Projeto de lei propõe visto para imigrantes que compram casa nos EUA.

Estrangeiros têm ajudado a aliviar crise no mercado imobiliário dos EUA

Dois senadores americanos criaram um projeto de lei para conceder vistos de três anos a estrangeiros que invistam mais de US$ 500 mil em propriedades.

O projeto pretende aproveitar um momento em que novos ricos dos países emergentes procuram formas de investimento para as suas fortunas.

Comprar uma casa nos Estados Unidos é uma de diversas opções de investimento. Graças aos compradores estrangeiros, cidades como Miami e Los Angeles têm escapado da crise provocada pela execução de hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos.

A contribuição estrangeira pode funcionar como um impulso para o país em tempos de dificuldade econômica.

No período de 12 meses que se encerrou em março, os estrangeiros compraram casas no valor de US$ 82 bilhões – 24% a mais do que no período anterior, segundo dados da Associação Nacional de Agentes Imobiliários (NAR, na sigla em inglês).

Este dinheiro é semelhante ao valor aportado pelo governo americano em 2009 para incentivar o setor automotivo do país, que enfrentava uma crise.

Canadenses, chineses, britânicos e mexicanos são, nesta ordem, os principais investidores em residências nos Estados Unidos, segundo a NAR. A associação disse também que cresceu o número de brasileiros, argentinos e colombianos comprando casas no país.

“Sem eles, a recuperação do mercado em Miami teria sido muito mais lenta”, disse à BBC Mercedes Guinot, uma agente imobiliária da cidade. Um em cada quatro compradores de casas no sul da Flórida é estrangeiro.

Críticas

Os senadores Charles Schumer (Partido Democrata) e Mike Lee (Partido Republicano) dizem que a lei trará benefícios ao país e sem nenhum custo.

“A reforma gerará mais demanda, sem que o governo precise gastar um centavo”, afirma Schumer.

O projeto de lei teve boa repercussão entre agentes imobiliários. No entanto, analistas ouvidos pela BBC questionaram a sua eficácia.

Um dos problemas é que o visto de residência não garantiria o direito de trabalho ao imigrante, o que pode ser um empecilho na decisão de ele se mudar para os Estados Unidos.

Além disso, o projeto obrigaria os compradores a residir por pelo menos 180 dias por ano no país, o que os forçaria a pagar imposto de renda nos Estados Unidos.

Atualmente, boa parte dos investidores estrangeiros aluga suas casas a terceiros.

“Esta proposta é desnecessária”, disse à BBC Richard Smith, que é diretor-executivo da agência imobiliária Realogy.

“Os senadores têm a boa intenção de estimular o mercado imobiliário, mas seu projeto é uma solução em busca de um problema.”

Na sua avaliação, os investidores estrangeiros já têm incentivos suficientes no valor das casas americanas.

“O verdadeiro interesse destes compradores está na disponibilidade de casas e em seu preço relativamente reduzido”, afirma.

Os analistas também mencionam a baixa cotação do dólar como um fator que provocou o aumento da demanda.

O economista-chefe da consultoria Capital Economics, Paul Ashworth, diz que os canadenses, atuais líderes em compras de residências nos Estados Unidos, podem permanecer até seis meses no país sem a necessidade de visto.

Fonte: BBC

Crescimento do turismo atenua crise na Europa

Gastos de turistas atenuam efeitos da crise em países como a Itália

O crescimento do turismo na Europa está contribuindo para atenuar os efeitos da crise econômica no continente, principalmente nos países mais afetados, como Grécia, Espanha, Portugal e Itália.

“Em vários países europeus, é o consumo externo, dos turistas, que ajuda a compensar a falta de demanda interna, provocada pela crise”, disse à BBC Brasil Sandra Carvão, diretora de comunicação da Organização Mundial do Turismo (OMT).

A contribuição da atividade turística para o desenvolvimento econômico é o tema da reunião, nesta terça-feira, em Paris, de ministros do Turismo do G20, grupo que reúne as economias avançadas e principais emergentes, entre elas o Brasil.

“O turismo internacional funciona como uma atividade de exportação, permitindo a entrada rápida de divisas, e ajuda a atenuar os déficits da balança de pagamentos”, afirma a porta-voz.

