Mais um pré-candidato desiste das primárias republicanas

O ex-governador de Utah, Jon Huntsman, anunciou nesta segunda-feira sua desistência nas primárias republicanas que irão definir o candidato do partido que irá disputar a Presidência com o democrata Barack Obama, nos Estados Unidos.

Em um discurso na Carolina do Sul, Huntsman anunciou seu apoio ao ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, que vem liderando as prévias republicanas.

Na última semana, a líder conservadora Michele Bachmann, ligada ao movimento Tea Party, também desistiu de seguir na disputa.

Na última rodada das prévias, em New Hampshire, Huntsman recebeu apoio de apenas 17% dos votantes. Ele culpou os “ataques pessoais e negativos” de seus adversários por sua má performance.

Huntsman desistiu do páreo antes da votação na Carolina do Sul, onde sua campanha tem encontrado dificuldades para deslanchar.

Nas pesquisas nacionais, ele aparece com 1% a 2% das intenções de voto.

‘Discurso tóxico’

No discurso de desistência, Huntsman lamentou o nível da campanha republicana e disse que não iria jogar sujo.

“Essa campanha se degenerou em uma ofensiva de ataques negativos e pessoais”, disse Huntsman, pedindo a união do Partido Republicano em torno de apenas um candidato.

“A divisão é corrosiva”, disse, afirmando que “a forma tóxica de nosso discurso político não ajuda nossa causa”, em referência à campanha republicana.

Com 51 anos, fluente em mandarim, Huntsman serviu como embaixador dos Estados Unidos na China, sendo indicado por Barack Obama.

Nos anos 1990, ele se tornou o mais jovem embaixador americano, ao servir em Cingapura.

Apoio

Huntsman, que se tornou notório por ser mórmom, um segmento religioso não considerado cristão por setores mais conservadores, anunciou seu apoio a outro membro de sua igreja, Romney.

Tanto Huntsman quanto Romney são considerados os pré-candidatos mais moderados das prévias, marcadas pelo discurso conservador de seus concorrentes.

Apesar de as críticas recentes feitas a Romney, Huntsman disse que o ex-governador de Massachusetts é o mais preparado para derrotar Obama nas eleições de novembro.

Logo após o anúncio, Romney agradeceu pelo apoio. O ex-governador conseguiu 40% dos votos nas prévias de New Hampshire.

Fonte: BBC Brasil

Líga Árabe mantém missão na Síria, apesar de críticas

A Liga Árabe disse neste domingo que manterá sua missão de observadores atuando na Síria, apesar das críticas de que a iniciativa teria sido incapaz de impedir a matança de civis por parte do governo sírio.

Em reunião de chanceleres da Liga no Cairo (Egito), o organismo voltou a pedir à Síria pelo fim “imediato” da violência no país e prometeu reforçar sua missão de observação, cujo objetivo é supervisionar o cumprimento de um plano de pacificação na Síria.

Mas tudo indica que a missão não vai requerer a ajuda de observadores da ONU, ideia proposta pelo Catar que estava entre os temas a serem discutidos na reunião deste domingo. Diversos países árabes se opõem à interferência da ONU na Síria, temendo que medidas semelhantes sejam usadas contra eles no futuro.

Após duas semanas de atuação na Síria, a missão da Liga Árabe está sendo criticada por opositores do regime sírio, que alegam que os observadores estão sendo manipulados pelo governo de Bashar al-Assad e não estão reagindo de forma incisiva à violência no país árabe.

Segundo ativistas oposicionistas, novos confrontos neste domingo resultaram em 20 mortes, e incluindo entre as vítimas estariam 11 soldados mortos na província de Deraa.

Cálculos da ONU indicam que mais de 5 mil civis morreram nos últimos dez meses de protestos pró-democracia na Síria. Apesar dos apelos da Liga Árabe, nada indica que os enfrentamentos estejam a ponto de cessar.

