Mais um pré-candidato desiste das primárias republicanas

O ex-governador de Utah, Jon Huntsman, anunciou nesta segunda-feira sua desistência nas primárias republicanas que irão definir o candidato do partido que irá disputar a Presidência com o democrata Barack Obama, nos Estados Unidos.

Em um discurso na Carolina do Sul, Huntsman anunciou seu apoio ao ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, que vem liderando as prévias republicanas.

Na última semana, a líder conservadora Michele Bachmann, ligada ao movimento Tea Party, também desistiu de seguir na disputa.

Na última rodada das prévias, em New Hampshire, Huntsman recebeu apoio de apenas 17% dos votantes. Ele culpou os “ataques pessoais e negativos” de seus adversários por sua má performance.

Huntsman desistiu do páreo antes da votação na Carolina do Sul, onde sua campanha tem encontrado dificuldades para deslanchar.

Nas pesquisas nacionais, ele aparece com 1% a 2% das intenções de voto.

‘Discurso tóxico’

No discurso de desistência, Huntsman lamentou o nível da campanha republicana e disse que não iria jogar sujo.

“Essa campanha se degenerou em uma ofensiva de ataques negativos e pessoais”, disse Huntsman, pedindo a união do Partido Republicano em torno de apenas um candidato.

“A divisão é corrosiva”, disse, afirmando que “a forma tóxica de nosso discurso político não ajuda nossa causa”, em referência à campanha republicana.

Com 51 anos, fluente em mandarim, Huntsman serviu como embaixador dos Estados Unidos na China, sendo indicado por Barack Obama.

Nos anos 1990, ele se tornou o mais jovem embaixador americano, ao servir em Cingapura.

Apoio

Huntsman, que se tornou notório por ser mórmom, um segmento religioso não considerado cristão por setores mais conservadores, anunciou seu apoio a outro membro de sua igreja, Romney.

Tanto Huntsman quanto Romney são considerados os pré-candidatos mais moderados das prévias, marcadas pelo discurso conservador de seus concorrentes.

Apesar de as críticas recentes feitas a Romney, Huntsman disse que o ex-governador de Massachusetts é o mais preparado para derrotar Obama nas eleições de novembro.

Logo após o anúncio, Romney agradeceu pelo apoio. O ex-governador conseguiu 40% dos votos nas prévias de New Hampshire.

Fonte: BBC Brasil

Líga Árabe mantém missão na Síria, apesar de críticas

A Liga Árabe disse neste domingo que manterá sua missão de observadores atuando na Síria, apesar das críticas de que a iniciativa teria sido incapaz de impedir a matança de civis por parte do governo sírio.

Em reunião de chanceleres da Liga no Cairo (Egito), o organismo voltou a pedir à Síria pelo fim “imediato” da violência no país e prometeu reforçar sua missão de observação, cujo objetivo é supervisionar o cumprimento de um plano de pacificação na Síria.

Mas tudo indica que a missão não vai requerer a ajuda de observadores da ONU, ideia proposta pelo Catar que estava entre os temas a serem discutidos na reunião deste domingo. Diversos países árabes se opõem à interferência da ONU na Síria, temendo que medidas semelhantes sejam usadas contra eles no futuro.

Após duas semanas de atuação na Síria, a missão da Liga Árabe está sendo criticada por opositores do regime sírio, que alegam que os observadores estão sendo manipulados pelo governo de Bashar al-Assad e não estão reagindo de forma incisiva à violência no país árabe.

Segundo ativistas oposicionistas, novos confrontos neste domingo resultaram em 20 mortes, e incluindo entre as vítimas estariam 11 soldados mortos na província de Deraa.

Cálculos da ONU indicam que mais de 5 mil civis morreram nos últimos dez meses de protestos pró-democracia na Síria. Apesar dos apelos da Liga Árabe, nada indica que os enfrentamentos estejam a ponto de cessar.

Independência

Autoridades da Liga Árabe rejeitaram a possibilidade de extinguir a missão. Seus observadores estão na Síria desde o final de dezembro, na tentativa de pressionar os dois lados – governo e oposição – a abandonar as armas e de fazer com que o regime de Assad tire o Exército das ruas.

A Liga debateu também como dar mais independência aos observadores, que no momento são impedidos de se mover livremente pelo país.

