País de baixo IDH recebe menos remessas


Bancoc, 08/10/2009Remessas per capita

Nações pobres recebem apenas 0,78% dos recursos enviados por imigrantes, dinheiro importante para incrementar renda das famílias

DAYANNE SOUSA
da PrimaPagina

Os países de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) são os que menos recebem remessas de nativos vivendo no exterior. Ao todo, apenas 0,78% do volume total de US$ 370 bilhões enviados por imigrantes vai para esses países. Nações de médio IDH ficam com 51% das remessas e as de IDH alto e muito alto, com 48%, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2009, lançado nesta semana pelo PNUD.

O envio de dinheiro de um imigrante para seu país de origem é considerado um instrumento importante para melhorar as condições de vida nas áreas pobres — em algumas nações, esses recursos chegam a representar mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar disso, os países de baixo desenvolvimento humano (IDH abaixo de 0,500) receberam apenas US$ 2,5 milhões em remessas em 2007, segundo o estudo. Divido pela população total dessas nações, o valor equivale a um incremento de apenas US$ 11 per capita. Nos países de IDH muito elevado (acima de 0,900), as remessas atingiram US$ 86 milhões, o que corresponde a US$ 92 por habitante.

Segundo relatório, chamado Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos, uma das razões de os países de baixo IDH receberem menos remessas é que seus habitantes têm menos condições de emigrar e de conseguir emprego em outros locais. O alto custo financeiro da mudança impede que os pobres migrem mais. “As maiores despesas inerentes às deslocações internacionais decorrem não só dos custos de transporte, mas também das restrições políticas à travessia de fronteiras internacionais, que poderão ser suplantadas apenas por aqueles que disponham de suficientes recursos, detalham qualificações que sejam procuradas nos países de destino ou que estejam dispostos a correr elevados riscos”, afirma o relatório.

Um dos efeitos disso é que poucos moradores de países de baixo desenvolvimento humano migram para países de IDH elevado — 41% se mudam para outros países da mesma categoria, e outros 40% vivem em nações de médio IDH.

Dentre os 24 países de baixo IDH, a Etiópia é a que mais recebe remessas — US$ 359 milhões em 2007, apenas US$ 4 per capita. Já a França, país com oitavo maior IDH, recebeu US$ 13 bilhões no mesmo período, US$ 223 per capita.

Os países com o maior volume de remessas recebidas são Índia e China, ambos de desenvolvimento médio. Nos dois, os valores ultrapassam US$ 30 bilhões, quantia que, se dividida pela população, não passa de US$ 30 per capita. “Mesmo quando o volume total das remessas é elevado, o seu impacto direto na redução da pobreza depende do contexto socioeconômico daqueles que se deslocam”, aponta o relatório.

Um exemplo bem sucedido, segundo o relatório, é o do México. O país é o terceiro com maior volume de remessas (US$ 27 bilhões) e a maior parte dessa verba, diz, é destinada às famílias mais pobres.

 Postado por: Matheus Luiz Puppe Magalhães

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9 comentários sobre “País de baixo IDH recebe menos remessas

  1. O preconceito atinente à palavra “imigrante” prejudica o atual fluxo migratório que é tão importante para o desenvolvimento do país. De fato, são poucos os lugares do mundo em que os imigrantes são visto com bons olhos, isto, pois, ele ocupam a vaga no mercado de trabalho que poderia estar sendo ocupada por um cidadão daquele Estado, por exemplo. Porém, todos se esquecem que o processo imigratório está relacionado tanto à formação da identidade do País (como é o caso da importante miscigenação brasileira), bem como para aproximar as relações internacionais entre os países. A imigração é peça fundamental para a globalização.

  2. Como relatado os países de baixo IDH são os que recebem menos remessas de capital dos imigrantes. É válido ressaltar que essas remessas são de suma importância para o desenvolvimento de áreas em alguns países. E como foi mencionado, nos países de menor índice é que acontece o menor número de emigração, devido às condições da população. Dessa forma, em minha opinião, o governo destes países deveriam se preocupar em firmar acordos ou parcerias com os demais países, proporcionando benefícios àqueles que emigram e enviam remessas beneficiando o país de origem. Deveriam também incentivar o envio dessas remessas pelos cidadãos que estão fora e através de uma diplomacia facilitar o envio destas, já que o próprio país será o beneficiado.

  3. O principal objetivo dos recursos não está sendo atingido conforme se vê no artigo acima.Não faz sentido a quase totalidade das remessas terem como beneficiários países com alto e médio IDH se, na verdade, visaria a melhoria das condições de vida da população dos países pobres.
    Deveria ser feita a divisão inversamente proporcional ao IDH de cada país.Assim, s remessas seriam justas e destinadas àqueles que mais necessitam de incentivos.
    A questão também abrange as dificuldades que enfrentam os imigrantes de países pobres em países ricos, como França e Inglaterra, onde o sistema de imigração está cadavez mais rígidos e os governos publicamente apoiam a não abertura para os imigrantes, sendo áté mesmo racistas, nesse sentido.

