Sobre Victor Castro

Estudante de Economia na Universidade Federal de Ouro Preto e músico autônomo.

Revolução Islandesa

“Na Islândia, o povo fez o governo todo se demitir. Os principais bancos do país foram nacionalizados…”

“Uma assembléia popular foi criada para escrever uma nova constituição.”

Brasil e América do Sul já se preparam para calote na dívida dos EUA

BRASÍLIA – O Brasil e os demais países da América do Sul começam a se preparar para um desfecho da crise da dívida norte-americana com potencial para causar estragos pela região. Se o governo Barack Obama for empurrado para o calote, o continente aposta que os especuladores em fuga dos Estados Unidos e atrás de lucros fáceis vão querer invadir a região. Neste cenário, o preço das moedas de cada país ficaria mais caro, afetando as exportações nacionais a produzindo uma avalanche de importações.

Para tentar proteger o Brasil de uma enxurrada de dólares, o governo armou-se dando amplos poderes aos ministros da Fazenda e do Planejamento e ao presidente do Banco Central (BC) para intervir no chamado “mercado de derivativos”, paraíso da especulação. A trinca, que forma o Conselho Monetário Nacional (CMN), poderá impor limites de valores e de prazos para a compra e venda de dólares e taxar os contratos em até 25%.

Já os chefes de Estado e governo da América do Sul decidiram nesta quinta-feira (28/07), no Peru, onde estiveram para a posse do novo presidente daquele país, Ollanta Humala, que seus ministros da economia vão se reunir nos dias 4 e 5 de agosto, em Lima, para discutir com se proteger dos efeitos de uma possível nova etapa na crise global. Um outro encontro acontecerá no dia 11 de agosto, em Buenos Aires, desta vez, com a presença dos presidentes dos bancos centrais.

Os atuais problemas da economia mundial foram o tema principal da reunião que as presidentas do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, tiveram nesta sexta-feira (29/07), em Brasília, durante visita oficial da argentina.

Em declaração à imprensa depois da reunião, Dilma disse que a América do Sul se diferencia de “outras partes do mundo, hoje dominadas pela recessão, pelo desemprego, pelo caos financeiro e fiscal e, sobretudo, pela imobilidade política na resolução dos desafios que têm pela frente”.

Embora a presidenta não tenha especificado, a afirmação referia-se aos EUA, onde um impasse entre Obama e seus inimigos republicanos sobre a dívida norte-americana ainda não foi superado e deixa o mundo em estado de alerta. Segundo Dilma, a Unasul precisa mesmo discutir o assunto para “coordenar respostas à crise global” e para defender-se da “excessiva liquidez”, da “avalanche de manufaturas” e da “valorização de nossas moedas”.

Cristina concordou ser fundamental blindar a região contra o “ingresso de capitais especulativos” e adotar medidas comuns que defendam o “formidável” avanço social, no mercado de trabalho e na industrialização que, na opinião dela, tem ocorrido na região nos últimos tempos. “Temos que nos adiantar porque os tempos econômicos e dos mercados muitas vezes não são os tempos da política”, afirmou Cristina, sobre as duas reuniões econômicas da Unasul marcadas para as próximas semanas.

Xerife da especulação
No Brasil, o governo já se adiantou. Na última quarta-feira (27/07), em um pacote de medidas para conter o barateamento do dólar, o governo resolveu dar-se autorização para fazer intervenções maciças no “mercado de derivativos”. Uma medida provisória (MP) transformou o CMN numa espécie de xerife da especulação, com autoridade para fixar limites e prazos e até para proibir certas cláusulas contratuais na negociação de dólares.

Até agora, a supervisão dos derivativos era repartida entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o BC. Segundo o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, ambos exercem tal controle conforme a perspectiva individual da área de jurisdição de cada um – investidores privados, no caso da CVM, e setor financeiro, no do BC. Nenhum tem uma visão mais ampla sobre os riscos mais gerais para o país (prejuízo causado a exportadores pelo dólar barato, por exemplo).

De acordo com Barbosa, esta postura do governo está em linha com as posições que o Brasil defende, desde a eclosão da crise financeira internacional em 2008, no grupo dos países mais ricos do mundo, o G-20, de mais transparência e regulação do mercado de derivativos.