Independência

Autoridades da Liga Árabe rejeitaram a possibilidade de extinguir a missão. Seus observadores estão na Síria desde o final de dezembro, na tentativa de pressionar os dois lados – governo e oposição – a abandonar as armas e de fazer com que o regime de Assad tire o Exército das ruas.

A Liga debateu também como dar mais independência aos observadores, que no momento são impedidos de se mover livremente pelo país.

Neste domingo, a missão visitou um hospital sírio, acompanhada de membros do governo do país.

Manifestantes protestaram nos arredores, alegando que a presença dos observadores está dando o aval político para que o regime sírio continue a praticar atos de violência contra civis.

No último sábado, segundo os opositores, 27 pessoas foram mortas em todo o país em confrontos com forças de segurança. Os tumultos começaram durante um funeral organizado pelo governo para homenagear as vítimas de um atentado a bomba em Damasco na sexta-feira, que já havia deixado 26 mortos.

O governo de Assad atribuiu o atentado a “terroristas”, enquanto a oposição o acusa de forjar a ação para influenciar a opinião pública.

Duas semanas atrás, 44 pessoas morreram em um atentado semelhante, que também motivou trocas de acusações entre governo e opositores.

Fonte: BBC Brasil

Líderes europeus alertam para 2012 difícil

Angela Merkel, em pronunciamento na televisãoLíderes europeus alertaram, em suas mensagens de ano novo na televisão, que 2012 será difícil no continente, com muitos economistas prevendo uma recessão.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Europa está passando pelo seu “mais duro teste em décadas”, mas que a região está ficando cada vez mais unida diante da crise da dívida pública.

“O próximo ano [2012] será sem dúvida mais difícil do que 2011″, disse Merkel, em um pronunciamento na televisão alemã.

“O caminho para superar isso [a crise da dívida] continua longo e não sem obstáculos, mas ao final deste caminho a Europa emergirá mais forte da crise do que quando entrou.”

Ela também defendeu o euro, afirmando que a moeda facilitou “a vida cotidiana e tornou nossa economia mais forte”.

Orçamento francês

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a crise ainda não acabou, e que é necessário fazer reformas estruturais para que a economia volte a crescer.

“Eu sei que a vida de muitos de vocês, já testada por dois anos difíceis, foi testada mais uma vez”, disse Sarkozy, em sua mensagem de fim de ano na televisão.

“Vocês estão terminando o ano mais preocupados com vocês mesmos e seus filhos.”

O presidente francês, que tentará se reeleger neste ano, prometeu não fazer mais cortes orçamentários. Recentemente o governo da França anunciou mais cortes, para tentar restaurar a confiança do mercado nos títulos da dívida do país, que tiveram sua classificação rebaixada por algumas agências de risco.

“O que era para ser feito foi feito pelo governo”, disse Sarkozy, sobre os cortes orçamentários.

Sarkozy e Merkel reunirão-se neste mês para discutir um plano fiscal para a Europa.

‘Sacrifícios’ na Itália

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, pediu que o povo do seu país faça mais sacrifícios para evitar o “colapso financeiro da Itália”, que é a terceira maior economia da Europa.

“Sacrifícios são necessários para garantir o futuro das pessoas jovens, este é o nosso objetivo, e é um compromisso que não podemos evitar”, disse Napolitano.

“Estes sacrifícios não serão em vão, especialmente se a economia voltar a crescer.”

O premiê grego, Lucas Papademos, também alertou para um 2012 difícil em seu pronunciamento de ano novo.

“Nós temos que continuar nossos esforços com determinação, para que os sacrifícios feitos até agora não sejam em vão”, disse ele.

Nos últimos meses, a economia europeia parou de crescer, depois que vários governos começaram programas de cortes de gastos públicos.

As dificuldades cresceram quando o custo de tomada de empréstimos subiu fortemente em alguns dos maiores países da União Europeia, como Itália e Espanha.

Há temores de uma nova crise de crédito mundial, já que muitos bancos estão expostos à dívida pública italiana.

Em uma pesquisa feita pela BBC, 25 de 27 economistas consultados disseram acreditar que a Europa voltará à recessão em 2012.

