Entenda a crise da dívida da Grécia


País precisa de um novo pacote de resgate para pagar dívidas que vencem em março

Os políticos gregos aprovaram uma nova série de medidas de austeridade necessárias para obter um pacote de resgate para a economia do país.

As medidas eram exigidas pela “troika” – o grupo de negociadores internacionais formados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia.

Na madrugada de terça-feira foi anunciado que o acordo permitirá que o governo grego tenha acesso a 130 bilhões de euros em empréstimos e permitir uma redução de 100 bilhões de euros na dívida que o país tem com bancos privados.

No dia 20 de março, a Grécia precisa pagar uma parcela de 14,5 bilhões de euros.

Entenda, abaixo, como a Grécia chegou nessa situação e quais as medidas em curso para tentar recuperar o país.

Quem está pagando o resgate da Grécia?

Em tese, os governos europeus não estão pagando nada, já que o pacote de 130 bilhões de euros vem na forma de um empréstimo.

O dinheiro será emprestado a uma baixa taxa de juros, mas ainda acima do custo de tomada de empréstimos de países como Alemanha e França.

Ao contrário dos governos europeus, os credores privados – como bancos europeus – vão perder bastante dinheiro.

Pelo acordo, eles vão ter que aceitar uma redução entre 50% e 70% do dinheiro que emprestaram para a Grécia no passado.

O problema é que a economia grega está em estado tão frágil que mesmo esta redução nas dívidas não será suficiente para diminuir o tamanho da dívida grega para que ela possa ser paga no longo prazo.

Por isso, os líderes europeus já estão discutindo novas soluções, como pedir aos bancos privados que aceitem um prejuízo maior ainda, ou sugerindo que bancos centrais (inclusive o Banco Central Europeu) perdoem parte da dívida grega que possuem em títulos.

Outra opção é reduzir a taxa de juros cobrada no pacote de resgate ou reinvestir o lucro dos empréstimos para aumentar os recursos à disposição.

O que são as medidas de austeridade exigidas da Grécia?

Líderes europeus têm se mantido céticos quanto à habilidade da Grécia em implementar cortes de gastos orçamentários. Então, na mais recente rodada de negociações, exigiram que o Parlamento grego aprovasse medidas que pudessem ser tomadas de forma rápida.

A Grécia foi pressionada a aceitar cortes de gastos mais profundos, relativos a 1,5% do seu PIB, além de cortes previdenciários e de empregos, altamente impopulares entre os cidadãos gregos.

A “troika” também quer que a Grécia torne sua economia mais competitiva, eliminando os custos burocráticos e flexibilizando leis trabalhistas. Também pressionou Atenas a reduzir o salário mínimo, diminuir o número de funcionários públicos, efetuar cortes no valor das aposentadorias e a recapitalizar os bancos gregos.

Mas a Grécia já não tinha implementado medidas de austeridade?

Sim, a Grécia já tinha acordado medidas de contenção de despesas e aumentos de impostos que elevarão a arrecadação em 3,38 bilhões de euros em 2013.

Grécia aprovou medidas de austeridade, depois de já ter implementado duros cortes

No setor público, já haviam sido feitos cortes de salários e de bônus. Cerca de 30 mil funcionários públicos devem ser suspensos, e as pensões que ultrapassarem o teto de 1000 euros sofrerão cortes de 20%.

O governo grego também havia previsto obter 50 bilhões de euros até 2020 com a privatização de ativos estatais – como portos, aeroportos e minas -, mas revisou esse número para baixo por conta da piora recente do cenário econômico.

As medidas vão funcionar?

Essa é a questão de 130 bilhões de euros. O objetivo dos cortes orçamentários é reduzir o deficit grego de 160% de seu PIB para 120% até 2020.

Apesar das medidas de austeridade aplicadas até o momento, o governo grego continua gastando mais do que sua receita em impostos.

Para alguns economistas e para os sindicatos gregos, o plano em curso atualmente está fadado ao fracasso. Eles argumentam que, ao empobrecer a população, as medidas de austeridade vão simplesmente encolher ainda mais a economia do país, reduzir a arrecadação de impostos e aumentar o deficit.

Já líderes da UE dizem que a Grécia não tem escolha – que os gastos estatais precisam cair mesmo que isso signifique danos de curto prazo à economia.

Também argumentam que as medidas, como cortes de salários, farão com que aumente a competitividade grega e atrairão novos negócios ao país.

