Assembleia Geral da ONU concede status de Estado Observador não membro à Palestina

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A Assembleia Geral decidiu conceder nesta quinta-feira (29) à Palestina o status de Estado Observador não membro nas Nações Unidas, ao expressar a necessidade urgente para a retomada das negociações entre Israel e os palestinos para uma solução de dois Estados permanentes.

A resolução sobre o status da Palestina na ONU foi aprovada por 138 votos a favor e nove contra, com 41 abstenções entre os 193 membros do organismo.

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“Nós não viemos aqui buscando deslegitimar um Estado estabelecido anos atrás, que é Israel; mas sim para afirmar a legitimidade do Estado que deve agora alcançar a sua independência, e que é a Palestina”, disse o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, à Assembleia Geral antes da votação.

Abbas observou que estava sendo demandado do mundo hoje a realização de um passo significativo no processo para corrigir a “injustiça histórica sem precedentes” contra o povo palestino desde 1948.

“Seu apoio para o nosso esforço de hoje”, disse ele, “irá enviar uma mensagem promissora – a milhões de palestinos na terra da Palestina, nos campos de refugiados, tanto na pátria quanto na diáspora, e para os prisioneiros que lutam pela liberdade em prisões de Israel – de que a justiça é possível e que há uma razão para ter esperança, e que os povos do mundo não aceitam a continuação da ocupação”.

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O Embaixador de Israel na ONU, Ron Prosor, disse que sua delegação não poderia aceitar a resolução de hoje. “porque esta resolução é tão unilateral, não faz avançar a paz, é um retrocesso”, afirmou, acrescentando que a paz só pode ser alcançada através de negociações.

“Não há apenas uma rota para um Estado palestino e essa rota não é executada através desta câmara, em Nova York. Essa rota é executada através de negociações diretas entre Jerusalém e Ramallah que conduzam a uma paz segura e duradoura entre israelenses e palestinos”, acrescentou. “Não há atalhos. Não há soluções rápidas. Não há soluções imediatas”.

Os israelenses e palestinos ainda têm de retomar as negociações diretas, interrompidas em setembro de 2010 depois que Israel se recusou a estender o congelamento da atividade de assentamento no território palestino ocupado.

“A votação de hoje destaca a urgência de uma retomada de negociações significativas”, disse o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, após o fim da votação. “Temos de dar um novo impulso aos nossos esforços coletivos para garantir que um Estado palestino independente, soberano, democrático, contíguo e viável viva lado a lado com um Estado de Israel seguro. Exorto as partes a renovar seu compromisso com uma paz negociada”, completou.

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O Presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremic, apelou aos “meus queridos amigos da Palestina e de Israel” para trabalhar pela paz, negociar com boa fé e, finalmente, ter sucesso em alcançar o acordo histórico.

“Eu não tenho dúvida de que a história vai julgar esse dia repleto de significado – mas se ele virá a ser visto como um passo na direção certa no caminho para a paz, isso vai depender de nós mesmos após este momento”, disse. “Vamos, portanto, ter a sabedoria para atuar em prol do objetivo que eu tenho certeza que todos nós compartilhamos.”

Na resolução, a Assembleia também expressou a esperança de que o Conselho de Segurança “considere favoravelmente” o pedido apresentado em setembro de 2011 pela Palestina por uma por uma associação plena como Estado-Membro.

A proposta palestina de ser membro pleno da ONU foi paralisada no ano passado, quando o órgão composto por 15 nações, responsável por decidir se deve ou não recomendar a admissão da Palestina pela Assembleia, disse que tinha sido “incapaz de fazer uma recomendação unânime”.

A ação de hoje vem no mesmo dia em que a ONU observou o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino. Estabelecido em 1977, o dia marca a data, em 1947, na qual a Assembleia Geral aprovou uma resolução que propôs a partilha da Palestina, prevendo dois Estados independentes – um árabe e um judeu – e um regime internacional especial para Jerusalém. O Estado de Israel acabou sendo criado em 1948. Um Estado árabe independente ainda está para ser estabelecido.

Saiba detalhes da questão da Palestina nas Nações Unidas na exposição online preparada pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) especialmente para a data: www.onu.org.br/palestina

Fonte: ONU-Brasil

IOF é ZERADO para operações de exportação

Esta foi a postura do Governo Federal diante da progressiva crise do dólar e da hostilidade do cenário internacional, imerso em uma ferrenha guerra cambial. Salve-se quem puder…

Veja o Decreto Presidencial que alteoru a alíquota do IOF:

DECRETO N° 7.699, DE 15 DE MARÇO DE 2012 – DOU de 16/3/2012

Altera o Decreto n° 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe conferem os arts. 84, inciso IV, e 153, § 1°, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei n° 5.143, de 20 de outubro de 1966, no Decreto-Lei n° 1.783, de 18 de abril de 1980, e na Lei n° 8.894, de 21 de junho de 1994, D E C R E T A :

Art. 1° O art. 32-C do Decreto n° 6.306, de 14 de dezembro de 2007, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 32-C. …………………………………………………………………….

…………………………………………………………………………………………….

§ 5° A alíquota fica reduzida a zero:

I – nas operações com contratos de derivativos para cobertura de riscos, inerentes à oscilação de preço da moeda estrangeira, decorrentes de contratos de exportação firmados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País; e II – nas demais operações com contratos de derivativos financeiros não incluídos no caput.

……………………………………………………………………………………………..

§ 11. Para fazer jus à alíquota reduzida de que trata o inciso I do § 5o, o valor total da exposição cambial vendida diária referente às operações com contratos de derivativos não poderá ser superior a 1,2 (um inteiro e dois décimos) vezes o valor total das operações com exportação realizadas no ano anterior pela pessoa física ou jurídica titular dos contratos de derivativos.

§ 12. Observado o limite de que trata o § 11, o disposto no inciso I do § 5o estará sujeito à comprovação de operações de exportação cujos valores justifiquem a respectiva exposição cambial vendida, realizadas no período de até doze meses subsequentes à data de ocorrência do fato gerador do IOF.

§ 13. Quando houver falta de comprovação ou descumprimento de condição de que tratam os §§ 11 e 12, o IOF será devido a partir da data de ocorrência do fato gerador e calculado à alíquota correspondente à operação, conforme previsto no caput, acrescido de juros e multa de mora.” (NR)

Art. 2° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 15 de março de 2012; 191° da Independência e 124° da República.

Fonte: Imprensa Nacional – D.O.U

IMF Executive Board Selects Christine Lagarde as Managing Director

Press Release No. 11/259
June 28, 2011

The Executive Board of the International Monetary Fund (IMF) today selected Christine Lagarde to serve as IMF Managing Director and Madame Chairman of the Executive Board for a five-year term starting on July 5, 2011. Ms. Lagarde, who succeeds Mr. Dominique Strauss-Kahn, is the first woman named to the top IMF post since the institution’s inception in 1944.