Peso do turismo

O turismo tem um peso importante na economia de vários países europeus. Na França, país mais visitado do mundo, segundo a OMT, a atividade representa entre 6% e 7% do PIB, o “equivalente da indústria automobilística”, segundo o governo.

Em Portugal, o turismo totaliza cerca de 11% do PIB. Na Grécia, ele representa 16% do PIB e é um setor estratégico para uma economia em agonia. Por este motivo, o governo grego declarou que aposta nesta atividade neste ano para tentar tirar o país da recessão.

Segundo dados da OMT, divulgados neste mês de outubro, o turismo na Grécia cresceu 13,9% nos primeiros oito meses de 2011 na comparação com o mesmo período do ano passado.

Na Espanha, quarto país mais visitado do mundo, o fluxo de turistas estrangeiros já cresceu 7,8% em 2011. Em agosto, alta temporada de verão, o aumento no número de visitantes foi de 9,4%.

Em Portugal, outro país fortemente afetado pela crise das dívidas soberanas na Europa, o número de turistas internacionais cresceu 11,2%. Na Itália, o crescimento foi de 5,8%.

Na Europa em geral, o aumento do número de turistas é de 6% neste ano, segundo a OMT. A região em que o turismo mais cresceu no período foi a América do Sul, que registrou um aumento de 13,2%.

Gastos dos Brics

Países mais visitados em 2011

1. França – 76,8 milhões
2. EUA – 59,8 milhões
3. China – 55,7 milhões
4. Espanha – 52,7 milhões
5. Itália – 43,6 milhões
6. Grã-Bretanha – 28,1 milhões
7. Turquia – 27 milhões
8. Alemanha – 26,9 milhões
9. Malásia – 24,6 milhões
10. México – 22,3 milhões
44. Brasil – 5,2 milhões

fonte: Organização Mundial do Turismo

Há diferentes fatores que explicam o crescimento das viagens na Europa. O primeiro é o fato de que turistas de países europeus como a Alemanha passaram a viajar mais em 2011 na comparação com 2010. Os alemães são os turistas que mais gastaram no mundo neste ano, segundo a OMT.

O segundo fator são os protestos em países árabes como a Tunísia e o Egito, que atraem tradicionalmente os turistas europeus, além de temores em relação ao Marrocos, onde ocorreu um atentado a bomba em abril passado.

De acordo com a OMT, 80% dos turistas que visitam países europeus são originários do próprio continente. Os emergentes têm uma participação no crescimento do turismo na Europa, mas a proporção desses visitantes no fluxo de entradas é bem mais limitada do que a dos europeus.

Os turistas de países emergentes, no entanto, não medem gastos nas viagens e se tornaram uma clientela alvo do setor em países como a França.

As despesas de turistas brasileiros no exterior aumentaram neste ano 44,2%, atingindo US$ 16,4 bilhões, segundo a OMT.

Em Portugal, o número de turistas internacionais cresceu 11,8% em 2011

Os gastos de turistas chineses cresceram 30,2% e, dos russos, 21% em 2011.

“A clientela de países como o Brasil, Rússia, China e Índia é muito importante para o turismo francês. Os gastos individuais desses turistas são bem superiores e a estada no país é mais longa do que a dos europeus”, disse à BBC Brasil uma fonte do ministério do Turismo da França.

Estímulo ao turismo

Para estimular o turismo, o governo francês começou a implantar neste ano um sistema para melhorar as informações para os estrangeiros nos aeroportos e transportes e também para agilizar a passagem nas fronteiras.

Segundo a porta-voz da OMT, as limitações em termos de orçamento público na Europa podem levar os governos a rever estratégias de promoção do turismo no exterior.

“Se há menos recursos para campanhas, os ministérios vão apostar nos países onde as pessoas viajam mais ao exterior”, diz ela, incluindo os emergentes na lista de prioridades.

Fonte: BBC

 

Brasil cai para 126º em ranking de facilidade de fazer negócios

Banco Central do Brasil

O Brasil perdeu seis posições em um ranking sobre a facilidade de se fazer negócios em 183 países, divulgado anualmente pelo Banco Mundial.

Segundo o relatório Doing Business 2012 (“Fazendo Negócios 2012”), lançado na noite de quarta-feira, em Washington, o Brasil caiu do 120º para o 126º lugar no ranking, que analisa os regulamentos que afetam as empresas nacionais nesses países.