O que acontece se o plano fracassar?

Nesse caso, a Grécia não terá como pagar seus credores. Bancos e detentores dos títulos gregos perderiam – mas uma grande parcela do dinheiro já foi, de qualquer forma, eliminado da dívida.

O maior risco pode estar nos mercados, já que os investidores podem perder confiança na habilidade da zona do euro em lidar com países endividados.

A Grécia, em si, não conseguiria mais obter dinheiro emprestado em lugar algum, ficando impossibilitada de pagar o que deve a seus próprios bancos. Isso poderia gerar pânico entre correntistas e possíveis quebras de bancos.

Muitos criticam medidas de austeridade, dizendo que ela empurrará a Grécia a uma recessão maior

O país também poderia ser forçado a deixar a zona do euro.

Por que a Grécia está tão mal?

A Grécia tem gastado mais do que arrecada desde antes de entrar na zona do euro. Após a adoção da moeda comum, os gastos públicos cresceram ainda mais, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.

E ao mesmo tempo em que o dinheiro saía facilmente dos cofres estatais, pouco recursos entravam, já que a evasão fiscal é amplamente praticada na Grécia.

Assim, o país encontrava-se muito mal preparado para lidar com a crise financeira global que estourou em 2008.

Atenas recebeu 110 bilhões de euros em pacotes de resgate financeiro, em maio de 2010, para enfrentar a crise. Depois, em julho de 2011, estabeleceu-se que o país receberia mais 109 bilhões. Mas as quantias foram consideradas insuficientes.

Em outubro de 2011, a zona do euro conseguiu convencer os bancos a “cortar” 50% de seus títulos gregos, além de acordar previamente um pacote de mais 130 bilhões de euros. Os bancos deixariam de receber a metade do valor emprestado originalmente à Grécia ao adquirirem títulos gregos.

Desde então, a situação grega se deteriorou ainda mais, e o acordo agora em debate envolve uma redução ainda maior na dívida grega por parte dos bancos.

Por que a crise não foi resolvida com os pacotes de resgate prévios?

Apesar de o caso da Grécia ser o mais grave, ele é um indicativo de problemas que têm afetado outros países da zona do euro na última década, como altos deficits e crises imobiliárias.

Com a crise, ficou muito mais difícil pagar esses deficits. E os altos níveis salariais desses países os deixa sem competitividade perante outros países. E, por estarem na zona do euro, não têm a opção de desvalorizar sua moeda para deixar suas exportações mais competitivas.

Esses países estão, agora, tendo que levar adiante cortes de gastos dolorosos e aumento de impostos para colocar suas contas em dia. Mas alguns analistas creem que medidas desse tipo acabam por empurrar os países a uma recessão e, em consequência, a uma diminuição da receita obtida com impostos.

Enquanto isso, a UE tenta estabelecer medidas para o caso de mais algum país mostrar-se insolvente. Em outubro, o bloco entrou em acordo quanto ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, com 1 trilhão de euros para enfrentar futuras crises de dívida soberanas. O dinheiro, porém, ainda não foi levantado.

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12 comentários sobre “Entenda a crise da dívida da Grécia

  1. A cada dia que passa a crise Grega tem-se mostrado mais longe de ter uma solução. As receitas de impostos não são suficientes para pagar o que se gasta no país. A crise da economia europeia, junto com a crise mundial ainda deixa as condições piores. Com a diminuição do consumo, em especial na Europa, o efeito da crise agrava-se mais ainda na Grécia por causa da diminuição das exportações.

    Na minha opinião, estamos vendo neste momento que a política do euro se tornou insustentável ao longo dos anos ou pelo menos possui falhas estruturais que precisam ser corrigidas. Vejo sim a possibilidade de uma decisão por parte dos países europeus da retirada de alguns integrantes do euro. A desvalorização da moeda do país em relação aos demais se mostra um excelente artifício para a solução de problemas como este.

    A discussão apresentada no texto de onde originaria os próximos empréstimos para a Grécia, nada mais é que um paliativo para o curto prazo. O cerne da questão é que a Grécia precisa voltar a ser um país saudável , ou seja, fazer o dever de casa e reestruturar sua economia igual fazemos na nossa economia familiar, arrecadando mais do que gastamos.