The selection of Ms. Lagarde by the 24-member Executive Board representing the IMF’s 187 member countries brings to conclusion the selection process initiated by the Executive Board on May 20, 2011 (see Press Release No. 11/191). According to the agreed procedures, the Board had agreed to meet with Mr. Agustín Carstens and Ms. Lagarde for the post. The candidates met bilaterally with Executive Directors, as well as the Executive Board, during June 20-23, 2011. In these meetings, Mr. Carstens and Ms. Lagarde had the opportunity to present all relevant information concerning their specific candidacies.

The Executive Board agreed that both were well qualified candidates and the objective was to select one by consensus. Based on the candidate profile that had been established, the Executive Board, after considering all relevant information on the candidacies, proceeded to select Ms. Lagarde by consensus. The Executive Board looks forward to Ms. Lagarde effectively leading the International Monetary Fund as its next Managing Director.

The Managing Director is the chief of the IMF’s operating staff and Chairman of the Executive Board. The chief executive is assisted by three Deputy Managing Directors in the operation of the Fund, which serves 187 member countries through about 2,700 staff from more than 140 countries.

Ms. Lagarde, 55, a national of France, has been the Minister of Finance of France since June 2007. Prior to that, she served as France’s Minister for Foreign Trade for two years. Ms. Lagarde also has had an extensive and noteworthy career as an anti-trust and labor lawyer, serving as a partner with the international law firm of Baker & McKenzie, where the partnership elected her as chairman in October 1999. She held the top post at the firm until June 2005 when she was named to her initial ministerial post in France. Ms. Lagarde has degrees from Institute of Political Studies (IEP) and from the Law School of Paris X University, where she also lectured prior to joining Baker & McKenzie in 1981.

Fonte: FMI

Entrevista com Eduardo Duhalde

Em entrevista ao jornalista Paulo Pandjiarjian, o ex-presidente da Argentina, Eduardo Duhalde fala sobre o futuro do MERCOSUL e a integração entre empresários argentinos, brasileiros, lusófonos e ibéricos

30/05/2011 – Paulo Pandjiarjian*

Paulo Pandjiarjian – Presidente Eduardo Duhalde, o senhor ocupou diversos cargos na vida pública argentina. Foi Deputado Nacional, Governador da Província de Buenos Aires, Vice-Presidente e Presidente Interino no período 2002-2003. Sua última responsabilidade institucional foi no MERCOSUL, entre 2003 e 2005, como Presidente da Comissão de Representantes Permanentes do MERCOSUL (CRPM). Hoje, encabeça uma organização empresarial – MPA – Movimento Produtivo Argentino. Permito-me iniciar o nosso debate, fazendo-lhes duas perguntas:

1 – Como a Argentina, como nação, foi atingida pela crise mundial que se alastrou no final do ano de 2008?

Eduardo Duhalde – maioria dos países, mas na Argentina foi reforçada com o esbanjamento de recursos que aconteceu nos últimos anos. Naufragou assim a revolução produtiva que iniciei e deixei nas mãos do casal Kirchner. Eu digo que foi o desperdício de recursos obtidos com o crescimento, porque as políticas foram implementadas com impostos regressivos sufocando a produção e criando desconforto nos produtores agrícolas, deixando o país de volta à beira do abismo.

Em contraste com o governo argentino, note que o presidente Lula acaba de lançar o Plano Agrícola e Pecuário 2009-2010, que prevê investimentos de cerca de 53 milhões de dólares. Lula também está considerando um novo modelo de financiamento para o setor, o que irá impedir problemas, como aqueles que os fazendeiros tinham para financiar seus negócios com a China. Ele também anunciou a criação de um fundo para dar garantias aos produtores em relação a condições climáticas adversas etc. Mas Lula vai além, porque com este plano de produção prepara seu país para quando os Estados Unidos e a Europa “acordarem”, porque ele sabe que ao acordar, vão querer comprar e o Brasil deve estar pronto para produzir, vender, ganhar dinheiro e fortalecer sua indústria. O governo do meu país está anos luz desse pensamento de Lula.

2 – O que o levou a liderar o MPA – Movimento Produtivo Argentino e o que o senhor espera desse congraçamento empresarial na Argentina?

Eduardo Duhalde – Eu pretendo terminar de construir o projeto de revolução produtiva que iniciei em meu governo e concluir esta tarefa para deixar na Argentina um modelo produtivo exportador conduzida pelo “think tank” da MPA. Apelamos a todas as linhas de produção e suas respectivas câmaras para construir este enquadramento estratégico, independentemente do segmento ideológico a que pertencem. Nosso movimento não faz política, mas o seu objetivo é a promoção de políticas produtivas.

Enquanto o MPA apóia todas as forças de produção, a fim de interpretar suas necessidades, também sabemos que temos um intenso trabalho educativo na sociedade, reformulando a idiossincrasia produtiva perdida. Os argentinos têm uma cultura diferente em relação ao Brasil. Desde a época de nossa colonização, fomos ensinados a importar tudo. Atualmente, dizem que é preferível abastecer o consumo interno a exportar.

Esse pensamento é parte da nossa cultura. Os países mais desenvolvidos, incluindo o Brasil, pelo contrário, têm crescido em outro rumo; baseando sua economia no eixo de maior produção e das exportações. Aqui, nós nunca conseguimos equilibrar o mercado interno com a exportação. A partir do MPA, o conceito que queremos imprimir na comunidade é o trabalho, promovendo a produção de conhecimento altamente competitivo e de exportação com valor agregado. Nossa organização tem claramente definidos objetivos, que se realizam através de diferentes departamentos. Na parte Acadêmica, por exemplo, são organizados seminários de treinamento de liderança para que os líderes sejam devidamente treinados antes de participar de um eventual governo. 

Do departamento de produção, a intenção é interagir com o mundo empresarial e seus órgãos representativos, trabalhando em ferramentas específicas, tais como formação, desenvolvimento de oportunidades de negócio etc., promovendo e facilitando o comércio regional, e assim por diante. 

Paulo Pandjiarjian – Quais são as intenções do MPA em relação ao Brasil e aos parceiros do MERCOSUL?

Eduardo Duhalde – Em minhas visitas e discussões com representantes dos setores produtivos e organizações da sociedade civil nos nossos países, eu recebi as mesmas preocupações, refletindo uma disposição sobre a necessidade de avançar em um projeto de integração com maior sustentabilidade. Às vezes, durante o meu mandato no MERCOSUL, falou-se da necessidade de criar um programa de capacitação de gestores públicos para superar as assimetrias resultantes da implementação efetiva de políticas públicas por parte das instituições nacionais. Hoje, estou convencido de que isto não pode ser alcançado a menos que existam também gestores e controladores dentro da esfera privada, para trabalhar em sinergia. Em apoio a isso, o MPA lançará em breve uma ferramenta de comércio para os países do MERCOSUL. Este é o primeiro território aduaneiro do MERCOSUL, para facilitar o comércio.

