9 09UTC Novembro 09UTC 2009...17:42

G20 discute ”reforma do mundo’

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G20

 

Ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais dos países do G20 trancaram-se neste fim de semana na Escócia para começar a debater o que, com algum exagero, poderia ser chamado de reforma do mundo.
Na linguagem sempre mais prolífica dos comunicados oficiais, o tema central do encontro será a “Moldura para Crescimento Forte, Sustentável e Equilibrado”, lançada na cúpula do grupo em Pittsburgh, faz um mês e meio.

Ainda em linguagem contida, trata-se de “buscar políticas destinadas a evitar que os ciclos de crédito e de preços de ativos se tornem forças de desestabilização e procurar um padrão mais equilibrado de crescimento da demanda global”.
Na prática, o que as negociações preliminares apontam é um nítido confronto entre o mundo rico e os países emergentes em torno de dois pontos: o que é exatamente “crescimento equilibrado” e quem deve ser o xerife a organizar o “padrão mais equilibrado”.
Os emergentes querem que seja o próprio G20 o ator principal do que o jargão chama de “peer review”, ou revisão pelos parceiros das políticas de cada país que possam interferir na saúde econômica dos demais.
Já o mundo rico prefere o FMI que o Brasil rejeita; primeiro porque os ricos têm mais voz e voto do que os emergentes, e, segundo, porque “os ricos não têm experiências passadas com o FMI, ao contrário de nós”.

A reforma do FMI para corrigir o desequilíbrio entre ricos, pobres e emergentes está sendo discutida no fundo e tem data marcada para ser implementada (2011).

Quanto à definição de crescimento “equilibrado”, originalmente se referia ao fato de que um dos fatores relevantes para a crise global de 2008/09 foi o excesso de consumo dos EUA e o excesso de exportações da China (principalmente, mas não exclusivamente; Japão e Alemanha também são apontados como responsáveis por esse desequilíbrio). Na cúpula de Pittsburgh, os EUA tentaram, sem sucesso, uma formulação menos anódina do que a que acabou sendo usada no comunicado final para se referir à “Moldura”.

Tudo somado, fica claro que o relativo consenso das reuniões anteriores do G20, quando a crise concentrava as atenções, tende a se dissolver agora que o grupo passa a olhar para o pós-crise.

Crédito: Clóvis Rossi

Clique aqui para ler na íntegra

Postado por Flávio Vieira

1 Comentário

  • Chegou a hora dos países que compõem o G20 darem a cara a tapa e, definitivamente, baterem de frente com o G8. Com a crise que assolou o planeta no ano passado, os países ricos sofreram muito mais do que os emergentes, e ainda enfrentam problemas para uma estabilização econômica. Contudo, os emergentes não só passaram bem pela crise como colheram frutos após o término desta, exemplo disso é o Brasil que hoje empresta dinheiro ao FMI.
    Portanto, do que adianta termos passado, mais do que ilesos, mas sim fortificados pela crise, se não teremos a ousadia de lançarmos mão da situação vantajosa em que nos encontramos para sermos mais ousadas e tomarmos controle da situação? A hora é agora, sempre esperamos por um cenário desses, e se não agirmos agora, não acredito que teremos outra oportunidade como esta tão cedo.


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