Para ele, as incertezas sobre o futuro da dívida norte-americana justificam que o Brasil se prepare para o pior. “Uma situação de extrema liquideza internacional tem potencial de movimentos muito grandes e muito rápidos de capital para um lado ou outro. E, nesse momento, isso pode se refletir numa apreciação adicional do real que não é benéfica para a economia [brasileira]”, afirmou.

O mercado de derivativos tem potencial para bagunçar a economia brasileira e afetar o preço do dólar por causa do volume de negócios. Em junho, as transações com dólares atingiram US$ 376 bilhões, segundo a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O valor é nove vezes maior do que a quantia movimentada pelo comércio exterior no período (US$ 42 bilhões, entre exportações e importações). 

Apesar de a equipe econômica ter agora superpoderes de intervenção no mercado de derivativos, esse poder ainda não foi exercido. O CMN teve sua reunião mensal nesta quinta-feira (28/07), mas não baixou nenhuma norma.

A única medida do pacote cambial que concretamente já está em vigor é uma nova taxação, de 1%, sobre contratos de compra e venda de dólares acima de US$ 10 milhões. Os pagamentos devem começar a ocorrer a partir de outubro (mas serão retroativos a julho). Até lá, a equipe econômica vai fazer reuniões com entidades do sistema financeiros para explicar como funcionará a nova regulação dos derivativos.

Fonte: Carta Maior

Austeridade descontrolada

Nem toda a revolta se explica apenas pelas consequências dos caprichos do mercado financeiro. Boa parte se deve, também, a oportunismo incompetente de políticos. Especialmente na Espanha, onde o governo lida com um desemprego altíssimo e um déficit galopante, mas, em vez de priorizar a união ante a crise e deixar questões controvertidas para depois, insiste em uma agenda ideologicamente carregada, conservadora e centralista.

Um dos resultados é o crescimento dos movimentos autonomistas. Os governos das regiões da Galiza, País Basco e agora Catalunha, com línguas próprias e maior identidade nacional, convocaram eleições, nas quais movimentos separatistas devem ganhar força. O mais forte parece ser agora não o basco, mas o catalão, atiçado desde 2010 pela rejeição de seu estatuto de autonomia pelo Tribunal Constitucional e agora pelo conflito fiscal. A região contribui para o governo central com 8% do seu PIB mais do que recebe e está financeiramente quebrada. Propôs ao governo Mariano Rajoy um pacto fiscal para reduzir essa transferência a 4%, mas Madri quer impor condições draconianas em troca de um resgate de 5 bilhões de euros.

Em 11 de setembro, com apoio do governo regional, uma manifestação pela independência com 600 mil, segundo o governo de Madri, ou 2 milhões, segundo os organizadores, tomou as ruas de Barcelona, cuja área metropolitana tem 4,5 milhões de habitantes. No dia 24, o presidente do governo catalão, Artur Mas, abriu o debate no Parlamento local sobre a separação da Espanha: “Chegou a hora de a Catalunha exercer o direito à autodeterminação e ter mesmos instrumentos que outras nações para desenvolver a própria identidade”. Segundo pesquisa de junho de 2012, 51,1% votariam “sim” e 21,1%, “não” à independência.

A insatisfação é igualmente explosiva no próprio coração da Espanha. No dia 25, dezenas de milhares de manifestantes cercaram o Parlamento para protestar contra cortes de gastos que prejudicaram a educação e a saúde – em especial os imigrantes sem do­cumentos, privados de assistência médica – e exigir novas eleições. A repressão fez 35 presos e 64 feridos, um deles com gravidade, mas não deteve o movimento, que promete mais manifestações.

E os dominós balançam
Na quarta-feira 26, cerca de 100 mil gregos saíram às ruas de Atenas e milhões pararam de trabalhar em todo o país na primeira greve geral contra o governo de Antonis Samaras. Os três partidos de sua coalizão, Nova Democracia, Pasok e Esquerda Democrática, conseguiram acordar, no dia seguinte, um pacote de 13,5 bilhões de euros em cortes de gastos e aumento de impostos, mas a veemência crescente dos protestos da Grécia e os sinais de desintegração da Espanha – que nem sequer se atreveu, até agora, a pedir o inevitável resgate – mantiveram os mercados sob tensão.

