Pedido de reconhecimento de Estado palestino à ONU é ‘pouco realista’, diz Obama


22 de maio, 2011

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em entrevista exclusiva à BBC que qualquer tentativa de autoridades palestinas de pedir à ONU o reconhecimento formal de um Estado será apenas “um esforço simbólico” e “pouco realista“.

Obama afirmou ainda que qualquer acordo de paz na região dependerá de uma posição unificada das facções palestinas em relação à forma de negociar com Israel.

A entrevista foi concedida na quinta-feira ao jornalista da BBC Andrew Marr, horas depois de um discurso no Departamento de Estado americano, em Washington, no qual Obama delineou a política de seu país em relação ao Oriente Médio.

Eles (os palestinos) têm que tomar uma decisão, em primeiro lugar, sobre qual é a posição oficial de uma autoridade palestina unificada sobre como lidar com Israel. Porque se eles não conseguirem passar dessa barreira, será muito difícil ter uma negociação. Também acredito que a noção de que você pode resolver este problema nas Nações Unidas é simplesmente pouco realista“, afirmou o presidente americano, que acrescentou:

Seja lá o que acontecer na ONU, é preciso falar com os israelenses. Não se pode passar por cima dos israelenses. Quaisquer esforços que eles façam na ONU serão simbólicos“, disse Obama.

Durante a entrevista, Obama falou ainda sobre o assassinato do líder da Al-Qaeda Osama bin Laden, as relações com o Paquistão, sobre o estado da economia americana e sobre suas perspectivas para as eleições presidenciais americanas de 2012.

Fonte:
BBC Brasil

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3 respostas em “Pedido de reconhecimento de Estado palestino à ONU é ‘pouco realista’, diz Obama

  1. As palavras mudam de sentido com um tempo e com os lugares que são articuladas. A palavra” realista” usada pelo presidente dos EUA para designar uma falta, um erro daqueles que propugnam a inclusão do estado palestino no mapa-mundi é um desses casos.” Pouco realista” parece significar ” impossível”, ” não factível” ou mesmo ” louco”(a). Ora, o reconhecimento do Estado Palestino é tão premente quanto o fora o do Estado Israelense. Este, principalmente, poderia receber todos os campos semânticos possíveis que a expressão ” pouco realista” pudesse abarcar, haja vista a condição histórica dos judeus, quase sempre perseguidos e com a ameaça de dizimação desde o entreguerras. Assim, seria muito mais ” pouco realista” a criação de Israel, que nunca teve território físico e, de outro lado, jamais poderia advogar que o mundo fosse o seu território político. Os palestinos , dessa forma, estariam muito mais confortavelmente situados que os seus atuais algozes. De outro lado, se a unificação de seus grupos for uma condição necessária para a sua inclusão no mapa-mundi, por que o mesmo raciocínio não vale para os países com fortes fragmentações político-sociais, como o Iraque, a ex-iugoslávia e outros países que sofreram com as invasões estadunidenses? O raciocínio de Obama é bastante político, mas pouco lógico. Cheira à falácia ou, simplesmente, apenas faz parte do ” coro dos contentes”. Os palestino merecem ser reconhecidos porque são um território social, político e econômico, embora não tenham uma planície adequada para fazer florescer suas aspirações, seus anseios, sua dignidade cultural.

  2. Em maio de 1947, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, a ONU, a pedido do Reino Unido, criou o UNSCOP (United Nations Special Committee on Palestine), para elaborar o plano de partição da área do Mandato Britânico da Palestina. O plano consistia na partição da banda ocidental do território em dois Estados – um judeu e outro árabe -, e Jerusálem, um território internacional neutro. Os palestinos rejeitaram a proposta, entretanto, em novembro de 1947, 56 Estados na Assembléia Geral da ONU votaram a questão e, pelo voto de 33 países à favor, a ONU impôs a divisão ao povo que ocupava aquele território. No dia 14 de maio de 1948, em meio a uma guerra civil entre judeus e arábes, foi declarada a Independência do Estado de Israel, entretanto, não foi criado o Estado Palestino, gerando o maior impasse entre esses povos. Israel (estado judeu) expandiu-se para além dos limites que o plano de partilha lhe havia designado; o Estado Árabe (Palestina) ficou diminuído e repartido em dois. Um número de 109 países reconhecem a Palestina como Estado, entre eles o Brasil, todavia o reconhece com as divisas previstas pela ONU em 1947, e a Palestina possui todos os 4 requisitos constitutivos dos Estados. Os Estados Unidos dizem que o reconhecimento é pouco realista, e justificam-se utilizando o conflito entre Israel e Palestina e os impasses nas negociações, todos sabem que esse conflito realmente existe e tem grande impotância, mas, as ações dos EUA em relação à Palestina não facilitam este processo. Publicam-se a todo momento manchetes que declaram que: “os EUA ameaçam suspender ajuda a palestinos por busca de reconhecimento na ONU”, “tomarão medidas punitivas contra a Autoridade Palestiniana se tentar o reconhecimento do Estado palestiniano”, ou ainda “Deputada dos EUA quer boicotar quem apoiar a Palestina”. Será mesmo o reconhecimento impossível ou os Estados Unidos buscam impossibilitar esse reconhecimento?

  3. Os palestinos estão na Palestina porque esta é sua terra, e a única natal do povo palestino. Os judeus israelenses estão em Israel porque não há nenhum outro país no mundo a que os judeus, como povo, poderiam chamar de seu lar, depois de tanta violência sofrida com o holocausto. Estes foram expulsos da Europa, exatamente da mesma forma que os palestinos foram inicialmente expulsos a Palestina e, em seguida, dos países árabes. Os palestinos tentaram, involuntariamente, viver em outros países árabes, mas foram rejeitados, às vezes até humilhados e perseguidos pela chamada “família árabe”. Tomaram conhecimento, da maneira mais dolorosa, de sua “palestineidade”, pois não eram desejados como libaneses, sírios, egípcios ou iraquianos. Tiveram de aprender, pelo caminho mais tortuoso, que são palestinos e este é o único país em que eles podem segurar-se.
    Israelenses e palestinos têm raízes históricas e emocionais profundas, diferentes. Não se pode esperar da nação palestina que ela renuncie voluntariamente ao direito a uma autonomia nacional, assim como Israel não o fez e alcançou o tão querido reconhecimento como Estado.
    Washington, depois da Guerra Fria e da primeira Guerra no Golfo (1991), resolveu patrocinar um acordo de paz entre palestinos e israelenses. Em 1993, depois dos chamados Acordos de Oslo, o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o líder da OLP (Organização para Libertação da Palestina), Yasser Arafat, assinaram um histórico acordo de paz mediado pelo presidente Bill Clinton. Contudo, questões cruciais como o status de Jerusalém e a formação de um Estado independente palestino foram adiados. As opções militares e políticas falharam miseravelmente no Oriente Médio.
    No próximo dia 20 de setembro, o pedido será encaminhado à ONU, que deverá ser aprovada pelo Conselho de Segurança, no qual os EUA é membro e têm, inclusive, poder de veto, para depois, ser votada pela Assembléia Geral da entidade. Não é passível de entendimento que os Estados Unidos, uma vez já responsáveis pela mediação de paz entre as duas nações em conflito, vejam o Estado Palestino como algo não palpável ou se posicione contra por interesses circunscritos ao seu Estado e não analise o contexto global que pressiona a favor.

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