
Uma cerimônia na igreja de Gethsemane, em Berlim Oriental, marcou o início das comemorações pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim, nesta segunda-feira, na Alemanha. A igreja foi um dos centros de protesto nos meses que antecederam à queda.
Ainda nesta segunda-feira, líderes mundiais farão uma caminhada simbólica pela primeira fronteira da Alemanha Oriental a ser aberta em 1989. A queda do muro levou ao colapso do poder comunista no Leste Europeu, à reunificação alemã e ao fim da Guerra Fria.
A Alemanha Oriental comunista ergueu o muro de concreto com 155 quilômetros de extensão em torno de Berlim Ocidental em 1961 para evitar que moradores do lado comunista fugissem para o reduto capitalista. Acredita-se que mais de cem pessoas tenham morrido tentando escapar pelo muro.
A chanceler alemã Angela Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental, está à frente das comemorações desta segunda-feira.
Entre os convidados internacionais, está o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, que vai acompanhá-la na caminhada sobre a ponte Bornholmer, que foi inesperadamente aberta depois de semanas de manifestações a favor da democracia.
Dominós
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também participam das comemorações, junto ao ex-presidente polonês Lech Walesa – que liderou o sindicato Solidariedade contra o regime comunista – e o ex-premiê húngaro Miklos Nemeth, que com a decisão de abrir as fronteiras do país, foi o primeiro a permitir que alemães orientais fugissem para o Ocidente.
Os principais eventos do dia vão ocorrer no portão de Brandemburgo – o símbolo da reunificação alemã em 1990.
Centenas de dominós gigantes feitos de espuma, pintados por jovens com mensagens de liberdade, foram alinhados na linha onde ficava o muro e serão derrubados às 20h (hora local, 17h em Brasília), representando como os governos comunistas da Europa do Leste foram caindo, um após o outro.
As festividades serão encerradas com um show de fogos de artifício e um show com músicos de vários países.
Falta de comunicação
Recentemente, o ex-funcionário do governo comunista da Alemanha Oriental Guenter Schabowski, cujo comentário casual de acabar com as restrições de viagem para a Alemanha Ocidental teria detonado a queda do muro, admitiu que houve uma falha de comunicação com o chefe do partido, Egon Krenz.
Schabowski anunciou o plano durante uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pela TV, acrescentando que a medida entraria em vigor “imediatamente”. Ele explicou à BBC que não sabia exatamente quando o muro seria aberto, mas que não fazia sentido anunciar a abertura e não abri-lo.
Schabowski disse que não se arrepende do comentário, porque ele levou à reunificação pacífica da Alemanha.
Na véspera das comemorações, Hillary Clinton pediu novo impulso para liberar os que ainda estão oprimidos. “Nossa história não terminou na noite em que o muro caiu”, disse ela.
“Para expandir a liberdade de mais gente não podemos aceitar que a liberdade não pertença a todas as pessoas.”
VEJA A LINHA DO TEMPO COM OS PRINCIPAIS FATOS DE 1989, pela BBC:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091106_timeline_1989_wide.shtml
Fonte: BBC-Brasil
Postado por Lais Niman
2 Comentários
10 10UTC Novembro 10UTC 2009 às 21:21
A queda do muro de Berlim mudou o rumo da história. Não só os alemães vivenciaram tal mudança. Dá uma olhada no que escrevi e me diz se gosta: http://fantasticocenario.wordpress.com/2009/11/09/20-anos-da-queda-do-muro-de-berlim/
18 18UTC Novembro 18UTC 2009 às 8:52
Já se passaram 20 anos desde a queda do Muro de Berlim. Junto com ele foram também demolidas a Cortina de Ferro que dividia o planeta em dois e a Guerra Fria que aterrorizava o mundo com a possibilidade de que a qualquer momento poderia estourar uma guerra nuclear .
Hoje a Alemanha tem uma chanceler que cresceu no lado Oriental de Berlim, o que pode significar mudanças profundas na estrutura do país, pois o leste ainda é atrasado quando comparado à parte Ocidental da capital, as diferenças ainda perduram, estas que vão muito além da esfera material.
Quando o muro caiu surgiu a fantasia de que dentro de pouco tempo tudo se acertaria e os dois lados se igualariam, fato que até hoje não aconteceu.
Ainda podemos dividir Berlim em duas, quem esperava que a grande diferença fosse apenas material se enganou, o choque cultural foi inevitável. Enquanto o povo da antiga Berlim Comunista era muito mais humano e unido, o da Berlim Capitalista se apresentou muito individualista e frio. Até hoje aqueles que vivem ou viveram na antiga parte Oriental sentem essa diferença e, pelo menos nesse ponto, acreditam que o seu lado era superior ao outro. A Alemanha unificada pode ainda representar uma ilusão, pois enquanto o povo não se sentir unido e tratado de forma igualitária, será difícil convencê-los de que o muro caiu. Angela Merkel sabe disso e procurará resolver esses impasses, esse que não será resolvido com obras, mas com muito esforço e atos inovadores.