A diplomacia brasileira está em crise?


Sem dúvida o conjunto de iniciativas, e de ausências de iniciativas, da Diplomacia brasileira nos últimos meses explica a demissão do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães da presidência do Mercosul no último dia 29 de junho, em Mendoza. A Diplomacia brasileira volta a ser corriqueira, banal e fascinada pelos EUA.

Francisco Carlos Teixeira

Durante os dois governos de Lula da Silva ( 2003-2010) a diplomacia brasileira atingiu o ápice de dinamismo e autonomia pouca vezes praticada na políticas externa do país, servindo de comparação com a chamada Política Externa Independente dos anos de 1961-1964. O chamado “Novo Protagonismo Mundial” do Brasil – tendo à frente o chanceler Celso Amorim e, como verdadeiro mentor, o embaixador Samuel Pinheiro Guimaraes, um intelectual de porte – foi, por isso mesmo, alvo de atenção, elogios e duríssimas críticas. O Governo Dilma Rousseff, tendo o chanceler Antonio Patriota como condutor, mostrou, até o momento, pouco interesse e pouca ação nas relações internacionais, com duros revezes na agenda internacional. 

A Guerra e a Paz do Governo Dilma
A presidente – nego a flexão de gênero da palavra por feia e desnecessária! – assumiu o governo do Brasil com três grandes desafios para enfrentar. O primeiro, e de longe o mais importante, reside na eliminação da pobreza e da miséria no país. Trata-se de cerca de 16 milhões de pessoas que recebem menos de R$70 por mês e não possuem, em sua maioria, acesso à água encanada, esgotamento sanitário e luz. Esta é a linha da extrema pobreza, como definida pelo IBGE, no Brasil. E é ela que embasa o Programa Brasil sem Miséria, criado por Dilma e administrado pela ministra do desenvolvimento social e combate à fome, Tereza Campelo.

O programa, em cerca de 18 meses de governo, já representou a incorporação ao Bolsa Família de cerca de 2.7 milhões de crianças. Este é uma avanço concreto na luta pelo fim da miséria no país. Dilma impôs a si mesma a meta de eliminar, nesta geração, a vergonha da miséria absoluta num país tão rico como nosso.

Uma segunda, e duríssima frente de luta, é a manutenção do crescimento econômico, com a geração de emprego e renda no país. Sem o crescimento econômico todas as demais metas – incluindo aí a eliminação da pobreza – estarão comprometidas. Entretanto, a crise mundial – com o afundamento das economias europeias, paralisia do Japão, a “gangorra” americana e a desaceleração da China Popular – bate com força ás portas do Brasil. O modelo usado com sucesso por Lula em 2008/09 para enfrentar a crise – aumento do consumo interno, redução dos juros e redução fiscal – embora benfazejo no momento não parece mais surtir os efeitos anteriores ( crescimento de 7.5% do PIB em 2010).

Na verdade, o momento é de aumento dos investimentos, ampliação da infraestrutura e criação condições permanentes e sustentáveis de crescimento. Isso tem sido lento, pela dificuldade de fazer os investimentos – o PAC, por exemplo – e pela qualidade da gestão no nível local, além da praga da corrupção que paralisa obras públicas. De qualquer forma, mesmo crescendo a pouco mais de 2.5% o Brasil é uma exceção entre as grandes economias.

Por fim, Dilma teve que lidar com uma ampla sucessão de “malfeitos”, obrigando-a a tratar com uma base aliada sempre fisiológica, sem ideologia e ávida de cargos e sinecuras.

Assim, nestas condições, não é de se estranhar a pouca atenção aos assuntos externos, deixados aos cuidados dos “especialistas” do Itamaraty. Aí talvez residam as origens da atual situação.

A crise da Rio+20
Para falar toda a verdade, a Presidente Dilma foi quem mais se esforçou para o sucesso da Rio+20, utilizando suas, poucas, viagens ao exterior para pedir a presença de chefes de Estado e de Governo na conferência. Contudo, a agenda internacional era negativa. Com a agudização da crise econômica – que coincidiu com o auge da crise da Espanha e do euro – e a gastança mundial para socorrer bancos e banqueiros, a ideia original de um fundo mundial de obras e ações de sustentabilidade, foi perdida. 