  2. Vivemos em um mundo globalizado, dividido em blocos econômicos interligados e, por isso, a crise financeira da Grécia pode ter profundas implicações para outros países europeus e para economia mundial. Por consequência, foram tomadas medidas de ajuda internacional principalmente vindas da União Europeia que vem, dessa forma, mantendo sua supremacia e fortalecendo suas relações enquanto bloco econômico. Mas será a contenção de gastos realmente a melhor solução para superar a crise? A Grécia já esta no seu quarto ano de recessão, um novo ajuste fiscal só irá diminuir a renda disponível o que acarretará na redução do consumo impedindo o crescimento do país. Talvez a melhor saída não esteja em cortar gastos, mas justamente em gastar. Deixar a zona do euro e desvalorizar a moeda trazendo um pouco mais de competitividade, impulsionando o turismo e as exportações. Dessa forma, inicialmente o país se empobreceria, porém, em longo prazo, poderá crescer e gerar lucros suficientes para superar esse déficit.

    Luisa Rabello Silva

  3. Um país que representa aproximadamente 3% do PIB da Europa conseguiu se colocar em uma dívida de fim aparentemente inatingível, arrastando para a crise a Europa e o euro. País esse, ainda, que recebeu os Jogos Olímpicos em 2004.
    A crise grega que estourou no final de 2009 aparenta ser caso de preocupação ainda por um longo tempo.
    Os gregos tiveram repentinamente de se deparar com o governo vendendo empresas e terras para se financiar e a reconsiderar a sua relação com o Estado. Ainda, como membro da zona do euro, a Grécia enfrenta uma grande pressão dos demais membros para sair da situação de crise.
    Clara a repercussão na econômica mundial. Os bancos europeus passaram a emprestar menos dinheiro à Grécia, ou cobrar juros maiores. O turismo, que sempre foi responsável por boa parte da movimentação da economia grega, também sofreu baixas.
    Pede-se demais aos gregos, e muito pouco aos credores privados da Grécia, que são principalmente bancos e outras instituições financeiras européias. Assim, as queixas de que os gregos não estão cumprindo as metas, devem ser relativizadas. A verdade é que a população grega está pagando um preço altíssimo pela crise.

  4. A crise financeira que eclodiu na Grécia vem se arrastando desde antes da crise de 2008, uma vez que este país possui um déficit orçamentário, na qual o governo grego gasta mais do que sua receita em impostos. A economia grega está em estado inconsistente, e quando entrou na União Europeia os gastos públicos aumentaram ainda mais. A realidade é que a Grécia não estava preparada para a crise financeira de 2008, e os resgates financeiros que aconteceram posteriormente não foram e não é suficiente para sanar a dívida grega. Será necessário um novo pacote na forma empréstimo a Grécia, na qual ocorrerá uma redução considerável da dívida, porém também não será suficiente para pagá-la em longo prazo devido à fragilidade da economia. É certo que a Grécia terá que adotar medidas bem mais rígidas que as já tomadas, seja através de cortes previdenciários ou de empregos, aumento de impostos ainda mais rigorosos, deverá tornar a sua economia mais competitiva eliminando custos e flexibilizando leis trabalhistas. O objetivo destes cortes orçamentários é reduzir o déficit financeiro grego. Este plano pode ter êxito ou não, mas devido à situação financeira em que se encontra, a Grécia não possui alternativa.

  5. No último dia 9 de março, a Grécia impôs uma reestruturação de sua dívida pública com os credores privados que deixa lições importante ao Brasil. Segundo o governo grego, a imensa maioria dos investidores teve que aceitar trocar seus títulos por papéis de prazo maior e juros menores. Ou seja, os credores privados da dívida grega, que detêm 206 bilhões de euros em títulos públicos, tiveram que aceitar uma perda de 53,5% no valor dos seus papéis.
    Uma nova série de medidas de austeridade necessárias para obter um pacote de resgate para a economia da Grécia foi aprovada pelos políticos gregos.

    O grupo de negociadores internacionais formados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia, o chamado “troika”, é que exigiu tais medidas.

    Foi anunciado, em fevereiro, que o acordo permitirá que o governo grego tenha acesso a 130 bilhões de euros em empréstimos e permitir uma redução de 100 bilhões de euros na dívida que o país tem com bancos privados.No dia 20 de março, a Grécia precisa pagar uma parcela de 14,5 bilhões de euros.