Fonte: BBC Brasil

Imigrantes em ‘paraísos do desenvolvimento’ destacam o que falta ao Brasil

O músico brasileiro Aalor Soares, com sua família, na Holanda Enquanto o Brasil se prepara para avançar mais uma posição no ranking das economias, mas ainda enfrenta mazelas típicas de países subdesenvolvidos, imigrantes brasileiros que vivem nos países com os mais altos índices de desenvolvimento destacam as diferenças entre os dois mundos.

Leonardo Dória vive há 10 anos na Noruega, país que lidera o ranking elaborado a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Calculado em 187 países, o IDH foi introduzido numa tentativa de desviar o foco do desenvolvimento puramente econômico, medido pelo Produto Interno Bruno (PIB), passando a explorar também outros indicadores como expectativa de vida, média de anos de estudo, acesso à saúde e distribuição de renda.

Com nota 0,943, a Noruega fica perto da nota máxima 1, seguida pela Austrália (0,929) e pela Holanda (0,910). Esses países fazem parte de um grupo de 47 com desenvolvimento considerado muito alto. O Brasil está no grupo imediatamente inferior, na 84ª posição, e com nota 0,718.

“O petróleo gera muita riqueza para a Noruega”, diz Doria à BBC Brasil, destacando que essa riqueza é distribuída de forma “justa e igualitária”.

Uma forma de medir isso e comparar com o Brasil toma por base o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda em um país. A Noruega tem um coeficiente de 25,8, que indica uma das melhores distribuições de renda do mundo. O do Brasil, de 53,9, põe os país entre os 10 piores do mundo no quesito, segundo a ONU.

Salários compensadores

O baiano Alessandro Mendes, também morador de Oslo, diz que ainda está se adaptando ao país. Ele chegou à Noruega a passeio, após visitar a irmã na Alemanha. “Eu dei sorte. Vim a convite da minha atual esposa e acabei encontrando um trabalho”, conta.

Em 2008, no auge da crise financeira, ele perdeu o emprego. “Meu filho tinha acabado de nascer e foi um baque pra gente.” Ele aproveitou os 12 meses de licença maternidade remunerada da esposa e voltou para o Brasil por cinco meses, para colocar a cabeça no lugar.

Acabou retornando a Oslo e encontrando emprego como subgerente de uma rede de supermercados, mas anda decepcionado com o país.

“O custo de vida aqui é muito alto, eu tenho de pagar o equivalente a cerca de R$ 600 por mês pela creche da minha filha”, diz, ao explicar que já pensou em fazer bicos como guia turístico para aumentar a renda familiar.

Doria, que, além de trabalhar como geógrafo, tem um site com dicas sobre a Noruega, concorda que o custo de vida no país seja alto. “Mas os salários compensam e, tudo o que você paga, está relacionado à sua renda anual”, disse, citando a educação e a saúde, calculadas com base nos rendimentos de cada trabalhador, de modo a não pesar no bolso dos mais pobres e manter a igualdade de oportunidades.

Filhos poliglotas


Na Holanda, terceira colocada no último ranking do IDH, o sistema é parecido. Para ter acesso a médicos e hospitais públicos, o cidadão precisa ter um plano de saúde cujo valor é calculado com base na renda.

“Eu pago 500 euros mensais para mim, para minha mulher e para os meus três filhos”, diz o músico paulista Alaor Soares, que mora na cidade holandesa de Vleutten desde 1992. “E meu filho acabou de começar o ano letivo e eu tive apenas que comprar um computador para ele usar durante as aulas, o resto é gratuito”, acrescentou.

Na mesma escola, os três filhos de Alaor aprendem francês e alemão. Além disso, já falam português, holandês e inglês, que aprenderam em casa. 

“Aqui, a escola é pública e todo mundo usa, até a filha da princesa”, diz Marcia Curvo, engrossando o coro. Há 12 anos na Holanda, a goiana fala com orgulho do país que adotou para viver. “Eu pago imposto e tenho retorno. Amanhã, se eu ficar inválida, eu vou ter tudo: tratamento, assistente social, moradia. Eu não vou ficar jogada no meio da rua.”