Da mesma forma, a proposta de criação de Agência Mundial de Meio-Ambiente – da qual não sabemos até o momento se o Brasil é favorável em razão do silêncio do Itamaraty – e posta na mesa pelo Presidente François Hollande, não prosperou. O resultado foi o rompimento das organizações não-governamentais com a direção da conferência e a “pequena crise” entre o Brasil, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e a primeira-ministra da Dinamarca, na ocasião representante da União Europeia.

Foi necessário e útil para a Rio+20 e o Brasil tal crise? Creio que não. Em Copenhague, em 2009, na própria presença de Dilma, quando foi armado o impasse pelos Estados Unidos e a China Popular – que não queriam nem metas nem compromissos sobre sustentabilidade – Lula deslocou-se até a capital do Príncipe Hamlet, e, ao lado de Nicolás Sarkozy, fez um imenso esforço de desbloquear a conferência e avançar metas e propostas, mesmo que auto-impostas.

Para ser mais explícito vamos citar a mídia da época: “… no último dia da conferência das Nações Unidas [ em Copenhague, 2009], o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confessou sua frustração em relação ao desenvolvimento das negociações e garantiu que o Brasil está disposto a fazer sacrifícios para financiar os países pobres a se adaptarem aos efeitos da mudança climática”. Na ocassião Lula buscou apoio da Índia, da África do Sul e outros emergentes contra um “diktat” das duas grandes economias mundiais. Foi, então, o Brasil que criticou a fragilidade do documento. Ao chegar a nossa vez de avançar, aceitamos um consenso murcho e frouxo…

No Rio, os diplomatas brasileiros buscaram, às pressas, um consenso mínimo e se declararam “ofendidos” pelas críticas aos parcos resultados, admoestando o secretário-geral da ONU e brandindo ofensas contra Helle Torning-Schmidt, a “premier” da Dinamarca, que havia, em verdade, criticado os Estados Unidos e pedido maior empenho em um resultado mais impositivo para a Rio+20.

Ao contrário de Lula em Copenhague, a diplomacia brasileira optava pelo consenso mínimo, eximia-se de criticar os grandes poluidores – Estados Unidos à frente –e criava embaraços para a ONU e a União Européia. Ora, em Copenhague o Brasil aliara-se a U.E. e a ONU, exatamente na crítica aos EUA e a China Popular. Na ocasião, Lula não aceitara que os “dois grandes” criassem um novo “condomínio bipolar” no mundo, ressaltando o protagonismos dos emergentes.

Perdemos, na Rio+20, a oportunidade de melhorar o perfil dos produtos brasileiros frente aos países poluidores, aceitando recomendações aquém da legislação brasileira.

Enquanto isso avolumava-se a crise no Paraguai.

A crise no Paraguai
A crise paraguaia deu-se simultaneamente a Rio+20, num momento que todas as atenções estavam voltadas para a aprovação do fraco documento proposto pela diplomacia brasileira.

O carater “relâmpago” dos procedimentos já foi, aqui mesmo na Carta Maior, destrinchados e amplamente desmascarados seus procedimentos golpistas. Tratou-se, ainda uma vez, de um “golpe constitucional, expresso”, quando uma maioria atropela a Lei e seu espírito e letra – isso mesmo a letra da lei! – para depor um presidente constitucional, mas minoritário. Honduras, em 2009, foi o protótipo experimentado visando dar ares legais ao ilegal. A insistência da mídia brasileira em destacar os trâmites legais do golpe esbarra no Artigo 17, dos Procedimentos Porcessuais, Item 7, da própria Constituição Nacional do Paraguai que estabelece que todo acusado, em juizo, deve usufruir “…dos meios e prazos indispensáveis para a preparação de sua defesa de forma livre”

Foi tudo o que não houve no Paraguai.

Em suma, a diplomacia brasileira agiu certo ao impor, até próximas eleições, uma suspensão do país guarani no âmbito do Mercosul. No entanto, aí explicitam-se as dúvidas e dubiedades dos diplomatas brasileiros. O que houve com o acompanhamento da crise paraguaia pela diplomacia brasileira em Assunção antes do golpe? Somente no momento da crise acordamos para o, já então, inevitável?

Sem dúvida, houve erros de acompanhamento, já que a diplomacia venezuelana já havia detectado possibilidades de golpe e denunciando a situação de cerco de Lugo.