    Quem está pagando o resgate da Grécia, em tese, não são governos europeus, já que o pacote de 130 bilhões de euros vem na forma de um empréstimo.

    O dinheiro será emprestado a uma baixa taxa de juros, mas ainda acima do custo de tomada de empréstimos de países como Alemanha e França.

    Ao contrário dos governos europeus, os credores privados – como bancos europeus – vão perder bastante dinheiro.

    Pelo acordo, eles vão ter que aceitar uma redução entre 50% e 70% do dinheiro que emprestaram para a Grécia no passado.

    O problema é que a economia grega está em estado tão frágil que mesmo esta redução nas dívidas não será suficiente para diminuir o tamanho da dívida grega para que ela possa ser paga no longo prazo.

    Por isso, os líderes europeus já estão discutindo novas soluções, como pedir aos bancos privados que aceitem um prejuízo maior ainda, ou sugerindo que bancos centrais (inclusive o Banco Central Europeu) perdoem parte da dívida grega que possuem em títulos.

    Outra opção é reduzir a taxa de juros cobrada no pacote de resgate ou reinvestir o lucro dos empréstimos para aumentar os recursos à disposição.

    Líderes europeus têm se mantido céticos quanto à habilidade da Grécia em implementar cortes de gastos orçamentários. Então, na mais recente rodada de negociações, exigiram que o Parlamento grego aprovasse medidas que pudessem ser tomadas de forma rápida. Medidas essas chamadas de Medidas de Austeridade.

    A Grécia foi pressionada a aceitar cortes de gastos mais profundos, relativos a 1,5% do seu PIB, além de cortes previdenciários e de empregos, altamente impopulares entre os cidadãos gregos.

    A “troika” também quer que a Grécia torne sua economia mais competitiva, eliminando os custos burocráticos e flexibilizando leis trabalhistas. Também pressionou Atenas a reduzir o salário mínimo, diminuir o número de funcionários públicos, efetuar cortes no valor das aposentadorias e a recapitalizar os bancos gregos.

    Com a medida, o país economizou cerca de 107 bilhões de euros. Comparando com toda a economia que o governo conseguiu fazer com as inúmeras demissões no funcionalismo público, corte nas aposentadorias e no salário mínimo grego, o tiro foi cerceiro. E os bancos, sempre poupados, não perderam tanto assim. Com o acordo anunciado, a Grécia vai receber da “troica” (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) um novo empréstimo de 130 bilhões de euros, que já deverá ser usado para evitar a inadimplência – uma parte da dívida (14,5 bilhões de euros) vence na próxima semana, em 20 de março. Ou seja, mesmo reduzindo o valor de seus títulos, os bancos serão beneficiados imediatamente com o novo pagamento liberado.

    Para o deputado Ivan Valente, uma das lições que o Brasil deve tirar deste processo no país europeu é que, em qualquer debate sobre a dívida, é preciso focar a questão nos bancos e credores privados. “Só agora a reestruturação da dívida grega chegou também aos bancos e credores privados, até então poupados dos sacrifícios que já vinham sendo impostos ao povo desde o início do ajuste fiscal”, lembrou.

    Este já é o quinto ano de recessão da economia grega. No último trimestre de 2011, a queda do PIB foi de 7,5% e a política de austeridade aprofunda a taxa de desemprego, que atingiu novo recorde trimestral, de 20,7% nos últimos três meses de 2011, refletindo o mal-estar econômico do país. Segundo dados da agência de estatísticas ELSTAT, os jovens são os mais atingidos pela recessão prolongada da economia do país. Quase 40% da população entre 15 e 29 anos estavam desempregadas, ante 28% no mesmo período do ano anterior. Com a desaceleração econômica, torna-se ainda mais difícil uma retomada do emprego.

    No Brasil, também há uma “crise da dívida”, amenizada pelo acelerado crescimento econômico dos últimos anos. E aqui, como a Grécia vinha fazendo até agora, os credores privados permanecem intocados, enquanto a população sofre as consequências do ajuste fiscal.

    A dívida pública brasileira em títulos públicos negociados com o mercado soma hoje R$ 1,786 trilhão, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. Do total, 96% (R$ 1,692 trilhão) são dívida interna e 4% (R$ 75 bilhões), externa. O pagamento de juros da dívida, o chamado superávit primário, alcançou cerca de R$ 127 bilhões no último ano. Isto representa cerca de 45% do orçamento federal.