Este objetivo é parte de uma contribuição estratégica, como eu disse, para apoiar as nossas posições. Entendemos que, com essas ferramentas, e outras de entidades público-privadas, poderemos contribuir para as forças produtivas do MERCOSUL se fortaleçam. Este portal na Internet, por exemplo, propõe-se a ser uma vitrine virtual para todos os cidadãos do MERCOSUL, para que façam o upload de seus produtos e serviços de forma facilitada, para que outros países tenham uma referência específica do que é produzido pelo MERCOSUL e, sobretudo, tenham prova de nossa unidade produtiva. Tudo isso é parte de um plano global que irá desenvolver-se gradualmente com a participação de empresários e de cooperação financeira de instituições especializadas, não só nacionais, mas regionais, porque é um mecanismo para melhorar a relação de benefícios palpáveis para todos os países no processo de integração.

Paulo Pandjiarjian – O que o senhor espera dos diversos movimentos empresariais brasileiros em relação ao MPA?

Eduardo Duhalde – Ao longo da minha gestão no Mercosul, envidei grandes esforços com o objetivo de abrir novos espaços para o diálogo político e comercial. Visitei todos os países da Comunidade Andina de Nações, e acompanhei o presidente Lula da Silva à Índia e Emirados Árabes Unidos, como parte de uma excursão de autoridades brasileiras e empresários.  

Desde o início, eu levantei a necessidade de dar prioridade especial à questão do desenvolvimento equilibrado dos países do MERCOSUL.

É evidente que existem assimetrias estruturais. Mas eu acho que isso não é um trabalho isolado dos estados, mas acredito que os cidadãos do Mercosul devem participar mais e ajudar os nossos governos para a integração através de movimentos como o MPA e organizações produtivas e empresariais. Espero então que as organizações similares no Brasil e em outros países do Mercosul, juntem-se a nós para esse diálogo conjunto e com uma missão comum e uma visão unificada para tomada de decisão no âmbito do Grupo de Integração Produtiva (GIP), como parte de Conselho do Mercado Comum E que, a partir da esfera privada, se atinjam os progressos no fortalecimento de programas de comércio e competitividade, de forma a obter o máximo de vínculos produtivos entre os países. Isto feito, é certo que as forças de produção vão certamente ajudar a acabar com as assimetrias que temos hoje e o que é melhor, irão guiar o GIP em estabelecer as normas legais que os produtores tanto precisam para crescer.

Paulo Pandjiarjian – Essa entrevista será publicada nos portais RCLP – Rede Colaborativa da Língua Portuguesa e RCLE – Rede Colaborativa da Língua Espanhola, atingindo empresários lusófonos e ibéricos. Como o empresariado argentino e brasileiro podem interagir, primeiramente entre si e, posteriormente, com os mercados lusófono e ibérico?

Eduardo Duhalde – Em minha posição no MERCOSUL, propus aos Chefes de Estado uma agenda de trabalho comum. Hoje, a partir do MPA, propomos também aos agentes de produção do MERCOSUL uma agenda comum, a fim de obter economias de escala que estimulem o crescimento. A partir do MPA, que pretende ligar as PME a parques industriais, como os parques do Brasil, pretendemos atender a demanda de outros blocos econômicos do mundo.

Estou convencido de que a produtividade planejada eliminará as assimetrias. Esta primeira etapa é substancial. O próximo passo é garantir que a oferta exportável estará em níveis competitivos exigidos pelas diretrizes da UE e outros mercados; por isso, trabalhamos também no desenvolvimento dos nossos produtos com os melhores  especialistas. Então, certamente os dois canais – ibérico e lusófono – podem fazer a sua parte, abrindo-nos melhor do que ninguém as portas dos acordos preferenciais da EU.  

Paulo Pandjiarjian – Se fosse convidado a se candidatar novamente, gostaria de retornar à vida pública?

Eduardo Duhalde – Estive à frente daArgentina, na pior crise da sua história. Quando deixei o governo, as chamas estavam apagadas, mas o fato de ter renunciado à minha futura ação pública para abrir caminho para uma nova liderança, não significa que deva renunciar à minha opinião e esforço para fazer chegar ao governo argentino os candidatos do meu partido mais qualificados e adequados para que terminem a revolução produtiva que iniciamos.  

Paulo Pandjiarjian – Que mensagem gostaria de deixar aos empresários brasileiros, lusófonos e ibéricos?

Eduardo Duhalde – Aos empresários, tranqüilizá-los que o MPA fará todo o possível para trazer a relação comercial com a Argentina a um nível de crescimento do comércio. Aos empresários ibéricos e lusófonos, especialmente, as minhas saudações e felicitações, porque sabemos que não pouparam esforços para contribuir para a integração da União Européia, que nasceu em uma época de crise profunda, primeiro com a decisão dos seus dirigentes e que continuou após o esforço produtivo da comunidade. Gostaria muito que ambas as comunidades, por estarem fortemente ligados com ambos os países – Argentina e Brasil -, possam se tornar a ponte para o MERCOSUL como bloco regional, a fim de desenvolver melhor o comércio com a UE.

Fonte: Incorporativa

Acordo: há esperanças?

O Comitê de Negociações Birregionais Mercosul e União Europeia esteve reunido em Assunção, Paraguai, no início deste mês. O objetivo foi apresentar as ofertas de cada grupo que permitam viabilizar a área de livre-comércio entre as duas regiões. De posse dessas ofertas, os negociadores voltaram a seus países para uma avaliação final e, em julho, o acordo será selado em Bruxelas. Os sinais, porém, é o de que estamos longe desse “final feliz”. -

No ano de 1999 foram iniciadas as negociações para um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Depois datroca de listas para abertura do comércio de mercadorias, além de demandas européias nos setores de serviços e compras governamentais, as negociações chegaram a um impasse em 2004. Ambas as partes consideraram que as concessões obtidas eram insuficientes para fecharem um acordo.

Em maio de 2010, a Comissão Europeia surpreendeu os governos dos países do Mercosul ao propor a re-abertura das negociações. Os efeitos da recessão de 2008 ainda se faziam sentir na maior parte dos países europeus e o cenário mundial era incerto. O fracasso de Doha pode ser invocado como uma das motivações para o interesse europeu. A crescente importância dos grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, nas negociações sobre o sistema multilateral seria outra. No entanto, esses não seriam os únicos motivos.

O Brasil acumula superávits comerciais com a União Europeia desde 2000. No ano de 2010, o valor do saldo comercial foi de US$ 4 bilhões. Menor do que com a China que foi de US$ 5,2 bilhões ou a América Latina e Caribe, US$ 17,2 bilhões, mas superior ao déficit com os Estados Unidos no valor de US$ 7,8 bilhões. Em recente boletim divulgado pela Eurostat (Statistics in Focus 17/2010 em http://epp.eurostat.ec.europa.eu/), é expressa a preocupação com o déficit dos países europeus com o Brasil. A questão não é o valor, mas a sua evolução.