Além disso, após a “suspensão” do Paraguai, na Cúpula de Mendoza (Mercosul+UNASUL, 29/06/2012), se permitiu uma evolução ridícula da diplomacia de Assunção: primeiro cheia de elogios a Dilma Rousseff, depois tornou-se agressiva e, no limitem, injuriosa. Chegou-se ao ponto de acusar a política externa brasileira de reeditar a Tríplice Aliança – Uruguai, Argentina e Brasil na Guerra do Paraguai – reavivando o velho modelo da oligarquia do Paraguai de vitimizar-se para manter seu poder de mando. Já o embaixador paraguaio em Washington – satisfeito com a posição do governo Obama- definiu o Brasil como uma elefante numa loja de louças, sempre quebrando a “harmonia e paz”.

Por fim, aceitou-se a formação de uma “missão” da OEA – o mesmo organismo que se calou perante a crise de Honduras de 2009, como o Itamaraty já sabia e já experimentara com amargura – para fazer uma avaliação da “crise”, como se não fosse claro o golpe perpetrado. A missão, liderada por José Miguel Insulza, do Chile, era composta pelos EUA, Canadá, México – três países do NAFTA, extremamente críticos do Mercosul, antes defensores da ALCA, e estranhos e contrários a Unasul, além de Honduras – onde o governo é um produto do primeiro golpe constitucional das Américas e do pobre e desmantelado Haiti, de nenhuma experiência democrática.

A aceitação de tal missão, sabendo-se o que a OEA fez no caso de Honduras, e de tal composição da missão, foi um erro desde de sua criação. O resultado foi uma extrapolação dos objetivos e um claro endosso ao golpe. A bem da verdade, o Brasil só tem colecionado derrotas na OEA, incluindo aí casos como Honduras e questões de legislação. Hegemonizada pelos os Estados Unidos e seus dois aliados do Nafta – Canadá e México – seria o momento da Diplomacia brasileira romper tais laços e declarar a Doutrina Monroe – base de criação da OEA -, alma da hegemonia americana nas Américas, bem como o TIAR, como letra morta.

Por sinal, não é compreensível a razão pela qual o Itamaraty insiste em aconselhar a não abertura das investigações dos crimes contra os direitos humanos, como o caso Vladimir Herzog, opondo-se com leguleio e casuísmos perante a OEA. Em vez de sermos condenados em cortes internacionais deveríamos, ter as iniciativas da questão, como é, de fato, a política de Dilma Rousseff.

Algumas poucas verdades sobre o Paraguai
Além do Paraguai, desde décadas, nada fazer para controlar o fluxo de drogas, carros roubados e de lavagem de dinheiro, a postura internacional do país, cria sérios problemas para a diplomacia brasileira. Mesmo no âmbito Mercosul o Paraguai é um entrave. O Governo de Assunção – com outros países do Caribe e América Central e ilhas do Pacifico, sob injunções norte-americanas – reconhece o governo de Taiwan, criando sérios obstáculos para acordos entre o Mercosul e a China Popular.

Taiwan, para manter sua embaixada aberta em Assunção, oferece – como “ajuda” – cerca de 300 milhões de dólares anuais às autoridades paraguaias – no Malauí eram 400 milhões! – que são distribuídos segundo critérios políticos [5]. Uma das ameaças de Lugo, temida pelos “ajudados”, era exatamente o reconhecimento de Beijing, trocando os titulares das embaixadas. Quando a mídia brasileiro “alertou” para a possibilidade de uma aproximação entre Assunção e Beijing como retaliação a sua suspensão do Mercosul, na verdade, estava trocando as bolas. As ameaças de Assunção são, sempre, de romper com o Mercosul para se aproximar dos… Estados Unidos.

Governo do Paraguai acusa Chávez
Mais uma vez a mídia brasileira apressou-se em desviar a atenção do “golpe expresso” em Assunção para acusar Chávez de intervenção nos assuntos internos do Paraguai. Mais uma vez, ainda, a Diplomacia brasileira, mesmo atingida e chamada de marionete de Chávez, manteve silêncio. Acusação, feita pela ministra da defesa Maria Liz Garcia ( portanto um ato de Estado) de que o chanceler Nicolas Maduro ( da Venezuela) tentou mobilizar o exército paraguaio para um golpe foi amplamente noticiada, mas o filme feito “provando” tal intervenção jamais foi exibido na TV brasileira. Por uma razão simples: a edição e a montagem eram primárias.