Se esses e outros países estão hoje à beira da ingovernabilidade, que acontecerá quando os efeitos das medidas já divulgadas se fizerem sentir plenamente e outras, ainda mais impopulares, forem anunciadas?

Fonte: Carta Capital

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Reino Unido financiou treinamento militar de governos ditatoriais na África

O governo do Reino Unido gastou 2,4 milhões de libras (cerca de 8 milhões de reais) nos últimos cinco anos em treinamento militar e de equipes de policia e segurança de regimes ditatoriais sob embargo de armas, denunciou o  jornal britânico The Guardian. Entre os países beneficiados estão o Sudão e a República Democrática do Congo.

Omar al-Bashir, presidente do Sudão, por exemplo, possui há anos mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional. Ele é acusado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

A situação no Congo não é muito diferente. A ONU alertou para registros de casos extensivos de violação de direitos humanos, como assassinatos, tortura, desaparecimentos forçados e prisões arbitrárias. As principais vítimas destas ações seriam os oponentes do presidente Joseph Kabila.

O diário destaca que o Ministério da Defesa informou por meio de um ato de acesso à informação que foram gastos mais de 75 mil libras em cursos de 44 semanas na Academia Real Militar Sandhurst para as forças sudanesas e congolesas. Há também despesas com logísticas militares, cursos de equipes e comando e inteligência estratégica.

Foram gastas ainda 953 mil libras (cerca de 3 milhões de reais) em apoio de paz internacional, incluindo segurança de fronteiras e estabilização política. Mas grande parte da preocupação sobre violações de direitos humanos no Sudão se concentra na fronteira com o recém-independente Sudão do Sul, onde há constantes conflitos nos estados de Nilo Azul e Cordofão do Sul.  Além disso, o Sudão enfrenta uma situação tensa no conflito de Darfur, no qual houve o genocídios de 300 mil darfurianos e o deslocamento forçado de mais de 4 milhões de pessoas.

O governo do país nega o acesso humanitário às áreas de fronteira e realizaram em maio diversos bombardeios indiscriminados na região do Cordofão.

No Congo, estudos mostram que os soldados são responsáveis por ao menos 60% dos estupros reportados no país. Entre os casos mais marcantes, a ONU implicou integrantes das forças congolesas na agressão sexual de pelo menos 121 mulheres durante três dias em um vilarejo na província de Kivu do Sul.

Fonte: Carta Capital

Governo amplia regime aduaneiro especial para aumentar exportações

Brasília – A Receita Federal ampliou o regime aduaneiro especial para aumentar o volume de exportações e estimular a industrialização dos produtos no Brasil. Conhecido como Recof, o regime permite o ingresso de insumos no país com suspensão de tributos desde que sejam destinados à montagem de produtos para vendas no exterior. Ele poderá ser usado por empresas de qualquer segmento industrial, essencialmente de montagem.

Segundo o subsecretário de Aduana e de Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcucci, o Recof beneficiava apenas alguns setores da economia, como telecomunicações, informática, tecnologia da informação, automotivo e aeronáutico. Atualmente, 26 empresas são contempladas com a suspensão de impostos. O Fisco estima que mais 185 empresas têm potencial de adesão ao Recof. Dessas, 12 estão aptas a aderir ao novo regime, imediatamente.

“Nosso objetivo é fomentar a capacidade de exportação simplificando o requisito para adesão ao regime. Entre os novos setores que podem ingressar no programa, estão o de eletroeletrônicos, eletrodomésticos de linha branca, máquinas e equipamentos, ótica, ferramentas, armas, construções pré-fabricas e o segmento naval, que inclui embarcações e plataformas”, disse o subsecretário.

Checcucci destacou ainda que para poder participar do novo regime aduaneiro, as empresas devem exportar no mínimo US$ 10 milhões por ano. Antes das alterações da Instrução Normativa 1.291, publicada hoje (21) noDiário Oficial da União, o limite variava de acordo com cada segmento.