    “Mas, com uma taxa de juros de 9,75% ao ano, uma das mais altas do mundo, os ganhos dos bancos com a dívida pública permanecem garantidos, enquanto a capacidade de investimento do Estado reduz drasticamente, afetando apenas o povo. Este percentual do orçamento que continua sendo destinado para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública seria mais do que suficiente para garantir as transformações que o país precisa em áreas como saúde, educação, moradia e infraestrutura”, analisa Ivan Valente.

  6. Os políticos gregos aprovaram uma nova série de medidas necessárias para obter um modo de reverter a atual situação econômica da Grécia.
    A Grécia tem gastado mais do que arrecada. E ao mesmo tempo em que o dinheiro saía facilmente dos cofres estatais, pouco recursos entravam, já que a evasão fiscal é amplamente praticada na Grécia.
    Assim, o país encontrava-se muito mal preparado para lidar com a crise financeira global que estourou em 2008.
    Desde então, a situação grega se deteriorou ainda mais, e o acordo agora em debate envolve uma redução ainda maior na dívida grega por parte dos bancos.
    Em tese, os governos europeus não estão pagando nada, já que o pacote de 130 bilhões de euros vem na forma de um empréstimo.
    O dinheiro será emprestado a uma baixa taxa de juros. O problema é que a economia grega está em estado tão frágil que mesmo esta redução nas dívidas não será suficiente para diminuir o tamanho da dívida grega para que ela possa ser paga no longo prazo.
    Por isso, os líderes europeus já estão discutindo novas soluções, como pedir aos bancos privados que aceitem um prejuízo maior ainda, ou sugerindo que bancos centrais (inclusive o Banco Central Europeu) perdoem parte da dívida grega que possuem em títulos.
    Outra opção é reduzir a taxa de juros cobrada no pacote de resgate ou reinvestir o lucro dos empréstimos para aumentar os recursos à disposição.
    Caso, essas medidas fracassem, a Grécia não conseguirá obter dinheiro emprestado em nenhum lugar, não conseguindo pagar as suas dívidas. Tendo que deixar a zona do euro.

  7. Independentemente da eterna guerra entre clássicos x novos Keynesianos, o certo é que o modelo econômico adotado pela Grécia após a União Europeia fracassou e as soluções apontadas até agora não são capazes de contornar a crise no país. Ao mesmo tempo que os clássicos estão corretos de que é preciso gastar menos do que se ganha, por isso o corte de gastos do governo é necessário, os Keynesianos estão corretos que o tratamento de uma crise não pode ser com desaquecimento da economia, desemprego e insatisfação popular. Tradicionalmente Keynesiano o governo do PT já vem demonstrando que é preciso encontrar um meio termo, cortar gastos públicos, reduzir o risco dos títulos da dívida pública, mas sem desacelerar o crescimento econômico; assim Dilma anuncia pelo segundo ano consecutivo corte nos gastos públicos, o Banco Central vem novamente abaixando a taxa SELIC, é meta para 2012 a reforma da previdência dos servidores públicos federais, porém ao mesmo tempo ela não aponta corte nos programas ligados ao crescimento econômico, como o PAC e o “Minha casa minha vida”. Ministério da Fazenda e Banco Central falam a mesma língua e governo procura encontrar a formula mágica de gastar menos do que ganha para fazer poupança interna, e ao mesmo tempo estimular o crescimento econômico impulsionando setores essenciais para nossa economia.

    Sofia Ribeiro Pires Lage

  8. Alguns críticos acreditam que as medidas de austeridades adotadas na Grécia irão afundá-la ainda mais. E eu concordo, porque aumentar impostos, diminuir salários, diminuir aposentadorias e exonerar funcionários públicos irão deixar a população cada vez mais pobre. Como as pessoas comuns vivem sem o trabalho? E ainda, a Grécia nem tem a opção que muitos países vêm adotando, ou seja, a desvalorização de sua moeda para fortalecer suas exportações. Sendo assim, com uma população empobrecida será que terá capital estrangeiro interessado em investir neste país, ora, pessoas pobres consomem bem menos. Enquanto os investidores (os ricos) se preocupam com a crise muitas pessoas estão caminhando para a pobreza, o que não era comum na Europa. Acho que a divida da Grécia deve ser perdoada, os bancos devem arcar com os prejuízos e a União Européia ajudar a administração pública grega a organizar toda esta bagunça financeira ao invés de pensar em bani-la da União. Só assim a população sofrerá menos. Os ricos (bancos e investidores) com o passar do tempo vão se recuperar.