Entre os anos de 2000 e 2008, a participação do Brasil nas importações extrabloco da União Europeia de carne e suas preparações cresceram de 29% para 35%, a de celulose e papel de 13% para 30%, de sementes oleaginosas de 32% para 41% e a de minérios de 13% para 19%. No total, a participação do Brasil nas importações totais extrabloco aumentaram de 1,9% para 2,3% entre 2000 e 2008. Enquanto isso, a participação do Brasil nas exportações extrabloco se mantiveram constante em 2%. O crescimento, quando ocorreu foi pequeno, como no caso de automóveis de 2,2% para 2,4% ou manufaturas de metais de 2,1% para 2,5%. Por outro lado, caiu de 3,4% para 2,9%, a participação nas importações de máquinas.

As exportações europeias para o Brasil emitem sinais de pouco dinamismo. A crescente importância da China como fornecedora de máquinas e equipamentos na região contribui para esse resultado. Logo, num cenário de acirrada concorrência, o mercado das grandes economias sul-americanas, como o Brasil, merece atenção, mesmo que a participação no comércio total extrabloco seja pequena. Além disso, na região, os países do Mercosul Venezuela e Equador são os únicos que ainda não assinaram acordos, quer seja com os Estados Unidos ou a União Europeia. A possibilidade de um acordo entre o Mercosul e os Estados Unidos parece remota no momento. Não existe nenhuma declaração formal nesse sentido. No caso da União Europeia, existe o arcabouço institucional e as negociações foram retomadas. As perspectivas, entretanto, são pessimistas.

A visita de uma Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com os países do Mercosul, na última semana de abril para mostrar o empenho europeu para o término da negociação não conseguiu ofuscar a resistência dos setores agrícolas. Não foi por acaso que a Copa-Cogeca (Comitê que reúne os produtores e as cooperativas agrárias) apresentou no dia 2 de maio no Parlamento Europeu, um estudo que prevê perdas de até 13 bilhões se o acordo for assinado. O setor de carnes europeu é um dos que mais sofreria. Além disso, o estudo ressalta que a produção de carne nos países do Mercosul não atenderia aos requisitos e padrões técnicos exigidos na Europa para assegurar o desenvolvimento sustentável e levariam a um aumento da emissão de gás carbônico. Soma-se à resistência já esperada dos setores agropecuários, a recuperação lenta e incerta na maioria dos países europeus. Não é um cenário propício.

Do lado de cá, a valorização cambial funciona como um choque de redução de tarifas de importações para os setores industriais brasileiros. Uma oferta generosa para os europeus – na negociação seriam prazos curtos para o livre acesso ao mercado brasileiro de bens industriais – não deverá estar presente na mesa de negociações. Logo, mesmo na presença extremamente improvável de uma concessão que atenda plenamente os interesses agropecuários do Brasil, os setores industriais deverão demandar cronogramas mais lentos de liberalização comercial. Não são, portanto, apenas as medidas protecionistas da Argentina, como mencionou o Comissário de Comércio da União Européia (citado em artigo do jornal argentino La Nación de 4 de maio deste ano) que são um dos principais obstáculos para o acordo Mercosul e a União Europeia, no momento.

Logo, a não ser que haja fatos novos surpreendentes, ou se fechará um acordo de alcance reduzido para alguns setores ou, o mais provável, quem sabe em 2012 a “bicicleta das negociações” chega à reta final.

Fonte: DCI

O império de Washington subiu no telhado

“Em mundo multipolar de novas potências, com Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília”…

O ‘império’ dos EUA, de autocratas, aristocratas e ditadores militares, subiu no telhado

24/4/2011, Alfred W. McCoy e Brett Reilly, no TomDispatch

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

Num dos mais bem-vindos movimentos das forças da história, a justaposição de dois extraordinários eventos deixou a nu a arquitetura do poder global dos EUA, e todos afinal podem vê-la. Em novembro do ano passado, WikiLeaks fez chover sobre o mundo quantidades diluvianas de telegramas diplomáticos, recheados dos mais abusivos comentários formulados por diplomatas dos EUA sobre governantes de todo o planeta, da Argentina ao Zimbabwe, e estampados nas primeiras páginas dos jornais. Em seguida, poucas semanas depois, o Oriente Médio explodiu em manifestações pró-democracia e contra ditadores, muitos dos quais aliados íntimos dos EUA, alianças sobre as quais os telegramas publicados por WikiLeaks não deixam dúvidas.

De repente, viu-se o esqueleto da ordem mundial construída pelos EUA e que depende significativamente de líderes nacionais que são “elites subordinadas” fiéis a Washington, mas que, de fato, não passam de bando sortido de autocratas, aristocratas e militares ditadores. Quando se viram os aliados, viu-se também a lógica mais ampla, que quem não visse jamais conseguiria explicar, que preside todas as decisões de política exterior dos EUA ao longo de meio século.

Por que a CIA se arriscaria, em 1965, no auge da Guerra Fria, em operações como derrubar líder prestigiado como Sukarno na Indonésia, ou por que encorajaria o assassinato do católico Ngo Dinh Diem em Saigon em 1963? A resposta – à qual afinal se chega agora, graças às publicações de WikiLeaks e ao “despertar árabe” – é que nos dois casos tratava-se de subordinados selecionados por Washington, os quais, de repente, se insubordinaram e tornaram-se descartáveis.

Por que, meio século depois, Washington trairia todos os seus princípios democráticos declarados e apoiaria o presidente do Egito Hosni Mubarak contra milhões de egípcios nas ruas, só para, quando já não havia como mantê-lo no comando, indicar para substituí-lo, pelo menos no primeiro momento, o seu chefe de segurança Omar Suleiman, conhecido como chefe dos serviços de tortura que eram arrendados aos serviços de tortura de Washington? A resposta é que os dois eram também subordinados selecionados por Washington, que serviam bem aos interesses dos EUA em estado considerado chave no Oriente Médio.

Em todo o Grande Oriente Médio, da Tunísia e Egito ao Bahrain e Iêmen, manifestantes democráticos, nas ruas ameaçam varrer do mapa todas as elites subordinadas, consideradas crucialmente necessárias para manter o poder dos EUA. Sempre foi assim: todos os impérios modernos dependeram de delegados que traduzissem o poder global em termos de controles locais. Mas, quando aquelas elites locais começaram a dar sinais de interesse em implantar agendas próprias, o colapso dos impérios começou a aparecer nas cartas.

Assim como as “revoluções de veludo” que varreram o leste europeu em 1989 tocaram as trombetas do fim do império soviético, assim também as “revoluções do jasmim” que se espalham pelo Oriente Médio podem bem estar sinalizando o começo do fim do poder global dos EUA.

Militares no comando

Para entender a importância das elites locais, é preciso considerar os primeiros dias da Guerra Fria, quando uma Casa Branca desesperada procurava alguma coisa, qualquer coisa, que tivesse qualquer mínima chance de deter o que Washington via como sentimento pró-comunistas e antiamericano no mundo. Em dezembro de 1954, o Conselho de Segurança Nacional reuniu-se na Casa Branca e traçou uma estratégia para domar todas as forças nacionalistas mais poderosas que se constituíam, naquele momento, em todo o mundo.