“O Recof é sistêmico, exige como condição que a empresa cumpra requisitos de exportação e importação, e que desenvolva sistemas cooperativos que obedeçam regras da Receita Federal”, explicou.

Segundo a Secretaria da Receita Federal, as operações comerciais das empresas beneficiadas pelo Recof movimentaram de cerca de US$ 21 bilhões, em 2011. Com a adesão de novos segmentos, a expectativa é que esse número suba para US$ 29 bilhões. Para Checcucci, o Recof “tem um sistema de fiscalização diferenciado”, no qual as empresas são obrigadas a cumprir todos os requisitos de volume de exportação.

Fonte: Agência Brasil

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Guerra de Israel contra Irã acabará por chegar, afirma comandante iraniano

A guerra de Israel contra o Irã “acabará por chegar”, declarou neste sábado o general Mohamad Ali Jafari, comandante em chefe da Guarda Revolucionária (Pasdaran), que disse ainda que o país está preparado e destruirá o Estado hebreu.

“A guerra acabará por chegar, mas não se sabe quando e onde acontecerá”, disse o comandante da tropa de elite do regime islâmico, citado pelas agências ISNA e FARS.

“Este tumor canceroso que é Israel busca lançar uma guerra contra nós. Mas não sabemos quando acontecerá. (Os israelenses) consideram agora a guerra como o único meio de nos enfrentar, mas são tão estúpidos que seus amos (Estados Unidos) deveriam impedi-los”, completou o general Jafari.

“Se eles começarem, isto levará a sua destruição”, declarou.

Israel ameaçou em várias oportunidades atacar as instalações nucleares iranianas, caso as sanções e os esforços diplomáticos não consigam convencer Teerã de interromper as atividades nucleares sensíveis.

Na sexta-feira, o Irã advertiu o Estado hebreu e seu aliado americano contra qualquer ataque, além de afirmar que sua resposta será “imediata”.

Fonte: Carta Capital

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Crise econômica espanhola aumenta pressão por independência da Catalunha

A crise econômica na Espanha está estimulando a campanha pela independência da Catalunha, uma das mais importantes regiões autônomas do país, que responde por um quinto da economia nacional e tem uma população de cerca de 7,5 milhões.

A maioria das pesquisas de opinião já realizadas na região sugerem que, no caso da realização de um referendo sobre a independência da região, a maioria votaria a favor.

Na terça-feira, 11 de setembro, a Catalunha celebrou o seu dia nacional, conhecido como La Diada, marcando a data com uma das maiores manifestações já vistas em sua capital, Barcelona.

Segundo os organizadores da manifestação separatista, cerca de 2 milhões de pessoas participaram. A polícia catalã, conhecida como Mossos, fala em 1,5 milhão.

A Guarda Civil Espanhola tem números menores, cerca de 600 mil manifestantes.

Falando à BBC, o presidente da Catalunha, Artur Mas, afirmou que “se não houver um acordo econômico, a estrada para a liberdade está aberta”.

Essencialmente, Mas mandou o recado ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que, se o governo da Espanha não der à região um acordo econômico mais favorável, o governo catalão vai pressionar pela independência da Catalunha.

A coalizão política liderada por Mas é nacionalista de centro-direita e, teoricamente, não é a favor da independência. Mas, com a crise econômica, este quadro parece estar mudando.

‘Pacto fiscal’

O acordo ao qual o presidente catalão se refere é conhecido na Espanha como “pacto fiscal”.

Presidente da Catalunha, Artur Mas (Reuters)

A Catalunha afirma que paga ao governo central em Madri 15 bilhões de euros (mais de R$ 38 bilhões) a mais do que recebe de volta em verbas para serviços e projetos públicos.

Em agosto, quando a região, que é a mais endividada da Espanha, afirmou que vai precisar de 5 bilhões de euros (quase R$ 13 bilhões) do fundo de ajuda do governo espanhol para regiões autônomas endividadas, fontes do governo catalão sugeriram, em conversas particulares, que eles estavam apenas “pedindo o dinheiro de volta”.

O governo central em Madri não deve aceitar este argumento ou a exigência da Catalunha, de que qualquer empréstimo do fundo de ajuda do governo deve ser feito sem que os catalães assumam compromissos com o governo espanhol.