  9. ARTIGO: Entenda a crise da dívida da Grécia

    Diante do período de crise econômico em que a Grécia vem vivenciando, que se justifica, por seus gastos serem maiores que a arrecadação, tendo uma intensificação ainda maior, após a entrada na Zona do Euro, onde os gastos públicos cresceram ainda mais, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.
    Com a crise financeira global que eclodiu em 2008, o país por estar vivenciando tal quadro (dinheiro tem saído com muita facilidade dos cofres estatais e ao mesmo tempo a evasão fiscal é absurda), não detinha estrutura alguma para lidar com a crise.
    Atenas recebeu 110 bilhões de euros em pacotes de resgate financeiro, em maio de 2010, para enfrentar a crise e mais tarde, em julho de 2011, estabeleceu-se que o país receberia mais 109 bilhões. Porém, tais quantias foram consideradas insuficientes.
    Houve, portanto, a necessidade dos políticos gregos aprovarem uma série de medidas de austeridade, que aborda um pacote de resgate para a economia do país. Tais medidas foram exigidas pelo grupo de negociadores internacionais formados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia. O acordo firmado dará ao governo grego acesso a 130 bilhões de euros em empréstimos e permitirá uma redução de 100 bilhões de euros na dívida que o país tem com bancos privados, impondo ainda que a quantia será emprestada a uma baixa taxa de juros e, além disso, os credores privados, com os quais o país está em débito, vão ter que aceitar uma redução entre 50% e 70% da quantia que emprestaram para a Grécia no passado.
    Mesmo com a aplicação das medidas de austeridade até o momento, o governo grego continua gastando mais do que sua receita em impostos.
    Caso o plano venha a fracassar, a Grécia não terá como pagar seus credores, fazendo com que Bancos e detentores dos títulos gregos perdessem mais uma grande parcela do dinheiro. O maior risco pode estar nos mercados, já que os investidores podem perder confiança na habilidade da zona do euro em lidar com países endividados. Neste contexto, a Grécia não conseguiria mais obter dinheiro emprestado em lugar algum, ficando impossibilitada de pagar o que deve a seus próprios bancos.
    Críticos em relação às medidas de austeridade dizem que ela empurrará a Grécia a uma recessão ainda maior, podendo inclusive ser o país forçado a deixar a zona do euro.

  10. Artigo: Entenda a Crise da Dívida da Grécia

    A situação pela qual a Grécia passa é um ilustrativo bastante interessante dos efeitos de uma crise econômica em um país de economia modesta, mal estruturada e fraca, que está atado a um grupo econômico que possui países entre as maiores economias mundiais, e por todos estarem sujeitos as mesmas regras de negociação e moeda (excluindo desse grupo a Inglaterra, que bateu o pé e não quis abrir mão da Libra à época de criação da União Européia, uma decisão que no estourar da crise econômica mundial se mostrou muito acertada, uma vez que tendo uma moeda diferente dos outros países, a Inglaterra pode desenvolver políticas econômicas diferente dos outros países, o que evitou que ela mergulhasse na crise e pudesse passar por ela de um modo que não afetasse de maneiras tão drásticas o cidadão britânico).

    A Grécia se encontra em uma situação desesperadora, e infelizmente, no final das contas, quem vai arcar com toda essa má estruturação das políticas econômicas do país em face da situação da União Européia perante a crise econômica mundial será o cidadão grego. Podem falar que os bancos privados estão abrindo mão de muito dinheiro ao aceitarem trocar as dívidas do estado grego por títulos de dívida pública, o tão comentado “swap”, mas esses bancos não vão falir por aceitarem essas medidas, pelo contrário, criarão para si uma imagem de “bons samaritanos”, ao irem ao socorro da Grécia e abrirem mão de seu dinheiro pelo futuro de um país a beira do colapso. Para eles esse dinheiro não fará muita diferença, pois eles diluem todo esse prejuízo repassando para seus outros clientes, de uma forma bem sutil e que passará despercebida aos olhos alheios.