Futuros planejados


Além do alto nível das infraestruturas e dos serviços nesses países, poder planejar o futuro é outra vantagem citada por brasileiros. “A gente tem estabilidade, pode pensar em comprar uma casa, um carro, o governo ajuda, se for preciso”, afirma Eliane Braz, que mora em Toulouse, no sul da França, país que ocupa a 20ª posição no ranking de IDH.

“Saber que é possível fazer planos com segurança e que esses planos darão certo se você fizer a sua parte é uma das maiores vantagens de se morar na Noruega”, diz Leonardo Doria, que gostaria que o Brasil tivesse essa qualidade. Ele também adoraria que o país onde nasceu tivesse uma cidadania mais madura.

“Eu gostaria que os brasileiros tivessem essa consciência dos noruegueses”, diz o carioca. “Aqui, as pessoas se envolvem com as questões sociais, elas sabem que têm direitos e deveres, e cobram isso dos políticos”.

Já Alessandro Moraes adoraria que políticos brasileiros fossem como os noruegueses, que “recebem salários discretos e sem auxílios extras.”

Fonte: BBC Brasil

Presença de monitores internacionais não reduz violência da Síria

Manifestantes em Homs (AP)Mesmo com a presença de observadores internacionais da Liga Árabe para checar se a Síria está cumprindo um acordo de paz, a violência no país voltou a explodir nesta quarta-feira.

Segundo relato de ativistas, mais de dez pessoas foram mortas em cidades como Homs, Deraa e Idib.

Um vídeo divulgado na internet mostra uma multidão de manifestantes enfurecidos colocando o corpo de um menino sobre um carro que aparentemente pertencia aos observadores.

De acordo com o correspondente da BBC na região Jim Muir, que está no Líbano, o que se ouve no vídeo é alguém dizendo que o menino tinha cinco anos e se chamava Ahmad. “Esses são nossos mártires”, diz um homem aos membros da Liga Árabe. “E eles estão sendo mortos na frente de vocês, observadores”.

Mesmo com a resistência de muitos ativistas em relação à missão árabe, os enviados puderam, segundo Muir, entrar nas áreas mais afetadas de Homs, sem serem acompanhados por forças de segurança sírias, e podendo conversar com moradores.

No início do dia, o chefe da equipe de monitores, o general sudanês Mustafa Dabi, disse que até o momento não havia presenciado “nada assustador”. O correspondente da BBC afirma, no entanto, que o general Dabi está claramente evitando emitir julgamentos.

Prisioneiros

A Síria já havia anunciado nesta quarta-feira a libertação de 755 pessoas detidas durante os protestos contra o presidente Bashar Al-Assad.

De acordo com a TV estatal síria, os prisioneiros se envolveram “em incidentes recentes”, mas não tiveram “as mãos manchadas com sangue sírio”.

Segundo o plano de paz acordado entre o governo e a Liga Árabe, todos os manifestantes presos durante os protestos contra o governo, iniciados em março, devem ser soltos pela Síria.

Para o correspondente, a libertação dos prisioneiros é um gesto relativamente pequeno, apenas para dar a aparência de que está cooperando com a Liga Árabe.

Abusos

O regime é acusado de cometer abusos contra os detidos. O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch acusou autoridades sírias de esconder centenas de presos em instalações militares, onde os observadores da Liga Árabe não têm permissão de entrar.

A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos estimam que 14 mil pessoas tenham sido detidas, e outras 5 mil tenham sido mortas, devido à repressão do regime sírio contra os manifestantes.

Os números de mortos e demais informações relativas aos confrontos na Síria são difíceis de verificar, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de trabalhar no país.

O governo da Síria afirma que está combatendo grupos de terroristas armados, e que centenas de integrantes das forças de segurança também foram mortos nos protestos.