O governo catalão quer, basicamente, coletar e gerenciar seus próprios impostos.

Mas o grande obstáculo para isto é que o próprio governo da Espanha está sem dinheiro e ainda precisa lidar com a recessão que afeta o país.

Fragmentação do país

A Catalunha tem seu próprio idioma e cultura, com diferenças claras em relação ao resto da Espanha. No entanto, o país ainda está muito longe de se transformar no próximo país independente da Europa.

Manifestação separatista em Barcelona (AP)

Apesar das manifestações e declarações do presidente da Catalunha, o governo central da Espanha se recusa a discutir a ideia e acredita que qualquer tentativa da região se transformar em um país independente é inconstitucional.

E a questão traz de volta um problema da época da violenta guerra civil espanhola, o temor da desintegração do país.

Nos anos de transição para a democracia, a questão das regiões autônomas foi gerenciada cuidadosamente pelo governo.

Muitos também podem se perguntar qual seria a opinião dos líderes europeus mais poderosos, como a chanceler alemã Angela Merkel, sobre a questão catalã, dentro do contexto da crise econômica europeia.

E a resposta é que, provavelmente, Merkel não aprovaria a ideia de uma Espanha mais fragmentada e economicamente mais fraca.

Fonte: BBC Brasil

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Chávez confirma que pediu saída da Venezuela de órgão de direitos humanos da OEA


Por Renata Giraldi

Brasília – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que está na reta final da campanha à reeleição, confirmou que o governo formalizou o pedido para deixar a Comissão e a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em julho, ele havia anunciado a decisão, mas a medida foi formalizada apenas nesta semana. Pelas regras do órgão, a formalização deve ocorrer com um ano de antecedência até a conclusão do processo.

Para as autoridades venezuelanas, a Comissão e a Corte de Direitos Humanos da OEA não são isentas nem neutras nas avaliações que fazem. Nos últimos anos, o governo Chávez vem travando uma série de embates com os órgãos da OEA.

Chávez disse que a medida é uma reação às ações da OEA, que levantou dúvidas sobre o respeito e a preservação dos direitos humanos na Venezuela. “Espero que em algum momento nós tenhamos uma comissão séria e que possamos lutar com outros governos em defesa dos direitos humanos”, acrescentou.

Segundo o presidente venezuelano, seu governo é um defensor dos direitos humanos. “Nós aqui  lutamos o suficiente [em defesa] dos direitos humanos. Uma luta de mãos em punho em favor do nosso povo”, acrescentou ele, negando irregularidades e violações na área.

A Corte de Direitos Humanos da OEA condenou a Venezuela no caso envolvendo Raúl Diaz Peña, acusado de provocar ataques às embaixadas da Colômbia e Espanha, em Caracas, e ter ficado sem assistência do governo. Chávez rebateu a condenação, informando que todos os trâmites processuais foram respeitados e que agora Peña vive nos Estados Unidos.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, lamentou a formalização do governo venezuelano para deixar o órgão. Ele disse que tem esperança de Chávez reverter a decisão. Segundo Insulza,  a corte é um dos pilares das normas legais que abrange a defesa dos direitos humanos no continente.

Fonte: Agência Brasil

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Finanças na Grécia: Planos de recapitalização e consolidação bancárias

A muito esperada consolidação no setor bancário grego parece destinada a se realizar entre agora e o fim do ano, enquanto o governo se move para completar sua legislação sobre a recapitalização dos bancos “saudáveis”. As mudanças se destinam a deixar a Grécia com quatro grandes bancos comerciais inicialmente. No entanto, novas fusões são possíveis em 2013, depois que o Banco da Grécia realizar novos testes de estresse para garantir proporções de adequação de capital Tier 1 de pelo menos 10%.

O memorando de entendimento (MOU na sigla em inglês) original, que estabeleceu as condições para a Grécia receber empréstimos do primeiro resgate da União Europeia/Fundo Monetário Internacional acordado em maio de 2010, pedia diagnósticos dos balanços dos bancos gregos no final de 2010 e sua recapitalização em 2011. O processo foi adiado e os bancos ainda estavam se livrando de subsidiárias, comprando de volta a dívida híbrida e subscrevendo novas emissões de direitos quando foram atingidos pela desvalorização contábil de títulos do governo grego nas mãos do setor privado, em março de 2012. Isto reduziu sua base de ativos em agregados em cerca de 26 bilhões de euros, segundo o Banco da Grécia; entretanto, outras estimativas situaram o valor no dobro disso.

