chile, pois se nega o livre trânsito aos bolivianos.

Fonte: FrancePresse

Thatcher-Reagan e o neoliberalismo: a contrarrevolução travestida de reforma e modernização

A virada de período histórico operada pelo fim da URSS, pela passagem à hegemonia unipolar dos EUA e pela hegemonia do modelo neoliberal, representou um duro golpe para a esquerda. Mais além da desaparição do sistema soviético – que, antes mesmo de se avaliar sua natureza, representava um contrapeso ao bloco imperialista –, a derrota da esquerda foi de dimensões muito maiores.

Em primeiro lugar porque a crise soviética não desembocou numa solução de esquerda – como esperavam os trotskistas e poderiam supor os social-democratas –, mas numa alternativa plenamente capitalista, de direita.

Em segundo lugar, porque trouxe com ela a desmoralização do socialismo, do Estado, da economia planificada, da política, dos partidos, das soluções coletivas, junto com a desqualificação da esquerda, do movimento sindical, do mundo do trabalho.

Alterou-se não apenas o cenário político, mas também o ideológico. Com a desaparição de alternativas, o liberalismo se impôs, carimbando seu sistema político como “a democracia”, a economia capitalista como “a economia”.

Mas a principal vitória ideológica do liberalismo renascido foi a desqualificação, como superado, de todo o ideário da esquerda, que até esse momento aparecia como a superação histórica do capitalismo. A desaparição da URSS era considerada como a negação de uma evolução histórica que levaria do capitalismo ao socialismo; surgia a teorização do fim da história, com a vitória do capitalismo e da democracia liberal.

Completou-se o quadro com a ruptura da aliança, na Europa, entre socialistas e comunistas, com aqueles aderindo ao neoliberalismo e estes ficando isolados e sem base importante de apoio popular. Na América Latina o fenômeno similar foi a adesão dos nacionalismos (mexicano, argentino) e da social-democracia (chilena, venezuelana, brasileira) ao neoliberalismo.

No plano ideológico, a direita revigorou-se, assumindo a bandeira das reformas e da modernização, agora identificadas com o mercado e contra o Estado. A esquerda ficou na defensiva, como se tivesse deixado de representar o futuro da humanidade, para representar o passado. O capitalismo assumiu ares de dinamismo, de eficácia, de modernização, enquanto o socialismo e o Estado foram projetados como arcaicos, estagnantes, antidemocráticos.

O auge do modelo neoliberal passou relativamente logo, a crise capitalista iniciada em 2008 se encarregou de terminar com o consenso das políticas econômicas neoliberais. Mas a ideologia que o acompanhou segue vigente: mercado, consumismo, soluções individuais, desqualificação da política – e, com ela, dos partidos, dos Estados e governos, dos parlamentos.

Ideologicamente, a esquerda segue na defensiva, porque não construiu uma interpretação contemporânea para disputar com a narrativa neoliberal. Mesmo os sucessos de governos latino-americanos não foram codificados em um modelo pós-neoliberal, para difundi-los. O prestígio do Lula por todo o mundo revela o potencial de uma proposta dessa ordem, mas ela não foi formulada, ainda que verbalizada pelo Lula e pela Dilma.

Vivemos um período de transição, entre um modelo velho que teima em sobreviver – e conta com o monopólio mundial dos meios de comunicação para isso – e um mundo novo, com avanços reais, mas ainda sem capacidade de formulação e menos ainda de sua difusão.

Fonte: BlogdoEmir/CartaMaior

Kaiser Report 430: Os mitos sobre Margareth Thatcher

Vídeo

Publicado em 11/04/2013
In this episode of the Keiser Report, Max Keiser and Stacy Herbert explore the myth of whether Margaret Thatcher “saved Britain,” or gave them a British dream of “striving to mature before your debts do.” They look at North Sea oil production, and wonder how big a UK sovereign wealth fund would be today if Thatcher had saved any of the country’s oil wealth. In the second half of the show, Max Keiser talks to Jan Skoyles of The Real Asset Company about Bitcoin: Is she bit-curious or bit-con? They also discuss her report released today which asks, who is buying gold? Brazil, Paraguay, China are stacking bail-ins with the people’s money in the bank.
We explore the myth that Margaret Thatcher “saved Britain.” Max suggests she gave the population a British dream of “striving to mature before your debts do.” They look at North Sea oil production, and wonder how big a UK sovereign wealth fund would be today if Thatcher had saved any of the country’s oil wealth. In the second half of the show, Max Keiser talks to Jan Skoyles of The Real Asset Company about Bitcoin: Is she bit-curious or bit-con? They also discuss her report released today which asks, who is buying gold? Brazil, Paraguay, China are stacking bail-ins with the people’s money in the bank.
Fonte: http://maxkeiser.com/2013/04/11/kr430-keiser-report-myths-of-margaret-thatcher/

Parada no tempo, Coreia do Norte nunca esteve em paz

Por Druti Shah

A Coreia do Norte nasceu da Guerra Fria entre o Comunismo e o Capitalismo e dela nunca conseguiu escapar, mesmo após o fim do bloco comunista.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi libertada de décadas de ocupação japonesa e parecia a caminho de retomar sua independência, com seus aliados do tempo da guerra, os Estados Unidos, a China, a Grã-Bretanha e a União Soviética todos apoiando este objetivo.

Forças soviéticas e americanas ocuparam os dois extremos do país em uma período de transição antes de eleições democráticas.