Neste domingo, a missão visitou um hospital sírio, acompanhada de membros do governo do país.

Manifestantes protestaram nos arredores, alegando que a presença dos observadores está dando o aval político para que o regime sírio continue a praticar atos de violência contra civis.

No último sábado, segundo os opositores, 27 pessoas foram mortas em todo o país em confrontos com forças de segurança. Os tumultos começaram durante um funeral organizado pelo governo para homenagear as vítimas de um atentado a bomba em Damasco na sexta-feira, que já havia deixado 26 mortos.

O governo de Assad atribuiu o atentado a “terroristas”, enquanto a oposição o acusa de forjar a ação para influenciar a opinião pública.

Duas semanas atrás, 44 pessoas morreram em um atentado semelhante, que também motivou trocas de acusações entre governo e opositores.

Fonte: BBC Brasil

Líderes europeus alertam para 2012 difícil

Angela Merkel, em pronunciamento na televisãoLíderes europeus alertaram, em suas mensagens de ano novo na televisão, que 2012 será difícil no continente, com muitos economistas prevendo uma recessão.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Europa está passando pelo seu “mais duro teste em décadas”, mas que a região está ficando cada vez mais unida diante da crise da dívida pública.

“O próximo ano [2012] será sem dúvida mais difícil do que 2011″, disse Merkel, em um pronunciamento na televisão alemã.

“O caminho para superar isso [a crise da dívida] continua longo e não sem obstáculos, mas ao final deste caminho a Europa emergirá mais forte da crise do que quando entrou.”

Ela também defendeu o euro, afirmando que a moeda facilitou “a vida cotidiana e tornou nossa economia mais forte”.

Orçamento francês

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a crise ainda não acabou, e que é necessário fazer reformas estruturais para que a economia volte a crescer.

“Eu sei que a vida de muitos de vocês, já testada por dois anos difíceis, foi testada mais uma vez”, disse Sarkozy, em sua mensagem de fim de ano na televisão.

“Vocês estão terminando o ano mais preocupados com vocês mesmos e seus filhos.”

O presidente francês, que tentará se reeleger neste ano, prometeu não fazer mais cortes orçamentários. Recentemente o governo da França anunciou mais cortes, para tentar restaurar a confiança do mercado nos títulos da dívida do país, que tiveram sua classificação rebaixada por algumas agências de risco.

“O que era para ser feito foi feito pelo governo”, disse Sarkozy, sobre os cortes orçamentários.

Sarkozy e Merkel reunirão-se neste mês para discutir um plano fiscal para a Europa.

‘Sacrifícios’ na Itália

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, pediu que o povo do seu país faça mais sacrifícios para evitar o “colapso financeiro da Itália”, que é a terceira maior economia da Europa.

“Sacrifícios são necessários para garantir o futuro das pessoas jovens, este é o nosso objetivo, e é um compromisso que não podemos evitar”, disse Napolitano.

“Estes sacrifícios não serão em vão, especialmente se a economia voltar a crescer.”

O premiê grego, Lucas Papademos, também alertou para um 2012 difícil em seu pronunciamento de ano novo.

“Nós temos que continuar nossos esforços com determinação, para que os sacrifícios feitos até agora não sejam em vão”, disse ele.

Nos últimos meses, a economia europeia parou de crescer, depois que vários governos começaram programas de cortes de gastos públicos.

As dificuldades cresceram quando o custo de tomada de empréstimos subiu fortemente em alguns dos maiores países da União Europeia, como Itália e Espanha.

Há temores de uma nova crise de crédito mundial, já que muitos bancos estão expostos à dívida pública italiana.

Em uma pesquisa feita pela BBC, 25 de 27 economistas consultados disseram acreditar que a Europa voltará à recessão em 2012.

Fonte: BBC Brasil

Imigrantes em ‘paraísos do desenvolvimento’ destacam o que falta ao Brasil

O músico brasileiro Aalor Soares, com sua família, na Holanda Enquanto o Brasil se prepara para avançar mais uma posição no ranking das economias, mas ainda enfrenta mazelas típicas de países subdesenvolvidos, imigrantes brasileiros que vivem nos países com os mais altos índices de desenvolvimento destacam as diferenças entre os dois mundos.