Na Ásia e na África, meia dúzia de impérios europeus que até então haviam garantido a estabilidade da ordem global por mais de um século estavam-se pulverizando, dando origem a cem novas nações, muitas das quais – do ponto de vista de Washington – suscetíveis de serem cooptadas pela “subversão comunista”. Na América Latina, o problema era o avanço da oposição de esquerda, entre as massas urbanas que não paravam de crescer e entre os camponeses sem terra.

Depois de examinar as “ameaças” que se formavam contra os EUA na América Latina, o influente Secretário do Tesouro George Humphrey declarou aos seus colegas do Conselho de Segurança Nacional que todos parassem “de falar tanto em democracia” e cuidassem, imediatamente, de “apoiar ditaduras de direita que tivessem políticas pró-EUA”. Foi quando, em momento de brilhante insight estratégico, Dwight Eisenhower interrompeu, para observar que Humphrey dizia, de fato, que todos passassem a raciocinar em temos de “Tudo bem, se for o nosso filho da puta”.

É momento histórico para nunca esquecer, porque o presidente dos EUA acabava de articular, com clareza cristalina, o princípio constitutivo do sistema de dominação global que Washington implementaria daquele dia em diante e pelos 50 anos seguintes: trocar qualquer princípio democrático por uma dura realpolitik de apoiar qualquer líder que apoiasse os EUA. E assim se construiu uma rede planetária de líderes nacionais (muitas vezes também nacionalistas) dispostos a por as necessidades de Washington acima de qualquer necessidade local.

Durante a Guerra Fria, os EUA favoreceram ditadores militares na América Latina, ditadores aristocráticos no Oriente Médio e uma mistura de democratas e ditadores na Ásia. Em 1958, golpes militares na Tailândia e no Iraque repentinamente viraram os holofotes para os militares do Terceiro Mundo, exibindo-os como forças às quais os EUA poderiam recorrer e com as quais poderiam contar. Foi quando o governo Eisenhower decidiu trazer líderes militares estrangeiros para treiná-los nos EUA e, assim, facilitar “o gerenciamento” das forças de mudança geradas pelo desenvolvimento daquelas nações emergentes. Dali em diante, Washington faria jorrar ajuda militar para cultivar os exércitos dos aliados e possíveis aliados em todo o planeta, ao mesmo tempo em que “missões de treinamento” seriam usadas para construir laços cruciais entre militares dos EUA e oficiais dos exércitos em todo o mundo; e, onde as elites subordinadas não parecessem suficientemente subordinadas, para ajudar a identificar líderes alternativos.

Nos casos em que presidentes civis se insubordinassem, entraria em ação a CIA, promovendo golpes que poriam no poder governos militares confiáveis – substituindo o primeiro-ministro do Irã Mohammad Mossadeq, que tentou nacionalizar o petróleo iraniano, pelo general Fazlollah Zahedi (então o jovem Xá) em 1953; o presidente Sukarno, pelo general Suharto na Indonésia na década seguinte; e, claro, o presidente Salvador Allende pelo general Augusto Pinochet no Chile em 1973, para citar apenas esses três casos.

Nos primeiros anos do século 21, a confiança de Washington nos militares nos seus estados-clientes só aumentou. Os EUA entregavam 1,3 bilhões de dólares ao ano ao Egito, como ajuda militar, e investiam só 250 milhões de dólares em programas de desenvolvimento econômico do país. Resultado disso, quando as manifestações populares sacudiram as bases do regime no Cairo em janeiro passado, os EUA imediatamente pensaram em uma “transição pacífica” com troca de generais. Nas palavras do New York Times, “investimento de 30 anos que rendeu bons dividendos, quando generais dos EUA e agentes de inteligência conheciam todos os nomes cogitados para formar um novo governo, amigos e colegas com os quais trabalharam e serviram”. “Transição pacífica”, no Egito, com apoio do exército, para manter a ditadura militar.

Em outros locais no Oriente Médio, Washington, desde os anos 1950s, sempre acompanhou a preferência britânica por aristocratas árabes, cultivando aliados como um Xá (no Irã), vários sultões (Abu Dhabi, Oman), vários emires (Bahrain, Kuwait, Qatar, Dubai), vários reis (Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos). Em toda essa região vasta e volátil, do Marrocos ao Irã, Washington cortejou regimes monárquicos aos quais ofereceu alianças militares, sistemas de armas norte-americanos, apoio da CIA para a segurança local, paraíso seguro nos EUA para o dinheiro daquelas monarquias, e favores especiais às elites locais, entre as quais estudo e formação acadêmicas para os príncipes e nobres, com livre acesso às universidades norte-americanas ou escolas de formação de militares do Departamento de Defesa em todo o planeta.

Em 2005, a secretária de Estado Condoleezza Rice fez patético resumo de todo esse trabalho: “Há 60 anos, os EUA procuram a estabilidade à custa da democracia no Oriente Médio. Não conseguimos nem uma, nem outra”.

Mas, antes, funcionava…

Os EUA não são a primeira potência a construir poder imperial baseado em laços pessoais com líderes locais. Nos séculos 18 e 19, a Grã-Bretanha reinou sobre os oceanos (como os EUA depois reinariam nos céus), mas, em terra, como todos os impérios passados, tudo sempre dependeu de alianças locais que servissem de representantes locais, para o controle direto, local, das sociedades humanas, sempre mais voláteis que céus e mares. Não fosse assim, como, em 1900, uma nação insular, de apenas 40 milhões de almas, com exército de apenas 99 mil soldados, comandaria um império global de 400 milhões de seres humanos, quase um quarto de toda a humanidade?

De 1850 a 1950, a Grã-Bretanha controlou suas colônias formais mediante uma extraordinária rede de aliados locais – dos chefes das ilhas Fiji e sultões da Malásia a maharajas indianos e emires africanos. Simultaneamente, mediante elites subordinadas, os britânicos controlavam um “império informal” ainda mais amplo, que incluía imperadores (de Pequim a Istanbul), reis (de Bangkok ao Cairo) e presidentes (de Buenos Aires a Caracas). No auge, em 1880, o império informal britânico na América Latina, Oriente Médio e China era maior, em população, que as colônias formalmente ligadas à ‘metrópole’ na Índia e na África. Todo esse gigantesco império global, sobre cerca de metade de todos os seres humanos sobre o planeta, dependeu, sempre, de frágeis laços de cooperação com as elites locais.

Mas repentinamente, depois de 400 anos de ininterrupta expansão imperial, os cinco maiores impérios europeus de ultramar foram varridos do mapa, em apenas 25 anos de descolonização. Entre 1947 e 1974, os impérios belga, britânico, holandês, francês e português sumiram da Ásia e da África, dando lugar a uma centena de novas nações, das quais mais de 50 são hoje estados soberanos. À caça de explicação para mudança tão rápida e tão radical, muitos especialistas concordam com Ronald Robinson, historiador do império britânico, autor de famosíssima frase: “quando somem os seus governantes indígenas, os impérios morrem”.