O novo estudo engloba o período de junho de 2010 a maio de 2011 e aborda todo o ciclo de vida das empresas, desde sua constituição até a resolução do processo de insolvência.

As avaliações levam em conta dez indicadores específicos e se concentram especialmente no ambiente para pequenas e médias empresas.

Apesar da queda no ranking geral, o Banco Mundial destaca a melhora na área de obtenção de crédito no Brasil, na qual o país ocupa a 98ª posição.

“O Brasil melhorou o sistema de informação de crédito, permitindo que agências de crédito privadas possam coletar e compartilhar informações positivas”, diz o relatório.

Avanços
O topo do ranking

  1. Cingapura
  2. Hong Kong
  3. Nova Zelândia
  4. Estados Unidos
  5. Dinamarca
  6. Noruega
  7. Reino Unido
  8. Coreia do Sul
  9. Islândia
  10. Irlanda

Segundo a coordenadora da equipe que elaborou o estudo, Sylvia Solf, é possível observar avanços no Brasil nos últimos seis anos.

“O Brasil está na direção correta”, disse Solf à BBC Brasil. “É uma questão de tempo.”

Solf cita o indicador sobre “obtenção de eletricidade” – incluído este ano nas dez áreas específicas analisadas no relatório –, no qual o Brasil tem um desempenho destacado, ocupando a 51ª posição.

Nos rankings por área específica, a segunda melhor colocação do Brasil é relativa à proteção a investidores, com a 79ª posição.

O pior desempenho brasileiro é relativo ao pagamento de impostos, área na qual o país aparece em 150º lugar.

Brics
Classificação dos Brics

  • África do Sul: 35º
  • China: 91º
  • Rússia: 120º
  • Brasil: 126º
  • Índia: 132º
    Fonte: Doing Business Database

O ranking geral é liderado por Cingapura, que já ocupava o primeiro lugar no relatório anterior, seguida por Hong Kong, Nova Zelândia, Estados Unidos e Dinamarca.

Entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil é o segundo pior colocado, à frente apenas da Índia, que aparece em 132º lugar.

A África do Sul é o mais bem colocado dos Brics, em 35º lugar.

China (91º lugar), Índia e Rússia (120º) são destacadas pelo Banco Mundial por estarem “entre as 30 economias que fizeram mais progresso” nos últimos anos.

O Brasil também fica atrás de várias economias latino-americanas.

O melhor colocado entre os países da região é o Chile, que ocupa a 39ª posição e é citado, ao lado do Peru (41º), da Colômbia (42º) e do México (53º), como destaque na implementação de melhorias regulamentares.

Fonte: BBC

Com expectativa de recuperação na Europa, bolsas fecham em alta

Operadores da bolsa Dow Jones, que registrou uma valorização de 1,33%

Seguindo a tendência das bolsas internacionais, a Bovespa fechou nesta terça-feira em alta pelo segundo dia consecutivo, um resultado que, segundo analistas, reflete a expectativa de que os países da zona do euro estão agindo para conter a crise no bloco.

O Ibovespa – principal índice das ações da bolsa paulista – fechou em leve alta de 0,32%, aos 53.920 pontos. Tanto as bolsas americanas como as européias e as asiáticas também tiveram resultados positivos.

“A expectativa relacionada ao mercado europeu realmente segurou as bolsas, deixando claro que a maior parte do estrago da zona do euro já passou e estamos voltando a níveis um pouco mais adequados”, disse à BBC Brasil o consultor André Perfeito, da Gradual Investimentos.

‘Intenções’

Nos últimos dias, líderes europeus tentam arquitetar um plano de recuperação para suas economias, especialmente para a Grécia.

A proposta inclui injeções de recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), mecanismo usado pelo bloco para efetuar resgates, e um possível calote parcial e controlado da Grécia.

“Mas é preciso deixar claro que a situação ainda não está resolvida, porque essas medidas até agora não passam de boas intenções”, afirma Perfeito.

Para o analista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, o resultado dos mercados indica que as autoridades perceberam que precisam agir rapidamente, porque o cenário é realmente grave.

“Essa percepção contagiou favoravelmente as bolsas de todo o mundo, além de favorecerem a cotação do dólar, inclusive no Brasil”, afirma Campos Neto.