Leonardo Dória vive há 10 anos na Noruega, país que lidera o ranking elaborado a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Calculado em 187 países, o IDH foi introduzido numa tentativa de desviar o foco do desenvolvimento puramente econômico, medido pelo Produto Interno Bruno (PIB), passando a explorar também outros indicadores como expectativa de vida, média de anos de estudo, acesso à saúde e distribuição de renda.

Com nota 0,943, a Noruega fica perto da nota máxima 1, seguida pela Austrália (0,929) e pela Holanda (0,910). Esses países fazem parte de um grupo de 47 com desenvolvimento considerado muito alto. O Brasil está no grupo imediatamente inferior, na 84ª posição, e com nota 0,718.

“O petróleo gera muita riqueza para a Noruega”, diz Doria à BBC Brasil, destacando que essa riqueza é distribuída de forma “justa e igualitária”.

Uma forma de medir isso e comparar com o Brasil toma por base o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda em um país. A Noruega tem um coeficiente de 25,8, que indica uma das melhores distribuições de renda do mundo. O do Brasil, de 53,9, põe os país entre os 10 piores do mundo no quesito, segundo a ONU.

Salários compensadores

O baiano Alessandro Mendes, também morador de Oslo, diz que ainda está se adaptando ao país. Ele chegou à Noruega a passeio, após visitar a irmã na Alemanha. “Eu dei sorte. Vim a convite da minha atual esposa e acabei encontrando um trabalho”, conta.

Em 2008, no auge da crise financeira, ele perdeu o emprego. “Meu filho tinha acabado de nascer e foi um baque pra gente.” Ele aproveitou os 12 meses de licença maternidade remunerada da esposa e voltou para o Brasil por cinco meses, para colocar a cabeça no lugar.

Acabou retornando a Oslo e encontrando emprego como subgerente de uma rede de supermercados, mas anda decepcionado com o país.

“O custo de vida aqui é muito alto, eu tenho de pagar o equivalente a cerca de R$ 600 por mês pela creche da minha filha”, diz, ao explicar que já pensou em fazer bicos como guia turístico para aumentar a renda familiar.

Doria, que, além de trabalhar como geógrafo, tem um site com dicas sobre a Noruega, concorda que o custo de vida no país seja alto. “Mas os salários compensam e, tudo o que você paga, está relacionado à sua renda anual”, disse, citando a educação e a saúde, calculadas com base nos rendimentos de cada trabalhador, de modo a não pesar no bolso dos mais pobres e manter a igualdade de oportunidades.

Filhos poliglotas


Na Holanda, terceira colocada no último ranking do IDH, o sistema é parecido. Para ter acesso a médicos e hospitais públicos, o cidadão precisa ter um plano de saúde cujo valor é calculado com base na renda.

“Eu pago 500 euros mensais para mim, para minha mulher e para os meus três filhos”, diz o músico paulista Alaor Soares, que mora na cidade holandesa de Vleutten desde 1992. “E meu filho acabou de começar o ano letivo e eu tive apenas que comprar um computador para ele usar durante as aulas, o resto é gratuito”, acrescentou.

Na mesma escola, os três filhos de Alaor aprendem francês e alemão. Além disso, já falam português, holandês e inglês, que aprenderam em casa. 

“Aqui, a escola é pública e todo mundo usa, até a filha da princesa”, diz Marcia Curvo, engrossando o coro. Há 12 anos na Holanda, a goiana fala com orgulho do país que adotou para viver. “Eu pago imposto e tenho retorno. Amanhã, se eu ficar inválida, eu vou ter tudo: tratamento, assistente social, moradia. Eu não vou ficar jogada no meio da rua.”

Futuros planejados


Além do alto nível das infraestruturas e dos serviços nesses países, poder planejar o futuro é outra vantagem citada por brasileiros. “A gente tem estabilidade, pode pensar em comprar uma casa, um carro, o governo ajuda, se for preciso”, afirma Eliane Braz, que mora em Toulouse, no sul da França, país que ocupa a 20ª posição no ranking de IDH.

“Saber que é possível fazer planos com segurança e que esses planos darão certo se você fizer a sua parte é uma das maiores vantagens de se morar na Noruega”, diz Leonardo Doria, que gostaria que o Brasil tivesse essa qualidade. Ele também adoraria que o país onde nasceu tivesse uma cidadania mais madura.