Na verdade, a Comissão de Inquérito criada para verificar a “intervenção da Venezuela” – o que ocasionou, antes de qualquer comprovação a declaração do embaixador venezuelano e do chancelar Maduro “persona non grata” em Assunção – e presidida pela Procuradora Geral da República Paraguaia Estella Marys Cano comprovou não ter havido qualquer ato ou proposta de intervenção ou conluio entre militares paraguaios e diplomatas venezuelanos. Tal notícia, contrariando o “furo” da mídia brasileira, não foi notícia de relevo no Brasil.

Mais uma vez o Brasil, agora sob forte ataque da diplomacia paraguaia, decidiu por não comentar o resultado do inquérito paraguaio. Da mesma forma, as ofensas dirigidas pelo Congresso Paraguaio contra a Presidente Dilma ficaram sem resposta, inclusive da Comissão de relações Exteriores do Congresso Brasileiro, presidida pelo senador (Al-PTB) Fernando Collor.
As primeiras nomeações do novo presidente do Paraguai –uma irmã para presidir a empresa Itaipu Binacional e um cunhado como ministro – também não mereceram atenção.

A crise com a Argentina
O país vizinho, nosso grande parceiro e aliado em fóruns internacionais – futebol à parte – passa por séria crise econômica, derivada de fatores múltiplos, incluindo uma tremenda seca e perda de lavouras (o que afeta também o Brasil ). Neste contexto, Buenos Aires optou por controlar os fluxos de comércio com o Brasil, tomando uma série de medidas restritivas. A maioria delas contradiz fortemente o espírito das medidas que amparam o Mercosul.

Apesar de todas as restrições, o comércio bilateral, no entanto, alcançou a casa dos 40 bilhões de dólares, com crescimento de cerca de 35% das exportações brasileiras para a Argentina, gerando um déficit para os argentinos de mais de 6 bilhões de dólares. Tais dificuldades sempre foram comuns, e algumas vezes ásperas. Na administração Lula tais questões eram resolvidas através da chamada “diplomacia presidencial”, com entendimentos diretos entre o Planalto e a Casa Rosada. Essa era a política implantada por Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães – e que a mídia espezinhava como “diplomacia companheira” e que, em verdade, gerava emprego e renda no Brasil.

Hoje, a diplomacia brasileira – aliada com a burocracia dos ministérios brasileiros, fortemente anti-argentina – apela para uma denúncia na OMC, para além do entendimento direto e franco com Buenos Aires. Não há, no entanto, qualquer iniciativa de discussão aberta e franca entre Cristina K. e Dilma, como antes se dava com Lula e Nestor K.

É interessante ressaltar que o comércio Brasil-Estados Unidos, a quem a Diplomacia brasileira atribui hoje grande relevância e se diz “apaziguadora” (numa crítica velada ao anterior secretário executivo do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães), é fortemente deficitário para o Brasil, e Washington prejudica claramente as exportações brasileiras de aço, sapatos, tecidos, suco de laranja, açúcar, algodão, etc... Da visita de Obama conseguimos, em verdade, o reconhecimento da cachaça como produto nacional e a abertura de mais consulados, facilitando a ida de turistas para Miami. O Brasil exporta empregos para os estados Unidos – cerca de 900 mil postos de trabalho – com as compras brasileiras. Nem isso alenta a Diplomacia brasileira a exigir maior consideração pelos interesses brasileiros, seja no caso do Paraguai, seja na intervenção a licitação pública que anulou a compra de aviões Embraer pela Força Aérea brasileira.

Projetos e Perspectivas
Sem dúvida o conjunto de iniciativas, e de ausências de iniciativas, da Diplomacia brasileira nos últimos meses explica a demissão do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães da presidência do Mercosul no último dia 29 de junho, em Mendoza. A Diplomacia brasileira volta a ser corriqueira, banal e fascinada pelos Estados Unidos – que trata o Brasil como piada, como aquela feita por Hillary Clinton na véspera de sua viagem para a Rio+20.