““A expectativa relacionada ao mercado europeu realmente segurou as bolsas hoje, deixando claro que a maior parte do estrago da zona do euro já passou e estamos voltando a níveis um pouco mais adequados” “

André Perfeito, consultor da Gradual Investimentos.

No Brasil, o dólar comercial fechou em baixa de 0,93% nesta terça-feira, vendido a R$ 1,805. Esta foi a terceira queda consecutiva da moeda americana.

O consultor da Tendências diz, no entanto, que a recuperação da Bovespa, que foi bastante tímida, precisa ser levada em conta. “Ela indica que ainda não há um cenário de confiança.”

Votação na Alemanha

Para os analistas, os mercados estarão de olho na votação na Alemanha, no fim desta semana, sobre a aprovação ou rejeição de um projeto que visa estender os poderes de um fundo europeu de resgate.

A medida permitiria comprar títulos da dívida de países com altos deficits e de bancos com pouco capital.

Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam em alta de mais de 1%. Enquanto o índice Dow Jones registrou uma valorização de 1,33%, a Nasdaq teve alta de 1,2%.

As bolsas européias também tiveram resultado positivos, com o maior ganho percentual diário em 16 meses.

O índice FTSEurofirst 300, da Bolsa de Londres, subiu 4,3%, em sua terceira alta consecutiva.

Fonte: BBC

Brics citam preocupação com crise europeia, mas evitam detalhes sobre ajuda

Mantega disse em encontro com os Brics que é preciso conter o contágio da crise europeia.

Depois de muita expectativa sobre um suposto plano dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para ajudar os países europeus em crise, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo deixaram uma reunião em Washington nesta quinta-feira sem fornecer detalhes sobre o assunto.

Em um comunicado, os representantes dos cinco países disseram apenas que os Brics “estão abertos a considerar, se necessário, fornecer apoio por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outras instituições financeiras internacionais para fazer frente aos atuais desafios à estabilidade financeira global, dependendo das circunstâncias em cada país”.

Na semana passada, acreditava-se que uma das ideias a ser discutidas pelos Brics seria a compra de títulos da dívida de países europeus, para ajudar a fortalecer esses papeis, em um momento em que a crise de dívida e deficit em diversas economias da zona do euro vem se agravando.

Após a reunião em Washington, porém, os ministros não forneceram indícios de uma eventual ajuda financeira, mas manifestaram preocupação com os problemas na Europa e o agravamento da crise nos últimos meses.

“Temos que impedir que a crise atinja um nível mais grave”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que representou o Brasil no encontro, ao lembrar que agora o “epicentro” dos problemas é a União Europeia.

“Os Brics e outros emergentes não foram afetados ainda nas suas funções vitais. Mas há o risco de a crise da dívida soberana de alguns países, que não está sendo solucionada, se transformar em uma nova crise financeira”, afirmou.

Ação rápida

A crise de dívida e deficit em países como a Grécia já contagiou outras economias e vem provocando crescente desconfianças dos mercados sobre toda a zona do euro.

Segundo Mantega, ao contrário de 2008, quando os países do G20 (grupo que reúne as principais economias avançadas e emergentes, entre elas o Brasil) se uniram para combater a crise mundial rapidamente, agora a reação europeia está demorando demais.

O ministro alertou para o risco de que um agravamento da situação contagie os Brics e outras economias emergentes e afete o comércio mundial.

“Acreditamos que isso possa ser evitado, desde que haja uma ação rápida dos países para solucionar a questão, por exemplo, da dívida soberana dos países que estão em negociação, particularmente a Grécia”, afirmou.

Os Brics recomendam o fortalecimento do G20 e do papel do FMI, inclusive dando “mais condições financeiras” para que o fundo possa enfrentar um aprofundamento da crise, e voltaram a criticar a demora na redistriubuição de cotas na insttuição, que daria mais voz ao emergentes.

Os ministros também disseram que pretendem ampliar a integração entre os Brics, aumentando a atividade comercial e financeira entre os países.

“Nós estamos combinando que devemos intensificar o comércio entre nós”, disse Mantega.

“Eliminar eventuais barreiras comerciais que possam existir, facilitar o comércio, o financiamento do comércio, e trocas em moedas locais, que já começaram a acontecer.”