“Eu gostaria que os brasileiros tivessem essa consciência dos noruegueses”, diz o carioca. “Aqui, as pessoas se envolvem com as questões sociais, elas sabem que têm direitos e deveres, e cobram isso dos políticos”.

Já Alessandro Moraes adoraria que políticos brasileiros fossem como os noruegueses, que “recebem salários discretos e sem auxílios extras.”

Fonte: BBC Brasil

Presença de monitores internacionais não reduz violência da Síria

Manifestantes em Homs (AP)Mesmo com a presença de observadores internacionais da Liga Árabe para checar se a Síria está cumprindo um acordo de paz, a violência no país voltou a explodir nesta quarta-feira.

Segundo relato de ativistas, mais de dez pessoas foram mortas em cidades como Homs, Deraa e Idib.

Um vídeo divulgado na internet mostra uma multidão de manifestantes enfurecidos colocando o corpo de um menino sobre um carro que aparentemente pertencia aos observadores.

De acordo com o correspondente da BBC na região Jim Muir, que está no Líbano, o que se ouve no vídeo é alguém dizendo que o menino tinha cinco anos e se chamava Ahmad. “Esses são nossos mártires”, diz um homem aos membros da Liga Árabe. “E eles estão sendo mortos na frente de vocês, observadores”.

Mesmo com a resistência de muitos ativistas em relação à missão árabe, os enviados puderam, segundo Muir, entrar nas áreas mais afetadas de Homs, sem serem acompanhados por forças de segurança sírias, e podendo conversar com moradores.

No início do dia, o chefe da equipe de monitores, o general sudanês Mustafa Dabi, disse que até o momento não havia presenciado “nada assustador”. O correspondente da BBC afirma, no entanto, que o general Dabi está claramente evitando emitir julgamentos.

Prisioneiros

A Síria já havia anunciado nesta quarta-feira a libertação de 755 pessoas detidas durante os protestos contra o presidente Bashar Al-Assad.

De acordo com a TV estatal síria, os prisioneiros se envolveram “em incidentes recentes”, mas não tiveram “as mãos manchadas com sangue sírio”.

Segundo o plano de paz acordado entre o governo e a Liga Árabe, todos os manifestantes presos durante os protestos contra o governo, iniciados em março, devem ser soltos pela Síria.

Para o correspondente, a libertação dos prisioneiros é um gesto relativamente pequeno, apenas para dar a aparência de que está cooperando com a Liga Árabe.

Abusos

O regime é acusado de cometer abusos contra os detidos. O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch acusou autoridades sírias de esconder centenas de presos em instalações militares, onde os observadores da Liga Árabe não têm permissão de entrar.

A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos estimam que 14 mil pessoas tenham sido detidas, e outras 5 mil tenham sido mortas, devido à repressão do regime sírio contra os manifestantes.

Os números de mortos e demais informações relativas aos confrontos na Síria são difíceis de verificar, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de trabalhar no país.

O governo da Síria afirma que está combatendo grupos de terroristas armados, e que centenas de integrantes das forças de segurança também foram mortos nos protestos.

Fonte: BBC Brasil

Congresso dos EUA deixa de renovar tarifa de importação para etanol

Depois de mais de 30 anos de renovações periódicas, os Estados Unidos vão deixar pela primeira vez que a tarifa imposta à importação de etanol e os subsídios oferecidos ao produto expirem, no próximo dia 31.

Nesta sexta-feira, a Câmara dos Representantes (equivalente a deputados federais) encerrou sua agenda de votações para o ano sem incluir nenhum projeto que renovasse as duas medidas.

O fato de a Câmara não ter votado pela renovação indica que a partir de 1º de janeiro de 2012 deixará de ser cobrada a tarifa de 54 centavos de dólar por galão (ou 14 centavos por litro) para o produto importado e também chegará ao fim o subsídio de 45 centavos por galão (equivalente a 3,78 litros) oferecido ao etanol misturado à gasolina.

A notícia é comemorada pelo setor de etanol brasileiro, que há vários anos luta pelo fim das medidas. O produto brasileiro também recebe o subsídio, mas esse benefício se perde com o pagamento da tarifa, e o etanol nacional acaba pagando 9 centavos de dólar por galão para entrar no mercado americano.