Durante a Guerra Fria que coincidiu com essa era de rápida descolonização, as duas superpotências globais voltaram aos mesmos métodos e usaram com regularidade suas respectivas agências de espionagem para manipular os governos dos novos estados independentes. A KGB da URSS e suas agências delegadas, como a Stasi na Alemanha Oriental e a Securitate na Romênia forçaram uma uniformidade política entre os 14 estados satélites soviéticos na Europa do Leste e desafiaram os EUA, em todos os estados leais aos norte-americanos no Terceiro Mundo. Simultaneamente, a CIA monitorou de perto a lealdade de seus presidentes, autocratas e ditadores nos quatro continentes, com golpes, suborno e penetração nos serviços de segurança nacionais e, sempre que necessário, derrubaram governos inconvenientes.

Numa era de sentimento nacionalista, contudo, a lealdade das elites locais mostrou-se assunto mais complexo do que se esperava. Muitas daquelas elites eram arrastadas por lealdades conflitivas e muitas vezes por sentimentos arraigados de nacionalismo, o que obrigava os EUA a vigiá-las de perto. Aquelas elites eram tão criticamente importantes e qualquer insubordinação implicava questões tão amplas, que a CIA passou a trabalhar rotineiramente em operações clandestinas para ‘mantê-las em rota’, operações que geraram algumas das maiores crises da Guerra Fria.

Ante o crescimento da crise em seu sistema global de controle no mundo de depois da II Guerra Mundial, restaram poucas alternativas a Washington, além de trabalhar com fantoches locais os quais – mesmo que em posições mais fracas – ainda tentavam maximizar o que viam como interesse nacional de suas nações (tanto quanto viam como seu interesse mais diretamente pessoal). Mesmo no auge do poder global dos EUA, nos anos 1950s, quando a dominação norte-americana ainda não enfrentava desafios graves, Washington foi forçada a barganhar com alguns líderes locais, como, por exemplo, Raymond Magsaysay nas Filipinas, o ditador sul-coreano Syngman Rhee e com Ngo Dinh Diem no Vietnã do Sul.

Na Coreia do Sul, nos anos 1960s, por exemplo, o general Park Chung Hee, então presidente, condicionou o uso de tropas de seu país a bilhões de dólares para investimento – primeiro passo do que seria depois o “milagre” econômico sul-coreano. No processo, Washington pagou e obteve o que mais queria: 50 mil soldados e mercenários coreanos, para sua guerra no Vietnã, cada dia mais impopular.

No mundo pós-Guerra Fria

Depois de derrubado o Muro de Berlim em 1989, o que marcou o fim oficial da Guerra Fria, Moscou rapidamente perdeu seus estados-satélites, da Estônia ao Azerbaidjão, à medida que estados leais aos soviéticos saltavam do barco imperial que naufragava. Para Washington, que se sentiu “vitoriosa” e já se preparava para ocupar o lugar de “única superpotência” no planeta, começaria ali processo idêntico, mas um pouco mais lento.

Ao longo das duas décadas seguintes, a globalização gerou um sistema multipolar de potências emergentes em Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília – ao mesmo tempo em que um poder desnacionalizado e corporativo reduzia a dependência das economias em desenvolvimento, que deixavam cada dia mais de depender de um único estado, por mais ‘imperial’ que quisesse ser. Com sua capacidade para controlar elites pelo mundo cada dia menos efetiva, Washington teve, então de encarar a concorrência política e ideológica do fundamentalismo islâmico, dos sistemas de regulação da União Europeia, do capitalismo de Estado chinês e de uma onda crescente de nacionalismo econômico na América Latina.

Na medida em que o poder de influência dos EUA declinava, as tentativas de Washington para controlar suas elites subordinadas locais pelo mundo começaram a falhar, algumas vezes espetacularmente. O caso mais espetacular de fracasso desse tipo foi o golpe tentado para depor Hugo Chavez da Venezuela, fracasso, de fato, retumbante, em 2002. Outro caso, a tentativa de tirar da órbita soviética a Georgia do aliado Mikheil Saakashvili em 2008. E, isso, sem falar na nêmesis de Washington, Mahmoud Ahmadinejad, que enfrentou tentativa de golpe nas eleições de 2009 no Irã e lá continua, até hoje. Onde, antes, sempre bastaram os golpes da CIA ou muito dinheiro, foi necessário, no governo Bush, toda uma massiva invasão militar, com guerra, para tirar do posto um único adversário, ditador ex-aliado que, de repente, começara a criar problemas, Saddam Hussein. E mesmo assim, os EUA viram bloqueados seus planos para “troca de regime” na Síria e no Irã, quando esses dois estados contribuíram para criar uma guerrilha devastadora contra as forças dos EUA, dentro do Iraque.

Do mesmo modo, apesar dos bilhões de dólares consumidos em ajuda externa, Washington ainda não conseguiu controlar o presidente que os próprios norte-americanos puseram no poder no Afeganistão, Hamid Karzai, que, em resposta memorável aos enviados norte-americanos que não lhe davam sossego, disse que “Se querem um fantoche para chamar de parceiro, nada feito. Se querem um parceiro, sim, podemos conversar.”

Depois, no final de 2010, WikiLeaks começou a publicar aqueles milhares de telegramas diplomáticos dos EUA que abrem via ampla, sem qualquer controle ou censura, para que se veja, ‘ao vivo’, o enfraquecimento do poder de Washington, que já não domina o sistema de poder delegado que construiu e no qual muito investiu durante 50 anos. Ao ler aqueles documentos, o jornalista israelense Aluf Benn do jornal Haaretz, viu “a queda do império americano, o declínio de uma superpotência que comandou o mundo com seu exército e supremacia econômica.” Nunca mais, escreveu ele “os embaixadores dos EUA serão recebidos nas capitais do planeta como ‘altos comissários’. São vistos hoje como o que hoje são: burocratas cansados, que consomem seus dias ouvindo tediosamente o que não querem ouvir, cada interlocutor empenhado em seu discurso próprio, sem jamais conseguirem convencer os interlocutores locais sobre quem é a superpotência e quem é o estado-cliente.”

É verdade. O que os documentos publicados por WikiLeaks mostram é um Departamento de Estado que labuta para manter um sistema global indisciplinável, de elites locais cada dia mais insubordinadas; um Departamento de Estado que usa de todos os meios – que se serve da mais pura intriga tentando recolher informação e inteligência, de gestos de amizade para tentar obter alguma solidariedade, de ameaças para obrigar a cooperar e que desperdiça bilhões de dólares para comprar uma influência que nunca é suficiente. No início de 2009, por exemplo, o Departamento de Estado instruiu suas embaixadas em todo o mundo a agir como polícia imperial para recolher informação sobre líderes locais, inclusive “endereços de e-mail, números de telefones e faxes, impressões digitais, fotos, DNA e imagens SCAN da íris”.