Fonte: BBC

Economia mundial entrou em nova fase perigosa, diz diretora do FMI

Lagarde disse que países precisam superar indecisão política e agir para evitar uma nova recessão

Em seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o comando do FMI (Fundo Monetário Internacional), em julho deste ano, a francesa Christine Lagarde disse nesta quinta-feira que a economia mundial entrou em uma nova fase “perigosa”.

“Exatamente três anos após o colapso do (banco de investimentos) Lehman Brothers (considerado um marco da última crise econômica mundial), os horizontes da economia estão agitados e turbulentos, à medida que a atividade global desacelera e os riscos aumentam”, disse a diretora-gerente do FMI.

“Nós entramos em uma perigosa nova fase da crise. Sem determinação coletiva, a confiança de que o mundo precisa tanto não vai retornar.”

Lagarde citou a crise de dívida e deficit que atinge diversos países da zona do euro e a lenta recuperação da economia americana e disse que esses países precisam deixar de lado a indecisão política e agir logo para evitar uma nova recessão, que teria consequências em todo o mundo.

Segundo a diretora do FMI, o alto nível de dívida afeta tanto entre os bancos europeus quanto os lares americanos, e o fraco crescimento aliado à fragilidade das contas públicas são combustíveis para uma crise de confiança que acaba retendo a demanda, os investimentos e a criação de empregos.

“Esse círculo vicioso está ganhando força e, francamente, tem sido agravado pela indecisão das políticas e pela disfunção na política”, disse.

Estados Unidos

“Nós entramos em uma perigosa nova fase da crise. Sem determinação coletiva, a confiança de que o mundo precisa tanto não vai retornar”

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI

Ao mencionar o caso específico dos Estados Unidos – que enfrenta alta taxa de desemprego, deficit recorde e o temor de nova recessão –, Lagarde disse que as propostas recentes apresentadas pelo presidente Barack Obama são “bem-vindas”.

Na semana passada, Obama propôs um plano de US$ 447 bilhões (cerca de R$ 765 bilhões) para combater o desemprego nos Estados Unidos.

A proposta, porém, precisa ser aprovada pelo Congresso, em um momento de grande divisão política e com a Câmara dos Representantes (deputados federais) sob o controle da oposição republicana.

Segundo Lagarde, apesar de o plano ser bem-vindo, é “crucial” que as autoridades esclareçam seus projetos de médio prazo para colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável.

Ao ressaltar a necessidade de “forte vontade política ao redor do mundo”, Lagarde disse ainda que os líderes devem estender suas agendas “para além das próximas eleições”.

No caso dos Estados Unidos, as discussões sobre a economia têm ocorrido já em um clima de campanha para as eleições presidenciais do ano que vem, com troca de acusações e com os republicanos que buscam a indicação do partido para disputar a Presidência aproveitando a crise como munição para críticas a Obama, que concorre a reeleição.

Emergentes

Lagarde ressaltou que um fracasso em reequilibrar a economia mundial irá afetar a todos.

“Se as economias avançadas sucumbirem à recessão, os mercados emergentes não vão escapar”, disse. “Reequilibrar (a economia) é de interesse global, mas também de interesse nacional.”

O reequilíbrio é um dos “quatro Rs” propostos pela diretora do FMI para abordar os problemas da economia mundial. Ou outros são reparar, reformar e reconstruir.

Segundo Lagarde, o reequilíbrio envolve uma mudança na demanda global, de países com déficit externo para países com superávit.

“Se as economias avançadas sucumbirem à recessão, os mercados emergentes não vão escapar”, disse. “Reequilibrar (a economia) é de interesse global, mas também de interesse nacional”

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI

“A ideia aqui é simples. Com menor gasto e mais poupança nas economias avançadas, mercados emergentes cruciais deverão preencher o espaço e começar a fornecer a demanda necessária para alimentar a recuperação global.”

Sem citar nenhuma economia em particular, Lagarde mencionou ainda o fato de “alguns países” prejudicarem o reequilíbrio com políticas que mantêm a demanda doméstica muito lenta e a apreciação da moeda muito modesta – crítica geralmente feita à China.

“Outros mercados emergentes estão enfrentando os perigos dos fluxos de capital”, disse.

No Brasil, a entrada excessiva de capital estrangeiro é uma das preocupações, por provocar a valorização do real frente ao dólar e, consequentemente, a perda de competitividade das exportações nacionais.