“O Brasil quer trabalhar com os Estados Unidos para fazer do etanol uma commodity global. Este é o primeiro passo”, disse à BBC Brasil a representante da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) em Washington, Leticia Phillips.

“Também enviará um sinal aos investidores para expandir sua atuação no Brasil”, afirma.

Crise

O subsídio ao etanol começou a ser concedido nos Estados Unidos em 1979. Um ano depois, passou a ser cobrada a tarifa de importação.

Desde então, as duas medidas foram renovadas periodicamente pelo Congresso americano, amparadas principalmente no forte lobby agrícola.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de etanol, que no país é produzido à base de milho. O Brasil, onde o produto é feito com cana-de-açúcar, ocupa o segundo lugar no ranking.

Neste ano, porém, o cenário de lenta recuperação da economia americana, com dívida de quase US$ 15 trilhões (cerca de R$ 28 trilhões), déficit recorde no orçamento e pressão cada vez maior para que o país coloque suas contas em dia, teve impacto na defesa de uma medida que custa aproximadamente US$ 6 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões) por ano aos contribuintes.

Ainda em junho, em uma decisão inédita, o Senado americano aprovou uma emenda que previa o fim da tarifa e dos subsídios. O projeto não foi adiante, mas foi encarado como uma sinalização de uma mudança de postura no Congresso em relação a um tema que até então era tabu em Washington.

Nos últimos meses, até mesmo alguns produtores de milho já vinham descartando a possibilidade de renovação da tarifa e dos subsídios no fim deste ano.

Em um artigo publicado no mês passado, o presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho, Gary Niemeyer, disse que “os produtores de milho e a indústria de etanol há muito tempo concordaram” em deixar de brigar pela renovação do subsídio.

Fonte: BBC Brasil

Cada vez mais ‘isolada’ da Europa, Grã-Bretanha enfrenta tensão política

Sarkozy após encontro em BruxelasDepois de rejeitar um pacto de integração fiscal europeu, a Grã-Bretanha enfrenta temores de se isolar cada vez mais do resto da União Europeia – preocupações que provocaram um racha dentro da coalizão governista britânica.

Na última sexta-feira, em Bruxelas, a maior parte dos países da União Europeia concordou com um pacto que visa integrar os controles orçamentários e fiscais do bloco e restaurar a confiança do mercado financeiro no euro.

Ainda que alguns países queiram submeter o acordo à aprovação de seus Parlamentos, acredita-se que 26 membros da UE estejam dispostos a assiná-lo – à exceção da Grã-Bretanha.

Durante o encontro em Bruxelas, o premiê britânico, David Cameron, se negou a fazer parte do pacto, alegando que ele levaria a intervenções europeias no mercado financeiro londrino e iria contra os interesses britânicos.

A rejeição britânica impediu que o pacto se tornasse um tratado para toda a União Europeia, levantando críticas à “divisão” da Europa e medo, entre os próprios britânicos, de se distanciar do restante do continente, que é o destino de cerca de metade das exportações da Grã-Bretanha.

Um dos principais críticos da posição britânica, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse à imprensa francesa que agora claramente existem “duas Europas”.

Em resposta às críticas, Cameron foi ao Parlamento britânico nesta segunda-feira para defender sua rejeição ao pacto. Ele alegou que o “não” ao acordo europeu “foi a resposta correta”, alegando que faltaram “salvaguardas ao mercado financeiro britânico”.

Mas agregou que seu país permanece sendo um “membro pleno da UE”, porque o país necessita “do mercado comum europeu”.

Eurocéticos

Ainda que a rejeição ao pacto europeu agrade grande parte do eleitorado de Cameron e de seu Partido Conservador – que tem uma ala “eurocética”, contrária à maior integração com a Europa –, a decisão britânica despertou tensões na coalizão governista.

O vice-premiê, Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, disse à BBC que ficou “desapontado” com o resultado das negociações em Bruxelas, que pode fazer com que a Grã-Bretanha “fique isolada e marginalizada” do resto do continente.

“Temos que garantir que a integridade do mercado comum (europeu) seja preservada”, afirmou Clegg. “Não acho que isso seja bom para os empregos (britânicos), para o crescimento ou para as famílias.”

A oposição trabalhista, por sua vez, disse que Cameron terá que explicar “por que fez algo que é tão ruim para a Grã-Bretanha e para os empregos britânicos”.