  4. O ponto é que para receber maiores recursos enviados por imigrantes, o país precisa ter um alto índice de emigração.E isso não se verifica porque justamente há menos condições dos habitantes de países pobres emigrarem.Como também, é notável os empecilhos que são colocados pelos países ricos ao se tratar de imigrantes.Tal conduta é necessária mas às vezes chega a ser uma prepotência de países desenvolvidos.Vale ressaltar que as remessas enviadas dos nativos que vivem no exterior possuem uma ótima destinação ao incrementar a renda de famílias das áreas pobres.Para que essa finalidade fosse realmente atingida, os países de alto IDH por meio de algum ato diplomático deveriam ceder essas remessas que seriam distribuídas aos países de baixo IDH os quais realmente precisam desses recursos. Os países ricos devem manter a vigilância fronteiriça que se tornou mais severa após os temores despertados pelos ataques de 11 de setembro de 2001 mas isso sem criar um sentimento antiimigração na população.

  5. Sabe-se que desde que a humanidade surgiu na terra, há cerca de 100.000 ou 150.000 anos, ocorre o deslocamento de pessoas pelos continentes, em busca de meios que permitam a sobrevivência das mesmas. O que não se tem definição precisa é sobre os fatores que levam às pessoas a migrarem. Contudo, podemos apontar, no período em que vivemos, que a migração, preponderantemente, nasce de aspectos econômicos, impulsionados pela globalização. É disto que trata o texto acima. Diante da oportunidade de se ingressar em um país que lhe oferte meios para alcançar uma renda que supra suas necessidades e de sua família, os imigrantes adentram nesta empreitada com o objetivo certo de que com isto irão retirar seu sustento. Mediante o envio de remessas para o país natal (por meio da imigração), consta-se que em muitos países o capital que ingressa na economia nacional -advindo do exterior, constitui potencial elevado para dirimir a pobreza das famílias daqueles imigrantes que as abandonaram (ainda que contra suas vontades) em busca deste fim. Se esta é uma possível solução para a melhoria das condições destas famílias, porque então não se pode fomentar a imigração? Não seria viável que àqueles que necessitam de ajuda a recebam de forma “mascarada”. Digo isto, por considerar ser ineficaz a exportação, em condições desiguais, de mão-de-obra não qualificada de um país que nem ao menos propicia necessidades básicas a sua população, frente à mão-de-obra qualificada que um país desenvolvido também exporta. Assim, como afirmado no relatório, “Mesmo quando o volume total das remessas é elevado, o seu impacto direto na redução da pobreza depende do contexto socioeconômico daqueles que se deslocam”, ou seja, não adianta oferecer oportunidades iguais para os desiguais. Primeiro deve haver nivelamento de condições sociais.

  6. Há uma discrepância entre as remessas de dinheiro de imigrantes cujos países de origem são de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e nações de médio e elevado IDH, conformando uma discrepância que varia, respectivamente, de 0,78%, a 51% e 48%, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano, de 2009, publicado pelo PNUD, pelo que se tem comprometido um importante instrumento para melhorar as condições de vida nas áreas pobres, quando se tem que em alguns países estes recursos chegam a representar mais de um terço do produto interno bruto (PIB). Exemplificativamente, temos que, em 2007, países de baixo IDH receberam US$ 2,5 milhões em remessas, apontando um incremento de apenas US$ 11 per capita, quando nações de IDH elevado atingiram remessas de US$ 86 milhões, o que corresponderia a US$ 92 por habitante, justificando-se o flanco entre remessas a diferença de condições de emigração, restrições políticas, dificuldades de empregabilidade, alto custo financeiro da mudança e riscos. A Etiópia é, dentre os 29 países de baixo IDH, a que mais recebe remessas, com US$ 359 milhões em 2007 contrapondo-se à França, país com oitavo maior IDH, que recebeu US$ 13 bilhões no mesmo período, o que tomado per capita, resulta uma diferença de US$ 4 contra US$ 223. Mesmo percebendo valores que ultrapassam US$ 30 bilhões, a Índia e a China, ambos países de desenvolvimento médio, dividem entre a população valores que não passam de US$ 30 per capita, enquanto que, por exemplo bem sucedido, temos o México, que, sendo o terceiro país com maior volume de remessas (US$ 27 milhões), a maior parte desta verba é destinada às famílias mais pobres porquanto é preciso também levar-se em consideração o impacto direto na redução da pobreza com análise direta do contexto socioeconômico dos emigrantes.

    O fato é que a solução para a pobreza e a superação de baixos índices de desenvolvimento humano não pode simplesmente perpassar pela subjetividade combatente que se dispõe a transpor todos os óbices de sua história particular para dar melhores condições aos seus. A solução está na razão. Primeiro, é absurdo que apenas esta remessa de expensas particulares possa representar, em alguns Estados, mais de um terço do produto interno bruto. Secundariamente, é vexatório que já tão amadurecido o ideal de igualdade ainda o entendamos na superficialidade da similitude física e não vejamos que dificuldades como a de empregabilidade tangencia questões como o direito à educação, comprometendo uma humanidade que subliminarmente ainda dá guarida a crimes contra si, acolhendo “escravidões” em pleno século XXI.

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