O discurso de Lagarde foi feito uma semana antes de ela presidir pela primeira vez a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, na capital americana.

Também se reunirão em Washington os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 – grupo que reúne as principais economias avançadas e emergentes, do qual o Brasil faz parte.

Fonte: BBC

FMI alerta para risco de reversão de investimentos em emergentes

Países emergentes tiveram recuperação mais rápida após a crise mundial

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta terça-feira para o risco de retirada de investimentos em mercados emergentes caso haja mudança nos fundamentos econômicos – como perspectivas de crescimento, risco-país ou mesmo risco global.

Em um capítulo do Global Financial Stability Report (“Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global”, em tradução livre), divulgado em Washington, o FMI afirma que a tendência estrutural de investimentos em mercados emergentes registrou aceleração após a crise econômica mundial de 2008.

“No entanto, com muitos investidores de primeira viagem aproveitando as vantagens do desempenho econômico relativamente melhor desses países (emergentes), há o risco de reversão se os fundamentos mudarem”, diz o documento.

“No caso de choques maiores, o impacto dessa reversão pode ter a mesma magnitude que a saída de fluxos registrada durante a crise financeira (de 2008)”, afirma o estudo.

Segundo o FMI, a magnitude da recente retirada de investimentos em fundos de ativos e títulos nos mercados emergentes comprova as conclusões do relatório.

Juros e risco

Após a crise mundial, muitos emergentes, como o Brasil, que já haviam sido menos afetados do que economias mais avançadas pela turbulência, registraram uma recuperação mais rápida.

Esse cenário atraiu um grande fluxo de investimentos estrangeiros para esses países.

Em alguns casos, os investidores também foram atraídos por altas taxas de juros, em um momento em que países como Estados Unidos, Japão e várias economias da zona do euro ainda enfrentam uma lenta recuperação e mantêm suas taxas próximas de zero.

No entanto, segundo o FMI, no caso de investidores institucionais de longo prazo, a decisão de alocação de ativos é baseada principalmente em boas previsões de crescimento e redução de riscos nos países receptores.

“A diferença nas taxas de juros entre os países cumpre um papel secundário”, diz o documento.

Nesse ponto, o relatório ressalta que essa tendência não significa que os fluxos de capital em geral não respondem a menores taxas de juros, já que esses fluxos podem ser resultado de decisões tomadas por investidores no curto prazo.

No caso dos investidores institucionais de longo prazo, porém, que são o foco do estudo, a conclusão é que a maioria aceita rendimentos mais baixos em vez de assumir riscos maiores.

O FMI alerta, porém, que caso as taxas de juros nas economias avançadas permaneçam baixas por um longo período – como é esperado – esses investidores serão pressionados cada vez mais a assumir mais riscos, “à medida que sua situação financeira se torna cada vez menos favorável”.

De acordo com o FMI, desde a crise financeira global, os investidores têm sido expostos a duas forças opostas.

Por um lado, estão mais conscientes dos riscos, especialmente aqueles relacionados à liquidez e aos riscos de crédito soberano.

No entanto, por outro lado, o cenário de baixas taxas de juros (nas economias avançadas) pressiona cada vez mais os investidores institucionais a investir em ativos mais arriscados, para melhorar os rendimentos de suas carteiras.

Crédito

No segundo capítulo antecipado nesta terça-feira, o FMI analisa como compreender melhor a fonte dos choques que provocam acumulação de riscos sistêmicos (que afetam todo o sistema financeiro), que podem ter impacto negativo na economia real, para poder empregar as políticas macroprudenciais de forma correta.

O documento sugere um conjunto de indicadores que poderiam alertar as autoridades sobre a iminência de dificuldades financeiras.

No caso do crédito, o FMI afirma que a informação deve ser complementada por outros indicadores.

“Apesar de o crédito aumentar tanto graças a um choque positivo (um estímulo saudável da economia real mediante aumentos de produtividade) quanto a um choque negativo (como uma escalada de preços de ativos e relaxamento nas normas creditícias aplicadas pelos bancos), o aumento de crédito e a persistência desse aumento e a redução do índice de capitalização dos bancos são bem mais pronunciados no caso de choques negativos”, diz o documento.