“Ele fez isso porque a ala eurocética do Partido Conservador tomou conta e isso não é bom para os interesses nacionais”, acusou o líder da oposição, Ed Miliband.

Em defesa do governo, o secretário de Negócios Vince Cable disse que “precisamos urgentemente de uma confirmação de que estamos comprometidos com a UE”, porque “milhões de empregos dependem disso”.

‘Solidariedade’

O analista de negócios da BBC Joe Lynam explica que ainda não está claro se o mercado financeiro britânico terá vantagens ou desvantagens de longo prazo por se livrar de regras comuns europeias.

Mas ele agrega que existe um risco de que os bancos do país possam ser afetados por acordos feitos pelos demais 26 membros da UE.

De sua parte, Sarkozy disse na França que ele e a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, fizeram tudo o que podiam para obter um consenso europeu para o pacto acordado em Bruxelas.

O pacto prevê mais integração econômica na zona do euro e inclui penalidades automáticas para países cujo deficit público exceda 3% de seu PIB; a antecipação, para julho de 2012, de um Mecanismo Europeu de Estabilidade (fundo permanente de resgate para os países da região); e um financiamento de 200 bilhões de euros a países endividados, a ser provido por países europeus para o FMI.

Também exige que os países do pacto submetam seus orçamentos nacionais à Comissão Europeia, que terá o poder de pedir que sejam revisados. O objetivo é evitar a descoberta tardia de grandes deficits, como os observados na Grécia.

Sarkozy declarou acreditar que agora existe uma Europa “que quer mais regulação e solidariedade entre seus membros” e outra que “está atrelada somente à lógica do mercado comum”.

‘Engajamento’

Em resposta às críticas, o gabinete de Cameron disse que a Grã-Bretanha vai “se engajar de maneira construtiva” com os demais países europeus e rejeitou a ideia de que a postura adotada em Bruxelas ameace a coalizão governista do país.

Ao mesmo tempo, a decisão de Cameron dividiu a imprensa britânica. De um lado, jornais como o Daily Telegraph argumentaram que “os britânicos comuns têm pouca simpatia” pelo projeto europeu (parte da população britânica desaprova, por exemplo, a ida de imigrantes europeus ao país).

Já jornais como o Guardian disseram que o veto britânico “certamente não protegerá Cameron e a Grã-Bretanha de danos econômico””, mas opinando que as decisões tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas farão pouco para resolver a crise do euro.

Fonte: BBC Brasil

Europa fecha pacto para tentar restaurar confiança fiscal

Líderes da Finlândia, França e Alemanha com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, em cúpula nesta sexta (AFP)Países europeus aderiram nesta sexta-feira a um pacto de controle fiscal e orçamentário, com o objetivo de enfrentar a crise econômica do bloco e tentar restaurar a confiança dos mercados no euro.

Porém, por conta de objeções de países como a Grã-Bretanha, não haverá um tratado que abranja a União Europeia – como queriam Alemanha e França –, e sim um pacto intergovernamental, que provavelmente será firmado por 26 países do continente.

O pacto inclui penalidades automáticas para países cujo deficit público exceda 3% de seu PIB; a antecipação, para julho de 2012, de um Mecanismo Europeu de Estabilidade (fundo permanente de resgate para os países da região); e um financiamento de 200 bilhões de euros a países endividados, a ser provido por países europeus para o FMI.

A ausência de um tratado que englobe toda a UE deve fazer com que as medidas sejam menos rigorosas, diz o editor de Europa da BBC, Gavin Hewitt. O lado positivo é que o pacto intergovernamental deverá ser aprovado mais rapidamente do que um tratado seria.

Mais detalhes das medidas serão anunciadas ainda nesta sexta-feira, durante a cúpula da UE em Bruxelas, e os líderes europeus pretendem ter um pacto pronto para entrar em ação em março de 2012.

Duas velocidades

Mesmo após quase dez horas de discussões, a UE não conseguiu obter consenso em torno das medidas propostas.

A principal objeção veio da Grã-Bretanha, que exigiu ser eximida de algumas regulamentações orçamentárias e financeiras – as quais, segundo o premiê David Cameron, influenciariam negativamente a City londrina, coração financeiro do país.

Como a exigência britânica foi vetada, Cameron rejeitou o pacto.