Em grande parte isso se deve a ausência de interesse, talvez conhecimentos, do cenário mundial por parte da presidente Dilma Rousseff. Mas, deve-se mais ainda, pela condução atual do Itamaraty.

Assim, as propostas em pauta da agenda brasileira são, exatamente, contrárias a dinâmica política externa anterior do país. Por exemplo, a proposta de aproximação com o México e sua adesão como “membro associado” ao Mercosul. Trata-se de um tremendo equivoco. O México, membro do Nafta e aliado dos Estados Unidos, será um cavalo de Tróia para produtos e serviços americanos ( além de vetar a reforma do Conselho de Segurança da ONU, visando impedir a entrada do Brasil ). Além disso, criou, em 2011, com a Colômbia, Peru e Chile – países com Tratados de Livre Comércio com os EUA – a Associação de Países do Pacífico, visando contrapor-se às políticas brasileiras de integração sul-americana.

Por outro lado, abandonamos nossa posição construída lentamente no Oriente Médio. As relações com a pujante Turquia foram adormecidas, e a chancelaria brasileira recusou um encontro com os iranianos na Rio+20. Ok, podemos entender que Dilma não goste de governos que permitem o apedrejamento legal de mulheres. Mas, cabe dizer isso e ter um papel numa crise – o uso de tecnologias nucleares – que envolvem, querendo ou não, o Brasil. Perdeu-se uma ocasião de ouvir-se a voz do Brasil.

Enfim, seria bom, muito bom mesmo, que Dilma Rousseff encontre mais tempo para ocupar-se da Diplomacia brasileira e busca de identificá-la com as metas justas e claras de seu governo, em vez de deixar as relações exteriores no domínio da banalidade dos “especialistas”. 

Fonte: CartaMaior

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6 respostas em “A diplomacia brasileira está em crise?

  1. O fato de várias crises rondarem o mundo, como por exemplo, a crise da Espanha, do euro, do Paraguai e da Argentina, bem como o fato do Brasil se manter inerte, ou melhor, não se manifestar acerca de questões econômicas e políticas que se apresentam em turbulência, acredito que isto por si só não represente uma crise da diplomacia brasileira. Entretanto no momento a diplomacia brasileira necessita de maior atenção, para que não entre em colapso. Ademais, não podemos negar que no governo Lula a diplomacia brasileira passava pelos seus melhores momentos, ao contrário do que ocorre no governo atual. Desse modo, o governo Dilma Rousseff deve tomar providências com o fito de preservar a diplomacia brasileira, atitude que não significa opiniões de especialistas e sim atitudes políticas, uma vez que no momento será o mais adequado.

  2. Analisar a presente notícia requer um grande cuidado para que não seja cometida uma grande injustiça com os dois estadistas que antecederam Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Lula da Silva, presidente de 2003 a 2010 recebeu do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) um País com grande necessidade de provar ao mundo que “desta vez era para valer”. Provar ao mundo que se tratava de um País com economia consolidada, seguro para receber investimento e confiável para ser um agente externo orientador e precursor de uma nova era da economia mundial, ao lado dos chamados BRICS.
    Ocorre que o País ainda não estava pronta para para alcançar estas expectativas e a crise mundial de 2008 mostrou exatamente isso. A nossa economia também se enfraqueceu e toda a nossa atenção e esforços teve que ser redirecionada para o ambiente interno. Pois um ambiente interno carente, onde a população se encontrava desconfiada e os empresários temerários, jamais poderia refletir uma política externa pró ativa.
    Portanto, esta foi a “herança” recebida pela Exma Presidente Dilma Rousseff. Dilma inicia o seu governo em uma fase mundial onde todos os países, inclusive o Brasil, apesar de em menor escala, estão preocupados em “juntar os seus cacos” e reconstruírem-se.
    Nenhum País do mundo é capaz de ser um agente de transformações externas quando internamente as coisas ainda precisam se estabilizarem. Economicamente o Brasil se mostrava estável quando a Presidente assumiu o seu governo, ocorre, que politicamente o Brasil ainda se acertava, prova disso foram as inúmeras trocas de ministros no primeiro biênio do mandato da Presidente. Estas trocas mostram um País ainda se acertando internamente, buscando construir um ambiente favorável para que mudanças e impactos externos pudessem ainda ser praticados.