O segundo pacote de socorro da UE/FMI acordado em março de 2012 (mais uma vez ligado a um MOU) incluía 48,5 bilhões de euros para recapitalização na forma de títulos do fundo de resgate temporário da Zona do Euro, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF na sigla em inglês), que deverão ser transferidos para os bancos através do próprio fundo de resgate da Grécia, o Fundo Helênico de Segurança Financeira (HFSF). Destes, 25 bilhões de euros foram liberados e em 22 de maio o HFSF transferiu 18 bilhões em fundos “ponte” para os quatro principais bancos comerciais: Banco Nacional da Grécia ou NBG (7,43 bilhões de euros), Banco de Pireu (4,7 bilhões), EFG Eurobank (3,97 bilhões) e Alpha Bank (1,9 bilhões). O balanço foi mantido em reserva. Uma segunda alocação de 23,5 bilhões de euros seria incorporada em uma fatia de 31,5 bilhões de fundos marcados para desembolso até julho de 2012. Este, porém, estava sujeito a uma avaliação do cumprimento pela Grécia dos MOUs, a ser conduzida pela troica de credores internacionais — Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu (BCE). A avaliação foi adiada devido às duas eleições que ocorreram em maio/junho de 2012, e agora é esperada para até o fim deste mês.

Bancos controlados pelo Estado são “inviáveis”

A provisão de financiamento ponte não se estendeu aos dois principais bancos controlados pelo Estado, o Banco Agrícola da Grécia (ATE), em que o Estado detinha 90%, e o Hellenic Postbank (TT), em que o Estado tinha interesses diretos de 34% e indiretos de 10%. A alocação tampouco se estendeu ao Emporiki Bank ou o Geniki Bank, respectivamente propriedades do Crédit Agricole e do Société Generale (SocGen) da França, ou ao Banco de Chipre e o Banco Popular Helênico, ambos considerados bancos cipriotas apesar de fazerem uma porcentagem substancial de seus negócios na Grécia.

A troica recomendou que o ATE e o TT fossem privatizados e/ou fechados. O governo resistiu por causa da perda de potencial patrocínio e influência política através de empréstimos dirigidos. O exame forense de seus balanços, porém, concluiu que ambos eram inviáveis. No início de agosto, o ATE foi dividido em bancos “bom” e “ruim”, e seus ativos viáveis foram transferidos para o Banco de Pireu por um valor nominal de 95 milhões de euros, para cobrir custos administrativos. A licença bancária do ATE foi cancelada e o Estado assumiu a responsabilidade por empréstimos vencidos e agronegócios subsidiários, que deverão ser reestruturados ou liquidados. Em 29 de agosto, depois que o TT pediu uma quinta prorrogação para apresentar suas contas de 2011, o ministro das Finanças, Yannis Stournaras, disse ao Parlamento que o banco era “inviável”. No dia seguinte, o preço de sua ação na Bolsa de Atenas despencou 30%, antes que o pregão fosse suspenso. O governo ainda não declarou que rumo vai tomar com o TT, mas espera-se um procedimento comparável ao do ATE, com um dos grandes quatro bancos comerciais adquirindo seus depósitos e empréstimos vencidos. O governo também poderá tentar recapitalizar o TT usando fundos de resgate, dependendo de se e quando for liberada a próxima fatia do empréstimo.