Outros países – Suécia, Hungria e República Tcheca – disseram que vão consultar seus Parlamentos antes de tomar uma decisão. Há dúvidas também se a Dinamarca passará o pacto pelo crivo parlamentar antes de assiná-lo. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, se disse convencido de que os países aceitarão o acordo.

Apesar disso, Gavin Hewitt explica que as medidas pactuadas representam um passo importante em direção à maior integração fiscal da Europa. Ele ressalta, porém, que os líderes europeus já levantam temores de que as normas, por conta de seu alcance limitado a alguns países, produzam uma Europa de “duas velocidades”.

‘Mais coerência’

Em defesa do acordo, a chanceler (premiê) Angela Merkel disse que, “após longas negociações, este é um resultado muito importante porque aprendemos com erros passados e no futuro teremos decisões vinculantes (adotadas por todos os países), com mais (espírito de) comunidade e mais coerência.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que o acordo desta sexta levará a mais disciplina na política econômica – “um desfecho muito bom para a zona do euro”.

Mesmo assim, o pacto ainda não conseguiu entusiasmar os mercados financeiros, que esperavam que fossem aprovadas medidas dando mais poder de ação ao BCE.

Em meio às discussões sobre a crise, a UE aprovou nesta sexta a adesão de seu 28º membro, a Croácia, que se tornará parte efetiva do bloco a partir de julho de 2013.

Fonte: BBC Brasil

Apesar de redução, Brasil mantém maior desigualdade entre Bric, diz OCDE

Pedestres e motociclistas em rua da Rocinha, no Rio (Foto: Reuters)O Brasil foi o único entre os chamados Bric – grupo que inclui ainda Rússia, Índia e China – a reduzir o abismo entre ricos e pobres em 15 anos, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mas o relatório salienta que apesar dessa redução, a desigualdade no Brasil ainda é a maior entre os países do grupo.

Enquanto o índice Gini, que mede a desigualdade de um país, caiu de 0,61 para 0,55 no Brasil entre 1993 e 2008, em todos os outros que são considerados as ‘vedetes’ dos emergentes esse índice passou para um valor mais alto. Quanto menor o índice Gini, melhor.

Além disso, no Brasil os 20% mais pobres viram sua renda crescer em média 6,6% ao ano na década de 2000, mais de três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos, de 1,8%. Isso representa uma aceleração de um processo que já havia começado nos anos 1990, afirmou o relatório.

Entretanto, observou a OCDE, o Gini do Brasil ainda é maior que em todos os Bric. É também o dobro da média dos ricos.

No país, os 10% mais ricos ganham nada menos que 50 vezes mais do que os 10% mais pobres, um dos maiores abismos do mundo, diz o relatório. Maior que emergentes como Chile, México e Turquia.

No Chile e no México, a diferença é de 25 vezes, mas segundo a OCDE está caindo. Na Turquia, a diferença é de 14 vezes – a mesma que nos EUA e em Israel.

Ricos, porém desiguais

O estudo de quase 400 páginas analisa a desigualdade no mundo. Uma de suas conclusões principais é a constatação de que o abismo cresceu também nos países ricos, chegando ao nível mais alto dos últimos 30 anos.

Em média, os 10% mais abastados nestes países ganham nove vezes mais que os 10% mais pobres.

Entre os ricos, a maior diferença é nos Estados Unidos (14 vezes). Na Itália, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha esse abismo é de dez vezes, e na Alemanha, Dinamarca e Suécia, de seis.

Para a entidade, a razão por trás da desigualdade nos países ricos se explica pelo abismo entre os salários pagos aos trabalhadores qualificados e a renda dos não-qualificados.

Por outro lado, esses países vêm paulatinamente cortando os benefícios sociais, e esses mecanismos não têm mais a mesma eficácia que tinham nos anos 1990 para combater a desigualdade, ressaltou a OCDE.

“O estudo contraria o pressuposto de que os benefícios do crescimento econômico automaticamente alcançarão automaticamente aqueles em desvantagem”, avaliou o secretário-geral da organização, Angel Gurría.

“Sem uma estratégia ampla de crescimento inclusivo, a desigualdade vai continuar a crescer.”

Angel Gurría afirmou que a qualificação da mão de obra é “de longe o instrumento mais poderoso para conter o aumento da desigualdade”.