Não há evidência mais clara de que, como qualquer subgovernador de colônia periférica, o Departamento de Estado depende hoje de informação de algibeira para incriminar adversários, do que a ordem, do Departamento de Estado à embaixada do Bahrain, para que reunisse detalhes sórdidos sobre os príncipes coroados do reino, que os comprometessem aos olhos de uma sociedade islâmica. Textualmente: “O que sabemos que incrimine os príncipes? Algum deles bebe álcool? Usa drogas?”

Com arrogância de quem foi enviado do império até anteontem, os diplomatas dos EUA ainda se autoconsideram senhores de todo o poder e descartam “os turcos neo-otomanos que aparecem pelo Oriente Médio e os Bálcãs”. Ou supõem que conheçam todas as fraquezas das elites subordinadas, como, por exemplo, “a loura voluptuosa que presta serviços de enfermagem ao coronel Muammar Gaddafi”, ou o “medo pânico” que os golpes militares inspiram ao presidente do Paquistão Asif Ali Zardari, ou sobre os 52 milhões de dólares “de fundos roubados” na conta do vice-presidente Ahmad Zia Massoud, do Afeganistão.

Mas, à medida que sua influência declina, Washington está descobrindo que muitos de seus aliados selecionados a dedo nas elites locais ou se tornam cada vez menos controláveis ou cada vez mais irrelevantes, sobretudo no estratégico Oriente Médio. Em meados de 2009, por exemplo, o embaixador dos EUA na Tunísia relata que “o presidente Ben Ali… e seu governo perderam qualquer contato com o povo tunisiano” e dependem “da polícia para controlar o povo”, ao mesmo tempo em que “a corrupção cresce nos círculos mais íntimos do poder” e “aumentam os riscos de instabilidade do regime, para o longo prazo”. Pois mesmo assim, o enviado dos EUA só recomenda que Washington “desconsidere a crítica popular” e passe a confiar “na sinceridade das informações que se obtêm nos altos círculos” – exatamente a mesma política que não produziu reforma alguma, até que as ruas derrubaram o ditador, apenas 18 meses depois dessa informação ‘de inteligência’.

Assim também , no final de 2008, a embaixada dos EUA no Cairo temia que “a democracia egípcia e os esforços de defesa dos direitos humanos estão sendo sufocados”. Mas, como disse a própria embaixada, “nada parece sugerir que se venha a assistir a complicações para os interesses regionais dos EUA, no caso de os laços entre EUA e Egito virem a ser gravemente enfraquecidos”. Quando, poucos meses depois, Mubarak visitou Washington, a Embaixada do Cairo insistiu para que a Casa Branca “restaure o senso de calorosa amizade que tradicionalmente caracterizou a parceria EUA-Egito”. E por isso, em junho de 2009, apenas 18 meses antes de Mubarak ser derrubado, o presidente Obama saudou seu ditador tão útil como “aliado confiável, um pilar de estabilidade e bonança na Região”.

Enquanto a crise na praça Tahrir no Cairo só fazia crescer, um respeitado líder da oposição, Mohamed ElBaradei, reclamava amargamente que Washington “está empurrando todo o mundo árabe na direção da radicalização, com essa política inábil de apoiar a repressão”. Depois de 40 anos de domínio dos EUA, o Oriente Médio, disse ele, não passava de “um punhado de estados fracassados que nada acrescentam à humanidade ou à ciência” porque “as pessoas são ensinadas a não pensar nem agir e, consistentemente, recebem educação inferior.”

Dado que não há guerra global capaz de simplesmente varrer do mundo um império, o declínio de uma grande potência sempre é lento, doloroso processo de esgotamento. Além das duas guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que se aproximam de alguma coisa que mais parece derrota que vitória, o capital do império vê-se atacado por grave crise fiscal, a moeda do reino perde valor de troca, e aliados de muito tempo constroem laços econômicos e até militares com a rival China. A tudo isso, impossível não acrescentar a possível perda de leais delegados em todo o Oriente Médio.

Há mais de 50 anos, Washington aproveita-se de um sistema global de poder baseado em elites locais subordinadas. Esse sistema facilitou a expansão da influência norte-americana por todo o mundo, com surpreendente eficácia e (em termos relativos) satisfatória economia de forças. Hoje, esses aliados leais já mais se parecem império desconexo, ou estados abertamente insubordinados. Make no mistake, como gosta de dizer o presidente Obama, que ninguém se engane: o fim de meio século de laços do velho tipo, indica, claramente, que Washington subiu no telhado.
Fonte: Viomundo

Em meio a nova onda anti-nuclear, Ucrânia marca 25 anos de acidente de Chernobyl

Ucraniano acende vela em homenagem aos bombeiros mortos no acidente de Chernobyl

A Ucrânia marca nesta terça-feira os 25 anos do maior acidente nuclear da História, na usina de Chernobyl, em uma cerimônia com os presidentes ucraniano, Viktor Yanukovych, e da Rússia, Dmitry Medvedev.

O aniversário do acidente ocorre em meio a uma onda global de protestos contra o uso de energia nuclear, provocada pelo recente desastre na usina de Fukushima, no Japão, atingida pelo terremoto seguido de tsunami do dia 11 de março.

A explosão do reator 4 da usina de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, matou pelo menos 30 pessoas de forma quase imediata e gerou uma nuvem radioativa que se espalhou pela Europa.

Um grande número de pessoas, até hoje não determinado, morreu posteriormente por problemas gerados pela radiação ou tiveram graves problemas de saúde.

Na época do acidente, a Ucrânia fazia parte da então União Soviética, que foi acusada de esconder o problema por vários dias, aumentando os danos provocados pelo desastre.

O acidente forçou a retirada de centenas de milhares de pessoas de suas casas na Ucrânia, no oeste da Rússia e em Belarus.

Até hoje vigora uma zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da usina.

Os engenheiros soviéticos tamparam o reator 4 da usina com um revestimento de concreto para limitar o vazamento radioativo. Após 25 anos, porém, uma nova camada de proteção é necessária.

No mês passado, uma conferência de doadores em Kiev, capital da Ucrânia, conseguiu arrecadar 550 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão) dos 740 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão) necessários para a construção da nova cobertura e de tanques de armazenamento para combustível nuclear gasto.

Críticas

O 25º aniversário do acidente de Chernobyl ocorre menos de dois meses após a usina Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, ter sido severamente danificada pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11 de março, reforçando as campanhas globais contra o uso da energia nuclear.

Os operadores da usina de Fukushima, a Tepco (Tokyo Electric Power Co.), também foram criticados por não divulgar rapidamente informações sobre o vazamento de radiação no local.

O presidente da Rússia, antes de embarcar para a Ucrânia, afirmou que deve haver mais transparência durante as emergências nucleares como em Chernobyl ou em Fukushima.

