Integração da mulher é essencial para o desenvolvimento sustentável, diz Chefe da ONU Mulheres

A Diretora Executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, recomendou hoje no Riocentro a maior participação feminina na sociedade, indústria, comércio e principalmente política mundial, são essenciais para atingir o verdadeiro desenvolvimento sustentável da humanidade. Falando à imprensa a apenas três dias da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Bachelet disse que o caminho até que a mulher receba a consideração almejada permanece longo.

“Há avanços, mas a mulher ainda está longe na maioria dos países de participar da sociedade no mesmo pé de igualdade que os homens”, disse Bachelet. Ela disse que para haver desenvolvimento sustentável, é essencial que os governos incluam programas ativos de inclusão da mulher em todas as áreas: comercial, social, de saúde, política, educacional e nas ciências e pesquisa, entre tantas outras.

“Mulheres e crianças continuam excluídas”

Bachelet dividiu o pódio com Gro Harlem Brundtland, ex-Primeira Ministra da Noruega e atual representante do Secretário Geral para mudanças climáticas, considerada uma das maiores lideranças do mundo ambiental. Autora do relatório ‘ Nosso Futuro Comum’ no final da década de 1980, Brundtland antecipou com o documento a agenda da Rio-92 – a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED – sigla em inglês) – realizada no Rio em 1992.

“Nos últimos anos venho estudando tudo o que se passou desde de 1992 e o que me vem mais à cabeça são as meninas e mulheres, que continuam em sua maioria excluídas de participar da sociedade mundial”, disse Brundtland. “Principalmente, é essencial que o mundo respeite o direito da mulher em determinar quantos filhos quer ter e como quer controlar o seu corpo, isso é o primeiro passo em determinar a paridade social dos gêneros”, analisou.

Médica, Brundtland foi também diretora executiva da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nascida em 1939, a geração de Brundtland abriu frentes inusitadas no mundo da política escandinava, conquistando espaços e direitos nos países nórdicos até então considerados impossíveis – como a igualdade de direitos na educação e na economia, simultaneamente ao direito universal de cuidar da família sem sofrer penalidades econômicas e profissionais.

Fonte: ONU Brasil

Em ano de eleição, Obama suspende deportação de jovens imigrantes ilegais

Protesto contra deportação | Foto: Reuters

De olho na reeleição, Obama suspendeu deportação de jovens imigrantes ilegais, dizem analistas.

A medida, reivindicada pela numerosa comunidade latina do país, foi anunciada nos meses que antecedem a eleição presidencial, marcada para novembro deste ano.O governo do presidente Barack Obama anunciou nesta sexta-feira que suspendeu a deportação de imigrantes ilegais que tenham chegado aos Estados Unidos quando crianças e morado em território americano por, pelo menos, cinco anos consecutivos.

A decisão, que passa a valer imediatamente, afetará até 800 mil pessoas entre 16 e 30 anos. Os beneficiados poderão permanecer nos EUA e reivindicar o visto de trabalho.

“O anúncio é um claro golpe político que fortalecerá a cambaleante campanha de Obama. Ele usou o poder que lhe confere a Constituição para se sobrepor à inércia do Congresso em relação à revisão das leis de imigração”, afirmou William Marquez, correspondente da BBC Mundo em Washington.

A reforma das leis de imigração, hoje parada no Congresso, foi uma das principais bandeiras de Obama durante sua primeira campanha, o que o fez ganhar forte apoio da comunidade hispânica à época. Muitas dos beneficiados emigraram ainda muito jovens com pais e familiares aos EUA. Embora estejam completamente integrados à sociedade americana e tenham poucos laços com seus países de origem, ainda sofrem com a normalização de seu status.

Obama e seu oponente republicano, Mitt Romney, tem tentado ganhar votos dos imigrantes latinos em Estados considerados chave para a definição da corrida eleitoral. Romney, por exemplo, valia-se de uma versão do Dream Act – como é conhecido o conjunto de propostas para a flexibilização das leis de imigração – redigida por seu aliado e senador republicano pela Flórida, Marco Rubio, que nasceu em Cuba.

“Entretanto, ao anunciar a decisão, Obama não só largou na frente quanto conseguiu, até certo ponto, esvaziar qualquer projeto a ser proposto pelos rivais republicanos para se aproximar da comunidade latina”, disse Marquez.

Decisão justificada

Janet Napolitano, atual secretária de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que as leis de deportação não foram concebidas para ser “executadas cegamente sem levar em consideração as circunstâncias de cada indivíduo”.

“Avaliações criteriosas, que já são usadas em tantas outras áreas, são especialmente justificáveis para esse tema”, disse ela.

A mudança na política de imigração, porém, não equivale a uma mudança permanente de status ou à cidadania, ressaltou Napolitano, uma vez que não se trata de imunidade ou anistia, acrescentou.

Com a decisão, o governo Obama atende parte do pleito do Dream Act, o projeto de lei, ainda não aprovado no Congresso, que concede cidadania a jovens que foram trazidos para os EUA quando eram menores de idade. Imediatamente após o anúncio da medida, grupos de apoio aos direitos dos imigrantes latinos demonstraram apoio à alteração na política migratória, que descreveram como “uma boa e sensata notícia”.

Mas o senador republicano Lindsey Graham, que lidera o movimento contra a aprovação do Dream Act, criticou o governo Obama.

“A tentativa do presidente Obama de contornar o Congresso e a sociedade americana é, no melhor dos casos, imprudente, como também possivelmente ilegal”, disse Graham. “A decisão evita qualquer negociação com o Congresso e com a sociedade americana em vez de consertar um sistema de imigração falido de uma vez por todas”.

Obama deverá discursar sobre as mudanças na lei de imigração ainda na tarde desta sexta-feira.

Fonte: BBCBrasil