  3. No que diz respeito à diplomacia econômica, seus esforços estão mais ligados à atuação do país frente ao MERCOSUL, aos acordos internacionais, à OMC, etc. Por se tratar o Brasil ainda de um país em desenvolvimento, as ações diplomáticas econômicas são no sentido de proteger o mercado interno, principalmente naqueles setores em que o país possui maior potencial de crescimento econômico. Já o discurso diplomático político brasileiro sempre foi no sentido de não tomar partido de um ou de outro lado, porém sempre buscando uma solução mais pacífica. A orientação política é, na verdade, a mesma do governo Lula, ou seja, ficar bem com todos os envolvidos na situação, mas sempre, e de forma discreta, contra a posição diplomática americana. Daí se entender que o problema da diplomacia do governo atual talvez não seja apenas a falta de experiência ou conhecimento da presidente, mas uma postura diplomática evasiva, que já vem de governos anteriores, na qual o Brasil está sempre “em cima do muro”, quando em certas situações seria imprescindível adotar uma posição.

  4. No Brasil, o que é facilmente perceptível é a falta de continuidade de um governante para o outro. Dessa forma, é praticamente impossível a prosperidade de políticas positivas adotadas por cada um deles. É exatamente isso que ocorreu com o governo de Dilma Rousseff e Lula.
    Ele começou uma política voltada para o sucesso das nossas relações diplomáticas a fim de invocar olhares positivos ao país que trariam investimentos e credibilidade, ela se voltou aos problemas internos que o Brasil apresentava e que precisavam urgentemente de atenção. É a escolha de Sophia, ou optamos pelo crescimento externo do país ou pela melhoria da condição de vida da população e, aparentemente, a conciliação dos dois está mais difícil de ser alcançada do que imaginamos.
    Não que eu acredite que esse equilíbrio seja impossível de ser alcançado, mas o Brasil engatinha no que se tange a políticas econômicas e sociais compatíveis, e é na tentativa que chegaremos lá. Deve-se deixar de lado as rivalidades políticas e os extremismos para que aos poucos alcancemos nossos objetivos e para aprendermos a conciliar as soluções que o país precisa, para que assim os benefícios que vierem de boas relações diplomáticas alcancem e deem oportunidades à toda a população.

  5. O atual governo brasileiro, representado pela presidente Dilma tem se mostrado inativo e ineficaz no cenário internacional. O que se esperava era um prosseguimento dos esforços do governo anterior na conquista de um lugar de respeito para o nosso país no âmbito mundial. Contudo, o que temos visto é o declínio do Brasil em sua representatividade no exterior. Como se não bastassem os antecedentes da gestão brasileira com o descaso com os acordos internacionais realizando tratados de “ tabula rasa”, como por exemplo o nosso Supremo Tribunal de Justiça ao igualar hierarquicamente um tratado de internacional a uma lei, agora temos um governo não atuante, omisso e controverso quando é o assunto é se posicionar perante o resto do mundo. De fato muitas mudanças devem ocorrer, principalmente internas, nos três poderes para que o Brasil sustente sua credibilidade perante os demais países, como um pais que cumpre a palavra dada em um acordo e que se faz presente nas questões internacionais.

  6. O descaso relatado no artigo da CartaMaior com as relações internacionais do Governo Dilma é de fato uma grande perda para o Brasil. Creio que diplomatas brasileiros e Governo tem de estar unidos para que haja um consenso e a diplomacia brasileira seja realmente ativa nos interesses do Brasil.O pouco interesse nas relações internacionais é extremamente prejudicial para a economia brasileira externa e também interna, mas o Governo Dilma preferiu investir em Bolsa Familia, Programa Brasil sem miséria, dentre outros programas de resultados de curto prazo para o país. O problema é que sem investimento nas relaçoes internacionais as metas de crescimento da economia e diminuiçao da pobreza estão seriamente comprometidas. É preciso que haja a junção de ambos e que estes caminhem juntos para que o Brasil cresça economicamente e assim melhore os seus problemas internos. O país precisava ter dado uma maior atenção a Crise do Paraguai, bem como a da Argentina, e deixar como menos relevante o comércio entre Brasil- Eua; é necessário que haja continuidade entre Governos para que não ocorra novamente como está acontecendo agora, uma política exatamente contrária a do Governo anterior.

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