Fonte: BBC Brasil

Congresso dos EUA deixa de renovar tarifa de importação para etanol

Depois de mais de 30 anos de renovações periódicas, os Estados Unidos vão deixar pela primeira vez que a tarifa imposta à importação de etanol e os subsídios oferecidos ao produto expirem, no próximo dia 31.

Nesta sexta-feira, a Câmara dos Representantes (equivalente a deputados federais) encerrou sua agenda de votações para o ano sem incluir nenhum projeto que renovasse as duas medidas.

O fato de a Câmara não ter votado pela renovação indica que a partir de 1º de janeiro de 2012 deixará de ser cobrada a tarifa de 54 centavos de dólar por galão (ou 14 centavos por litro) para o produto importado e também chegará ao fim o subsídio de 45 centavos por galão (equivalente a 3,78 litros) oferecido ao etanol misturado à gasolina.

A notícia é comemorada pelo setor de etanol brasileiro, que há vários anos luta pelo fim das medidas. O produto brasileiro também recebe o subsídio, mas esse benefício se perde com o pagamento da tarifa, e o etanol nacional acaba pagando 9 centavos de dólar por galão para entrar no mercado americano.

“O Brasil quer trabalhar com os Estados Unidos para fazer do etanol uma commodity global. Este é o primeiro passo”, disse à BBC Brasil a representante da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) em Washington, Leticia Phillips.

“Também enviará um sinal aos investidores para expandir sua atuação no Brasil”, afirma.

Crise

O subsídio ao etanol começou a ser concedido nos Estados Unidos em 1979. Um ano depois, passou a ser cobrada a tarifa de importação.

Desde então, as duas medidas foram renovadas periodicamente pelo Congresso americano, amparadas principalmente no forte lobby agrícola.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de etanol, que no país é produzido à base de milho. O Brasil, onde o produto é feito com cana-de-açúcar, ocupa o segundo lugar no ranking.

Neste ano, porém, o cenário de lenta recuperação da economia americana, com dívida de quase US$ 15 trilhões (cerca de R$ 28 trilhões), déficit recorde no orçamento e pressão cada vez maior para que o país coloque suas contas em dia, teve impacto na defesa de uma medida que custa aproximadamente US$ 6 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões) por ano aos contribuintes.

Ainda em junho, em uma decisão inédita, o Senado americano aprovou uma emenda que previa o fim da tarifa e dos subsídios. O projeto não foi adiante, mas foi encarado como uma sinalização de uma mudança de postura no Congresso em relação a um tema que até então era tabu em Washington.

Nos últimos meses, até mesmo alguns produtores de milho já vinham descartando a possibilidade de renovação da tarifa e dos subsídios no fim deste ano.

Em um artigo publicado no mês passado, o presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho, Gary Niemeyer, disse que “os produtores de milho e a indústria de etanol há muito tempo concordaram” em deixar de brigar pela renovação do subsídio.

Fonte: BBC Brasil

Cada vez mais ‘isolada’ da Europa, Grã-Bretanha enfrenta tensão política

Sarkozy após encontro em BruxelasDepois de rejeitar um pacto de integração fiscal europeu, a Grã-Bretanha enfrenta temores de se isolar cada vez mais do resto da União Europeia – preocupações que provocaram um racha dentro da coalizão governista britânica.

Na última sexta-feira, em Bruxelas, a maior parte dos países da União Europeia concordou com um pacto que visa integrar os controles orçamentários e fiscais do bloco e restaurar a confiança do mercado financeiro no euro.

Ainda que alguns países queiram submeter o acordo à aprovação de seus Parlamentos, acredita-se que 26 membros da UE estejam dispostos a assiná-lo – à exceção da Grã-Bretanha.

Durante o encontro em Bruxelas, o premiê britânico, David Cameron, se negou a fazer parte do pacto, alegando que ele levaria a intervenções europeias no mercado financeiro londrino e iria contra os interesses britânicos.