Mas à medida que a cooperação do período da guerra entre a União Soviética e os Estados Unidos se deteriorou, dois Estados bem diferentes surgiram – a República da Coreia, apoiada pelos Estados Unidos, no sul, e a República Democrática da Coreia, ao norte, com um líder, Kim Il-sung, que havia sido treinado pelo Exército Vermelho.

A Coreia do Norte foi uma ”aberração desde o nascimento”, afirma John Everard, ex-embaixador da Grã-Bretanha na Coreia do Norte. ”Foi uma criação de oficiais do Exército soviético que pareciam ter pouca ideia do que consistia a criação de um Estado.”

“Fizeram de Kim Il-sung um líder, mas quando descobriram que ele tinha pouco respeito por parte da população, construíram em torno dele um culto de personalidade stalinista que fez com que o país acabasse sendo governado por um deus-rei, assim como eram os últimos reis da Coreia (antes da ocupação japonesa)”, opina o embaixador.

Guerra da Coreia

Em 1950, a Coreia do Sul declarou independência. A Coreia do Norte, com o apoio da União Soviética e da China, rapidamente invadiu o sul, provocando a Guerra da Coreia, que foi até 1953.

Os Estados Unidos intervieram, temendo que uma tomada da Coreia do Sul pelos comunistas pudesse ter implicações maiores, diz Robert Kelly, professor da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul. ”O temor de Washington era de que, se os Estados Unidos desistissem da guerra na Coreia, houvesse um efeito dominó (com mais países adotando o comunismo) em outras partes da Ásia. Era um risco que eles não podiam correr”, afirma.

Após os combates terem chegado a um impasse, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, e depois seu sucessor, Dwight Eisenhower, usaram a ameaça nuclear publicamente como um meio de pôr fim à guerra.

Mas estava claro que Truman não queria que o conflito se espalhasse ou que ele levasse a uma nova guerra mundial. Em 1951, quando o general Douglas MacArthur, comandante das forças americanas no Extremo Leste asiático, publicamente pediu que a China, que apoiava a Coreia do Norte, fosse atacada, ele acabou sendo demitido por insubordinação.

Em 1953, o Acordo de Armistício coreano foi assinado. Era para ser uma medida provisória, que estabeleceu uma zona desmilitarizada, ao longo do Paralelo 38. Mas um acordo de paz permanente jamais foi assinado, e as tensões ao longo da fronteira perduram desde então.

Em seus anos iniciais, a Coreia do Norte prosperou, apoiada tanto pela China como pela União Soviética.

Mas as tensões ao longo da fronteira cresceram com a rápida industrialização da Coreia do Sul e seu crescimento econômico.

“A Coreia do Sul se tornou realmente rica na década de 70, enquanto que a Coreia do Norte permaneceu como um típico exemplo de política stalinista. O país foi bem por um tempo, mas depois começou a fraquejar”, afirma Robert Kelly.

Fim do bloco soviético

Com o fim da década de 80 e o fim da União Soviética, a perda do auxílio fornecido pelos soviéticos foi um duro golpe contra a Coreia do Norte. Além disso, quando a China reconheceu a Coreia do Sul em 1992, a Coreia do Norte se sentiu traída e cada vez mais isolada.

“Sua economia estava em queda livre desde o colapso do bloco soviético”, afirma o escritor e especialista em Coreia do Norte Paul French.

Cerca de 1 milhão de civis teriam sido mortos na Guerra da Coreia

“A economia ia mal, a indústria foi reduzida à metade. Os mercados do bloco do Leste sumiram. A agricultura norte-coreana ruiu, e o país enfrentou fome em meados da década de 90″, diz French.

O programa nuclear do país, que teve início na década de 60, segundo o ex-embaixador John Everard, se tornou cada vez mais importante.

“À medida que o ambiente internacional se voltou contra a Coreia do Norte, seus líderes começaram a encarar o programa nuclear como garantia de sua existência como um Estado independente”.

O trunfo nuclear

O ”Grande Líder” Kim Il-sung, seguido pelo seu filho, o “Querido Líder” Kim Jong-il e agora seu neto e “Líder Supremo” Kim Jong-un contaram todos com um importante trunfo – a grande moeda de troca nuclear”, afirma French.

Mas o programa nuclear da Coreia do Norte se tornou a principal fonte de tensão com o Ocidente, e os Estados Unidos e a Coreia do Norte chegaram à beira de um conflito inúmeras vezes.

Um exemplo foi em 1994, durante o governo do presidente americano Bill Clinton, quando Pyongyang seguia violando acordos internacionais sobre inspeções de suas instalações nucleares.

Em 2002, as tensões com a Coreia do Norte ressurgiram quando o governo do país expulsou inspetores nucleares em meio a temores de que o país estava desenvolvendo, em segredo, armas nucleares.

”A Guerra da Coreia ainda não terminou por completo. As velhas inimizades permanecem, ao menos aos olhos de Pyongyang”, afirma Paul French.

“Seul seguiu adiante e se tornou uma próspera democracia. O Norte se manteve como que numa redoma desde os anos 1950, se colocando em uma narrativa histórica como vítima e apenas agora com uma capacidade nuclear que exige a atenção de todos.”

 

Fonte: BBCBrasil

 

Coreia do Norte sabe o que faz

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo

Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.

Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.

O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.

A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.

Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.

Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.

O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.

Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.

No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.

Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.

Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

Fonte: OperaMundi