O FMI diz ainda que, no caso das economias emergentes, a apreciação da taxa de câmbio real “parece ser um fator especialmente relevante”.

O relatório completo será divulgado apenas na próxima semana, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial.

Fonte: BBC

Iene forte desacelera produção industrial do Japão

Em compensação, país teve quarto mês consecutivo de crescimento industrial

Após dois meses de recuperação, a produção industrial do Japão sofreu uma desaceleração em julho, quando registrou um crescimento de 0,6% em relação ao mês anterior.

A queda foi causada principalmente pela forte valorização do iene e pela queda nas exportações para a China. A economia de energia elétrica imposta pelo governo japonês também contribuiu para a retração.

Mesmo assim, foi o quarto mês consecutivo de crescimento, o que sugere que o país está se recuperando das consequências do forte terremoto seguido de tsunami que destruíram parte do país em março passado.

Em junho, segundo dados do governo, o crescimento tinha sido de 3,8%. De qualquer forma, o setor manufatureiro já antecipou que espera um crescimento de até 2,8% para o mês de agosto, impulsionado pela demanda interna por produtos para o verão.

Segundo a avaliação divulgada pelo Ministério da Economia, “a tendência é de recuperação”.

Outro fator importante que influenciou no fraco desempenho do setor manufatureiro foi a lenta recuperação da indústria automotiva japonesa.

Dados apresentados hoje pela Associação Japonesa de Fabricantes de Veículos mostram que a produção teve uma queda de 8,9% em julho em relação ao ano anterior. Foi o décimo mês de queda consecutiva.

O presidente da entidade, Toshiyuki Shiba, já pediu ao novo primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, que revitalize o mais rápido possível a economia japonesa.

Entre as principais reivindicações estão a desvalorização do iene, a ampliação de acordos de parceria econômica e a garantia de fornecimento estável de eletricidade.

Coreia do Sul

Também na Coreia do Sul permanecem os efeitos da crise econômica mundial.

A produção industrial sul-coreana registrou uma considerável queda de 0,4% em julho em comparação com o mês anterior.

A retração do setor manufatureiro dos dois países asiáticos é um indicador-chave sobre a saúde da economia global.

“Os dados refletem o ritmo lento de recuperação mundial, que está afetando as exportações”, disse à BBC Brasil Goh You Sun, da Daewoo Securities.

Fonte: BBC

Presidente do BC dos EUA evita anunciar novo plano de estímulo

Bolsas registraram quedas logo após discurso de Bernanke, mas se recuperavam ao longo do dia

Em um discurso cercado de expectativa, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, disse nesta sexta-feira que está “otimista” com as perspectivas de longo prazo para a economia dos Estados Unidos, mas não deu qualquer indicação sobre possíveis novas medidas de estímulo.

Bernanke disse que a economia americana ainda enfrenta grandes desafios, especialmente em relação à alta taxa de desemprego e ao deficit no orçamento, mas indicou que o Fed já fez a sua parte.

“A maioria das políticas econômicas de apoio a um crescimento econômico robusto no longo prazo estão fora da esfera de ação do banco central”, disse, em um encontro anual de presidentes de bancos centrais em Jackson Hole, no Estado de Wyoming.

O pronunciamento de Bernanke era aguardado por analistas e pelo mercado, já que, no ano passado, foi nesse encontro que Bernanke indicou a intenção de lançar a segunda rodada do programa de relaxamento quantitativo – pelo qual o Fed injetou US$ 600 bilhões (cerca de R$ 963 bilhões) na economia por meio da compra de títulos do Tesouro de longo prazo até junho deste ano.

Expectativa

Havia a expectativa de que o presidente do Fed pudesse anunciar um novo plano no discurso deste ano, feito em um momento em que cresce o temor de nova recessão nos Estados Unidos, especialmente após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s ter rebaixado a nota do país, no início do mês.

Assim que ficou claro que o presidente do Fed não anunciaria nenhum plano, as bolsas registraram forte queda, mas já se recuperavam ao longo do dia.

No entanto, Bernanke afirmou que o Fed tem mais ferramentas disponíveis para promover estímulo monetário adicional, deixando aberta a possibilidade de anunciar novas medidas no encontro do banco marcado para 20 de setembro.

Crescimento

O discurso de Bernanke foi feito no mesmo dia em que o Departamento de Comércio americano revisou para baixo o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre do ano.