    Mas o cidadão grego já está sentindo na pele os efeitos que a crise trouxe para seu país. Milhares de pessoas estão perdendo seus empregos, principalmente os funcionários públicos. Vários setores estão perdendo o pouco investimento que recebiam do governo, como o corte de pensões dadas a deficientes físicos, dependentes químicos, enfermos e outras parcelas da população, pensões essas em outros momentos até criticadas, mas que são de suma importância para o governo grego no tocante a aproximação do Estado com o cidadão.

    O que a crise trouxe a tona também foi o dilema entre a democracia grega e o resgate econômico do país. Parte das medidas adotadas fere diretamente o cidadão grego, que, se quando a crise estourou já culpavam os políticos por seus jogos econômicos perigosos e pouco justificados, agora que o governo pretende diminuir o salário mínimo e aumentar os impostos, o governo que está no poder já está condenado a crítica pública, tanto que novos nomes são cogitados para as próximas eleições gregas.

    A solução que parece mais viável, porém a mais difícil de ser executava seria mesmo a saída da Grécia e de outros países europeus que estão sofrendo com a crise da zona do euro, para que com uma nova moeda, novas estratégias mais eficazes possam ser traçadas, pois parece certo que se a Grécia continuar sujeita as mesmas imposições que estar na zona do euro trazem a ela hoje, todas as medidas tomadas serão apenas um paliativo que não trará uma solução definitiva para a crise que o país passa.

  11. Artigo: Entenda a Crise da Dívida da Grécia

    Observa-se na Grécia pós-independente um grande número de deficiências. Houve guerra civil, golpes de estado, deslocamento em massa de populações, terrorismo, ditadura, enfim, vários problemas que demonstram a fragilidade e a instabilidade do país após sua independência em 1832.
    A Grécia ficou conhecida nos últimos anos pela quantidade de empréstimos realizados. Estes empréstimos são os principais causadores da crise econômica, pois eram feitos várias vezes e com valores altíssimos, tornando-a dependente de empréstimos para pagar os anteriores, em um ciclo vicioso.
    Soma-se a esse fator os altos salários do funcionalismo público, gastos públicos muito elevados e a política desestruturada, marcada pela corrupção. Há também, uma grande evasão de impostos contribuindo para a diminuição de renda dos cofres públicos.
    A entrada na União Européia, em 1981 também foi fundamental para crise, pois junto com o Euro veio a inflação. Em 2008, na crise global de crédito a Grécia já se encontrava muito debilitada, mas mascarou números para disfarçar seu déficit orçamentário, que ficou mais evidente em 2010.
    Afogado em dívidas bilionárias e com um situação interna precária, a única solução encontrada pela Grécia foi recorrer à União Européia, FMI e BCE. Todavia, o empréstimo foi condicionado a medidas de austeridade para diminuir seu déficit.
    Tais medidas não foram bem vistas pela população, que as considerou bárbaras, antipopulares e antidemocráticas, gerando uma onda de greves e protestos, na maior parte das vezes, violentos.
    Tendo em vista toda esta situação alarmante, vejo duas opções mais claras para a Grécia: declarar a moratória e abandonar a União Européia ou aceitar as medidas de austeridade e conviver com os protestos.

  12. A entrada da Grécia na União Européia e a consequente adoção do euro, talvez tenha iludido os governantes do país, pois ao mudar de uma moeda sem muita importância (dracma), para outra de extrema importância no cenário econômico mundial, a falsa impressão de força da economia levou a gastos maiores do que a receita, e em médio prazo, toruxe a Grécia a uma terrível crise, que agora gera protestos e a necessidade de medidas de austeridade para tentar reverter esse quadro. Atos de certa irresponsabilidade e sem previsões de efeitos futuros causaram demissões de funcionários públicos, redução no salário mínimo e nos gastos com saúde, educação e segurança, fatos motivadores de revolta da população. Esse quadro grave de verdadeira recessão é bastante perigoso, pois impossibilita o estímulo interno e impede o fortalecimento nas relações econômicas internacionais, e mesmo com a ajuda financeira de outros países através da injeção de dinheiro é insuficiente para retirar o país do atoleiro em que se encontra. Encontrar uma saída para a Grécia em meio a crise do euro demandará tempo, pois até surgir uma base sólida, que possibilite a reestruturação econômica não só da Grécia, mas também da Espanha, Itália e Irlanda, dependerá da integraçao do bloco europeu em prol desses países, ou seja, as relações externas desempenharão papel fundamental nesse processo.

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