
O Brasil sempre conseguiu impor uma solução, mas pagando um preço para os outros membros do bloco.
Todo acordo comercial do Mercosul tem sido uma dificuldade, embora nenhum até agora tenha deixado de ser assinado por causa de divergências no bloco. O Brasil sempre conseguiu impor uma solução, mas pagando um preço para os outros membros do bloco.
Agora, com o estado cada vez mais calamitoso do bloco, aumenta no setor privado brasileiro a demanda pela “reinvenção” do projeto de integração regional. A opção seria recuar e transformar a união aduaneira em área de livre comércio, desmontando a Tarifa Externa Comum (TEC), já razoavelmente furada.
Com isso, o Brasil poderia fechar sozinho importantes acordos bilaterais de comércio – com a União Europeia, por exemplo, e mais tarde com os próprios Estados Unidos, na visão de alguns segmentos empresariais.
A flexibilidade facilitaria acordos comerciais num momento em que a Argentina tem dificuldades para liberalizar seu mercado, com um processo de reindustrialização que passa pela percepção de que precisa de proteção na fronteira, notam negociadores.
Paraguai e Uruguai também têm resistido a acordos de livre comércio do bloco com outros parceiros porque querem manter o mercado brasileiro cativo. Toda vez que há um acordo do Mercosul com outros países, é criada uma competição adicional que paraguaios e uruguaios passam a ter no mercado brasileiro, corroendo suas preferências. De maneira geral, os dois negociam mais com o Brasil do que com outros países, tentando manter suas vantagens.
Até agora, acordo do Mercosul só deixou de ser assinado por causa dos setores econômicos. Na negociação com as seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein), foram Brasil e Argentina que não aceitaram a abertura na área petroquímica.
Crédito: Assis Moreira
Postado por Flávio Vieira
1 Comentário
11 11UTC Novembro 11UTC 2009 às 22:20
Acho que a “reinvenção” do MERCOSUL,a qual transformaria esse bloco econômico de união aduaneira em área de livre comércio seria sim uma alternativa bastante efetiva principalmente para o Brasil.Diante dos acontecimentos e da situação encontrada atualmente, com uma mudança na forma do bloco econômico, o Brasil poderia realizar sozinho, acordos bilaterais sem depender do consentimento dos demais países que participam do grupo. O conflito com a Argentina, devido seu protecionismo um pouco exagerado e a possível entrada da Venezuela no Bloco Econômico em questão deixa-o cada vez mais fragilizado nas negociações. Muitos relatos tem se visto sobre o fato de que o desvio de comércio a favor da China, provocado pelas licenças não automáticas aplicadas pela Argentina, foi considerado a gota d’água para a paciência dos empresários. Com isso, tira-se a conclusão que o Brasil está ficando com o ônus da união aduaneira, que é negociar em conjunto, mas não aproveita os benefícios.Diante dessas situações vejo que cada vez mais se torna necessário uma mudança do Mercosul, pois um bloco econômico é criado para facilitar a vida econômica dos países membros, ajudando o desenvolvimento econômico desses países.Na medida que o bloco se torna um obstáculo para o acordos econômicos que trariam avanço para os países membros, não vejo solução mais sensata do que se rever a forma em que se encontra esse bloco, como é o caso do Mercosul.