De acordo com novos dados divulgados nesta sexta-feira, a economia americana avançou apenas 0,2% (equivalente a uma taxa anualizada de 1%) no período de abril a junho, abaixo da taxa anualizada de 1,3% estimada anteriormente.

O lento ritmo de crescimento nos Estados Unidos já havia levado o presidente do Fed a afirmar, no início do mês, que a taxa de juros será mantida no atual patamar, próximo de zero, pelo menos até a metade de 2013.

As incertezas sobre a economia americana aumentaram após um impasse de meses entre o Congresso e a Casa Branca para elevar o teto da dívida pública do país – impedindo, assim, o risco de calote – e reduzir o deficit no orçamento.

O calote foi evitado por um acordo de última hora, no início de agosto, mas as dificuldades na negociação entre governo e oposição levaram a Standard & Poor’s a rebaixar a nota do país.

Em seu discurso, Bernanke citou o impasse ao afirmar que o país precisa de um processo mais eficaz de tomada de decisões fiscais.

Deixando um pouco de lado os comentários sobre política monetária – principal responsabilidade do Fed –, Bernanke disse que a política fiscal precisa ser colocada em uma trajetória sustentável, mas levando em conta a fragilidade da recuperação econômica no curto prazo.

Fonte: BBC

Alemanha se opõe a bônus em euro e pede mais cooperação

Os bônus comuns em Euros não são a resposta para a atual crise da dívida da zona do euro, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, no domingo, rejeitando os novos pedidos para que o bloco emita títulos denominados em Euros

A Alemanha rejeitou fortemente ao longo do final de semana crescentes pedidos para que a zona do euro emita dívida de forma conjunta, mas sinalizou que está aberta para um movimento em direção a uma união fiscal, com o ministro de Finanças dizendo que, pessoalmente, apoia um contraparte europeu.

“Os bônus em euro são exatamente a resposta errada para a atual crise”, afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, à rede pública de TV do país ZDF, em entrevista neste domingo. “Eles (os bônus em euro) nos levariam a uma união de dívida, e não a uma união de estabilidade”, acrescentou.

A Alemanha, que se beneficia de menores custos para emitir dívida em comparação a outras nações da zona do euro, tem liderado a resistência à emissão de títulos públicos denominados na moeda única.

Isso contrasta com a opinião de alguns países parceiros, como Bélgica e Itália, e a Comissão Europeia, que nesta semana disse estar ainda estudando a viabilidade desses bônus e que pode apresentar o esboço de uma legislação para eles.

Os comentários de Merkel neste domingo estão em sintonia com os feitos pelo ministro de Finanças alemão no início desta semana. Wolfgang Schaeuble afirmou que a zona do euro poderia emitir dívida em conjunto apenas se tiver uma política fiscal comum, alertando que, caso contrário, haveria o risco de inflação e de desestabilização do bloco de moeda única.

As pressões para que Alemanha e França tomem ações radicais sobre a crise de dívida cresceram nesta semana, conforme os mercados financeiros recuaram mais e a Bélgica reforçou o coro dos que querem a emissão conjunta de bônus em euro.

Merkel disse que a solução para a atual crise está mais próxima da cooperação econômica na Europa, principalmente na zona do euro.

“A zona do euro precisa trabalhar ainda mais junta, mas precisamos também trabalhar juntos dentro da Europa dos 27″, disse, referindo-se à União Europeia (UE), formada por 27 países.

“Nossa moeda não é respaldada por uma união política. Agora a tarefa é tornar o euro forte por meio de mais cooperação econômica e, principalmente, de mais comprometimento.”

PRONTO PARA MINISTRO EUROPEU

A fala de Merkel esteve em linha com a de Schaeuble, que em recentes declarações disse ainda ter esperanças de que a zona do euro possa evoluir para uma união política.

“Como pessoa física, o Wolfgang Schaeuble já está preparado (para delegar soberania a Bruxelas). Não tenho problema com a ideia de um ministro de Finanças europeu”, afirmou ele à edição deste domingo do jornal Welt am Sonntag.

“Mas, como ministro de Finanças, digo: é nosso dever aqui e agora resolver os problemas o mais rápido possível, com base nos contratos existentes.”

Fonte: Reuters