A rejeição britânica impediu que o pacto se tornasse um tratado para toda a União Europeia, levantando críticas à “divisão” da Europa e medo, entre os próprios britânicos, de se distanciar do restante do continente, que é o destino de cerca de metade das exportações da Grã-Bretanha.

Um dos principais críticos da posição britânica, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse à imprensa francesa que agora claramente existem “duas Europas”.

Em resposta às críticas, Cameron foi ao Parlamento britânico nesta segunda-feira para defender sua rejeição ao pacto. Ele alegou que o “não” ao acordo europeu “foi a resposta correta”, alegando que faltaram “salvaguardas ao mercado financeiro britânico”.

Mas agregou que seu país permanece sendo um “membro pleno da UE”, porque o país necessita “do mercado comum europeu”.

Eurocéticos

Ainda que a rejeição ao pacto europeu agrade grande parte do eleitorado de Cameron e de seu Partido Conservador – que tem uma ala “eurocética”, contrária à maior integração com a Europa –, a decisão britânica despertou tensões na coalizão governista.

O vice-premiê, Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, disse à BBC que ficou “desapontado” com o resultado das negociações em Bruxelas, que pode fazer com que a Grã-Bretanha “fique isolada e marginalizada” do resto do continente.

“Temos que garantir que a integridade do mercado comum (europeu) seja preservada”, afirmou Clegg. “Não acho que isso seja bom para os empregos (britânicos), para o crescimento ou para as famílias.”

A oposição trabalhista, por sua vez, disse que Cameron terá que explicar “por que fez algo que é tão ruim para a Grã-Bretanha e para os empregos britânicos”.

“Ele fez isso porque a ala eurocética do Partido Conservador tomou conta e isso não é bom para os interesses nacionais”, acusou o líder da oposição, Ed Miliband.

Em defesa do governo, o secretário de Negócios Vince Cable disse que “precisamos urgentemente de uma confirmação de que estamos comprometidos com a UE”, porque “milhões de empregos dependem disso”.

‘Solidariedade’

O analista de negócios da BBC Joe Lynam explica que ainda não está claro se o mercado financeiro britânico terá vantagens ou desvantagens de longo prazo por se livrar de regras comuns europeias.

Mas ele agrega que existe um risco de que os bancos do país possam ser afetados por acordos feitos pelos demais 26 membros da UE.

De sua parte, Sarkozy disse na França que ele e a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, fizeram tudo o que podiam para obter um consenso europeu para o pacto acordado em Bruxelas.

O pacto prevê mais integração econômica na zona do euro e inclui penalidades automáticas para países cujo deficit público exceda 3% de seu PIB; a antecipação, para julho de 2012, de um Mecanismo Europeu de Estabilidade (fundo permanente de resgate para os países da região); e um financiamento de 200 bilhões de euros a países endividados, a ser provido por países europeus para o FMI.

Também exige que os países do pacto submetam seus orçamentos nacionais à Comissão Europeia, que terá o poder de pedir que sejam revisados. O objetivo é evitar a descoberta tardia de grandes deficits, como os observados na Grécia.

Sarkozy declarou acreditar que agora existe uma Europa “que quer mais regulação e solidariedade entre seus membros” e outra que “está atrelada somente à lógica do mercado comum”.

‘Engajamento’

Em resposta às críticas, o gabinete de Cameron disse que a Grã-Bretanha vai “se engajar de maneira construtiva” com os demais países europeus e rejeitou a ideia de que a postura adotada em Bruxelas ameace a coalizão governista do país.

Ao mesmo tempo, a decisão de Cameron dividiu a imprensa britânica. De um lado, jornais como o Daily Telegraph argumentaram que “os britânicos comuns têm pouca simpatia” pelo projeto europeu (parte da população britânica desaprova, por exemplo, a ida de imigrantes europeus ao país).

Já jornais como o Guardian disseram que o veto britânico “certamente não protegerá Cameron e a Grã-Bretanha de danos econômico””, mas opinando que as decisões tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas farão pouco para resolver a crise do euro.

Fonte: BBC Brasil