Bancos estrangeiros recuam

O Crédit Agricole, que adquiriu o Emporiki em uma venda de privatização em 2006, tinha sofrido prejuízos repetidos em suas operações e colocou sua participação à venda. Ele recebeu ofertas do NBG, Alpha e EFG, e deveria fazer uma opção quando anunciasse os resultados do segundo trimestre em 28 de agosto. Estes foram adiados pelo menos até meados de setembro depois que o Banco da Grécia insistiu que o Crédit Agricole primeiro recapitalize o Emporiki, convertendo cerca de 5 bilhões de euros de financiamentos em ações, de modo que o peso não caia sobre o HFSF. A SocGen, que adquiriu o Geniki em uma venda de privatização em 2004, confirmou em 29 de agosto que discussões para vender o banco relativamente pequeno (capitalização no mercado de pouco menos de 150 milhões de euros) para o Banco de Pireu estavam em um “estágio avançado”. O Banco Popular Helênico está sendo socorrido pelo governo de Chipre, que nesse processo vai adquirir o controle. O Banco de Chipre busca se reestruturar sem a ajuda do Estado, mas um acordo para trocar sua base de ativos na Grécia com a do Alpha Bank em Chipre caiu quando a extensão de seus empréstimos vencidos foi revelada durante a devida diligência.

Depósitos se recuperam de uma base baixa e empréstimos continuam extremamente fracos

A fraca situação do setor bancário é salientada pela perda de depósitos durante a atual depressão econômica. Os bancos comerciais gregos viram seus depósitos privados domésticos caírem 36,5% entre o final de 2009 e junho de 2012 (de 237,2 bilhões para 150,6 bilhões de euros) antes de um pequeno estímulo de 2,2% para 153,9 bilhões de euros em julho. Em consequência, os empréstimos para famílias e empresas contraiu em todos menos um dos 20 meses até julho, caindo 9,1% para 234,4 bilhões de euros. O mercado interbancário esteve fechado para os bancos gregos e eles se tornaram quase exclusivamente dependentes de fundos do sistema euro. Inicialmente, isto se deu basicamente atravé““s das facilidades de descontos do BCE, mas este congelou o acesso e começou a reduzir sua exposição, forçando os bancos gregos a recorrer à Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) do Banco da Grécia. No final de julho, a dependência de fundos do sistema euro estava em 130 bilhões de euros — 24 bilhões do BCE (contra 74 bilhões em junho) e 106 bilhões do ELA (contra 62 bilhões em junho). A recapitalização reduziria essa dependência.

O processo de recapitalização

O HFSF deverá fazer suas injeções de capital na forma de ações preferenciais e títulos conversíveis contingentes (CoCos). As ações incluem um retorno garantido de 10% e dão ao HFSF um lugar no conselho, mas têm direitos de voto limitados a questões estratégicas como dividendos e venda de ativos. A intenção é restaurar a proporção de adequação do capital Tier 1 para 9% até o final de setembro e para 10% em 1º de julho de 2013. O HFSF vai manter seu investimento por dois anos (com uma possível prorrogação de dois). As ações então serão revendidas ao setor privado, com a preferência dada aos acionistas existentes, e qualquer lucro contabilizado como receita de privatização da estatal. O Parlamento votará os detalhes finais dos procedimentos em setembro, antes do relatório da troica sobre se autoriza a segunda metade do pacote de recapitalização. O Banco da Grécia realizará testes de estresse dos bancos receptores até junho de 2013. Se estes revelarem que as proporções de adequação do capital-meta ainda não foram atingidas, poderão ser necessárias fusões obrigatórias entre os quatro. Os analistas há muito tempo afirmam que o tamanho do mercado grego exige apenas dois, ou no máximo três, bancos comerciais.

Fonte: Carta Capital

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Assad diz que precisa de mais tempo para vencer a batalha

Em entrevista a um canal de TV da Síria, ele tentou passar confiança na vitória: “Definitivamente, precisamos de mais tempo para ter um desfecho decisivo, mas eu posso resumir em uma frase: estamos progredindo”.

Ele afirmou que a situação no país está melhor agora, mas declarou estar enfrentando “uma batalha tanto regionalmente, quanto internacionalmente”.

Sobre a deserção de militares e políticos do alto escalão, ele foi sarcástico ao classificar a saída como um ato de “auto-limpeza do governo, em primeiro lugar, e do país, em geral”.

Assad descartou a criação de áreas de ajuda humanitária na Síria e atribuiu a ideia aos inimigos do país.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, havia proposto uma “área segura”, que seria organizada pela ONU e serviria como refúgio e distribuição de auxílio humanitário.

Fonte: BBC Brasil

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