“O investimento nas pessoas deve começar logo na infância e continuar para a educação formal e o trabalho.”

Fonte: BBC Brasil

Presidentes latino-americanos criam novo bloco regional e deixam EUA de fora

Logo do CELAC, em Caracas.Presidentes e representantes dos 33 países da América Latina se reúnem nesta sexta-feira, em Caracas, para formalizar a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Será a primeira vez que os países do continente se articulam em uma mesma plataforma política – com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional – sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

Segundo analistas, a Celac nasce com o desafio de criar uma organização capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.

Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de desenvolvimento econômico, pobreza, crime organizado e, em especial, antagonismos no campo político-ideológico.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita do campo político.

“Temos que ter muita paciência, muita sabedoria. Não podemos deixar-nos levar pelas ideologias governantes em um país ou outro”, disse Chávez na última quinta-feira, minutos antes de receber a presidente Dilma Roussef no Palácio de governo.

“Este processo tem que ser independente do socialismo cubano, do socialismo venezuelano, ou do sistema de governo e ideologia do governo do Brasil, da Colômbia (…) é a união política, geopolítica, e sobre esta união vamos construir um grande polo de poder do século 21.”

O primeiro debate do grupo, realizado na noite desta quinta-feira, já mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a tomada de decisões – por unanimidade ou por maioria qualificada. O debate deve ser retomado nesta sexta-feira.

Institucionalidade

O maior desafio para a Celac será “passar da afirmação de uma identidade e articulação política a uma institucionalidade que permita aos países tomar decisões”, disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.

Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de Estado estabelecida pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.

Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério e deve ser substituída.

“Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em Washington”, defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da Cúpula.

“(Espero) que mais cedo que tarde (a Celac) possa substituir a OEA, que historicamente tem tido grandes distorções”, acrescentou.

Esta posição, no entanto, ainda não é um consenso entre a maioria dos países da região, que até agora preferem defender a coexistência das duas instituições.

Para o analista internacional Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela, a Celac tende a contribuir para o enfraquecimento da OEA, mas ainda é cedo para falar de sua extinção.

“A substituição da OEA pela Celac não será fruto de um decreto ou de declarações a favor ou contra, e sim pelas vias de fato”, disse à BBCBrasil.

Lander cita como exemplo a atuação da Unasul na resolução do conflito da Bolívia, em 2008, que ele considera ‘decisiva’. “Se a Celac mostrar que pode solucionar os conflitos regionais sem a intervenção dos Estados Unidos, o papel da OEA vai perder força naturalmente.”

Independência

Para o o economista americano Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, a Celac é criada em um momento em que a América Latina se consolida como uma região “mais independente do que nunca”.

“Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional”, disse Weisbrot à BBC Brasil.

O analista político venezuelano Carlos Romero, professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, diz que a criação da Celac é um “passo positivo que marca um processo de maturidade política”da região.

No entanto, ele afirma que isso não necessariamente significará a existência um bloco antagônico a Washington. “Os EUA já não exercem a mesma tutela do passado”, diz.

A discussão do grupo ainda deve incluir a criação de um fundo de reserva para enfrentar a crise financeira internacional.

“Quanto mais nos integrarmos, mais estaremos preparados para enfrentar este furacão que a economia mundial está vivendo e a instabilidade do resto do planeta”, afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul.

Liderança brasileira

Os especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de “liderança natural” na Celac, protagonismo que antes era dividido com o México quando se tratava do hemisfério como um todo.

“O Brasil é uma potência regional, tem sido (protagonista) pró-democracia e em defesa independência regional na América Latina. Deve ajudar a desempenhar este papel dentro Celac”, disse Mark Weisbrot.

O governo brasileiro vê a Celac como o “terceiro anel” do processo de integração regional, seguido do Mercosul e da Unasul.

A reunião de Cúpula para a abertura da Celac havia sido marcada para 5 de julho, mas foi adiada imediatamente após o presidente venezuelano Hugo Chávez ser diagnosticado com câncer, no final de junho.

A Celac unificará as estruturas do Grupo do Rio, mecanismo de consulta internacional regional criado em 1986, e da Calc (Comunidade América Latina e Caribe) e deve trabalhar em cinco áreas: política, energia, desenvolvimento social, ambiente e economia.

Fonte: BBC Brasil