“Acho que nossos Estados modernos precisam ver a principal lição do que ocorreu em Chernobyl e da mais recente tragédia japonesa como a necessidade de contar a verdade às pessoas”, disse ele em um encontro no Kremlin com sobreviventes do desastre de 1986.

Medvedev, Yanukovich e o patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Kirill, participam de uma cerimônia em Kiev antes de visitar o local da usina em Chernobyl nesta terça-feira.

Protestos

Na segunda-feira, milhares de pessoas participaram de protestos na França e na Alemanha pedindo o abandono do uso da energia nuclear.

Um dos principais protestos ocorreu na Pont de l’Europe, que liga a França e a Alemanha sobre o rio Reno, entre as cidades de Estrasburgo, na França, e Kehl, na Alemanha.

“Chernobyl, Fukushima, nunca mais”, pediam os manifestantes com cartazes e gritos de guerra.

Em meio a sons de sirenes, os manifestantes jogaram flores no rio e deitaram no chão sobre a ponte, numa “morte coletiva” simbólica.

Na Índia, uma grande manifestação foi programada para Jaitapur, em protesto contra os planos de construir um sexto reator para a usina nuclear instalada no local.

A campanha contra a ampliação da usina, na costa oeste da Índia, ganhou força após o desastre em Fukushima.

Fonte: BBC Brasil

Brasil quer proteger Mercosul da China

São Paulo – O comércio entre o Brasil e os demais países que compõem o Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) permanece superavitário para os empresários brasileiros em US$ 1.655 bilhão neste primeiro trimestre de 2011. Contudo, autoridades políticas, associações de classe e empresários afirmam que é necessária uma postura mais firme da presidente Dilma Rousseff para que a entrada de produtos chineses no Mercosul não abale as relações comerciais na região.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota, trabalhar pela integração sul-americana é prioridade da política externa brasileira. “A prioridade brasileira em favor dos vizinhos está ancorada em interesses concretos: a estabilidade política, o desenvolvimento social e a prosperidade de nossos vizinhos são fundamentais para o Brasil”, explica.

O ministro explicou ainda que, no plano comercial, as exportações para essa região, no âmbito do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), são responsáveis por 61% do superávit comercial do País.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Tatiana Lacerda Prazeres, analisou o intercâmbio comercial brasileiro com os países-membros do Mercosul e destacou que as vendas brasileiras ao bloco econômico se concentram em produtos manufaturados, categoria que representou 91% das exportações a estes países em 2010. “Há um fluxo crescente na relação comercial com o Mercosul que muitas vezes vem puxando as exportações brasileiras para o mundo e que contribui para o superávit que o Brasil acumula na balança comercial.”

Se, por um lado, a China preocupa, por outro, o Brasil melhora suas relações com a nova potência. O governo chinês habilitou os frigoríficos Cotrijuí, do Rio Grande do Sul, grande surpresa da lista, e Aurora, de Santa Catarina, e também Brasil Foods, de Goiás, para exportar carne suína. Essas plantas devem exportar em um primeiro momento 50 mil toneladas ao país asiático, e faturar aproximadamente US$ 120 milhões este ano com a transação. Até o final deste ano, mais 23 plantas devem ser licenciadas a exportar 200 mil toneladas.

Fonte: DCI

Venezuela diz adeus à Comunidade Andina das Nações

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Caracas, 22 abr (Prensa Latina) Uma nova etapa marcará a retirada da Venezuela da Comunidade Andina das Nações (CAN), bloco subregional formado também pela Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, países com os que já se definiram relações sob diferentes parâmetros legais.

  Em 19 de abril de 2006 o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou durante uma reunião em Assunção, no Paraguai, a saída de seu país da CAN como consequência direta dos prejuízos imediatos que os Tratados de Livre Comércio (TLC) assinados pela Colômbia e Peru com Estados Unidos lhe causariam.

Para Chávez, a assinatura desses convênios precipitou a queda da CAN, organismo que considerou condenado à morte há anos ao servir às elites, às multinacionais, mas não aos indígenas, aos negros ou aos pobres. “Não serve ao nosso povo e não só não nos serve, nos afeta”.

Os antecedentes da CAN, à qual a Venezuela se integrou em 1973, remontam-se a 1969, quando Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru assinaram o Pacto Andino para estabelecer uma união alfandegária em 10 anos.

Apesar de sua anunciada retirada da CAN, a Venezuela deve manter durante mais cinco anos as vantagens comerciais com os países membros que incluíam a eliminação dos impostos e o incentivo ao livre comércio.

À medida que se aproximava o fim começaram a serem assinados acordos substitutos de Cooperação e Complementação Econômica com as quatro nações andinas, com as quais foi se implementando até hoje um novo marco de relações, econômicas, produtivas e comerciais.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, destacou que com a Bolívia e o Equador foram assinados textos que recolhem os princípios de solidariedade e complementariedade produtiva e comercial da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA).

No caso do Equador, optou-se por canalizar a maior parte do comércio bilateral com o uso do Sistema Único de Compensação Regional (SUCRE), moeda virtual de intercâmbio para superar a dependência do dólar.

Também foram estabelecidas as bases de complementariedade econômica com Peru e Colômbia, e com esta última nação foram concretizados em data recente 16 convênios em matéria de luta contra o narcotráfico, saúde, turismo, energia, indústria, agricultura e desenvolvimento fronteiriço.

Agora, a Venezuela está à espera de integrar ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), conformado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Na opinião do ministro de Relações Exteriores venezuelano trata-se de ir buscando um marco sólido e de novo tipo para a construção de relações beneficiosas mútuas no contexto da integração sul-americana.

Em julho de 2006 a Venezuela entrou no Mercosul, mas continua pendente a aprovação do Senado do Paraguai, no qual deputados opositores condicionaram a entrada do país e obrigaram ao governo a retirar a solicitação de entrada.

O presidente venezuelano se pronunciou pela criação de um mecanismo de integração que na realidade sirva aos povos, estabeleça a abertura econômica para dentro e para fora e permita integrar os mercados através de instituições e políticas comuns.

Para o presidente do Grupo venezuelano ao Parlamento Latinoamericano, Rodrigo Cabezas, a incorporação ao Mercosul permitirá a criação do mercado comum mais poderoso da América Latina, com 78 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e quase 65 por cento da população.

Cabezas destacou que além de conseguir acordos mais robustos do ponto de vista comercial, social e de cooperação política, abre-se a possibilidade de aceder a produtos e bens bem mais econômicos, que melhorariam os níveis de vida de nossos povos.

Enfatizou que se aspira a uma América Latina com uma estrutura financeira autônoma que permita utilizar os recursos próprios para financiar o desenvolvimento e lutar contra as assimetrias. Apesar da desconfiança de setores da oposição, a entrada da Venezuela no Mercosul e a saída da Comunidade Andina das Nações permitirão uma nova correlação econômica e comercial que aponta para um maior desenvolvimento regional.

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Fonte: Prensa Latina